11 em Comportamento/ Deu o Que Falar no dia 15.12.2014

Deu o que falar…

1- Beijinho, beijinho

A gente sabe que a Xuxa perdeu a mão não é de hoje. Fazia tempo que ela não conseguia voltar aos áureos tempos de Rainha dos Baixinhos (sdds do “aham, senta lá, Claudia”) e também não estava se conectando com a nova audiência que ela queria alcançar, tanto que a audiência de seus últimos programas só afundavam. Para piorar, Xuxa ainda teve um problema no pé no começo do ano que a afastou da TV.

Mesmo assim, a gente encarou em choque a notícia de que a Globo não iria renovar mais o seu contrato (em outras palavras, Boni mandou um “Xuxa, você está demitida). Claro que para a emissora, ela era um custo altíssimo e sem retorno, mas somos da geração que cresceu querendo ir ao programa dela e/ou ser paquita. Dá uma peninha ver esse desligamento, mesmo que ele seja simbólico.

Para terminar o post sem clima pesado, não poderíamos deixar de mostrar a montagem que o Morri de Sunga Branca postou! #nósrimos

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2 – Um (bom) passo para trás

Quem curte esse universo fitness que estourou pelo instagram, com certeza conhece a Bella Falconi. Assim como tantas outras, ela mostra sua vida de academia e seu corpo com músculos ultra definidos (com 9% de gordura!) nas redes sociais para incentivar os seguidores a levar uma vida focada nos exercícios e nas dietas super rígidas – tão rígidas a ponto dela admitir que levava batata doce para os restaurantes e enxugava o frango grelhado com o guardanapo antes de comer (!).

fdsafQuem a segue, deve ter reparado que o corpo dela estava mudando muito de uns tempos pra cá, e semana passada ela contou que parou com esses radicalismos porque seu corpo estava com deficiência de vitaminas a ponto dela ter parado de menstruar.

De certa forma, é um alívio essa declaração que ela deu A sociedade julga tanto as pessoas acima do peso e seus hábitos alimentares que se esquece de ver que o outro extremo também pode ser considerado uma doença, que acaba sendo disfarçada por um corpo “perfeito” (entre aspas porque não acreditamos nisso).

Sem contar que vendo o antes e o depois, a gente achou que o corpo dela está infinitamente mais bonito agora, não acham? Tomara que ela escolha influenciar a galera fitness a levar uma vida mais para saudável e menos para radicalidade.

3- “Salve Iemanjá” ou “Salve, Iemanjá”?

farm

Algumas pessoas sabem que eu, Jô, tenho um caminho muito intenso e sério na espiritualidade. Hoje não levanto bandeira de nenhuma religião específica, mas há algum tempo comecei a estudar algumas religiões e cultos de origem afro-brasileira, e do pouco que sei sobre esse universo, já entendi que muitos mitos existem. Hoje vamos falar sobre um deles.

Iemanjá, mais conhecida como a rainha do mar, é super popular entre os pescadores e aqueles que vivem as religiões afro brasileiras. Pelo que estudei (me corrijam se eu estiver errada), para Orubá ela não teria uma forma, ela seria o mar. Sua forma humana teria ganhado forma através do sincretismo com os santos do catolicismo e a sereia da Umbanda. Por uma questão de bom senso, ela deveria ser representada por uma mulher negra, mas isso não é necessariamente uma verdade absoluta.

Semana passada, a Farm postou no Instagram uma foto de uma modelo branca vestida de Iemanjá para pular carnaval. Muitos se revoltaram falando em racismo e reclamando a ausência das modelos negras nas campanhas e lookbooks da marca, o que realmente é um problema dado que nosso país tem uma forte predominância da raça negra que pouco se representa no mundo fashion.

O que atenua um pouco a situação é que a marca tem como próxima coleção, já apresentada no atacado, uma homenagem à cultura negra. Esperamos ver essa coleção rica em estampas dar vida à fotos com lindas modelos negras, apesar de acharmos que elas já deveriam estar inclusas em outras coleções. Independente de certos e errados, nós duas achamos que essa confusão foi válida para lembrarmos de falar sobre racismo no Brasil, muitos dizem que ele não existe mais, mas cada dia que passa vemos que infelizmente não avançamos o tanto que deveríamos quanto a essa questão.

