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Moda

3 em Comportamento/ Moda no dia 21.05.2018

Paolla Oliveira, me desculpe pelas pessoas que comentaram o seu corpo…

Começo da semana passada, pré estreia de filme, atriz que faz o papel principal aparece para ser fotografada. Mídia cobre o evento, fotos dos artistas percorrem a internet, pessoas comentam. Até aí, uma cena normal na vida de todo artista.

Mas… peraí. Que comentários são esses??comentarios-paolla-oliveiraEles já seriam problemáticos por si só apenas por sua existência, afinal, comentar o peso alheio é sempre uma atitude que deveria ser repensada e evitada. Mas tudo fica um pouco mais grave e sem noção quando ficamos sabendo que os comentários são direcionados à Paolla Oliveira, uma atriz que está dentro de todos os padrões possíveis.

Isso não deveria me chocar, mas chocou. Me lembrei na hora de uma conversa que tive com uma atriz de milhões de seguidores. Pra mim ela estava perfeitamente dentro do padrão de beleza e magreza exigido na sociedade, mas não. Ela me contou que engordou e eu disse que ninguém notaria, erro meu. Em menos de dois minutos ela me mostrou uma foto sua de biquini nas redes sociais. Uma foto linda, feliz, mas repleta de comentários bem parecidos com esse que ilustrei o post. A audiência demandava dela um ideal de perfeição. Nesse dia parei para pensar no nosso papel nisso tudo. Precisamos refletir sobre essa cobrança por perfeição de quem está na mídia. O grau de exigência com as celebridades é outro, não é à toa que modelos e atrizes sofrem tanto de questões alimentares e poucas vezes têm a oportunidade de comer sem culpa, se é que muitas sabem o que é isso. 

Outro caso que nos fez pensar sobre isso? O da Bruna Marquezine no carnaval! Para muitas mulheres foi uma ofensa ver uma mulher rica, bonita e magra sem peitos de silicone, como se peitos naturais fossem uma afronta, um enorme problema… de falta de perfeição. 

Mais um corpo de famosa atacado por não ser perfeito o suficiente. Mas que perfeição doentia é essa??

Foi nesse contexto que o caso da Paolla Oliveira mexeu comigo. Independente de opiniões sobre a roupa escolhida, o styling e afins, só conseguia pensar que o corpo dela estava ali, sendo comentado, debatido e julgado, e ninguém importando se isso será um gatilho negativo pra ela. Um monte de gente falando que ela está gorda, com uma barriga estranha e afins, mas se ela falar dos sacrifícios que faz pra emagrecer, diremos que ela está fazendo um desserviço aumentando o grau de exigência das mulheres pela magreza. Se ela se achar gorda enquanto está magra, a gente se ofende pois ela ainda está magra.

Parece que  esquecemos que a pressão estética adoece muitas mulheres, principalmente quem tem o corpo como ferramenta de trabalho. No caso delas, é como se falássemos de uma “super pressão estética”, só que dessa vez não vem da mãe, do namorado ou da amiga, e sim da massa, ou de diretores e produtores que têm medo da audiência cair se tudo não for tão perfeito assim. Nessa hora representatividade parece até cota.

Com esse tipo de comentário fica impossível não praticar alguma dose de empatia e imaginar a pressão por perfeição que elas sofrem. Queremos que as atrizes e influenciadoras não incentivem a magreza exagerada? Queremos que elas dissociem o exercício da compensação por comida? Queremos que elas parem de incentivar culpa na alimentação? Então precisamos acolhe-las mais e questionar quem as julga.

Por que pessoas comuns, que sofrem para ter um corpo aceito socialmente, cobram a perfeição de uma celebridade? Esses comentários têm uma parte de responsabilidade nesse ciclo vicioso e precisamos também falar sobre eles, da mesma forma que falamos de todos os outros riscos.

Mais da metade das adolescentes desenvolvem algum tipo de transtorno alimentar proveniente dessa magreza exagerada incentivada. A não flexibilidade desse padrão opressor de beleza adoece as pessoas, e quem está inserida num ambiente de cobrança maior – como é o caso da Paolla – sequer consegue enxergar seu corpo fora da sua bolha, seu recorte.

