Browsing Tag

roteiros

4 em Destaque/ Nova Zelândia/ Trip tips/ Viagem no dia 04.05.2018

Os destaques da Ilha Sul da Nova Zelândia

Que a Nova Zelândia é linda de morrer, acho que já convenci todo mundo. O país da natureza exuberante e intocada é um prato cheio para quem curte atividades ao ar livre e um contato bem diferenciado com o ambiente.

Já contei aqui no blog sobre os principais passeios próximos a Queenstown, os cruzeiros na região de Fiordland e as nossas aventuras no motorhome, isso tudo na ilha Sul. Coisa pra caramba, né? Mas antes de passar para as dicas da ilha Norte, separei mais alguns programas imperdíveis que fizemos na primeira parte da nossa viagem, para mostrar como o país não nos deixou de surpreender em nenhum momento.

Mt Cook Heli Hike

A região de Mt Cook entrou na lista dos destinos a serem visitados na Nova Zelândia por um motivo muito simples: a região montanhosa tem neve durante o ano inteiro, mesmo no verão. Como uma tradicional carioca que sou, não perco a oportunidade de estar em contato com neve e gelo.

Só que na Nova Zelândia, para se visitar as geleiras não se pode mais subir caminhando desde o chão, para evitar a erosão acelerada que estava acontecendo. E foi aí que fizemos uma das coisas mais divertidas na viagem: heli hike, que é basicamente um vôo de helicóptero até lá em cima da montanha, seguido de uma caminhada e depois um outro vôo de helicóptero para voltar.

Sim, o cenário é você e mais algumas outras poucas pessoas, sozinhas, andando com grampons nos pés (aquelas garras de urso) em cima do gelo no meio de uma cadeia de montanhas cobertas por neve. Visualizou? É incrível!

IMG_9887

IMG_9822

Ficamos em torno de 1:30 andando no gelo, passando por riachos com água de degelo e entrando em cavernas azuis turquesa. A parte do helicóptero também foi demais: muito mais que só um meio de transporte, o vôo foi panorâmico e chegou pertinho das montanhas.

IMG_1053

IMG_0984

IMG_9762

Para essa experiência nada tradicional, escolhemos o pessoal da Alpine Guides e super recomendamos. São super sérios e muito atenciosos.

 

Earth&Sky

A região de Lake Tekapo integra a Aoraki Mackenzie International Dark Sky Reserve. Trocando em miúdos, uma “reserva de céu escuro” é um lugar em com uma qualidade excepcional de noites estreladas e atividades noturnas. Eu ouvi estrelas? Bom, se era para ver estrelas, eu quis ir logo no lugar mais preparado e mais bem recomendado que tinha para aproveitar o máximo dessa experiência.

Foi numa dessas que descobri a Earth&Sky e o Mt John Observatory Tour: é um passeio exclusivo para ver estrelas que usa a estrutura do observatório Mt John (incluindo todos seus telescópios gigantões). Os guias são mega ultra qualificados (são todos astrônomos de verdade!!!) e mostram com toda paciência do mundo as constelações e estrelas mais famosas do hemisfério sul, incluindo o Cruzeiro do Sul, a Via Láctea, Júpiter, Saturno e seus Anéis, além de muitas outras estrelas menos conhecidas mas super interessantes.

Eu já tinha feito um passeio de Stargazing (como se chama esse negócio de ver estrelas) no Atacama, mas achei que ali, em Tekapo, as pessoas tem um pouco mais de cuidado com a questão da manutenção do escuro: o ônibus que leva as pessoas desde o centro até o observatório vai todo apagado e as únicas luzes que vemos é em tom vermelho, para que as pupilas se dilatem e seja possível enxergar melhor as estrelas. Até ganhamos de brinde uma lanterninha vermelha!

Sen-sa-cio-nal!

new-zealand-christchurch-and-canterbury-mt-john-night-tour-dark-sky-stargazing-mid_22ff03dc421b3f7f92733e25625b941a (1)

Imagem: Earth&Sky

Tekapo Springs

Acho que já contei por aqui que sou fã de relaxar e não fazer nada. Quando descobrimos que em Tekapo tinha um lugar com piscinas aquecidas, feito para esquecer da vida, não pensei nem 2 vezes. Fomos para Tekapo Springs numa tarde e ficamos hooooras lá largados, só regulando a temperatura da água que mais nos apetecia: de 36 a 41 graus, a depender do gosto do cliente.

