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0 em Autoestima no dia 31.08.2018

5 aplicativos para ajudar a nossa relação com as emoções!

Sempre falamos por aqui da importância da terapia para cuidar da nossa saúde emocional, mas em tempos que vivemos no piloto automático em tantos momentos acreditamos que outras ferramentas podem nos ajudar a lidar com nossas emoções. Hoje em dia ninguém vive sem celular e essa é uma verdade que já faz parte da vida de todo mundo há muitos anos. Enquanto o aparelho foi criado para ser uma facilitador de várias coisas na nossa vida, em alguns muitos momentos, ele também atrapalha, como quando vemos por aí apps que mudam corpos em vídeos e fotos, aplicativos mil para retocar corpos e fotos para redes sociais e os aplicativos de dieta, que contam calorias, dizem o que você deve comer, entre outras coisas que só prejudicam a nossa relação com nosso corpo, nossa imagem ou alimentação.

Porém, nem tudo está perdido! Tem um pessoal por aí fazendo coisas bem legais que podem nos ajudar muito na nossa caminhada de autoestima, autoconhecimento e também para relaxarmos em momentos de tensão e podermos lidar melhor com as emoções.  Acho interessante esse segmento, porque é uma forma de virar o jogo. Enquanto tudo isso que está popular por aí não nos ajuda em nada diante das pressões da vida, existem esses apps que podem nos ajudar a lidar com as emoções de formas diferentes e isso pode refletir em muitos aspectos da nossa vida.

Vamos aos aplicativos que eu escolhi!

1 – Daylio

daylio

O Dailyo é um diário onde você não precisa ter o compromisso de escrever todos os dias, muito menos escrever páginas e páginas como fazíamos antes (quem aí amava um diário?). Com o Daylio, você pode acompanhar sua mudanças de humor e escrever frases breves sobre seu dia. Ele prepara um gráfico de humor mensal que permite ver todos os altos e baixos pelos quais você passou. Não é super específico, mas pode te dar uma boa ideia de como tem sido a média dos seus dias, para aquela autoanálise importante (ou mesmo para levar e conversar com seu terapeuta).

2 – Happy Not Perfect

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Esse app já poderia entrar na lista só pelo nome maravilhoso (em português pode ser traduzido como “Feliz, não perfeito”). Ele tem mais de 200 exercícios de Mindfullness (plena consciência)  que nos ajudam a meditar, praticar a gratidão, a positividade e deixar o nível de stress. Dá para criar uma rotina de exercícios pra gente trabalhar melhor nossa atenção plena e relaxar e até mandar good vibes por aí! A gente amou esse.

3 – What’s Up

whats-up

Com esse nome parecidíssimo com o nosso WhatsApp de todo dia, é um app inspirado em TCC (terapia comportamental cognitiva) e TCA (terapia de compromisso de aceitação) e métodos para ajudar a lidar com a ansiedade, estresse, depressão, pensamento negativo e muito mais. Além disso, tem possibilidade de você jogar alguns joguinhos para relaxar.

4 – Koko

koko

Antes de virar um aplicativo, KoKo foi um site chamado Panoply desenvolvido por um pesquisador do MIT como uma rede social para pessoas com depressão. Nele os usuários podem compartilhar problemas, sentimentos ou pensamentos com a comunidade e obter feedback de outras pessoas. Como isso ajuda? A ideia é baseada em uma forma de terapia cognitivo-comportamental (TCC) bem estabelecida, chamada “reavaliação”, que é uma maneira de ajudar a reestruturar os pensamentos negativos. Por exemplo, você pode compartilhar uma experiência como ter um dia ruim no trabalho ou uma briga com seu filho, e a comunidade pode oferecer leituras alternativas dessa situação para ajudá-lo a não chegar a conclusões negativas. (Como se você fosse ser demitido ou você e seu parceiro estão se separando.)

A melhor notícia de todas: Um estudo de 2015 do site original descobriu que essa abordagem melhorou significativamente os sintomas de depressão dos participantes após apenas 25 minutos por semana durante três semanas. Olha a rede de apoio aí!

