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1 em Beleza/ pele no dia 07.08.2018

Melasma e algumas das dúvidas mais frequentes!

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Dentre os assuntos de pele que mais foram pedidos por vocês que lêem o Futi, além da rosácea, o melasma foi super abordado. A Joana tem melasma e controla com ajuda da Dra. Vanessa Metz, que também explicou um pouco sobre o assunto para quem já tem ou quer prevenir a pele das manchas, com por aqui a Jô ainda está ensaiando como vai escrever sobre sua experiência com o melasma, resolvemos tirar algumas dúvidas antes.

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O melasma é um assunto abrangente, mas de forma resumida, é uma doença crônica geneticamente estipulada, mas não é exatamente hereditária. Não é porque sua mãe tem que você obrigatoriamente vai ter também, mas é sim genética no sentido de que as pessoas que desenvolvem as manchas possuem células que estavam programadas para em algum momento da vida apresentar o melasma”, explicou.

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A Dra. Vanessa explicou que não apenas os fatores hormonais e o sol, são as únicas formas de apresentar melasma. “Antes, as pessoas acreditavam que o melasma era desencadeado apenas por fatores hormonais como uso de anticoncepcional e a gravidez ou pela exposição ao sol, porém, já se sabe que outros fatores também desencadeiam o melasma, como o stress e mesmo a luz dos eletrônicos e a claridade dos ambientes”, conta.

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Não, mas tem tratamento e pode regredir. Para cuidar do melasma existem diversas formas e o seu dermatologista vai indicar o que considerar mais eficiente para cada tipo de mancha, no entanto, Vanessa ressaltou que o segredo mesmo, continua sendo a boa e velha prevenção. “Prevenir é fundamental, porque mesmo que você já tenha o melasma, serve para evitar que ele fique mais pigmentado”, explica, afinal ele pode sempre piorar.

O protetor solar segue sendo nosso melhor amigo nessas horas, porém a Dra. Vanessa explicou uma técnica eficaz para proteger a pele duplamente: uma combinação de protetor químicos e físicos com cor!

“O protetor químico é a maioria dos que estão no mercado que são absorvidos pela pele e quando a radiação penetra ocorre justamente uma reação química da UV + creme que faz não deixar que a radiação prejudique a pele. Já o físico não é absorvido ficando sobre a pele evitando a penetração do raio UV. Melhor ainda usar o que tem cor. A cor é importante não apenas para fins estéticos de poder usar como base, mas porque o pigmento faz uma barreira física, que rebate a radiação solar e não permite que penetre na pele. Porém, como uma parte dessa radiação ainda atinge o nosso rosto, o protetor químico deve estar por baixo do físico para o pouco que ainda entrar de radiação, ele combater os efeitos do sol”, diz.

Ainda assim, a Dra. Vanessa explica que não precisamos deixar de frequentar a praia, piscina ou fazer atividades ao ar livre. “Tendo cuidado, o melasma fica sob controle e mesmo que ele pigmente, voltar com a rotina de cuidados da pele e os tratamentos de consultório ajudam a despigmentar com o tempo”.

Acho que esse assunto de melasma vai aparecer mais por aqui, a Joana cuida de forma muito cautelosa do que ela tem, que já regrediu bastante. Ela faz de tudo para previnir uma pigmentação maior, por isso esses cuidados vão ser mais assunto por aqui. Vocês sempre podem mandar suas dúvidas de pele para nós.

0 em Saúde no dia 30.07.2018

Demi Lovato, a bulimia e o vício nas drogas

Semana passada a cantora Demi Lovato passou por mais um episódio triste relacionado à sua saúde: uma overdose. Não se sabe muito sobre o episódio, o tipo de droga e como ela está, e acho que também não cabe a nenhuma de nós ficar especulando sobre isso e nem criando fofoca sobre sua situação. No entanto, ao se falar da Demi, sempre vem à tona uma luta que ela trava há muito tempo: a do Transtorno Alimentar. E por isso que estou aqui. Ontem, por recomendação da Carla, colaborei para uma matéria sobre esse fato para o Fantástico e falei sobre a Bulimia da Demi, enquanto a Dra Fatima Vasconcellos falou sobre vício e drogas.

