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resenha de livros

1 em afiliado/ Book do dia/ Comportamento no dia 13.12.2017

Book do dia: A lista de Brett, de Lori Nelson Spielman

Tá afim de um livro chick lit, comédia romântica, leve, fofinho, envolvente, um pouco previsível mas de certa forma surpreendente? Eu diria para ir sem medo em “A lista de Brett”. 

Resolvi assinar por um tempo (já desisti) o Kindle Unlimited e esse foi um dos livros que eu peguei porque gostei da capa. Mas a sinopse também despertou meu interesse:

“Brett Bohlinger parece ter tudo na vida — um ótimo emprego como executiva de publicidade, um namorado lindo e um loft moderno e espaçoso. Até que sua adorada mãe morre e deixa no testamento uma ordem: para receber sua parte na gorda herança, Brett precisa completar a lista de sonhos que escreveu quando era uma ingênua adolescente.

Deprimida e de luto, Brett não consegue entender a decisão de sua mãe — seus desejos adolescentes não têm nada a ver com suas ambições de agora, aos trinta e quatro anos. Alguns itens da lista exigiriam que ela reinventasse sua vida inteira. Outros parecem mesmo impossíveis.

Com relutância, Brett embarca numa jornada emocionante em busca de seus sonhos de adolescência. E vai descobrir que, às vezes, os melhores presentes da vida se encontram nos lugares mais inesperados.”

O calendário embaixo é da Amanda Mol. <3

Geralmente quando eu pego um livro, eu me envolvo na história o suficiente para acompanhá-la. Dificilmente tenho conseguido criar aquela identidade com as personagens que eu tinha antes, tampouco traçar paralelos na minha vida. Só que depois de uma temporada imersa na saga “A Amiga Genial”, eu precisava de algo que fosse bem mais leve. E “A lista de Brett” me pareceu ser a pedida perfeita para isso.

Só que não foi bem assim que a banda tocou.

Por mais que Lori Nelson Spielman tenha usado todos os clichês possíveis para construir a história de Brett Bohlinger, a tal da lista que ela fez quando adolescente ficou me fazendo pensar. Quais eram meus sonhos quando eu era mais nova? Será que eu fui fiel a eles? Será que existem desejos que eu deixei para trás à medida que fui crescendo? Será que as escolhas que imaginamos para a nossa vida adulta quando somos crianças são mais genuinas e com mais potencial de trazer nossa verdadeira felicidade? Será que tem algo que eu gostaria de ter feito que eu posso fazer agora?

Logo depois li uma entrevista da autora e descobri que a história é totalmente inspirada na sua vida. Ela realmente achou uma lista que fez quando era mais nova e fez os mesmos questionamentos que eu me fiz.

Aí caiu a ficha que felizmente consegui muitas das coisas que eu sonhava quando tinha 13 anos. E deixei para trás tantas outras que me davam muito prazer mas que foram sendo engolidas pela rotina – desenhar é uma delas, por exemplo.

Fechei o livro com vontade de me reconectar com a Carla de antigamente e estou tentando fazer isso aos poucos. Tentando lembrar o que me dava brilho nos olhos para ver se faz sentido para a Carla de hoje em dia. E no fim das contas, o que era para ser apenas um livro bobo para distrair, virou um questionamento sobre autoconhecimento.

Quem está querendo uma leitura ambivalente, pode apostar nesse livro!

0 em Book do dia/ Comportamento/ Destaque no dia 04.08.2017

Book do dia: A história do novo sobrenome, de Elena Ferrante

Acho que eu realmente estava precisando de uma série que me prendesse tanto quanto a Série Napolitana de Elena Ferrante está me prendendo. Eu já sabia que seria sensacional, fazia tempo – aliás, acho que desde que Jojo Moyes estourou – que eu não via tanta gente elogiando e indicando uma autora.