5 – Flowy

flowy

O Flowy é um app para ajudar pessoas com ataques de pânico e ansiedade, ele não substitui o tratamento com profissional, mas é um app que vale a indicação. É uma espécie de jogo, onde você resolve o quebra cabeças através de exercícios de respiração. Você mantém um botão pressionado enquanto inspira e solta enquanto expira, enviando seu barquinho para frente ao longo do caminho. O objetivo aqui é treinar a maneira como você respira: ao invés de respirar com os músculos do peito, o que pode causar uma sensação semelhante como um ataque de pânico que se aproxima (e realmente começar a fazer você se sentir em pânico), você aprenderá a respirar com seu diafragma. Você respirará mais fundo, seu coração desacelera e você segue com seu barquinho calmo nas ondas.

Nenhum desses aplicativos substitui tratamentos com profissionais, mas podem ser usados como ferramenta de auxilio nos processo de trabalhar a consciência do “aqui e agora”. Trabalhar a atenção plena é fundamental no nosso ponto de vista.
1 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 27.08.2018

Qual o peso que a palavra “magra” tem na sua vida?

Não faz muito tempo, eu estava conversando com uma pessoa próxima que tem verdadeiro pavor de ter seu emagrecimento elogiado. No caso, ela tinha perdido alguns quilos de forma bem saudável e natural pela primeira vez na vida. Depois de anos sofrendo com os mais diversos transtornos alimentares, ali estava ela, emagrecendo porque finalmente estava se alimentando e se exercitando de forma mais consciente, e não porque precisava atingir objetivos externos. E cada vez que seu emagrecimento ela elogiado, ou alguém apontava que ela estava mais magra, ela estremecia.

Eu achava uma frescura. “Quem em sã consciência não quer ser chamada de magra?”, eu pensava. Até que ela me explicou melhor como cada vez que alguém fazia isso, crente que era um elogio, ela se transportava para aquele lugar de ansiedade vivido anos atrás, onde remédios que cortavam o apetite, laxantes e dietas restritivas praticamente mandavam na sua vida, onde a culpa e a sensação de fracasso pesavam tanto, independente do seu peso ou quanto ela já tinha emagrecido, sempre precisava perder mais. Para ela, ser magra para ser aceita sempre foi um lugar de sofrimento. Esse “elogio”para muitas é aquele famoso gatilho do qual tanto falamos. Ficou mais claro pra mim a importância daquele texto da Camilla sobre não comentar o peso das pessoas.

Eu conheço essa pessoa há muito tempo, sabia da sua relação conturbada com comida e corpo, mas eu nunca mensurei o tamanho da sua dor na fase da crise dos transtornos, da angústia por achar que nunca conseguira ficar boa, da ansiedade durante as consultas com o psiquiatra e de viver tudo isso enquanto a sociedade fazia uma enorme pressão “inocente” pela magreza. Retirei o que pensava imediatamente. E parei para refletir.

Aproveitei esse momento de reflexão e resolvi dar uma olhada no peso que a palavra “magra” tinha para mim, que nunca sofri de nenhum transtorno e nunca fiz loucuras para emagrecer. Percebi que desde que comecei a ouvir mais sobre a importância de não comentar o corpo alheio, parei de elogiar as pessoas pela magreza. No entanto a parte curiosa do meu processo de desconstrução é que descobri que de alguma forma eu ainda considero magra um elogio.

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As pessoas não comentam muito sobre o meu corpo, mas morar longe e ficar muito tempo sem ver as pessoas faz com que comentários sobre ele sejam mais comuns do que a gente imagina.

Cheguei no Brasil e ouvi alguns “você emagreceu, né?”. Se emagreci de verdade, eu não notei. Não sei se o comentário foi feito só para ser um elogio simpático, mas foi aí que o momento patético aconteceu. Mesmo racionalmente eu sabendo que esse “elogio” não significa nada e não vai fazer nenhuma diferença na minha vida, o sorrisinho no meu rosto apareceu involuntariamente, assim como o sentimento de satisfação. Tenho certeza que a pessoa notou a briga interna entre meu racional e emocional acontecendo ali, na frente dela. Se não notou, acho que posso até ganhar o Oscar, porque eu realmente senti minha boca tremendo sem saber qual ordem seguir.

