11 em Comportamento/ maternidade no dia 02.03.2016

#babynofuti: as dificuldades da amamentação

Eu não tenho problema nenhum em dividir as coisas aqui no blog, mas preciso admitir que    estava relutando em fazer post sobre esse assunto. Primeiro porque sempre que vejo discussões sobre amamentação, 95% delas acaba em barraco ou julgamentos. Segundo porque eu lidei muito mal não só com a amamentação, mas também em aceitar que o Arthur foi para a mamadeira muito antes do que eu imaginava.

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Só que eu comecei a receber comentários, e-mails e mensagens no snapchat (me sigam lá, carlaparedesp) pedindo para que eu contasse mais sobre a minha experiência, querendo saber como eu estava lidando com a amamentação na mamadeira e até mesmo trocar ideias, então parei para pensar que poderia valer a pena contar o que aconteceu comigo.

Então, antes do Arthur nascer eu já sabia que existia uma possibilidade de eu não ter leite por causa da redução nos seios que eu fiz há quase 10 anos. Conheço algumas amigas e ouvi histórias de meninas que não conseguiram, então já estava preparada para essa possibilidade. Mas caso tudo desse certo, minha ideia inicial era tentar amamentar até uns 6 meses. Como eu falei no DQF da semana passada, por mais informação que eu tivesse, eu acabei romantizando muitas coisas e a amamentação foi uma delas. Estava preparada para a dor de mamilos rachados e até mesmo para possíveis mastites, mas até então eu jurava que essas seriam as minhas maiores dificuldades.

Bem, o Arthur nasceu, eu fiquei 3 dias no hospital e a cada enfermeira que entrava para tentar me ensinar a amamentar, eu via que esse início não seria dos mais fáceis (por mais simpáticas, prestativas e necessárias que elas fossem, me senti muito invadida, não curti esses dias). Mesmo assim, saí do hospital sabendo direitinho como fazer, apesar de nem sempre conseguir de primeira.

mamadeira

A primeira semana foi passando, o leite desceu (tenho amiga que nem isso conseguiu) e eu achava que tudo ia dar certo já que quase não senti dor, até começar a ver que o Arthur parecia estar amarelado. Contei para o pediatra essa minha preocupação e como a gente estava na semana entre o Natal e Ano Novo, ele sugeriu que eu fosse na maternidade para pesar e fazer o exame de icterícia, por desencargo de consciência. Fomos e descobrimos que os níveis que medem a icterícia estavam mais altos do que quando saímos de lá (mas ainda não estavam críticos a ponto de precisar de banho de luz) e o pior, ele não tinha ganhado nem 1g desde o dia que saiu da maternidade. Ao contrário, tinha perdido 10g! Saí da maternidade arrasada, sem entender como ele não ganhava peso se tinha vezes que ele mamava por 1 hora/ 1 hora e meia. Comecei a lidar bem mal com o assunto, tanto que eu comecei a ter surtos de ansiedade antes de cada mamada porque ficava com medo de não conseguir alimentá-lo bem.

Como a época que o Arthur nasceu foi uma semana antes do recesso de fim de ano, meu pediatra pediu para que eu continuasse a tentar amamentar, mas que eu complementasse com fórmula quando achasse necessário até o dia da nossa primeira consulta, que aconteceria em uma semana. Seria uma forma de deixar todos tranquilos – já que eu mediria uma parte da quantidade de leite que ele estava tomando – até descobrirmos o que estava errado.

Nem precisou de muito para acharmos o que estava fora do lugar, um dia usando a bomba deu o diagnóstico: eu não estava conseguindo produzir o suficiente. Como eu e meu pediatra fazíamos questão de dar o máximo de leite materno que eu pudesse produzir mas vendo como estava o meu estado emocional, ele me sugeriu começar a tirar meu leite com a bomba e oferecê-lo na mamadeira. Quem sabe vendo o quanto ele estava tomando, eu ficaria mais tranquila. Aceitei essa proposta sem nem pensar duas vezes, e sem lembrar que muitos bebês desmamam depois que vão para a mamadeira. Foi exatamente isso que aconteceu, ele foi recusando uma vez aqui, outra ali e em pouco mais de duas semanas, eu perdi a batalha.

arthut

Apesar de estar nos meus planos, não posso dizer que amamentar no peito era um sonho meu, então, apesar de ter me sentido bem frustrada e culpada em um primeiro momento, a felicidade (e a tranquilidade) de ver cada milímetro de leite sumindo e ele ganhando peso foi tão grande que eu acabei achando mais recompensador do que continuar forçando um vínculo que é lindo e que é o ideal, mas não estava funcionando para nós dois. 

