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0 em Autoconhecimento/ Relacionamento no dia 21.08.2018

Sobre perdoar… a si mesma e aos outros

Aqui no blog e no grupo do Papo sobre autoestima no Facebook, fala-se muito sobre o quanto as pessoas são intrometidas, o quanto uma palavra pode nos ofender e em outros casos, até mesmo sobre relacionamentos abusivos e situações de diversos tipos de preconceito. E a gente luta todo dia um pouquinho no ambiente virtual e também nas nossas vidas para combater isso, mesmo sabendo que em algumas vezes, isso inclua ser mais firme, se impor, brigar mesmo. Porque não é admissível em pleno 2018 que essas situações aconteçam.

Mas também temos que falar sobre perdão.

perdoar

Vou começar com a maior verdade sobre o perdão: ele liberta. Porque o mais importante de todo o processo da raiva, da mágoa e do rancor, é que nisso tudo, o maior prejudicado é quem sente. Porque você se sente mal pelo acontecido e ainda pior por não conseguir fazer aquele sentimento ir embora. E o perdão libera esse sentimento de você. O que não quer dizer que você vai esquecer que aconteceu, ou deixar passar, ou mesmo vai ter que conviver com quem te fez mal. Você apenas escolhe deixar aquilo no passado, de uma maneira que não te machuque ainda mais. Quase sempre o perdão não é um processo de bondade com o outro, mas com nós mesmos. Em nos deixarmos viver sem carregar esse peso de conviver com sentimentos destrutivos, que não ajudam em nada a nossa caminhada de um olhar mais amoroso sobre nós mesmos.

O perdão é uma decisão. Não devemos perdoar porque o outro merece ou pediu. Sejamos realistas: muitas vezes esse momento não vai chegar nunca (embora em muitos casos fosse o que mais gostaríamos que acontecesse), porque quase sempre quem nos fez mal não acha que deva se desculpar e muito menos pedir perdão, mas nós precisamos perdoar mesmo assim, por nós mesmos. Pra não vivermos carregando esse peso dentro da gente e por termos consciência que, muitas vezes quem nos magoou, de propósito ou não, ainda não chegou a um nível de entendimento que temos. E é justamente nessa hora em que decidimos perdoar, Porque o outro não tem noção do que está fazendo, com o outro e com ele mesmo. E repito: perdoar não é ter que conviver com a pessoa, você simplesmente perdoa o que ela te fez e cada um segue seu caminho. Uma coisa que é importante esclarecer aqui: é totalmente possível perdoar uma pessoa e, ainda assim, querer que ela aprenda que sua má ação tem consequências. Eu não quero dizer aqui que é apenas deixar pra lá, especialmente em casos de preconceito, que são inadmissíveis, mas que é importante perdoarmos mesmo quando o lado errado da questão é punido pelo que fez.

O perdão acalma. Ele nos deixa menos raivosos e magoados e desperta em nós novamente um olhar amoroso sobre a vida e, por consequência, sobre nós mesmos. É quase sempre o que acontece quando também precisamos nos perdoar pelas coisas que fazemos a nós mesmos, como em casos de autoflagelo ou quando não nos perdoamos por estar numa relação abusiva, por exemplo. Não era nossa culpa. Não precisamos carregar essa raiva de nós mesmos por um momento em que não fizemos o que hoje acreditamos ser a coisa certa. É quando nos perdoamos que começamos, inclusive, a querer perdoar o outro.

Mas vamos encarar as coisas: como muitas coisas na vida, perdoar, mesmo sendo uma decisão, é também um processo que começa depois da tomada de consciência. Quase nunca você vai decidir perdoar e isso vai vir automaticamente. Algumas pessoas farão isso de forma instintiva, outras precisarão de terapia. Mas é importante tentar, processar e chegar ao nível de entendimento onde o perdão é possível para seguirmos leves. Porque a vida é melhor sim para quem perdoa. E quem perdoa mostra que se ama ao ponto de não querer viver carregando consigo um peso grande da mágoa, que destrói a gente por dentro.