As termas são super bem cuidadas e bastante espaçosas, bem agradáveis para pessoas de todas as idades. De quebra, ainda se tem uma vista mais que privilegiada do lago Tekapo e das montanhas que o rodeiam.

Nós aproveitamos para pegar um ingresso que se chama “Soak & Slide”, que incluía não só o acesso às piscinas mas também a 3 escorregas infláveis gigantes. Apesar de divertido, acabamos aproveitando mais a parte do relaxamento do que da adrenalina.

IMG_0817

IMG_0840

IMG_0881

IMG_0844

 

Tekapo Stargazing

E se já tínhamos gostado da Tekapo Springs durante o dia, imagina a felicidade ao descobrir que existia a opção de juntar os dois programas acima em um só: sim, a Tekapo Stargazing é um passeio para se ver estrelas enquanto você está aproveitando as piscinas quentinhas, tudo ao mesmo tempo.

Com guias bem atenciosos, a primeira parte do passeio é de reconhecimento do céu e identificação das principais constelações, assim como o tour da Earth&Sky. Mas é na segunda parte que a coisa fica fantástica: tivemos um tempão para entrar na piscina e nos aconchegar em colchões infláveis para ficar babando naquele céu que parecia de mentira. Romântico e relaxante definem a experiência.

Imagem: Tekapo Stargazing

 

 Dolphin Encounter

Fomos para a região de Kaikoura propositalmente para explorar o que o oceano tinha para nos oferecer. Obviamente que o Dolphin Encounter, um mergulho de snorkel no mar para chegar pertinho de golfinhos selvagens, não poderia ficar de fora. Eu amo mergulhar e já tinha tido contato com golfinhos em seu habitat natural algumas vezes… mas nenhuma como na Nova Zelândia.

Escolhemos o horário do nascer do sol para embarcar na nossa aventura, afinal de contas, os golfinhos acordam cedo e nós queríamos encontrá-los dispostos e animados. Que decisão acertada! Além de presenciarmos um nascer do sol estupendo, foi só cair no mar para termos a certeza que ter dormido poucas horas naquela noite se pagou mil vezes: não era 1, nem 2, nem 3… era um milhão de golfinhos dançantes e felizes dando piruetas em volta da gente!

O pessoal da Dolphin Encounter faz um trabalho muito bacana de estudo, pesquisa e preservação da área. E para quem está ali visitando, como nós, eles ensinam exatamente o que fazer para que os golfinhos gostem da gente e interajam (afinal de contas, foi pra isso que fomos até lá). Então não se assustem com o barulho bizarro do vídeo abaixo, sou eu falando golfinhês (e eu juro que eles estavam me entendendo!).

Da lista das coisas mais incríveis que eu já fiz na vida: nadar com um milhão de golfinhos em Kaikoura, na Nova Zelândia! Eu já tinha tido a experiência de nadar com golfinhos selvagens em Noronha (por pura sorte) e na Polinésia Francesa, mas nunca tinha visto tantos juntos. E como eles são animados gente! Fizemos o passeio com a @dolphinencounterkaikoura, super profissional e preocupada com a preservação desses fofuchos. E o mais legal: o pessoal da Dolphin Encounter ensinou a gente a interagir com os golfinhos para eles brincarem mais com a gente! O resultado foi uma pessoa fazendo barulho de sonar para se comunicar com os golfinhos (ou achar que está se comunicando) e nadando em círculos igual uma louca! 🤣 E o pior foi que super funcionou! Eles adoram! Que experiência fantástica! . . . . @purenewzealand #purenewzealand #mustdonz

A post shared by Aline Rajão (@alinerajao) on

Não dá pra descrever a emoção que foi estar durante horas dentro da água com essas criaturinhas, nadando e interagindo. Arrisco dizer que foi um dos pontos mais altos da viagem!

