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Moda

0 em Autoestima/ Convidadas/ Moda no dia 04.07.2017

É só um cropped e eu posso usar!

Sempre tive muito medo de usar cropped, especialmente por ser gorda. Não conseguia me ver mostrando a barriga, ou parte dela, em meu dia a dia. Minha rotina sempre incluía os clichês de vestimenta, sem me libertar ou ousar. Durante anos eu não gostei de cropped, eu julguei quem usava eu abominei esse hit que não era feito pra mim. Quando ia a uma loja, passava longe desse tipo de peça, hoje vejo que por medo de gostar e de querer usar. Depois de muito estudar sobre empoderamento feminino, percebi que esse sentimento era muito mais em torno do que a sociedade pensaria da minha roupa do que do meu gosto pessoal. Recentemente vi um look da Jô, usando o umbigo de fora, que só constatou o que eu já previa: como fui boba de não me permitir usar o que eu queria antes!

Nós mulheres sempre somos cobradas por nosso estilo de vida, comportamentos e roupas que usamos. Dá pra imaginar o quanto um simples cropped pode fazer diferença em nosso interior? Para mim, ele foi sinal de libertação de amarras dos ditadores de tendências, que insistiam em dizer que aquele tipo de peça não era feita para meu corpo. Apesar de no primeiro momento eu ter saído da minha zona de conforto, ele provou para mim que os olhares e julgamentos que eu tanto temia poderiam facilmente serem desconsiderados após uma longa reflexão do que eu achava, de como eu me sentia. Quando dei voz ao meu EU e me coloquei em primeiro lugar, percebi que o cropped é só um cropped. O que antes, na maior parte do tempo, me fazia sentir medo de usar e receio de não ser aprovado se tornou a maior prova de amor comigo mesma.

Eu me permiti usar essa peça que durante anos eu abominei. Me permiti me olhar no espelho com um olhar carinhoso sobre meu corpo. Me permiti me sentir livre para achar o que eu quisesse achar, ignorando qualquer comentário ou olhar maldoso que pudesse enfrentar. Comecei a pensar que a mesma moda que ditava o que eu podia ou não usar, era a que podia me libertar das amarras do padrão de beleza estipulado pela sociedade. Meu primeiro look com cropped foi ousado. Usei uma versão com paetê frontal e mangas longas de moletom, que deixam um ar mais despojado. Achei diferente, fora do óbvio e, principalmente, super à minha cara. Nada melhor do que se vestir e se sentir bem consigo mesma, independente de qualquer medo de julgamentos. Agora sim posso dizer que estou livre para usar o que me faz me sentir bem, independente do que vão pensar ou falar.

Convido vocês do Futi a terem essa mesma experiência, seja com o look do dia ou com qualquer situação de sua vida. Experimentar coisas novas nem sempre é negativo. Esse foi apenas o primeiro de muitos looks com cropped que vão me acompanhar não só no meu blog, no meu dia a dia.

Você pode seguir a Ana por aqui:
Instagram: @cindereladementira ou em seu blog!
0 em Looks/ Moda no dia 27.06.2017

Look da Jô: mesmo look, outras peças e boca rosa a peça

Vocês lembram daquele meu look do dia que a Cony adaptou? Aquele com a saia preta coladinha, a blusa de renda e a jaqueta jeans amarrada? Essa semana eu fiz o mesmo loook só que numa versão mais casual, aproveitando a modelagem + o caimento de todas as peças, mas mudando a proposta. Mostrando que dá pra gente mudar o look mesmo repetindo peças de  roupa e ideias de produção. Dessa vez, fiz algo menos feminino e delicado, mais básico e moderno para outra ocasião.

Sábado acordei as 07:00 para ser a convidada do NOSSO ENCONTRO desse mês, que era sobre AUTOESTIMA. Foi um bate papo de mulheres muito especial, todas as histórias me impressionaram e eu pretendo escrever sobre algumas das minhas epifanias. O evento acabou ao meio dia e não tive tempo de vir para casa trocar de look e fazer uma nova maquiagem, então fui para o meu segundo compromisso direto, por sorte o funcionou bem ali também.

O segundo programa? A participação especial da peça extra da Bia, BOCA ROSA A PEÇA. Sim, fiz uma pequena participação na peça de teatro da minha amiga Bianca Andrade. Ela convidou a mim, a Mayara Cardoso e a Gabih Machado para viver essa experiência de sermos nós mesmas, personagens da peça. Foram alguns minutos muito diferentes, posso riscar esse tópico tão alternativo da minha lista de coisas especiais e diferentes para se fazer na vida.

