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reflexões

0 em Looks/ Moda no dia 17.08.2018

Hoje o meu look do dia não é mais um catálogo, ele é sobre a liberdade de expressão através da moda.

Vim mostrar pra vocês um look que eu “inventei” em uma fração de segundos, tirei a camiseta que eu estava usando e pronto, coloquei o cropped e desci.

Bom, para ser honesta, a história desse cropped começou 3 dias antes da festa de “Ame sua Natureza“, no fim de semana do papo sobre autoestima. Dia 1 pela manhã, Maraisa chegou na minha casa e na sua mala veio nossos looks da festa. Mal dei bom dia para Mara e já sai pulando pra ela tirar da mala a roupa da festa, eu queria mais do que tudo experimentar e ver como iria me sentir naquela produção que eu e Carla pensamos com tanto carinho e a Adriana Meira executou.

Bom, como eu não me medi certo, o pior aconteceu e enquanto a saia do look ficou maravilhosa, a blusa não vestiu tão bem. Na prática não foi um problema, porque olhando tudo junto, concluí que ficou com mais informação do que eu gostaria, sabe? Me caiu a ficha que na verdade eu queria usar uma parte de cima lisa, não estampada. Pronto, nesse dia eu precisei criar forças para enfrentar um shopping durante a noite com a missão de encontrar um cropped pra mim. O que não seria um problema se as lojas tivessem mais variedades de peças do meu tamanho, mas como nem sempre tem, eu sabia que seria chatinho mesmo. Comprei um cropped vermelho primeiro, mas ainda não era bem isso. Comprei uma blusa preta na Zara depois, mas não era o que eu queria para a ocasião e, por fim, comprei dois cropped pretos diferentes que resolveram minha produção. Eu sabia que um dos dois atenderia prontamente meu look, dito e feito. No dia 04 eu entrei na festa com um dos modelos que achei na Renner, e o outro? Bom, eu veria o que faria com o outro depois.

Eu achei que esse “depois” iria demorar a chegar, no entanto, não foi assim que aconteceu. No dia seguinte, na hora de me arrumar pra o bate papo que fizemos no domingo, eu simplesmente estava abrindo a porta do quarto quando olhei o tempo lá fora e falei: “Opa! Posso mudar esse look aqui e ousar mais um pouco. Tirei minha T-shirt que tinha uma frase estampada sobre ser você mesma e de fato fui eu mesma, coloquei meu cropped novo e desci.

Não tive nem tempo para os antigos pensamentos viciados, não tive tempo para pensar em como eu pensaria no passado ou questionar julgamentos. Não sei se fui eu que sigo me transformando e amadurecendo ou se o ambiente de leitoras do papo sobre autoestima me deixou confiante. Atrasada eu só fui, de cabelo molhado, maquiagem improvisada e pronto, a barriga super de fora.

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Blazer e calça Zara | cropped Renner | sandália Cavage

O look não arrancou elogios, afinal, tinha tanta coisa incrível acontecendo que o look de fato era muito pouco importante. O look não arrancou olhares tortos ou julgamentos, era só uma roupa, roupa essa que eu estava vestindo com prazer.

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Dividi o sofá com Camilla Estima e Daiana Garbin, falamos de muitos dos assuntos que debatemos aqui no blog e foi sensacional viver essa experiência com as leitoras. Me empolguei tanto que esqueci de fotografar o look, que cuidadosamente eu repeti para fazer as fotos desse post.

Por que? Bom, porque eu senti que seria um grito de liberdade pessoal postar ele tanto no blog quanto no insta, então deixarei com vocês as palavras que usei no insta do futilidades para falar dele:

De repente a moda não é mais sobre o que eu devo ou não devo usar, de repente a moda é sobre como eu quero me expressar. De repente, não mais que de repente, a moda deixa de ser sobre me limitar. Posso e devo usar o que quiser para me comunicar, minha imagem pode falar sobre quem sou, alguém mais segura do que antes, num processo de transformação, que quer poder usar a moda como ferramenta de comunicação. Meu estilo deveria poder se lapidar com muita liberdade de expressão. Falo “deveria” porque na prática está longe de ser simples encontrar roupa que veste bem quando você é grande demais para as lojas tradicionais e menor do que deveria para as lojas plus size. O limbo do 44/46 ainda é mito pra muitas empresas, o que é curioso em tempos de tantas marcas falindo na moda e ao mesmo tempo tantas mulheres usando esses números! Então enquanto não dá pra escolher muito a gente dá nosso melhor casando todas as peças que temos de diferentes formas! Aproveitei a presença da fotografa @adrianacarolinafotografia no Rio para fazer um shooting, tudo de barriga de fora, uma conquista pessoal minha, que sempre achei que nunca era suficiente pra isso!