0 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 15.08.2018

Não vamos deixar as palavras martelarem na nossa cabeça

Todo mundo tem aquela pessoa que entra na nossa cabeça. Aquela que, por mais que a gente não queira, que a gente saiba que o que dizem não é verdade, que a gente tente não levar em consideração aquilo que falam, não conseguimos evitar que as palavras fiquem ecoando na nossa cabeça. Pode ser sua mãe, uma amiga, seu irmão. Tenho certeza que cada pessoa que está lendo esse texto agora está pensando em alguém em específico.

Querendo ou não, de alguma forma, a gente está sempre buscando validar nossas escolhas. Por mais certeza que a gente tenha delas, no fundo (as vezes nem tão no fundo assim), a gente quer ser aprovada por elas. E aí que mora o perigo, pois as nossas escolhas, justamente por serem nossas, muitas vezes vão de encontro ao que outras pessoas pensam e até sobre o que projetam sobre a gente. É nesse momento que vem o “por que você não faz uma dieta? Ia arrumar logo um namorado”, “você deveria sair desse emprego, você não tem tempo pra nada”, “Já pensou em reduzir os seios? Você ia ficar linda!”, entre tantas outras frases que são quase um clichê de tão repetidas em tantas situações diferentes. 

ilustra: mari andrew tradução: - "Uma coisa legal aconteceu comigo hoje!"  - "Bem, primeiro eu vou te parabenizar de forma meio hesitante, talvez eu te ofereça comentários ambiguos que momentariamente farão com que eu me sinta bem com o seu sucesso. Então eu te deixarei com uma frase como "boa sorte" que vai fazer você se questionar sobre a nossa interação o resto do dia.

ilustra: mari andrew
tradução: – “Uma coisa legal aconteceu comigo hoje!”
– “Bem, primeiro eu vou te parabenizar de forma meio hesitante, talvez eu te ofereça comentários ambiguos que momentariamente farão com que eu me sinta bem com o seu sucesso. Então eu te deixarei com uma frase como “boa sorte” que vai fazer você se questionar sobre a nossa interação o resto do dia.

Tenho certeza que muitas dessas sugestões não são feitas por maldade e sei que essas pessoas com certeza te amam e se preocupam com você. Querem a sua felicidade. O problema é que muitas não entendem que as palavras têm poder. E não entendem que uma frase dessas – que costuma dizer muito mais sobre quem falou do que quem ouviu –  pode desencadear um gatilho, se tornar razão de muitos problemas, inclusive abalos sérios na autoestima. É desse tipo de relação que nasce a sensação de nunca ser boa ou adequada o suficiente. É daí que aprendemos a perder um pouco da nossa capacidade de nos valorizar. E como fazemos para não deixar que a opinião alheia não nos abale? Sinto bater na mesma tecla que as meninas aqui, mas não tem outra saída: se conhecendo. 

Quando a gente se conhece e tem consciência de quem somos, ficamos firmes o bastante para conviver com essas pessoas que deixam a marca das suas palavras na gente. É quando entendemos o nosso valor que essas palavras deixam de ter poder sobre os nossos pensamentos. Quando aprendemos que existem limites que o outro não pode ultrapassar que achamos força para impor o limite do outro sobre a nossa vida. Basicamente, quando aprendemos de fato a reconhecer nosso valor e aceitamos quem somos é que vamos automaticamente entender o que merecemos. E ninguém merece que o julgamento do outro controle as nossas decisões e pensamentos.

Mais importante do que saber se posicionar para que não se metam além do que permitimos na nossa vida, é não deixarmos o que as pessoas dizem definirem quem somos ou como devemos nos sentir e agir. Não deixar que entrem na nossa cabeça e ali fiquem com suas ideias e conceitos que só nos magoam e fazem questionarmos nossas capacidades. Não é simples, mas à medida que o amor próprio vai crescendo, esse controle fica muito mais fácil.

7 em Destaque/ Relacionamento no dia 12.06.2018

Eu quero mais que um dia dos namorados

Dizem que canceriano é romântico, mas eu sempre digo que sou meio fajuta. Uma dessas provas é que eu não tenho a mínima paciência para Dia dos Namorados. Poderia dizer que a culpa é do meu relacionamento – que já passou por 15 datas dessas – mas a verdade é que eu sempre tive preguiça.

