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papo sobre mulheres

0 em #paposobremulheres/ Autoestima no dia 23.08.2018

Nasci com Prazo de Validade!

Minha Mãe conta que quando eu era bem pequenininha, quando tentava dar meus primeiros passos fiquei muito doente, a passei a viver internada, sempre muito debilitada, foram várias internações, muitos exames até que chegou o dia que fui diagnosticada com uma doença grave e degenerativa chamada Distrofia Muscular de Duchenne. Depois desse diagnóstico, foi passado para minha mãe que em breve eu perderia os movimentos dos membros superiores e principalmente inferiores, devido à progressão rápida da doença. Enfim eu não iria andar e seria dependente para vida toda.

Acredito que não foi fácil para minha mãe receber tantas informações sobre sua filha caçula, na época eu ainda nem tinha três anos.  Além das sequelas, a distrofia traria para mim, algumas complicações como: cardiomiopatia, capacidade de mobilidade diminuída, deformidades, insuficiência respiratória, Pneumonia ou outras infecções respiratórias; pronto! Ali recebi o meu PRAZO DE VALIDADE! Normalmente a pessoa que tem esse tipo de distrofia não resisti a tantas complicações.  Com tudo que foi dito minha mãe, me criou muita proteção, com muito cuidado e sempre assombrada por essa expectativa de quanto tempo eu iria viver! Recordo-me que já com uns 5 a 6 anos ouvia com frequência que provavelmente não passaria dos 15 anos. Quando completei quinze a perspectiva passou para 21 e assim fui crescendo, sempre aguardando a próxima perspectiva de prazo.

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Durante esses anos passei por diversas internações e intervenções cirúrgicas, tive quase todas as complicações que a doença propõe e até em coma já fiquei, mais uma vez eu resisti;  mesmo assim sempre me pegava ouvindo sobre o tempo que me restaria de vida… É curioso que mesmo quando criança, depois na fase da adolescência e na vida adulta eu nunca coloquei isso dentro de mim, não fazia sentido pra mim tomar esse prazo como verdade… Sinceramente?! Respeito a medicina e acredito que os médicos são instrumentos de Deus para salvar vidas, até porque muitas das vezes eu precisei e sempre tive bons profissionais que cuidaram de mim, mas eu sempre acreditei que a última palavra vem do ALTO, e é Ele quem decide a hora o momento de tudo em minha vida!

O prazo de validade vivia ali, rondando minha jornada, mas posso falar para vocês que eu nunca tomei aquilo como verdade, dentro do meu coração e da minha mente eu não acreditava.

Eu dizia dentro de mim: vou viver sim e muitooooo!

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Vânia Martins do canal @rampadeacesso

Vânia Martins do canal @rampadeacesso na nossa festa

Se eu fosse viver com base em diagnósticos ou até mesmo com minha realidade, que muitas das vezes era em uma sala de hospital, eu poderia ter me entregue e pensar: Para que estudar se eu vou morrer em breve?  Para que trabalhar se não vou fazer uma carreira? Para que vou conhecer pessoas, formar laços de amizade, se não serei uma amiga presente? E até mesmo me casar pra que?… Mas não! Preferi ir contra essa “sentença” de pouca vida! Escolhi aceitar sim as limitações que a doença me impôs e reconhecer que na minha vida teria muitas dificuldades e barreiras, mas elas não iriam me deter, então continuei a viver a vida normalmente como se fosse uma garota “comum” na escola, faculdade, no trabalho e até quando casei, mas esse assunto vou falar mais pra frente com vocês (aguardem).

Esse fantasma tenta me assombrar até hoje, mas sigo não tomando isso como verdade pra mim. Escolho sempre brincar com a situação e dizer que “já to fazendo hora extra aqui na terra”.  Sempre falo com humor para os meus amigos que “minha validade tá vencida” e ele morrem de rir… Isso pode acontecer, eu sei, mas pode acontecer comigo ou com você!  Até porque todo mundo vai morrer um dia, então eu pessoalmente acredito que não devemos viver esperando essa hora chegar! Viver pode ser bem mais do que isso e eu tento usar minha vida e minhas redes sociais do rampa de acesso para falar dos desafios da minha vida.

