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2 em Comportamento/ maternidade no dia 30.11.2018

Desfralde, o momento que mais me aterrorizava me trouxe muitos aprendizados

De todos os desafios da maternidade, preciso confessar para vocês que tinha um em específico que me deixava de cabelo em pé: o desfralde.

Todas as amigas que têm filhos com idade próxima já tinham passado por isso.  Algumas eu acompanhei de perto. Era xixi escorrendo pela calça no meio do supermercado. Amiga levando penico portátil para o parque. Tive amiga mais radical que passou um dia sentada no chão do banheiro fazendo intensivão de desfralde. E as pilhas e mais pilhas de roupas para lavar, claro. CABELO. EM. PÉ.

Meus pais me cobravam. Achavam um absurdo ele estar com 2 anos (depois 2 anos e meio, depois quase 3) e ainda usar fraldas. Quando eu responderia que eu achava que ele ainda não estava pronto, eles diziam que era frescura minha.

Olha, pode até ser. De fato eu aproveitei que a escolinha não exige crianças desfraldadas e prolonguei esse momento o máximo possível. Não sei como é no Brasil, mas aqui eles têm todo um respeito por esse período. Pela primeira vez eu ouvi que se a gente forçasse antes da hora, poderíamos criar traumas.

E por mais que ele estivesse se interessando no banheiro quando via os amigos já desfraldados, eu juro para vocês que eu sentia que ele não estava pronto ainda.

ATENÇÃO, AS CENAS A SEGUIR SÃO FORTES – EVITE LER SE VOCÊ ESTIVER COMENDO.

Se a gente não notasse o cheiro, ele ficava com fralda cagada por minutos e mais minutos sem reclamar. Você via ele fazendo aquela cara suspeita, perguntava se ele queria fazer cocô e ele dizia que não. Quando ia checar, lá estava ele. Enfim…Como eu achava que ele estava pronto se ele não me dava sinais?

Há 3 semanas eu tomei coragem. Meu marido estava doente, o fim de semana era de chuva, os planos seriam de ficar o dia em casa. Achei que a hora era aquela e resolvi trazer um pouquinho de emoção.

FOI O CAOS. Claro.

Passamos o fim de semana limpando cadeira, chão, sofá, tapete. E muitas e muitas pilhas de roupas para lavar, claro. Mas quer saber? Não foi todo esse bicho de sete cabeças que eu imaginava.

Sim, tivemos que melhorar nossa logística para incluir uma ida ao banheiro antes de sair de casa. E outras quando encontrávamos qualquer banheiro pelo meio do caminho. Tivemos uns acidentes que fizeram a gente sair correndo de onde estávamos. Algumas (poucas, ufa) cuecas jogadas fora. Mas foi tudo muito mais simples do que eu achava.

As pilhas de roupa, que eu tanto achei que seria a pior parte, foram tranquilas. Os acidentes que eu achei que iam me deixar louca, até deixaram… por 2 dias. O resto foi fácil de contornar.

desfralde

Talvez ele até já tivesse pronto para o desfralde há mais tempo, mas achei que respeitar o tempo dos pais também é um fator importante. A impressão que eu tive foi que conseguimos passar pelo processo de forma mais calma, com menos pressão. Aquelas histórias que eu vi acontecendo com amigas minhas não aconteceram comigo. Pela primeira vez nós fomos mais no instinto do que nas dicas alheias. E olha, foi a melhor coisa!

Agora surge uma nova questão que eu acho que vou querer ajuda dos universit  de quem é mais experiente: como vocês fazem com as milhares de vontades de fazer xixi e coco antes de dormir? Ou então quando você está no restaurante e ele pede de 5 em 5 minutos para ir no banheiro, só porque é divertido passear pelo restaurante?

3 em Autoestima/ Comportamento/ maternidade no dia 25.11.2018

Nem toda mãe que está mostrando a barriga no pós parto está segura

Ontem entrei em uma conversa com umas amigas por causa do corpo da Isis Valverde. Uma delas mostrou uma foto recente da atriz, onde ela postou uma foto de um look com saia cintura alta e top cropped mostrando uma parte da barriga.

Em qualquer outra situação, essa seria só uma selfie qualquer. Só que, nesse caso, estamos falando de uma Isis que acabou de ter filho. Há menos de uma semana, para ser mais exata.

pos-parto

insta @isisvalverde

Teve quem achasse que ela estava fazendo um desserviço, que a foto postada serviria apenas para fazer pressão nas outras mães. E eu entendo mesmo esse lado. Acho que tem muita revista e muita legenda perigosa no instagram. Informações essas, que tentam nos fazer acreditar que voltar ao corpo de antes em tempo recorde é real e possível. Com certeza essa foto de Isis já deve estar rodando os grandes portais com alguma legenda elogiando seu corpo.