Poderia dizer que a culpa é dos restaurantes – sempre lotados, reservas esgotadas, com menu fechado e preços salgados. Mas não é, porque poucas vezes vi vantagem em jantar no dia 12 se a gente poderia jantar no dia 11 ou 13 e ter mais opções no cardápio, menos fila e menos stress. Para minha sorte, meus únicos dois namorados na vida compartilhavam dessa ideia.

No quesito presente, já tive dias de luta e dias de glória. Os dias de luta eu poderia facilmente encaixar o dia que me empenhei e gastei toda minha criatividade (que acho que não recuperei até hoje) fazendo uma caixa de presentes com coisas personalizadas e ganhei uma -brusinha-, que nem era do meu tamanho. Ou o dia que eu estava crente que iria receber de presente um anel de noivado e recebi….um jogo de toalhas (ok, a justificativa foi fofa, ele queria que eu tivesse minhas coisas na casa nova). Mas também tive meus dias de glória, como o dia que comemoramos em um hotel maravilhoso ou quando fui surpreendida por uma joia em um jantar de Dia dos Namorados que nada tinha de romântico, tanto que até levei a Joana para ir junto (acho que esse foi o dia de luta dele, né? rs).

Hoje eu diria que minha ideia perfeita para comemorar esse dia é ficar largada no sofá, os dois vendo filme e saboreando uma tacinha de vinho depois de botar o Arthur na cama (e meu presente é ele botar para dormir enquanto eu continuarei linda e largada no sofá). Pode parecer um presente trivial para se pedir em uma noite aparentemente comemorativa, mas confesso para vocês que hoje em dia não me passa na cabeça viver algo mais romântico que isso. Hmm, se bem que dormir de conchinha também é o ápice do meu romantismo, ainda mais se eu for a parte de fora da concha….

do maravilhoso instagram da @mayavorderstrasse

do maravilhoso instagram da @mayavorderstrasse – tradução: eu estou tão empolgada para o dia dos namorados. Mal posso esperar para discutir sobre o que vamos comer e depois desmaiar no sofá enquanto discutimos o que vamos ver na Netflix. 

Não quero Dia dos Namorados para postar no instagram, não. Não quero juras públicas de amor, nem fazer, nem receber. Do nosso amor, a gente é que sabe. Conhecem essa frase? Cada vez mais sinto menos vontade de expor o nosso relacionamento por aí, até porque ocupar o lugar de casal perfeito (coisa que é comum de se achar quando dizemos que estamos juntos há 15 anos) cansa. Não somos, nem temos essa intenção de ser. Se as nossas imperfeições se complementarem, isso já é mais do que o suficiente.

Meu conceito atual de romantismo é conseguir valorizar as concessões e os esforços feitos, celebrar o companheirismo dos momentos mais complicados aos mais bobos e, principalmente, valorizar a beleza que é viver um amor onde ambas as partes tentam diariamente manter a essência do namoro, mesmo que o cenário recente englobe casamento e filhos.

Nem sempre é fácil. Tem dias que a rotina nos engole e leva a melhor. Tem dias que nós conseguimos resgatar sentimentos que achávamos que tinham ficado para trás. Tem dias que morar junto cansa – com filho, então, cansa 15 vezes mais – e tem dias que tudo que queremos é comemorar mais um ano de relacionamento. E esse é o nosso Dia dos Namorados.

Nesse dia não tem discussão de quem vai arrumar a casa ou quem vai botar o filho para dormir, não tem cansaço mental depois de um dia de trabalho intenso, só tem a vontade de lembrar que independente do estado civil ou da aliança no dedo, a vontade de ser eterno namorado ainda está ali. Não precisa de presente, de jantar em restaurante, não precisa impressionar. Talvez um sexo mais especial e com mais atenção, apesar de eu ser da teoria que quando o clima é esse, o sexo melhor flui naturalmente. E posso falar? Melhor assim. Sem data, sem pressão, sem aquele sentimento de obrigação de mostrar uma vida perfeita, apenas aproveitando o que está acontecendo aqui e agora. Mesmo que o aqui e agora seja dois adultos babando no sofá com um filme visto pela metade.