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No fim o que quero frisar é o poder que temos quando acreditamos em algo! Quando você acredita você busca, você luta e faz acontecer, desafia a ciência e as estattísticas, eu estou aqui e sou prova viva disso! A minha luta ainda não acabou, nem vai,  ela é contínua, como a sua também. Eu sei que preciso seguir batalhando porque não posso parar, a verdade é que tenho muitos sonhos há realizar!!

Então vamos à luta?! Deixo aqui a reflexão para que você não aceite facilmente que as barreiras da vida venham a te deixar parar!                                                  

Beijokas no coração!

Vânia Martins

Você pode seguir a Vânia no insta do @rampadeacesso ou se inscrever no canal dela no youtube

1 em #paposobremulheres/ Autoconhecimento/ Autoestima/ Comportamento no dia 31.03.2018

Papo Sobre Mulheres: eu sinto, eu vivo

Eu sinto vergonha. Eu sinto orgulho. Eu sinto cobrança. Eu sinto pressão. Eu sinto liberdade. Eu sinto que estou dormindo pouco. Eu sinto ansiedade. Eu sinto. Mas sinto sozinha… E talvez seja por isso que pouquíssimas pessoas sabem de tudo isso. Depois desse texto, todo mundo vai descobrir que eu não sou aquela fortaleza toda e confesso que já me sinto vulnerável por isso. É sério. Sabe aquela frase “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”? Ela me define e me acalenta, porque já foi oficializado que a gente sabe que também somos dores. Não posso reclamar, não me entendam mal. Mas também não posso ignorar. Dizem que a aceitação é o primeiro passo, então me sinto no dever de repassar esse diagnóstico que me dei para que você se permita se auto avaliar e se auto perceber. Mas primeiro feche todas as abas para não se perder.

Se você ainda não entendeu nada do que estou falando, desculpa. Eu também estou tentando sacar o que se passa aqui. É um misto de coisas estranhas que deixam o coração bater mais rápido, misturado com uma agonia, com pitadas de procrastinação e nuances de picos de disposição, além das unhas no chão. O que será que está acontecendo? Logo eu, uma menina mulher tão competente, tão determinada, tão segura, tão carismática, tão certa de si, tão líder, tão proativa, tão desenvolta, tão bem articulada, tão falante, tão extrovertida, (tão modesta?), tão bem amparada pelos pais, tão cheia de privilégios… Logo eu, tão humana, tão falha, tão auto sabotadora, tão gente como a gente, tão cheia de dúvidas, tão boba com medos inúteis, tão cheia de vida pela frente, tão sorridente.

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Me perdoem a falta de fontes, mas juro que ouvi dizer que ciclos da vida se encerram e começam de 5 em 5 anos. Quero muito que isso seja verdade pois estou no auge dos meus 25 e tudo parece meio incerto. Imagino que seja normal, né? Mas aí me lembro da Anitta, milionária – e da minha idade, das blogueiras de moda super bem sucedidas – da minha idade, das amigas com pós e mestrados – da minha idade, da amiga que se lançou para uma vida do zero em outro país sem olhar pra trás (da minha idade, claro), da outra amiga com a primeira casinha (sim, da minha idade). Veja bem: é importante esclarecer que aqui não tem nenhuma pitada de inveja e sim de admiração e infelizmente, comparação. Nenhuma vida é perfeita, ninguém está 100% satisfeita o tempo todo com o momento presente… Mas sabendo disso, por que ainda nos cobramos tanto? Por que a pressa? Por que a cobrança? Por que a boicotagem? Por que a falta de fé? Quando foi que paramos de focar em tudo que foi construído até aqui para dar mais importância a tudo que ainda não alcançamos?

