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5 em Autoconhecimento/ Comportamento/ Estados Unidos/ Futi em NYC no dia 06.11.2017

Uma Nova York desromantizada

Faz um tempo que eu tenho notado que toda vez que eu falo que moro em Nova York, já vejo as engrenagens da cabeça da pessoa girarem, pensando em tudo aquilo que imaginamos quando o nome da cidade surge.

Nova York é romantizada, inclusive, diria que é mais romantizada até do que a maternidade, assunto que eu falo tanto por aqui. É a selva de pedras onde os sonhos se tornam realidade, onde “se você consegue se dar bem aqui, consegue se dar bem em qualquer lugar”. A cidade das comédias românticas, dos filmes de heróis, do luxo da moda, a cidade que nunca dorme (mentira, e vai dormir cedo ainda por cima), onde tudo pode acontecer. É glamour, é chic, é um sonho.

Eu caí nessa armadilha. Eu me apaixonei e caí de joelhos pela ideia que eu tinha da cidade, tirada de tantos lugares e tantas outras visitas que eu fiz à Big Apple. Quando meu marido recebeu a proposta de trabalhar aqui, quando o Arthur estava prestes a nascer, o coração bateu mais forte. Imagina que incrível? N-O-V-A Y-O-R-K.

A diferença é que, assim como a maternidade, descobri que toda a expectativa que eu tinha fez com que eu levasse um baita tombo. Logo eu, que tento sempre evitar as malditas expectativas.

Consegui me reerguer desse tombo quando admiti para mim mesma que a cidade é incrível, mas ainda não é minha casa. Descobri nessa minha última estadia em SP que meu coração ainda é muito apegado à Terra da Garoa e à vida que eu construí lá. Me vi percorrendo ruas tão familiares, vendo pessoas tão queridas e por um segundo achei que nunca tinha ido embora, que iria sair do restaurante e voltar para o aconchego do meu apartamento. E para vocês verem que NY é romantizada, fui comentar isso assim que cheguei em terras paulistanas e tive que ouvir: “nossa, que pobreza, você mora em NY e tá sentindo falta de SP?”

Não vou dizer que Nova York não é incrível. É. Cidade rica culturalmente, pulsante, inspiradora em diversos sentidos. O senso de comunidade é grande, de um jeito que eu nunca tinha visto morando no Brasil. Até hoje eu olho para a minha janela, dou de cara com o skyline mais famoso do mundo e penso: “eu to aqui mesmo?” Reconheço meu privilégio, agradeço todos os dias essa oportunidade que só tem me feito crescer, um crescimento que eu sei que nem em 15 anos morando no Brasil eu não teria.

Só que as pessoas não falam a minha língua, elas são mais apressadas e menos calorosas. As ruas são mais barulhentas, é muita luz, muito som, muito movimento, vindo de todo lugar. É lindo quando você está de passagem, mas cansativo quando os meses vão passando. A primeira neve é linda, mas ficar mais da metade do ano sem poder botar as pernas de fora ou uma sandália é difícil para quem cresceu no inverno quase verão do Rio de Janeiro. Os amigos existem (e são minha salvação) mas eu sinto falta de todos os outros que eu deixei pra trás. Quando eles combinam algo pelo whatsapp, então, dá vontade de criar um teletransporte urgente para estar com eles em 2 minutos. Saber que os avós e a única bisavó do Arthur estão acompanhando seu crescimento à distância dói o coração mesmo.

Se sentir falta de tudo isso é pobreza, prefiro continuar com esse espírito então. Nunca trocaria esses sentimentos por uma cidade que inspira um glamour que, para a grande maioria da população que vive aqui, não condiz com sua vida real.

De pouquinho em pouquinho vou me recuperando do tombo, botando meus pés realmente no chão e vendo a cidade com olhos mais carinhosos e verdadeiros. Esquecendo comédias românticas e ignorando Franks Sinatras para realmente escrever a minha história dentro desse lugar.

2 em Autoconhecimento/ Comportamento/ Convidadas/ Reflexões no dia 21.08.2017

Sobre viver histórias

A cena aconteceu em Nova York, onde passei uns dias entre trabalho e férias. No Upper East Side, que foi minha casa por uma semana, na estação do metrô da 72st, um metrô bem novo e moderno com uns murais feitos de mosaico.

Uma certa manhã, enquanto descia a escada rolante, vi uma senhora tirando fotos dos mosaicos com sua câmera compacta. Eu, que já gosto de registrar tudo que vejo, fiz um foto com meu celular, mas vendo a cena não consegui ir embora e continuei observando.

A senhora sorriu pra mim e começamos a conversar (coisa que pra mim não é difícil rsrs). Me contou que se chamava Peggy Thompson, tinha 86 anos, que era de outra cidade mas estava fazendo turismo em NY, sua cidade favorita. Me apaixonei na hora pela Sra. Peggy e continuamos conversando. Foi aí que ela me contou mais um pouco sobre si. Me disse: “tenho câncer de mama e estou de férias da quimioterapia esta semana. Amo viajar e aproveitei pra vir aqui porque não sei se essa é a última viagem da minha vida.” Nessa hora a garganta entalou e os olhos marejaram.

Contei que era fotógrafa e pedi licença para fotografá-la. Ela também fez o meu “book” e ficamos ali, fotografando uma a outra. Depois que a sessão mútua terminou, falamos mais um pouco da vida e nos despedimos.

Fui embora emocionada. Por ela, por este encontro e porque realmente esse é o sentido da minha vida de viajante. Viver, conhecer gente, contar historias.

