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reflexões

6 em Autoconhecimento no dia 10.04.2017

Eu e as expectativas da minha mãe.

De vez em quando num acesso de fofura minha mãe me diz que o dia em que eu nasci foi um dos dias mais felizes da vida dela. Ela queria muito me ter, então eu imagino que tenha sido mágico mesmo, não acho que tenha que ser mágico pra toda mulher, mas pra ela que tinha esse sonho foi. Ela vendeu o vestido de noiva para colocar um papel de parede fofo no meu quartinho na pequena cobertura no início da rua onde meus pais iniciaram a vida deles. Era um apartamento bem pequeno mesmo, mas o espaço externo fazia valer a pena. Era o lugar onde tinha festa, farra e churrasco, que em algum momento deu espaço para a piscina de plástico para duas primas tomarem sol, deu lugar a velocípedes e outros brinquedos, brinquedos de todo tipo. 

Minha mãe se tornou uma mulher dos clássicos, do tradicionalismo, mas ao que tudo indica ela não era não, nunca vou saber o quanto de tudo isso é genuinamente dela ou do meio em que ela foi criada, mas fato é que ela me criou de uma forma diferente, mais bacana, mas de uns tempos pra cá preciso ajustar expectativas e entender que escolhas diferentes geram resultados diferentes.

Ela precisou enxergar que sonhar com um casamento lindo, com uma super festa, crianças e um lindo apartamento pra mim era uma projeção das expectativas dela, não dos meus sonhos. Acho que para o meu pai a ficha caiu melhor, pra minha mãe demorou um pouco, hoje acho que estamos todos na mesma página.

A verdade é que acredito que conscientemente ela me criou para ser independente, pra viajar sozinha, enfrentar o mundo, me expressar através das artes e viver de forma livre. Ela nunca dependeu do meu pai pra dirigir, viajar ou se aventurar em algo. Minha referência é de uma mulher independente emocionalmente. Ela sempre foi proativa, nunca precisou de homem pra trocar uma lâmpada ou para levar o carro no mecânico, aliás, na minha casa isso é coisa de mulher. Na cozinha sempre vi meu pai. Minha mãe? Quase nunca. Eu fazia judô e brincava de barbie. Eu tinha um time de botão, um saco de bolinha de gude e cuidava dos animais da fazenda. Se era soldadinho ou boneca não fazia diferença, eu brincava de tudo. Olhando bem, eu nunca fui um clichê. Minha maior preocupação da infância era a saúde do meu pastor alemão. Eu tinha que cuidar dele, essa era a maior preocupação, o motivo pelo qual eu ia na igreja rezar na hora do recreio.

Ela me criou para eu ser o que eu quisesse, o que teoricamente é lindo, no entanto na hora que eu comecei a não querer o óbvio ela se assustou um pouco. Fosse aos 15 anos, quando tivemos o embate com a história da festa (esse assunto vale um post dedicado). Meu pai deu defeito na hora do meu vestibular, moda não era profissão, minha mãe tentou, mas não conseguiu me ajudar nessa questão. Depois, aos 21 eu resolvi fazer um mochilão pela Europa, sozinha, encontrando outras mulheres. Na hora ele disse não, ela brigou com ele e me ajudou a organizar tudo, até que ele se rendeu e apoiou o projeto também. Foi um ano juntando cada centavo que eu podia pra provar o ponto de que se eu queria, eu iria fazer acontecer. Eles me ajudaram em cima do que eu consegui fazer.

Olhando isso tudo eu acho que minha mãe sempre se dividiu entre o tradicionalismo dela e meu lado não convencional, eu sempre tive prioridades tão diferentes do tido como “comum”. Acho que ser blogueira chocou a todo mundo, menos a minha mãe. A única coisa que deixou minha mãe muito desconfortável foi quando eu contei pra ela que eu não mais tinha a mesma religião que a família.

