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Moda

4 em Autoestima/ Destaque/ Moda no dia 20.06.2017

Oi, esse é meu umbigo, prazer!

– Oi, esse é meu umbigo!
– Muito prazer!

Esse fim de semana eu estava arrumando meu armário e vi uma estampa listrada. Por um segundo achei que era a saia da Ca que estava comigo, mas em seguida me lembrei que já tinha mandado despachado ela para NYC. Era outra peça, uma blusa meio doida que minha mãe trouxe da última viagem dela aos Estados Unidos. Me lembro de ter questionado dona Margô de que aquela blusa não fazia sentido pra mim.

Quando já se viu a possibilidade de eu usar uma blusa de umbigo de fora no meu maior peso? 

Simples, respondo: domingo passado vi a possibilidade!

Foi exatamente quando eu sai pela primeira vez na vida adulta com o umbigo 100% a mostra. Por sorte não dei a blusa quando a ganhei, talvez mais por educação do que por sorte. Minha mãe trouxe poucas peças de viagem pra mim e achei que seria uma desfeita dar a blusa novinha, resolvi guardar “para o dia que eu emagrecesse”. Você prestou atenção nessa frase? Esse post vai ser mais sobre essa frase do que sobre meu umbigo de fato!

Não sei se você sabe, mas quem sofre ou sofreu de transtornos alimentares sabe o peso que essa afirmação “condicional” tem. A turma da bulimia, anorexia nervosa, compulsão alimentar ou mesmo transtornos não identificados tem ideia da pressão que envolve aquele momento que nunca chega: o dia que você emagreceu o suficiente para que todos os seus sonhos prévios automaticamente se realizem.

Conheço algumas pessoas que precisaram tratar a cabeça com muito afinco depois da bariátrica! O motivo? A pessoa emagreceu, mas os outros problemas não acabaram. Porque eles diziam mais respeito à autoestima e auto percepção do que de fato ao emagrecimento em si.

A turma do efeito sanfona sabe da ilusão que é acreditar que no dia que você emagrecer vai ser promovida, ou que a sua mãe vai gostar mais de você, que você vai arrumar o emprego dos seus sonhos ou mesmo vai usar todas as roupas do mundo. A melhor eu separei, porque é a mais complicada de todas: no dia que eu emagrecer vou arrumar um namorado. Isso até pode acontecer, mas honestamente? Esses fatos não estão diretamente relacionados. Não mesmo.

A forma como a gente se enxerga diz mais sobre a quebra desses paradigmas do que a perda de peso de fato. Eu emagreci todos os quilos que eu precisava em 2008 e não aconteceu NADA. Eu tive crises homéricas de compulsão, tive depressão e precisei procurar o psiquiatra para tratar disso tudo. Eu tinha no mínimo 16 quilos a menos que hoje e minha vida amorosa era pior, sem falar na minha saúde psicológica. Era remédio para depressão, remédio para compulsão e remédio para controlar o efeito colateral dos anteriores, permitindo que eu dormisse. Os três remédios eram controlados. Hoje eu vivo à base de homeopatia e medicamentos simples, ainda bem.

Naquela época não importava o quanto eu tinha emagrecido, sempre faltava mais, assim como foi em 2012, quando enfiei na cabeça que para marcas quererem me vestir em semana de moda eu precisava ser magra. Nunca era o suficiente, eu nunca me via como eu vejo hoje nas fotos. Eu não me enxergava daquele jeito.

As roupas do armário não couberam em mim, o namorado não chegou com a perda de peso e minha vida não melhorou automaticamente. Muito pelo contrário. Em ambos os casos as dietas muito restritivas trouxeram a compulsão alimentar, a bulimia de remédio (ou a compensação no exercício) e a frustração de que nunca estava bom. Sempre faltava mais.

Minha sanidade sempre dava um jeito de falar mais alto e em ambas as situações eu procurei ajuda. Primeiro eu precisei de médicos e remédios, depois de um novo caminho de terapia, onde eu encontrei essa palavra que eu não conhecia: autoestima.

Aos poucos fui abrindo mão das nutricionistas da moda, das receitas do instagram e das referências de corpos e imagens que não eram minhas. Comecei um processo interno meu, de me conhecer e me explorar como um mar de possibilidades. A relação com o corpo começou a mudar, os hábitos alimentares também e eu comecei a ver que existia a possibilidade de ver de outra forma. Nem de longe acho que já fiz as pazes com a comida, mas com certeza já fiz as pazes com meu corpo, minhas dobras e curvas. 

