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3 em Autoestima/ Relacionamento no dia 09.08.2018

O medo de ser só!

Esse texto não deveria existir em 2018. Mas ele existe, e espero que seja uma gota em um oceano de informação que nos ajuda todos os dias a sermos pessoas melhores. A gente precisa parar de ter medo de ser sozinha.

Em um mundo onde existem métodos contraceptivos pra nos dar a liberdade de escolha se queremos ou não ter filhos, onde as mulheres estão a cada momento brigando pela sua independência financeira, seu lugar ao sol profissionalmente, sendo donas de seus corpos e vontades, muitas ainda acreditam que dependem do outro para ser felizes e caem na armadilha do “ruim com ele/a, pior sem ele/a”.

Muita gente ainda acha que não tem valor se não é amada e admirada romanticamente. Se não é objeto de interesse do outro. Muita gente se encanta com a ideia de ter alguém encantado por elas e, somado à alguma pressão externa (que ainda existe e ainda nos faz crer que precisamos de alguém ao nosso lado), algumas vezes acabamos caindo em relacionamentos em que nos contentamos com pouco (ou quase nada) apenas por medo de ficarmos sozinhas.

Todo mundo conhece alguém ou já se viu em uma situação onde a intensidade do comprometimento é diferente da outra parte, onde se sentia sozinha mesmo acompanhada, onde o/a parceiro/a te deixa em segundo plano, ou mesmo em segunda opção, no caso de se envolver com gente comprometida. E em nome do “ruim com ele/a, pior sem ele/a” vão se criando desculpas conformistas de “ah, depois que passa a paixão é assim mesmo”, “a convivência tem dessas coisas” e acham normal que seja assim. E conversam com outras pessoas e ouvem a mesma coisa, pra achar que é normal mesmo que seja dessa maneira. E em níveis piores, começam a duvidar de casais onde os dois vivem bem, parecem igualmente entregues a um mesmo sentimento de parceria e pensam “Duvido que sejam felizes assim mesmo”.

Pois trago notícias para vocês: se o seu relacionamento não está num nível “bom demais para ser verdade”, tem grandes chances de ele não ser suficiente. E por “bom demais para ser verdade” não falo de noites seguidas ardentes de sexo até o amanhecer toda semana, jantares românticos em restaurantes da moda, mil presentes e viagens incríveis a todo tempo. Isso é muito bom mesmo, pode (e deve) rolar na medida das possibilidades de cada um, mas o “bom demais pra ser verdade” mora nas coisas comuns do dia a dia. Na divisão de tarefas em casa, no comprometimento pelos mesmos objetivos, pelo apoio e suporte um do outro, por dar risada de situações comuns e ver romantismo também na pipoca e Netflix quando a grana está curta.

Se não for pra somar assim, nem se envolva. Não tenha medo de ficar sozinha. Use esse período para se descobrir como sua melhor companhia, ou até mesmo para se descobrir. Saber do que você realmente gosta, ampliar a sua visão do mundo, fazer coisas diferentes, conhecer pessoas diferentes (não necessariamente para se envolver romanticamente), sair da nossa bolha e ver que o mundo e bem maior e que somos sim, suficientes para nós mesmas. Pouco importa se aquela sua tia te acha uma “coitada” que não casou ou não namora ou que desfez uma união onde você não estava feliz. Analise comigo: seria mesmo você a “coitada” por estar indo atrás do que te faz feliz ou quem pensa que só somos felizes com alguém?

Não coloque em ninguém o controle e o peso da sua felicidade. Só você é capaz de se fazer feliz e realizada e isso é maravilhoso, já que depende única e exclusivamente de você! Só quando nos percebemos inteiras é que sabemos que merecemos mais da vida e das pessoas e finalmente estaremos prontas para encontrarmos alguém com quem dividir a vida, se assim quisermos. 

1 em Sem categoria no dia 11.06.2018

Por que a altura é uma questão nos relacionamentos?

Eu já falei aqui no Futi sobre questões de altura e a minha perspectiva, que é, sim, bastante confiante, especialmente por ter sido algo do que sempre me orgulhei e nunca considerei um problema. 

Porém, li esses dias uma frase que me despertou algo que eu nunca tinha pensado antes. A frase diz: “Homens altos não são mais comuns que mulheres altas. Homens tem a permissão para ser altos”. Foi quando me ocorreu que muitas vezes os comportamentos quase agressivos que vejo em relação à altura vindo das pessoas, giram em torno dessa crença. Muito do “Ah, você é muito alta, não precisa usar salto”, vem daí! De fato eu não preciso, mas às vezes, eu quero. E o meu querer vem sempre antes da opinião alheia.

A questão da diferença da altura entre casais é um dos padrões estabelecidos com um base tão sólida que parece quase natural e inerente das pessoas. A mulher tem que ser mais baixa que o homem. Porque criaram a ideia de que a mulher mais baixa é delicada, indefesa e necessita de proteção. As princesas são pequenas e delicadas. As guerreiras são altas, fortes. Agora me diga, se em 2018, isso faz algum sentido?