Minha terapeuta quer me matar com o tanto que eu me auto analiso sem nem perceber, e é claro que eu fiz isso dessa vez. Acabei entendendo que eu não consigo desassociar magreza de elogio – não ainda – justamente porque eu passei minha vida toda achando que eles estavam associados. É um processo, não se dá do dia para noite e é natural que emagrecer seja uma satisfação para quem está batalhando por isso. Como não é o meu caso, eu me permiti pensar sobre isso.

Uma outra coisa chocante que eu notei nessa minha auto analise foi que eu ainda sinto muito mais prazer ouvindo que estou magra do que quando ouço que estou bonita. Por quê? Porque não tenho nenhuma dificuldade em me achar bonita. Sei que não tenho modéstia nenhuma nesse sentido, mas como estamos tendo uma conversa franca por aqui, não tem por que eu esconder de vocês que tenho muito mais momentos olhando para o espelho e gostando do que vejo do que achando que eu to feia. Portanto, quando elogiam minha beleza, isso não me parece uma novidade.

Em contrapartida, eu sempre me achei no limite do padrão. E passei uma vida me comparando (assim como a maioria das mulheres que eu conheço). Era alta demais se comparada com todas as minhas amigas. Grande demais se comparada com as meninas delicadas que os meninos da escola achavam bonitas (tem uma época da nossa vida que a gente cai nessa besteira, né? Afff). Corpo com curvas demais se comparado com os corpos das revistas e televisão, que eu considerava meu padrão de beleza na época.

Nunca suficiente, mas justamente por estar no limite, nunca sentindo necessidade de fazer grandes coisas para mudar. Perder muitos quilos, por exemplo, foi uma coisa que só fiz uma vez na vida, quando ganhei uns 10 quilos no ano do vestibular. 

Porém, como quase todo mundo que conheço – independente do peso – vejo que passei minha vida toda achando que sempre tinha que emagrecer mais uns quilinhos para ter “de reserva”. Quando tinha 65, queria ter 62. Depois quando tinha 68, queria voltar pro 65. Hoje tenho 72 e continuo achando que seria interessante chegar no 68 novamente. Ou seja, por mais que não esteja fazendo dietas ou conseguindo me exercitar com a mesma frequência de antes de ter filho, ouvir que eu emagreci me faz achar que eu estou chegando mais perto desse objetivo que eu nem estava fazendo nada para atingir. Como se fosse mágica. A cabeça da gente as vezes prega essas travessuras inesperadas, tudo pelo peso que a magreza tem na sociedade. 

A palavra “magra” pode não ter para mim o gatilho que tem para a pessoa que eu falei lá do começo do texto, mas não tenho como não admitir que ela tem um peso. E um peso muito maior do que eu pensava que tinha.

Analisando friamente as duas histórias em questão, vejo que a palavra magra pode causar diferentes reações dependendo do lugar de quem escuta o elogio. Independente da euforia, satisfação ou incômodo que ela possa causar, ela tem um peso que reforça os estereótipos numa sociedade tão gordofóbica e excludente. Penso que para lutarmos para que a palavra gorda perca o cunho negativo, precisamos repensar nos efeitos que o “elogio” à magreza pode causar. A meu ver, precisamos parar para refletir sobre isso fora do contexto individual, entendendo no contexto social o peso que isso tem na sociedade e no reforço dos estereótipos tão cheios de preconceitos. Acredito que o mundo será menos excludente quando a magreza deixar de ser sinônimo ilusório de sucesso, promoção no trabalho, amor garantido ou mesmo de beleza unânime.

E você? Já parou para refletir qual o peso a palavra “magra” tem na sua vida?

1 em Camilla Estima/ Saúde no dia 22.08.2018

Por que você NÃO PRECISA entrar no Projeto Verão

Ano passado falamos aqui mesmo no Futi sobre “Projeto Verão” e os problemas dele. O meu texto entrou no ar no dia 29 de novembro. Por que resolvi escrever um outro texto sobre Projeto Verão agora em Agosto? Por que começaram a pipocar indícios e preocupações que comprovam que isso começa antes. Só agora notei como fui inocente no ano passado.

Isso tudo começou porque meu irmão reparou que na 2ª feira de manhã, dia 6 de agosto, ele estranhou a academia que ele vai regularmente lotada, bem mais cheia do que costume. Perguntei dali, daqui e no insta confirmei, o motivo era a virada do semestre e a proximidade do verão. Aparentemente 6 meses de distância já é considerado próximo. Portanto, sem saber o meu texto do ano passado estava atrasado, por isso esse ano resolvi  trazer outros pontos e dessa vez com a antecedência necessária. 

