Browsing Tag

maternidade

0 em Comportamento/ maternidade no dia 29.08.2018

Você não tá vendo que eu to ocupada???

Pode me confessar, você já se sentiu a pior mãe do mundo porque disse não para o seu filho(a) quando ele(a) pediu para você brincar/ler/dançar/fazer qualquer atividade que te obrigue a parar o que você está fazendo para dedicar atenção exclusiva àquele momento de lazer.

Se bobear isso acabou de te acontecer e por causa do trabalho acumulado no home office, ou na pilha de roupa pra lavar ou até mesmo porque você tava querendo botar o papo em dia com as suas amigas no grupo do whatsapp (até parece que eu vou te julgar por isso), vc se estressou porque praticamente gritou um “NÃO POSSO AGORA” ou um “VOCÊ NÃO VÊ QUE EU TO OCUPADA?” e não atendeu o pedido do seu filho.

Tenho certeza que pra justificar a sua explosão, e pra diminuir um pouco da culpa, você tentou se convencer que criança tem que aprender a ouvir não, que o mundo não gira em torno de seus umbigos e que elas precisam aprender caso contrário vão virar adultos mimados. E essa explicação super vai funcionar. Eu sei. Funciona comigo em diversos momentos.

Só que recentemente eu venho lendo “O ano em que disse sim”, livro sucesso de Shonda Rhymes que eu até hoje não sei por quê eu demorei tanto para ler. Ah, já sei, porque eu tenho uma relação de amor e ódio com ela. Porque ela faz a gente se envolver com cada personagem para depois ir matando todos, um por um. Mas calma, esse post não é sobre isso.

No meio de tanta coisa legal (não vou falar muito porque obviamente farei um book do dia exclusivo), um dos trechos que mais me impactou foi quando ela falou que passou a dizer sim para as brincadeiras das filhas. Não importa se ela estivesse arrumada, prestes a entregar um prêmio importante, se ela estivesse com episódios atrasados para entregar. Se ela estivesse perto das suas filhas e elas perguntassem se ela queria brincar, ela iria dizer sim. E ela passou a encarar esse comportamento não como uma regra, e sim como uma lei que ela mesmo se impôs.

Porque ela é tão workaholic e trabalhar é tão a sua zona de conforto que, como ela diz: “saber que eu não tenho escolha significa que eu não me sinto culpada em me afastar das minhas tendências workahólicas. Eu não sinto remorso em jogar minha bolsa no chão na hora que eu estou saindo de casa para o escritório quando ouço as palavras mágicas – quer brincar?”

Eu não sou workaholic como a Shonda, mas eu sou uma mãe que trabalha de home office, o que significa que se ele não está na escola, aparentemente, na cabeça dele,  eu estou sempre disponível. E as vezes seu tenho que focar em um texto pra fazer, em uma estratégia para desenhar, em uma reunião que to tendo com a Joana pelo Skype e as vezes fica desesperador tentar trabalhar com seu filho querendo mexer no seu computador ou puxando suas calças enquanto grita e chora porque quer atenção. Acabo perdendo essa briga, o único problema é que vou para esse momento tão puta de ter perdido a minha concentração, que eu quase não aproveito. Fico pensando no trabalho que eu deixei pendente para atender aos desejos dele.

tempo-para-brincar

Tenho a sorte e o privilégio de trabalhar com algo que é meu e ainda por cima ter uma sócia que além de madrinha, entende meu lado e segura minha barra. Mesmo assim eu me irrito de não conseguir fazer as coisas no meu tempo, do meu jeito, sem interrupções, sem ter que parar meu fluxo de trabalho para brincar. Nessa hora tento me convencer que me impor e não ceder à gritaria é a chave para não criar crianças mimadas, e na maior parte do tempo eu realmente me convenço disso mesmo. Mas sempre saio chateada dessa situação, não importa se eu aceitei brincar ou não.

Aí, nessa parte do livro, ela fala justamente que ao se obrigar a dizer sim a esses momentos, ela percebeu que nunca passou mais de quinze minutos brincando. Depois disso suas filhas dispersavam e iam fazer outras coisas que não exigiam a atenção da mãe. E no fim das contas, suas filhas estavam felizes e ela também estava feliz porque conseguiu ter um momento dedicado à elas, sem se sentir culpada pelo o que deveria estar fazendo. Um pouquinho de amor, como ela diz.

