24 em Comportamento/ Reflexões no dia 25.02.2014

A geração “braggie”

Você pode não ter noção do que essa palavra significa, você pode até achar que é alguma coisa relacionada a coisas bregas, mas pode ter certeza que alguma vez na vida você já “braggou”.

Braggie é uma palavra que foi inventada para nomear o ato de postar fotos com o intuito de botar inveja nos seguidores, e que atire a primeira pedra quem já não postou fotos das férias maravilhosas enquanto os amigos estão no trabalho. Essa prática (junto com a selfie)acontece na internet desde a era Fotolog, que pra gente rolou há 10 anos, quando tivemos nossos primeiros “insta-blogs”, mas só agora ganhou um apelido.

Estávamos querendo fazer esse texto desde o primeiro dia que ficamos sabendo dessa prática de “bragging”, mas estava faltando algum click. Ele aconteceu em uma conversa de bar, onde surgiu esse assunto e alguém soltou: ” então as minhas fotos mais curtidas no instagram são exatamente as que eu mais pratico o braggie”.

bragging-1

Se formos analisar os perfis que fazem mais sucesso no instagram, veremos que estarão cheios de fotos que ilustram uma vida incrível: muitas festas, viagens, drinks, corpos e rostos perfeitos, amores inabaláveis e as bolsas e sapatos mais caros disponíveis no mercado. Como não curtir esse estilo de vida tão aspiracional? E como não sentir uma pequena invejinha disso tudo? Lembrando, é uma invejinha branca, aquela que não faz mal nenhum à pessoa invejada e não quer tirar nada dela, apenas te motiva a querer sempre mais.

Nessa análise, uma coisa que achamos muito curiosa é que obviamente esses perfis atraem todo tipo de gente: admiradores, curiosos, neutros, críticos e até haters. Esses últimos fazem parte de um grupo que nos intriga. Apesar de não gostarmos de achar que tudo é motivo de inveja ou de recalque, não sabemos como definir de outra maneira o que motiva essas pessoas a passarem o dia esperando uma brecha para criticar (não estamos falando de críticas construtivas, ok?), ofender e procurar erros nos perfis que odeia. Ao mesmo tempo, achamos que falta a consciência do bragging nesses perfis populares que reclamam dos seguidores revoltosos, que muitas vezes são chamados de invejosos ou recalcados.

“Braggar” não é pecado, mas é bom lembrar que ao postar uma foto com os pés na areia no meio de uma segunda feira tediosa para mais da metade dos seus seguidores, você poderá causar inveja em algum deles. E tem gente que simplesmente não sabe lidar com esse sentimento de forma saudável, aliás, muita gente não sabe lidar com a vida alheia de forma saudável e a internet potencializa todo tipo de loucura, né? Se você não quer ser invejado, pode optar por não dar motivos, não compartilhar sua vida linda, simples assim.

Mas a verdade nua e crua é que todo mundo gosta de se sentir invejado, nem que seja em um momento específico. Sabe quando você quer mandar beijo no ombro pras inimigas? Aquele pode ser o seu momento, mas não quer dizer que isso seja algo permanente seu.

Todas as celebridades das redes sociais têm um motivo para ser invejado, seja a fama, o dinheiro, a bolsa, as viagens ou os corpos perfeitos. Se bobear, muitos começaram na inocência e viram que aquela exposição estava dando certo. Já outros, amam sentir que estão causando inveja nas pessoas. Essa sensação faz a pessoa se sentir muito mais importante do que realmente é, faz crer que a vida é tão incrível quanto tudo aquilo que é exposto e as redes sociais só levaram isso para um outro nível, a dimensões muito maiores.

foto 2

Fato que é que toda escolha tem consequências. Se você opta por só mostrar quanto o seu mundo maravilhoso é perfeito, nunca tira sarro de si mesma ou mesmo “expõe” um perrenguinho ou outro, você acaba criando um personagem que pode “incomodar” muita gente.

Compartilhar alegrias, sucessos, momentos especiais não devem ser tolhidos pela auto critica ou pelo medo de invejar os outros, não é esse nosso ponto. Só que mesclar um pouco de vida real nesse sonho virtual pode ser a melhor alternativa para incomodar menos esses que sempre são chamados de “invejosos”, “recalcados” e afins. Mas é claro, os loucos sempre vão existir.

