13 em Comportamento/ Reflexões no dia 15.04.2016

O (meu) feminismo e o medo do termo! 

Quem está acompanhando o blog ultimamente, sabe que tenho falado muito de relacionamentos e de autoestima. Ando recebendo muito feedback positivo, amo quando meus posts viram palco para compartilharmos experiências e amo mais ainda quando recebo um e-mail fofo contando uma história legal vinda do post. No entanto, às vezes ouço algumas coisas que me fazem ficar na dúvida, e sei que boa parte dessa dúvida está acontecendo porque até pouquíssimo tempo atrás, apesar de sempre ter procurado empoderar as leitoras do futi, eu evitava me dizer feminista. Eu, que incentivei o sexo no primeiro encontro, falei mal dos jogos masculinos de conquistas, ressaltei a importante da libertação sexual no dia da mulher, brinquei com os caras que têm problemas e complexo com mulheres altas, questionei quando ficamos com caras que são egoístas no sexo e falei tanto de relacionamento abusivo aqui. Mesmo tentando fazer com que esses mitos caiam por terra, ainda que de forma sutil, eu preferia não me manifestar sobre ser feminista ou não, ainda que machista (com certeza) eu não fosse.

Assim como aconteceu comigo, conheço muitas meninas que ainda têm medo de se intitularem feministas, muito provavelmente porque o feminismo que mais faz barulho é um dos que mais intimidam quem quer entender o movimento e não sabe muito bem por onde começar. Ou então quer ser feminista, mas ainda está em processo de desconstrução e continua reproduzindo uma ou outra atitude ou frase machistas que muitas vezes estão tão enraizadas que saem sem perceber. Eu acho essa vertente radical muito importante – acho que sem ela, provavelmente não estaríamos falando tanto de feminismo quanto ultimamente – mas não consigo me identificar totalmente (pelo menos não ainda). Então, opto por aprender mais e mais, além de viver o que acredito ser o certo.

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Como eu disse, acho o barulho muito importante, mas comigo não funciona assim. Prefiro um passo de cada vez. Não sou da teoria do pé na porta para nada e prefiro acreditar que se a gente tem que mudar a forma de pensar, precisamos fazer isso com calma, pelo menos eu preciso. Por exemplo, outro dia contei pra um amigo que dormi com um cara no dia que ficamos pela primeira vez. Na hora ele me julgou, calado, mas me julgou. Eu notei, mas como ele não tinha falado nada, fingi que não percebi e segui conversando. Em algum momento ele disse, “Joana, eu quase te julguei, mas olhando por esse lado que você expôs, você não fez nada que um cara não faria, você não deixou de ser uma mulher menos incrível por isso”. Essa historinha que me aconteceu define bastante o meu modus operandi, apesar de saber que tem horas que a voz precisa ser levantada, principalmente quando invadem nosso espaço sem a nossa permissão (aí sai debaixo que vai ter textão, vai ter sermão, vai ter tudo ão). Pode ser que a pessoa não mude de opinião na mesma hora – pode ser que infelizmente nunca mude de opinião – mas faço questão de deixar uma sementinha plantada. Se a sementinha dará frutos ou não, prefiro dar tempo ao tempo, mas pelo menos nas minhas experiências de argumentações cara a cara com amigos e conhecidos, tem dado bastante certo esse meu jeitinho de ir devagar e sempre.

Mas esse textão na verdade, eu pensei em fazer por causa do meu último texto, onde eu falei sobre elogiar e ser elogiada e recebi um e-mail interessante e intrigante. Nele, a menina resolveu implicar com o fato de eu ter dito que gostava de ser elogiada, de ser chamada de bonita, de gostosa (e que gostava de botar o cara para cima na mesma intensidade). Segundo ela, isso era um desserviço para as mulheres e eu fiquei me questionando se estava sendo menos feminista ou menos defensora do feminismo por isso, se eu estava errada na minha linha de pensamento. Só sei que li, reli, pedi para amigas relerem sob essa ótica e até agora ninguém achou o erro.