Com o passar dos dias minha terapeuta começou a me mostrar que não era sobre o peso, sobre o corpo ou sobre minha imagem, que as coisas tinham mais relação com a forma como eu me enxergava e me comportava. Eu entreguei meu processo pro universo e o mesmo foi me mandando uma série de experiências que provavam por a+b que eu estava errada antes, que não era sobre o número na balança, era sobre o brilho que eu emanava.

Aquela coisa de se justificar por tudo foi deixando de existir. Nunca mais quero me justificar por comer um chocolate, por tomar uma cerveja com o cara que eu to afim ou por estar comendo uma pizza com as amigas.

É curioso que no meio desse processo eu comecei a ter vontade de fazer exercício – genuinamente – pelas razões corretas: por ser uma recomendação da OMS, por ser uma ótima forma de controlar a ansiedade, por me permitir performar melhor nas trilhas que desejo fazer por todo Brasil e por longevidade. Afinal viajar o mundo e aproveitar experiências distintas por todas as culturas é um sonho que pretendo realizar durante toda a minha vida.

Quando comecei a gostar de mim tudo mudou. A carreira prosperou, eu me encontrei, os relacionamentos se multiplicaram e a forma como eu vejo meu corpo foi mudando. Quando eu conto que não tenho vontade de perder os 16 quilos que ganhei muita gente se choca. Por mim eu perderia os últimos 8 porque tenho uma memória incrível dos meus 78 kg. Fui tão feliz em tantos sentidos, ousei na moda, vivi saúde e me curti. Pra que eu vou sonhar em voltar para um peso onde eu parecia ter saúde física quando eu não tinha saúde mental?

Quando me lembro dos meus 70, me lembro da sanfona, da compulsão, das justificativas, do não poder comer o que gostava e dos sacrifícios que eu tive que fazer para chegar ali. Não me lembro de uma foto maravilhosa, de um momento rindo, de um dia feliz com as amigas ou de um sexo memorável. Só me lembro de coisas difíceis e das crenças limitantes. Não me lembro do umbigo de fora ou da foto de maiô. Me lembro do photoshop, da inadequação e da cobrança da moda.

Minha vida mudou aos 28 e continua mudando com o #paposobreautoestima. Sem os desafios desse grupo, desse projeto ou dessa causa muitas dessas experiências continuariam dentro da sala da minha terapeuta ou mesmo debaixo do tapete. Cada dia mais que me encorajo a falar, me encorajo a mexer no que ainda não é fácil e compartilhar com vocês. Me animo pois sei que se eu fiz as pazes com o espelho, certamente conseguirei fazer as pazes com a comida e aprender a lidar com a minha compulsão.

Esse umbigo de fora pode ser ousado pra uns, falta de vergonha na cara pra outros, pra mim ele é simbólico e libertador! Assim como foi minha primeira foto da gordurinha das costas. Ele significa um novo tempo, uma nova proposta e um novo olhar. Ele significa uma Joana que evita se prender em crenças limitantes, que procura não ficar falando mal de si mesma ou do seu corpo como hábito, uma versão que nota o quanto as mulheres fazem isso o tempo todo, todos os dias.

Uma Joana que cada dia mais se torna consciente dos novos desafios, que busca cada dia mais saúde como um todo. Não essa de ficar magra com a cabeça ruim, mas aquela da cabeça boa que vai conseguir uma unidade mais saudável. Corpo, mente, alma e coração.

Meu umbigo diz: muito prazer pra vocês também e obrigada por serem o combustível na minha mudança e no nosso #paposobreautoestima.

0 em Autoestima/ Looks/ Moda no dia 15.06.2017

Look da Cá: quando uma blusa poderosa faz toda a diferença

Apesar de eu ser fã número 1 das amadas camisetas podrinhas, recentemente eu entrei em um caso de amor sério com blusas poderosas. Pode ser ombro a ombro, ter uma manga diferentona, decote “ombrinho gelado” ou como no look de hoje, com decote e manga aparecida!

Eu já mostrei parte dessa blusa quando contei que estava encantada com estampa de vichy p&b, e desde então eu não paro de ver esse tipo de xadrez em tudo que é loja. E mesmo tentada a comprar outras peças da mesma estampa, eu tenho certeza que já encontrei a blusa que eu queria.