No fim é aquilo, quase sempre a gente recebe o que dá para o universo, então quanto mais amor, verdade e felicidade compartilharmos, mais vamos receber isso de volta. Quem vive o “braggie” dentro de si mesmo 24 horas por dia, acaba atraindo muitos fãs, mas muitos haters também, talvez seja uma questão de causa e conseqüência. Não dá para reclamar muito.

Nós duas amamos aspirar coisas lindas de pessoas incríveis que seguimos, mas confessamos que quanto mais “verdade” identificamos no perfil, mais a gente gosta. Afinal, quem não paga um mico de vez em quando? Nem só de glamour é feita a vida na terra, nem da Olivia Palermo. E vamos combinar? Tem uma hora que as aparências deixam de enganar e passam e enjoar.

foto-1

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24 Comentários

  • RESPONDER
    Alessandra Faria
    25.02.2014 às 21:10

    Adorei o texto meninas!
    É a primeira vez que entro do blog de vocês e caí bem neste texto.
    A Lu Ferreira também postou algo do tipo, sobre como as pessoas perderam a noção e acham que internet é terra de ninguém a ponto de se sentirem no direito de ofender outras, gratuitamente.
    Faz todo sentido o que vocês falaram.
    Bjos
    http://www.alessandrafaria.com

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    Angela Lunkes
    25.02.2014 às 22:01

    Texto simplesmente perfeito!!!

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    Silvia
    26.02.2014 às 0:38

    Assino embaixo de tudo o que vocês falaram!

    Eu, particularmente, ando com “birra” de hater! Caraca, tem gente que tira prazer em odiar tudo e todos e qdo alguém fala algo bom, atira as 20 mil pedras na mão! Arf! Menos ódio no mundo gente! Mais conversa, menos parar de achar que está sendo atacado ou atacada por tudo e todos! Você vê como o mundo está distorcido quando nem a Alessandra Ambrósio saiu incólume das “Annas Wintours” no IG da GE! Não acho Alessandra perfeita, ok, mas Deus, onde isso vai parar?! Até Sabrina Sato que resolveu esquecer a “beleza” e ir com uma fantasia engraçada foi “apedrejada”! Eu juro que me segurei para não mandar todas aquelas pessoas para a Jelly School
    http://pandawhale.com/post/35354/hello-is-this-the-jelly-school-south-park-gif – aí está o link para parte da piada mas basicamente a história é que a menina estava sendo jelly= Jealous =invejosa, recalcada =hater!

    Mas sabe o que mais me assusta? É quando pessoas que não fazem ideia do que acontece na vida alheia e nem querem saber! Elas não conseguem pensar no que tem por baixo daquela informação que receberam e saem odiando e criticando do nada! Tem gente tb que você não pode falar nada que já saí te atacando numa defesa sem sentido pq você não a atacou em primeiro lugar! Gente que não entende que qq um tem direitos a dias ruins, a TPM, a estar com enxaqueca, ou até de escrever besteira e se arrepender depois – já vi blogueira que eu achava ser antipática mudar completamente e aí descobri que a pessoa estava passando por uma fase muito ruim na vida dela. Ou seja ‘procurando bem, todo mundo tem… Só a bailarina que não tem’ ;)

    O mais engraçado é que esse povo que adora odiar, volta e meia manda alguém lavar a louça, passar a roupa e algumas acham até que são perseguidas, sofredoras, que só a vida delas é ruim, que o mundo é injusto e que mta gente tem mto dinheiro do nada mas não faz nada, só deu sorte na vida! E sim, existem algumas pessoas que tem mais sorte que outras mas na vida não é só a sorte que faz o mundo girar. Mesmo as pessoas oportunistas, tem que correr atrás da oportunidade, certo? (Por favor eu não estou defendendo essas pessoas). Mas vamos lá quem quer pagar de “pseudo celebridade” vai correr atrás de convite, vai se montar para chamar atenção, vai tentar falar e ficar “amiga” de algum famoso, ou seja, a pessoa vai correr atrás para aparecer, e de novo, eu não estou elogiando quem faz isso, apenas ilustrando que até essas pessoas que ficam correndo atrás de jabá em desfile ou stand em fashion week – pq isso acontece MUITO – se mexem para conseguir o que elas querem! Normalmente as pessoas que reclamam são as que mais arrumam desculpas para não fazer nada ou não mudar nada! E sinto muito, inércia não leva ninguém a lugar algum!

