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1 em Autoestima/ Saúde no dia 20.04.2017

Vida Saudável: (des)construindo um conceito

Não é difícil ouvir, em qualquer lugar que eu frequente, sobre o assunto da moda: exercício físico, alimentação e estilo de vida saudável. Seja em uma academia ou em meio à outra rodada de chopp no bar, entreouvidos é possível perceber que há sempre o “personagem fitness” do grupo que vai puxar esse assunto. Está nos programas de televisão em horário nobre, nas redes sociais, na fila do mercado e até no almoço de domingo em família. Advogados, economistas, empresários e estilistas começaram a participar de grupos de pedal, se inscreveram – e começaram a ir – na academia e já até admitem diminuir o consumo de doces; ser saudável se tornou não só algo benéfico para a saúde, mas um estilo de vida. Até aí tudo ótimo, não é?! Quando essa busca se torna uma obsessão, a resposta é não. Definitivamente, precisamos conversar.

“A dieta desse mês é o corpo do mês que vem” – não, pensar assim não deveria ser considerado saudável.

Acompanho diariamente as redes sociais e, como não poderia ser diferente, sigo pessoas que possuem algum tipo de influência no mercado fitness, nutrição e qualidade de vida em geral, seja com dicas de treino ou ditando um lifestyle. Mas afinal de contas, já parou pra pensar o que é qualidade de vida? Dentre as diversas definições, a que eu acho mais completa diz assim: “Qualidade de vida indica o nível das condições básicas e suplementares do ser humano. Essas condições envolvem o bem estar físico, mental, psicológico e emocional, além dos relacionamentos sociais como família e amigos, a educação e outros parâmetros que afetam a vida humana.” Percebeu a complexidade? Hoje o que se prega na internet é o reducionismo dessa definição, nos induzindo a pensar que ser saudável é APENAS ter um baixo percentual de gordura e um bom punhado de músculos. Pelo menos é assim que muita gente propaga, de forma muito equivocada e perigosa, a imagem do saudável. E o pior é que muitas pessoas estão sendo influenciadas por esses “gurus” e estão construindo suas vidas e pensamentos em cima desse alicerce!

Primeiramente, é importante saber a diferença básica entre exercício físico e atividade física. Isso mesmo, eles não são a mesma coisa. Atividade física é toda e qualquer atividade que promova gasto energético, em eventos cotidianos e despretensiosos como carregar uma sacola de mercado, subir uma escada ou passear com o cachorro; exercício físico faz parte de uma rotina programada e planejada de atividades que promovam a melhora de diversas variáveis físicas. Enquanto uma se relaciona com hábitos cotidianos, a outra tem horário marcado e duração programada. Fazer exercícios físicos é muito importante, mas é só uma parte do quebra-cabeça. Enquanto a atividade física não for inserida na sua rotina diária, seu corpo e sua mente irão sempre te dizer que parar, seja lá o que você estiver fazendo, para ir à academia ou dar uma corrida é um mega sacrifício! E enquanto isso for um sacrifício, a chance de suas expectativas serem maiores do que os resultados são enormes. As consequências disso? Frustração, desânimo, depressão e distorção de autoimagem são as mais prováveis. A tendência é que o ciclo insatisfação – quebra de expectativa – culpa – insatisfação se perpetue.

Praticar exercícios físicos é extremamente benéfico pra todos e suas consequências positivas são incontestáveis. Para exemplificar, estudos demonstram que ele é capaz de regular a qualidade do sono através da maior duração da fase REM (sono profundo); prescrito de forma correta diminui os níveis de ansiedade e depressão, tanto por fatores fisiológicos (maior liberação de neurotransmissores como a endorfina e dopamina), quanto por fatores ambientais (socialização, contato com a natureza e mudança momentânea de foco); melhora a cognição e memória, através da capacidade de aumentar as sinapses neurais e ativar o hipocampo, entre outros. Quem não quer experimentar todos esses benefícios? O problema é que, em alguns casos, esses efeitos podem não existir ou até mesmo serem invertidos. Estar em privação de sono, em alto nível de stress ou em condições nutricionais desfavoráveis por um longo período interfere na forma como o seu corpo reage a esses estímulos.

Na outra ponta está o que chamamos de dependência ao exercício. É o desenvolvimento de um comportamento patológico na necessidade da prática excessiva de exercício físico. Existe uma corrente de estudiosos que indica que a necessidade de se exercitar em demasia seja um gatilho para o desenvolvimento de transtornos alimentares. É mais comum do que você imagina e tem gente se vangloriando por isso.

Percebe que é possível que você esteja praticando exercícios físicos regularmente, se alimentando melhor e mesmo assim não estar conseguindo adquirir qualidade de vida e saúde?

Mas como encontrar esse equilíbrio? Pode começar aceitando seu corpo do jeito que ele é hoje. Claro que todos nós temos o direito de buscar melhorias para nós mesmos, mas isso tem que ser uma busca interna, não para os outros. Dito isso, tente buscar alguma atividade que lhe dê alguma satisfação. Nós já somos bombardeados com obrigações, portanto as chances de você seguir com uma atividade que não é uma obrigação são maiores. Não precisa ser exatamente o que sua amiga magra gosta. Vale dança, luta, crossfit, esporte e tudo o que puder experimentar! Está mais do que comprovado que as pessoas que se exercitam para buscar uma melhora na saúde em geral (incluindo a estética) permanecem por mais tempo nessa prática do que os que visam simplesmente a aparência física – e no final das contas alcançam os objetivos estéticos mais frequentemente porque permanecem engajados por mais tempo. Esse é um ciclo que vale a pena seguir.

Você pode estar perseguindo um modelo de corpo que foi construído em cima de privações severas de alimento, treinamento intenso diário e toda uma equipe em volta dando o suporte para que se alcançasse aquele resultado. Agora me diz, isso parece ser saudável?

0 em Autoestima/ Saúde no dia 24.03.2017

Camilla Estima + Daiana Garbin batem um papo sobre dietas!

A nutricionista comportamental Camilla Estimacolunista do futilidades, bateu um papo com a Daiana Garbin, do canal no youtube Eu Vejo. Ela falou dos pontos abordados naquele texto que ela escreveu aqui, sobre a influência das blogueiras fitness.

Os vídeos tocam nos pontos que Camilla trouxe de maneira bem interessante e achamos que valia compartilhar com vocês aqui no blog:

 

Acho legal pararmos pra pensar sobre isso, todas nós!

O que vocês acharam?

Beijos

2 em Autoestima/ Camilla Estima/ Comportamento/ Convidadas/ Destaque/ Saúde no dia 08.02.2017

Sim, é apenas um suco

Eu sempre duvidei de promessas milagrosas…..em qualquer instância. Pra mim sempre soou marqueteiro slogans ou mensagens associadas à alimentos como o tom de solução dos seus problemas. O problema do uso desses alimentos ou produtos é que eles são um tapa em sua autoestima. E por que? Porque muitas das vezes nós depositamos todas as nossas fichas neles como se eles fossem a solução dos nossos problemas e que vão te poupar de mudanças reais de comportamento. E como milagre não existe, ao ver que aquele resultado prometido não foi alcançado, como você se sente? Sem esperanças de reais resultados, sentimento de fracasso, de incapacidade, diminuído frente à celebridade magérrima que o anuncia (poxa, por que ela consegue e eu não? – deixa eu te contar um segredo, provavelmente ela usa mais um monte de estratégias restritivas, mas isso ela não te conta). Já falei no meu texto anterior o problema da realização de dietas restritivas, lembra?  Já vivemos a era dos chás emagrecedores, da ração humana (gente, juro, que nome é esse?), da água com limão em jejum, os constantes shakes emagrecedores, hoje em dia a dieta livre de glúten e lactose…….cada hora um modismo novo e que não promove nada para mudar a sua consciência quanto à alimentação, da sua relação com a comida e com o seu corpo. Nada.

 

O óleo de coco é só mais um dos produtos tidos como milagrosos para emagrecer. Recentemente a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia publicou o seu posicionamento quanto ao uso do Óleo de Coco para emagrecer. Só para esclarecer, sociedades médicas escrevem textos com seu posicionamento frente à condutas médicas ou nutricionais que muitas das vezes são impulsionadas por modismos alimentares ou temas que estejam em voga para esclarecimento e orientação de como nós, profissionais de saúde, prescrevermos certos tipos de conduta. Pois bem, nesse posicionamento eles se colocam contra o uso deste produto com objetivo de emagrecimento basicamente por falta de dados científicos de sua eficácia. Para certificar a relação de causa-efeito de um alimento ou produto sobre o efeito real que ele se propõe é necessário a realização de estudos de longo prazo que acompanham populações durante um período avançado de tempo.

Uma outra promessa vendida nos tempos atuais são os sucos e há tempos eu venho querendo escrever sobre eles. Temos o suco verde, suco rosa, o detox, emagrecedor, seca barriga, derrete gordura ou qualquer outro tipo de nome bizarro. Como eu falei acima, também não há estudos de longos períodos de tempo realizado com grandes populações a respeito desse produto, nem sobre seu efeito desentoxicante ou promessa emagrecedora. Veja, nós já temos um conjunto de órgãos como o fígado e os rins, que têm essa função no nosso organismo mas não com intuito de emagrecer, queimar gordura ou secar barriga e sim para “limpar” nosso organismo de toxinas fisiológicas.

Alguém pode me explicar por que tem uma fita métrica em volta desse copo? Imagens de fitas métricas associadas a alimentos, corpos, profissionais de saúde são um tapa na sua autoestima pois elas geram muita ansiedade e insatisfação corporal.

 

ELE É APENAS UM SUCO……e um suco super saudável, saboroso, cheio de nutrientes. É uma excelente fonte de vitaminas, minerais, muito bom para hidratação e pode acompanhar refeições como café da manhã ou lanches. É uma alternativa para oferecer à pessoas que não estão acostumadas a comerem esses alimentos na sua apresentação tradicional. Ele sofre preconceitos? Sim, sofre – e na maioria das vezes por causa de sua cor verde e também por as pessoas acharem estranho tomar gelado e na forma líquida verduras e legumes como couve, espinafre, beterraba, cenoura. Invés de demonizar esses alimentos e principalmente nesse formato, que tal abrir um pouco a cabeça e se dar a chance de experimentá-los? Olha, você pode se surpreender. E vamos também parar de chama-lo de detox. Eu sempre tento ver o lado bom mesmo no meio do caos e o boom de sucos verde, detox, digestivos, seca isso e seca aquilo foi bom para aumentar o leque de possibilidades de receitas culinárias desses sucos, mostrando diferentes tipos de combinações que podem ser muito felizes juntas. Fora que também populariza os sucos naturais feitos em casa ou lojas de sucos.

Como eu gosto desse exercício, vamos desconstruir o discurso?

Até quando esse tipo de coisa?

E esse?

E por fim, uma imagem que recebi recentemente de diversas pessoas e que me motivou escrever esse post:

Qual o problema dessa imagem? Nenhuma das opções contidas nela é antidepressiva. E é inviável você comparar esses alimentos ao vinho. Veja, tudo cabe na sua alimentação, sempre de forma consciente, orientada por um profissional de nutrição sério, que você confie e que não te mande fazer malabarismos inviáveis na sua alimentação diária. Temos espaço no nosso dia para o suco e também para o vinho. E esse tipo de mensagem é PÉSSIMA pois ajuda a acabar com a reputação desses alimentos, que muitas vezes não são consumidos pelas pessoas por n motivos.

Voltando ao básico de sempre…..nós temos que comer comida de verdade e não promessas milagrosas em busca de um padrão que nos é imposto. Temos que comer comida vinda da natureza e que faz parte do nosso hábito e cultura alimentar – arroz, feijão, legumes e verduras, frutas, sucos saudáveis, água – e claro, comer com prazer, sem culpa e pressão por um corpo colocaram na nossa cabeça que devemos ter.