Porque deixa eu contar uma historinha rápida: Eu aprendi a ver que sou gostosa mesmo com mais curvas e gordurinhas do que a sociedade demanda. Foi um processo longo e difícil, mas depois de tanto tempo de análises e questionamentos, eu consegui dar a volta por cima e hoje minha vida (amorosa, pessoal e profissional) está super ativa mesmo estando 12 quilos acima do peso ideal e não sendo o tal padrão de beleza. Já sofri por não pertencer e hoje acho que nenhuma mulher no mundo tem a OBRIGAÇÃO de ser bonita, ser magra e de obedecer a padrões. Por isso, vejo tanta importância em falar que mudei mas que continuo gostando de me sentir desejada do jeitinho que eu sou/estou e gosto de ser elogiada (ainda que não precise disso para me convencer de nada). Não sei se ela entendeu errado e achou que eu estava falando no texto que gostava de ser chamada de gostosa no meio da rua (aliás, se mais alguém achou isso, por favor me avisa, porque nunca que eu iria achar isso ok!), mas acho que dei a entender muito bem que estava falando de relacionamentos, de ser elogiada por alguém que você tem intimidade e não por alguém que te intimida.

Só sei que a abordagem dela me assustou um pouco, achei os argumentos radicais demais, na defensiva demais e me lembrei de uma discussão que eu participei recentemente com algumas conhecidas, onde vi muita garota com medo de se chamar de feminista, quando na verdade ela já é e já tem atitudes feministas.

 563b8b101400002b003ca055“Eu sou feminista e todos deveriam ser feministas, porque feminismo é uma outra palavra para igualdade.” Acredito muito nisso, apesar de entender que muita gente acha que esse pensamento é meio otimista demais.

Uma das minhas melhores amigas é bastante radical e eu sempre ouço (ou leio) o que ela fala ou escreve com o maior respeito. Posso não concordar com tudo, mas respeito a forma dela se posicionar, assim como ela parece me respeitar também. Assim sendo, acho que um movimento com tantas vertentes deveria contar com os mais variados tipos de mulheres, para que assim possa influenciar os mais variados tipos de mulheres que existem. Quanto mais mulheres tomarem posse do seu destino e de sua vida e ajudarem outras a fazerem o mesmo, melhor. Independente da corrente feminista que elas vierem a escolher.

Acho que é preciso que todas nós abracemos esse movimento para continuar fazendo com que as mulheres se sintam donas dos seus corpos, trabalhos, carreiras e afins. No fim, posso não ser militante, posso não brigar de forma radical, mas deixo aqui o meu exemplo com muita frequência, sem medo de julgamento. Encorajo mulheres a fazerem diferente dos padrões impostos e me emociono com cada email e mensagem que recebo de garotas que se empoderaram (ainda que sem usar essa palavra) por causa de um texto meu.

O melhor que eu, Joana Cannabrava, posso fazer pelas mulheres é seguir com a coragem de experimentar, quebrar paradigmas e escrever aqui tudo isso, nesse blog acessado por milhares de pessoas por dia. E ser romântica, ter um fraco por histórias de amor e adorar receber elogios das pessoas que permito que me elogiem não me parece mesmo ser algo que me tira do grupo de mulheres feministas. Posso ser um clichê, mas sou um clichê empoderado.