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A pergunta que eu mais escuto relacionada à minha altura não é quanto eu meço. Me perguntam sempre: “Seu namorado é mais alto que você?” ou ainda, uma versão mais indelicada: “Mas você ACHA homens mais altos que você?”, como se fosse uma condição ou, caso não existisse nenhum homem mais alto que eu, estaria condenada a viver sozinha, pobre de mim.

Muitas pessoas me abordam e comentam que não usam salto pois vão ficar mais altas que seus parceiros. Ou até mesmo me contam que estão se interessando por caras mais baixos, e que isso gera certo desconforto. Ou ainda, aquele comentário inocente “Prefiro homens altos”. Pode ser o seu gosto? Sem dúvidas. Mas quanto do seu gosto foi influenciado pelo que foi imposto?

Porque a altura, ou a diferença dela, precisa ser uma questão que causa desconforto ou até mesmo um impeditivo para se relacionar, quando sabemos que um relacionamento se faz de outros valores muito mais importantes? E sim, é claro que a atração física conta, mas se você já curtiu o cara, ou ele gostou de você, faz sentido se limitar por alguns centímetros? Se você se sente linda e poderosa de salto alto, porque você vai deixar de usar mesmo que fique mais alta que o seu parceiro? É apenas um salto!

Claro que eu já me deparei com situações em que os caras diziam que não se aproximavam porque eram mais baixos. Que reclamaram por eu estar mais alta de salto do que eles. Mas eu sempre fiz questão de priorizar me sentir bem e sempre deixei claro que essa diferença de altura não me incomodava, e que não deveria incomodar a eles também. Não pensem que o incômodo com a minha altura e minha condição de estar confortável na minha própria pele se restringia apenas aos caras mais baixos do que eu. Também existiram os mais altos do que eu que se incomodavam por eu ficar da altura deles, ou por chamar a mesma atenção que eles, o que só prova meu ponto de que são padrões que confortam apenas os homens, oprimindo mais uma vez as mulheres com uma condição que não se muda, já que ninguém pode crescer ou encolher de acordo com a própria vontade.

 Gosto de acreditar que são situações de seleção natural. Quem é confiante de si, se aproxima sem levar isso em consideração. Quem não se garante, reclama. Então servia para eu saber logo no começo com que tipo de pessoa eu estava escolhendo me relacionar e se valia à pena ou não.

E com isso, pude me sentir cada vez mais dona de mim, das minhas vontades e a minha confiança crescia à medida que, a cada pessoa insegura que eu afastava, se aproximavam pessoas que valorizavam isso. Pessoas que me incentivavam a usar meus saltos, ou mesmo a apenas ser mais alta, pois viam isso como uma qualidade e percebiam o quanto eu me sinto à vontade e confiante sendo assim, ao ponto de me pedirem para usar salto ou se sentirem orgulhosos quando notavam nossa diferença de altura. Afinal de contas, precisa ser muito bom para poder andar ao lado de um “mulherão” e isso é digno de orgulho!

5 em Autoconhecimento/ Relacionamento no dia 30.05.2018

O privilégio de ser solteira por volta dos 30…

Hoje vou falar sobre algo que gostaria que alguém tivesse me dito 3 anos atrás: a maravilha que é ser solteira por volta dos 30 anos. Para algumas soará óbvio, afinal, uma mulher mais adulta, madura, independente e geralmente mais segura pode fazer bom uso de uma nova oportunidade de conhecer pessoas e de conhecer a si mesma. Infelizmente para muitas outras ainda é difícil enxergar dessa forma. Quanto mais frustrada a pessoa se sente por não ter conseguido atender a pressão de casar e ter filhos, mais difícil é enxergar o tamanho da benção que é ser solteira com essa idade.

Poder se conhecer ainda melhor na vida adulta é libertador. Não é fácil sair da zona de conforto, mas é literalmente um movimento empoderador.

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Pessoalmente acho quase matemático dizer que quanto mais nos conhecemos, mais podemos escolher melhor com quem queremos dividir as diferentes fases da nossa vida. 

Hoje tenho 31 anos de idade, solteira entre chegadas e partidas e com a sensação de que a vida me deu uma nova chance de recomeçar tudo aos 28. Há 3 anos eu tomei a decisão mais importante de toda minha vida adulta: terminar um namoro de 6 anos. Para muitos foi um pouco estranho. Eu sei que parecíamos felizes, mas a verdade é que apesar de termos vivido uma linda história, ela havia chegado ao fim e estávamos empurrando com a barriga, sem mais vontade de dar certo, preenchidos de distrações convenientes para não enxergar a verdade. 

