Browsing Tag

maternidade

6 em Comportamento/ maternidade no dia 12.05.2017

O 3o. Dia das Mães

Nesse domingo eu passarei meu 3o. dia das mães, e essa semana eu estou bem pensativa, um pouco nostálgica talvez.

Meu primeiro dia das mães foi em 2015 e eu tinha descoberto que estava grávida dias antes, por isso, eu nem conto direito porque até então nada tinha mudado. Eu não tive enjoo, não tive dores no peito, não tive sono. Naquele começo de maio a ficha ainda não tinha caído mesmo, mas já jurava pra mim mesma que conseguiria manter minha promessa de não deixar nada na minha vida mudar depois que o Arthur (que, na época, eu nem sabia que seria Arthur) nascesse. Claro que eu estava cheia de dúvidas e medos, afinal, eu sempre fui uma pessoa que não sabia lidar com crianças e que tinha medo de pegar em bebês. Mas quando a vontade surgiu, e quando eu vi o resultado positivo eu, que fiquei meio incrédula e muito, muito feliz, resolvi botar logo na cabeça que ia dar conta de tudo e que nada mudaria. Inocente, né? Eu sei.

Aí veio meu segundo dia das mães em 2016 e eu vi que não conseguiria manter minha promessa 100%. Para quem via de fora, parecia que tudo tinha permanecido igual. Alimentava o blog religiosamente desde que o Arthur tinha 2 semanas, deixei clientes agendados por um mês e voltei a produzir conteúdo pra eles logo que esse mês acabou, assim como voltei a ir em eventos, voltei pra academia. Mas por dentro….ah, por dentro. Que revolução! Enquanto eu ficava encantada com aquela pessoinha tão pequena e indefesa que tinha saído de mim, enquanto eu me reapaixonava pelo meu marido no papel de pai, enquanto eu fantasiava os anos que seguiriam e enquanto eu morria de amores por cada micro evolução, fui assombrada por sentimentos que não esperava. A insegurança e a ansiedade apareceram como eu nunca poderia ter imaginado. Ideias estranhas e também inesperadas aparecerem em um momento que eu jurava que era tão pleno me inundaram: “Meu Deus, o que eu fiz da minha vida?”, “eu não sou mais dona do meu tempo, e não estou achando isso tão legal”, “estou com saudades da minha liberdade”, “ai meu Deus, será que estou sendo egoísta?”, “duvido que outras mães pensem isso, devo ser uma péssima mãe”.

Diria que esses 5 primeiros meses até meu segundo dia das mães foram feitos para que eu acordasse e descobrisse que eu romantizava a maternidade muito mais do que eu imaginava. Apesar de ter sido avisada e ter me preparado para não esperar o tal “sentimento de maior amor do mundo” no momento que eu o visse, eu não tinha noção como a maternidade não é instintiva nem tão intuitiva. Tudo é novidade, tudo é uma delícia, mas hoje vejo como subestimei a mudança que se dá quando o bebê chega em casa, e nem sei por quê, afinal, eu sempre sou a amiga que aconselha a morar junto antes de casar justamente porque acho que mudar de casa logo após o casamento é uma atitude muito brusca. Como encarei de forma tão ingênua a chegada de um integrante novo na família? Estava esperando viver aquela imagem da mãe plena, olhando o bebê com tranquilidade e amor, sendo que nos 2 primeiros meses, era mais comum você me ver confusa e um tanto quanto desesperada com medo de fazer algo errado. Depois tudo se encaixou e eu pude aproveitar realmente não só a Carla mãe, mas tudo que envolve maternidade.

E aí veio mais mudança. Um mês depois do dia das mães nos mudamos. De país. E cá estamos, no meu terceiro dia das mães, que eu diria ter sido o mais desafiador porque eu virei mãe em tempo integral. Logo eu, que estava tão acostumada a ter uma equipe que ajudava para que a minha rotina continuasse 70% a mesma de antes do Arthur. Abdicar das facilidades que eu tinha (inclusive com os avós morando na cidade do lado) não foi uma decisão leviana, eu tinha noção do que me esperava e do que eu precisaria fazer, mas mesmo preparada foi bem mais difícil do que eu imaginava, não nego. Aqueles sentimentos de “o que eu fiz da minha vida”, que tinham desaparecido lá em fevereiro de 2016 voltaram à tona. O trabalho teve que ser deixado um pouco de lado, tive que cortar clientes, diminuir minha assiduidade aqui no blog e em muitos momentos, não tinha energia para as mídias sociais. Me via acabada não só fisicamente mas mentalmente e não me dava vontade de alimentar instagram ou fazer snaps. Por vezes me senti (e na verdade ainda sinto, é uma questão que estou aprendendo a lidar até agora) presa e frustrada, emburrecendo e com a sensação que a vida de todo mundo estava seguindo enquanto a minha se encontrava estagnada. Imaginem a Carla que era considerada a grávida relax, virou a mãe que se descabela e descompensa, que chora de raiva e frustração e que perde a paciência com mais facilidade do que poderia imaginar. Quem diria.