Beijos

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13 Comentários

  • RESPONDER
    May
    15.04.2016 às 21:26

    Oi Jô.
    Bem, fazem alguns anos também que passei a me interessar por assuntos relacionados à liberdade feminina, basicamente todos esses que você citou ali em cima: liberdade sexual, liberdade estética, etc etc… e nessa época aí eu não gostava muito de me chamar de feminista, até o dia que eu entendi que só fato de eu ter o direito de achar q eu posso sequer analisar algo com olhar crítico já era usufruir de conquistas feministas, aí foi onde movimento me ganhou. Hoje eu não tenho mais esse problema de me declarar feminista, mas também perdi um pouco desse tato aí que você ainda tem, de ter mais calma e não querer esguelar e encrencar com todo mundo. Eu concordo COMPLETAMENTE contigo quando tu diz que essas mudanças são vagarosas e nós mesmas (feministas) vamos desconstruindo aos poucos nossas atitudes e jargões a favor do empoderamento feminino. Acontece que pelo menos pra mim, o próximo passo no caminho do feminismo foram: a defesa da legalização do aborto e me envolver profundamente nos assuntos de abuso sexual (aliás, eu já fui estuprada e passei ANOSSSS sem conseguir falar sobre isso pois me sentia culpada e achei q eu mereci ser estuprada pois estava bebada) e gata, quando vc parte pra esses assuntos mais hard, dificilmente dá pra manter a cabeça fria e esperar que tudo aconteça “ao seu tempo”. Agora, é importante salientar: EU PERCO A CALMA COM HOMEM. Eu acho que vai completamente contra a corrente do feminismo a gente se criticar (por ex igual a miga fez com o teu texto caso ela tenha se dirigido a você de forma agressiva), acho válido e necessário demais que a gente forme uma corrente de união e compreensão e que a gente consiga se ajudar (cada uma a sua forma, você com calma e eu fazendo aloka) a mudar esse mundo, pq estamos precisadas!! Talvez o próximo passo seja você ficando um pouco mais radical quando for se envolvendo com outros assuntos, ou talvez esse seja o teu jeito mesmo, de qualquer jeito você tem prestado um serviço público mostrando sua opinião aqui no blog. Beijos querida, muita gratidão por todo empoderamento q o f-utilidades trouxe pra mim.
    ps: queria saber a opinião da Carla sobre isso tudo.

    • RESPONDER
      Joana
      16.04.2016 às 7:09

      Nossa, adorei seu comentário!
      Quanto ao caminho, concordo que todo mundo vai ficando mais lúcida, mas acho que a coisa de ter o tato é da minha personalidade, eu consigo ouvir coisas absurdas e ir colocando as coisas com calma e jeito. Eu só perco a calma quando apertam assuntos muito específicos!
      Você citou o aborto, eu consigo defender isso tranquilamente, ainda que volta e meia alguém faça a louca religiosa comigo. Já crimes sexuais eu acho que fico mais estressada. O que quero dizer é que acho que todas são necessárias, desde a radical, até a suave! Pra atingir e elucidar tudo pra maior quantidade de mulheres, pra atingir vários perfis. E não sei como serei em dois anos, Pq por enquanto, estou mudando muito a cada passo!

    • RESPONDER
      Sil
      16.04.2016 às 21:24

      Eu ia começar o texto com um palavrão mas na verdade vou dizer: MUITO OBRIGADA! Obrigada por ter a coragem de dividir sua historia com a gente, obrigada por ter a coragem de sobreviver e saber hoje que a culpa NÃO foi sua, obrigada por falar sobre algo que tantas de nós temos vergonha de assumir, obrigada por me estimular a continuar brigando por essas ausas!
      Pró escolha sempre!
      E não podemos nos calar sobre a violência sexual que tantas mulheres já sofreram e ainda sofrem. Se não me engano UMA em cada 4 ou 5 mulheres já foi estuprada ou sofreu algum tipo de violência sexual. E esse são os números que nós sabemos…

      Enfim, OBRIGADA!!!

      Beijão,
      Sil

    • RESPONDER
      Carla
      17.04.2016 às 13:22

      May, obrigada pelo seu comentário, de verdade! É muito bom quando entramos em discussões com abordagens diferentes onde todo mundo aprende, amo quando isso acontece!!
      Eu já contei um pouco minha mudança aqui nesse post: https://f-utilidades.com/2015/11/12/hoje-eu-sou-a-pessoa-que-antes-eu-torcia-o-nariz/ – mas em suma, eu sou bem parecida com a Jo. Tinha muito medo de me intitular feminista porque encarava feministas com um estereótipo que eu não me encaixava. Até ver que não era assim, e que muitas coisas que eu acreditava se enquadravam em pensamentos feministas. Acredito que ainda tenho muita coisa pra aprender e acho que esse blog ainda tem muito a me ensinar. O que fez eu abrir os olhos foi justamente algumas meninas que vieram aqui mostrar que eu estava errada no meu pensamento, e hoje eu só tenho a agradecer, principalmente quem soube me criticar sem vir com o pé na porta. Sou da teoria do “não me julgue, me eduque”e feminista que já vem na voadora pra cima de mim eu prefiro ignorar, pois acho um desserviço ao movimento. Mas hoje em dia eu acho ótimo que existam tantas meninas apontando mil problemas que antes eram vistos como coisas “normais”.
      Beijos!