Deixa eu contextualizar vocês e começar do começo – mesmo já percebendo que era para estar concluindo alguma coisa (será mesmo que vou conseguir terminar esse texto com alguma conclusão?) e me despedindo de vocês. Meu nome é Júlia Gravano, me descobri adulta há pouco tempo (admita que aconteceu assim com você também, quando viu já tava lá sendo dona da tua vida sem nem saber o que realmente queria dela, cheia dos boletos pra pagar e sem saber o porquê da vontade de chorar), sou escorpiana (êta, intensidade…) com ascendente em áries (entenderam o motivo da agitação?), sou uma mulher negra, empreendedora e ainda não sei o que preencher na opção “Profissão” nas fichas de cadastro. Isso porque mesmo tendo plena convicção do valor do meu trabalho, ainda caio na limitação da definição. Comecei como modelo bem criança, aos 13 já fazia parte da 3ª agência de modelos e aos 16 me vi forçada a decidir o que queria para a vida toda, no pré vestibular. Acontece que eu estava fazendo teatro (ganhando prêmios e fazendo selfie com Tony Ramos!) e minha mãe teve que ir na escola para garantir que estava ciente e apoiava minhas esporádicas ausências por conta dos ensaios, testes e afins. Chegou o enem, as provas e prometi a mim mesma que caso não passasse na faculdade pública, faria Design de Moda. Assim foi, ainda bem. Me formei como técnica de Design de Moda e Coordenação de Estilo, mas queria mais. Eu sabia que o mercado era competitivo demais para me absorver somente com um nível técnico. Comecei a faculdade de Design de Moda em 2012.2 e ainda não terminei. Durante todos esses anos, me especializei e trabalhei todos os dias na minha área com um intervalo apenas de 6 meses parada. Nesse meio tempo, fiz cursos das mais variadas vertentes de moda e trabalhei em grandes empresas, onde pegava 4 ônibus saindo de Niterói para Irajá às 8h, depois chegava na faculdade às 18h e voltava pra casa às 23h. Foi assim que consegui comprar meu primeiro carro. Há 3 meses optei por vende-lo, quase 4 anos depois para dar início a um novo e louco projeto – ainda secreto. Ah! Ainda inventei de criar uma marca e eu mesma desenvolvi o próprio E-Commerce. O tempo foi passando, as pessoas foram elogiando os sites que fazia, fui me aperfeiçoando e hoje o que era plano b para ganhar dinheiro mais rápido para aplicar na marca, acabou virando o plano A e mudando completamente a minha vida – para melhor.

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Meu pensamento ao longo de todos esses anos era estudar, me capacitar, me destacar, ter um bom currículo e competir de igual para igual para barrar todas as indicações e privilégios de pessoas que certamente tomariam meu lugar numa área cheia de egos e marcas famosas nas etiquetas das roupas. Sempre topei qualquer parada, inclusive trabalhar na Barra até às 20h para ainda voltar para Niterói, sem tempo para almoçar e chorar a cada vez que via o ônibus da empresa saindo meio minuto antes que eu chegasse para pegar. Sempre soube que esse sacrifício me levaria a algum lugar, um dia. Já experimentaram fazer uma retrospectiva da vida de vocês? É olhando para trás que conseguimos enxergar onde estamos hoje, ainda que insistamos em achar que não chegamos a lugar nenhum. Quanta ingratidão pensar assim! A Júlia que ia para a extinta Colori Estampas estagiar para aprender e receber ajuda de custo de passagem jamais imaginaria que realizaria o sonho de conhecer Nova York tão rápido e tão nova, furando a fila que tinha minha mãe na frente, com esse desejo latente desde antes da minha idade. Agarrei a oportunidade! Jamais imaginei que meu hobby viraria um trabalho e que não viveria exclusivamente da moda. Aquela Júlia jamais se permitiria abraçar uma chance que não fosse a que ela e as pessoas achavam que tinha que ser. Aquela Júlia jamais poderia acreditar que o fluir da vida a levaria à caminhos onde seria uma das 100 estudantes selecionadas para participar do South American Business Forum, sendo uma das 6 brasileiras diante de milhares de inscrições de jovens líderes de todo o mundo.

Essa Júlia hoje é Embaixadora Wix (plataforma que começou a usar há 5 anos, lembram do E-Commerce?) no Rio de Janeiro e em Niterói, e em pouco mais de um ano já ajudou mais de 500 pessoas a criarem seus próprios sites, já fechou mais de 20 contratos de criação de website, se profissionalizou em Consultoria de Imagem e Estilo e ajuda as pessoas a terem uma imagem mais assertiva através das roupas e através do seu posicionamento na Internet por meio de um site profissional e de qualidade. Também já fez mais de 15 palestras e workshops sobre esses temas de 2017 pra cá, mas segue empacada na monografia e está longe de tirar todos os projetos da gaveta e ainda relutando para dar um novo formato à marca, que provavelmente não existirá mais como no formato atual. É difícil assumir que um ciclo se acabou, né? Ainda mais quando a preocupação não é só com os próximos passos mas também e principalmente com a pergunta: “Como explicar isso para as pessoas? Como admitir que fracassei?”. Mas aí lembrei que esse “fracasso” me levou ao sucesso que tenho hoje e se você ainda não percebeu isso na sua vida, apenas aguarde. Você vai entender isso mais tarde.

