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resenha de livros

3 em Book do dia/ Comportamento/ Destaque no dia 22.02.2018

Book do dia: Ainda Sou Eu, de Jojo Moyes

Quando “Depois de Você”, a sequência do sucesso “Como eu era antes de você”, foi lançado, eu fui com tanta sede ao pote que terminei o livro bem decepcionada.

A Lou que tinha me encantado no primeiro livro estava irreconhecível, as histórias que se desenrolaram não me cativaram e não achei em nenhuma página aquela sensação aconchegante de se envolver com os personagens e se encaixar dentro do livro de tal forma que fica até difícil de sair depois.

Quando a Intrínseca nos convidou para ler “Ainda Sou Eu” antes do livro ser lançado, eu fiquei com sentimentos bem misturados. Felicidade por esse convite ter sido feito, ansiedade para reencontrar Lou e um pouco de medo, afinal, não queria me sentir novamente decepcionada com essa história como  me senti com o 2º. livro, quem me conhece sabe que sou fã de carteirinha da autora.

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Qual não foi minha surpresa quando fiquei sabendo que nesse livro, Louisa Clark recebe uma proposta para trabalhar em NY. A sinopse, para quem quiser saber:

Lou Clark chega em Nova York pronta para recomeçar a vida, confiante de que pode abraçar novas aventuras e manter seu relacionamento a distância. Ela é jogada no mundo dos super-ricos Gopnik — Leonard e a esposa bem mais nova, e um sem-fim de empregados e puxa-sacos. Lou está determinada a extrair o máximo dessa experiência, por isso se lança no trabalho e, antes que perceba, está inserida na alta sociedade nova-iorquina, onde conhece Joshua Ryan, um homem que traz consigo um sopro do passado de Lou.
Enquanto tenta manter os dois lados de seu mundo unidos, ela tem que guardar segredos que não são seus e que podem mudar totalmente sua vida. E, quando a situação atinge um ponto crítico, ela precisa se perguntar: Quem é Louisa Clark? E como é possível reconciliar um coração dividido?

Talvez Louisa precisasse ter passado por aquele período estranho de “Depois de Você”, afinal, toda sua vida tinha virado do avesso. Só sei que fiquei feliz de reencontrar aquela mulher meio doidinha, desbocada, irreverente, sempre positiva, leal e com um coração enorme novamente. Só que não foi isso que me pegou.

Vê-la como recém chegada em Nova York, sendo engolida pela cidade e tentando se encontrar nesse lugar novo e um tanto quanto hostil me fez enxergar minha própria experiência um pouco de fora, e com um olhar um pouco mais gentil, eu diria. Só que também não foi só isso que me pegou.

Nesse livro, Lou amadurece a olhos vistos (ou seria páginas lidas?) e se torna responsável pelo seu próprio destino e felicidade, e isso é lindo de se ver. O autoconhecimento, inclusive, é a palavra chave desse livro onde a narrativa é muito envolvente e cheia de momentos que nos deixam sem saber o que queremos para a personagem, mas confiando em Jojo para dar um final à altura de Louisa. E, spoiler, eu achei que deu (e agora, Jojo, pode deixar Louisa em paz e pensar em outras personagens tão cativantes quanto para novos livros – obrigada, de nada).

Uma frase que eu retirei do livro que achei incrível e um resumo do que “Ainda Sou Eu” significou para mim, só para dar um gostinho em quem ainda não leu: “‘Pensei em como somos moldados pelas pessoas que nos cercam e como precisamos ser cuidadosos ao escolhê-las exatamente por esse motivo. Então pensei também que, apesar de tudo, no fim talvez seja necessário perder todas elas para de fato descobrirmos quem somos.”

Sei que, assim como eu, muita gente se decepcionou com “Depois de você”, mas eu acho que vale dar a nova chance. Depois me conta o que achou! E quem já leu, também sentiu essa felicidade que eu senti ao terminar?

0 em Autoestima/ Book do dia/ Comportamento/ Convidadas no dia 07.02.2018

Book do dia: Dias de abandono (e um papo sobre autoestima)

“Dias de abandono” retrata, com a riqueza de detalhes que os leitores de Elena Ferrante já conhecem, o abismo no qual Olga, 38 anos, é arremessada assim que Mario, seu então marido há 15, comunica que a está deixando. Assim mesmo, sem que ela tenha sido consultada ou questionada antes. Uma infeliz e arrebatadora surpresa.

A partir daí desencadeia-se um dia-a-dia de luta pela sobrevivência e adequação em um cenário totalmente inesperado, desorganizado. Olga, que tinha deixado a carreira de escritora para cuidar dos dois filhos Gianni e Illaria, da casa, da família, agora se vê sozinha para continuar cuidando de tudo, incluindo Otto – o cão da família pelo qual não demonstra morrer de paixão -, e todas as outras questões que envolvem as vidas que continuam com ela, sob o mesmo teto. Ao mesmo tempo em que lida com a dor de ter sido deixada, sem tempo para compreender o que está acontecendo, sem se quer se reconhecer.

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Olga, que comanda a narração nos aproximando de suas angústias e sentimentos, revisita essa década e meia de sua vida em busca de respostas. Convive ainda com um fantasma de sua infância, a vizinha que foi abandonada pelo marido e passou a perambular pela cidade,  descuidada de si até o fim, tornando-se a personificação – vinda também de comentários e julgamentos – do que seria a maior fraqueza de uma mulher… tudo o que Olga não queria para ela naquele momento.

O que ela precisa é conduzir seu presente latente como um equilibrista iniciante que é testada a cada novo fato, em geral envolvendo os filhos. A vida tem que seguir assim. Olga tem que se reconstruir. Ela deseja isso, por mais que em vários momentos a sensação que nos dá é a de que essa mulher apenas gira em círculos, como se não quisesse sair do lugar.

