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4 em Autoestima/ Relacionamento no dia 12.06.2017

Encontrei o que eu procurava, mas em outro alguém…

Muita gente diz que eu sou inspiração, mas a verdade é que essa sensação só existe porque eu compartilho aqui toda minha desconstrução. Meu processo pode ser inspirador, também me orgulho dele. No entanto, olhando para a minha essência e somando a forma como fui criada, eu não acho que sou tão inspiradora assim. Queria ser um pouco mais adepta do realismo do que do romantismo, talvez um signo de terra me caísse bem para tirar essa cabeça das nuvens, apesar de gostar de ser tão ufanista assim. Sou aquela romântica clichê, que por mais que viva de forma moderna, livre, consciente e empoderada, sempre sonha com amores extraordinários. Não acredito que preciso de um homem para ser feliz, nem mesmo para viver a vida, mas adoro viver aquela sensação das borboletas na barriga de quando me interesso por alguém. 

Sofro de uma característica muito curiosa no mundo contemporâneo: um romantismo – não idealizado – incurável. Da mesma forma que amo sonhar coisas grandes pro meu trabalho, futuro e férias, adoro sonhar com grandes aventuras. Se você me contar a história de uma pessoa que cruzou o mundo pra encontrar a outra por saudade, verá meus olhos brilharem. Se me falar de um ser humano que faz do aniversário do outro um dia mágico, me verá suspirar. Se compartilhar comigo um caso de pessoas que venceram batalhas por amor, provavelmente verá meus olhos encherem d’água. Acredito em amores “impossíveis” quando falamos de pessoas que realizam, que não se abatem com medos e crenças pré estabelecidas, admiro seres pró ativos quando o assunto é o coração, sou fã de pessoas corajosas quando o assunto é se entregar ao sentir. Sempre admirei pessoas que fazem e acontecem por um sentimento tão simples e complexo como o AMOR.

Provei meu ponto? Ótimo, mas tudo isso precisa ser genuíno. Um encontro de almas e não só um “match” de sonhos ou planos. O momento de vida pode ajudar, mas no meu romantismo incurável ele não deve ser o pré determinante. Os desdobramentos de um amor são as consequências dele, não as causas pelas quais eu quero começar algo. 

Talvez minha crença de amores grandes venha do fato de que sei que não existem relacionamentos fáceis. Viver a dois no longo prazo demanda tantas adaptações das duas partes que é preciso que a base seja forte, para aguentar firme todo o vento que virá. É preciso que seja verdadeiro para que sempre haja razão para se re-apaixonar. Para que não se desista fácil. Acredito que a admiração é um combustível vitalício, que assim como o sexo podemos perder pelo caminho, mas precisamos resgatar para haver forças para continuar. Amar de verdade no longo prazo demanda de ambas as partes apostas que nunca pensamos, renúncias que nunca consideramos. 

É preciso se amar inteiro para amar o outro de uma forma saudável, mas é preciso amar o outro pra seguir tentando e não ficar pelo caminho. O amor pelo outro é a chave de entrada num relacionamento, mas as vezes o amor próprio precisa ser a chave de saída. Por isso o amor é incrível quando contempla tudo junto, sem metades.

Quando falo da minha forma de enxergar o amor assusto algumas pessoas, mas sempre brinco que eu conheço à fundo alguns casais que me levam a crer que até na maior dificuldade você pode escolher de novo aquela relação. Essa luta e batalha pode levar as pessoas a construírem sonhos lindos, juntos e equilibrados. Com realizações para ambas as partes, afinal todo ser humano precisa de alguma forma se realizar como indivíduo, ainda que nas demandas mais simples.

foto: Gabriela Isaias

Durante esses 30 anos eu posso dizer que passei por poucos amores, algumas paixões e várias temporadas de interesse intenso que não podem ser qualificadas como nenhuma das opções anteriores. Vivi fases com o maior mel do mundo, fases com o maior recolhimento, experimentei, troquei, testei de novo, voltei, me recolhi e no fim, sendo bem cafona posso corroborar aquela máxima: o importante é que emoções eu vivi.

Para o meu coração libriano e minha cabeça nas nuvens não posso negar que ter vivido tantas emoções possibilitou um coração poeta. Graças a DEUS não “Byronista”, porque não associo amor à angústia. Acho que pode existir sofrimento em amar, mas não acredito nisso como espinha dorsal do SENTIR o AMOR. Porque enxergo o AMOR como uma construção diária, o peso que essa construção terá dependerá muito dos protagonistas de cada história.