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O vício em álcool ou drogas, assim como os transtornos alimentares, têm uma raiz em comum: a psiquiátrica. Esses transtornos têm um componente genético, ou seja, já nascem com a pessoa e são desencadeados através de diversos gatilhos. No caso da Demi, ela vive rodeada de gatilhos – a meu ver, de forma mais exacerbada do que nós, pessoas comuns. Vamos falar deles:

  • O Bullying : Ela sempre disse que o bullying que sofria na infância foi um fator muito importante para iniciar o quadro do seu transtorno alimentar. Lembra que sempre falamos por aqui, que não devemos jamais e em hipótese alguma comentar sobre o corpo do outro pois não sabemos como isso chega a quem ouve a crítica, julgamento ou comentário? No caso da Demi, desencadeou seu TA. Isso é muito grave.

Primeiro foi a Anorexia nervosa e depois veio a Bulimia Nervosa. Como já falamos por aqui, ambas têm como base uma busca incessante pela magreza, muitas das vezes reforçado por esse padrão de beleza pautado por ela. Para atingir esse corpo, as pessoas – na maioria mulheres – começam a usar diversas estratégias como prática de dietas restritivas, uso de medicamentos para inibir apetite, realização de exercício físico de forma muito intensa, uso de laxantes ou diuréticos.

Na maioria das vezes isso começa com uma dieta tida como “inofensiva” e ninguém questiona isso, afinal de contas estar de dieta é super comum. Que mundo é esse que vivemos que estar de dieta é comum? Independente da idade que a pessoa tenha, ela tem que estar de dieta. Estranho é quem não está. Pois bem, essa restrição toda pode levar a casos de comer exagerado como resposta à privação alimentar e isso gera muita culpa e sensação de fracasso, tanto pela quantidade mas também pela qualidade do que ela comeu. A partir daí são desencadeados os mecanismos compensatórios para se livrar física e emocionalmente do que comeu.

  • O padrão de beleza e as redes sociais : esse padrão de beleza magérrimo se iniciou na década de 90 com a glamourização das modelos chamadas de heroin chic (modelos esquálidas, magérrimas, com cara de doente e…viciadas. Que padrão não é mesmo?). O padrão perdura até hoje em dia, a diferença é a velocidade que imagens de corpos magérrimos chegam até as pessoas. Antigamente tínhamos apenas em jornais e revistas, tanto de moda como as de dieta. Modelos e atrizes não tinham nenhuma proximidade com o público. Essa influência da mídia era importante mas não tão doentia como hoje. A quantidade de imagens que estamos dispostos diariamente nas redes sociais é imensa e gera muita insatisfação, sentimento de inadequação ou de não pertencimento. Essa avalanche de imagens é um gatilho super perigoso para se engajar nas práticas alimentares inadequadas em busca desse corpo.

Além disso, também temos uma geração de imagens retocadas por aplicativos ou programas de computador. O problema dessas imagens é que uma mulher magra que posta uma imagem retocada, imediatamente transforma aquele corpo em algo que não existe – pois foi manipulado – e a menina que recebe essa imagem eu seu feed de posts se compara àquela imagem, se sente diminuída e resolve fazer o que for preciso para chegar àquilo. Só que aquilo não existe! O quão grave isso é?

