26 em Comportamento/ Deu o Que Falar no dia 24.11.2014

Deu o que falar…

1-  Gregorio assassino de fetos?

DQF-aborto

Empatia é quase amor é o texto de hoje de Gregorio Duviviver. Durante as eleições me afastei um pouco de Greg por achar que temos pensamentos muito diferentes, quis evitar me influenciar negativamente apenas por política. Verdade seja dita, eu continuo achando muito válido ler a maioria de seus textos e com o de hoje não foi diferente.

Para mim, Gregorio não é um assassino de fetos por acreditar na legalização do aborto. Eu, Joana, com uma vida espiritual muito ativa, também acho que o mesmo precisa ser descriminalizado.

Se eu faria um aborto? Não. Hoje, no auge dos meus 28 anos, eu não faria. Sempre tive pavor de ter que tomar uma decisão assim e essa polêmica me assombrou em várias conversas com minha antiga analista. Relaxei no dia que eu tomei uma decisão. Aos 22 anos, resolvi que independente de quem fosse o pai, eu não abortaria.

A motivação para a minha decisão (fictícia) foi espiritual. Naquele momento da minha vida, eu acreditava que isso atrapalharia minha evolução como espírito e isso bastava para eu ter uma opinião sobre qual caminho deveria escolher. No entanto, sou esclarecida o suficiente para saber que vivo num estado laico e cabe a cada uma das mulheres tomar sua própria decisão, não pode o país tomar por nós. 

Se o estado é laico – ou seja, livre das regras das religiões – cabe a cada um tomar sua decisão independente. Se na sua igreja é proibido, você pode optar por não abortar. Se você é ateu ou não acredita em nenhum prejuízo proveniente do aborto, você pode decidir por fazer.

Acredito que o primeiro passo não é discutir se é pecado ou não. É permitir que quem quer fazer, que o faça em segurança. É importante que mulheres parem de morrer em abortos clandestinos, é fundamental que a gente pense nelas e no estado laico antes de transferir uma decisão pessoal para um país inteiro. Acredito que nesse caso cada pessoa tem que ser juiz da sua vida, não posso julgar quem pensa diferente. Do meu corpo cuido eu, do seu cuida você.

E aos que virão falar do controle de natalidade, eu só digo uma coisa: o governo precisa dar educação, os hospitais precisam dar pílula, camisinha e ligar as trompas de quem quiser. Se uma campanha de conscientização do aborto for bem feita, acredito que ele não será banalizado. Tudo é a forma como você faz.

Quer mais sobre isso? Tem opinião de médico e feminista nesse texto aqui.

E antes de me chamarem de assassina, vejam bem, eu não disse hora nenhuma que faria, só não acho certo minha religião imperar sobre um país inteiro.

Ah! E antes que as feministas radicais digam que Gregorio nada tem a ver com a discussão, eu sou do time da Emma e acredito no He for She! Então, para mim, ele é mais do que bem vindo a ser um homem que fala do assunto.

2- E você prefere quem? Calma, não responde!

marina-ruy-barbosa

Nós duas amamos a Marina, tivemos a oportunidade de conhecê-la, sabemos um pouco como ela (sem alardes) ajuda algumas pessoas, e sem dúvida, isso conta na forma como a vemos. Marina tem nossa admiração fashionista e como pessoa, por isso, ficamos com vontade de propor um exercício: que tal darmos menos nossa opinião da vida alheia?

Não acreditamos quando vimos vários comentários nessa foto do instagram dela. Sabemos que muitas meninas amavam quando a atriz namorava o também ator Kleber Toledo e todas têm o direito de achar que eles tinham que ficar pra sempre juntos, mas será que tal direito merece virar uma manifestação de opinião? Marina não colocou os candidatos ao cargo de namorado para eleição.

Se ela está feliz, linda e maravilhosa em Trancoso, será que nós temos o direito de escrever que preferimos o ex? Sabemos que quase ninguém deve ter feito isso por mal, mas voltamos àquela velha máxima: tenha a mesma educação online que você tem offline.

Você imagina encontrar sua amiga e dizer na cara do atual que prefere o ex? Achamos que dá no mesmo, afinal, o atual pode ler tais comentários abertos ao publico.