    Então como vocês disseram um pouco de “Eu tb quero isso” faz bem, faz a gente se mexer, ter ambição, sair do lugar! Mas o “essa pessoa não merece isso” ou “pq eu não tenho isso” sem fazer nada para ter ou conseguir aquilo, NUNCA vai levar alguém a lugar algum além da Jelly School! ;P

    Beijos!

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    Raysa Soares
    26.02.2014 às 9:27

    Foi o texto mais sensato que li, dentre vários desabafos de blogueiras e web celebridades sobre a “inveja”. Comentei no facebook do Futilish que famosos e anônimos querem passar inveja mas não querem ser invejados, não querem o lado ruim de tanta exposição e vocês colocaram muito bem isso, uma dose de vida real cai bem e evita tanta crítica.
    O problema é que tem gente que já cansou de alguns perfis falsos demais e estão tentando mostrar a realidade das coisa, tentando não desmoralizar ninguém, mas pedir por uma internet mais realista e honesta, só que esses sempre são vistos como invejosos, recalcados, sem louça para lavar e etc. Outra coisa são as tais “críticas construtivas”, alguém ainda acredita nisso? Eu raramente vejo alguma web celebridade aceitar qualquer tipo de crítica.

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    Ju
    26.02.2014 às 10:00

    Gostei do texto, e nesse meio as aparências enganam viu? Eu por exemplo achava o máximo acompanhar a Gabi Pugliese até perceber que ela é uma manipuladora, tem um perfil no insta o ” geração jaba” e o explicapugli que por algum motivo foi excluído acho que é, por que estava expondo vários relatos de seguidores, que se deram mal com as dicas delas sabe? Teve casos muitos sérios e que ela simplesmente ignora! Essa vida real é algo poucos expõe, as pessoas preferem expor o lado irreal.

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    re
    26.02.2014 às 11:15

    É. Eu não costumo postar nada do meu dia normal. Recentemente, consegui fazer uma viagem há tempos sonhada e acabei não tendo coragem de postar algo ainda… apesar das cobranças dos amigos próximos que sabem da viagem, moram longe e querem ver as fotos. Complicado, pq se não posto: hj trabalhei demais ahhahah vou postar das férias? De outro lado, no caso das blogueiras, acho que hoje temos um problema mesmo, afinal para algumas é uma empresa, profissão, mas na hora das críticas é tudo muito pessoal. Bjo.

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    Adriana
    26.02.2014 às 11:45

    Eu gostei do texto. Só tenho uma observação: “inveja branca” tem uma conotação pejorativa. Evite usá-la (principalmente hj em dia que usamos que somos taxado de preconceituosos por pouca coisa). Bjks

    • RESPONDER
      Carla
      26.02.2014 às 11:48

      Adriana, obrigada pela observação! Como a inveja ruim não tem uma cor relacionada (pelo menos nenhuma que eu saiba), nunca pensei por esse ponto. Mas acho que você tem razão, vou tentar policiar!
      Beijos!

    • RESPONDER
      Joana
      26.02.2014 às 13:07

      Adriana,
      Eu sou MUITO defensora de acabar com todo e qualquer sentimento de racismo, mas nesse caso acho que rola uma questão possivelmente polêmica.
      Desde que as guerras são guerras bandeiras brancas eram estiadas para demonstrar paz, nesse caso entendo a inveja branca como algo atribuído a uma “inveja da paz”, incapaz de querer que o outro não tenha aquilo que está sendo invejado.
      Confesso que achei seu comentário bastante curioso e vou pesquisar sobre isso com meus amigos que estudam a morfologia das palavras e sentidos das expressões.
      Estou oficialmente curiosa com isso.
      Bjos

  • RESPONDER
    Mariana
    26.02.2014 às 12:04

    Essa história toda de vida perfeita X ostentação X blogueiras X leitoras é muito mais complicada e acho que um post somente não tem como falar sobre todas as nuances do tema, mas acho oportuno relatar duas histórias aqui. Uma deixarei o nome da blogueira, pois a própria falou disso em seu blog e não vejo problemas. A outra manterei o anonimato porque na verdade o que fizeram foi vazar a história dela em um site de fofoca sobre bloggers brasileiras.

