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reflexão

0 em Camilla Estima/ Convidadas/ Saúde no dia 13.04.2017

Coitado do chocolate…

Chega a Páscoa e todo ano é a mesma coisa. Uma enorme oferta de chocolates, que nos remete à diversas memórias afetivas e lembranças mas também uma carga emocional que traz pensamentos obsessivos de culpa em comer chocolate e doces em geral, sensação de perda de controle, de incapacidade de controlar seus impulsos, de que a qualquer momento você pode desembestar em comer todo o chocolate do mundo.

Como adoro o exercício, vamos desconstruir isso? Vamos começar por essa piadinha:

Por que ela é muito perigosa e me assusta demais?

As pessoas tem essa crença que se comerem demais na Páscoa ou em qualquer feriado, elas terão uma mudança corporal brusca e imediata, de um dia para o outro. ISSO NÃO É VERDADE!!!! Além disso pense em pessoas que tem questões reais de distorção de imagem corporal. Esse meme é um verdadeiro perigo e que pode mexer muito com sua autoestima, pois elas vão achar que isso vai acontecer com elas. E a avalanche de emoções, sentimentos, ações e comportamentos que isso pode desencadear é devastador.

Para resolver esse problema, ideias mirabolantes são propostas para você “não cair em tentação”. Te dão dicas de como substituir o chocolate por frutas, por versões diet/light desse doce, receitas fitness, medicações sempre como estratégia para enganar o cérebro contra a “tentação” que é o chocolate. Vamos lá no exercício da desconstrução:

– Frutas: Não substituem chocolate….de forma nenhuma e em tempo algum! Há lugar na sua vida e na sua alimentação para qualquer tipo de alimento…..tem espaço para as frutas como tem para o chocolate e os doces em geral.

– Chocolate diet: Ele é indicado para quem é diabético. Ele não tem menor valor calórico. Muita gente por achar que ele não tem açúcar e por isso não engorda e não gera culpa. M-I-T-O! Ele tem gorduras iguais à versão normal e promove, sim, ganho de peso se consumido em grandes quantidades.

– Doces fitness: Você pode até partir para essa estratégia mas é bem provável que emocionalmente ela não vai te suprir a vontade do chocolate. Resultado disso: você vai acabar comendo o fitness, continuar a pensar obsessivamente no chocolate/doce comum, e acabar comendo também. Ou seja, você estará comendo calorias a mais.

Você acha que, honestamente, vai conseguir enganar o seu cérebro assim quando se tem vontade de comer doce? Pra falar a verdade, dificilmente a gente engana nosso cérebro…..em qualquer situação que seja na vida. Ele comanda a grande maioria de todos os nossos processos fisiológicos.

Além de memes de mau gosto, tenho visto inúmeras pessoas nas redes sociais (os chamados influenciadores digitais, como modelos, artistas, blogueiras) sugerindo estratégias para driblar o consumo de chocolate, como por exemplo, dar o ovo que ganhou para outras pessoas que estão presentes e pedir para que elas contem o que acharam, enquanto a presenteada filma para as redes sociais e nem encosta no doce. Já vi também pessoas dizendo que quando ganham um ovo de Páscoa e elas não podem comer “por que estão de dieta”, elas abrem a embalagem, cheiram o chocolate e não come.

Essa prática parece ser bastante inofensiva, mas é uma estratégia bastante usada por pacientes com diagnóstico de transtornos alimentares, como a Anorexia Nervosa. Veja, não estou afirmando que esses influenciadores digitais têm esse diagnóstico, mas isso mostra um comportamento inadequado quanto aos alimentos, pautado em muita culpa e angústia por consumi-los. Cheirar chocolate não diminui a sua vontade por ele, muito pelo contrário. Muitos estudos na linha do mindful eating, ou comer consciente, dizem que se você tem um desejo muito forte por um alimento e não se permite comê-lo por qualquer crença, pensamento ou sentimento que seja, você desenvolve pensamentos repetitivos a respeito daquele alimento e a sua mente só “sossega” quando você o consome. Essa privação auto-imposta pode ser tão importante que na hora que você finalmente se permitir comer, você acaba comendo uma quantidade muito maior do que teria comido se no primeiro momento do desejo em comer você tivesse se permitido. Isso pode ser um fator de risco importante para o acontecimento de episódios reais de compulsão alimentar.

Não vamos demonizar o chocolate, não é mesmo?