Confesso que fico um pouco assustada, ainda mais considerando a academia como um meio de manter o corpo ativo no dia a dia em uma rotina equilibrada, olhando a saúde como um todo não deveríamos considerar frequentar um local de  atividade física só quando bate um desespero de que se precisa emagrecer. Se estamos falando em uma busca saudável por manter o corpo fazendo exercício a prática dele não deveria estar condicionada a uma busca tão antecipada pelo tal “corpo do verão”.

Listamos alguns motivos que comprovam que você não precisa começar um projeto verão:

  • Por que todo ano é a mesma coisa? Será que se esse fosse um método que realmente funcionasse, você precisaria recomeça-lo todo ano? Se todo esse processo de ter um corpo dentro do padrão estético e atlético fosse de fato sustentável para todo mundo precisaríamos de projetos para isso? Pessoalmente acho que não. O tal “estilo de vida”, leve e natural, seria  fácil de ser mantido sem sofrimento.
  • Dito isso. Como você se sente ao entrar todo ano em um projeto falido? Desculpa, eu sei que essa palavra é forte! Pode até soar como um julgamento, mas não consigo arrumar outra forma de adjetivar algo que precisa sempre ser repetido, por mais que ele dê certo em algum momento, as vezes só a tempo de tirar as primeiras fotos.
  • Ele faz com que pessoas fiquem presas a uma obrigação de “entregar” um corpo pro verão. Como se só um tipo de corpo fosse digno de ir a praia ou ser postado nas redes sociais.  Isso não gera angustia? A sensação de pressão aparece, podendo mexer com a relação que se tem com a comida e com o próprio corpo, que não responde aos estímulos exatamente da forma que queremos.
  • Ele coloca um prazo de validade para se chegar a um objetivo. Essa corrida contra o tempo não gera ansiedade? E se o resultado não vem da forma esperada… Onde você vai descontar essa frustração?
  • Como se faz nos momentos “não verão”? A saúde para de importar nas outras estações? A busca pela verdadeira saúde não deveria estar num equilíbrio menos agressivo para o corpo? 

A coisa que mais me preocupa nesse discurso de chegar a um determinado tipo de corpo para o verão é que para conseguir “resultados rápidos” e no tempo estipulado, geralmente você restringe MUITO a sua alimentação. E quando percebe, já está presa nas dietas e promessas milagrosas, que na maior parte das vezes são armadilhas perigosas. O que pode parecer um modismo alimentar inofensivo pode na verdade ser um gatilho para uma compulsão ou uma relação sem paz com a comida, onde você nega o que te dá prazer, coloca culpa como ingrediente principal e perde o controle emocional do seu comportamento com a alimentação. Uma modinha do momento pode ter consequências muito mais graves.

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Até hoje nunca vi um projeto verão que de fato trabalhe a sua relação com a comida ou com o corpo de forma a atingir um equilíbrio saudável e duradouro. E atém disso, ela instiga o modo excludente de pensar que ambientes onde é preciso botar um biquini – seja ele praia ou piscina – não são para todas. Nem queria estar lembrando isso aqui, mas QUALQUER CORPO é digno de ir à praia e QUALQUER MULHER tem o direito de ser muito feliz no verão, independente do número na balança ou da roupa.

Portanto, agora que ainda estamos longe do verão, pense como você pode começar a olhar isso tudo de forma mais crítica, consciente e responsável com relação ao seu corpo e sua saúde. Se seu desejo é emagrecer para se sentir melhor no biquini, você tem todo o direito de fazer isso, mas acho importante lembrar que mudanças de comportamento levam tempo a serem estabelecidas para que você consiga ter uma melhor relação com seu corpo e com sua alimentação, buscando equilíbrio de forma sustentável a longo prazo. Não procurando apenas um milagre para durar 3 meses, para depois compensar toda falta com exageros. É preciso que saíamos do automático e repensemos no quanto essa procura por uma alimentação de modismo, sustentável apenas por um curto espaço de tempo, pode ser prejudicial.

Nesse meio tempo proponho pensar como podemos aproveitar nosso verão de verdade sem estar sufocada e refém desses padrões.