    1- Há uns anos a Nati Vozza revelou em seu blog que mora em um apto é alugado e me lembro que, na época, isso gerou toda a sorte de comentários. Algumas meninas desceram o pau nela, dizendo que ela era maluca que como podia gastar XXXX reais em bolsa da Chanel, Hermés, vestido Pat Bo e o escambau e não juntava dinheiro para comprar a própria casa; outras ficaram um pouco chocadas com a revelação, pois esperavam que uma pessoa que tinha tantos objetos de luxo, tantas roupas caras tivesse uma casa própria, afinal, se tem dinheiro para as “futilidades” era meio que óbvio que o básico necessário para uma vida confortável ela também tem (me incluia nesse time). Bom, realmente foi um choque para mim na época e até achei meio coisa de doido essa opção (sim, eu julguei a moça), mas depois de um tempo comecei a pensar mais sobre a exposição na Internet e, realmente, você só vê uma parte da vida da pessoa e cada pessoa tem determinados valores. Eu, por exemplo, acho sim mais importante ter casa própria do que bolsa Chanel e Hermés e vestido Pat Bo, então, fiquei feliz com a minha escolha de economizar, poupar e investir no meu imóvel do que comprar essas coisas todas. Já ela optou por ter essas coisas todas e pagar aluguel. Hoje eu sou a feliz proprietária de um apto e a Nati a feliz proprietária de diversas bolsas de luxo, cada uma fez a sua escolha, não é mesmo? Claro que existem pessoas riquérrimas tipo a Lalá Rudge que tem uma apto deo 350m² nos Jardins e 300 bolsas Hermés, mas a maior parte das pessoas faz escolhas mesmo e nós temos que ser felizes com as NOSSAS e não nos frustrarmos com a dos outros.

    2- A segunda é uma blogueira brasileira muito famosa que mora nos EUA e que gosta bastante de postar fotos de compras caras, viagens e encontros com umas leitoras meio descontroladas. Em janeiro, uma pessoa vazou toda a documentação e as fotos da casa da moça na Internet e, para o choque geral da nação, a moçoila que anda para cima e para baixo de bolsa Chanel e casaco Burberry mora numa casa compartilhada! A casa da moça é divida com 4 famílias diferentes em um bairro working class dos EUA. As ruas totalmente esburacadas, cheias de lixo, tudo de ruim. Se eu achei certo colocarem isso na Internet? Achei não, mas é só mais um exemplo de quem vê instagram não vê saldo da conta bancária. E como diria o ditado popular, porco cheio não faz barulho.

    Sejamos felizes com nossas escolhas e prioridades, gente! E não percamos tempo sendo haters!!

    • RESPONDER
      Carla
      26.02.2014 às 12:15

      Mariana, trazendo uma informação extra para a história de apartamento alugado/casa própria, só digo que conheço algumas pessoas do mercado financeiro que, por enquanto, acham mais vantajoso alugar do que comprar um apartamento próprio financiado. Elas não se conhecem entre si e usam os mesmos argumentos para justificar isso (algo a ver com os juros e o valor atual dos imovéis no eixo RJ-SP, que estão exorbitantes)! O marido da Nati é desse mercado, se bobear ele também acha isso. Só que a nossa cultura nos ensina que apartamento próprio é sinal de estabilidade na vida, que a pessoa chegou lá. Até concordo, mas não concordo quando acham que quem resolveu não seguir esse caminho não sabe quais são suas prioridades!