Algumas sugestões que podem te ajudar a comer o chocolate em paz nessa Páscoa:

– Que tal investir em um chocolate que você realmente ama e que te faz feliz?

– Escolha o chocolate que vai comer, e não coma qualquer um apenas por comer

Coma devagar, apreciando o sabor e os sentidos que o chocolate te traz

– Relembre memórias que você tem desta data, do chocolate. O que tudo isso lhe remete? Quais situações? Quais personagens da sua vida? Traga leveza à esse momento.

– Compre tamanhos menores de ovos de Páscoa.

– Não dê mais importância do que é. É apenas um chocolate. Um chocolate que você gosta. Um chocolate que te traz prazer. E ponto final.

Chocolate não tem super poderes…..nem poderes extraordinários. Ele não é um bicho papão engordador. É apenas chocolate! Em vários aspectos da vida temos que dar o real valor e importância que as coisas exigem da gente. Supervalorizar tudo pode ser uma armadilha pra te acessar a questão da culpa por ter comido. Além disso, não devemos usar a Páscoa como uma desculpa para comer chocolate desenfreadamente, assim como não é um momento de se privar por conta de crenças, culpas e modismos.

Temos que entender que essas datas comemorativas fazem parte da nossa cultura e que temos que saber lidar com a presença delas na nossa vida.

Coma seu chocolate e seja feliz!

Beijo e Boa Páscoa!

5 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 05.04.2017

E quando a pessoa não gosta de você sem motivo?

Outro dia surgiu um questionamento curioso no nosso coletivo de mulheres do “papo sobre autoestima”, uma boa pergunta vindo de uma leitora bem participativa: Como vocês lidam quando são obrigadas a conviver com pessoas que simplesmente não gostam de você sem motivo?

Ela contou da experiência que estava tendo ao não ter alternativa de não conviver com uma pessoa da família que ela gostava, tratava bem, mas descobriu que gratuitamente essa pessoa vivia falando mal dela, a colocando como alvo de críticas, fofocas e comentários maldosos pelas costas. Aí eu comentei, outras meninas comentaram, uma sugestão de post surgiu e eu achei que valia a pena falar sobre!

Queria ler o relato da leitora e dizer que isso não acontece mais, que é raro, queria dizer que isso é coisa de colégio, mas infelizmente seria uma mentira. Podemos ser a pessoa mais legal do mundo, tratar todo mundo bem, sermos educadas e mesmo assim podemos cruzar com pessoas que não gostam de nós. Todo mundo tem o direito de não gostar de alguém, de permitir que o santo não bata, de querer evitar certas pessoas ou nem dar muito papo, mas por que gastar energia falando, seguindo e pensando em alguém que você sabe que não gosta de você?  Falo por mim, afinal, todas as vezes que me concentrei naquilo que não gostava (ou que não gostava de mim), minha vida estagnou. Hoje eu faço muito mais força pra só me conectar com o que me faz bem, com aquilo que me inspira coisas boas

ilustração: @foundbykate

No entanto vejo importância em falarmos sobre isso, não para focarmos em criticar quem é desse jeito, e sim para lembrarmos de não sermos essa pessoa. Sabe aquela hora que você baixa a sua guarda e se conecta com coisas que não tem tanto seu perfil? Acontece comigo, com você e com todo mundo. Nessa hora precisamos fazer o exercício racional de não nos deixar levar pelos velhos hábitos, pela mania de criticar, de falar mal ou mesmo de questionar aquilo que nos incomoda no outro – porque tudo que nos incomoda do outro tem algo da gente ali. 

Se aos 15 anos isso é comum, aos 20 deveria ser menos e aos 30 não deveria nem ser. Fofocas, jogos de inveja, críticas exageradas e indiretas são mecanismos que saem da escola e retornam no trabalho, podem pairar famílias por uma vida inteira. Em alguns casos uma conversa vai esclarecer tudo – tão melhor quando é assim – em outros a falta de consciência de uma das partes é tão grande que não haverá palavras que farão aquele questionamento fazer sentido. Para ter alguns tipos de diálogo é preciso que ambas as partes tenham a capacidade de desconstrução e alguma busca interna por autoconhecimento.