O look funcionou pra tudo isso, para o almoço e para assistir a segunda sessão da peça também. A verdade é que sai com ele as 8 da manhã e só voltei do jantar, então esse toque básico porém versátil dele funcionou muito bem pra mim.

camiseta Zara |sutiã de straps da Marcyn | saia lápis que era de uma amiga
bota Cavage | bolsa 3.1 Phillip Lim | jaqueta Primark

Deixei o body de renda e a blusa transparente rendada de fora da jogada, apostei em um sutiã de straps pra deixar tudo mais moderno e urbano. Tirei a blusa arrumada e investi numa camiseta bem básica, não vou chamar de podrinha porque odeio essa forma de falar, mas bem simples mesmo. A bota de verniz deu lugar a bota de oncinha, mais baixa e menos poderosa, assim como a bolsa verde militar mais chique foi substituída pela minha bolsa rosa de sempre, que é linda, mas deu um toque menos chique. Como eu disse, ficou mais casual desse jeito, se compararmos com o outro.

Na foto: minhas amigas lindas Mayara Cardoso & Gabih Machado, que são umas maravilhosas que arrasam nas maquiagens, no bom humor e na credibilidade.

Eu estou viciada nesse sutiã, ele aparece em decotes mais abertos ou maiores. Até agora só usei esse acessório, porque vamos combinar, essa peça é um acessório, com blusas pretas. Foi a primeira vez que usei com uma camiseta branca e gostei muito, achei mais descolado, menos sexy.

Esse look é bem básico, simples de montar, desses coringas aos quais pretendo recorrer várias vezes.

O que vocês acharam da produção?

Beijos

 

4 em Autoestima/ Destaque/ Moda no dia 20.06.2017

Oi, esse é meu umbigo, prazer!

– Oi, esse é meu umbigo!
– Muito prazer!

Esse fim de semana eu estava arrumando meu armário e vi uma estampa listrada. Por um segundo achei que era a saia da Ca que estava comigo, mas em seguida me lembrei que já tinha mandado despachado ela para NYC. Era outra peça, uma blusa meio doida que minha mãe trouxe da última viagem dela aos Estados Unidos. Me lembro de ter questionado dona Margô de que aquela blusa não fazia sentido pra mim.

Quando já se viu a possibilidade de eu usar uma blusa de umbigo de fora no meu maior peso? 

Simples, respondo: domingo passado vi a possibilidade!

Foi exatamente quando eu sai pela primeira vez na vida adulta com o umbigo 100% a mostra. Por sorte não dei a blusa quando a ganhei, talvez mais por educação do que por sorte. Minha mãe trouxe poucas peças de viagem pra mim e achei que seria uma desfeita dar a blusa novinha, resolvi guardar “para o dia que eu emagrecesse”. Você prestou atenção nessa frase? Esse post vai ser mais sobre essa frase do que sobre meu umbigo de fato!

Não sei se você sabe, mas quem sofre ou sofreu de transtornos alimentares sabe o peso que essa afirmação “condicional” tem. A turma da bulimia, anorexia nervosa, compulsão alimentar ou mesmo transtornos não identificados tem ideia da pressão que envolve aquele momento que nunca chega: o dia que você emagreceu o suficiente para que todos os seus sonhos prévios automaticamente se realizem.

Conheço algumas pessoas que precisaram tratar a cabeça com muito afinco depois da bariátrica! O motivo? A pessoa emagreceu, mas os outros problemas não acabaram. Porque eles diziam mais respeito à autoestima e auto percepção do que de fato ao emagrecimento em si.

A turma do efeito sanfona sabe da ilusão que é acreditar que no dia que você emagrecer vai ser promovida, ou que a sua mãe vai gostar mais de você, que você vai arrumar o emprego dos seus sonhos ou mesmo vai usar todas as roupas do mundo. A melhor eu separei, porque é a mais complicada de todas: no dia que eu emagrecer vou arrumar um namorado. Isso até pode acontecer, mas honestamente? Esses fatos não estão diretamente relacionados. Não mesmo.

A forma como a gente se enxerga diz mais sobre a quebra desses paradigmas do que a perda de peso de fato. Eu emagreci todos os quilos que eu precisava em 2008 e não aconteceu NADA. Eu tive crises homéricas de compulsão, tive depressão e precisei procurar o psiquiatra para tratar disso tudo. Eu tinha no mínimo 16 quilos a menos que hoje e minha vida amorosa era pior, sem falar na minha saúde psicológica. Era remédio para depressão, remédio para compulsão e remédio para controlar o efeito colateral dos anteriores, permitindo que eu dormisse. Os três remédios eram controlados. Hoje eu vivo à base de homeopatia e medicamentos simples, ainda bem.

Naquela época não importava o quanto eu tinha emagrecido, sempre faltava mais, assim como foi em 2012, quando enfiei na cabeça que para marcas quererem me vestir em semana de moda eu precisava ser magra. Nunca era o suficiente, eu nunca me via como eu vejo hoje nas fotos. Eu não me enxergava daquele jeito.

