8 em Comportamento/ Moda/ Reflexões no dia 12.12.2013

A hiphopização da Chanel

Estou pra fazer esse texto desde que Rihanna lançou o clipe de “Pour it up”, mas fiquei um tempo sem saber direito o que achava dessa história. Ontem li que Kristen Stewart foi escolhida para ser a nova garota propaganda da marca e confesso que me peguei um pouco decepcionada ao perceber que RiRi não foi escolhida e isso acabou me inspirando a fazer o post! rs

A primeira vez que reparei nessa hiphopização da Chanel foi quando Rihanna visitou o apartamento de Coco Chanel. Lembro que ver a cantora sensualizando e desvirtuando o imaculado home sweet home de Mademoiselle me deixou curiosa e intrigada, achei engraçado. Também curti aquele look – se é que pode chamar um maxi cardigã e alguns colares de pérolas de look, né? rs – que ela usou para assistir o desfile da Chanel. Foi um sexy quase beirando para o vulgar, mas que ela segura.

Logo depois, ela lançou o clipe “Pour it Up” e foi aí que comecei a estranhar. O clipe todo é em um universo de cafetinas e strippers e me chocou um pouco os acessórios com C’s gigantes quase pulando da tela para te atacar, combinados com calcinhas fio dental e coreografias de pole dance. Quem ainda não viu o clipe, é esse aqui:

Passado o susto, comecei a prestar atenção em outra artista que eu estou amando no momento: Miley Cyrus! Se ano passado alguém me falasse que eu estaria curtindo a Miley, provavelmente eu riria na cara da pessoa. Apesar dela ter perdido 90% dos seus fãs da época de Hannah Montana, pra mim, o corte de cabelo dela funcionou como um Sansão ao contrário. O novo CD é incrível e, por mais que eu esteja achando rídiculo esse excesso de línguas, twerks e lambeções de marretas, confesso que me apaixonei.

Como consequência, é claro que eu passei a ler as notícias relacionadas à ela e, qual não é minha surpresa quando eu vejo essa foto:

miley-cyrus-chanelfoto: twitter @MileyCyrus

Não deu muito tempo, acabei assistindo o clipe “23”, uma das músicas que eu mais estou ouvindo atualmente. E o que estava lá? Bracelete com C’s gigantes, uma mini 2.55 cruzada e uma roupa de basquete toda recortada no melhor estilo Pretty Woman antes de conhecer o Richard Gere. Aqui ó:

A última aparição de Miley, porém, foi a que me deixou louca pra saber o que Karl e o marketing da Chanel estão pensando sobre isso tudo.

miley-twer-santa-chanelfoto: getty images

Twerk. No Papai Noel. Com uma bolsa de pelos e a palavra CHANEL em um tamanho grande o suficiente para a pessoa que está lá no fundo veja. E a tal bota, também Chanel, que divide as opiniões do momento.

Na mesma hora lembrei dos clipes de Rap e Hip Hop ostentação que sempre existiram, muito antes do funk ostentação sonhar em nascer. Neles, os rappers não só enchem a boca como fazem questão de mostrar em todas as músicas que só usam Gucci, Dolce, Louis V. Só consegui chegar a conclusão que a Chanel está virando a marca das meninas do rap/hip hop, e algo me diz que Karl está adorando essa fase rebelde da marca.

Aliás, enquanto via esses exemplos, só consegui me lembrar da polêmica que surgiu quando Valesca Popozuda tirou com uma sacola e um guarda chuva da Chanel em frente da loja. Lembro de ouvir gente dizendo que era um absurdo deixarem ela comprar esse tipo de marca porque ela não tinha classe para usar. E por acaso a marca está sendo usado com classe nos casos de Miley e Rihanna?

Enfim, resolvi fazer esse post porque precisava muito compartilhar essa minha dúvida e curiosidade em saber o quê Karl e a equipe de marketing/branding estão pensando. O que vocês acham?

Beijos!

Carla

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8 Comentários

  • RESPONDER
    Marcela
    12.12.2013 às 15:53

    Oi, Carla!
    Olha, eu jurava que a Rihanna ia acabar sendo escolhida como face da linha de acessórios da Chanel (talvez ainda seja, né?) pela quantidade de peças da marca que ela tem usado. É muito! Lembro que uma época até rolava esse rumor, mas acabou não dando em nada. E realmente, ela e Miley andam amando mostrar as peças da marca…. Não sei o que pensa a equipe de marketing da Chanel, mas com certeza o Karl tá amando isso tudo. No mínimo é publicidade de graça pra eles (ou não, vai saber!)! Mas isso tem me lembrado muito aqueles clipes de rap dos anos 90, começo dos anos 2000, em que os rappers usavam uns acessórios ENORMES nos clipes pra chamar mais atenção!
    Beijos,
    Marcela
    http://www.maniasdemoca.com

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    Renata Nogueira
    12.12.2013 às 18:42

    Olha, só sei de uma coisa: o kaiser não dá ponto sem nó. Provavelmente deve estar querendo atingir o público da Riri e da Miley. E lembrando aqui, ele bem gosta da imagem rebelde. Lembram quando a Lily Allen era a queridinha da vez? Adorei o post! Bjs!

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    Mariana Borges
    13.12.2013 às 19:42

    Embora precise de mais reflexão, preciso registrar meu incômodo.