    • RESPONDER
      Mariana
      26.02.2014 às 12:46

      Carla, essa história da Nati é antiga, é de 2008/2009, bem antes da bolha imobiliária começar a aparecer em São Paulo (no Rio acho que já tinha alguma coisa, mas aqui em SP ainda não)… Não sei os detalhes da escolha dela, se foi o marido que decidiu ou o que, usei a história apenas como exemplo sobre escolhas e prioridades. Como eu disse no meu comentário: cada um tem a sua prioridade e a sua escolha, não disse que existem prioridades ou escolhas certas ou erradas. Cada uma faz a sua. Eu particulamente preferi comprar meu apto e hj fico feliz com a minha decisão, pois hj em dia não tenho dor de cabeça de aluguel e nem a incerteza do futuro com o surgimento dessa bolha absurda, e espero que ela (ou o marido) seja feliz com a decisão dela.

      Bjos!

      • RESPONDER
        Carla
        26.02.2014 às 12:59

        Então, Mari, meu comentário não foi exatamente para defendê-la. rsrs Eu estou contigo, eu e meu marido também preferimos nos apertar um pouco e comprar nosso apartamento, pelos mesmos motivos que você citou. Eu só achei interessante citar esse fato porque eu lembro dessa história que falaram dela e depois que descobri que existia essa vertente que pensa assim, passei a entender um outro lado que antes eu não entendia! Achei que valia complementar! :)
        Beijooos

    • RESPONDER
      Joana
      26.02.2014 às 13:12

      Mariana,

      Posso ser franca?
      Se eu acho que alguém (blogger ou não) está ostentando algo que não tem, que não é verosímil, coisa que acontecia muito antes do insta e da web existirem, eu dou unfollow ou coisa do tipo. Não acho que temos o direito de questionar as prioridades financeiras de ninguém e nem mesmo julgar nada, afinal ninguém está falando de informações detalhadas.

      Acho que ai esbarramos no post de ontem da Lu do Chata de Galocha, até onde as pessoas têm o direito de “vir falar disso” publicamente?

      Acho que ambas as bloggers citadas são profissionais, fazem um excelente trabalho e o que elas fazem com o que elas ganham não deveria nos importar.

      É como eu vejo, acho que temos que voltar a aplicar as boas maneiras que aprendemos na vida offline no universo virtual.

      Desculpa o desabafo, mas lendo seu comentário eu só conseguia pensar no tal texto da Lu e no quanto acho invasivo um questionamento sobre as fotos da casa de uma blogger que não as publicou na internet.

      Espero que você entenda meu ponto.

      Beijos

    • RESPONDER
      Mariana
      26.02.2014 às 14:29

      Então, Jô, eu não sou a favor de xingar e nem ofender por comprar ou deixar de comprar algo, nem de vazar dados assim da pessoa, mas eu acho que quando você trata com público e expõe a sua vida irão surgir questionamentos e, infelizmente, vão investigar toda a sua vida. E sobre a referida blogueira volta e meia surge muita, mas muita coisa sobre a vida pregressa dela e as pessoas questionam se hoje em dia ela vive um personagem. Sinceramente, eu pouco me importo com isso, porque nem leio esse blog, mas ela é muito polêmica e o povo fala bastante sobre ela…

      Eu jamais iria no perfil da blogueira e falar “olha, minha filha, vc mora aí nessa casa compartilhada, nessa rua eburacada. toma vergonha na cara e pare de gastar dinheiro em bolsa”, Pq se ela é feliz fazendo isso e acha que o dinheiro dela vai ser mais bem aplicado nisso, que posso eu fazer?

      Eu só acho que, agora no tópico ostentação, sendo nós brasileiros, povo com pouquíssima educação finaceira, que até pouco tempo nem sabia o que era ter moeda forte e inflação controlada (ou realtivamente controlada) é meio irresponsabilidade apregoar só essa vida de comprar coisas, ter coisas é que vale a pena.