A culpa para alguns é da revista, que só coloca na capa a mulher que estiver exageradamente magra. Para outros é da emissora, que só dá papéis para mulheres que vestem 38 para baixo, mas pouco lembramos da parcela de responsabilidade das pessoas que criticam e atacam os corpos que, apesar de dentro do padrão da sociedade, não estão perfeitos o suficiente para quem faz sucesso. Como se as celebridades tivessem que pagar um preço sobre-humano de atender a uma exigência maior só por serem bem sucedidas nas suas carreiras. Muitas vezes de vítimas elas vão a algoz e parte da cobrança vem de algumas de nós.

Como pedir que as celebridades entendam que esse discurso de sacrifício para atingir a perfeição é um perigo social, se quando elas aparecem com uma gordurinha aparente, uma celulite, um peito que não é empinado, são socialmente atacadas? Quando realmente engordam, são questionadas? Ou, como foi o caso da Paolla, quando surge com um look que não agradou, ela recebe uma chuva de críticas….em relação ao seu corpo.

E o pior disso tudo é que essas mesmas pessoas – por mais triste que seja admitir, mas em sua maior parte, mulheres – que estão ali, constatando que uma atriz engordou como se isso fosse algo muito importante para ser apontado, não entendem que esse padrão impossível que elas estão cobrando de outras pessoas as atingem diretamente.

Os comentários são muitas vezes pura falta de sororidade com uma mulher que só foi livre pra sair vestida como bem entendesse! Tem um elogio? Ótimo. Não tem? Deixa o corpo dela de fora da argumentação! Enquanto esse movimento continuar acontecendo, vamos continuar sendo reféns de um padrão de magreza que adoece e de padrões estéticos quase impossíveis de serem alcançados naturalmente.

Eu acredito que precisamos mostrar que nós somos audiência e não vamos fugir ou mudar de canal se os corpos forem mais comuns, mais próximos do que vemos nas ruas. Nos sentir representadas poderá fazer com que nos sintamos mais próximas das narrativas, dos comerciais e das revistas. Precisamos cobrar menos perfeição e mais realidade para diminuir a frustração da sociedade, pra podermos olhar com mais amor pra gente e pro outro.

Um outro texto importante para você ler:

O peso dos outros

0 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Looks/ Moda/ Patrocinador no dia 16.05.2018

Look da Jô: Academia, moda fitness e como me sinto um mês depois!

Ano passado fiz meu primeiro post de moda fitness com escolhas da Marcyn com as peças que levei para o Atacama. Algumas das peças escolhi pra levar na viagem, outras eu já estava usando em looks de aeroporto e momentos em que o conforto fosse uma pedida importante. Sendo super transparente com vocês, acredito que de todas as linhas da marca, a fitness tenha sido a que mais demorou para entrar de vez na minha rotina.

O motivo? 2017 foi um dos anos mais difíceis para conciliar minha agenda com a do meu personal e eu tinha uma enorme dificuldade com a ideia de entrar na academia.
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tradicional: top + legging
Plus: top + legging

O medo de vestir o look da inadequação e de me sentir oprimida nesse tipo de ambiente acabava me afastando da importante missão de movimentar meu corpo, sem planos de emagrecimento, metas ousadas e dietas malucas. Como contei aqui no blog, resolvi enfrentar essas questões do medo do julgamento e da inércia de frente e, no último mês, tudo está bem diferente. O assunto que foi sementinha plantada aqui virou inclusive minha matéria da Glamour Brasil desse mês, cuja chamada foi até pra Globo.com.

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Top vinho e legging vinho – top vinho plus – legging vinho plus

Depois de 30 dias indo regularmente na academia e enfrentando fantasmas antigos, abri mão desse lugar de oprimida e vesti meus looks sem medo. Fui de top pra aula de dança e pra musculação, corri na esteira e encarei a bike com ou sem camiseta, sem medo, pra cuidar de mim da forma mais livre que uma pessoa que já teve pavor desse ambiente pudesse conseguir.

O clima intimidador pode até continuar lá, quem está olhando pra isso de outra maneira sou eu. Busco uma audição seletiva, preferindo não dar voz a certos assuntos e comentários. Tento entender que cada um vive dentro das prisões que conhece, não é porque o outro acredita nela que eu também preciso acreditar. A culpa da alimentação ou da quantidade de sacrifícios de outras pessoas não precisam ser minhas e assim estou levando de maneira mais leve a cada dia o ambiente da academia.