Pessoalmente, confesso, tive momentos de olhar para aquela mulher “nua” diante de mim e agradecer por eu ser eu e não ela. Em outros, a necessidade de vê-la sair do emaranhado em que sua vida estava presa me dava a necessidade de colocar a minha casa em ordem, literalmente. Cheguei a lavar a roupa do cesto que, em outras situações, até poderia esperar o acúmulo de mais peças, como se assim, eu pudesse, de alguma forma, garantir que aquela Olga e sua realidade nunca chegasse perto de mim. Como se, de alguma forma, arrumar parte da minha rotina colocaria ordem na vida da personagem. Sim, o livro mexeu comigo dessa forma.

Impossível não pensar no Papo sobre Autoestima do F-utilidades e em tantos exemplos de como são reais os abismos nos quais somos arremessadas hora ou outra; de como pode parecer simples e fácil pra mim que outra pessoa saia de uma situação, mas para ela não é tão simples assim; de como compartilhar histórias e angústias reais pode nos mover, mesmo que não estejamos diretamente ligadas a elas; e como a sororidade e o apoio são essenciais na vida de todos nós. 

A boa noticia vem com SPOILER: a medida que Olga retoma o comando de sua vida, libertando-se do que a prendia aos personagens e enredos do passado, a vida recomeça a fluir. Ela tem esse poder. Todas nós temos. As vezes, só precisamos reorganizar a casa.

PS. Comecei a ler Elena Ferrante pela trilogia anterior à famosa tetralogia, sem querer. Li “A Filha Perdida”; “Um Amor Incômodo” e “Dias de Abandono”, e entre os dois últimos li “Uma noite na praia”, que eu considero um ‘conto’ relacionado ao primeiro livro. Pelo que li e ouvi sobre as quatro recentes obras da autora, eu comecei pelos mais pesados. O que pode ser bom. Veremos!

0 em Autoestima/ Book do dia/ Comportamento/ Destaque no dia 31.01.2018

Book do dia: Minha vida (não tão) perfeita, de Sophie Kinsella

E não é que ela está de volta? Finalmente!! Lá em 2015 eu contei que eu já estava de bode de Becky Bloom e suas confusões que só aconteciam porque ela parece ser mentirosa compulsiva. Mesmo tendo gostado do livro, eu simplesmente parei de procurar novidades de Sophie – enquanto era absorvida pelo mundo de Jojo Moyes. Até que estava no Rio, passeando pela Livraria da Travessa e me deparei com “Minha vida (não tão) perfeita”, novo livro da Sophie Kinsella.

Pausa: Já contei para vocês como amo a Livraria da Travessa? Eu acho impressionante como eles conseguem botar os livros em destaque de uma forma que me dá vontade de ter todas as novidades, de chick lit a livro de física quântica. Meu sonho é que os sites tivessem uma curadoria e disposição de produtos desse tipo, porque eu sempre fico tonta procurando online.

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Voltando, vou botar aqui a sinopse para a gente voltar a conversar:

“Dramas, confusões e uma boa dose de amor são os ingredientes do novo romance de Sophie Kinsella. Uma divertida crítica aos julgamentos errados que uma boa foto no Instagram pode gerar. Cat Brenner tem uma vida perfeita mora num flat em Londres, tem um emprego glamoroso e um perfil supercool no Instagram. Ah, ok… Não é bem assim… Seu flat tem um quarto minúsculo sem espaço nem para guarda-roupa , seu trabalho numa agência de publicidade é burocrático e chato, e a vida que compartilha no Instagram não reflete exatamente a realidade. E seu nome verdadeiro nem é Cat, é Katie. Mas um dia seus sonhos se tornarão realidade. Bom, é nisso que ela acredita até que, de repente, sua vida não tão perfeita desmorona.”

Qualquer semelhança com todas as discussões envolvendo redes sociais, vidas perfeitas e como o instagram se tornou uma das redes que geram mais insatisfações e ansiedade nas pessoas não é mera coincidência.

Sophie foi certeira no tema, tão atual e tão fácil de se relacionar (ainda mais para seu público alvo). Katie/Cat é uma personagem que todas nós conhecemos. Ok, talvez um pouco mais exagerada do que a maioria, mas com situações que todas nós sabemos que existem por aí. Que atire o primeiro prato de comida lindo de se ver mas nem tão gostoso de comer que todo mundo já postou (ou já viu alguém postando) nas redes sociais.

Sophie volta a trazer o que tem de melhor, que é a capacidade de contar histórias que misturam realidade com toques de absurdos para trazer um momento divertido. Para mim, em Becky Bloom essa característica tão própria da autora já estava saturada, mas deu muito certo em “Minha vida (não tão) perfeita”.

Como quase toda comédia romântica, o final é previsível, mas não tem problema, porque o durante do livro é muito bacana. O fato de Katie/Cat achar que a vida de todo mundo é mais perfeita que a dela com base em seus próprios julgamentos, a forma que ela vai desconstruindo essa ideia e amadurecendo é muito boa e que gera identificação. Duas frases maravilhosas do livro são essas:

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Afinal, quantas vezes a gente também não faz isso ao ver o recorte (geralmente bonito) que as pessoas nos permitem acessar de suas vidas?

A vida não tem que ser 100% perfeita para ser boa e a gente não precisa se esforçar para agradar ninguém. Esse livro traz um certo alívio e também um frescor ao deixar isso bem claro.

Acho que quem acompanha os books do dia vai curtir “Minha vida (não tão) perfeita! E termino aqui com a frase que termina os agradecimentos de Sophie: “Que a vida de vocês sempre combine com seus posts no instagram”. Amém, Sophie. :)

Para comprar: SaraivaAmericanas.