IMG_1166

 

Whale Watch Kaikoura

Também na região de Kaikoura, fomos em busca dos maiores mamíferos do mundo: baleias! Para isso, entramos no barco com a Whale Watch Kaikoura rumo ao mar aberto para ver se teríamos a sorte de ver esses gigantes passeando por ali.

E demos muita sorte! Vimos baleias azuis e as tradicionais cachalote, muito presentes na região. E o melhor: elas estavam assanhadas e mostraram seus rabinhos para nós várias vezes, quando mergulhavam! Sem dúvida a parte mais legal foi ver os rabos desaparecendo na água enquanto ficávamos frenéticos tirando um milhão de fotos por segundo!

E na lista de coisas fantásticas para fazer na Nova Zelândia, o Cruzeiro para avistar baleias não poderia ficar de fora. Também na região de Kaikoura, onde vimos aquele tanto de golfinhos animados, também tivemos a oportunidade de ver esses gigantes do mar com a @whalewatchkaikoura. Não da pra descrever a emoção do primeiro encontro em uma vida com os maiores mamíferos do planeta! E o melhor: estávamos esperando ver “apenas” sperm whales, as baleias cachalote que são muito presentes na região. Por fim, vimos também mais de 3 baleias azuis, as maiores que existem, que fizeram questão de mergulhar e mostrar seus rabinhos pra gente! Quase infartei, juro! Sensacional o passeio e muito recomendado! #purenewzealand #whalewatchkaikoura #kaikoura #nzmustdo #kiaorafromkaikoura @kaikouranz @hypstar.brasil #hypstarbrasil @purenewzealand

A post shared by Aline Rajão (@alinerajao) on

Os guias do barco eram super entendendidos de baleias e passavam várias informações interessantes, além de ajudarem a gente a procurar por elas. Foi uma experiência bem divertida e muito emocionante!

Para completar, o visual do passeio de barco era magnífico e parecia um quadro de tão lindo.

IMG_1198

IMG_1264

IMG_1529

Gosta de natureza? Então vai por mim, inclua a ilha sul da Nova Zelândia nos seus planos de viagem. É algo de outro mundo!

0 em Destaque/ Nova Zelândia/ Trip tips/ Viagem no dia 20.04.2018

Como foi dormir no meio dos “fiordes” neozelandeses

Muito se engana quem pensa que as nossas aventuras na Nova Zelândia se limitaram a dormir no motorhome. Não senhor. A gente queria conhecer a fundo o melhor que o país tem a oferecer, mesmo que para isso tivéssemos que abrir mão de conforto e “pipocar” de cidade em cidade.

E foi numa dessas que deu a louca, pegamos o carro e dirigimos quase 300 km de Queenstown ao Fiordland National Park, uma região de beleza exuberante no sudoeste da Nova Zelândia.IMG_4691

_MG_4737

IMG_0537

Fiordland é, como o nome já sugere, uma região montanhosa toda cortada pelo mar, lembrando muito os fiordes da Noruega (nunca fui, mas já vi muitas fotos). A verdade é que os fiordes da Nova Zelândia não são fiordes propriamente ditos e sim sounds, o que, para uma leiga como eu, não faz a menor diferença (existe um detalhe geográfico que diferencia os fiordes dos sounds, mas pra mim o visual é o mesmo!).

O sound mais visitado da região é disparado o Milford, seguido de Doubtful. Normalmente, os turistas vão até lá de carro ou de aviãozinho, fazem um passeio de barco e é isso. Mas a gente sempre busca fazer algo diferente.

E foi pesquisando que eu descobri que a Real Journeys, uma das maiores operadoras de passeios nos sounds, oferecia cruzeiros de 1 noite tanto para Milford quanto para Doubtful. Sim, esse seria o nosso passeio em Fiordland, mas para qual dos sounds? Ai meu Deus, como escolher? Depois de procurar pra caramba na internet e não chegar a conclusão nenhuma, decidi a coisa mais óbvia para uma geminiana indecisa: vamos nos dois! E assim embarcamos em uma aventura de 2 dias dormindo em barcos no meio dos “fiordes” neozelandeses.