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Top estampado e calça básica

Justamente por gostar de mim, desse corpo e dessa vida que eu tenho optei por buscar exercícios que me façam sentir prazer. Acredito que só assim vou conseguir mantê-los na minha vida num longo prazo. Fazer atividade física e fortalecer meus músculos são atitudes que vão me ajudar na longevidade, independente do tipo de corpo que eu venha a ter. Sempre falei que a OMS recomenda exercício como algo muito importante em termos de saúde para todos, então podemos e devemos cuidar dos nossos corpos, mantê-los em movimento por gostarmos deles, não por odiar, não por culpa.

Minha meta não era perder peso ou compensar nada. Minha meta era encontrar atividades de cuidados com o corpo que me dessem outros ganhos como: alegria, diversão, aliviar o estresse, consciência corporal, condicionamento cardiovascular, melhoria do sono e outros benefícios que atingem a saúde física e mental, juntas. Não uma em detrimento da outra como estamos habituadas.

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Top roxo  – calça roxacamiseta roxa – top roxo pluslegging roxa plus 

Cada dia me sinto menos peixe fora d’água, me colocando menos no lugar da inadequação, como vim trabalhando na terapia! Me sinto mais segura a cada treino, não importando de ser a única de top em várias ocasiões. Estou à vontade com meu corpo e minha imagem, isso pra mim é uma delícia e uma libertação.

Aprendi nesse último mês que precisamos mudar a perspectiva e entender que todo corpo é digno de se exercitar e que a representatividade importa até nisso, para que nos sintamos acolhidas nos mais variados ambientes. Aprendi com a atriz Mariana Xavier que dançar era para todos, inclusive pra mim, ter essa referência me ajudou a ver que eu também podia ir pra aula, que hoje em dia, é uma das minhas preferidas.

 

Cuidar dos músculos e articulações faz parte desse meu processo de amor próprio e autoestima. Parece que não mudou muita coisa, mas na verdade mudou tudo. Ajustar as reais intenções de estar cuidando de mim e do meu corpo transformou os benefícios que eu tenho como expectativa hoje. Ao se tornar um processo de empoderamento meu abri mão da ideia de que precisava me transformar para ser aprovada naquele ambiente e de que eu precisava mudar para pertencer. Ficar segura de mim me deu forças pra olhar pra tudo de uma forma diferente, até mesmo para não me comparar com outras pessoas, sem fazer juízo de valor do meu corpo ou do corpo dos outros.

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Top preto e calça básica

Meu corpo não viveu ainda consequências estéticas, mas a saúde mental já está fazendo bom uso da nova rotina, assim como a força física já está diferente. Eu me sinto mais leve, mais feliz e menos estressada, mais livre pra me vestir e agir como sentir vontade.

O autoconhecimento me permitiu tanta coisa nesse processo de praticar atividade física, me expressar através da moda foi apenas um dos ganhos que eu tive durante esses últimos dias e por isso trouxe todos os meus looks e combinações pra vocês, porque finalmente consegui aproveitar um pouco de tudo isso que a Marcyn tem pra oferecer para variados tipos de corpos na sua linha fitness. 

Entrem no site, naveguem por lá e considerem experimentar essas peças. Separei todos os links da modelagem tradicional e da plus para abranger mais de nós. A linha básica  de suplex tem a melhor leeging e tops que eu já usei, a ponto de eu ter querido uma de cada cor. As demais peças são muito legais, além de ter qualidade elas tem estilo e podem ser usadas em momentos fora da academia como a Carla já falou aqui.

Quem estiver vivendo esse novo momento de se exercitar praticando um olhar mais amoroso e acolhedor me conta? Estou amando ler as histórias que estão nos mandando por DM sobre o assunto.

Beijos

 

1 em Autoestima/ Colaboradores/ Destaque/ Moda no dia 10.05.2018

Roupa de mãe?

Eu mesma já usei muito esse termo. Lááááááááá nos anos 2000, numa época em que eu era praticamente uma adolescente que nem sonhava em ser mãe um dia (e que não sabia absolutamente nada de feminismo e empatia, ou melhor, que não sabia de nada e ponto) e eu achava que mães eram seres, hummmm, digamos, de outra categoria.

