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0 em Comportamento/ Destaque/ Deu o Que Falar/ Relacionamento no dia 09.04.2018

As vezes o término pode ser para o bem

Semana passada fui bombardeada de posts, memes e mensagens um tanto quanto desesperadas sobre o término de Channing Tatum com a Jenna Dewan Tatum. Aliás, é o tipo de coisa que eu leio toda vez que um casal que está há muito tempo junto e parece ser o casal perfeito, resolve separar.

“Não tem mais como acreditar no amor.”
“Acabou a esperança.”
“Eu amava esses dois juntos, eles não poderiam ter terminado.”

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Por anos, muitos, eu fui a pessoa que também encarava esse tipo de separação como uma bomba. Como assim esse casal aparentemente perfeito resolveu separar? O que será que aconteceu? Quem foi que traiu (como se traição fosse realmente a pior coisa que pode acontecer em um casamento)? Será mesmo que não é uma crise e eles não voltam? E não estou falando apenas de relacionamento entre celebridades.

Foi preciso que eu começasse a receber notícias de divórcios acontecendo perto de mim, com amigos próximos, para eu entender que muitas vezes a notícia que “o término foi amigável” pode ser realmente verdade.

Não é simples, todos os exemplos que me rodeiam me dão a certeza que é necessário um nível de maturidade muito grande para enxergar que um casamento que ainda tem amor e algum grau de parceria já não faz mais sentido para ambas as partes. Que talvez a relação fique mais saudável se ambos estiverem separados. E foi preciso muita conversa, onde eu precisei ser consolada pelo término de um casamento que não era o meu, para eu entender que nem sempre um divórcio é sinônimo de fracasso.

A cena foi ridícula inclusive. Eu ali, catatônica recebendo a notícia (com alguns meses de atraso porque nós somos dessas amizades que passam meses sem falar, mas quando fala, parece que foi ontem), e a minha amiga falando: “Carla, tá tudo bem. Eu to muito feliz com meu namorado novo, o fulano (o ex) está namorando também, estamos todos felizes com a decisão, tá tudo ótimo.”.

Demorei para entender que realmente existe o término amigável, algo que eu só acreditava que existia em nota de assessor de famoso. Eu sempre fui a pessoa que acredita em amor eterno, que acha lindo aquelas histórias de casamentos duradouros, inclusive tenho uma tatuagem que diz “o amor vence tudo”.

Continuo acreditando piamente que o amor vence tudo, mas esse amor que eu acredito hoje é um amor menos romântico e mais abrangente, que engloba desde o amor pelo filho até o amor pelos amigos, pelos pais e também o amor vindo de um relacionamento amoroso, claro. E isso me fez enxergar as coisas muito mais leves, inclusive consegui tirar de mim um pouco da pressão invisível que eu mesma colocava no meu casamento sem nem perceber, afinal, nós somos um dos exemplos de casais que estão juntos desde que o mundo é mundo (15 anos de namoro, quase 8 de casamento).

Só que aos poucos a gente entende que nem tudo é preto no branco. Que não existe perfeição. Que nem sempre término significa fracasso.  E que sucesso mesmo é quando ambas as partes estão felizes e satisfeitas de suas decisões, independente se estão juntas, separadas ou tentando dar a volta por cima.

Sei que é difícil a gente se desfazer dessa ideia romântica de amor eterno, mas imagina que lindo entendermos que a felicidade no “felizes para sempre” pode ser alcançada independente do status de relacionamento?

0 em Autoestima/ Destaque/ Relacionamento no dia 27.03.2018

#paposobremulheres: De vítima a protagonista

Eu tinha decidido separar. Já tínhamos tentado de tudo. Já tínhamos feito terapia de casal. Já tínhamos nos maltratado bastante, sem contar a falta de objetivos em comum.

Acabar com meu casamento parecia um crime e um opção quase impossível. Eu era a primeira mulher de TODO meu sistema familiar (que é composto de poucas mulheres) a dar esse passo.

Eu tinha muito medo e meu ex marido sabia perfeitamente disso .

Fui a um advogado, que é meu amigo, com a maior culpa do mundo. E daí pra frente o inferno começou.

Foi um recomeço duro. Entrei no apartamento novo com o cachorro e a câmera de fotos, meus livros e um sabão em pó que peguei no armário da cozinha. Ele ligou pra dizer que eu era tão suja que precisava de sabão.

Eu sentei naquele chão vazio e chorei sem saber o que seria da minha vida. Quase 5 anos se passaram desde aquela cena .

Levantei, no sentido literal e figurado. Com todo o esforço que essa história exigiu de mim, claro. Na verdade voei muito mais alto do que podia imaginar.

Doeu, perdi coisas, tive que esperar exatos 843 para conseguir o meu divórcio.

As primeiras violências foram econômicas, mas isso foi mole. Depois foi aguentar o silêncio e uma assinatura que nunca chegou. Alguma reação teria doído menos do que se sentir casada com um fantasma. Nunca pensei que o silêncio pudesse ser extremamente violento.