Adoro usar com calça preta skinny, em um look mais noite e mais elegantezinho, daí outro dia fui tentar com short jeans e não é que eu gostei? Aproveitei para registrar exatamente o mesmo look que eu tinha usado outro dia com a Adriana Carolina, na sessão que fizemos na Rough Trade, uma loja de discos com espaço para shows e até mesmo um café aqui em Williamsburg, super linda e vale a visita para quem estiver pensando em dar um pulinho por essas bandas! <3

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Enquanto eu escolhia esse look para levar para a sessão, confesso que testei com um sapato de salto fino e ficou IN-CRÍ-VEL. Modéstia à parte, era o tipo de look que eu daria pin no Pinterest, eu fiquei me achando, me senti linda e tudo o mais. Só que aí eu parei para pensar se eu realmente queria fotografar um look que eu de fato não teria como usar por aqui. Acho legal ter fotos com produções diferentes, mais aspiracionais, mas eu realmente não estava no clima para isso.

Acho que ter levado o Arthur para a sessão ajudou nessa sensação de querer fazer algo mais a ver com o meu dia a dia. Aí literalmente botei meus pés no chão e preferi fotografar um look não tão incrível ou inspirador quanto o original, mas que tem tudo a ver com o meu estilo de vida atual.

E no fim ficou bem eu: confortável, prático e a blusa sendo o ponto poderoso entre o short jeans e a sandália. Melhor assim, né? :)

Beijos!

0 em Looks/ Moda no dia 07.06.2017

Look da Cá: Cintura alta e blusa ombro a ombro em um look todo azul

Recentemente notei uma cor que invadiu meu armário. Eu sempre curti coisas azuis, mas acho que nunca tive tantas peças com as mais diferentes variações do tom. Não sei se essa cor me acalma, que mais me chama atenção depois de um inverno recheado de looks pretos, se eu acho que é a cor que mais me valoriza, se é a tendência que está nas lojas ou se é uma combinação de todos esses fatores, a verdade é que outro dia fui reparar e vi que agora tenho short, vestido, algumas blusas e até mesmo sapato. Azul claro, jeans, marinho, acho que só não tenho turquesa porque eu quase não uso cores muito “iluminadas”. E o resultado disso é uma infinidade de looks azuis. Esse é mais um deles para a minha coleção. :)

A blusa é novidade no meu armário e eu estava doida para usar! Já contei aqui que outro vício recorrente é o ombro a ombro, né? Teoricamente não é a modelagem que mais me favorece, mas na prática eu me sinto tão bonita com esse tipo de decote que eu ignoro o fato de ter ombros largos. E quanto aos babados em cima dos peitos para quem tem seios grandes? Li uma matéria falando para evitar isso outro dia e quase cuspi minha água. Ignorei lindamente também – e acho que fiz bem, porque AMEI. É por essas e outras que eu tenho um certo pavor de regras de consultoria.

Acho que saber me valorizar é super importante, conhecer os pontos fortes do meu tipo físico também e acho que é o tipo de informação que é sempre bom ter e deixar guardada na manga. Mas a partir do momento que essas regras me limitam e me aprisionam, eu prefiro repensar se o que eu quero mais é atingir uma harmonia ou experimentar e me jogar. Dificilmente eu escolho a primeira opção.

Poxa, eu já sou tão básica na maior parte do tempo, porque eu vou ficar me preocupando se peitos acima do tamanho X devem evitar babados na região? Obrigada, mas não obrigada. :)

 Blusa PS love Stripes | Short J.Crew | Alpargata Cavage

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Provavelmente se eu tivesse que mudar um coisa, seria o short. Amo ele, cintura alta do jeito que eu gosto e tem o detalhe do laço que deixa tudo mais charmoso – a não ser quando pego o Arthur no colo e ele quer sair, se contorce e deixa o laço destruído, como na segunda foto hahaha #realidades. Mas depois de ter visto as fotos, eu tive a impressão que essa blusa ficaria mais valorizada com um short menos molenga. E é assim que a gente aprende, errando, testando, aprendendo com o próprio armário.

Eu adoro ver looks meus, mesmo aqueles que eu considero 100% bem resolvidos, e estudar o que poderia mudar ou melhorar. E acho que trazer para cá para a gente conversar sobre é mais legal ainda, não acham?

Beijos!

Fotos: Adriana Carolina