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2 em Autoestima/ Relacionamento no dia 10.09.2018

Até um pé na bunda pode te empurrar pra frente

Não é fácil admitir, mas todas as situações podem ajudar a gente, até aquelas que parecem que não! Sabe aquela frase antiga, que tá meio batida, que diz que até mesmo um pé na bunda pode te empurrar pra frente? Quem disse isso sabia do que estava falando. Acho esses momentos – independente de serem um alívio ou uma dor – super importantes para a nossa relação com a gente mesma, é uma enorme oportunidade de se conhecer novamente.

Muitas vezes conseguimos enxergar melhor quem somos quando saímos de uma relação, fica mais fácil analisar quem nos tornamos, descobrir nossos gostos individuais e analisar os caminhos que queremos ou não seguir. Muitas vezes é nessa hora que conseguimos colocar nossa vida em retrospecto e nos sentimos seguras pra analisar quais são os erros e acertos que tivemos, cabendo uma análise do que devemos ou não mudar para encontrar resultados melhores no futuro. Todo esse processo é transformador, porque quando descobrimos quem somos é quando realmente entendemos o que merecemos.

Geralmente é quando ficamos meio sem rumo que procuramos um novo hobby, às vezes até para esquecer, e descobrimos lados nossos que estavam adormecidos, ou que não imaginávamos – como um clube de leitura, uma escola de percussão de bloco de Carnaval – e isso nos abre horizontes de vida, internos, de um novo circulo de amizades e até do seu próximo relacionamento!

ilustra: carol burgo - @cansoncolorido

ilustra: carol burgo – @cansoncolorido

Não ser mais parte de um casal te tira da inércia de saber que tem outra pessoa ali para escolher por você quando bate preguiça e te dá a liberdade de fazer todas as coisas que você gosta e o outro não gostava, então é como sentir que você tomou as rédeas da sua vida de volta! Em vez de se sentir sozinha, entenda que é a hora de você tomar o controle da situação sem a desculpa de ter outra pessoa seguindo com você. Muitas vezes é nesse momento difícil que você se conhece de novo, ficando mais segura e consciente do que você quer ou não da sua vida. Você redescobre seus gostos, sonhos, vontades, anseios e frustrações, podendo se dar toda uma nova chance de ser feliz sozinha ou com alguém.

E se por acaso você estiver saindo de um relacionamento abusivo, é o momento em que você vai redescobrir seu valor, entender que o que você vivia não é a realidade e perceber todas as possibilidades lindas que te aguardam agora que você teve a oportunidade e força necessária para sair disso. Nesses casos trabalhar sua autoestima e entender o que te prendia ali é o que vai te libertar e fazer entender o porquê você se atraiu para tal situação. O processo desse tipo de fim é o que mais dói, mas também o que mais traz chances de libertação.

E caso você tenha sido “trocada”, jamais se compare ou pense que a culpa foi sua. Cada pessoa é uma e tem um valor diferente, se comparar não ajuda em nada. Talvez o que você tinha para dar ali não servia mais, provavelmente com o tempo você descobrirá com o fim do véu de ilusão que você também não recebia mais o que precisava ou merecia. Fins costumam ser bons pra duas partes, o que varia é o tempo que cada um leva pra descobrir isso. Quando não está bom pra um, dificilmente estava maravilhoso para a outra parte. Tudo é uma questão de perspectiva: antes um término, ainda que doloroso, do que viver uma relação de mentira, quando o outro só está disponível emocionalmente para uma terceira pessoa – e você nem sabia!