Meu divórcio foi um dos primeiros da Argentina a serem feitos pela nova lei, que se chama Divórcio Express, onde você não precisa do consentimento do outro.

Não tínhamos filhos e não tínhamos bens pra dividir a não ser um carro.

Meu advogado disse que tinha sido o divórcio sem filhos mais longo e complexo da história que ele já tinha visto. E nesse meio tempo, além do estresse, fui internada às pressas. Uma bactéria tomou conta de mim e destruiu meu ovário e trompa direitos em 20 dias. O médico me perguntou: “você se estressou com alguma coisa? Porque não tenho explicação pro que aconteceu com você, mas sua imunidade tava lá embaixo.”

Se divorciar tem essas várias histórias dentro da história .

Alguns divórcios são mais civilizados e tranquilos, outros têm essas coisas que eu vivi, e ainda tem outros que são mais complexos ainda. Várias pequenas mortes de uma vida que não funcionava mais renascer em uma nova vida, rumo ao desconhecido.

Por muito tempo estive com raiva. Por muito tempo sofri e foi doloroso. Por muito tempo não entendia o outro, e nessa tentativa de entender, julgava sem pena tudo o que “o outro” fazia ou deixava de fazer.

Nunca foi tão fácil fazer papel de coitada, um prato cheio.

Era doentemente cômodo falar pra todos como meu ex era um filho da mãe. Procurei todo tipo de ajuda terapêutica e caí nas constelações familiares de Bert Hellinger.

Não digo que esse método sirva pra todos mas o que comecei a aprender naquele momento era que “quando uma tragédia pessoal chega às nossas vidas, é nosso sistema que está ali pedindo resolução. “

Por algum motivo esse “monstro” que a gente vê na figura do outro nada mais é que nosso próprio lado B não trabalhado e manifestado num espelho. Comecei meus trabalhos pessoais de olhar pra minha própria árvore genealógica, ver que papel eu ocupava dentro do meu sistema.

Não foi passe de mágica , mas aquela fera poderosa e malvada que eu via no outro começou a perder força. Com isso, não quero dizer que todo mundo tem que ser fofinho e amiga dos ex .

Aquele homem que casou comigo por livre e espontânea vontade (e feliz) nunca mais deu as caras na minha vida. Não me dirigiu a palavra nunca mais. Contrariando todos as previsões do “um dia ele vai te procurar”, o tal momento clichê nunca aconteceu. E eu tive que aprender a lidar com as coisas como elas são.

Em primeiro lugar, aprender a ser grata porque eu fiz as melhores escolhas que podia fazer a cada momento, então não existe um “se eu não tivesse escolhido isso…” Em segundo lugar , a olhar pro próprio umbigo e pra própria família com uma olhar de compaixão a todos os envolvidos – incluindo a mim – por termos unidos nossas histórias.

Depois entender que todo esse sofrimento, me tornou uma pessoa mais forte, independente , me fez descobrir minhas potencialidades e meus reais desejos na vida .

A sanação não vem quando aquele outro faz o que você pensa que ele deveria fazer. A cura acontece quando você tem a capacidade de olhar pra sua história e tomar ela do jeito que é, sem querer modificar o que não pode ser modificado.

A história é sua . As coisas aconteceram pra ambos . E daqui pra frente a única coisa que pode te fazer livre desse fato é incluir isso como algo que te pertence e faz parte da sua vida.

Incluir a todos no seu coração não tem a ver com ser Madre Teresa, ser amiga, ligar pra quem não tem relação com você . Incluir o vivido tem a ver com estar em paz de que isso tenha sido um processo pro seu crescimento .

Já não importa o que o outro faz, importa o que você faz com isso.

Anos depois, pude entender , que o outro , que eu via como monstro, também estava ali pensando que o monstro sou eu.

A gente não pode transformar os demais, mas a gente pode sair transformada pra melhor depois de uma situação onde todos somos no mínimo, responsáveis.

Aqui não falamos de culpa, mas sim de responsabilidade. Inclusive quando chega a hora de deixar ir e é preciso se despedir dessa parte da sua vida.

Graças a essa experiência eu sinto hoje que sou protagonista da minha vida e minhas escolhas. E não mudaria uma vírgula de tudo que vivi até hoje porque, graças a isso, me tornei esta mulher que sou.

Não importa o grau de violência em que ocorreu em seu divórcio, o que importa é aprender que o trabalho é sempre conosco, com nós mesmas.

Olhe pra dentro, desperte e aprenda com isso a fazer novas e melhores escolhas. No final da história, tudo isso foi essa coisa mágica que é sua história de vida. Olhe pra ela e para os envolvidos com amor. E seja feliz com isso.

4 em #paposobremulheres/ Autoestima/ Relacionamento no dia 04.03.2018

Papo sobre mulheres: Sobre deixar ir… e recomeçar.