Era uma escolha sem erro mas que estava alimentando uma expectativa que eu não queria ter. Para o meu alívio, não me decepcionei. O meu problema atual é que eu tento arranjar qualquer tempo livre, que não é muito, para continuar a leitura, e isso tem me feito dormir mais tarde na maior parte das vezes. hehehe

Pois bem, A História do Novo Sobrenome é o segundo livro da série de Elena Ferrante. Agora é a vez de sabermos a história da adolescência e do início da vida adulta de Lenu e Lila, e eu vou botar uma parte da sinopse aqui para quem se interessar:

“Envolvente e com a costumeira cadência impecável, a narrativa de História do novo sobrenome dá espaço para reflexões profundas a respeito da subjetividade, da sexualidade, do amor e, sobretudo, do papel imposto à jovem mulher em meados do século XX ― contraponto construído entre as duas personagens centrais, às voltas com as restritas possibilidades de escolha, mas ao mesmo tempo surpreendidas pelas descobertas acerca de suas próprias capacidades e seus limites.”

Em junho eu comentei que o primeiro livro me deu alguns insights sobre amizades tóxicas, e eu diria que a História do Novo Sobrenome só me fez reforçar a impressão que eu tive no primeiro. A amizade entre Lila e Lenu já não era saudável na infância e começo da adolescência e com certeza ficou mais complicada ainda a medida que elas foram entrando na vida adulta e a competição foi se estendendo a relacionamentos e sexualidade, fazendo com que ambas tomem muitas decisões pelos motivos errados.

Outro dia eu li um comentário que resume muito bem a história das duas nesse livro em específico, vou reproduzir aqui com o que eu lembro, mas era mais ou menos assim: em “A história do novo sobrenome” elas não passam muito tempo juntas, mas a presença de Lila está ali, do lado de Lenu durante o livro inteiro, ora como uma sombra, ora como um sol. E é muito isso.

O que eu mais tenho gostado nas histórias da Elena é que nem Lila nem Lenu são mocinhas ou vilãs. Elas são duas personagens muito humanas, que cometem erros, que sentem inveja, que têm uma autoestima muito frágil e que são vítimas da cultura machista e com toques da máfia napolitana do lugar em que vivem.

Aliás, como a sinopse conta, nesse livro a gente consegue ver claramente como o machismo é cruel com as mulheres. De maneira realista (acho inclusive que algumas passagens podem trazer gatilhos) somos expostas a abusos emocionais, sexuais e violência, sendo que tudo acontece e é encarado de forma passiva e até mesmo permissiva pelas personagens femininas, afinal, aquela vivência é tudo que elas conhecem.

Voltando para as duas amigas centrais, um ponto que eu encaro super positivo é o fato da história ser contada por uma Lenu nem sempre imparcial mas totalmente consciente de seus defeitos e erros, fazendo com que a gente consiga sentir raiva, empatia e carinho pelas duas personagens principais. Achei incrível como em um momento eu estava com ódio de Lila e no minuto seguinte ela conseguiu me fazer ter pena.

A narrativa não é rápida e cheia de acontecimentos mas a leitura é super envolvente e faz tempo que não vejo personagens tão cheios de nuances que me fazem querer saber mais da vida deles a cada livro que passa (e só de pensar que no primeiro eu estava reclamando que era muita gente pra gravar, né? Mudei de opinião).

Já comecei o 3o. livro da série, “História de quem foge e de quem fica”, e em breve ele deve aparecer por aqui! Eu disse que ia fazer intensivão da autora aqui no Book do dia :)

Quem tá lendo (ou já leu) a Série Napolitana por aqui? Gostaram? Tão curtindo? Me contem!

3 em Book do dia/ Comportamento/ Sem categoria no dia 12.06.2017

Book do dia: A amiga genial, de Elena Ferrante

Finalmente um book do dia dando as graças aqui! O motivo da demora – o último livro que veio parar aqui foi há dois meses atrás! :( – é que eu emendei em um outro livro muito específico e não tão interessante que provavelmente não faria muito sucesso por aqui. Até que cheguei na Amiga Genial, e estou arrependida demais de não ter começado antes, porque estou simplesmente VI-CI-A-DA.