Eu compartilhei com essa querida leitora algumas das fichas que caíram pra mim nos últimos três anos de terapia, de busca interna e de conexão comigo mesma. Refletindo me dei conta de que não posso fazer nada por aquela pessoa que quer meu mal, mesmo que eu não veja razão para tal e aquilo soe muito injusto, o que posso mudar é a forma como eu vou lidar com aquilo. O direito do outro termina quando o meu começa e eu tenho todo o direito de não me conectar com aquela informação, com aquela energia e não alimentar em nenhum grau esse tipo de acontecimento. Eu posso escolher não reagir e isso não faz de mim um ser humano fraco, faz de mim alguém que usa sua inteligência emocional, que confia que esse tipo de atitude diz mais sobre o outro do que sobre mim. 

Eu escolho não saber muita coisa pra não contaminar minha vibração. Hoje em dia não sou dada a prints de fofocas e a “disse me disse” – só printo conversa com candidatos à boy onde preciso da ajuda da amiga pra interpretar. heheh Brincadeiras à parte, faço um esforço interno para não ficar curiosa, para não falar muito sobre aquilo que não gosto e para não me importar com o julgamento externo de gente que perdeu o crédito comigo. É fácil todo dia? Não, mas como em tudo na vida: é uma questão de hábito. Uma vez que você cria novos hábitos, tudo passa a fluir naturalmente nessa nova configuração. 

Quanto menos eu sei das coisas ruins que falam de mim, melhor eu lido e menos aquilo me contamina. Claro que isso não é desculpa pra eu ser boba, acho importante eu saber onde eu estou pisando, mas nada muito além disso. Com o tempo aquela pessoa ou situação se torna irrelevante pra minha vida em todos os aspectos. E espero que eu vá me tornando irrelevante para ela também. 

Mas e quando o encontro é inevitável, como no caso da leitora, que se trata de uma pessoa da família? Terão situações impossíveis de não encontrar, e continuo apostando todas as minhas fichas em manter a educação que minha mãe me deu e ser educada, cortês, mas distante. No meu caso monto uma proteção energético – espiritual e tento ir sem medo. E acho que tudo fica mais simples quando você começa a entender que o padrão de comportamento do outro é diferente do seu. 

Não existe unanimidade, já falei disso aqui. Aquela sensação de que você pode impedir o outro de falar de você é falsa, é uma falsa sensação de controle. O outro, você tirando ou não satisfações, vai ouvir o que quiser e vai falar o que quiser. Você só é responsável pelas suas próprias atitudes, muitas vezes quando você muda a maneira que se comporta você cria um novo limite que de uma forma ou de outra intimida o outro. Então mais do que tirar satisfações eu acredito em uma nova forma de lidar.

A verdade é que é uma arrogância – quase que coletiva – enorme acreditar que todo mundo precisa gostar da gente genuinamente, isso é tão ilusão quanto a tal falsa sensação de controle. Gostos são diferentes mesmo, mas respeitar o outro ainda é importante, mesmo que isso signifique saber que você não é unânime.

Muitas vezes incomodamos mais quando estamos resolvendo algo nosso que também existe na outra pessoa, mais fácil do que se questionar e mudar é falar do outro. Ainda mais se a pessoa está lidando com algo que o outro não consegue acessar ainda, quanto mais a gente resolve aquela questão, mais o incomodado se angustia, afinal aquilo incomoda a pessoa num lugar tão inconsciente que a reação quase instintiva vai ser depreciar esse esforço. Parece que quando o ser humano não consegue se conectar com suas próprias questões ele projeta aquilo no outro e em alguns momentos isso gera críticas que podem ser levianas (ou não). Esses espelhamentos sombrios podem ser um ótimo gatilho pra se usar na terapia, pra se conhecer.

A meu ver o autoconhecimento é a chave para ter estima por si mesmo, é a chave para enxergar aquilo que incomoda no outro mas na verdade é uma projeção da gente mesmo. Eu me comparei muito, tive muita inveja e me conectei muito na tomada errada antes de chegar até aqui e ver as coisas como vejo hoje. Os últimos anos foram sobre sair dos jardins alheios e entrar no meu, focando só em mim.

Perceber e se conectar com o próprio processo alimenta que nos conectemos com nossa essência, nossa verdade e nossas questões. Nessa hora, seguros de quem somos, conseguimos aceitar melhor o fato de ter que conviver e cruzar com pessoas que não gostem da gente. Passamos a dar um limite sadio para aquela relação e assim não nos conectamos e nos misturamos com aquilo que não admiramos.