Mas daí a dizer que existe roupa de mãe é um abismo de diferença, não? E o que seria a tal roupa de mãe?

e segundo o Google, roupa de mãe precisa combinar com a da filha também, pelo jeito.

e segundo o Google, roupa de mãe precisa combinar com a da filha também, pelo jeito.

Pelo o que eu vejo, roupa de mãe é a roupa que não é sexy. Mas é feminina. Ou seja, é a roupa que mostra que ela é uma mulher não sensual. Digo isso pelas milhares de newsletters de marcas que eu recebi nos últimos dias sugerindo presentes para as mães: tons neutros (porém delicados), florais (nenhum em fundo escuro), sapatos baixos, de bico redondo, roupas folgadas e austeras. Ou seja, TUDO que grita “tão feminina e fofa que chega a ser infantilizada (pra não dizer envelhecida e beatificada, amém)”.

E ainda lembrei de outro exemplo: o que seria “mom jeans”? É aquela calça semi-bag que nossas mães usavam quando a gente era criança lá nos anos 80/90. É confortável? É! É sexy? Nem um pouco.

Não vamos esquecer que até outro dia – ok, uns 3 anos atrás – a gente achava beeeeem cafona. Na verdade, vamos combinar que quando olhamos fotos antigas de família, da primeira questão que surge é “Como a gente usava isso? Como vocês usavam isso?”. E vamos ser sinceras, desde que o mundo é mundo os filhos estão aí pra contrapor seus pais para depois perceberem que eles estavam certos ou, se não chegarem a essa conclusão especificamente, aprenderem a não julgar suas escolhas. 

Perguntinha reflexiva: por que a tal calça não foi batizada de 80’s jeans ou algo do tipo e tiveram de associar a bendita às nossas mães?

Perguntinha reflexiva: por que a tal calça não foi batizada de 80’s jeans ou algo do tipo e tiveram de associar a bendita às nossas mães?

Acham também que roupa de mãe é a roupa comum, básica do dia a dia. O famoso jeans (ou legging, ou calça de moletom – insira aqui a parte de baixo simples/básica que preferir) + camiseta. Digo isso com conhecimento de causa: sou consultora de estilo e mãe de dois. Minha sócia também. Quando estamos em algum evento ou falando com alguma pessoa que não sabe que temos filhos, e usando algum look mais ousado (isso é, mais colorido, com design mais diferentão, sei lá) e comentamos algo das crianças, ouvimos: “O QUÊÊÊÊ???? VOCÊS TEM FILHOS? NO PLURAL? NOSSA, NUNCA DIRIA”.

Eu já me incomodei mais quando esse tipo de coisa acontecia. Mas acabei descobrindo, a duras penas e muitas doses de autoconhecimento, que é importante para mim exercer o autocuidado. E uma das minhas formas de fazer isso é me sentir bem vestida, com looks que me representam (eu gosto de dizer que dentro de mim mora uma periguete, uma drag queen e uma preguiçosa. E que eu nunca sei quem vai acordar primeiro e dar o tom do dia, hahahaha!!!!!). Ou seja, eu não preciso ser uma coisa só, muito menos uma coisa que me disseram que eu tenho de ser só porque eu sou mãe. Aliás, sou ariana, né, mores? Só porque me disseram que eu tenho de ser algo é que eu não vou ser aquilo MEEEEESMO – só de raiva, hahahaha!!!!

Brilho, transparência, seja o que for, continuarei sendo mãe.

Brilho, transparência, seja o que for, continuarei sendo mãe.

Né?

Né?

Ah, e sabe a mom jeans que eu falei? Preciso comentar aqui um acontecimento curioso, já que desde que ela alcançou o status de “roupa das modas”, não se espera mais que mães usem – aiaiaiaiaiai, isso tá ficando complexo. Mas quer saber? Vou usar sim, muito jeans de mãe, muito brilho, muita camiseta, muita fenda, muito tudo o que eu quiser. Inclusive o moletom, se me der nas tampas. Ou seja, roupa de mãe é a roupa que ela quiser! E que todas aqui que são mães tenham um ótimo dia das mães, bem livre de padrões e maravilhoso!