Essa minha conquista está até chata de tanto que o mundo olha pra minha barriga hoje, mas honestamente? Foram 28 anos dizendo que esse corpo não era digno de usar o que quisesse, ousar o quanto quisesse. Vivi um processo de adoecer esse corpo dos 11 aos 28 anos de idade, acho que é mais do que normal estar caminhando para os meus 32 gozando de uma liberdade que jamais pensei que teria, então sim, vamos continuar com esses posts onde um look do dia não é mais um catálogo, ele é sobre a liberdade de expressão através da moda.

Beijos

fotos: Adriana Carolina 
3 em Autoconhecimento/ Mayara Oksman no dia 13.08.2018

O medo do novo!

Dona Joana bem sabe como eu atrasei a entrega desse texto. Eu sabia sobre o que eu queria falar, mas colocar em palavras deixa tudo sempre tão mais real que estava enrolando, enrolando, enrolando…

Pois bem, antes de efetivamente falar sobre meus medos iniciais (sim, vou falar de alguns deles), deixa eu explicar o status atual das coisas para ninguém se perder: vim com a minha mãe para a Itália para darmos entrada nos papéis da cidadania e depois disso combinamos de viajar por alguns lugares, terminando em Torino onde efetivamente está parte da nossa famiglia italiana. Quem me acompanha no Instagram viu que fizemos bastante coisa nos últimos 15 dias, curtindo muito praias maravilhosas e cidades maiores, lindas e apaixonantes como Firenze e Milano.

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Essas são as férias que eu não tirava há mais de um ano e meio. E por isso decidi curtir muito, comer muito, sentir tudo intensamente. Acho que isso eu fiz muito bem, aliás. Meu coração está batendo com mais energia e minha alma (meu mar, como gosto de chamar) está sorridente. Não deixei minha ansiedade bater, não pensei muito no que viria a seguir e fiz questão de deixar as coisas seguirem seu curso natural.

Ontem eu e minha mãe chegamos em Torino e isso significa que minhas férias e meu último laço com o que eu entendo como “segurança” estão chegando ao fim. Eu acho que sempre me virei muito bem na minha vida em geral, mas mesmo assim, ter a mãe do lado é ter parte de casa com você. E essa parte está indo embora.

E ta aí um dos desafios: o início do que eu chamo voar sozinha, andar de bike sem rodinha, se virar nos 30. Ou seja, vai começar o que eu efetivamente vim fazer na Europa: tentar recomeçar, arranjar um trabalho, aprender outra língua, longe de casa, longe da minha família, do Oscar e dos meus amigos.

Agora minha ficha caiu que eu pedi demissão mesmo. Que eu não vou pegar um avião, voltar para São Paulo e para o escritório. Que eu não vou recomeçar aquela rotina que eu tinha. Que de sábado não vou até a Vila Madalena fazer a unha com uma amiga. Que marcar um jantar com as meninas vai ser simplesmente impossível, assim como um “vamos lá na Zara rapidinho” e um “topa fazer nada junto”. Que eu não vou com o meu cachorro no Starbucks no domingo de manhã e que minha funça de tia vai ser exercida por Facetime e Whatsapp. Que a vida de todo mundo vai continuar lá em São Paulo enquanto a minha sabe-se lá o que vai ser e onde vai ser.

Entendam: eu já tinha pensado em tudo isso quando tomei minha decisão. Eu anotei tudo isso num caderninho, foi tudo muito consciente. Mas agora saiu do papel, é real, é palpável. Não ta chegando. Ta aqui, é agora. E isso, meus queridos, dá medo. Medo de não conseguir, medo de ter algum problema e não saber como resolver, medo de ninguém me ajudar se eu precisar, medo que alguém morra enquanto eu estiver longe, medo que meus amigos se afastem, medo que meus amigos me esqueçam, medo que meu cachorro me esqueça… medo, medos, de todos os tipos.

Racionalmente eu sei que está tudo bem e que vai ficar tudo bem. Que se alguém morrer, ia morrer comigo aqui ou em São Paulo. Que se meus amigos se afastarem, eu vou atrás deles para conversar. Que se eu tiver problemas, eu vou dar um jeito de resolver. Que se der tudo errado, eu simplesmente volto para o Brasil. Que tudo que é novo e desconhecido, assusta mesmo. Que ter medo é normal nessas horas.