Eu nunca fui o tipo de pessoa entusiasta de grandes aventuras, paixões avassaladoras, tampouco me deixava levar pelas emoções. Bom, não que eu me lembre. Ao contrário disso, sempre tive uma vida incrivelmente pacata dentro da minha zona de conforto, muito provavelmente pelas minhas referências familiares e principalmente pelas minhas escolhas. Somos condicionadas pelo meio, mas são nossas atitudes que definem o rumo da nossa vida. Confesso que no dia em que eu me apoderei dessa consciência o meu mundo desabou… ou melhor, mudou!

Aos 18 anos eu comecei meu primeiro relacionamento sério (e duradouro). Me lembro do dia em que fui avisada que estava namorando. Não houve pedido, não houve questionamentos, não houve nada além de uma comunicação. Acatei. Após um longo ano de encontros e desencontros, lá estávamos nós, amando. Tentei me jogar de cabeça, viver a tal da paixão, me empenhei, dei tudo de mim e mais um pouco. Na verdade dei muito mais. Fui feliz e triste. Na época achava que era tudo normal, afinal, um dos primeiros ensinamentos que nos é passado é o de que não dá pra ter tudo na vida. Então tá. Até então havia me contentado com essa máxima.

eu não queria te perder (então eu me perdi)

eu não queria te perder (então eu me perdi) | ilustra: melody hansen

Vesti a camisa dele por mais de 10 anos, vivi os sonhos dele, apoiei os projetos dele, me adequei a vida dele, comprei o barulho dele. Até ai tava tudo certo! O problema vem agora: me anulei por ele e me perdi de mim. Em dado momento, que já nem me lembro quando, eu não tinha ninguém pra vestir a minha camisa, pra viver os meus sonhos, para apoiar os meus projetos, porque nem eu acreditava mais neles. Perdi minhas referências, minha confiança e minha autoestima. Arrisco dizer que, junto com elas, também foi embora a minha identidade. 

Passados alguns anos eu estava infeliz. Meu mundo idealizado estava desmoronando. Mas eu não aceitava aquela “derrota”. Lutei muito. Lutei sozinha. Me acomodei em um estilo de vida que não me agradava. Me sujeitei a situações emocionalmente comprometedoras. Lutei até não ter mais forças, nem vontade. Uma hora cansa. E cansou.

Por muito tempo me senti fraca por não conseguir reagir. Por não conseguir pular fora e romper aquele padrão adoecido. Todas as vezes que eu tentava, era tomada por um sentimento de culpa, que me colocava novamente naquele mesmo lugar morno. Já não era amor. Não como deveria ser, ou melhor, como se esperaria que fosse. Era dependência emocional, era costume, era rotina. Era orgulho. Era tédio. Era tóxico.

Em uma conversa entre amigas, ouvi de uma delas “não importa de quem foi a iniciativa, nada é unilateral”. Talvez eu tenha fantasiado uma realidade que não existia. Talvez eu estivesse agindo por meio de um ego ferido. E, provavelmente, por diversas vezes, tenha ingressado em um processo de boicote daquele relacionamento que no fundo eu sabia que já estava no respirador. Eu levei o “pé na bunda”.

Foi um processo. Um processo longo e doloroso. Talvez o mais difícil de tudo tenha sido enxergar os fatos. Tão difícil quanto assumir que as coisas não saíram de acordo com o planejado, e que a intuição já havia alertado uma centena de vezes antes. Difícil voltar a estaca zero. Mais complicado ainda é se deixar para trás para se refazer, agora com novos gostos, novas referências, com um jeitinho mais espontâneo e não condicionado a nada, nem ninguém. Difícil viver para si mesma depois de tanto tempo, mas libertador. Não é mágica. Exige paciência e um mergulho em si, um processo de autoconhecimento e auto suporte. Exigiu terapia, das mais variadas.

olhe para isso de outra forma

olhe para isso de outra forma | ilustra: melody hansen

Mas aí chega o dia em que você acorda diferente. É o dia que a chave vira, que o luto acaba, a dor ameniza e a vida segue. Mas ela não segue arrastada, ela segue cheia de amor próprio e isso é capaz de preencher qualquer vazio que o fim de um relacionamento possa ter deixado. Acredite!

O universo está sempre disposto a nos proporcionar o melhor e quando a gente assume o nosso lugar no mundo, a nossa identidade, quando a gente toma as rédeas da nossa vida e acredita no nosso potencial, a gente recebe tudo que está sendo enviado para a nossa felicidade. É nesse momento que a vida muda, que novas oportunidades se abrem, novas pessoas se aproximam, novas paixões acontecem. Sim, acontecem! Lembram que eu disse que não era entusiasta de grandes aventuras e paixões avassaladoras? Então, a gente muda mesmo. É nesse momento que a vida ganha cor e que você sente que tudo que aconteceu até então foi só pra te preparar para aquele infinito de possibilidades que falam por ai…