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Tudo isso poderia ser somente um simples desabafo numa ida à psicóloga mas toda essa retrospectiva me ajudou a lembrar do quanto evoluí, cresci e aprendi. E que é ok desabar, se questionar, se perder, se testar. Não permita que a ansiedade, a comparação, o capitalismo, a vida no Instagram e os desafios do dia a dia te estagnem.

Esse texto é um abraço pra você que vive se cobrando, se sabotando, se julgando, se duvidando: você sabe que, por mais que ainda não tenha chegado lá, a história que vem traçando tem capítulos tão lindos… Tão intensos, tão cheios de verdade. Lá na frente você vai ver que era feliz e nem sabia. E essa é a ideia: se sempre pensarmos assim, sempre vamos reconhecer que sempre fomos felizes! Há tempo pra tudo, tem espaço pra todo mundo e não é a gente que traça o roteiro da vida – ainda bem. As surpresas no caminho e a visão lá de cima do avião nos faz perceber que somos uns bobos em achar que temos controle sobre a vida. Se deixe surpreender. Agarre as oportunidades. Não tenha medo ou vá com medo mesmo. Contrarie o sistema, a sociedade, as estatísticas, os padrões. Comece de novo, se permita sonhar alto, bem alto mesmo!

Mentalize seu futuro, marque médicos (!!!!!), agradeça por tudo que tem vivido, se abra para o novo, seja impulsiva, mude de ideia, mude de país, ou então faça uma coisa de cada vez, por favor feche as abas do seu navegador, vire noites, mas não façam que nem eu e durma mais de 5h por dia, mexa seu corpo, não se cobre tanto, se programe para viajar, ou então viaje com dinheiro à conta (mas tenha sempre um plano b), se mime, se anime, não se subestime, comece do zero, opte por não fazer nada de vez em quando mas quando retomar o fluxo, vá devagar, pode chorar, maneira nos áudios longos, fale bastante, siga seu ritmo, engula sapos mas não deixe nada entalado, pare de procrastinar. Otimize seu tempo, engole o orgulho, salve tudo na nuvem, não desista agora e repita esse mantra pra sempre, seja grato, administre suas fraquezas, aceita que dói menos.

Em outras épocas, ninguém saberia desse texto exceto eu e o Word e hoje, olha só, me rendi à imperfeição e a reconhecer a humanidade em cada fragilidade. Parabéns, Júlia! Quanta maturidade! =)

8 em #paposobremulheres/ Autoestima/ Comportamento/ maternidade no dia 30.03.2018

Papo Sobre Mulheres: Comparações, fracassos e coragem!

As meninas do Futi me convidaram novamente para conversar com vocês sobre um tema da minha escolha. Eu tenho pensado sobre o final da adolescência e as dificuldades desta fase, pois sou mãe de uma jovem mulher de 19 anos, e estamos, juntas, na tarefa de fortalecer a autoestima dela e controlar o pavor do fracasso que a assombra.

Como fazer minha filha entender que ser mulher é antes de tudo, ser corajosa?! Minha aposta tem sido nas conversas. Algo só nosso, conversas longas, algumas vezes impacientes, porque afinal, somos mãe e filha.

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Em nossos momentos, procuro mostrar para minha filha que na vida nem tudo vai dar certo. Pelo menos não de primeira. Mas isso não significa que não vale à pena tentarmos. Não podemos simplesmente desistir do que almejamos por medo das comparações, ou por medo do fracasso. Também devemos nos preparar para prováveis mudanças de planos. Sim, tudo o que está vivo, está em constante evolução, portanto, podemos (e devemos) reavaliar nossos desejos e projetos o tempo todo. E talvez um fracasso não seja exatamente um fracasso, mas uma necessidade de revisão do planejamento original.