Acho que não foi fácil quando caiu a ficha de que a minha vida seria diferente da que ela sonhou pra mim. Até ela começar a entender de verdade que não adiantava ter pra mim as expectativas de um casamento de cinema, com um casal de filhos e uma linda vida pacata, com um trabalho de bater cartão e uma rotina calma. Ela me criou pra ser o que eu quisesse, eu não queria isso. Eu tentei me convencer de que queria, mas na verdade era só uma tentativa infeliz de pertencer, de me adequar as expectativas.

Meus pais são casados há mais de 30 anos, mesmo com altos e baixos como todo mundo eles tem uma parceria muito bacana. Fazem muitas coisas juntos e claramente se escolhem de novo e de novo, sempre. A referência da minha mãe, que é meio romântica, é essa, mas hoje ela já não sonha com os caminhos socialmente incentivados pra mim. Hoje ela só me diz que deseja que eu encontre alguém para envelhecer junto. 

Pra quem sonhava com um casamento de princesa, um trabalho estável e seguro, um casal de filhos e uma casa própria pra filha acho que caminhamos a passos largos! rs Um dia, na hora certa, pode ser muito bacana conhecer alguém. Não pra casar de branco na igreja, não pra ter filhos ou fazer uma grande festa. Essas coisas são consequências de um grande encontro e não razão por si só.

Hoje eu me sinto livre, não sinto mais que preciso viver a dois por uma convenção social, não quero procurar o encaixe de “futuro marido” em cada cara que cruzar meu caminho. Eu amo flertar, ter encontros engraçados e me apaixonar é possivelmente uma das coisas que mais gosto de fazer. Prefiro levar a vida dessa forma até que algum grande encontro aconteça e se ele não acontecer, tudo bem, vou continuar me divertindo, saindo com pessoas diferentes e aprendendo coisas que jamais pensei que seriam possíveis.

Acredito verdadeiramente que eu só sou eu mesma porque minha mãe me criou para ser o que eu quisesse. Sem preconceitos, sem conceitos muito duros pré estabelecidos. Eu nunca quis as mesmas coisas que as minhas amigas, nem nos cursos extracurriculares do colégio, nem nas matérias eletivas da faculdade. Nem na religião da família, nem no processo de autoconhecimento. Sempre fui de um jeito muito próprio e em parte só descobri tudo isso porque ela me apoiou. A consequência dela ter me apoiado foi eu ser uma buscadora metida a diferentona, em algum momento isso pode ter frustrado suas expectativas, hoje acho que é motivo de orgulho.

8 em Relacionamento no dia 06.04.2017

Eu só descobri depois que ele tinha namorada…

Tem mais de ano que vivi uma história muito louca, nada digna da minha vida de mulher adulta soleira. No entanto não contei aqui no blog por duas razões: vergonha de falar no assunto (ainda que eu não tenha tido culpa direta) e porque eu estava no final de uma história – romântica – que foi muito importante pra mim e não queria que o cara que eu gostava se sentisse mal. Assim sendo, uma boa pauta ficou escondida lá no fundo da minha gaveta de pautas que eu pensei que nunca teria coragem de postar. 

Para um breve contexto: eu estava há quase 5 meses num relacionamento confuso, sem nome e não monogâmico. A gente se gostava muito, mas por razões que não sei bem explicar simplesmente não deu certo, pra ambos.

Então emocionalmente eu estava numa fase difícil, minha autoestima não ia bem com o começo do fim daquele relacionamento e eu estava tentando terminar um trabalho que me atormentava há meses. Havia sido uma semana difícil e para minha sorte ela iria fechar com chave de ouro, no aniversário de uma amiga. Ia ser uma festa cheia de gente bacana e eu estava muito ansiosa, até mesmo pra me forçar a parar de me sentir frustrada por insistir em algo que não estava mais dando tão certo.

Foi nessa situação que cai na velha história de “pegar o cara que tem namorada sem saber”. Não querendo expor nenhuma das partes, achei que nunca poderia falar sobre isso aqui, mas fato é que mais de um ano depois eu mudei de ideia.