Conversar com quem teve experiências parecidas e ler sobre isso me deixou mais leve também (por isso que achei importante trazer esse assunto aqui para o blog). Hoje eu tenho a opinião de que amamentar é maravilhoso e a melhor opção para o bebê – quando tudo dá certo. Para algumas mães acontecerá naturalmente, outras terão que insistir um pouco mais até pegar no tranco e tenho certeza que a partir do momento que a coisa entra nos eixos é o melhor dos mundos. Mas caso isso não aconteça e a amamentação vire um momento de martírio e angústia – como foi um pouco o meu caso – não consigo achar que ficar forçando essa barra seja saudável para a mãe ou para o bebê. E dar mamadeira não significa parar com o aleitamento materno, vamos lembrar..

Hoje eu enxergo essa dificuldade que eu tive pelo lado do copo meio cheio. Hoje a amamentação virou um momento sereno e delicioso, o Bernardo consegue participar também (e ele ama essas horas que ele tem sozinho com o Arthur) e a gente consegue revezar as mamadas durante a noite de forma que todo mundo consegue ter horas decentes de sono. Ah, claro, sem contar que ele está crescendo e ganhando peso super bem, o que para mim é o mais importante de tudo.

Peito ou mamadeira, no entanto que você esteja amamentando seu filho com amor!

Peito ou mamadeira, no entanto que você esteja amamentando seu filho com amor!

Infelizmente meu leite que já era pouco secou completamente um pouco depois do Arthur completar 1 mês, mesmo tomando remédio e estimulando com a mão e com a bomba. Me senti culpada novamente, mas dessa vez estava mais preparada para encarar esse 7×1 da amamentação em cima de mim de forma mais leve. Hoje, dois meses depois, eu vejo as coisas de forma mais simples. Amamentar é uma troca de energias, e seja lá a forma que cada mãe resolve alimentar seu filho, o importante é que a atmosfera seja calma e cheia de amor. O vínculo acontecerá de qualquer maneira e ninguém é menos mãe por causa disso.

Essa foi a minha história e tenho certeza que cada mãe terá uma diferente para contar, não é mesmo? ;)

Beijos

Ca

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11 Comentários

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    Baixar Funk
    02.03.2016 às 10:46

    adorei seu poste !

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    Rafaela
    02.03.2016 às 11:53

    Olá! Amei seu post!! Tenho uma filha de 05 anos e passei extatamente pela mesma situação… Fiz de tudo, tomei remedio, fiz massagem, dieta que dizem aumentar o leite e nada… sofri demais, chorei muito e sabe o que me incomoda muito: as campanhas de amamentação… Ok, tem que fazer, tem sim, já que muitas mães simplesmente não querem amamentar, mas essas campanhas nos massacram dando a entender que só o leite materno trará imunidade e tudo mais que o bebê precisa.. eu chorava pq tinha impressão que minha filah seria alérgica, doente… Enfim, é uma pressão muito grande… Mas, graças a Deus minha filha é muito saudável mesmo tendo sido alimentada por fórmula.
    Um beijo

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    Gabi Andrade
    02.03.2016 às 11:54