Começamos por Milford sound. No caminho, ao longo da rodovia 94 (Milford Road), já deu para ter uma noção das belezas que íamos encontrar: são várias paradas com mirantes de frente para paisagens incríveis. Infelizmente, calculamos mal o tempo de viagem e acabamos nos atrasando para sair de Queenstown, o que limitou à beça nosso tempo livre para aproveitar o caminho. Acabamos chegando no terminal de visitantes de Milford Sound nos 45 do segundo tempo, já correndo para embarcar. Mas deu tempo, ufa!

Fizemos uma mochilinha só com o que íamos usar no barco e embarcamos felizes e contentes no Milford Wanderer, o navio que nos levaria para explorar a região. Fomos direcionados aos nossos aposentos (um quarto com 2 beliches bem estilão barco mesmo), largamos nossas coisas e subimos para o convés, onde foi servida uma sopa enquanto navegávamos até o primeiro ponto de parada. E quem é que consegue comer com aquele visual fantástico passando pela janela?

IMG_4634

IMG_4886

IMG_0408

Ao chegar lá, fomos convidados a pegar um bote e ir até terra firme, onde poderíamos fazer um pedacinho da Milford Track, uma das Great Walks (grandes caminhadas) neozelandesas. A trilha é das mais famosas do país e sua versão completa tem quase 54 km de extensão. Obviamente, fizemos um mini pedacinho dela, só para deixar um gostinho de quero mais. O caminho é feito ao redor dos sounds, pelo meio da floresta, passando por rios e cachoeiras. Aproximadamente 1 hora e meia depois, voltamos para onde estava o bote e depois para o navio.

IMG_4648

IMG_4658

IMG_0335

Navegamos mais um pouco até o local onde passaríamos a noite. Depois, tivemos o resto da tarde livre para relaxar, pedir um vinho no bar, jogar um jogo ou só ficar apreciando a paisagem. Eu tinha lido que chove quase todo dia nos sounds, mas demos a sorte de pegar uma tarde com sol, o que fez toda a diferença para a experiência.

Descemos para tomar banho. Os banheiros eram coletivos mas impressionantemente limpos e bem cuidados (eu estava preparada para tomar banho num banheiro de albergue de última categoria, então foi uma grata surpresa). Aliás, o navio todo era bem limpo e muito direitinho.

No cair da noite, foi servido um jantar fantástico (os chefs do Milford Wanderer realmente estão de parabéns!). Depois da comida, para quem estava mais disposto, era possível subir até a parte superior do navio para observar as estrelas.

No dia seguinte, acordamos cedo para ver o nascer do sol. O dia estava super nublado e o visual estava bem diferente do que havíamos visto (na minha opinião, com sol fica mil vezes mais bonito!). Tomamos um belo café da manhã e o partimos para fazer uma grande navegação por dentro de Milford Sound.

O passeio foi bem bonito. Passamos perto de cachoeiras lindas e tivemos a sorte de sermos seguidos por um grupão de golfinhos. Vimos ainda uma colônia de leões marinhos e um pinguim solitário nadando meio a esmo.

IMG_0476

IMG_0458

IMG_0505

E por volta das 9:30, voltamos ao centro de visitantes. Pegamos o carro e fomos na loucura até Manapouri, onde embarcaríamos para o nosso segundo cruzeiro, dessa vez para Doubtful Sound.

O passeio começa um pouco diferente do que fizemos em Milford. Primeiro, pegamos um catamarã que atravessou o lago Manapouri. Depois, pegamos um ônibus, que nos levou numa serrinha até o lugar onde de fato embarcamos no navio (tem um mirante LINDO no caminho).

_MG_4752

_MG_5014

_MG_4821

Dali foi tudo bem parecido com a dinâmica do primeiro cruzeiro, exceto pela parte da trilha: no cruzeiro de Doubtful o passeio extra é de caiaque. Achei divertidíssimo me aventurar pelas águas geladas dos fiordes!

IMG_4918

_MG_4926

_MG_4935

Mas o ponto alto desse cruzeiro foi o momento em que entramos em uma baíazinha para ouvir o som do silêncio: desligaram todos os motores do navio e pediram para ninguém conversar durante alguns minutos. Ficamos ali, parados, no meio dos sounds só ouvindo o barulho das cachoeiras e dos pássaros. Uma conexão com a natureza fantástica! E quanto mais a gente prestava atenção, mais coisa conseguia ouvir. Muito bacana!