Ps:  se você gostou desse meu texto, acredito que você poderá gostar também desse outro que fala de sucesso x fracasso e a comparação

1 em Autoestima/ Destaque/ Moda no dia 03.04.2017

Frase do ano: Seja você mesma a sua marca favorita!

Eu gosto de marcas de luxo. Gucci, Chanel, Hermès, Dior, Valentino, Dolce & Gabbana, Prada. Mais especificamente bolsas – e alguns sapatos. Sou dessas que costuma passar meses – quando não anos – economizando e namorando um modelo específico, mas também já aconteceu de eu ser impulsiva e escolher gastar aquele dinheiro que eu tinha guardado e que poderia ser usado para tantas outras coisas (inclusive para economias). Impulsiva mas sempre com consciência, afinal eu não tenho como pagar o preço de comprar um acessório caro que não compense o uso x benefício.

Nunca comprei nada para ostentar, diria que meu gosto por bolsas caras acontece por inúmeros motivos, desde ter aprendido com a minha mãe a gostar disso como também uma série de fatores que considero muito atraentes. A qualidade me atrai, o acabamento impecável me atrai, a embalagem me atrai, a experiência de compra me atrai, e não vou ser hipócrita, também me sinto atraída pelo status que confere, apesar disso ser a última coisa que eu penso (quando eu penso) na hora de entrar numa loja dessas.

Estou falando isso tudo porque outro dia cruzei com um texto que me fez parar para pensar, vou reproduzi-lo aqui:

 

“Adoro a elegância de uma bolsa sem nome nem sobrenome que se destaca apenas por sua qualidade e design. Nada contra grifes, muito pelo contrário, adoro a história que algumas delas carregam por trás do nome famoso. Mas as vezes é bom comprovar que estar bem vestida tem pouca (ou nenhuma) relação com a marca que você ostenta. Seja você mesma sua marca favorita!”

Eu concordo tanto com isso, mas tanto! Mesmo tendo muito mais bolsas grifadas do que anônimas no meu armário atualmente, é inegável que elegância e ostentação são quase antônimos. Aliás, já vi muito mais caso de gente cafona grifada da cabeça aos pés do que totalmente vestida de fast fashion.

Mas o que me marcou mesmo, do texto todo, foi a última frase. Quer algo mais empoderador do que “seja a sua marca favorita”??

Falando em bolsas, esse texto também me lembrou da única bolsa de mão que eu trouxe pra cá. Só ela veio porque ela é justamente o acessório desse segmento mais diferente, único e interessante que eu tenho no armário, e combina com tudo. Sei que se um dia eu precisar ir para um lugar que pede esse tipo de bolsa, ela não vai me deixar na mão. E posso contar a procedência?

Um desfile de moda. Sim, era brinde de um desfile da Animale, vinha com uns produtos amostra grátis dentro se não me engano, mas eu achei as cores maravilhosas e o tamanho super adequado.

Por um tempão eu fiquei com vontade de usá-la mas toda vez que botava no look eu ficava com medo de ter “cara de brinde”, ou achava que ia para um lugar chic demais para ir com bolsa que foi jabá de desfile (aqueles lugares chics que todas as mulheres estão com bolsas grifadas de muitos mais mil reais que todas as minhas juntas, sabem?) Até que deixei de bobeira e comecei a usar, chutem o que aconteceu? Ela é uma das minhas bolsas mais elogiadas, em disparada. 

Devaneei, devaneei, e por que falei isso tudo? Porque já cansei de ver pessoas frustradas porque acham que não vão conseguir ser estilosas que nem a blogueira que se veste com looks de 30 mil reais pra cima. Porque já perdi as contas de quantas pessoas já gastaram o que não podiam em uma bolsa de luxo para impressionar pessoas que na verdade não estão nem aí. Porque já vi gente muito bacana, sensata e cheia de qualidades marcantes ser endeusada – e ter o saco puxado até quase atingir o chão – só por ter um armário quase todo grifado. Sei lá, acho que to um pouco cansada de toda essa distorção, afinal, uma bolsa de marca pode ter mil qualidades, mas ela nunca conseguirá trazer elegância para alguém deselegante ou segurança para uma pessoa insegura. 

Ao invés disso tudo, que tal a gente trabalhar para ser nossa marca favorita?? Tendo grifes ou não, que tal a gente não depender de nada além do nosso gosto e da nossa sensibilidade para escolher peças que nos façam felizes para nos tornarmos nossa melhor versão também no nosso estilo?