Ao mesmo tempo, acho que eu nunca cresci tanto. Me descobri mais forte, mais capaz, mais resiliente. Aprendi a redimensionar problemas, e estou aprendendo a ser mais paciente e aceitar que nem sempre conseguirei estar em primeiro lugar na minha vida (e que tudo bem, isso passa, por mais ansiosa que eu seja), a me virar sozinha com um bebê por aí, a me importar menos com o que os outros pensam. Paguei minha língua de diversos modos. Imagina, eu, a pessoa que dizia que só sabia cozinhar miojo e que não ia aprender a cozinhar, fazendo mil coisas para o filho porque quer oferecer comida saudável para ele? Ainda estou aprendendo a priorizar e a organizar meu tempo, mas é algo que tenho certeza que só vai melhorar daqui pra frente.

Parando para refletir em tudo relacionado aos dias das mães, acho que a mudança mais importante que eu senti nesse dia das mães foi poder entender um pouco mais da minha mãe também. Hoje acho ela uma mulher muito mais forte do que jamais achei. Muitas vezes me orgulho de ver que estou repetindo os mesmos ensinamentos, assim como fico feliz de saber seus arrependimentos justamente para que eu não os repita (ou pelo menos fique sabendo dos contras). É um baita ensinamento e uma evolução na relação de mãe-filha que cada vez mais tem me surpreendido.

Ainda tenho chão pela frente, muitos erros e muitos acertos ainda estão por vir. Mas a cada dia das mães que passa, tenho a certeza que terei cada vez mais força, sabedoria e paciência para encarar cada desafio que chegar.

4 em Convidadas/ maternidade no dia 26.04.2017

Sobre ser mãe de menina

Nunca sonhei em ser mãe. Adorava Barbie, detestava boneca que me chamava de mamãe e ficava no colo, coisa sem graça! Sempre adorei crianças, mas a dos outros. No fundo, me sentia incapaz de cuidar de um ser tão frágil e dependente. Acho que não confiava 100% em mim pra cuidar de mim mesma! E, se cogitava a maternidade, pedia um menino. 

Aos 34 anos, tive uma gravidez não planejada. Momento tão desorganizado na vida… mas decidi ter meu bebê, ainda que aquilo parecesse muito surreal na cabeça. Foi uma gravidez muito complicada, quase perdi o bebê e quase morri. Mas, com sete meses de gestação, em uma consulta de pré natal, me avisaram que teria que fazer uma cesariana. Ali, no susto! Tremia alucinadamente na hora de tomar a anestesia. Não tava pronta. Mas ela tava. E, quando a médica levantou minha neném e nos olhamos pela primeira vez, foi a sensação mais louca do mundo. Ela nasceu e eu nasci com ela.

Desde então, cuidei sozinha de uma neném extremamente frágil fisicamente, mas de uma força interna que me modificou por completo. A gente se sente meio leoa, né? De repente eu, que nunca tinha trocado fralda, virei mãe 24hs. E haver uma mulher em formação, totalmente dependente de você, te faz SER a mulher que você quer que ela se torne. Você precisa ser o espelho. E passa a não aceitar pra si tudo que não deseja pra ela. Passa a ter com você mesma as atitudes que quer que ela tenha no futuro. Passa a se amar como quer que ela se ame.

Você quer tanto que ela seja feliz, que entende que pra isso precisa ser feliz também, ou ela jamais entenderá o exemplo! Precisa se cuidar, se respeitar, se compreender. Precisa ter um relacionamento saudável ou mostrar pra ela que também pode ser feliz sozinha. Precisa conquistar e manter seu lugar e cobrar seus direitos pra que ela jamais aceite ser submetida a nada diferente disso.

Eu não me preocupava tanto com certas pautas e achava outras coisas exageradas. Hoje entendo que isso era não me amar o bastante. Mas quando você ama tanto um serzinho que você fez, esse amor acaba se estendendo também pra si mesma. Transborda.

Instintivamente, me vi criando a mim mesma. Me transformando na mulher que quero que minha Helena seja. Brigando pelo que quero que ela brigue. Me aceitando como quero que ela se aceite.