Ser humano independe de raça, cor, opção sexual ou crença. Somos todos iguais e somos todos humanos.

Antes de fechar esse ponto, podemos levantar uma polêmica à parte? Quase ninguém falou no tema e achamos ele tão delicado quanto qualquer outro. É polêmica a apropriação cultural do “look de iemanjá” para pular carnaval, uma festa tida como mundana para muitos daqueles que a tem como guia, que encaram nela uma representação de algo divino. Até onde vale a pena ir fazer zoeira vestida de santa, de Cristo ou qualquer outra representação divina? Achamos essa linha tênue, até onde você pode brincar com esses elementos religiosos de forma vazia ou oposta àquela crença em questão?

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11 Comentários

  • RESPONDER
    Isabella
    16.12.2014 às 11:56

    Achei excelente o seu último parágrafo sobre a Iemanjá, pois desde que vi o post foi exatamente isso que pensei. Uma marca como a Farm (e nenhuma outra!) pode se apropriar de um elemento sagrado, que diversas religiões cultuam e simplesmente colocar uma fantasia de Iemanjá (nenhum pouco respeitosa) para ser usada no carnaval (ainda mais no carnaval onde todos são praticadas coisas que não necessariamente vão de encontro com o candomblé e umbanda, por exemplo). O que eles fizeram é comparável a fazer uma fantasia de Ave Maria.

    Quanto a questão da modelo negra, acredito que o marketing que desenvolveu essa fantasia estava tão alienado que nem se importou em procurar a origem da Iemanjá e ver que toda uma população negra morreu para que a prática de religiões que cultuam esse Orixá fosse possível. Então sim, a fantasia deveria ser representada por uma modelo negra – caso fosse algo respeitoso – nesse caso, acho que eles simplesmente poderiam tirar essas fantasias de linha e dá próxima vez pesquisar um pouco mais antes de sair produzindo.

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    gabriela
    16.12.2014 às 14:48

    1 e 2 interessantes. 3 mimimi

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      Dani
      17.12.2014 às 8:51

      Me dá uma preguiça essas pessoas que não conseguem aprofundar um pensamento crítico e responder com argumentos e se limitam a comentar com “mimimi”. Da profundidade de um pires…

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        Carla
        17.12.2014 às 11:06

        hahahaha Sendo que a gente botou o assunto para jogo exatamente pelo fato que sabemos que tem gente que não concorda com a gente e poderia gerar uma discussão interessante! Zero mimimi, né?

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    MILA
    16.12.2014 às 17:00

    Precisamos rir com a vida. Acho que é isso que a marca faz e tantas outras pessoas que se desprendem e encaram uma fantasia no carnaval. Acredito que na comédia, no riso, na alegria tudo pode, tudo vale. A fantasia mais democrática do carnaval é o famoso “viado”. Nem por isso é homofóbico.
    Em relação ao negro temos que desmitificar também. Tudo parece ser obrigatório entrar no quesito cota. Se a modelo é branca, vejamos, ela é brasileira e isso também é afrodescendência.
    O culto ao sagrado é feito dentro da ordem religiosa. Fora dela e por quem não as pertencem, são vista de uma outra concepção. E a cada um que quiser encara a Iemanjá que imaginar.

    Liberdade, liberdade abra as asas sobre nós.
    Bjs Mila

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      silvia
      16.12.2014 às 19:32

      Já me fantasiei de Village People para uma festa a fantasia em que trabalhei. Ninguém do público GLBTTS se sentiu ofendido, pelo contrário riram e adoraram a minha ideia. Alias a festa era para de troca de identidade sexual, mas uma amiga e eu éramos umas das poucas que fomos assim, ao invés de nos preocuparmos com a atratividade da fantasia. Nós queríamos nos divertir mesmo trabalhando! :)

      Bjs!

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    Silvia
    16.12.2014 às 19:22

    Sobre o caso da Farm: eu estudei e tive acesso a algumas pessoas que trabalham com a marca e acredito que existe sim uma esteriotipização de que a menina Farm é a nova “garota de Ipanema”. Mas não acho que essa é a unica marca brasileira ou carioca que esquece que o Brasil é misigenado. Aliás várias marcas são até pior do que a Farm pq elas nem tem esse envolvimento todo com quem é a “garota Farm”. Eu não tenho a pele negra, morava na zona sul do Rio e mesmo quando tinha o cabelo longo e mais claro, eu não era e jamais serei uma garota Farm! Enfim, eles mesmos já perecberam que a Farm estava muito fechada em um grupo só e fizeram um vídeo sobre as mulheres Farm, onde mulheres de todas as raças e tipos de cabelo mostravam que elas eram mulheres Farm, (vou procurar o link). Longe de mim defender a marca mas acredito que ela não é a única que usa modelos com um determinado biotipo em suas campanhas, quase todos como a “típica carioca surfista” com seus longos cabelos aloirados de praia, com leve cacheado e de pele clara. Agora me parece que eles conhecem bem o publico deles e que isso não vai afetar em nada a percepção desse publico. E acredito que todas as marcas nacionais deveriam repensar que o mundo não é feito só de Giseles!

    Quanto a questão de Iemanjá, bem eu tenho pessoas que são da Umbanda e até Pai de Santo na família, assim como católicos carolas e judeus. Respeito muito todo tipo de crença e não vejo mal nas pessoas se fantasiarem para o Carnaval do que quiserem, desde que não seja diretamente ofensivo. Se fosse assim todo mundo que saí de Bruxa, Anjo, Diabinho, Deus greco romano, indiano e por aí vaí, estaria ofendendo alguma religião ou crença! Talvez até fantasia de fantasma pudesse ofender os espíritas, sei lá! Acho mais ofensivo ver uma freira sexy numa dessas fantasias de sexy shop, do que essa Iemanja, mas essa é a minha opinião. Como Iemanjá não teria forma, de acordo com o que a Jo explicou, na verdade a Iemanja deles poderia ter qq imagem, e fica a pergunta é ofensivo jogar flores para ela no Ano Novo se você nao é devoto?! Pq eu adoro jogar flores e nunca vi nenhum mal, afinal todo brasileiro é meio ecumênico no fim das contas, até os ateus! O importante é não ter preconceito ou diminuir a fé alheia, mas acho que impedir fantasias que tenham cunho religioso um pouco de politicamente correto demais. O que importa é a postura que você vai ter na vida. Eu ja me fantasiei de Virgem Maria em uma escola pentecostal mais de uma vez, a pedido da escola. Ja usei fantasia de odalisca, bahiana, de russa, gueixa e nunca achei que pudesse estar diminuindo ou fazendo pouco daqueles povos ou culturas. Mais importante do que a fantasia que voce usa no Carnaval é como a gente se posiciona no dia a dia!

    Blessed be e beijos!

    • RESPONDER
      Silvia
      16.12.2014 às 19:26

      PS: só eu achei a menina parecida com a Camila Coutinho?!

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    Teodora
    17.12.2014 às 22:31

    1- rsrs
    2- ATÉ QUE ENFIM uma luz no fim do túnel. Conheço mulheres que nem passaram dos 30 mas estão com problemas para engravidar por causa de radicalismo/suplementos/’vida saudável’

    —————-Agora o PRINCIPAL———-

    3- Interessante a reflexão, vejo muito o tema de ‘apropriação cultural’ nos blogs feministas norte americanos mas aqui – talvez por o Brasil ser tão miscigenado a gente não entenda muito como um problema – isso passa despercebido, a não ser que envolva religião, que coincidentemente é o caso.
    A pouca representação da multiplicidade do brasileiro é gritante em no mínimo 85% da publicidade e que fique aí um incentivo – nem que seja oportunista – para melhorar esse déficit.
    Agora, como tudo que envolve religião tem que ser visto com maior cuidado, empatia é fundamental. Cristãos já se acostumaram a ver fantasias de anjos/diabinhos nas festas e com exceção de algumas correntes mais conservadoras, não parecem se importar muito, como se estivessem sendo ofendidos diretamente em sua fé. Mas religiões tradicionalmente marginalizadas pelo preconceito podem ter uma resistência maior em ver sua identidade sendo utilizada de forma ‘banal’ (por falta de palavra melhor, deturpada me pareceu focado unicamente no negativo).
    É por isso que nos EUA causa muita polêmica Katy Perry se apresentar vestida de gueixa e fazer um clipe onde aparece como Cleópatra.
    Pharrel teve que fazer um comunicado de desculpas depois de aparecer na capa de uma revista usando um cocar de nativos norte americanos.
    São coisas que não envolvem diretamente religião ou sexualidade – sempre bem mais polêmicas e complexas – mas que mesmo assim causam bafafá.
    Para quem sabe inglês indico a leitura desse artigo do – nem sempre tão bom – famoso Jezebel. para ter uma noção de como o assunto é visto de forma diferente lá fora.

    http://jezebel.com/why-do-katy-perrys-dancers-have-giant-butts-and-big-ear-1588596801
    http://jezebel.com/pharrell-wears-headdress-for-elle-uk-critics-are-not-h-1585870211

    E entender que embora aqui a maioria das pessoas parece não achar muito problemático você se vestir de indiana, de russa ou de sheik árabe, em muitos lugares é muito mal visto e considerado ofensivo mesmo quando não tem nada a ver com seu povo/religião.

    Copilação de “erros” das celebridades, com MUITAS menções a apropriação cultural aqui:

    http://yourfaveisproblematic.tumblr.com/list

    • RESPONDER
      Letícia
      18.12.2014 às 1:36

      Amei sua resposta!! Realmente, lidar com religiões marginalizadas e que possuem dificuldade até em serem reconhecidas como tais é muito delicado. E a crítica sobre a ausência de modelos negras é super válida!

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    Roberta
    06.01.2015 às 15:23

    Realmente, concordo que a maioria das marcas exibem essa imagem de “garota da zona sul” loira, magra, jovem,bronzeada e de olhos azuis e que as modelos negras, asiáticas e plus size deveriam ter maior representatividade nesse quesito. Porém, a Farm é uma marca que passou muitos anos cometendo essa exclusão em suas campanhas e na escolha das suas vendedoras (era só entrar em uma loja para ver apenas meninas com essas características super clichês da “nova garota de ipanema”, como fora citado num comentário acima), mas que parece estar mudando seu conceito. Hoje já vi modelos negras e asiáticas em seu site (ok, não são a maioria, mas já é pelo menos um passo dado na direção certa =)) e várias vendedoras de todos os tipos, pelo menos nas lojas que fui aqui do Rio de Janeiro. Assim sendo, acho mesmo um pouco de exagero esse bafafá de não colocarem uma menina negra com a fantasia de Iemanjá. Se queremos que as marcas representem a verdadeira população brasileira, como todos os seu credos, cores e biotipos, não é contraditório reclamarmos de uma moça branca vestida de Iemanjá? Na minha opinião é, pois é o mesmo que dizer que apenas negras podem ter o direito de se vestirem assim ou de serem devotas dela. Além disso, jogar pedras em marcas que cada vez mais buscam refletir a miscigenação brasileira quando tantas não o fazem apenas por um (suposto) deslize é, na minha opinião, um retrocesso. Se queremos inclusão racial e de credos, jogar pedra numa marca que busca visivelmente homenagear (ainda que de uma forma que muitas pessoas considerem errada) Iemanjá não é forma que conseguiremos. Ou então daqui a pouco veremos mais e mais empresas evitando sair do lugar comum “menina loira da zona sul” apenas por medo da patrulha do politicamente correto que se ofende muito facilmente, ao invés de considerar a homenagem da marca um avanço.

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