Ficar solteira com essa idade foi muito vantajoso para mim, e apesar do medo inicial, logo entendi que meus medos eram todos meio infundados. E se eu descobrisse que ele era o amor da minha vida? Lutaria por ele com unhas e dentes. E se esse fosse o maior erro de todos? Eu repararia o erro, não dando voz a nenhum tipo de orgulho. E se eu não conhecesse ninguém legal? Eu sairia com pessoas chatas quando tivesse afim, tendo sempre minha boa companhia como opção. E se ficasse tarde para casar e ter filhos? Nunca é tarde pro amor, só que pra mim uma família precisa ser consequência de um amor, não causa pra ter alguém.

Em meio a várias incertezas, me dei meu maior presente: o benefício da dúvida. Agradeço todos os dias por ter feito isso. Claro que tiveram dias difíceis, frustrantes e cansativos num mundo onde tanta gente tem medo de se envolver, mas isso não foi nada comparado com a parte boa. Vivi algumas das melhores histórias que já escutei e, por elas, eu abriria mão de tudo novamente. Elas me permitiram chegar na atual versão de mim, da mais louca a mais improvável. Me vi inteligente, forte, incrível, linda e poderosa em algumas das muitas oportunidades que me dei, cada um desses momentos fez tudo vale a pena. 

Lembro que a época do término, lá em 2015, tirou semanas do meu sono. Literalmente eu deitava e não conseguia dormir. Sentia que estava agindo de forma leviana e sendo injusta com todo mundo que esperava que eu casasse, tivesse filhos e vivesse feliz para sempre. Por esse tal sonho idealizado eu seguia lutando numa relação que havia ficado pesada pra mim. A gente não era mais feliz, mas fingíamos que éramos. O pior é que não fingíamos pros outros, fingíamos para nós mesmos.

Nesse processo de autodescoberta pude viver o feminismo a meu favor. Um novo momento onde mulheres poderiam tomar decisões sem ter tanto medo do julgamento externo, onde elas poderiam se experimentar, viver sua sexualidade, seu corpo, suas rédeas, seu trabalho e se dar novas oportunidades sem considerar os antigos estereótipos do “lugar de mulher”, do “garota de família” ou do “essa é pra casar” que ouvi a infância inteira. Eu fui uma mulher livre pela primeira vez, usei minha autoestima a meu favor e me permiti surpreender.

Ser solteira sem essas prisões foi das coisas mais livres que eu já experimentei, aos poucos testando coisas novas e soltando velhas amarras, muitos desses temas viraram posts do blog. Pude explorar quem eu sou de verdade, pude descobrir novidades sobre mim que eu sequer conhecia.

Redescobri meu corpo, meu prazer e encontrei toda uma nova personalidade da versão cada dia mais incrível de mim mesma. Por isso repito, estar solteira aos 30 foi a coisa mais importante e libertadora que poderia ter me acontecido.

Abrir mão de um único padrão de futuro socialmente esperado também foi muito libertador. Sou muitas vezes a amiga que não casou e não teve filhos, mas sou tão mais do que isso. Realizei tantas outras coisas. Não tenho nada contra a ideia de juntar escovas de dente, desde que seja pelas razões que eu considero corretas, e não por ser o que esperam de mim.

Poder se conhecer e recomeçar é um ato de liberdade que, somado à maturidade, pode nos abrir caminhos que jamais sonhamos, para termos uma vida que sequer imaginamos dentro da nossa antiga bolha.

Na minha vida sinto que namorei pouco, fiquei muito e transei com menos pessoas do que gostaria, mas sem dúvida alguma pude viver algumas das melhores histórias ao me dar essa nova chance. Ganhei novas referências, aprendi com novas pessoas e cresci como ser humano. Num saldo geral foram 4 namoros que, juntos, somaram 8 anos e meio, 2 relacionamentos sérios sem nome e umas 2 ou 3 paixões loucas pra conta. Os aprendizados com isso tudo? Incontáveis. Tive uns dois términos dolorosos nessa conta, mas ambos me ensinaram muito, até mesmo a importância de não me desconectar de mim, não contaminar minha vibração, porque uma coisa é certa: sempre atraio a energia que estou emanando, na duvida prefiro ficar conectada numa frequência muito positiva.

Quase tudo que me trouxe até aqui aconteceu depois do fatídico maio de 2015. Até mesmo o que me ocorreu antes foi finalmente digerido e compreendido depois. Eu não mudaria nada, conheci pessoas incríveis, fiz viagens que jamais faria, amigas e amigos novos e me conheci ao viver as experiências mais inesperadas, que a conveniência jamais me proporcionaria.

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Eu tenho muito orgulho de tudo que vivi até hoje. Todos os aprendizados dos últimos 3 anos preencheram um vazio que eu tinha. Algumas histórias dariam um livro, mas o mais importante é garantir que eu ainda tenha muitas páginas em branco para seguir contando sobre minha vida.

Hoje, pra ficar estacionado na vaga que tem no meu coração, é preciso somar, me fazer feliz e sonhar alto comigo. Acolhendo todas as nuances, detalhes e singularidades dessa Joana. Ela tem como destino sonhos novos e como trilha sonora durante a jornada ela escolheu a felicidade.

fotógrafa: Adriana Carolina