  • A pressão sobre a imagem que ela tem que passar : você já imaginou a pressão que essa moça deve sofrer a respeito do seu corpo? Da imagem que ela tem que passar? O exemplo e inspiração que ela tem que ser para para milhões de meninas? Imagine só a carga que tem isso. E obviamente, como falamos acima, vivemos em uma sociedade cuja magreza é sinônimo de sucesso, felicidade e conquistas, então ela deve se cobrar isso ao mesmo tempo que as pessoas também a cobram o tempo todo. Basta ver os comentários ultra violentos que ela recebe em suas redes sociais quando engorda. Esse cyber bullying é comum e sempre visto quando pessoas famosas mudam sua forma física de alguma forma, especialmente quando engordam. Parece que há uma patrulha constante sobre elas e, infelizmente, na maioria das vezes os comentários vêm de mulheres.
  • O acesso facilitado a álcool e drogas : no showbizz é mais do que sabido que esse acesso é super facilitado. Aí que começa o problema quando relacionado ao transtorno alimentar. Em diversas doenças emocionais – transtornos alimentares, depressão, transtorno bipolar – o paciente relata um vazio emocional muito grande. No caso, se há a Bulimia Nervosa esse vazio tenta ser preenchido com comida, em grandes quantidades, nos episódios que chamamos de compulsão alimentar. Há uma dor muito grande. Provavelmente o álcool e as drogas, além do vício que ela já pode ter desenvolvido, podem entrar nesse preenchimento.

Essa história é toda muito triste, parece que está distante de todas nós, mas na verdade não está. Está mais próximo do que você imagina. Convivemos com diversas pessoas com questões alimentares e corporais super graves sem nem sabermos. Mulheres com dores emocionais profundas e isso fica velado pois há muito julgamento e preconceito sobre os transtornos alimentares. Portanto, como não sabemos se a colega que trabalha ao seu lado, a sua prima, cunhada, mãe, tia, namorada ou irmã sofre algumas dessas questões, devemos pautar a nossa conduta de duas formas (com palavras que eu gosto muito): a primeira é a empatia e a segunda a compaixão.

Temos que ter empatia por todas as mulheres, independente de como seja o corpo delas. Empatia caso o corpo dela tenha mudado – na maioria das vezes não sabemos porque esse corpo mudou – e se ela engordou, emagreceu ou qualquer coisa que o valha, não comente. Não parabenize alguém por ela ter emagrecido e não faça cara de enterro caso ela tenha engordado. Sobre a compaixão, não é porque você não sofre de uma dor emocional como essas mulheres sofrem que você deve diminuir isso. Transtornos alimentares são doenças graves e merecem a nossa compaixão.

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Torço muito para que a Demi se recupere dessa recaída – algo muito comum nos transtornos alimentares e também no vício em álcool e drogas – e que ela volte a ter uma vida saudável. Que esse episódio triste ajude a termos mais empatia, compaixão e menos julgamento dos outros e de seus corpos.

Obrigada novamente ao Felipe Santana e à produção do Fantástico por abrirem o espaço para começarmos a falar com mais responsabilidades de temas tão densos e necessários. Ajuda muita gente nessa caminhada difícil que é um transtorno alimentar.

Não deixe de assistir a matéria do fantástico, ela lembra dos dá a real dimensão da necessidade das mudanças práticas que tanto pregamos por aqui.

4 em Autoestima/ Celebs/ Comportamento no dia 26.07.2018

Cabe o termo body shaming e Gisele Bündchen na mesma frase?

Esta semana, passeando pelo Instagram, me deparei com aquela foto clássica do casal Gisele Bundchen e Tom Brady, juntos, andando pela praia num momento de carinho um com o outro. Até aí tudo bem, o amor é lindo, eles também, tudo certo no mundo. Até que fui olhar os comentários. Sempre eles, né? Mas em vez dos esperados “maravilhosos”, “linda”e “perfeita”, me deparei com uma chuva de críticas. Isso mesmo, críticas tanto ao corpo de Gisele quanto ao de Tom Brady, seu marido atleta.

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Post do instagram @tricotadas

Uma sequência considerável de “sem cintura”, “barriga de tiozão”, ela está grávida?” e “não acredito que a maior modelo do mundo tem este corpo” me surpreendeu. Peraí, quando foi que no mundo nem mesmo o casal considerado o mais perfeito de todos em diversos aspectos parou de atender às exigências do público em geral? Qual será o novo padrão dessas pessoas? É algo humano?