Mas a gente não consegue ser 100% racional. É fácil falar e escrever, mas vai ser difícil na prática. E tudo bem, vamos seguindo em frente mesmo sendo difícil e enfrentando os medos dia após dia. E lidando com os problemas quando eles aparecerem e se aparecerem não é mesmo? Acho que vai ter que ser dessa forma. Segurando a ansiedade e indo com medo mesmo. Aliás, espero que vocês não tenham cansado da Mayara indo com medo mesmo, porque tenho a sensação de que esse meu lema é real oficial para 2018 e para sempre.

3 em Autoestima/ Relacionamento no dia 09.08.2018

O medo de ser só!

Esse texto não deveria existir em 2018. Mas ele existe, e espero que seja uma gota em um oceano de informação que nos ajuda todos os dias a sermos pessoas melhores. A gente precisa parar de ter medo de ser sozinha.

Em um mundo onde existem métodos contraceptivos pra nos dar a liberdade de escolha se queremos ou não ter filhos, onde as mulheres estão a cada momento brigando pela sua independência financeira, seu lugar ao sol profissionalmente, sendo donas de seus corpos e vontades, muitas ainda acreditam que dependem do outro para ser felizes e caem na armadilha do “ruim com ele/a, pior sem ele/a”.

Muita gente ainda acha que não tem valor se não é amada e admirada romanticamente. Se não é objeto de interesse do outro. Muita gente se encanta com a ideia de ter alguém encantado por elas e, somado à alguma pressão externa (que ainda existe e ainda nos faz crer que precisamos de alguém ao nosso lado), algumas vezes acabamos caindo em relacionamentos em que nos contentamos com pouco (ou quase nada) apenas por medo de ficarmos sozinhas.

Todo mundo conhece alguém ou já se viu em uma situação onde a intensidade do comprometimento é diferente da outra parte, onde se sentia sozinha mesmo acompanhada, onde o/a parceiro/a te deixa em segundo plano, ou mesmo em segunda opção, no caso de se envolver com gente comprometida. E em nome do “ruim com ele/a, pior sem ele/a” vão se criando desculpas conformistas de “ah, depois que passa a paixão é assim mesmo”, “a convivência tem dessas coisas” e acham normal que seja assim. E conversam com outras pessoas e ouvem a mesma coisa, pra achar que é normal mesmo que seja dessa maneira. E em níveis piores, começam a duvidar de casais onde os dois vivem bem, parecem igualmente entregues a um mesmo sentimento de parceria e pensam “Duvido que sejam felizes assim mesmo”.

Pois trago notícias para vocês: se o seu relacionamento não está num nível “bom demais para ser verdade”, tem grandes chances de ele não ser suficiente. E por “bom demais para ser verdade” não falo de noites seguidas ardentes de sexo até o amanhecer toda semana, jantares românticos em restaurantes da moda, mil presentes e viagens incríveis a todo tempo. Isso é muito bom mesmo, pode (e deve) rolar na medida das possibilidades de cada um, mas o “bom demais pra ser verdade” mora nas coisas comuns do dia a dia. Na divisão de tarefas em casa, no comprometimento pelos mesmos objetivos, pelo apoio e suporte um do outro, por dar risada de situações comuns e ver romantismo também na pipoca e Netflix quando a grana está curta.

Se não for pra somar assim, nem se envolva. Não tenha medo de ficar sozinha. Use esse período para se descobrir como sua melhor companhia, ou até mesmo para se descobrir. Saber do que você realmente gosta, ampliar a sua visão do mundo, fazer coisas diferentes, conhecer pessoas diferentes (não necessariamente para se envolver romanticamente), sair da nossa bolha e ver que o mundo e bem maior e que somos sim, suficientes para nós mesmas. Pouco importa se aquela sua tia te acha uma “coitada” que não casou ou não namora ou que desfez uma união onde você não estava feliz. Analise comigo: seria mesmo você a “coitada” por estar indo atrás do que te faz feliz ou quem pensa que só somos felizes com alguém?

Não coloque em ninguém o controle e o peso da sua felicidade. Só você é capaz de se fazer feliz e realizada e isso é maravilhoso, já que depende única e exclusivamente de você! Só quando nos percebemos inteiras é que sabemos que merecemos mais da vida e das pessoas e finalmente estaremos prontas para encontrarmos alguém com quem dividir a vida, se assim quisermos.