Acho que minhas histórias de amor, desamor, paixões recíprocas ou platônicas dariam crônicas engraçadas, com quase nenhuma dose de perfeição ou pitada de obviedade, mas mesmo assim eu me orgulho delas. Todas as páginas da minha história constroem o enredo da minha vida e mesmo perdendo a fé na humanidade algumas vezes, volto a acreditar no amor quando analiso o todo.

Só que hoje acredito em todo tipo de amor.

É curioso como realizei muitos sonhos que eu tinha para viver com UM GRANDE AMOR com outros amores, tão grandes quanto. Na hora, talvez não tenha entendido de forma clara. Fui à Capri numa viagem linda com a minha mãe, tudo que eu sempre tinha sonhado de viver a dois coube naquela experiência totalmente inesperada com ela. Fiz trilhas e viagens com amigos queridos, fui meditar tendo as conversas mais incríveis com meu melhor amigo. Vivi a sensação da outra pessoa querer realizar todas as minhas vontades nas minhas cidades preferidas do mundo no dia do meu aniversário (e duas vezes!), só que isso não partiu de um cara, partiu da Carla. Vi o show do meu cantor favorito com a Carol, que comprou os ingressos e me fez a melhor surpresa. Vivi experiências mágicas em hotéis fantásticos com tanta gente que amo. Ganhei experiências de presente, inesperadas e de tanta gente que gosta de mim.

Vou embarcar para a realização de um sonho antigo em agosto com uma das minhas pessoas preferidas (beijo, Cony). Viverei experiências mágicas e cheias de amor ao longo da minha vida, mas serão variados os tipos de amor. Hoje vejo que realizei tantos sonhos com tantos amores diferentes, que não posso esperar nada menos mágico de amores que virão, de quaisquer que sejam as naturezas. E não, não falo de feitos que o dinheiro compra, falo de sentimentos e sensações que só o coração dá, de graça.

foto : Gabriela Isaias

O amor não tá necessariamente no óbvio, o amor está em todas as coisas.

E se um dia vier um grande amor de dois, que seja assim, de verdade. Como foram e são esses que me cercam, me preenchem e me fazem crer que a vida sempre será sempre assim, colorida. Seja sozinha no restaurante preferido numa esquina de Paris ou na festa junina com um casal de amigos que sempre me leva pra sair e rir.

Que essa chuva de fotos e legendas preenchidas de amor na minha linha do tempo das redes sociais inspire a todos que existe muito valor em amar de verdade, qualquer tipo de amor.

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3 em Autoestima/ Destaque/ Relacionamento no dia 19.05.2017

Não é sobre ele, é sobre você

Essa é a frase que não saiu da minha cabeça nas últimas 24 horas depois de ter passado o final de semana angustiada por conta de um carinha novo. Poderia ser um clichê da pessoa que não quer ou tem medo de se entregar ou se envolver, essas coisas que todo mundo sempre me conta e que eu mesma já vivi algumas vezes.

No entanto esse texto não é sobre ele, nem mesmo sobre o quanto ele deu uma mexida nas minhas vontades e sensações. Esse texto é sobre mim e minha dificuldade de enxergar as coisas de uma forma mais objetiva. Por mais que eu fuja, sempre acabo criando expectativas sobre ser a prioridade do cara.

É gostoso quando “calhamos” de nos interessar pela pessoa que também se interessa pela gente, né? Sentir que você é prioridade durante esse processo de se conhecer, ainda que a gente viva nesse mundo de múltiplos matches, é bem bom. Priorizar conhecer alguém em 2017 não é algo tão rotineiro. Quanto mais histórias eu ouço, mais parece que prioridade é algo que ninguém quer dar. Não sei, parece que ela dá direito a um risco de se envolver ou qualquer coisa do tipo.

Como eu disse, esse texto não é sobre ele. O tal cara não fez nada demais, muito pelo contrário. Parece que jogou limpo e o momento é que pareceu não estar propício, mas mesmo assim eu fiquei me sentindo boba de ter tido vontade de priorizar alguém de novo depois de 7 meses fechada para balanço. Nesse caso, a “culpa” foi minha, das minhas expectativas e do peso que eu dei a tudo isso. Logo eu, que adoro falar em leveza. 

Em seguida o sentimento de frustração deu lugar a uma angústia. Porque por mais que eu seja intensa e atualmente bem seletiva, eu não quero me tornar aquela pessoa refém de expectativas românticas e nem mesmo quero que cada tentativa de conhecer melhor um cara legal se transforme numa grande reflexão sobre a existência humana na terra.