  • RESPONDER
    Amanda Gomes
    16.04.2016 às 16:04

    Jo, amei demais o texto.
    Penso bem parecido com você. Estamos vivendo em um mundo em que todos expõe suas opiniões e todos são muito radicais. Nunca há um meio termo e tudo é motivo para se questionar de forma não saudável. Acredito que nós mulheres estamos ganhando cada vez mais espaço na sociedade devido a essa onda (maravilhosa por sinal) de empoderamento feminino. Isso é fantástico! Podermos nos amar, sermos livres e termos voz. Agora sobre a parte do radicalismo, não sou nada adepta. Em tudo na vida deve haver um meio termo, não podemos levar tudo a ferro e fogo. (Sei que é bem difícil por tudo isso em pratica, mas pelo menos devemos tentar, Rs…)
    Enfim, como sempre amei seu posicionamento sobre o assunto (às vezes fico pensando se você lê mentes Rs) e a qualidade do texto.
    Sucesso sempre.

  • RESPONDER
    Nina Ribeiro
    17.04.2016 às 12:45

    A amiga radical sou eu? Espero que sim :)
    Adorei o texto, amiga. Acho que mais importante do que se dizer feminista, é ter atitudes diárias a favor da igualdade entre gêneros, praticar a sororidade e empoderar quem está a nosso alcance. Né?
    Mesmo assim, acho que mulheres como você, que passam longe do radical e não são militantes per se, são as que mais deveriam se dizer feministas. Assim, é mais fácil desmistificar estereótipos da ~feminista antiga (que somos todas peludas, masculinizadas etc).
    O que você acha? ;)

    • RESPONDER
      Joana
      17.04.2016 às 12:54

      Claro que é você, com muito orgulho de você por isso!
      Eu escrevi esse texto justamente por acreditar que você tem toda razão! :)

  • RESPONDER
    Camila Arcanjo
    19.04.2016 às 4:44

    Oi Jo….

    Lendo seu texto, parei muito pra pensar sobre essa questão do feminismo e resolvi deixar aqui um pouco do meu ponto de vista… aliás, deixando claro: MEU… sei que vai ter muita gente que vai discordar, mas vamos lá, vivemos em uma sociedade livre (ou assim espero), e cada um pode ter uma opinião diferente…

    Eu sempre pensei que talvez eu fosse machista demais, por não aceitar esse feminismo tão radical. Eu não quero ser vista como essas “loucas” (desculpe o termo) que acham que qualquer frase dita por um homem é feita para rebaixá-las. Concordo que eles passam dos limites sim, muitas vezes, mas tudo virou uma perseguição tão absurda, que chegou a perder o sentido. Eu não consigo concordar com esse feminismo exagerado. Parece que todo texto que vem seguido do termo empoderamento, vai ser um bla bla bla de que não somos respeitadas e tal. E nem sempre é assim, pelo menos é como eu vejo. Tenho muitos amigos homens e eles dizem uma coisa que me parece muito real: estaríamos deixando de respeitá-los como seres humanos, e para sermos tão feministas, fazendo exatamente com eles o que não queremos que façam com a gente? É correto isso? Deveríamos ser iguais, nem mais nem menos… Mas esses movimentos extremistas estão esquecendo desse limite entre o respeito e a perseguição.

    Para vc ter uma idéia, sou de SP, tenho 31 anos, uma carreira super bacana e nesse momento estou escrevendo esse texto aqui sentada em uma cadeira no escritório da Alemanha, onde vou passar um mês. E não foi fácil chegar na posição que eu cheguei, muitas vezes me disseram que eu estava abrindo mão da minha vida pessoal em função da minha carreira, que era um absurdo ter 31 anos e estar solteira, que isso, que aquilo.