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Gisele é modelo padrão. Apesar de ter sim, sido revolucionária nos anos 90/00 mudando o padrão “heroin chic” para a beleza com aparência saudável e um pouco mais de curvas que prevalece até hoje, ela é mais do que padrão, já que segue super magra como o exigido atualmente das modelos. Tom é um atleta de ponta, considerado referência na sua área, assim como Gisele. Seus corpos cumprem as tarefas que eles escolheram ter como profissão com louvor, estão aí os fatos para comprovar. Então porque esperar essa perfeição física surreal deles?

Tom não tem os músculos do abdômen marcados, o famoso “tanquinho”, mas isso não faz dele um homem menos forte, muito menos um cara não atraente. Seu corpo é além de super saudável, potente e cumpre as funções necessárias para o esporte que pratica com excelência. O mesmo podemos dizer de Gisele. Ela está dentro do esperando atualmente para a passarela ou para fotos de campanha, como já notamos todos esses anos. Agora, a paranóia do corpo perfeito e a patrulha é tão grande que esquecem que nem Tom nem Gisele estão buscando o título de corpo perfeito que os críticos da internet imaginam existir, uma vez que, tanto para ser o melhor jogador ou a melhor modelo, mais do que o corpo que esperam deles, necessitam outras habilidades muito mais importantes como visão tática, habilidade para correr, desfilar, saber a melhor forma de posar, entre outras aptidões que independem de um corpo com gominhos na barriga ou uma cintura marcada.

As pessoas parecem não notar também que, ao cobrar padrões irreais das celebridades, se impõem ideais impossíveis de ser alcançados por nós, meros mortais. Pode até parecer inofensivo, mas não é. Ao usar o teclado do celular para atacar o corpo de outra mulher na internet a sociedade está se aprisionando ainda mais nas crenças limitantes. Assim as pessoas começam a oprimir da mesma forma que se sentem oprimidas. Chamar  Gisele de imperfeita em tom de crítica só salienta a ideia de que ela não é perfeita o suficiente, criando um ideal de perfeição que nem mais a modelo mais bem paga do mundo atende.

É preciso entender que ao atacar o corpo daquela blogueira ou atriz famosa só se cria um ideal de perfeição inatingível, quase impossível de ser alcançado de forma natural e leve, sem sofrimento ou sacrifício. Assim, sem querer, alimenta-se o conceito de um único padrão de beleza cada vez mais segregador que pressiona a todos. Quando o criticado é o primeiro a criticar, precisamos parar pra pensar. Tudo isso acaba gerando ainda mais motivos para insatisfação coletiva com a autoimagem e desencadeando justamente problemas de autoestima, falta de autoconfiança e transtornos alimentares, apenas para citar os exemplos mais óbvios. Ou seja, quem ataca está na verdade criando armadilhas de inadequação e insegurança para si mesmo.

Por isso é importante desconstruir essa ideia do corpo perfeito, do ideal de corpo a ser seguido ou mesmo que exista um corpo para se considerar padrão, independente de qual seja sua forma, uma vez que o corpo humano é único e cada um tem sua particularidade. Aprender a se enxergar como indivíduo com suas particularidades e ver isso como um privilégio da natureza em vez de defeitos para se encaixar dentro de grupos é o que nos motiva a seguir com esse discurso de olhar amoroso sobre si mesmo. É saber que tá tudo bem não ter o corpo que será visto por aí como dos sonhos, desde que o seu corpo esteja plenamente apto para desenvolver as atividades que você gosta e deseja de fazer. Porque corpo perfeito é isso, aquele corpo que está preparado para fazer todas as coisas que gostamos de fazer, independente de forma e tamanho.

Está difícil viver num mundo onde nem Gisele está livre de episódios de “body-shamming”. Uma sociedade que cobra uma perfeição irreal e quase inalcançável até mesmo da modelo mais famosa do mundo está mesmo doente. E o pior de tudo? É enxergar o ciclo vicioso onde quem aprisiona é na verdade quem já foi aprisionado.