3 em Comportamento/ Reflexões no dia 02.12.2015

Gentileza: é importante saber dar e também receber!

De acordo com o Google, gentileza é um substantivo feminino que significa “ação nobre, distinta ou amável“. A meu ver é algo que envolve um ato de delicadeza para com outra pessoa.

Não é à toa que a frase “gentileza gera gentileza” foi pintada tantas vezes pelo Profeta Gentileza nas pilastras de um viaduto no Rio de Janeiro e hoje em dia está espalhada por aí em cangas, caderninhos, pulseiras, backgrounds de celular e fotos no instagram. Essa frase parece simples, óbvia, mas as vezes precisamos lembrar dela e eu acho maravilhoso que ela tenha se popularizado da forma que popularizou!

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O primeiro ponto que me faz querer pensar sobre esse substantivo é o seguinte: Se você é como eu e acredita que a gente recebe da vida aquilo que dá para ela, nada mais simpático do que pensar que para cada novo ato de gentileza, iremos criar novos atos da mesma natureza. Ou seja? Se todo mundo tentar ser um pouco mais gentil no dia-a-dia podemos ajudar a construir um mundo melhor. E não estou falando só de dinheiro não, acredito que com pequenas atitudes de educação e cidadania nós podemos fazer a diferença no dia de um indivíduo que, novamente, pode se motivar pela nossa atitude e fazer a diferença na vida de outra pessoa. Praticamente uma corrente do bem.

Eu acredito muito em fazer atos de gentileza, mas as vezes tenho problemas com o inverso… Vou explicar: saindo do lado mais ufanista da questão, o segundo ponto que me faz pensar sobre gentileza tem a ver com aprender a receber uma atitude de gentileza ou generosidade sem questionar a mesma. Não sei muito bem explicar o por quê, mas sempre que alguém me faz vários “favores” me pego super sem graça, quase de uma forma desconfortável, como se precisasse imediatamente fazer algo em troca. Chego até  a reclamar quando alguém faz muitas coisas por mim e eu não vejo uma maneira de retribuir a pessoa à altura.

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Sempre achei isso normal, deve ter a ver com a forma como eu fui criada. Meu pai e minha mãe me colocaram no mundo para ser independente e eu agradeço por isso, mas a verdade é que não há mal nenhum em aceitar gentilezas pelo caminho.

Parei para pensar sobre isso esses dias, quando uma pessoa importante pra mim me disse que eu precisava aprender a aceitar gentilezas sem reclamar, sejam elas da natureza que forem. Daí me dei conta que na maioria das vezes, aceitar atos de amizade, carinho e atenção não configura “interesse”, ainda que isso envolva não dividir a conta de um almoço ou deixar alguém pagar seu café. A maldade está nos olhos de quem vê e ninguém precisa ser tão reticente a aceitar pequenas (ou grandes) atitudes generosas ao longo da vida.

Inclusive, pode ser algo que não custa dinheiro nenhum – ou até custa algum mas o significado dessa ação é muito maior do que o valor em questão. Não é porque alguém te dá algo que você precisa se sentir em dívida. Eu vejo um paradoxo interessante quando analiso minha apologia sobre “novos atos de gentileza” brigando com meu medo de receber algo de outra pessoa.

No fim, vale lembrar que “gentileza gera gentileza“. Se alguém faz algo por mim maior do que eu posso fazer para outra pessoa, tudo bem. Por que não aceitar e fazer por um terceiro aquilo que está ao meu alcance? Por que não aceitar um ato de amizade e semear o mundo com outro ato desse tipo?

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Quando me vi questionando a quantidade de gentilezas que essa pessoa havia feito por mim, eu me dei conta que ela tinha razão. Aa vezes a gente só precisa agradecer de coração aquilo que o mundo nos dá e tentar seguir plantando novas sementes à altura das nossas possibilidades, de acordo com nosso bolso e tempo disponível. Cada um vai dar aquilo que pode e aos amigos de verdade, nem sempre precisamos pagar tudo na mesma moeda.

Por isso, eu resolvi que vou tentar parar de ficar arredia quando receber uma gentileza, vou pegar essa atitude para me lembrar que posso fazer o mesmo, ainda que por outra pessoa e dentro da minha realidade. As vezes, ser grata de coração e estar ali presente para o que der e vier já valem mais do que todo o resto. A verdade é que a gente sempre encontra uma forma de retribuir um presente, um abraço carinhoso ou um conselho importante, pode não ser na mesma hora ou na mesma medida, mas sempre vão existir maneiras da gente devolver um ato de carinho.

Não sei se mais alguém já passou por isso, mas fiquei com vontade de dividir esse pensamento com vocês. :)

Beijos

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3 Comentários

  • RESPONDER
    Paola
    02.12.2015 às 18:23

    Pouco tempo atrás , qdo o Ruy Castro cedeu sua coluna à mulher Heloisa Seixas na Folha de S.Paulo, soube que o profeta Gentileza abusava de mulheres. Apesar da fama, o cara era do mal.

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    Rita
    03.12.2015 às 9:43

    Texto mara que deu um tapaaa na minha cara rs. Sou exatamente assim, preciso saber lidar com as gentilezas recebidas. Gostei muito! Um beijoooo

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    Marcia
    03.12.2015 às 9:57

    Quando li seu post, me lembrei de bate-pronto exatamente do texto que a Paola citou. Nada a ver com a sua reflexão, Jô, mas curioso como um mote que pegou geral saiu de alguém que não personificava, de fato, aquilo que pregava. E o relato da Heloísa foi posteriormente endossado por uma leitora que escreveu para a seção de cartas do jornal, agradecendo pelo fato de a Heloísa ter trazido à tona uma faceta desconhecida do profeta Gentileza e que ela própria, leitora, também havia conhecido.

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