      Muita gente, mas muita gente mesmo, se ilude com essa vida de ostentação (seja de blogueira, de artista ou de vizinho mesmo) e acaba se dando mal. Não tenho nada contra comprar artigos de luxo, conversar sobre, mas acho infinitamente mais construtivo falar sobre o assunto em posts que comparam os preços das peças, mostram as opções de compras e terminam sempre com aquela ressalva de “se programe para comprar” que a gente vê em alguns blogs bacanas (tipo aqui, na Cony, na Thereza, etc). Eu particulamente acho que esse tipo de post ensina mais, é menos ofensivo e menos ostentativo que o simples “bolsa baphôôô que ganhei do marideeeex” , entendeu? Ainda mais quando a pessoa faz escolhas, digamos, “estranhas” para o senso comum sobre onde empregar o seu dinheiro.

      Mas aí volta pro de sempre: cada uma faz a sua escolha. Eu nem leio esses blogs, pois acho eles muito ofensivos e com um conteúdo muito ruim. E eu espero que quando a minha filha tiver uns 15/16 anos (ela tem um aninho só, mas sou ansiosa and preocupada, haha) ela leia blogs de moda que sejam inteligentes, sustentáveis e que questionem as coisas e não fique só empurrando consumo de coisas caras e fazendo parecer que sua felicidade depende disso, pq eu ficaria mto chateada mesmo se ela fosse como essas leitoras que gritam, pulam e sapateiam quando veem uma blogueira ou se sente frustrada por não ter isso ou aquilo.

      Sinceramente, meninas, eu não sou a favor de agredir ninguém, nem xingar, nem mentir, nem vazar dados e nem nada, só que esse assunto de ostentação X pessoas que influenciam o consumo tem muitas, muitas nuances mesmo e acho que um só post não dá para falar de tudo.

      Mas acho que a reflexão com o tema começou por agora (com o post da Alê Garattoni sobre o Silvio Santos), o texto da Chata e o de vocês. Esepero que saiam mais, pois eu acho que o debate engrandece.

      • RESPONDER
        Joana
        26.02.2014 às 19:51

        Concordo com muitos pontos do seu comentário, acho que meus problemas foram ter exemplos, pois como eu conheço ambas sei que não é nem um pouco como falam.
        No entanto olhando o contexto nacional concordo que vale a pena “mostrar o que tem” e não o que não tem, ou mesmo tomar cuidado com as prioridades.
        Meu pai é do mercado financeiro, meu irmão fez economia, o namorado ADM e eu continuo a sonhadora que quer gastar todo seu dinheiro em viagens, mesmo muitooooo antes do blog.
        Por isso de certa forma acho que cada um deve cuidar da sua vida, mas concordo que vale a pena cuidar com o que estamos influenciando por ai e por isso sempre tentamos dar uma zoada na gente por aqui. Mesmo tendo uma ótima condição fazemos nossas economias, temos nossos momentos mãos de vaca e não temos vergonha de falar neles por aqui. Acho que traz essa verdade, menos ilusões.

        E outra coisa que eu acho/já vi muito, todas as pessoas ricas de VERDADE que eu conheço não são perdulárias. Quem viveu a vida inteira bem cuida do que tem, acaba que a necessidade de ostentar com TUDO é de quem é novo nisso e quer mostrar.

        Ainda assim amo acompanhar os mais diferentes tipos de pessoas e níveis nas redes sociais, misturar os mais diversos tipos de gente. Se todo mundo ficar rico, só postar foto de princesa, só ir no mesmo restaurante e viajar pro mesmo destino fica chato né? Por isso espero que em 2014 tenhamos mais verdade e mais personalidade nas redes sociais.

        Valeu por explicar seu ponto! :)