    Cara, desculpa aí, mas eu sou muito feliz com tudo que conquistei. E aí, pensando, eu acho que isso faz de mim feminista sim: eu quero ser respeitada pela minha carreira, eu quero poder viajar sem ser julgada, eu quero ser solteira sem acharem que estou encalhada. Mas não quero ser o tipo de mulher que acha que levar uma cantada é falta de respeito, ou que deixar um homem pagar uma conta num encontro é ser diminuída por ele. Sei lá… eu acho que esse extremismo está causando um verdadeiro problema, ao invés de ajudar no empoderamento das mulheres. Esse feminismo abusivo está tão forte, que o que ocorre é exatamente esse medo de se declarar feminista “light”. Será que não está na hora de também pensarmos um pouco em como tudo isso é visto? E o bacana é que sinto, pelo menos no ambiente em que eu convivo, que tenho sido muito mais respeitada por ser assim, do que fui antes. Acho que no final, os homens entendem sim a necessidade de sermos iguais e não sermos julgadas, mas é tudo um processo.

    Desculpe o textão aqui… Mas precisava desabafar um pouco sobre esse sentimento que tá me incomodando…. Mas é bom ouvir pessoas como voce dizendo que sim, temos o direito de ser fortes e frágeis ao mesmo tempo… ;)

    • RESPONDER
      Karla
      19.04.2016 às 11:25

      Gostei bastante do seu comentário. Concordo. Às vezes tenho muita preguiça do discurso feminista.

    • RESPONDER
      Joana
      19.04.2016 às 11:39

      Eu entendo muito, muito, o que você disse, apesar de hoje já não pensar igual (até algum tempo atrás eu pensava exatamente assim).
      Eu não quero ser radical, ao menos não sou agora, mas nem por isso acho menos importante falar que sim, eu sou feminista.
      Acho que você também é.
      A cantada que você se refere deve ser um cara, que você deu espaço, falando algo legal pra você não? Porque eu não imagino uma mulher tão esclarecida curtindo um “te pegava e te chupava todinha” de um cara na rua fazendo cara de tarado. Eu não gosto dessas coisas, já fui encoxada no metrô e quase morri de medo de falar qualquer coisa pra qualquer pessoa, não quero isso pra ninguém. Por isso sou contra esse tipo de assédio. Claro que adoro elogios (o post que gerou esse falava disso), gosto de uma cantada fofa, de uma iniciativa cheia de atitude, mas tudo de forma bem claramente consensual, sem abuso. Como funciona 95% das vezes que um cara se aproxima de mim numa festa, num bar ou afins. No entanto, infelizmente, não só de caras legais e que tem bom senso de oportunidade é feita a noite, a vida e a rotina. Por causa de caras que assediam de forma invasiva e grosseira que existe uma confusão real entre o que se pode ou não fazer na hora de paquerar alguém.
      Então, eu acho que você gosta de paquera, de ser elogiada, de ser cantada, mas será que você curte aquela coisa bem grosseira, no meio da rua, quando você está sozinha? Eu não. Por isso entendo essa luta e acho que devemos falar sobre o assunto. Pra deixar claro que os caras podem paquerar a vontade quem dá abertura, mas não podem invadir o espaço de ninguém.

      Sei lá, é só minha forma de pensar (hoje) a respeito dessa coisa de cantada x assédio.

    • RESPONDER
      Camila Arcanjo
      19.04.2016 às 11:52

      Jo,

      Concordo com tudo que vc disse, claro que não gosto dessas cantadas absurdas, mas como vc mesmo disse, 95% dos homens não são assim… Só que esse feminismo exagerado ao que estou me referindo está tratando eles igual aos 5% que deveriam estar na cadeia por assédio e outras coisas mais. O que me cansa / me faz pensar em como esse discurso de empoderamento está tomando o lado errado é exatamente essa generalização toda. Um cara que talvez fosse chegar em mim de boa, com um papo interessante, hoje deve se perguntar se eu sou uma Feminazi maluca que vai fazer barraco.

      Eu quero poder levantar a minha bandeira feminista sim, mas sem ser taxada dessa maneira.. Só que infelizmente, nesse momento de exageros, prefiro não fazê-lo, para que não levem meu discurso para o lado errado. Assim como vc está fazendo agora, e que coragem, tenho mais é que te dar os Parabéns… Mas pode ter certeza, podem até não dizer isso pra vc abertamente, mas estão sim, infelizmente, te julgando errado.