Era uma sexta-feira normal, eu tinha terminado esse trabalho de meses e estava cansada, só queria me divertir. Fiz uma maquiagem linda, coloquei uma saia que nunca tinha usado e saí, pronta pra dançar a noite inteira. Cheia de amigas, amigos e boas companhias. Sabe aquele dia que você sai de casa tão feliz e segura que todo mundo olha pra você? Mesmo tendo uma semana com a autoestima no pé, consegui recarregar as energias e eu diria que esse foi o dia em que eu comprovei para mim mesma que dá pra trabalhar o borogodó. Nunca vivi um mel igual ao desse dia, nem antes, nem depois. Vinha de dentro e reverberava fora foi a primeira e única noite da minha vida em que eu me senti a menina mais incrível, linda e desejada da balada.

Como eu estava com muita gente foi fácil me divertir, mas ao longo da noite, entre um ou outro desconhecido que vinha chegando perto eu notei que um amigo de um amiga estava sendo extremamente simpático, cheio de gracinhas toda hora. Sabe aquele cara carismático? Então, era ele,  mas eu preferi não levar em conta porque estava tentando não me envolver com ninguém antes de decidir se ia ou não pular fora daquela minha história.

Um tempo depois a amiga aniversariante foi embora, eu fui comprar uma água e lá veio a figura. Na hora fui muito ingênua, não me dei conta que ele só se aproximou – de verdade – quando a gente estava longe dos amigos em comum, mas eu não notei.

Quando o “escondidinho” não é tão romântico assim

 

Deixei ele falar, esse foi “meu erro”. Sabe aquele cara que fala o que você quer ouvir? Brinco que acho que é uma vocação que a pessoa tem de ser “conquistador profissional”. Ele sabe exatamente o que você quer que ele diga, impressionante. Ele não estava focado em dizer que eu estava bonita ou algo simples assim, ele falou coisas tão bacanas do meu jeito, jogou minha autoestima lá no alto e quando eu vi, já estava achando que ele era “super sensível” por ter notado aquilo que eu sabia, mas achava que ninguém ia perceber. Ele percebeu que era a “noite do mel”, ele sacou o que estava rolando e de acordo com ele, dos amigos em comum, ele foi o que teve a coragem de chegar perto.

Pronto, eu resolvi ficar com ele. Foi bacana, divertido e sem margem pra nenhum arrependimento, mas algo estava estranho pra mim. Achei que era por causa da minha história cujo fim ficava mais evidente a cada momento. Eu achei que era “culpa minha” aquela sensação de algo fora do lugar que eu tive.

Na hora não estranhei coisas que depois fizeram todo sentido: Não ficamos escondido, afinal era uma festa, mas ficamos longe do nosso grupo. Em algum momento ele me disse pra não contar pra nossa amiga em comum, nessa hora achei estranho, mas querendo evitar a fadiga eu disse que tudo bem. Fato é que nunca contei pra ela.

Acho no mínimo curioso que eu contei pra ele que eu tinha uma pessoa e que não sabia se ia namorar ou terminar aquela história sem nome, então pra mim tudo era meio confuso naquele momento. Foi legal ficar com ele, mas na hora que cheguei em casa confesso que achei ótimo ele não ter pedido meu telefone. Ia ser uma aventura engraçada pra minha história, fechando com chave de ouro o meu dia do mel (que merece um post só pra isso).

O fim de semana foi rolando e bateu uma intuição de que algo estava bastante errado, pelo menos pra mim. Eu não tinha nenhum motivo prático pra me arrepender de nada, mas algo estava soando pesado e minha intuição me avisando de que algo não estava certo. Uma sensação de arrependimento sem razão.

Joguei um verde, colhi maduro e no fim corri atrás de confirmar. Fato era que o cara tinha uma namorada, que não morava no Rio.

Nunca contei nada pra ninguém envolvido. Quando eu o encontrei de novo numa festa não falei nada. Quando eu soube não tive coragem de contar pra minha amiga, num misto de vergonha, com um sentimento de ter sido enganada. Jamais teria coragem de expor o relacionamento da outra pessoa. Jamais faria nada pra atrapalhar ninguém, mas eu me senti péssima.

Ele nunca me procurou, ainda bem, eu nunca disse nada, mas a verdade é que o sentimento foi BEM BOSTA.

