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Moda

2 em Autoestima no dia 29.08.2018

Autoestima e autoimagem não estão necessariamente ligadas, já Autocuidado sim!

Não faz muito tempo a Jô escreveu na Glamour sobre como autoestima e autoimagem não estão necessariamente ligadas e nesse mês quis pegar carona nessa conversa e trazer uma outra reflexão para vocês aqui. 

Por que a gente quer falar sobre isso? Bom, na Assinatura de Estilo, relacionamos muito o processo de descoberta do próprio estilo com a melhora da autoestima das nossas clientes e, por mais contraditório e polêmico que seja o que vou falar a seguir, a verdade é que uma coisa não está necessária e diretamente ligada à outra.

Como assim?

Pra não parecer que o que a gente faz é pilantragem (e não é mesmo! rs) quero ir mais a fundo na relação que a gente vê entre autoestima e a descoberta do próprio estilo:

1. Começando do começo. Pra gente poder pensar em sugerir looks, peças de roupas, coordenações de cores ou qualquer outra coisa para uma cliente, é fundamental que a gente CONHEÇA bem essa cliente. Para isso é preciso que ela faça todo um processo de compartilhar conosco sobre sua rotina, seus gostos pessoais, o que é fundamental pra ela e porquê. Ela reúne pra nós desde dados práticos a referências que nos levam a compreender melhor sua percepção de si mesma, do seu estilo e da sua personalidade. Boa parte do processo se dá ao colhermos essas informações, quando nós passamos a conhecer mais sobre ela.

Bom, talvez seja nesse ponto onde nosso trabalho começa a ter relação com a autoestima das mulheres. Enquanto a gente faz essa investigação, a própria cliente vai tendo alguns insights, vai se percebendo e mais importante ainda: se conhecendo de forma consciente, analisando de forma desperta escolhas que até então ela fazia no automático. E é aí que a mágica começa, quando ela passa a dar atenção a ela mesma.

Por exemplo: a gente já atendeu várias clientes que se recusavam a ter ou até a experimentar uma calça branca. Pior: quando a gente mostrava alguma imagem de referência que tinha uma calça branca elas mal olhavam para a foto. E por que isso acontecia? Algumas delas cresceram acreditando que tinham o quadril largo demais pra usar uma calça branca (sabe tipo aquela história do biquíni branco?  Então…) ou que a calça branca mostra mais do que elas gostariam de mostrar, entre outras crenças – gerais – que a sociedade repete criando crenças limitantes associadas a moda.

Esse tipo de observação e análise só são possíveis se a cliente responder as nossas perguntas. A gente só consegue chegar nesse porquê se a cliente chegar também, se ela se permitir se questionar ou desconstruir crenças. O começo de todo o processo na Assinatura de Estilo  é basicamente uma ferramenta de autoconhecimento! Coincidência? Hummmm… acho que não! rs Nesse processo de questionar suas crenças sobre como ela se apresenta pro mundo muito se revela sobre a sua personalidade ou sobre sua auto percepção.

autocuidado

2. Gerenciando questões. Não importa muito o quê, mas o porquê das coisas: afinal, entendendo o motivo pelo qual a minha cliente tem tanto receio da calça branca (vamos ficar aqui nesse exemplo pra facilitar, tá?), eu consigo apresentar soluções alternativas para ela (tanto para que ela passe a usar a tal calça branca se essa for uma vontade, quanto para que essa questão seja gerenciada em outros momentos). A ideia é apresentar uma forma de solucionar as questões que irão aparecer de uma forma menos automática e óbvia, olhando pra si antes de repetir verdades que parecem absolutas sobre moda.

Sendo assim, vamos tentar entender qual é, exatamente, a questão que ela tem com a tal calça branca. Pode ser que ela simplesmente não goste de branco (e tudo bem, nem sempre as questões que enfrentamos tem um motivo super importante) e pode ser que ela tenha crescido ouvindo que não se deve usar branco em dia de chuva como eu cresci ouvindo isso! Bom, nem preciso dizer eu uso branco nesses dias só de raiva, né? rs Ou talvez ela acredite que só uma mulher super magra tem “permissão” pra isso.