Não importa quem termina, se você deixa ir ou é deixada, todo fim de uma história é uma incrível oportunidade de recomeço, aproveite essa oportunidade! Se conheça, desenvolva autoconfiança e brilhe, sua autoestima vai vir dai.
2 em Autoconhecimento/ Relacionamento no dia 21.08.2018

Sobre perdoar… a si mesma e aos outros

Aqui no blog e no grupo do Papo sobre autoestima no Facebook, fala-se muito sobre o quanto as pessoas são intrometidas, o quanto uma palavra pode nos ofender e em outros casos, até mesmo sobre relacionamentos abusivos e situações de diversos tipos de preconceito. E a gente luta todo dia um pouquinho no ambiente virtual e também nas nossas vidas para combater isso, mesmo sabendo que em algumas vezes, isso inclua ser mais firme, se impor, brigar mesmo. Porque não é admissível em pleno 2018 que essas situações aconteçam.

Mas também temos que falar sobre perdão.

perdoar

Vou começar com a maior verdade sobre o perdão: ele liberta. Porque o mais importante de todo o processo da raiva, da mágoa e do rancor, é que nisso tudo, o maior prejudicado é quem sente. Porque você se sente mal pelo acontecido e ainda pior por não conseguir fazer aquele sentimento ir embora. E o perdão libera esse sentimento de você. O que não quer dizer que você vai esquecer que aconteceu, ou deixar passar, ou mesmo vai ter que conviver com quem te fez mal. Você apenas escolhe deixar aquilo no passado, de uma maneira que não te machuque ainda mais. Quase sempre o perdão não é um processo de bondade com o outro, mas com nós mesmos. Em nos deixarmos viver sem carregar esse peso de conviver com sentimentos destrutivos, que não ajudam em nada a nossa caminhada de um olhar mais amoroso sobre nós mesmos.

O perdão é uma decisão. Não devemos perdoar porque o outro merece ou pediu. Sejamos realistas: muitas vezes esse momento não vai chegar nunca (embora em muitos casos fosse o que mais gostaríamos que acontecesse), porque quase sempre quem nos fez mal não acha que deva se desculpar e muito menos pedir perdão, mas nós precisamos perdoar mesmo assim, por nós mesmos. Pra não vivermos carregando esse peso dentro da gente e por termos consciência que, muitas vezes quem nos magoou, de propósito ou não, ainda não chegou a um nível de entendimento que temos. E é justamente nessa hora em que decidimos perdoar, Porque o outro não tem noção do que está fazendo, com o outro e com ele mesmo. E repito: perdoar não é ter que conviver com a pessoa, você simplesmente perdoa o que ela te fez e cada um segue seu caminho. Uma coisa que é importante esclarecer aqui: é totalmente possível perdoar uma pessoa e, ainda assim, querer que ela aprenda que sua má ação tem consequências. Eu não quero dizer aqui que é apenas deixar pra lá, especialmente em casos de preconceito, que são inadmissíveis, mas que é importante perdoarmos mesmo quando o lado errado da questão é punido pelo que fez.

O perdão acalma. Ele nos deixa menos raivosos e magoados e desperta em nós novamente um olhar amoroso sobre a vida e, por consequência, sobre nós mesmos. É quase sempre o que acontece quando também precisamos nos perdoar pelas coisas que fazemos a nós mesmos, como em casos de autoflagelo ou quando não nos perdoamos por estar numa relação abusiva, por exemplo. Não era nossa culpa. Não precisamos carregar essa raiva de nós mesmos por um momento em que não fizemos o que hoje acreditamos ser a coisa certa. É quando nos perdoamos que começamos, inclusive, a querer perdoar o outro.

Mas vamos encarar as coisas: como muitas coisas na vida, perdoar, mesmo sendo uma decisão, é também um processo que começa depois da tomada de consciência. Quase nunca você vai decidir perdoar e isso vai vir automaticamente. Algumas pessoas farão isso de forma instintiva, outras precisarão de terapia. Mas é importante tentar, processar e chegar ao nível de entendimento onde o perdão é possível para seguirmos leves. Porque a vida é melhor sim para quem perdoa. E quem perdoa mostra que se ama ao ponto de não querer viver carregando consigo um peso grande da mágoa, que destrói a gente por dentro.