    A história da Coco Chanel, fundadora da label, é muito vinculada ao ganho da autonomia feminina, com roupas que permitiam a liberdade de movimentos e até alguns empréstimos do guarda roupa masculino. Ela foi uma feminista de uma maneira bem particular.

    Aí eu vejo essas imagens da Rihana mostrando-se “poderosa”, explorando sua sexualidade para ganhar dinheiro. Me lembrou Anitta falando do show das “poderosas, que dançam e rebolam”.

    Me incomoda o fato que se venda às garotas a ideia de que explorando sua sexualidade elas serão poderosas, terão dinheiro e domínio dos homens. Enquanto seus corpos forem apreciáveis, claro.

    Será que Coco Chanel assinaria embaixo desse discurso? Pode ser que sim, mas…

    Sei lá, me incomoda.

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      Carla
      13.12.2013 às 20:16

      Oi, Mariana! Se você conseguir pensar mais sobre esse assunto, eu iria adorar ver seu comentário por aqui, mas mesmo assim eu gostei desse seu ponto de vista!

      Te confesso que esse texto só não saiu antes porque eu fiquei muito tempo tentando entender, porque apesar de eu gostar muito dessas suas cantoras, elas estão trazendo uma imagem bem vulgar à Chanel.

      Demorou tanto para que a marca chegasse no status que tem hoje (e olha que o modo que ela é vista hoje é quase uma incoerência ao que ela significava na época de Coco Chanel) e fico na dúvida se eles estão tão seguros de sua imagem que não se importam com isso ou se de fato eles querem falar para um público mais novo e com dinheiro…meio enfant terrible, sabe?

      Enfim, só sei que você acabou abrindo mais um ponto de interrogação na minha cabeça! rsrsrsrs

      Adorei seu comentário!
      beijos!

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    Louise
    14.12.2013 às 1:18

    Então acho que no meio de várias socialites com blogs só pra mostrar que tem Chanel (e outras marcas como Hermés) no guarda roupa as aparições e ‘ostentação’ da Riri e da Miley são bem interessantes, não sei muito como explicar mas acho que elas mostram que não basta ter chanel pra ter estilo tem que ser original,tem que ter a sua cara! E por isso acho que o Karl curte sim porque meio que desvencilha a imagem de que chanel é só pra um monte de menininha mimada que nasceu em berço de ouro.

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    Teodora
    15.12.2013 às 23:40

    Eu acho que Coco está se revirando no túmulo, sinceramente.
    Chanel sempre foi sinônimo de sofisticação, elegância e clássicos. Karl pode ser um gênio e tal, mas pra mim – MUITO humildemente, já que não entendo de moda nem de negócios – ele está acabando com a principal força da Chanel, que é ser atemporal. Nada dessas ‘ousadias’ que ele está fazendo assentam bem no espírito da marca. Essa Kristen só pode ser considerada uma boa escolha se considerarmos que essa coleção de índios apaches/cowboys que ela vai representar é tão ruim quanto sua musa. Essa moça é o puro picolé de chuchu. Sempre que eu a vejo ela está com uma cara de quem não gosta do que está usando, e fora do tapete vermelho ela está sempre parecendo um garotinho de 15 anos. A Diane Krueger, embaixadora da marca – porque a Kristen está fazendo apenas uma campanha para essa coleção especificamente – essa sim é A CARA da Chanel. Ela representa bolsas, cosméticos e arrasa no tapete vermelho pois é uma fashionista ousada e ao mesmo tempo sofisticada. A publicidade que a hiphopização traz para a marca é um triste sinal, o povo vai começar a correr de Chanel exatamente igual começaram a correr das bolsas da LV, substituindo-as pelas Hermès.

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    Fany
    16.12.2013 às 11:29

    Concordo com Teodora. Ia escrever exatamente a mesma frase: Eu acho que Coco está se revirando no túmulo, sinceramente. Mas, parei para pensar e achei que estou muito velha, por isso fiquei achando isso e ai não comentei. Acho que Chanel não tem nada com esse tipo de clip muito vulgar! Bjs.Fany

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    João Magagnin
    18.12.2013 às 0:12

    Com um delay ENORRRME, vim comentar sobre as novas musas da Chanel.
    Então, dia desses estava conversando com um amigo meu que trabalha com branding, e o próprio questionou tais atitudes da Chanel. Acredito eu que a marca esteja tentando um reposicionamento de suas peças temporais, no caso bolsas e acessórios que sejam extremamente “tendenciosos” e passageiros. Acho que assim promove entre a nova clientela o consumo dessas peças, conseguindo girar estoque (o público maduro que realmente consome roupas da marca, compram acessórios atemporais e peças icônicas).
    Maybe Karl queira acender a fogueira dos jovens ricos através das celebs do hip-hop, por justamente estarem querendo peças diferenciadas, porém cheias de estilo, autenticidade e logo (logomania será a nova mania de 2014, podiscrê).
    A Riri e Miley esbanjam PERFEITAMENTE ISSO, até pq algumas celebs estão recorrendo aos brechós para achar peças da Chanel extremamente suntuosas, com muito brilho, correntes e logos mil. Já vi em diversas entrevistas com celebs que a procura por acessórios da marca produzidos por Karl lá nas antigas é grande. A própria Carlyne Cerf disse que tem uma coleção enorrrrme de peças desse tipo, sai caçando por tudo quanto é canto.
    Foi só uma breve opinião sobre o tema, meninas. Existem muitas coisas além disso, coisas da nossa geração, o novo dinheiro jovem, pink money etc.

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