Estou sendo Pollyana de achar que ele devia ter me contado? Que eu devia ter o direito de escolher ou não ser parte disso? Obviamente eu não ficaria com ele, mas poxa, tive a atitude “anti feminista” de pegar o namorado de uma garota sem saber. Me senti invadindo o espaço de alguém que eu não conheço e nem quero conhecer.

Parto do princípio de não fazer com os outros o que não quero que façam comigo. Não deveria ter carência, baixa autoestima ou desejo carnal que mudasse isso. Eu venho dando meu melhor nesse aspecto, mas é muito chato eu ter que me preocupar se o cara que está chegando em mim tem alguém. Mais chato ainda é ele ter alguém e não me contar.

Eu SEI que eu não fiz nada errado com relação a ele, que o relacionamento era só DELE, mas achei muito desagradável descobrir depois que algo desse tipo tinha acontecido comigo. Quero poder ESCOLHER não me envolver, ficar ou dormir com alguém que está num relacionamento monogâmico. Aliás, tenho minhas questões com ficar com pessoas em relacionamento – sério – namoro – casamento aberto também, mas isso é papo pra outro post e essa é outra história pra contar.

4 em Autoconhecimento no dia 30.03.2017

Minha mãe também é uma peça!

Brincadeiras à parte, aquela peça do Paulo Gustavo – Minha mãe é uma peça – poderia ter sido inspirada na minha mãe. Eu sei que na verdade foi fruto vindo da própria experiência dele, mas a coisa é tão forte e verdadeira que virou filme, né? Fato é que muitas mães dariam uma peça de teatro, um filme muito doido, uma novela maluca ou mesmo uma crônica engraçada. 

Toda mãe é única, eu sei, mas a minha é bem figura, bem doida, e volta e meia sou eu que tenho que bancar a mãe dela. Dou bronca, peço pra ela se cuidar ou ter juízo quando ela resolve mudar a parte elétrica da casa, do carro ou consertar a máquina de lavar. Minha mãe faz o maior estilo destemida e quando eu vejo, já está aprontando alguma, fazendo uma arte ou me deixando preocupada.

Engraçado que na rotina eu acho que somos cem por cento diferentes, mas quando eu viajo com ela noto que existem algumas semelhanças na forma de apreciar a arte, o conhecimento, a cultura e a maneira de ver o mundo. Na forma de se divertir, de ser genuinamente feliz em algumas situações e na leveza de aproveitar as oportunidades. O coração meio Pollyana também é compartilhado, o que é curioso, porque não sei se é genuinamente meu ou se ela me ensinou assim.

A gente vai crescendo, mergulha na literatura, na terapia e nos diferentes processos possíveis de autoconhecimento até aquela hora em que: pronto! Precisamos começar a desconstruir a imagem de pai e mãe que carregamos, no consciente e talvez até no inconsciente. Nesse momento algum ponto dói, outro faz chorar e quando a gente nota, está tendo que aprender a amar nossos pais de novo, com um novo olhar, acolhendo suas imperfeições. A figura paterna e materna deixa de ser o que a gente idealizou a vida toda e passa a ser o que realmente é. Começar a nos conhecer e a nos dissociar deles se torna uma necessidade – pelo menos para mim – para crescer. O amor muda, mas não morre. A gente já não se enxerga no reflexo deles, mas não perde a admiração. O sentimento não some, sempre fica o mesmo, ele só muda de lugar e a gente redimensiona o que é de fato verdade para o nosso coração.

Esse processo de desconstruir pai e mãe pra mim é muito desafiador. Meus pais são muito presentes, muito amigos e muito “invasivos”. Assim sendo, mexer na dimensão que eu dou pra eles é muito sensível e delicado pra mim. No entanto é a chave de todo sucesso da mudança da nossa relação, que aos poucos se transforma em algo melhor pra mim – e mais maduro pra todos. Onde cada um sabe seu lugar, coisa que antes se confundia. Se antes eu vivia uma batalha de egos quando dava briga, hoje eu tento mudar o comportamento e não cair e nenhuma das minhas armadilhas do comportamento antigo.