Resolvi botar na prática essa teoria dela, e não é que Shonda tava certa? Diversas vezes parei tudo que tava fazendo para botar uma máscara do Hulk para lutar contra o CatBoy de PJ Masks (que era ele, claro), fui desenhar, fui ajudar a montar o trilho de trem, fui dançar algumas músicas da trilha sonora de Trolls ou do Mundo Bita. Nem sempre dura 15 minutos, e eu aprendi a desapegar disso (até porque me conheço, e sei que se eu estipulo 15 minutos, eu vou ficar frustrada se esse tempo passa), mas, de fato, essa é a média de interesse que ele me queria junto. E quer saber? Tem sido uma mudança bem incrível.

Eu parei de ficar chateada, ele parou de ficar carente, o resto do dia fluiu de forma mais leve. E até eu fiquei mais leve, porque sempre é bom brincar, dançar descoordenada, desenhar a primeira coisa que vem na cabeça. Voltar a ser criança mesmo. Descobri que dá para fazer isso depois de adulta, e que é muito legal. Nem que seja por 15 minutos, meia hora que seja.

Ainda tenho muitos ponteiros para ajustar, e pelo pouco que já vi nesse mundo de maternidade, sei que muitos deles nunca vão ficar certos, mas e daí? Só de descobrir que me flexibilizar a ponto de equilíbrar me fez bem, ou melhor, nos fez bem. Então tá tudo bem, e divido com vocês. Obrigada por mais essa, Shonda. :D

0 em Comportamento/ Destaque/ maternidade no dia 15.08.2018

Calma, respira

Quer um saquinho de vômito? Não pra vomitar (mas se quiser, também serve), te ofereci ele só pra você fazer uma respiração ritmada para botar os ponteiros no lugar novamente, por mais que você saiba que eles não ficarão muito tempo ajustados.

Sei bem o que você está passando e sei que tá dificil achar seu lugar no mundo novamente. Você é mãe, mas você é tão mais. Só que infelizmente você não vai conseguir enxergar isso agora, a não ser que você tenha achado na maternidade a sua vocação de vida (o que eu imagino que não tenha sido seu caso se você está aqui lendo esse texto). E tá tudo bem não ser, viu? Isso não quer dizer que você ame menos essa pessoinha que está aí nos seus braços.

Sei exatamente a sensação frustrante que acontece quando, ali no meio do turbilhão, você tem vislumbres de quem você era antes da maternidade, e de repente se vê nutrindo a esperança que você vai conseguir voltar a ser a mesma pessoa de antes. E aí vem o bebê, em toda a sua imprevisibilidade e te puxa para o aqui e agora, te lembrando que aquele seu eu não tem como aparecer agora para te confortar. Por mais que você consiga momentos de respiro, parece que queremos sempre mais, que não foi o suficiente. Ninguém prepara a gente para essa luta interna que travamos conosco. E ela é dolorosa, parece um band aid que quanto mais a gente demora para tirar e aceitar, mais difícil e dolorido fica.

BEBE-MATERNIDADE

Quisera eu conseguir chegar pra você e falar: calma, vai passar, quando você menos esperar tudo vai se ajustar. Aliás, nem espere de mim um “vai passar” porque só eu sei o quanto isso só me deu mais ansiedade.

Quisera eu dizer pra você que quanto mais cedo você entender toda a mudança na sua vida, mais fácil fica para curtir as belezas da maternidade. De fato é isso que acontece mesmo, mas eu sei que essa chavinha nem sempre vira no meio do furacão. E as vezes, na pressão de tentar fazer as coisas ficarem mais claras, é aí que ela emperra de vez.

Não consigo te dar nenhuma dica porque no meu caso demorou MUITO. 1 ano e meio pra ser exata. Nessa época, com um filho de 2 meses, eu estava angustiada e um tanto perdida. Não tinha ideia quem eu era, cheguei até a fazer uma tatuagem no lugar mais visível de todos (todas as minhas outras são escondidas porque meu maior medo era cansar de olhar todo dia para elas), justamente porque foi a forma que eu encontrei de tentar me achar no meio daquela sensação esquisita de não saber quem eu era mais. Sentia um misto de felicidade com tédio, amadurecimento com injustiça. Ah, e culpa, claro. Afinal, aos olhos dos outros era um absurdo eu estar me sentindo assim. E foi com os olhos dos outros que eu me enxerguei por um tempo, e isso só deixou minha luta ainda mais lenta e dolorida.

Quando tudo estava entrando nos eixos, lá fui eu me mudar de país para viver a maternidade da forma mais intensa por dia: mãe que fica em casa. Não foi intencional, claro, foi apenas uma decisão tomada com toda a consciência do mundo mas que mesmo assim não me impediu de sentir tudo aquilo que eu tinha sentido anteriormente. A perda do tempo, da liberdade, da própria identidade – que por mais que eu lutasse para não perdê-la, me fazia gastar um tempo e energia absurdos para conseguir isso. E essa fase foi bem mais demorada para passar.

Hoje não tenho vergonha de admitir que passei a lutar contra mim exatamente no momento que o Arthur entrou na escolinha e eu pude arrumar tempo para botar minhas ideias no lugar. Foi ali, tendo um tempo para mim e podendo dedicar um verdadeiro tempo de qualidade para ele que eu consegui mensurar e descobrir as delícias da maternidade. Aquela que todo mundo falava e eu me achava estranhíssima por não conseguir enxergar.

Queria te dar um conselho mais certeiro, mas a verdade é que eu não consigo.

Pode ser que você passe a aceitar a maternidade de forma mais leve quando seu filho passar a interagir mais contigo. Pode ser que você só descubra que realmente gosta de ser mãe quando conseguir ter um tempo para você. Pode até ser que você conclua que ser mãe não é algo que você genuinamente goste (e mais uma vez, não gostar de ser mãe nada tem a ver com não amar seus filhos). Mas enquanto essa resposta não vem, só posso te dizer: respira.

2 em Comportamento/ Destaque/ Juliana Ali/ maternidade no dia 14.08.2018

Mini me? Não. Big you.

Fico um pouco aflita com essa moda de mãe e filha que usam a mesma roupa. Sabe, que você já compra igual, o vestido já vem na versão grande e pequena, pra fazer conjuntinho? Tenho plena consciência que é só uma gracinha, que não tem problema nenhum e que não devo subentender nada além de uma coisa de união, mamãe e filhinha mostrando que tem algo em comum, e é fofo.

É que trago para a minha própria experiência pessoal, e não consigo ver graça. Na infância eu mesma escolhia minhas roupas, e gostava disso.

Eu ia brincar no parquinho com uma saia de bailarina rosa, uma jaqueta jeans oversized cheia de broches, uma boina medonha (não tenho explicação para a boina) e o cabelo todo grudado de gel porque a ideia era ficar zoado que nem o da Madonna. Cresci nos anos 80, a gente queria ser a Madonna no vídeo de Like a Virgin. E minha mãe me deixava sair assim, toda esquisita. Afinal, pra mim, aos sete anos, não tava esquisita, tava belíssima.

Tive umas fases que nem te conto. Cheguei em níveis bem piores, prometo, mais tarde. E ninguém disse nada em casa. “Ela tá se expressando, deixa”, minha mãe falava para os outros, quando questionavam se ela ia deixar eu sair assim, MESMO. E, pra mim, ela dizia “tá linda”.

Depois que fiquei mais velha e mais auto consciente, olhava aquelas fotos da infância e dava risada, dizia “mãe, você era maluca de me deixar pisar fora de casa desse jeito”. “Olha filha, eu realmente acreditava que você devia se expressar, e não me metia”. Hoje, como mãe, acho que ela tinha toda a razão.

Não é fácil entender que o filho da gente é OUTRO. Que talvez, inclusive, acabe se tornando uma pessoa absolutamente diferente, com visões de mundo opostas à nossa até. Nossos filhos e filhas crescem dentro da gente, literalmente, por um tempo. Fomos NÓS QUE FIZEMOS aquela criatura. É como se ela fosse nossa mesmo.

Por isso acho que é tão difícil lidar com o fato de que não apenas ela não é nossa, como ainda por cima pode ser completamente diferente de nós e agir de formas que não tem nada a ver com o que esperávamos ou mesmo torcíamos.

Meu filho mais velho é autista. Nem me fale sobre agir da forma que eu não esperava, disso eu entendo. Ele não é e nem nunca será como eu imaginava. Minha filha mais nova cismou que é um elefante, já há alguns meses. Ela dorme, acorda, vai pra escola, com uma touca cinza que tem orelha, tromba, tudo, que já está imunda e não consigo lavar porque ela não larga por tempo suficiente. Sinto falta de ver o cabelo da Carmen, já quase esqueci como é.

ju-ali

E sabe? Tudo bem. Nossos filhos não são nossos “mini me” (se tem uma expressão que odeio, é essa). Nem nosso espelho. Nem nossas segundas chances de realizar sonhos frustrados na vida.

Eles são pessoas absolutamente independentes. E, quanto mais diferentes de nós eles forem, mais precisarão da nossa aceitação. Mais precisarão ouvir que “você tá linda”, quando a criança está de boina em um verão de 40 graus com gel de glitter escorrendo pela cara.

Pra mim, essa é a beleza da maternidade, no fim das contas. A surpresa diária de conhecer esse ser humano que era tão meu, tão meu, que morava aqui dentro. E, conforme o tempo passa, vai se tornando alguém com opinião própria, vontade própria, personalidade própria. Alguém que se expressa. E eu deixo se expressar. Pode ir pra escola com a touca de elefante sim, filha. Você tá linda.