0 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 15.08.2018

Não vamos deixar as palavras martelarem na nossa cabeça

Todo mundo tem aquela pessoa que entra na nossa cabeça. Aquela que, por mais que a gente não queira, que a gente saiba que o que dizem não é verdade, que a gente tente não levar em consideração aquilo que falam, não conseguimos evitar que as palavras fiquem ecoando na nossa cabeça. Pode ser sua mãe, uma amiga, seu irmão. Tenho certeza que cada pessoa que está lendo esse texto agora está pensando em alguém em específico.

Querendo ou não, de alguma forma, a gente está sempre buscando validar nossas escolhas. Por mais certeza que a gente tenha delas, no fundo (as vezes nem tão no fundo assim), a gente quer ser aprovada por elas. E aí que mora o perigo, pois as nossas escolhas, justamente por serem nossas, muitas vezes vão de encontro ao que outras pessoas pensam e até sobre o que projetam sobre a gente. É nesse momento que vem o “por que você não faz uma dieta? Ia arrumar logo um namorado”, “você deveria sair desse emprego, você não tem tempo pra nada”, “Já pensou em reduzir os seios? Você ia ficar linda!”, entre tantas outras frases que são quase um clichê de tão repetidas em tantas situações diferentes. 

ilustra: mari andrew tradução: - "Uma coisa legal aconteceu comigo hoje!"  - "Bem, primeiro eu vou te parabenizar de forma meio hesitante, talvez eu te ofereça comentários ambiguos que momentariamente farão com que eu me sinta bem com o seu sucesso. Então eu te deixarei com uma frase como "boa sorte" que vai fazer você se questionar sobre a nossa interação o resto do dia.

ilustra: mari andrew
tradução: – “Uma coisa legal aconteceu comigo hoje!”
– “Bem, primeiro eu vou te parabenizar de forma meio hesitante, talvez eu te ofereça comentários ambiguos que momentariamente farão com que eu me sinta bem com o seu sucesso. Então eu te deixarei com uma frase como “boa sorte” que vai fazer você se questionar sobre a nossa interação o resto do dia.

Tenho certeza que muitas dessas sugestões não são feitas por maldade e sei que essas pessoas com certeza te amam e se preocupam com você. Querem a sua felicidade. O problema é que muitas não entendem que as palavras têm poder. E não entendem que uma frase dessas – que costuma dizer muito mais sobre quem falou do que quem ouviu –  pode desencadear um gatilho, se tornar razão de muitos problemas, inclusive abalos sérios na autoestima. É desse tipo de relação que nasce a sensação de nunca ser boa ou adequada o suficiente. É daí que aprendemos a perder um pouco da nossa capacidade de nos valorizar. E como fazemos para não deixar que a opinião alheia não nos abale? Sinto bater na mesma tecla que as meninas aqui, mas não tem outra saída: se conhecendo. 

Quando a gente se conhece e tem consciência de quem somos, ficamos firmes o bastante para conviver com essas pessoas que deixam a marca das suas palavras na gente. É quando entendemos o nosso valor que essas palavras deixam de ter poder sobre os nossos pensamentos. Quando aprendemos que existem limites que o outro não pode ultrapassar que achamos força para impor o limite do outro sobre a nossa vida. Basicamente, quando aprendemos de fato a reconhecer nosso valor e aceitamos quem somos é que vamos automaticamente entender o que merecemos. E ninguém merece que o julgamento do outro controle as nossas decisões e pensamentos.

Mais importante do que saber se posicionar para que não se metam além do que permitimos na nossa vida, é não deixarmos o que as pessoas dizem definirem quem somos ou como devemos nos sentir e agir. Não deixar que entrem na nossa cabeça e ali fiquem com suas ideias e conceitos que só nos magoam e fazem questionarmos nossas capacidades. Não é simples, mas à medida que o amor próprio vai crescendo, esse controle fica muito mais fácil.