  • RESPONDER
    Wal
    26.02.2014 às 14:05

    Eu tô para comentar em um desses desabafos que lotaram a semana blogueira, já escrevi ele mentalmente inclusive, mas me identifiquei tanto com o texto que vou acabar expondo a minha opinião por aqui mesmo. rsrsrs Achei esse trecho perfeito: “Fato é que toda escolha tem consequências. Se você opta por só mostrar quanto o seu mundo maravilhoso é perfeito, nunca tira sarro de si mesma ou mesmo “expõe” um perrenguinho ou outro, você acaba criando um personagem que pode “incomodar” muita gente”. Acho que é bem por aí. Pessoas invejosas (não importa a cor) existem, e sentem inveja até do seu apartamento alugado ou da sua falta de dinheiro. Haters, recalcados e afins também. Lembro de ter ficado chocada uma vez porque uma amiga disse que não gostava de outra porque ela combinava o sapato com a bolsa (oi?). Claro que este não era o motivo real, a menina só encontrou uma válvula de escape para destilar sua raiva da outra, podia ter falado do nariz, da roupa ou de qualquer outra coisa, já que seu único intuito era magoar a outra parte… Eu acredito que ser real ajuda, mas não evita. O que evita mesmo é deixar de compartilhar sua vida. As pessoas são maldosas, isso nunca vai mudar, infelizmente. Até uma foto de um perrengue pode ser usada como objeto de ataque nas mãos de alguém inescrupuloso. Dói decidir expor e receber uma enxurrada de comentários negativos? Deve doer. Mas não deixa de ser um preço que se paga pela exposição. O ideal é que todos fossem educados e com senso? Com certeza! Mas estamos falando de realidade, de um mundo onde nem todas as pessoas são criadas observando valores éticos, buscando se colocar no lugar do outro antes de atirar a primeira pedra. Comentei aqui porque achei o texto mais construtivo de todos que eu li até agora. Alerta sobre o problema mas sem perder a noção de que é a exposição que o causa (e a falta de educação e bom senso de quem vê/lê/ouve o que está exposto). Acho que os desabafos que li servem mais para fomentar esse tipo de comportamento do que para combatê-los porque quem faz isso quer única e exclusivamente chamar a atenção. E não é que conseguiram? Eu prefiro ignorar. E aqui não falo de ignorar todas as críticas, mas somente aquelas que vejo serem desprovidas de qualquer propósito construtivo. Sou da teoria de que é possível pode falar tudo, a depender da forma como o assunto é tratado. Adorei a forma como vocês lidaram com o tema e espero ter entendido direitinho. Ressaltar o que é bom e relegar ao ostracismo o que é ruim. Sem esquecer de ser verdadeiro aí no meio. Tem funcionado comigo. :)

  • RESPONDER
    Letícia
    26.02.2014 às 15:36

    Ah, sobre a questão da casa própria, fiz faculdade (de Direito) com uma economista da área de mercado financeiro e ela era terminantemente contra ter imóvel próprio. Ela falava que imóvel próprio é um dos maiores luxos (juro! ela dizia que só se eu fosse muito muito rica eu deveria comprar um imóvel) que você pode ter e não é investimento de jeito nenhum. Por outro lado, conheço um monte de gente que acredita que um dos melhores investimentos é imóvel. Ou seja, essa é uma questão muito complexa!!

    • RESPONDER
      Joana
      26.02.2014 às 19:54

      Nós não moramos de aluguel, mas entendemos quem vive.
      A questão é dividida mesmo, fato, mas acho que na cultura social do país segurança para o futuro é igual a casa própria, então mesmo quando não vale a pena, para muitos acaba sendo A MELHOR COISA a se fazer. Cada caso é um caso e não dá para julgar um livro pela cana, no entanto eu acho que sou do time que se puder, vou preferir comprar tb!

  • RESPONDER
    Camila
    26.02.2014 às 17:13

    Eu não sou de comentar em blogs e afins… sou o topo de leitora anônima… mas quando vejo estes tipos de texto, sou obrigada a comentar…

    Vou usar um exemplo “não it girl”, mas que eu eu acho que se aplica muito à essa mesma realidade… Quando vc tem amigos, eles dizem que torcem por você sempre, pra vc arrumar um namorado, um bom emprego, e por ai vai… Mas te julgam quando vc começa a namorar e seu tempo com elas reduz…. Falam que agora vc ostenta demais porque tem um bom emprego… Esse segundo, foi meu caso… ralei muito pra chegar onde cheguei…. estudei muito, trabalhei muito para ser reconhecida…. E aconteceu… só que de repente as pessoas começam a invejar o seu emprego, invejar a sua carreira, invejar as viagens que você faz por causa dela.. E começam a inventar mentiras, a te tratar de uma maneira hostill… só pq agora vc é a profissional perfeitinha que não liga para os outros… Oi??? Eu deixei de ser quem eu sempre fui só por ter um emprego legal??? Desde quando??? Mas a inveja é tão grande, que é mais fácil olhar por essa lenta míope… É mais fácil criticar, repudiar, encontrar defeitos… E as pessoas não se dão conta que estão sendo recalcadas… que estão sendo aquilo que sempre detestaram…

    Esse caso infelizmente aconteceu comigo…. pessoas passaram a me odiar, se afastar de mim, pelo status que eu tenho hoje….