Tudo isso pra dizer que: se ela tiver alguma crença limitadora com relação à calça branca, meu trabalho consiste em, dentre outras coisas, tentar desconstruir essa crença que ela carrega e não é necessariamente verdadeira. Mostrando pra ela que uma peça não é feita só da cor dela, tem tanto mais a se considerar – tecido, caimento, acabamento, o restante do look… E isso só acontece se ela deixar ou quiser embarcar nessa tentativa de se conhecer através do que veste. Pode não parecer, mas como normalmente quem contrata esse tipo de serviço está buscando mudanças mais internas do que externas,  isso não costuma ser tão difícil quanto parece. Mudar o visual acaba sendo a consequência de um processo interno de autoconhecimento.

Para nós, muito mais importante do que usar ou não a tal calça branca é fazer com que ela passe a refletir antes de simplesmente rejeitar uma possibilidade por causa de um pensamento automático. Quando ela faz essa reflexão de uma forma consistente e coerente uma luzinha interna acaba acendendo: ela percebe que a gente só cuida do que a gente ama e que a gente só ama aquilo de que a gente cuida. 

Isso porque tentar se entender e investir algum tempo nisso é uma forma de autocuidado.

3. Relacionando autocuidado e autoestima. Parece mágica, mas não é. Quando a gente se policia e se coloca para refletir sobe nós mesmas através de diferentes ferramentas de autoconhecimento a gente acaba se tocando do quanto esse cuidado conosco é importante. E quando a gente consegue ressignificar as crenças que temos sobre autocuidado e trazê-lo de forma prática para a nossa rotina, é quando as peças do quebra-cabeça se encaixam: a gente se sente super poderosa, seguras de nós mesmas e autoconfiantes. Seja porque a gente se sente capaz de fazer essa autoavaliação, seja porque a gente se sente linda, seja porque a gente se acha incrível por perceber isso tudo acontecendo e transformando nossas escolhas. Não importa tanto qual das opções mexeu com você, mas ao se cuidar com amor fica mais fácil colocar a autoestima lá em cima, <3

Agora eu quero saber qual a sua forma de se cuidar? Como você tem trazido o autocuidado pra sua vida? Tem feito isso de forma constante ou ainda precisa sair do piloto automático pra conseguir fazer isso?

Me conta? Quero muito continuar a falar disso por aqui, afinal esse olhar de autocuidado e autoconhecimento sobre a moda é só uma faceta de tudo isso.

2 em Looks/ Moda no dia 17.08.2018

Hoje o meu look do dia não é mais um catálogo, ele é sobre a liberdade de expressão através da moda.

Vim mostrar pra vocês um look que eu “inventei” em uma fração de segundos, tirei a camiseta que eu estava usando e pronto, coloquei o cropped e desci.

Bom, para ser honesta, a história desse cropped começou 3 dias antes da festa de “Ame sua Natureza“, no fim de semana do papo sobre autoestima. Dia 1 pela manhã, Maraisa chegou na minha casa e na sua mala veio nossos looks da festa. Mal dei bom dia para Mara e já sai pulando pra ela tirar da mala a roupa da festa, eu queria mais do que tudo experimentar e ver como iria me sentir naquela produção que eu e Carla pensamos com tanto carinho e a Adriana Meira executou.

Bom, como eu não me medi certo, o pior aconteceu e enquanto a saia do look ficou maravilhosa, a blusa não vestiu tão bem. Na prática não foi um problema, porque olhando tudo junto, concluí que ficou com mais informação do que eu gostaria, sabe? Me caiu a ficha que na verdade eu queria usar uma parte de cima lisa, não estampada. Pronto, nesse dia eu precisei criar forças para enfrentar um shopping durante a noite com a missão de encontrar um cropped pra mim. O que não seria um problema se as lojas tivessem mais variedades de peças do meu tamanho, mas como nem sempre tem, eu sabia que seria chatinho mesmo. Comprei um cropped vermelho primeiro, mas ainda não era bem isso. Comprei uma blusa preta na Zara depois, mas não era o que eu queria para a ocasião e, por fim, comprei dois cropped pretos diferentes que resolveram minha produção. Eu sabia que um dos dois atenderia prontamente meu look, dito e feito. No dia 04 eu entrei na festa com um dos modelos que achei na Renner, e o outro? Bom, eu veria o que faria com o outro depois.