    Vc disse tudo, amamentar é a troca de energia!!Seja no peito, seja na mamadeira! O importante é o bebê estar alimentado! De leite e de amor! Eu já estou do outro lado, meu filho mama no peito até hj, e ele já tem um ano, e as vezes tenho vontade de desmamá-lo e confesso que fico com medo de julgamentos, já que ainda tenho leite, a OMS fala em amamentar ate 2 anos e enfim…. Por enquento ainda funciona pra mim e para ele por isso vamos assim. Mas eu digo pra vc com muita sinceridade, eu acho essa questão de amamentação supervalorizada. Sei lá, posso estar pensando assim porque pra mim foi relativamente “fácil” amamentar, tirando a decida do leite que aqui foi bem sofrida, e umas semaninhas de bico rachado e mto dolorido, depois que passou, engrenamos e foi tudo sem maiores problemas! Mas sei lá, eu ver um relato de uma mãe, que sofreu e se culpou por dar mamadeira ao filho me entristece um pouco! Veja bem, vc está alimentando o seu filho! Cuidando para que ele ganhe peso e fique saudável, a diferença é que é atraves da mamadeira, e me conta, O QUE TEM DE ERRADO NISSO??? Acho que se não fosse a cobrança da sociedade, que passa automaticamente para nós mães, o processo quando necessário, seria bem menos traumático para as mães… E é isso que eu queria ver, a maternidade mais leve, com menos cobrança, que bom que passados dois meses vc já esta bem resolvida quanto a isso, pq tem que estar mesmo! Seu filho é lindo, está saudável, vc está linda, saudável e bem resolvida e é isso que importa no final das contas!!! Eu mesma senti um pouquinho da cobrança da sociedade, que ta lá, eacondidinha no fundinho do nosso ser…. Eu tive uma mastite e notei que o meu leite não estava saciando o meu bebê, que saiu do seio choroso e sem conseguir dormir, e às 6h da matina não tive dúvida, fui na farmacia, comprei o Nan, preparei a mamadeira e dei a ele. De primeira confesso que me senti esquisita, mesmo sabendo que desde os 7 meses na creche ele tomava mamadeira de Nan, parecia esquisito, ele ali no meu colo mamando uma mamadeira… Graças a Deus o bode durou o tempo da mamada, pq quando ele terminou de mamar, sorriu, suspirou satisfeito e dormiu, eu relaxei e desencanei… Hoje ele chega da creche e mama no peito se quiser, se nao quer beleza, a gente brinca junto, e antes de domir ele toma uma mamadeira de Nan, sabe porquê?! Pq na minha opinião, ele dorme muito mais saciado com a Mamadeira de Nan do que só com a mamada do peito! E eu aqui preciso de um empurrãozinho pra desmamar de vez… Tenho vontade, já comecei a pensar sobre isso, mas ainda nao criei coragem para assumir que pronto, chega e conviver com o julgamento! Por enquanto é só uma vontade, estou amadurecendo o sentimento para quando estiver pronta parar, de preferência sem sofrer por isso…
    P.s.: Antes q falem algo, eu sei dos beneficios do Leite Materno, e tirando a parte científica da coisa, a parte emocional, que eu acho que é supervalorizada SIM! Pra mim, lindo é ver uma mãe alimentando um filho com amor, seja no peito ou seja na mamadeira… O vínculo se cria da mesma forma, independente de onde o leite esta saindo. Importante é ver o bebê alimentado e saudável! E a mamãe tbm, feliz e saudável!

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    Juliana Hammes
    02.03.2016 às 16:48

    Carla, eu entendo o quanto ficamos preocupadas e ansiosas no primeiro filho. E só aprendi que é muito indelicado julgar uma mãe, pois cada um tem uma situação única, então para que julgar ou apedrejar outras mães? Fico triste quando vejo isso acontecer. Se serve de consolo, eu sempre pensei que amamentaria até 6 meses (sim, tbm não considerava muito mais que isso por n motivos, mas aqui não cabem justamente pela patrulha das mães ensandecidas hahhaha). Enfim, quando o Ben nasceu foi muito tranquilo a amamentação em si. A pega foi perfeita desde o inicio, passavam enfermeiras, pediatra, obstetra, fono e todos falavam que estava tudo ok. Não senti dor em nenhum momento e leite eu tinha tanto que jorrava, nem aqueles absorventes seguravam. Todo mundo comemorando a benção! Tudo lindo e maravilhoso até o Ben completar um mês. Começou a mamar de uma em uma hora. Era meia hora mamando, meia pra cima e voltava ao peito. Fiquei exausta, pq o pouco sono que tinha virou praticamente nada. E ele mamava e mamava e o ponteiro da balança nada de subir. Tinha leite de dar inveja e por mais que digam que não existe isso de leite não sustentar, era isso que acontecia. Bom, quando parou de ganhar peso por duas semanas, começamos a complementar. Ele ficava muito mais tranquilo e feliz. Intervalava com à amamentação, mas aconteceu a mesma coisa que com você: ele começou a não querer mais o peito. E aí que perto de dois meses ele foi pra mamadeira totalmente e ganhou peso, e está saudável, maravilhoso. Se me culpei? Sim, mas por pouco tempo, pois meu filho ficou bem melhor. Maternidade é assim. O que dá certo pra um, pode não dar pra outro. Isso não nos torna mães piores.

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    Bianca
    02.03.2016 às 18:54

    Carla, passei por isso também no início e fui tão mal acessorada pelo pediatra da época que meu filho teve sim ictericia e precisou ficar 5 dias internado tomando banho de luz. Foi muito traumatizante, uma dificuldade imensa para amamentar, pressão da sociedade, pediatra…foram momentos muito, muito tristes….eu não dormia, eu só chorava e meu filho lá, com fome e eu tentando. Enfim, quando ele internou, consegui acalmar um pouco e o leite desceu. Hoje daria mamadeira sem dúvidas! Fique tranquila, vc está fazendo o melhor para o seu filho!!!