As circunstâncias podem não ser boas, o momento pode ser delicado ou mesmo a outra pessoa pode não estar tão afim e isso não precisa se transformar em uma sensação ruim e totalmente irracional dentro do peito. No entanto, o que posso fazer? Aconteceu e agora estou tentando tirar disso um aprendizado.

No fim, me pego no paradoxo possível de acolher a sensação enquanto ela acontece ou querer mudar isso em mim no longo prazo. Intensa eu sempre serei, mas desejo um dia aprender a criar menos expectativas mesmo quando tudo conspira para o maior interesse. Conhecer alguém fica mais gostoso quando consigo ser leve. Achei que estava pronta pra isso novamente, mas talvez esteja enganada.

Expectativas podem ser nocivas até mesmo para uma relação de curto prazo. Acho legal pensar em aprender a dosar tudo isso. Um encontro esperado que cai por terra, um desencontro ou um desejo – meio sem sentido – de querer ficar junto com alguém que não pode ou não quer, pode ser conduzido com mais tranquilidade.

Seria fácil generalizar o cara, colocar a culpa nele e dizer que nenhum cara presta, mas não seria justo nesse caso. Não posso culpar o outro por causa da frustração das minhas expectativas. Elas são minhas, só minhas. 

Nessa hora me lembro da forma como enxergo o universo e da entrega diária que faço dos meus planos e vontades ao meu poder superior e assim consigo acalmar um pouco esse meu coração. Eu dou o meu melhor, mas peço para que só o que realmente tem algum aprendizado, alegria e/ou significado tenha força pra acontecer. Se a gente pede, precisa saber lidar com as consequências. 

Particularmente eu gosto de trazer as frustrações para a consciência. Pra mim é uma ótima forma de enxergar que, no fim, eu também tenho medo das consequências de me entregar. Sentir é maravilhoso, mas quando a gente se abre pra isso, tudo pode acontecer. Da alegria à frustração, tudo faz parte. Prefiro me arriscar e sentir a me trancar dentro de mim, e nessa hora me abro para as consequências disso.

Se aos 28 eu me joguei de corpo e alma para as novas aventuras, aos 30 acho que tenho preferido me recolher, no entanto não quero transformar isso numa máscara ou escudo que vai me transformar numa dessas pessoas que não consegue se envolver. Talvez essa versão mais seletiva seja mesmo uma forma de se arriscar com equipamentos de segurança.

O melhor que posso fazer é trazer meus padrões de comportamento para a consciência e me lembrar que o que tiver que ser vai ser, o que não for, que seja aprendizado, diversão e colorido no caminho das nossas páginas pretas e brancas.

No fim, posso até ter ficado frustrada com essa minha mania de criar expectativa antes da hora, ou até mesmo me afligido por ter demonstrado interesse e prioridade. No entanto é aquela – velha – história do quase. “Embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu “. Assim sendo, eu prefiro sentir dor por correr riscos, do que por não tentar.

Enquanto isso sigo sozinha, com minha bagagem, equilibrando meus pratinhos escolhendo quando me abrir e quando me recolher. Buscando um equilíbrio entre me envolver, me interessar e priorizar, sem me tornar refém das minhas próprias expectativas.

Sem medo de viver, ainda que reticente em arriscar demais. 

2 em Autoestima/ Convidadas/ Relacionamento no dia 03.05.2017

Não é questão de fraqueza, ou exagero

No dia 11 de abril, rolou um movimento nas redes sociais para falar sobre relacionamentos abusivos. A hashtag #EuViviUmRelacionamentoAbusivo esteve no facebook e no twitter, com relatos de mulheres das quais talvez você nunca tenha ouvido falar, mas provavelmente se identificou por conta da situação compartilhada. Aconteceu comigo. E, como em todas as outras vezes que algo assim surgiu, eu me encolhi e fingi que não fazia parte desse grupo.

ilustração: Harriet Lee-Merrion

Fingi porque escutei minha vida inteira que, como sou toda emoções e sentimentos, geralmente estou aumentando as coisas. Se todo mundo fala, deve ser verdade —abraço isso de um jeito que, em toda situação que vivo, perco um tempo tentando entender se estou aumentando ou se estou apenas sendo realista. Às vezes, essa linha fica meio turva e não consigo, sozinha, distinguir o que é o que.