As roupas do armário não couberam em mim, o namorado não chegou com a perda de peso e minha vida não melhorou automaticamente. Muito pelo contrário. Em ambos os casos as dietas muito restritivas trouxeram a compulsão alimentar, a bulimia de remédio (ou a compensação no exercício) e a frustração de que nunca estava bom. Sempre faltava mais.

Minha sanidade sempre dava um jeito de falar mais alto e em ambas as situações eu procurei ajuda. Primeiro eu precisei de médicos e remédios, depois de um novo caminho de terapia, onde eu encontrei essa palavra que eu não conhecia: autoestima.

Aos poucos fui abrindo mão das nutricionistas da moda, das receitas do instagram e das referências de corpos e imagens que não eram minhas. Comecei um processo interno meu, de me conhecer e me explorar como um mar de possibilidades. A relação com o corpo começou a mudar, os hábitos alimentares também e eu comecei a ver que existia a possibilidade de ver de outra forma. Nem de longe acho que já fiz as pazes com a comida, mas com certeza já fiz as pazes com meu corpo, minhas dobras e curvas. 

Com o passar dos dias minha terapeuta começou a me mostrar que não era sobre o peso, sobre o corpo ou sobre minha imagem, que as coisas tinham mais relação com a forma como eu me enxergava e me comportava. Eu entreguei meu processo pro universo e o mesmo foi me mandando uma série de experiências que provavam por a+b que eu estava errada antes, que não era sobre o número na balança, era sobre o brilho que eu emanava.

Aquela coisa de se justificar por tudo foi deixando de existir. Nunca mais quero me justificar por comer um chocolate, por tomar uma cerveja com o cara que eu to afim ou por estar comendo uma pizza com as amigas.

É curioso que no meio desse processo eu comecei a ter vontade de fazer exercício – genuinamente – pelas razões corretas: por ser uma recomendação da OMS, por ser uma ótima forma de controlar a ansiedade, por me permitir performar melhor nas trilhas que desejo fazer por todo Brasil e por longevidade. Afinal viajar o mundo e aproveitar experiências distintas por todas as culturas é um sonho que pretendo realizar durante toda a minha vida.

Quando comecei a gostar de mim tudo mudou. A carreira prosperou, eu me encontrei, os relacionamentos se multiplicaram e a forma como eu vejo meu corpo foi mudando. Quando eu conto que não tenho vontade de perder os 16 quilos que ganhei muita gente se choca. Por mim eu perderia os últimos 8 porque tenho uma memória incrível dos meus 78 kg. Fui tão feliz em tantos sentidos, ousei na moda, vivi saúde e me curti. Pra que eu vou sonhar em voltar para um peso onde eu parecia ter saúde física quando eu não tinha saúde mental?

Quando me lembro dos meus 70, me lembro da sanfona, da compulsão, das justificativas, do não poder comer o que gostava e dos sacrifícios que eu tive que fazer para chegar ali. Não me lembro de uma foto maravilhosa, de um momento rindo, de um dia feliz com as amigas ou de um sexo memorável. Só me lembro de coisas difíceis e das crenças limitantes. Não me lembro do umbigo de fora ou da foto de maiô. Me lembro do photoshop, da inadequação e da cobrança da moda.

Minha vida mudou aos 28 e continua mudando com o #paposobreautoestima. Sem os desafios desse grupo, desse projeto ou dessa causa muitas dessas experiências continuariam dentro da sala da minha terapeuta ou mesmo debaixo do tapete. Cada dia mais que me encorajo a falar, me encorajo a mexer no que ainda não é fácil e compartilhar com vocês. Me animo pois sei que se eu fiz as pazes com o espelho, certamente conseguirei fazer as pazes com a comida e aprender a lidar com a minha compulsão.

Esse umbigo de fora pode ser ousado pra uns, falta de vergonha na cara pra outros, pra mim ele é simbólico e libertador! Assim como foi minha primeira foto da gordurinha das costas. Ele significa um novo tempo, uma nova proposta e um novo olhar. Ele significa uma Joana que evita se prender em crenças limitantes, que procura não ficar falando mal de si mesma ou do seu corpo como hábito, uma versão que nota o quanto as mulheres fazem isso o tempo todo, todos os dias.

Uma Joana que cada dia mais se torna consciente dos novos desafios, que busca cada dia mais saúde como um todo. Não essa de ficar magra com a cabeça ruim, mas aquela da cabeça boa que vai conseguir uma unidade mais saudável. Corpo, mente, alma e coração.

Meu umbigo diz: muito prazer pra vocês também e obrigada por serem o combustível na minha mudança e no nosso #paposobreautoestima.