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    Marcella
    02.03.2016 às 21:30

    Minha história foi assim tb. Meu mais velho eu consegui chegar, aos trancos e barrancos aos 2 meses. A caçula, com 1 mês já não tinha mais nada de leite. Sofri com minha “incapacidade”, sofri por achar um alívio revezar as mamadeiras durante a noite, sofri com minhas frustrações, mas sofri principalmente com o julgamento alheio. Hoje meus filhos estão ai, 10 e 6 anos, com saúde pra dar e vender, e o vínculo…. Sem comentários!!

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    Vanessa Bolzan
    03.03.2016 às 9:49

    Adorei seu post! Amor não se mede pelo tipo de parto ou de amamentação, amor se sente! Amor é amor! Parabéns! :)

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    Priscila
    03.03.2016 às 11:56

    Carla, eu fui uma das pessoas que pediu para vc falar sobre o assunto. Obrigada!!! Me identifiquei em vários trechos do seu relato. Minha filha também teve ictericia e o pediatra estava viajando (fiz parto normal), então a pediatra da maternidade mandou complementar o leite desde o início. Isso foi um balde de água fria pra mim, fiquei muito nervosa e quanto mais nervosa, menos leite… Minha filha nasceu pequena e com o peso parecido com o de um bebê prematuro (embora não fosse), então não sugava direito, e quanto menos sugava, menos leite… Usei sonda para fazer translactação, tive mastite 3 vezes e me rendi à mamadeira para que ela pudesse ganhar peso. Na semana que vem, ela fará 4 meses e ainda estou oferecendo o peito antes da mamadeira, mas ela chora e meu leite praticamente secou. Então, o que era pra ser prazeroso tem sido uma tortura pra ela e pra mim… Acho que chegou a hora de eu desistir. Fico triste, mas não me sinto menos mãe. Minha filha está crescendo linda, saudável e é um grude comigo! Concordo com as pessoas que falaram sobre a pressão que sofremos, acho certo incentivar o aleitamento materno, mas acho cruel criar esta ideia de que o bebê que não toma leite materno é menos saudável, menos bonito, menos inteligente, menos esperto, etc. Foi bom ler o relato de outras mães negando esta teoria! Desejo tudo de bom pra vc e seu bebê!

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    Carla
    03.03.2016 às 15:48

    eu não quero assustar ninguém mas muita gente confia no médico quando ele indica fórmula e tem vários estudos americanos que provam que dar alimentícios extremamente processados para as crianças, causam vários problemas e ja viciam o paladar para produtos alimentícios no futuro. O melhor é ir em um BOM nutricionista (q realmente se importa com o que o é ingerido causa no corpo). é só ler os ingredientes do nan, eu entrei em colapso e parti para uma “formúla” saudável criada pela minha nutricionista – q já havia me alertado sobre sempre ler os ingredientes, e qdo eu li só pensei que eu nunca consumiria algo assim, mto menos daria para meu filho. Só a título de curiosidade pq devemos sair da caixinha do lugar comum q alcançou os consultórios médicos mas cada um com a sua consciência.

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    Margarida Neri
    03.03.2016 às 23:44

    Carla essas coisas acontecem. Ainda mais mãe de primeira viagem. Não tem que sentir culpa. A Joana quando nasceu até 6 meses só tomava peito e chá de erva doce , mas tinha cólica. às vezes ficava no peito mais de hora.. Só comecei ter um pouco de tranquilidade quando ela entrou o 7º mês , a pediatra entrou com tudo suco, papinha e peito, que foi até os nove meses. Mas qdo o Pedro nasceu o 1ºmes foi peito, só que a joaninha muito ciumenta não deixava ter sossego, perturbava muito então por minha conta comprei uma pequena da Lilo com bico parecido com o do peito e comprei manon 1º semestre. Continuei dando peito e completando com a mamadeira ele continuou mamando no peito até 7º mês , parou porque eu quis e dormia a noite toda, nunca acordou com cólica , foi tudo muito mais tranquilo. Cada Criança é de um jeito e o 1º filho sempre é mais difícil ,pela nossa inexperiência . Bjs tudo de bom para o Arthur. Com ou sem leite materno ele vai ser muito saudável . Bjs Margarida

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    Nome (obrigatório) :ALLANA
    09.03.2016 às 14:35

    Parabéns pelo seu post Carla! Eu como uma grávida, tenho percebido como outras pessoas conseguem ser tão descriminadoras com as mães. Muito bom ver sua evolução e ‘desapego’ em relação a sua vontade/saude do seu filho. Tudo de bom pra vocês e continue escrevendo sobre suas experiências, pois elas ajudam muito outras mamães como eu, em especial as de primeria viagem. Bjus.

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