3 em Comportamento/ crônicas no dia 13.05.2016

Crônicas da Jô: olá, novo passaporte!

Na manhã de um dia qualquer me deparei com um compromisso incomum na minha agenda, “tirar o passaporte novo“. O despertador tocou e eu levantei com esse objetivo.

Com a retirada do novo documento, o antigo é invalidado. Do jeito que sou sentimental, gostaria de fazer uma mini cerimônia para celebrar uma retrospectiva de tudo que aconteceu nos últimos 5 anos. Agradecer todas as oportunidades e pensar sobre cada história, claro, não foi possível.

passaporteA verdade que tenho vergonha de admitir é que fico emocionada ao pensar que cada carimbo significou uma aventura marcante, dessas que nunca vou esquecer. Para o policial federal é apenas um procedimento padrão. Pra mim, essas folhas são parte de um sonho de vida que se torna mais real a cada ano que passa: conhecer o mundo.

Na minha vida trocar de passaporte tem um sentimento de transformação, renovação, encerramento de um clico e abertura de outro. Não são apenas papéis que ao serem cortados ou furados perdem seu valor. São documentos que eu vou guardar pra sempre, junto com todos os outros que eu tenho desde meus 5 anos de idade.

A realidade é que nas primeiras horas que eu pisei em Nova York pela primeira vez na vida eu descobri algo que nunca mudou: quero poder me dar inúmeras oportunidades de ver o mundo dos mais variáveis ângulos. Foi em outubro do ano 2000, eu me lembro da temperatura das ruas, do cheiro da cidade, da sensação da jaqueta e do sabor do linguine à carbonara. Eu nunca mais me recuperei daquela viagem. Viajar se transformou no meu maior vício, prazer e aventura.

É clichê mas é verdade, a primeira vez a gente nunca esquece. Nunca deixou de ser emocionante, mas eu jamais me esqueci dos meus primeiros passos como uma viajante do mundo.

Estamos entrando numa era que talvez se torne mais complicado viajar tanto pelo mundo, mas não importa, as vezes tudo que precisamos é trocar de estado, cidade e cultura para tirar o pensamento da zona de conforto e aprender sobre o novo, o desconhecido.

Como diz minha amiga Bia: nada é tão nosso quanto nossos sonhos. Nada é tão meu quanto as experiências contadas em forma de carimbo nessas folhas verdes que me levaram para conhecer o Japão, para interagir com os muçulmanos em Istambul ou para comer macarrão na Itália. Nada é mais meu do cada uma das viagens que tanto mudou minha vida e me ensinou. Nada se compara aos amigos que fiz na estrada, as risadas que dei com as amigas andando de mochila na Europa ou a nadar sem parar o mar Egeu. Nada é mais meu que cada lembrança das viagens que fiz com a minha mãe, com as pessoas que amo e mesmo sozinha.  Nada que eu possa comprar vai me preencher mais do que a sensação de abrir a cabeça e embarcar com destino ao desconhecido (ou ao conhecido visto com outros olhos).

Para muita gente o compromisso de tirar o passaporte é uma troca de documentos ou uma necessidade que surge, para mim é mais do que isso. No meu ponto de vista aventureiro é encerrar um ciclo. Se o passaporte que terminou em 2011 foi de uma menina que tinha vencido muitos medos viajando sozinha, o que vence em 2016 é de uma mulher que ganhou o mundo, a si mesma e compreendeu que viajar é maravilhoso, mas não pode ser uma válvula de escape, não pode ser uma fuga de uma vida infeliz.

Em algum lugar desses 5 anos eu aprendi que viajar continua sendo o melhor investimento que o meu dinheiro pode comprar, mas não deve ser o meu único momento de felicidade e paz no ano. Embarcar com destino aos mais variáveis continentes é uma forma de manifestar a curiosidade, a alegria e celebrar a vida, mas precisamos ser felizes mais vezes, em qualquer lugar, por motivos diversos.

Me tornei alguém que quer viajar o mundo e o Brasil inteiro, mas que faz questão de levar uma vida leve e divertida ao longo de todo o processo. As vezes a melhor memória vai ser em casa, tomando um vinho com quem você ama, meditando na sua cidade, passeando no seu país, trabalhando com o que gosta e quem sabe um dia poder sonhar junto com alguém tão apaixonado por tudo isso quanto eu.

Eu já provei que sou capaz de desbravar todos os continentes (opa, ainda não fui à Africa nem à Oceania…ainda) sozinha, dividir minhas experiências com vocês e compartilhar minhas dicas com o mundo. Agora é hora de provar que posso compartilhar essas experiências com alguém tão entusiasta quanto eu, que vai sonhar esses sonhos e descobrir o mundo comigo.

Levando em conta que meu passaporte valerá 10 anos, pode ser que eu consiga! ;)

Se não rolar a companhia ideal eu vou continuar fazendo do meu jeitinho, alterando o sozinha com o bem acompanhada e descobrir assim os tantos lugares que sonho em conhecer. Vivendo cada um plenamente durante cada experiência e tirando proveito de cada oportunidade de aprender, mudar e me transformar.

Seja bem vindo, passaporte novo! Espero que façamos da minha vida um mar de carimbos inesperados, destinos impensados e posts interessantes. O mapa mundi está na minha cabeça, o celular tem tudo que precisamos e o mundo é o que a gente acredita que é.

Até o próximo portão de embarque!

Esse texto pertence a tag de crônicas do blog | Joana Cannabrava

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Conforme contamos aqui, a tag de crônicas não tem nenhuma obrigação de refletir histórias verdadeiras, nossas ou recentes. Ela é inspirada em sentimentos reais e muitas vezes floreada com a imaginação.

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3 Comentários

  • RESPONDER
    Paloma
    13.05.2016 às 14:49

    Ainda não tive a oportunidade :(

  • RESPONDER
    Taninha Medeiros
    13.05.2016 às 19:54

    Texto lindo!
    Super me identifique com ele, tbm trocarei meu passaporte agora e espero muitos novos carimbos e experiências futuras.

  • RESPONDER
    Margarida
    16.05.2016 às 16:31

    Jo também adoro viajar com você . É sempre muito bom e divertido . Gostaria de ter mais oportunidades . Bjs Ma

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