A senhora Peggy não é somente alguém que eu conversei por 15 minutos, ela virou uma pessoa que eu vou lembrar para sempre, nesses dias em que eu perambulava pelas ruas de Manhattan sentindo que o mundo me pertencia. Ela também é desses seres mágicos que te fazem ver a vida com poesia até o último segundo e que você agradece a oportunidade de cruzar com esse tipo de pessoa. Tomara que possamos viver uma vida plena curtindo tudo que ela nos oferece porque um dia acaba.

7 em Autoestima/ Destaque/ Futi em NYC/ NYC no dia 13.07.2017

Teve #picnicdopapo em Nova York também!

Quando a Joana começou com a ideia dos piqueniques para as participantes do grupo e, de cara, já estava planejando encontros em São Paulo, Curitiba e Rio, eu fiquei feliz porém assustada.

A felicidade é óbvia. Achei a possibilidade de poder trazer para a vida real um pouco do que conversamos no online maravilhosa. Já o susto aconteceu porque eu só conseguia ficar com o pensamento bitolado de que um monte de coisa estava acontecendo e eu não estaria presente, um dos efeitos colaterais de se morar tão longe (por mais que pareça tão perto).

E eu demorei tanto para pensar em fazer um em Nova York por outro pensamento super limitador: eu não me sentia capaz de reunir uma galera. Pode parecer maluco, mas por anos eu vi milhares de blogueiras fazendo encontros com leitoras e jurava que nosso perfil de blog não era para isso. Sabia que a gente tinha influencia, que as pessoas se importavam com o que a gente conversava, mas botei na cabeça que não éramos feitas para agregar no offline.

Até que a Joana começou com os piqueniques e mostrou que, sim, nós somos. E foi aí que eu tive coragem de fazer o convite e organizar uma data. Mas só tive certeza mesmo que podia dar muito certo quando fui para Londres e tivemos nosso encontro lá, que mesmo organizado com pouco tempo de antecedência foi incrível. E só então que eu relaxei.

Na tarde do último domingo, dia 09, o piquenique em Nova York aconteceu e eu não poderia ter ficado mais feliz! O lugar? Sheep Meadow no Central Park (dica da rainha das dicas nova-iorquinas Laura Peruchi) em uma tarde maravilhosa com muito sol e calor.  Achamos uma sombrinha, cada uma das 16 participantes estendeu toalhas e cangas e ficamos das 3 da tarde até mais ou menos umas 7 da noite ali, conversando e batendo muitos papos sobre autoestima, morar fora, maternidade, relacionamentos e tudo o que cerca esse universo.

Uma das coisas que mais me marcou é o quanto morar fora mexe com a nossa autoestima. Em Londres rolou um pouco desse papo e em Nova York nós conversamos muito sobre isso. Descobri que muita coisa que eu venho sentindo desde que cheguei aqui e jurava que acontecia só comigo não é fruto apenas da minha cabeça. Muitas também se sentem perdidas e sem saber como recomeçar e se reinventar, principalmente as que vieram acompanhadas dos companheiros. Confesso que senti um alívio misturado com felicidade, lembram da história do #tamojunta? Isso funciona nesse caso também, é acolhedor demais ver que suas questões também são de outras pessoas e, a medida que cada uma vai contando o que tem feito para resolvê-las, imediatamente vai inspirando quem ouve.

Outro assunto que surgiu e que raramente é conversado é sobre autoestima no trabalho. Desde aquela história do chefe (ou da chefe, impressionante – e triste – como tivemos mais relatos de problemas com chefes mulheres do que homens) que mina a sua autoestima até mesmo a questão do subemprego que é comum aqui nos Estados Unidos mas nossa cultura é de desvalorizar esse tipo de trabalho. Vou organizar melhor para fazer um post só sobre isso, porque tem MUITO pano para manga legal de ser debatido.

E claro, sobre maternidade. Conversamos sobre como pode ser solitário ser mãe (ainda mais morando fora), as dificuldades de não ter tanta ajuda e como nós temos que nos desconstruir de tantos pensamentos justamente para não reproduzir os mesmos padrões nos nossos filhos.

E se no encontro de Londres tivemos Fabiana Karla nos inspirando com sua autoestima e alegria, aqui em Nova York eu tive o prazer de conhecer outra Fabiana que tem sido uma inspiração diária, a Saba!

Ela já foi modelo e apresentadora hoje em dia é modelo curvy e tem um trabalho super legal no seu instagram @fabisaba e no youtube com o canal Todas Juntas. Ela contou para a gente como foi seu processo de se redescobrir depois que ela saiu do estereótipo da modelo magérrima e não sabia onde se encaixava, como as pessoas que conviveram com ela por tanto tempo diziam que ela estava se descuidando – sendo que o ganho de peso começou quando ela parou de fumar, ou seja, quando ela estava caminhando para uma vida mais saudável – e como ela educa suas filhas para serem mais livres do padrão de beleza.

Foi uma tarde deliciosa, daquelas que dá vontade de repetir todo mês (e se depender da animação da galera, acho que o próximo piquenique ou encontro não vai demorar para acontecer!). E no fim, saí com aquele gostinho de “eu consegui” misturado com “caramba, como eu consegui isso??”. Fui dormir tão feliz que nem sei expressar em palavras, por mais piegas que isso possa parecer!

Essas são algumas fotos que a Michelle Cadari, fotógrafa aqui em Nova York, fez e eu estou encantada. Acho que ela expressa muito o que compartilhamos no domingo passado!

Só posso agradecer novamente a todas que foram, vocês deixaram meu dia iluminado (e não estou falando dos vagalumes que vimos no fim da tarde :) )

Beijos!