Infelizmente, o tempo em Doutbful não colaborou e ficou super nublado durante todo o passeio. Mesmo assim, achei bem bonito.
_MG_4762\ IMG_8654

IMG_4907

O visual dos dois é bem parecido. Na minha cabeça, Milford tem montanhas mais altas, mas é mais largo, enquanto Doubtful é mais estreito com montanhas mais baixas – mas isso é na minha cabeça, não tenho comprovação científica nenhuma dessa informação. Como peguei a tarde de sol em Milford, tendo a dizer que lá é mais bonito.

Agora minhas conclusões e dicas sobre a nossa experiência:

  • O tempo faz uma super diferença, mas como isso é algo que você não pode controlar, vá preparado para pegar dias nublados (em termos de probabilidades, é quase certo que isso vai acontecer).
  • É importante ir com calma para ir aproveitando as belezas do caminho até Milford Sound, o que nós acabamos não fazendo. Se eu fosse de novo, talvez dormisse em Te Anau, no começo da Milford Road, para sair bem cedinho e ter tempo para admirar os mirantes.
  • Para quem não tem tempo de sobra, talvez faça sentido investir no vôo de teco-teco que a Real Journeys oferece: em cerca de 30 minutos você sai de Queenstown e pousa em Fiordland, com o bônus de ter uma vista aérea que deve ser um escândalo.
  • Para quem não tem tempo e não quer investir no avião, ir de ônibus pode ser uma boa idéia. A viagem é longa e cansativa para o motorista (eu, no caso), principalmente se for fazer bate-e-volta no mesmo dia.
  • Se você quer ter a experiência de ter os sounds só pra você, o cruzeiro de 1 noite é a melhor opção. Durante o dia, vários barcos fazem passeios pela região, mas só 1 ou 2 barcos tem a autorização para dormir por ali.
  • Por serem muito parecidos, achei que fazer os dois passeios foi um pouco de exagero. Eu optaria apenas por um (até pq são bem carinhos), mas não deixe de incluir uma visita a Fiordland no seu roteiro!

IMG_8744

_MG_4950

_MG_4995

Em resumo, a experiência de dormir no meio dos sounds foi única e muito especial. Foi incrível estar ali no meio de um de montanhas tão lindas banhadas pelo mar, sozinhos, podendo ouvir os sons mais profundos da natureza.

0 em Destaque/ Nova Zelândia/ Trip tips/ Viagem no dia 13.04.2018

As verdades sobre viajar de motorhome na Nova Zelândia

Você possivelmente já ouviu dizer que a Nova Zelândia é um dos melhores lugares do mundo para se andar de motorhome. Eu também. E foi por isso que eu decidi que essa era a oportunidade que eu tinha para me aventurar em uma casa de 4 rodas.

Realmente, o país é muito preparado para viajantes nômades, sejam os que estão de motorhome, campervan (um carro em que a mala vira uma cama) ou barraca de camping. Existem muitos motorcamps privados, acampamentos bem equipados com “vagas” separadas para cada uma das modalidades acima, com acesso a cozinha, banheiro com chuveiro e às vezes até sala com TV. Também há muitos campings públicos, com facilidades de banheiro e cozinha.

Além de ter ótimas estradas, não é preciso carteira especial para dirigir motorhomes na Nova Zelândia. Então não tinha como dar errado né? Mas deu.

Começando do começo, já que eu ia cair na estrada, decidi que queria o motorhome mais completo disponível. Pesquisando, descobri que a Britz era uma das locadoras mais respeitadas do país e tinha um preço mais amigo que as outras empresas do grupo (Maui e Mighty). Partimos então para a escolha da nossa casa motorizada: apesar de sermos só 4 pessoas, eram 6 lugares, com cozinha completa (até forno tinha!), sala e banheiro.

Pegamos nossa belezinha no aeroporto de Queenstown para seguir na direção Norte até Christchurch. Na hora do checkin, cometemos o primeiro erro gravíssimo: acreditando que o seguro do cartão de crédito serviria para o motorhome da mesma forma como serve para o aluguel de carros comuns, declinamos o seguro adicional vendido pela Britz.