    Vocês, como formadoras de opinião, tem o dever de postar mais textos como esse, que tiram as meninas do seu mundinho perfeito e fazem elas pensar nas atitudes que tem… Pq hoje estão criticando uma foto aqui, amanhã estão fazendo bullying ali, e depois??? Onde vai parar essa geração que busca uma perfeição inexistente em tudo??? Onde vai parar essa sociedade que não pensa nas consequências dos próprios atos??? E onde vamos parar nós, que tentamos andar pelo mundo da inveja branca, e agora precisamos ficar medindo as nossas próprias palavras para não sermos interpretadas erroneamente???

    Obrigado por um texto como esse…. Vcs conseguiram dizer tudo que eu sempre quis…

    • RESPONDER
      Joana
      26.02.2014 às 20:00

      Posso te falar uma coisa? Você está melhor sem essas pessoas.
      Ser seu amigo na “merda” é fácil, ser amigo de verdade querendo seu sucesso é que é AMIZADE. Uma inveja branca de uma coisa ok, mas a ponto de mudar a relação? Você faz bem de se afastar dessas pessoas. Vamos torcer aqui pra você encontrar muitos novos amigos muito alto astrais!

      Adorei sua reflexão também, um saco termos que ficar pensando em tudo por que os outros são malvados ou infelizes. Adoraria mostrar para esse povo que dinheiro não é sinônimo de felicidade no dicionário e muita gente simples é mais feliz que muita gente de posse. A parada é que no fim é mais fácil falar mal de quem vai a luta do que ir batalhar o seu. É mais fácil jogar pedra na Thássia do que ir a luta e tentar buscar com suas mãos aquilo do lifestyle dela que se tanto deseja.

      De qq forma acho que todo mundo precisa dar uma leveza ao insta, mostrar momentos vida real, momentos de brincadeira e perrengue, essa vida chata e perfeita de algumas princesas me da uma preguiça ZzzZZzz…

      Que legal que conseguimos representar suas palavras! :)

    • RESPONDER
      Fany
      26.02.2014 às 23:37

      Camila, perfeito o seu comentário!

  • RESPONDER
    Letícia
    26.02.2014 às 20:17

    Eu sempre achei muito louco como as pessoas acham que a primeira (e muitas vezes única) razão pras pessoas 1. postarem braggies; 2. reclamarem das braggies é inveja. Aliás, isso é uma das últimas coisas que me passa na cabeça.

    O que eu acho mesmo é que foto de viagem a gente mostra pros amigos desde que existe câmera fotográfica. Agora é mais fácil, mais na cara, mais frequente, mas antes a gente obrigava as pessoas a olharem nossos álbuns quando elas visitavam nossa casa. As pessoas também compartilham as coisas porque fazem elas felizes/são importantes pra elas, e dá vontade de mostrar pra ficar feliz junto com alguém e pra se auto-parabenizar.

    Mas o que eu acho mesmo é que que posta braggie e quem xinga quem postou braggie sofre do mesmo mal, que é insegurança e autoestima zoada. A pessoa posta pra se sentir bem – não necessariamente porque os outros vão invejar, mas porque ela não se acha grande coisa e pensa que se os outros pensarem que ela é incrível, deve ser verdade. E a pessoa que xinga não consegue se sentir bem o suficiente na própria pele pra aprender a “live and let live”, não consegue ter foco o suficiente na própria vida pra não se sentir ameaçada pelos outros. Então ela tenta diminuir os outros pra não sofrer tanto com a comparação.

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    juliane
    21.12.2015 às 18:43

    Uma pessoa que faz xingamentos nunca vai entender o que a outra está sentindo até o momento que ela passar pela mesma situação.

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