Não estamos aqui julgando ninguém e nem mesmo queremos pagar de donas da verdade, mas vocês não acham que vale pensar antes de comentar algo dessa natureza?

 3 – A lasanha do chef!

propaganda-seara

A gente sempre fala que não podemos vender nossa opinião por aqui, nossos publieditoriais podem ser divididos em dois formatos: os de experiência e os informacionais. Os que contam com a nossa percepção dão muito mais trabalho pois precisam ser 100% fidedignos. Se envolvemos nossa opinião como pessoas, precisamos ter todo o cuidado do mundo com a transparência e a verossimilhança.

A mesma coisa acontece com a propaganda de TV. Se você escolhe personagens da vida real para chancelar um produto, os mesmos deveriam trazer consigo a transparência e a credibilidade. Senão causa ruído, estranhamento ou chacota.

Essa semana lemos que o Especialista de Lasanha da propaganda de TV nem sequer vende lasanha em seu restaurante. O discurso deixa claro que ele entrou em cena como especialista de algo que ele não é, e isso acaba fazendo com que a credibilidade da marca fique abalada.

Em tempos de rede social é super importante ter um texto 100% afinado com a realidade, não é mesmo? Senão o que era para acabar em muitas lasanhas vendidas, acaba simplesmente em pizza e piada em site de gongação!

Gostou? Você pode gostar também desses!

26 Comentários

  • RESPONDER
    Amanda R.
    25.11.2014 às 12:01

    Essa questão do Aborto, concordo totalmente! Hoje eu também não faria, principalmente porque tenho despertado para a vontade de ser mãe (não agora com 26, pode ser mais pra frente kkkk)… mas em outras épocas eu consideraria sim um aborto. Acho que cada um deve saber o que é melhor pra sua vida naquele momento. E como você disse, é preciso permitir que quem quer fazer, que o faça em segurança. Hoje no nosso país infelizmente acho que essa condição da segurança e da conscientização não existem, mas quem sabe no futuro?

    Sobre a Marina eu acho que o que prejudicou a imagem dela foi a troca rápida de namorado. Todo mundo acha que ela traiu o Kleber (coisa que ninguém tem nada a ver com isso), mas é o que ficou parecendo e como ela é uma pessoa publica e o Kleber é um gato e parece ser muito fofo, então o pessoal caiu matando mesmo! Ninguém tem nada a ver com isso, concordo, mas uma pessoa pública deve estar acostumada com todo mundo se intrometendo, o que Marina tem que fazer é não dar bola e ser feliz em Trancoso com o novo bofe! kkkk

    E o caso da lasanha foi tosco! Em tempos de redes sociais, internet, informação pra tudo que é lado, deveriam ter tomado mais cuidado ao tentar enganar o público.

  • RESPONDER
    Gabriela
    25.11.2014 às 13:27

    Sensacional essa pauta, gostei de tudo. Precisamos falar sobre aborto urgentemente! Não é pq vc segue sua religião e tem suas crenças sobre vida humano que o Estado e o resto da população tem que se pautar por isso.

  • RESPONDER
    Paloma
    25.11.2014 às 18:40

    Admirável seu comentário!
    Concordo com muito do que Gregório tem exposto… Creio que o problema mesmo sejam os (pre)conceitos e a incapacidade de visualizar além de si mesmo! Insistimos em pensar que nossa opinião é a certa e por vezes nos fechamos para a possibilidade de existir outras perspectivas e outras realidades!

    Parabéns por esta e as outras matérias! =**

  • RESPONDER
    jo
    25.11.2014 às 21:15

    gente, desculpa mas quanto a Marina, descordo de vcs, é lógico que quem posta no instagram, ainda mais só com o cara, tá querendo comentários, ademais a maioria que segue quer mais uma fofoca mesmo, convenhamos…. ela poderia tentar se resguardar, mas preferiu mostrar para as seguidoras o momento “lindo”, enfim, seja feliz Marina, com certeza vc merece. bjs

  • RESPONDER
    Camilla
    25.11.2014 às 23:18

    Sobre o aborto… Sou absolutamente contra o aborto por uma questão religiosa mas sou a favor da legalização pq eu acho q ninguém tem o direito de dizer a uma mulher o que fazer, feminismo mesmo!
    No entanto, acho q no caso do Brasil a não legalização não é só uma questão religiosa (apesar de esse ser um ponto importante). A constituição brasileira defende a vida e proíbe a interrupção da vida em qualquer momento. Por isso não temos pena de morte, eutanásia, suicídio assistido nem nada parecido. E o aborto tb se enquadra aí! Não é só uma questão religiosa é uma questão constitucional! Precisamos sim falar sobre o aborto mas atribuir sua proibição simplesmente a questão religiosa é uma visão muito rasa e superficial do assunto. A questão é bem mais complexa.
    Legalizar o aborto é passar por coma do direito à vida, um direito fundamental que pode envolver a pena de morte, a eutanasia etc.
    Enfim, temos q falar mais sobre isso!