Depois da euforia inicial de estar entrando pela primeira vez em uma casa que anda, colocamos as malas no bagageiro e partimos para a estrada. Só que já na hora de sair vimos que a coisa não seria tão simples quanto parecia: o motorhome era GIGANTE, muito largo, e a sensação era de estar dirigindo um caminhão. Eu, como motorista oficial da viagem, tive uma leve crise de pânico ao pensar que teria que me responsabilizar por aquele elefante branco por 6 dias e 5 noites e pela vida de mais 3 pessoinhas que estavam confiando nas minhas habilidades de direção. OBS: vocês estão lembrando que na NZ é mão inglesa né? Ah tá.

Ok, pânico controlado, partimos para o mercado. A verdade é que pensar que poderíamos comprar tudo que a gente quisesse para tomar café da manhã, lanchar e eventualmente jantar, deu um super ânimo. Nós parecíamos crianças vendo o papai noel chegar com os presentes: saímos enfiando tudo quanto era comida e bebida dentro do carrinho e depois descarregamos tudo no motorhome.

Dali partimos em direção a Wanaka, que seria o nosso primeiro destino. No caminho, nos demos conta que já não tínhamos tanta bateria assim no celular e lembramos que a atendente da Britz explicou que as tomadas só funcionavam se o motorhome também estivesse conectado à energia, o que a gente só conseguiria se ficássemos em um motorcamp. Começamos a procurar na internet igual uns loucos um lugar com vaga, sem muito sucesso (já pensou ficar sem bateria no celular? SOCORRO!). Aí partimos para o porta-a-porta: fomos em 3 motorcamps até encontrarmos um com vaga. Nossa senhora do smartphone salvou a gente! Realmente, as instalações eram muito direitinhas, tinha água quente, banheiro limpo e tudo mais. Tomamos um banho, jantamos e dormimos.

O dia seguinte amanheceu muito chuvoso e demos graças a Deus por estarmos em um carro com estrutura. Dirigimos até Blue Pools mas não conseguimos aproveitar muito por causa do mau tempo. Bom, já que nosso frigobar tinha ido com a gente, optamos por ficar ali mesmo jogando conversa fora e tomando uma cerveja (eles né, eu era a motorista, esqueceu?). Depois voltamos para o mesmo motorcamp, onde dormimos a segunda noite.

E foi na volta de Blue Pools que o primeiro desastre aconteceu: minha câmera profissional que estava na mochila em cima da mesa foi arremessada quando fiz uma curva um pouco mais fechada. A verdade é que a parte traseira do motorhome sacudia pra caramba e ninguém tinha imaginado que tudo que estivesse desprotegido iria eventualmente acabar no chão. Depois de ficar desolada por uns minutos com a semi morte da minha máquina que não ligava mais, resolvi abstrair. Paciência.

Guardamos tudo de quebrar debaixo da mesa ou dentro dos armários e seguimos viagem. Até que veio o segundo strike: o frigobar abriu sozinho e uma das garrafas de espumante que estava na porta saiu voando e se espatifou no chão. Como é de se imaginar, o cheiro de álcool impregnou o interior do motorhome e o líquido fez uma lambança no chão. Só aí foi que descobrimos que tinha uma tranca na porta do frigobar, por motivos óbvios. Estaríamos salvos, certo? Claro que não. Algumas horas depois a segunda garrafa, dessa vez de vinho, foi arremessada da mesma forma para fora do raio do frigobar que se destrancou sozinho (eu juro!).

A essa altura, nosso motorhome já tinha virado um chiqueiro. O chão estava grudento e fedia a vinho branco. Mas beleza, vamos seguir viagem.

Os dias que se seguiram foram de relativa paz. Fazíamos a função limpar banheiro, esvaziar depósito de água usada, encher tanque de água limpa e carregar o motorhome na energia diariamente. Uma trabalheira, verdade, mas era parte da experiência.

O combinado era que deveríamos evitar usar o banheiro, quando possível. Era só para emergências. Mesmo assim, ele ficou fedorento, e a salvação era jogar lá dentro um daqueles tabletes que se colocava nos sanitários antigamente, com um cheiro de pinho sol insuportável (mas era menos pior que o cheiro de xixi).