Acho muito curioso que nesse processo de autoconhecimento, eu descobri que as minhas expectativas muitas vezes não têm nada a ver com eles. Inúmeras vezes esperei da minha mãe e do meu pai atitudes que não têm nada a ver com a personalidade deles, com o que eles podem me dar – emocionalmente – e sim comigo, com a imagem que eu criei deles. Idealizada, cheia de referências externas e análises comparativas. Eles só podem ser eles mesmos. Agora eu tenho consciência que dentro das suas próprias referências eles compartilham comigo o melhor que eles têm a oferecer, dentro do seus limites e dentro de quem eles são verdadeiramente. 

Vale pra eles o mesmo que vale pra mim na carreira e no corpo. Não adianta olhar a família do vizinho. Eu não posso esperar atitudes que combinam com os personagens que criei na minha cabeça.

Hoje já me vejo muito diferente da Dona Margô. É como se o meu reflexo no espelho tivesse cada dia menos dela, cada dia menos do meu pai e das projeções que eles fizeram pra mim. No entanto, me enxergo com mais clareza a cada dia. Num processo de desligamento emocional, sem perder nenhum grama de sentimento, mas ajustando e realinhando o lugar das coisas. Seja na influência que uma opinião exerce sobre mim ou um julgamento cheio de referências que não são as minhas. Reajustar a importância e a proporção que dou ao que eles me dizem tem sido um mecanismo que me deixa mais segura de mim a cada dia. Mais segura de quem eu sou. O mais incrível é que no fundo acho que eles também sentem mais orgulho de mim por isso. Por todo esse novo processo interno que eu tento implementar e nem sempre é fácil, porque é preciso de um certo grau de recolhimento pra olhar para as coisas de outra perspectiva.

O que inicialmente pode aparecer que chega para afastar a gente, pode unir ainda mais. Porque ao mesmo tempo que a gente enxerga melhor o que não é bacana, a gente também enxerga melhor que a verdadeira intenção quase sempre é ajudar. É dar o melhor que a pessoa tem a oferecer.

Eu não seria quem eu sou e não me enxergaria como enxergo se minha mãe fosse diferente de quem ela é, se ela não tivesse me trazido até aqui. Tenho plena consciência que sem a criação e o apoio dela, não teria a menor chance de eu ter tanta oportunidade de me mergulhar pra dentro de mim mesma. Então eu só consigo sentir gratidão.

Ela não é a mais perfeita, ela não é a mais carinhosa, ela é ela. E ela ser assim, bem doidinha, me ajudou muito a ser exatamente quem eu sou hoje. Eu sempre fui incentivada a ser quem eu sou, era tudo bem ser diferente, única ou singular. Fico muito feliz quando posso proporcionar alguma coisa que minha mãe gosta. Como o momento dessa foto no MALBA em Buenos Aires.  Sei que com ela uma aventura é sempre o jeito que ela mais gosta de agradecimento. Com museus; restaurantes e cidades incríveis, eu só não vou dizer que sou boa companhia para as compras dela, porque seria mentira.

Acho que muitas mulheres usam a mãe de espelho. Hoje eu tento fazer um uso mais consciente disso tudo. O curioso é que busco essa imagem do reflexo para duas coisas muito distintas: alimentar o melhor que tenho proveniente dela e pra não repetir os padrões de comportamento que não gosto, também dela e que identifico em mim. Porque do mesmo jeito que muita coisa que amo em mim veio dela, muita coisa do meu comportamento que não acho positiva também veio. Essa análise nem sempre é fácil, mas é possível quando olho de outra perspectiva, afinal a vida é uma eterna aprendizagem e uma eterna nova chance de sermos diferentes.

Vou seguindo aprendendo sobre mim, sobre ela, sobre quem eu sou hoje e sobre a melhor versão que eu quero ser no futuro. Mudar dói, mudar padrão de comportamento incomoda a gente – e as vezes ao outro – mas depois que a gente começa a se conhecer, se estudar e a de fato mudar, tudo muda à nossa volta.