Estes ensinamentos são pra vida, sabe?! Às vezes um relacionamento que é visto como fracassado, não é bem assim – dele podemos tirar conhecimento sobre o que nos faz mal, e o que nos faria mais feliz. E nada que nos traga autoconhecimento deveria ser considerado um fracasso.

Talvez aquele “felizes para sempre” precise ser revisto e perceber que as vezes ele se faz necessário para mudar o curso desta história. E está tudo bem. De tudo o que vivemos, precisamos tirar algum aprendizado. Precisamos entender que nossas experiências são únicas, e não podemos nos comparar às experiências de outras pessoas.

Aqui em casa, não curtimos comparações pois estas são, quase sempre, desleais com os comparados. Mas tenho notado que os tempos modernos são basicamente constituídos por comparações. O tempo todo nos interessamos pelos interesses dos outros, por parecerem bem mais interessantes do que os nossos próprios interesses. É assim nas redes sociais por exemplo. Adoramos observar as vidas (maravilhosas?) dos outros nas redes socais e fazer comparações inconscientes com nossas próprias vidas. E muitas vezes sofremos com estas atitudes.

Geralmente a baixa autoestima tem a ver com a nossa auto imagem. E com a maneira como nos enxergamos comparativamente à maneira como enxergamos os outros. Comparação. Fazemos isso o tempo todo. Estimulamos a competição de maneira pouco saudável e depreciativa. Queremos ter o melhor filho. O mais lindo, o mais inteligente. Mas muitas vezes acabamos piorando a situação deles com estas percepções equivocadas. Muitas vezes, na ânsia de ajudar, acabamos piorando a situação drasticamente.

Por exemplo, na primeira reunião de pais no colégio de segundo grau do qual eu participei, o diretor perguntou quem gostaria que seu filho fosse aprovado em primeiro lugar no vestibular. Eu fui a única mãe presente que não levantou a mão, o que obviamente foi um escândalo. Daí o diretor me perguntou sobre o motivo pelo qual eu não gostaria que a minha filha fosse aprovada em primeiro lugar. Eu respondi apenas que a posição dela no ranking me era indiferente. O que eu adoraria experimentar seria a emoção dela por ter sido aprovada. E eu não precisava jogar sobre ela mais esta responsabilidade – de ter que ser aprovada em primeiro lugar. Isso, honestamente, serviria somente para criar expectativas sobre ela e o futuro dela, que certamente nos frustrariam a todos, pois nem tudo depende somente da gente. Sem saber, eu estraguei toda a palestra do homem, porque ele queria nos vender a competição pelas primeiras colocações.

Falamos bastante também sobre o ranço machista na vida das mulheres. Por exemplo: Eu me empenho em criar uma mulher independente, que terá consciência de que deve ter companhia, não cabresto. Também conversamos sobre namoro e casamento, e a maneira como os relacionamentos ainda são vistos hoje pelas mulheres. Não condeno quem entende que precisa se casar aos 19 nos com o primeiro namorado, mas sinceramente acredito que isso é resquício do machismo entranhado, que casava meninas após a primeira menstruação para “evitar problemas”. Há tanto para se descobrir, tanta coisa para fazer antes de casar. E ainda criamos mulheres que buscam um príncipe, e não o protagonismo da própria história. Em nossas conversas, falamos sobre outros objetivos na vida, outras fontes de realização além destes clichês – estudos, viagens, horizontes.

Há que se ter coragem. Viver requer coragem. Ser mulher requer mais coragem ainda. Até pra decidir que não quer ter filhos, ou que quer ter filhos ou qualquer outra coisa que afete diretamente sua própria vida. Infelizmente mulheres tem suas vidas julgadas, e precisamos saber lidar com este julgamento, seja ele qual for. Coragem!

E assim, de maneira bem orgânica, vou desenhando a maternidade para mim e a forma como vamos atravessando estes mares turbulentos do final da adolescência e início da vida adulta. Não sei as respostas pra todas as perguntas, mas sei o que funciona pra mim e pros meus filhos. Não digo que resolvemos todos os problemas, mas afirmo que conversamos sobre todos os problemas, e penso que este ainda é o melhor caminho.