E foi num dia qualquer que sem querer resolvemos lavar a louça sem ter esvaziado o depósito de água, por puro esquecimento. Nem teríamos nos dado conta se não tivéssemos aberto a porta do banheiro e descoberto que o depósito tinha transbordado e tinha uma piscina de água suja no que deveria ser o nosso box (com o bônus de um tênis que tinha ficado esquecido ali dentro boiando). Sabe a visão do inferno? Tipo isso.

Todos os dias optamos por pagar por uma vaga com energia em um motorcamp privado, para termos o mínimo de dignidade para ir ao banheiro e tomar um banho quente direito. Mas teve um dia que não teve jeito: dormimos aos pés do Mt. Cook em uma cidade micra em que a única opção era o camping público sem chuveiro e sem tomadas. Fazer o que? Encaramos.

Foi então que pela primeira vez tentamos tomar banho no tal banheiro, numa tentativa desesperada de tentar fazer valer o fato de estarmos aguentando todo o perrengue de limpar aquilo todo dia sem ter de fato usufruído muito. Resultado? Um fiasco! Não conseguimos fazer a água esquentar por nada nesse mundo e tomamos um banho tcheco muito do mal tomado porque a água estava congelante.

Mas nem tudo foi caótico. De fato, tínhamos uma cozinha americana mara com passa pratos (mais conhecido como janelas), um telhadinho retrátil muito simpático, mesinha e cadeira para colocar do lado de fora. Foi gostoso ter a liberdade de parar em qualquer lugar e montar nosso próprio restaurante (ou bar, como preferir), depois juntar a bagunça e meter o pé na estrada. A sensação de liberdade era enorme e a gente podia dormir onde a gente quisesse (mesmo que na prática a gente quisesse mesmo era dormir em um lugar com tomada e banho quente!).

O que a gente não sabia era que o destino havia separado um grand finale para nós. Foi virando num estacionamento a 2 km/h (sim, dois quilômetros por hora, não foi erro de digitação) que aconteceu o apocalipse: como o motorhome era grande e largo, não vimos uma muretinha baixa de pedra e quando viramos, BUM. Destruímos a lateral em questão de segundos. NÃO É POSSÍVEL!

IMG_1085

A carcaça do nosso motorhome bem detonada

Depois de quase arrancar os cabelos de tanto desespero, resolvi ligar para o seguro, só para descobrir que existia uma cláusula que dizia com todas as letras que veículos da categoria motorhome/trailer não eram cobertos. E quem disse que a gente sabia? Pensei em chorar, pensei em gritar, olhei em volta para ver se podia colocar a culpa em alguém (fiz isso com meu marido, assumo)… mas nada ia resolver.

Já ouviram aquele ditado “o que não tem solução, solucionado está”? Resolvi relaxar de vez. Sim, tinha sido um baita preju e uma missão ter alugado aquele treco, mas no fundo no fundo a gente estava se divertindo e voltaria da viagem com muita história para contar.

Viajar de motorhome foi sair da zona de conforto. Para nós, foi aprender a lidar com frustrações e imprevistos, foi ter que inovar e ter novas idéias do que fazer quando as coisas não saíram como o planejado. Foi aprender a achar graça de coisas como o forno que nunca conseguimos ligar, a água quente que nunca conseguimos usar, o frigobar assassino que cuspiu 2 das nossas garrafas de vinho, e a tão amada câmera profissional que saiu voando e parou de funcionar. No fim, conseguimos achar graça até da lateral da carcaça que ficou em frangalhos espatifada na mureta, por mais louco que isso possa parecer. Conseguimos entender de verdade que às vezes temos problemas que parecem muito grandes, mas não são. E que se você simplesmente levar a vida na esportiva, eles não vão te afetar.  

Se valeu a pena? Demais. Foi uma experiência única que trouxe muitas reflexões bacanas e lembranças que vão ficar para a vida inteira. Se pudesse, faria tudo de novo, sem mudar nem uma vírgula. Afinal, o que é a vida se não um pacote de momentos?

Fiz uma coletânea dos Stories dessa nossa aventura, pra mostrar bem os nossos humores ao longo dos dias. Quer ver? Só clicar aqui embaixo: