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3 em Autoestima/ Destaque no dia 17.07.2017

Moana, seus cabelos e mais um exemplo da importância da representatividade

Como eu já mostrei algumas vezes no stories do Futi, Arthur está numa fase apaixonado por Moana. Não tinha ideia que na idade dele já existiria essa preferência por filmes de animação, mas desde que ele viu pela primeira vez na casa de uma amiga, ele fica louco toda vez que eu boto.

Recentemente ele começou com um truque novo, diariamente ele me leva para a frente da TV, aponta para cima e fica falando “Mô Mô”. Nem reclamo e boto sempre, afinal, Moana é aquele tipo de filme que só tem coisa boa para ensinar, as músicas são lindas e é uma delícia de ver. Acabei aprendendo todas as canções e acho que fico mais empolgada quando começa do que ele.

Até que depois de passar uma semana vendo Moana todo santo dia, eu resolvi dar uma olhada nos extras que estão disponíveis para quem comprou o filme. Nem sabia que era possível, mas eu fiquei mais apaixonada por essa personagem.

Eu não vi como foi o processo dos outros filmes recentes como Valente ou até mesmo Frozen, mas eu facilmente diria que de todas as produções da Disney dos últimos anos, o que mais me deu a sensação de imersão em outra cultura foi Moana. Pelo o que eu pude ver nos extras, foram aproximadamente 6 anos de pesquisas nas ilhas Pacíficas, com consultores locais dando os toques culturais em cada detalhe do filme, desde vestuário, coreografias e danças, o cabelo do Maui (durante muito tempo ele estava sendo feito careca!) até a forma errada que eles animaram uma Moana revoltada e jogando um coco longe (os consultores explicaram que na cultura deles o coco é um alimento que você divide com as outras pessoas da comunidade, por isso eles nunca fariam isso com uma comida). E apesar de ter muito pano para a manga, hoje quero falar sobre os cabelos.

Vamos começar por Fiona Collins. Ela é uma atriz neozelandesa que foi a responsável por emprestar seus fios para a criação da personagem. A equipe da Disney fez mais de 20 horas de filmagem com essa atriz, com todos os movimentos possíveis e texturas diferentes no cabelo, o que foi possível trazer tanta realidade para a animação. No fim do documentário extra, ela se emociona ao dizer que é gratificante saber que sua neta vai crescer e poderá se enxergar na tela do cinema.

Mas sabe, Moana é polinésia mas é uma inspiração para meninas do mundo todo. Desculpem o palavreado, mas Moana é um mulherão da porra – por mais que seja apenas uma adolescente – e seu cabelo faz parte do empoderamento de quem assiste, sim.

Vou inclusive me pegar como exemplo. Meus cabelos sempre foram ondulados, mas eu não tinha essas referências enquanto eu crescia. As princesas da minha época eram Branca de Neve, Aurora, Pocahontas, Cinderela, e a que eu mais me identificava, a Bela. Todas de cabelos lisos. Eu nunca quis alisar meus cabelos mas é inevitável que essa enxurrada de referências lisas me faziam ter certeza que, por mais que eu não reclamasse dos meus cabelos, eu sabia que eles não eram os mais bonitos que existiam.

“Seu cabelo é tão legal!” – Moana, não faça essa cara, é lindo mesmo!!

Eu fico imaginando como não seria maravilhoso ter 8 anos e crescer com uma heroína maravilhosa que nem ela com cabelos parecidos com os meus. Acho que nunca precisaria depender de secador e só aprender a me ver livre dele quando eu já tivesse meus 30 anos. Acho que nunca torceria para um belo dia meu cabelo alisar magicamente só para eu poder me sentir um pouco mais parecida com as princesas que eu gostava – ou cantoras e atrizes que eu admirava, todas lisas também.

Não dá para voltar no tempo, mas eu fico feliz ao ver que as meninas de hoje têm cada vez mais possibilidades de trabalharem suas autoestimas com personagens tão importantes e tão cheios de representatividade. E que continue assim, não é, mesmo Disney?