Hoje entendo o que Simone de Beauvoir disse. Não se nasce mulher. Se torna! E, tentando criar a minha, acabei dando à luz também à mulher que nunca tinha nascido em mim. 

6 em Comportamento/ Destaque/ maternidade no dia 25.04.2017

Eu preciso mesmo ser mãe? Isso tem que ser meu sonho?

Dizem que ser mãe é padecer no paraíso, com todo respeito eu duvido. Acho que isso é uma frase romantizada para “dizer que vai valer a pena” no final. Admiro para caramba uma mulher que se propõe a ser mãe e a dar seu melhor na criação de uma criança.  Ser mãe ou pai é um desafio, sempre foi, mas recentemente esse desafio me parece ainda maior. Talvez eu ache isso porque estou entrando na idade onde muitas pessoas próximas a mim estão engravidando e tendo filhos, não sei. Só sei que mesmo ninguém me cobrando, eu acabo sentindo essa pressão de alguma forma e esse assunto me fez pensar sobre algumas coisas.

Eu admiro muito mulheres que têm o dom visceral de ser mãe, ou encontram nesse caminho a maior missão e propósito que existe no seu coração. Eu posso vir a ser mãe um dia, ou não, mas duvido muito que eu tenha esse conteúdo vibrando tanto na minha essência, de forma tão visceral e preenchedora. Sei que daria meu melhor e que tudo se transforma à nossa volta, mas ter isso pulsando tanto dentro de si, sem a sensação de estar perdendo nada, genuinamente completa, é diferente. Eu não me vejo assim e está tudo bem, muitas mulheres são mães e não se veem assim também.

Enquanto essa parte da minha vida permanece uma incógnita, eu vou satisfazendo o provável “instinto materno” com meu afilhado gostoso….

Acho que se eu fosse mãe minha carreira iria continuar sendo importante, minha vontade de viajar também, alguns ajustes teriam de ser feitos, mas não viraria do dia pra noite a pessoa mais altruísta do mundo. Essa expectativa viria seguida de frustração no meu caso. Minha mãe é de um jeito, eu de outro, a Carla é de outro (e inclusive passou e ainda passa por essas questões que eu penso que teria) e todas somos ótimas, cada uma a sua maneira. Eu olho a minha mãe e vejo que ela encarou a maternidade como missão e propósito. Eu vejo a Carla e percebo que ela sempre quis que a maternidade fosse um acréscimo na sua vida, sem se anular na medida do possível. E eu me vejo no meio do caminho: será mesmo que eu preciso ter esse sonho que claramente me demandará tanto? 

De vez em quando num acesso de fofura minha mãe me diz que o dia em que eu nasci foi um dos dias mais felizes da vida dela. Ela queria muito me ter, então eu imagino que tenha sido mágico mesmo. Curioso que quando ela tinha minha idade o sonho dela era esse: me ter um dia. O meu não é. Meus sonhos envolvem meu trabalho, destinos diferentes ou até mesmo um grande amor. Para ela foi mágico, era pura expectativa, pra mim é assustador. Definitivamente não acho que tenha que ser mágico pra toda mulher. Precisamos parar de colocar todo mundo no mesmo saco. 

A verdade é que mesmo não sonhando em ter filhos eu não estou fechada para nada. Sei que posso mudar de ideia, inclusive quero cuidar de preservar minha fertilidade por isso, mas independente de sonhar ou não com a maternidade, ver a Carla e seus posts me faz acreditar que mesmo eu não tendo nascido com essa vocação eu posso querer fazer isso. Sem me anular, sem mudar meus sonhos e deixar de ser quem eu sou. Porque existem variados tipos de boas mães e independente de quais forem os meus sonhos, eu não precisarei deixar de ser eu mesma.

Sem dúvida, pra mim que nunca tive na maternidade um objetivo de vida, sempre foi difícil pensar que se um dia eu escolhesse viver isso, eu teria que abrir mão de tudo que eu desejo fazer, plantar, colher e realizar ainda nessa vida.

….ou com a minha sobrinha fofa demais!

A maternidade poderá vir a ser um desejo na minha vida, mas acho que ser em mãe tempo integral jamais vai ser uma vocação pra mim, por mais que eu ache bonito e respeite as mulheres que escolhem esse caminho. Tudo tem a ver com os sonhos de cada uma, precisamos parar para refletir e respeitar quem pensa diferente da gente. Sem diminuir a outra mulher que fez escolhas distintas ou pensa diferente da gente. Não existe um tipo certo de mulher e nem um tipo certo de mãe, por isso não julgar é tão importante. Agora eu mesma vou responder a pergunta que me fiz no título: não, eu não preciso ser e nem sonhar em ser mãe. E nem você. E tá tudo bem.