Eu achei que esse “depois” iria demorar a chegar, no entanto, não foi assim que aconteceu. No dia seguinte, na hora de me arrumar pra o bate papo que fizemos no domingo, eu simplesmente estava abrindo a porta do quarto quando olhei o tempo lá fora e falei: “Opa! Posso mudar esse look aqui e ousar mais um pouco. Tirei minha T-shirt que tinha uma frase estampada sobre ser você mesma e de fato fui eu mesma, coloquei meu cropped novo e desci.

Não tive nem tempo para os antigos pensamentos viciados, não tive tempo para pensar em como eu pensaria no passado ou questionar julgamentos. Não sei se fui eu que sigo me transformando e amadurecendo ou se o ambiente de leitoras do papo sobre autoestima me deixou confiante. Atrasada eu só fui, de cabelo molhado, maquiagem improvisada e pronto, a barriga super de fora.

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Blazer e calça Zara | cropped Renner | sandália Cavage

O look não arrancou elogios, afinal, tinha tanta coisa incrível acontecendo que o look de fato era muito pouco importante. O look não arrancou olhares tortos ou julgamentos, era só uma roupa, roupa essa que eu estava vestindo com prazer.

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Dividi o sofá com Camilla Estima e Daiana Garbin, falamos de muitos dos assuntos que debatemos aqui no blog e foi sensacional viver essa experiência com as leitoras. Me empolguei tanto que esqueci de fotografar o look, que cuidadosamente eu repeti para fazer as fotos desse post.

Por que? Bom, porque eu senti que seria um grito de liberdade pessoal postar ele tanto no blog quanto no insta, então deixarei com vocês as palavras que usei no insta do futilidades para falar dele:

De repente a moda não é mais sobre o que eu devo ou não devo usar, de repente a moda é sobre como eu quero me expressar. De repente, não mais que de repente, a moda deixa de ser sobre me limitar. Posso e devo usar o que quiser para me comunicar, minha imagem pode falar sobre quem sou, alguém mais segura do que antes, num processo de transformação, que quer poder usar a moda como ferramenta de comunicação. Meu estilo deveria poder se lapidar com muita liberdade de expressão. Falo “deveria” porque na prática está longe de ser simples encontrar roupa que veste bem quando você é grande demais para as lojas tradicionais e menor do que deveria para as lojas plus size. O limbo do 44/46 ainda é mito pra muitas empresas, o que é curioso em tempos de tantas marcas falindo na moda e ao mesmo tempo tantas mulheres usando esses números! Então enquanto não dá pra escolher muito a gente dá nosso melhor casando todas as peças que temos de diferentes formas! Aproveitei a presença da fotografa @adrianacarolinafotografia no Rio para fazer um shooting, tudo de barriga de fora, uma conquista pessoal minha, que sempre achei que nunca era suficiente pra isso!

Essa minha conquista está até chata de tanto que o mundo olha pra minha barriga hoje, mas honestamente? Foram 28 anos dizendo que esse corpo não era digno de usar o que quisesse, ousar o quanto quisesse. Vivi um processo de adoecer esse corpo dos 11 aos 28 anos de idade, acho que é mais do que normal estar caminhando para os meus 32 gozando de uma liberdade que jamais pensei que teria, então sim, vamos continuar com esses posts onde um look do dia não é mais um catálogo, ele é sobre a liberdade de expressão através da moda.

Beijos

fotos: Adriana Carolina 
2 em Moda no dia 01.07.2018

Moda: TEM ALGUMA COISA ERRADA COM A MODA.

Alguma coisa? Tem várias coisas erradas com a moda, com o tamanho e com a crise. Na dúvida eu seguirei achando que há muito que deve ser feito, mas antes de mais nada vamos tomar consciência que alguns assuntos PRECISAM ser debatidos. Esse video é um deles.

Sei que nem sempre vocês são pessoas de vídeo, mas eu realmente acho que esse video vale a pena, precisamos discutir o limbo, a importância que damos aos números e o quanto todo esse processo cego da moda leva a crise econômica.