    • RESPONDER
      Joana
      25.11.2014 às 23:45

      Nesse seu ponto eu não tinha parado.
      O que mais ouvi é como pode ser “caro” para o governo se toda menina de baixa renda evitar se proteger contando com o aborto, esse eu acho que é uma questão que mais educação e algumas medidas resolvem.
      Acho que a constituição tinha que se atualizar para que cada mulher pudesse escolher seu caminho, assim como a eutanásia, que é outro assunto polêmico que precisa ser conversado!

      Acho que vc foi num ponto importante, mas acredito que não houvesse a implicação religiosas a constituição nem seria dessa forma. Acho que foi o preceito da religião que levou esse conceito para a lei do país.

      Gostei muito do seu comentário.

  • RESPONDER
    Karine
    26.11.2014 às 7:43

    Camila, concordo com vc em tudo.
    Ser a favor do aborto ou ser contra nada tem que ver com religião. Ok, muitas pessoas podem fundamentar suas escolhas na moral religiosa que segue, mas, como a Camila falou, é muito além disso.
    Ninguém tem o direito de tirar a vida de um ser humano. Nem mesmo a mãe, seja a idade que tiver seu filho, estando no seu ventre ou não.
    Realmente fico mto triste qdo vejo pessoas que, teoricamente são formadoras de opinião, militarem a favor da legalização do aborto.

    • RESPONDER
      Izadora
      26.11.2014 às 10:52

      O aborto sendo legalizado ou nao, ja acontece… Voce concorda que todas as mortes devido a esses abortos ilegais deve acontecer? só porque a pessoa optou por isso? Ninguem sabe o peso que o outro carrega, entao nao podemos julgar por ter feito uma escolha dificil dessa. O aborto seria limitado a meses, e até 3 ou 4 meses nem sequer é uma pessoa, uma vida, etc. Nao consigo entender porque reprimem tanto o aborto sendo que os orfanatos estao lotados e as ruas cheias de criança abandonada.

    • RESPONDER
      Camilla
      26.11.2014 às 11:34

      Isadora,

      A questão é muito complexa. Dizer q um feto de 3 ou 4 meses não é uma vida é uma questão de opinião. E os orfanatos cheios de crianças abandonadas é um problema de política governamental! Quem já tentou adotar uma criança sabe a dificuldade q é!
      É tudo muito complexo e tem q ser discutido, não podemos fingir q a questão não existe! Mas legalizar de forma irresponsável só aumentará o problema de controle de natalidade no país!

    • RESPONDER
      Joana
      26.11.2014 às 12:36

      Camilla,

      A questão da natalidade é das mais delicadas, teria que ser feito de uma forma nada simplista mesmo.

      Gostei muito dos pontos que vc levantou!

    • RESPONDER
      Izadora
      26.11.2014 às 15:32

      Concordo com voce! A legalizacao, se houvesse, deveria ser feita de uma forma muito “madura” digamos assim e de forma delicada. Mas dizer que os altos numeros de criancas para adocao só se deve pela burocracia e dificuldade de adotar é errado.. Sao numeros! Das 100 pessoas que querem adotar, 80 querem bebe. Das 100 criancas para se adotar, 20 sao bebes. O que tem de crianca que chega na maioridade sem ter tido uma familia!!!