      Obrigado por me ouvir ;)

    • RESPONDER
      Tatiana
      19.04.2016 às 16:02

      Oi moça! Até pouco tempo atrás (coisa de um ano e pouco, eu diria), meu pensamento era bem parecido com o seu, também achava que as feministas estavam ficando chatas com essa tendência a problematizar tudo, mas depois que entrei em contato com mulheres de vertentes feministas diversas, percebi que não é bem assim!
      A gente vive numa sociedade estruturalmente organizada de forma a privilegiar certos grupos. É o caso dos homens, brancos e héteros, por exemplo. Pra que essas pessoas desfrutem dos privilégios, outros grupos sociais são oprimidos. Mulheres, negros, comunidade LGBTT, entre outros. Essas opressões são históricas e antigas, portanto, temos muitos pensamentos preconceituosos e machistas enraizados na sociedade e até mesmo na nossa própria mentalidade, uma vez que desde que nascemos escutamos que existe “mulher pra casar”, que as mulheres devem estar sempre bonitas e arrumadas para manter o interesse dos seus companheiros, que saia curta e decote são vulgares, que quem dá no primeiro encontro é puta, entre outras falas e comportamentos… Nós acabamos “normalizando” essas ideias, achando que realmente as coisas são assim para as mulheres, enquanto que os homens não tem essas mesmas limitações.
      Acontece que isso decorre da construção social. Assim, o que o feminismo busca não é a supremacia feminina, nem reverter os papéis da sociedade. O que o movimento quer é, pura e simplesmente, a equidade entre homens e mulheres. E pra isso, devem ser desconstruídos alguns conceitos, resultando na possibilidade de libertação sexual da mulher e o poder de escolha sobre o próprio corpo, entre diversos outros direitos que têm sido negados, ainda que implicitamente. Um dos principais pilares do feminismo é a sororidade, que visa incentivar as mulheres a apoiarem umas as outras… Em todos os aspectos. Assim, não devemos ficar competindo pra ver quem é mais bonita, quem fica com qual cara, mas, principalmente, não devemos ficar lutando pra ver quem tem o discurso feminista mais acertado, porque isso não existe! O que se deve fazer é apresentar o movimento àquelas que não conhecem ou não sabem exatamente o que significa, e deixar aprender e descobrir qual o posicionamento que mais combina consigo. Não devemos ter medo de anunciar por aí que somos feministas, porque você não precisa ser radical, ou anarquista, ou interseccional pra se declarar assim.
      Se nós começarmos a demonstrar que somos feministas sim, e que dentre esse grupo existe muita diversidade, com o tempo, mais mulheres vão aceitar se declarar como parte do movimento, e isso vai ser benéfico pra todas. Se você acha que tem algumas mulheres que exercem um feminismo abusivo, então você já sabe que aquela vertente não é pra você, pelo menos por enquanto. Por que você não busca conhecer o feminismo liberal, que geralmente é a porta de entrada pra se iniciar no feminismo? E aí, com o tempo, conforme você se desconstrói, você pode migrar pra outras vertentes, que não necessariamente são mais extremas, e sim mais aprofundadas.
      Deixa eu te contar uma coisa: depois que você começa a entender o porquê das problematizações serem tão frequentes, depois que você abre os olhos pra uma realidade machista que você nem percebia que acontecia perto de você, você não consegue mais se afastar disso, também vai começar a ver muitas situações problemáticas e abusivas do machismo e vai querer ser mais ativa no movimento. Lógico que isso não justifica ser grosseira nem mau educada, mas você verá que seu discurso também vai começar a ser mais intenso, e isso é normal. O que não é normal, é aceitar e se submeter a certos comportamentos por não achar que seja errado, quando tem diversas outras mulheres por aí sofrendo justamente por causa disso..

  • RESPONDER
    Isabela
    20.04.2016 às 12:02

    Oi Jo! Adorei o texto, me identifiquei com muitas partes, principalmente porque nunca fui a favor de muitas das coisas pregadas por este feminismo que vemos mais disseminado por aí. Foi aí que encontrei o humanismo e me identifiquei muito!! Vale a pena você ler sobre!

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