Fingi que não fazia parte desse grupo porque nunca me deram um tapa ou um soco, nunca deixaram roxos. Já levantaram a mão para mim, sim, no meio de uma discussão acalorada — mas o tapa nunca veio, então não tem problema, não é? Vai ver a mão levantada foi só um reflexo, não quis dizer nada. Vai ver todas as coisas que ele me falou ao longo do tempo que passamos juntos foi uma brincadeira, no máximo estresse por causa do calor do momento. Vai ver estou tornando enorme uma coisa que é pequena. Vai ver é hora de parar.

Mas antes de deixar o assunto de lado mais uma vez, lembrei que uma vez escrevi sobre isso em um grupo de acolhimento feminino. Procurei o grupo, a minha mensagem e reli. Ela foi escrita em 2015, dois anos depois do término. Esperava encontrar frases que comprovassem que nunca tinha sido nada demais, que não foi isso que eu vivi. O que encontrei foi:

“Tava sobrecarregada em um zilhão de aspectos. Ele era um baita aspecto. No tempo que passamos juntos publiquei um livro, tive alguns sucessos profissionais, mas sabe quando nunca é ‘o momento certo’ para a outra pessoa? Uma amiga escritora me aconselhou a aceitar os leitores, para ser simpática e vender, e eu precisei ouvir dele: ‘aceita, espero que seja estuprada por um deles.’, porque ele considerava errado eu estar aceitando leitor no facebook. Chegou um momento que parecia que eu tinha que pedir aprovação dele (não ‘oi, posso fazer isso?’ mas pelo menos ser obrigada a comentar ‘oi, vou fazer isso’ porque se ele falasse ‘não’ era ‘não’ e pronto, era briga.). Em toda briga – toda – eu estava errada.”

E percebi que não aumentei nada. Admiti para mim mesma que todas as vezes que fui para a cama sem querer ir – porque senão eu ouvia que ele teria que achar isso em outra – deixou uma marca. Que todas as vezes que ele falava que eu tinha que ficar com ele, porque ninguém mais no mundo me aturaria, me fizeram crer que isso era real — e quantas, quantas vezes não repeti o discurso dele de que ele tinha mesmo aguentado tanta coisa, então era quase um santo?

Admiti que todas as vezes que o ouvi dizer que, se ele quisesse, ele me trairia e eu jamais ficaria sabendo, me deixou extremamente insegura e desconfiada. Que todas as vezes que ele fazia alguma coisa por mim e depois usava isso como chantagem para eu fazer exatamente o que ele queria, não era uma simples dinâmica de casal. Que ficar me fazendo rodar um shopping o procurando, enquanto ele ria e fazia piada de mim nas redes sociais, falando o quanto era bom apreciar a vingança, não era apenas justiça porque eu demorava para me arrumar.

Admiti que, todas as vezes que ele fingiu que ia pular do 11º andar da faculdade e me deixava tão tensa a ponto de ficar sentada no corredor com um medo surreal que não me permitia sequer me mover, não era uma brincadeira. Admiti que ter me afastado de todos os meus amigos para evitar confusão não foi normal. Assim como não era normal ouvir constantemente que meu peso determinava o quão bonita, desejável ou valorizada eu era ou deveria ser.

Admiti que não fui perfeita com ele e que isso nunca foi justificativa para tudo que ele fez, falou e como me fez sentir menor e desimportante. Que não é normal terminar um relacionamento e se sentir culpada, com nojo de si mesma. Nojo que durou anos.

“O problema é que, depois de tanto desgaste, não consigo confiar em ninguém. Em nenhum homem. Desde 2013, não namoro, não fico, não faço nada. Tenho vontade, mas sabe desespero? Desespero MESMO. Então, eu entro em desespero e desmarco todo e qualquer encontro. […] Só fico me sentindo ridícula. Sempre me pareceu que era meu exagero.”

E admitir tudo isso foi difícil, porque continuo minimizando tudo que aconteceu. Mas também foi o passo que faltava para eu finalmente deixar tudo isso no passado. Foi o ponto final, que eu sequer sabia que precisava, para entender que nada disso me faz mais fraca ou menor, como me falaram uma vez: “você não é quem eu achava que era. Não achei que você fosse o tipo de mulher que aceita esse tipo de relacionamento”.

Pedir ajuda faz parte. Ter isso na história não é vergonhoso. Mas é garantia de que dá para sair dessa e, com o tempo, com ajuda, reaprender a confiar — em si mesma, no outro. Reaprender a se entregar. E, eventualmente, quando você se sentir pronta, apostar as fichas em alguém que valha a pena.