Esse é o primeiro livro da tetralogia Série Napolitana, foi lançado em 2011 e eu não sei o que eu estava fazendo que ainda não conhecia. Na verdade, fiquei sabendo no final do ano passado, quando uma amiga indicou e me deixou curiosa, mas como estava com alguns livros comprados, esperei a leva terminar para comprá-lo na seguinte.

Eu não li a sinopse, mas quem gosta de saber do que se trata:

A Série Napolitana, formada por quatro romances, conta a história de duas amigas ao longo de suas vidas. “A Amiga Genial” é narrado por Elena Greco e cobre da infância aos 16 anos. As meninas se conhecem em uma vizinhança pobre de Nápoles, na década de 1950. Elena, a menina mais inteligente da turma, tem sua vida transformada quando a família do sapateiro Cerullo chega ao bairro e Raffaella, uma criança magra, mal comportada e selvagem, se torna o centro das atenções. Essa menina, tão diferente de Elena, exerce uma atração irresistível sobre ela. As duas se unem, competem, brigam, fazem planos. Em um bairro marcado pela violência, pelos gritos e agressões dos adultos e pelo medo constante, as meninas sonham com um futuro melhor. Ir embora, conhecer o mundo, escrever livros. Os estudos parecem a melhor opção para que as duas não terminem como suas mães entristecidas pela pobreza, cansadas, cheias de filhos. No entanto, quando as duas terminam a quinta série, a família Greco decide apoiar os estudos de Elena, enquanto os Cerullo não investem na educação de Raffaella. As duas seguem caminhos diferentes. Mais que um romance sobre a intensidade e complexa dinâmica da amizade feminina, Ferrante aborda as mudanças na Itália no pós-guerra e as transformações pelas quais as vidas das mulheres passaram durante a segunda metade do século XX. Sua prosa clara e fluída evoca o sentimento de descoberta que povoa a infância e cria uma tensão que captura o leitor.

Gente, QUE LIVRO. Apesar de eu ter achado arrastado em alguns momentos – e personagens demais para o meu gosto (eu tiraria pelo menos uns 8 que estão ali de figuração) – eu estava precisando muito de um livro que me despertasse tantos insights. Elena Ferrante consegue contar de maneira visceral sobre amor, amizade e amadurecimento, e isso me marcou. Ver a amizade de Lenu e Lila sendo contada com tanta riqueza de detalhes e focada nesses sentimentos controversos de inveja, inferioridade, competição e comparação, me fez ter um milhão de flashbacks enquanto virava as páginas.

Porque eu já tive uma amizade tóxica, e por muito tempo eu achava que eu era a vítima dessa história, mas enquanto lia esse livro e via a forma que Lenu enxergava os fatos e o modo que Lila reagia para se sentir superior à amiga me fizeram pensar se, as vezes, a amizade é tóxica para ambos os lados. Ou seja, aquele relacionamento não é saudável para nenhuma das duas, e apesar de existir admiração, preocupação e amor, as duas não conseguem se botar para cima ao mesmo tempo, afinal, a equação daquela relação é sempre uma em um patamar inferior à outra. E não é proposital, não é consciente e nem maldoso, é apenas a história de duas pessoas que não conseguem tirar o melhor uma da outra.

 

Ao todo, Elena Ferrante criou 4 livros da “Série Napolitana”, onde conta a história da evolução dessas duas personagens, e eu estou muito curiosa para saber o que vai acontecer com Lila e Lenu, até porque “A amiga genial” termina de forma um pouco abrupta demais, então se você não emenda um livro no outro, é capaz de esquecer (principalmente se você tiver a memória horrorosa como a minha haha).

A sorte é que todos os livros já estão à venda, o único problema é que provavelmente essa tag vai ficar monotemática por um tempo, tudo bem??

Beijos!