  • RESPONDER
    Gabriela
    26.11.2014 às 7:43

    A CF88 segue totalmente a filosofia cristã, inclusive tem a palavra Deus (budistas não tem essa palavra, muçulmanos, etc.) em seu preâmbulo, o que já indica esse viés. As interpretações constitucionais são feitas pelo STF, inclusive, de mutação constitucional, que não precisa alterar a constituição, assim como fez com o casamento igualitário. Acho que a conversa é importante justamente por conta disso, só com ela que podemos alterar a ideologia que fez incluir na CF esse tipo de premissa. Além disso, essa questão tá muito mais pra lobby religioso, não é a toa que os governantes mais conservadores não tem nem coragem de tocar no assunto, com medo de perder votas da massa cristão/evangélica. Eu sou cristão, não tou falando mal de religião, mas não fecho os olhos pra influência que ela traz às leis e jurisprudência do país.

    • RESPONDER
      Silvia
      26.11.2014 às 17:28

      Pois é Gabriela, estamos em outros tempos, outra situação. outro mundo. Nos limitar por conceitos antigos e não nos atualizarmos para aceitar que todos possam ter direitos é atraso! Se não mudássemos certos interpretações, realmente jamais teríamos o casamento igualitário entre outros avanços sociais. É aceitar as diferenças e diminuir o espaço entre elas (espero que tenha feito sentido essa frase!). E isso que nosso Estado se diz Laico e é governado por uma mulher que tem sua base no Socialismo – que até onde eu sei excluí Deus do Governo – mas as bancadas religiosas realmente tem mta força.

      Bjs!

  • RESPONDER
    Gabriela
    26.11.2014 às 7:44

    votos* cristã* desculpem os erros.

  • RESPONDER
    Camilla
    26.11.2014 às 10:10

    De fato a religião é um dos principais pontos nessa discussão, no entanto, o que eu quis dizer é q não é o único.
    Imaginem viver em um estado não protege a vida! Tortura, assassinatos políticos seriam vistos como necessários e úteis. Independente da razão do direito à vida ter sido colocado na constituição por vertentes religiosas, eu o vejo como fundamental e “irretirável” .
    Quando elegemos um representante, temos q pensar q eles vão implementar suas próprias ideias lá hora de fazer as leis. Por mais que o estado seja laico,mas pessoas não o são! Se as pessoas querem q esse assunto seja ao menos discutido, devem eleger representantes que concordem com isso!
    Como eu disse lá em cima, eu sou contra o aborto em si, mas sou a favor de sua legalização pq eu acho q ninguém tem o direito de dizer pra uma mulher o q ela pode fazer com o próprio corpo!

  • RESPONDER
    Joana
    26.11.2014 às 12:35

    Gente,
    Com todo o respeito acho que o conceito da vida no útero já ser considerado vida uma questão de opinião. Para mim também é, para minha linha espiritual é, mas acho que “obrigar” a esse conceito ser o de toda a sociedade é complicado. Cientistas, médicos e religiosos não acham essa questão tão simples de assumir como verdade, não serei eu a dizer que a minha verdade é a absoluta.

    • RESPONDER
      Silvia
      26.11.2014 às 16:58

      Pois é Jo, e cada religião tem uma visão diferente. Se a pessoa realmente acredita que a vida começa na concepção, ela não vai abortar. Mas se eu acredito que é só depois que nasce, ou depois dos 3 meses ou da primeira vez que eu senti mexer, chega a ser uma certa imposição de certa forma. E vamos lá, se eu fizesse uma cesária em uma mulher grávida de 4 meses, o bebe não sobreviveria pois ele precisa ainda da mãe para respirar, comer e tudo mais.

      Super respeito a visão religiosa e pessoal de cada um, mas nesse ponto eu sou muito científica. Para mim a vida começa qdo é capaz de se sustentar fora do útero sozinho. E agradeço os avanços da medicina que permitem que cada vez mais os bebês prematuros sobrevivam e não tenham sequelas!

      Beijos!

  • RESPONDER
    Silvia
    26.11.2014 às 14:06

    Então, eu prometi não polemizar muito dado que esse é um assunto no qual eu sou extremamente envolvida. Sou pró escolha: ser pró escolha e a favor da descriminalização do aborto, não significa ser a favor do aborto. Me incomoda um pouco quando as pessoas confundem as coisas e acham que por isso eu quero que todo mundo aborte. Na minha família algumas mulheres se utilizaram desse recurso, uma delas foi a minha avó materna. Durante a segunda guerra, meu avô foi demitido por ser alemão e eles ficaram com SEIS filhos para criar, sem emprego. Venderam coisas, minha avó trabalhou para fora e fez o que pode para cuidar dos seus filhos. Não sei bem em que época, mas ela deveria ter em torno de 35 anos, ela engravidou de novo, de gêmeos. O sonho da minha avó era ter gêmeos, mas ela escolheu a decisão mais difícil pessoalmente, mas que achou ser a melhor para a família e optou pelo aborto. Isso entre 1943 – 1948. Depois de tudo “resolvido”, meu avô recebeu pedido de desculpas e foi aposentado, minha avó ainda engravidou 3 vezes! Dessas somente uma vingou (ela perdeu um durante uma queda na escada no 8 mês), mas ela já tinha mais de 39 anos e em 1949 minha mãe nasceu. Além da minha avó, uma das minhas tias já conversou comigo sobre a decisão dela de fazer um aborto. Ela tinha 4 filhos, dois doentes (síndrome de Down e a outra é autista e cega) e engravidou uma outra vez. Ela sonhava em ter muitos filhos, mas ela tb estava doente com problemas na tireóide e me disse que foi uma das decisões mais difíceis da vida dela, mas que não se arrependia apesar de tudo. Eu respeito muito essas duas mulheres que fizeram parte da minha vida e da minha formação, e que apesar de hoje não estarem mais comigo (minha tia faleceu esse ano) são exemplos de vida para mim. E apesar disso tudo, minha mãe que é médica diz que nunca faria um aborto e não é por motivos religiosos ou matar uma vida, mas sim pq ela acredita que não teria a coragem.

    A verdade é que é fácil darmos a desculpa que é a morte de uma vida, mas alguém aqui REALMENTE sabe quando a vida começa? Para quem não sabe a medicina determina em alguns estágios a gravidez: zigoto, embrião e feto. A fase embrionária, que é a que está dentro do período considerado seguro para se realizar o aborto, o que existe é um amontoado de células com cauda e não um ser humano. O feto, por sua vez, já é mais humanoíde e ja possuí pernas, braços, etc. E claro, depois disso temos o recém nascido. Do ponto de vista religioso – eu já pesquisei muito sobre o assunto – CADA religião tem uma visão diferente de quando a vida começa. No Judaísmo, só com a primeira respiração; no Islã, após o terceiro mês de gestação a alma entra no feto; na Católica Romana, a principio, era somente após se parecer com um ser humano. Antigamente quando uma mulher sofria aborto ou abortava, ela só era considerada assassina, e mesmo assim em um grau diferente de matar uma pessoa que já estava viva, se o fruto do aborto tivesse forma humana, pois assim ele já era considerado “gente”. O Budismo e algumas religiões pentecostais tem a visão de que a vida da MÃE é mais importante do que a do ser em útero e aconselham que a decisão seja tomada com cautela. Se nenhuma religião concorda em quando começa a vida, se nós só somos registrados e passamos a ter direitos e deveres como humanos após o nascimento, pq considerar que um embrião tem mais direitos do que a mãe? A verdade é que ele mal tem sistema nervoso central e se estivesse fora do útero não viveria, então – me perdoem a palavra – até ele estar com o pulmão pronto, o ser que está alí dentro é na verdade um pequeno parasita, que depende da mãe para sobreviver. É um parasita lindo, amado, desejado? Sim, na maioria das vezes, mas isso pq NÓS vemos desse jeito, como muitas amigas me dizem: “no momento onde descobri que estava grávida, eu me tornei mãe”. Portanto é uma escolha puramente de como aquela pessoa que carrega aquele embrião, se sente. Acho que é muito diferente comparar um aborto com um homicídio, pena de morte ou eutanásia, apesar de eu ser a favor do direito do paciente pela morte assistida (mas isso é outra discussão).

    Então, sim, eu sou a favor de que as mulheres possam escolher ter ou não seus filhos. Acho que do contrário, eu acabo me tornando uma “ditadura” como a China que esterilizava as mulheres e matavam as meninas, só que ao invés de tirar o direito da mulher ter filhos, tiro o direito dela não ter filhos. Vocês sabiam que você precisa ter idade mínima e uma quantidade X de filhos para fazer laqueadura de trompa? E que mesmo assim é possível engravidar com as trompas ligadas? Que ligadura do deferente nos homens é muito menos invasivo e mais garantido como método anticoncepcional? Que existem remédios que fazem com que sua pílula não funcione? Eu já tomei um para enxaqueca que cancelava o efeito do meu anticoncepcional. Já viram camisinha furada de fábrica? Então antes de toda a discussão de pq não usar tal ou tal método, se formos com a Bíblia nem abstinência é 100% seguro!! Agora isso tudo não significa que eu sou a favor de usarem aborto com método anticoncepcional! Isso é outra distorção que as pessoas costumam ter. A maioria das pessoas que conheço que são pró escolha também são pró adoção por homossexuais, adoção em útero, planejamento familiar, mais educação s3xual e acesso para as meninas de como evitar não só filhos mas tb DOENÇAS. Pq é fácil falar “isso ou aquilo” não engravidam. Não engravidam mas transmitem HIV, HPV (maior causa de cancer de útero em mulheres jovens e esterilidade), Sífilis, gonorréia, Herpes, Hepatite, isso só para começar a lista com as básicas.

    Se alguém chegou até aqui: acho que precisamos discutir o aborto sim! Mas tb precisamos discutir s3xo consciente com muito mais urgência!

    Beijos!

    • RESPONDER
      camilla
      26.11.2014 às 15:55

      Oi Sílvia!
      Eu comparei com eutanásia e etc por ser papel do Estado defender a vida. O momento em que o nascituro é considerado vida em si é de fato uma discussão super longa.
      Mas eu não sei se vc percebeu, eu sou a favor da legalização do aborto apesar de ser contra o aborto em si (complexo, né?). Só acho q temos q discutir esse assunto com mais profundidade e menos viés religioso. Não é só por conta das religiões que o aborto ainda é proibido no Brasil. A questão é bem mais complexa que isso.

    • RESPONDER
      Silvia
      26.11.2014 às 16:46

      Oi Camilla, td bem?

      Eu super entendi o seu ponto como um ponto de vista jurídico. Nem sei se você é da área mas sua explicação para mim é de como é a constituição brasileira hoje, pelo menos foi isso que eu assimilei. =)

      Eu não chego a ser militante pois acho que no Brasil, infelizmente, as pessoas confundem muito e chegam a um radicalismo idiota, tipo as feministas que foram durante a vista do Papa pregar o direito do aborto. Achei a maior falta de respeito e vejo outras atitudes parecidas que me fazem agir menos do que eu gostaria. Religião é uma coisa muito pessoal, nós duas podemos ser da mesma e termos visões diferentes de como devemos nos comportar, portanto não acho que a Igreja deva excomungar alguém por abortar mas tb não acho que deva concordar com o ato, se for essa a visão dela.

      Bem, eu não acho que é tão complexo assim =) Uma coisa é você defender o direito de escolha, outra é fazer aquela escolha. Eu acho que mulher nenhuma deveria ir presa por realizar um aborto, seja qual for a razão dela, ir presa não fará nenhuma diferença no que ela acredita.

      Realmente a discussão é muito longa e antiga. Se você ver já se fala desde que o mundo é mundo sobre o assunto. O que eu quis expor foi o ponto de vista prático, se cada religião considera diferente, se você só consegue ser cidadão brasileiro depois que nasce, se biologicamente você não tem nem sistema nervoso central – ou seja não sente dor ou qq outra emoção – pq as pessoas insistem que a “vida” do embrião é mais importante que a da mãe? E essa discussão toda sobre quando a vida começa, pode ir contra o direito dos outros pois no momento em que eu acredito que a vida só começa depois de nascer, não é estranho eu ser obrigada a considerar o que o vizinho acha correto? E sei lá, não acho que a discussão do aborto e a descriminalização do mesmo, não deveria interferir nas discussões de Eutanásia ou Pena de Morte. É quase como comparar maçãs e parafusos para mim, entende? E acho interessante ver muita gente contra o direito de escolha mas a favor da Pena de Morte no Brasil e dizendo que “bandido bom é bandido morto”. Enfim, para mim é simples: ninguém é obrigado a abortar, ninguém deveria ser obrigado a ter um filho que não quer, nenhuma criança merece ser largada, ou mal tratada. Pq é fácil ser contra, mas no fim do dia não é a pessoa que é responsável pela criança que vai nascer, né?

      Beijos e desculpa me alongar ainda mais! Eu “falo” pelos cotovelos!! =)

      PS: Nenhum dos meus comentários acima foi contra o que você disse. Só aproveitei para colocar em pauta a discussão de quem definiu qdo a vida começa.

  • RESPONDER
    Renata Garcia
    26.11.2014 às 17:01

    Com relação ao aborto: acho que a Silvia disse tudo: sou pró escolha.
    Tenho 44 anos e já fiz um aborto, e posso dizer: ninguém faz por diversão. Ninguém sai impune.
    O fato de ser legalizado não significa que todo mundo vai sair fazendo. Mas quem já faria de um jeito ou de outro poderá fazer em segurança.
    A questão é que cada mulher deve decidir isso, e é claro que para tomar essa decisão diversos fatores vão influenciar, inclusive o aspecto religioso.
    O que não é possível é assistir mulheres colocando a vida em risco porque não podem contar com a lei a seu favor.
    Falar que o Brasil é um estado laico é balela, porque sabemos que não é. Basta checar a quantidade de feriados religiosos (católicos, na maioria), que temos.

    • RESPONDER
      Silvia
      26.11.2014 às 17:30

      Obrigada pela coragem de dividir sua história com a gente Renata!

      Beijos!

  • RESPONDER
    Ihala
    26.11.2014 às 19:36

    Amei a opinião sobre aborto!

  • RESPONDER
    Clarissa Peixoto
    27.11.2014 às 0:17

    Muitíssimo obrigada por trazer a sua o debate para a roda. Centenas de mulheres morrem todos os anos em decorrência do aborto no país que, do ponto de vista do procedimento médico, é uma operação bem simples. Um absurdo!

    Cada um tem suas convicções religiosas para optar pelo procedimento ou não, mas de fato o Estado deve assegurar pela a nossa saúde.

    Agora, quanto a questão levantada pela Camila, a questão legal, eu não sei se é bem por aí que funciona. Existem TEORIAS religiosas e científicas que apontam quando seria o início da vida e a proposta da legalização do aborto seria aplicada até 9 semanas de gestação, cerca de 3 meses. Nesse momento é um feto. Não é uma vida, pois nem consegue ser autônoma em relação ao organismo feminino nesse momento (legalmente falando). Então não sei se aplicaria ali a lei. Porém, foi levantado o projeto de lei do Estatuto do Nascituro que atribuiria direitos ao feto mesmo antes do nascimento que acredito que até agora não foi aprovado. Ele sim aniquilaria de vez com a possibilidade de discutimos o caso.

    Eu acredito, particularmente, que a vida nasce nesse momento. Aos 3 meses dá início a formação neurológica do feto. A relação com dor, sentidos, reações. Antes disso o feto não sente nada. Essa teoria é a neurológica da ciência. Porém existem outras, assim como diversas perspectivas religiosas. Este artigo da Superinteressante é bem didático em explicar as teorias de origem da vida, vale dar uma olhada:
    http://super.abril.com.br/ciencia/vida-primeiro-instante-446063.shtml

    Mas gostaria de concluir que o aborto não é um método contraceptivo. Eu sou a favor, abortaria, mas nenhum momento esse um procedimento fácil de ser optado. Acompanhada a legalização do aborto, é necessária uma extensiva campanha governamental de Planejamento Familiar para que todos conheçam e tenham acesso aos reais métodos contraceptivos.

    E, para quem ainda é contra, vale pensar: Por que a maioria das mulheres que realizam abortos e morrem em decorrência dele no país são MÃES DE FAMÍLIA (têm outros filhos), SÃO CASADAS e RELIGIOSAS? Que essa hipocrisia termine por aqui, pois centenas estão morrendo por debaixo dos panos.

  • RESPONDER
    Clarissa Peixoto
    27.11.2014 às 0:24

    Correção: 12 semanas, 3 meses, de acordo que é defendido pelo Conselho Federal de Medicina.

  • RESPONDER
    Silvia
    27.11.2014 às 1:07

    Também acho que homem tem direito a apoiar as causas femininas sim! Acho muito bobo dizer “ah mas ele não é mulher”! Sim, não é, mas isso faz com que ele seja incapaz de enxergar o machismo no mundo?! Nós precisamos é de mais homens mostrando que direitos iguais não é uma causa só de mulheres!

    Beijos!

  • Deixe uma resposta