Eu não sei o que motivou Isis a postar tal foto, também não sei como ela está se sentindo no pós parto. E não quero saber. Mas ela me lembrou uma história que eu já cruzei nesses quase 3 anos de #paposobreautoestima, e eu quis dividir. Porque acho que é importante falar sobre isso.

A verdade é que a mãe que parece segura por fora mas está insegura por dentro existe. E é mais comum do que imaginamos.

Um dia, em um evento, eu entrei em uma conversa com outras mães e uma delas contou sobre seu corpo pós parto. Disse que amou a barriga, mas quando o bebê nasceu, ela se olhou no espelho e não se reconhecia. Isso é muito comum. Diferente é a forma como cada mulher lida com isso. E essa moça que veio conversar contou sua estratégia.

Ela era daquelas mulheres ratas de academia antes de ter filhos. Foi uma grávida ativa, daquelas que só tinha barriga. Porém, quando ela voltou para casa depois do parto, ela se sentiu tão insegura com seu corpo, que passava horas em frente ao espelho achando o ângulo perfeito. Ângulo esse que disfarçava qualquer evidência de corpo pós parto, claro. Caso tivesse algum resquício, Facetune na barriga. Sua neurose com o corpo foi tão grande que a única forma que ela se sentiu validada era sendo elogiada pelas pessoas.

Eu fiquei chocada com aquele relato pós parto. E agradecida por ela ter tido a coragem de dividir comigo.

 

E a moral dessa história é justamente aquilo que vivemos batendo na tecla: não se compare com as redes sociais. Seja com a atriz, seja com a influencer ou com a conhecida.

>>>>>> Veja também: Jura que você acha que estou usando meu filho como desculpa para não ir para a academia? <<<<<<

Não baseie nada, muito menos seu corpo pós parto com o corpo de ninguém. Não compare seu processo com o de ninguém. Existe muita foto perfeita por aí que esconde vulnerabilidades que nem imaginamos. Existe muita gente aparentemente segura que usa as redes sociais como escudo para autoafirmação. E também existe gente com estruturas e estilos de vida completamente diferentes dos nossos. Tá tudo bem seguir seu próprio tempo dentro das suas possibilidades.

Não tenho ideia dos motivos que levaram Isis a postar a tal foto. Como disse, também não quero saber. Mas quero que você, que viu a foto e por um acaso se sentiu uma bosta porque você teve filho há meses e ainda tá longe do corpo pré gravidez, tire essa ideia da cabeça.

0 em crônicas/ maternidade no dia 05.11.2018

Ensinar a se amar é revolucionário. Ensinar a se impor também.

Ser mãe de menina é, ou ter que se acostumar a ouvir todo tipo de frase machista disfarçada em conselho, votos de felicidade e preocupação ou afiar sua língua para dar o repeteco tão julgado e, sinceramente, necessário. E faço mais, ensino a filha a fazer o mesmo!

Dia desses em uma conversa despretensiosa com a professora, ela me contou do dia que Luiza fez um discurso feminista digno de muita passeata por aí. O motivo foi um só: os meninos brincavam de carrinho e ela havia entendido que eles não iriam deixar que ela brincasse também por ser menina:

– Meninas também brincam de carrinho! Minha mãe falou que meninas podem fazer o que quiserem! Não existe “coisa de menina” e “coisa de menino”!   – E lá foi ela batendo o pé participar da brincadeira diante dos olhos curiosos e assustados dos coleguinhas que nada entendiam.

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ensinar-amor-proprio-se-impor

Outro dia, ao ver da janela de casa a luz de um holofote em meio às nuvens, ela me disse:

– Eu acho que é um raio, mamãe.

– Não é não, Lulu. É um holofote.

– Mamãe, você acha que é um holofote, eu acho que é um raio. Eu gosto de rosa, você gosta de azul, lembra? – Disse, me lembrando da vez que a ensinei a respeitar a opinião que diverge da dela.

Bateu um orgulho daqueles.

Nunca me esforcei para moldar a Luiza. Nunca quis que ela se esforçasse ou mesmo almejasse se enquadrar em padrões tão cruéis de beleza e comportamento. Aliado ao gênio forte, tenho em casa uma pimentinha que apesar de ardida, dá cor e sabor a minha vida.

Ensinei a ser forte, ensinei a não ter medo de se expressar, ensinei a amar todos sem distinguir sexo, cor, religião e tenho treinado seus olhos a verem beleza em todos. Somos diariamente bombardeadas com propagandas exaltando belezas. E elas são quase sempre tão falsas, tão plasticamente tristes e inalcançáveis que vez ou outra abro o Google e lhes mostro mulheres de outros países.

Mulheres de outras culturas, com padrões completamente diferentes de beleza, negras, gordas, ruivas, morenas, de tribos e etnias, da cidade ou do campo, mostro tudo o que há para ser visto e incentivo a enxergarem a beleza em todos, inclusive neles mesmos.

Ensinei que além da beleza a ser vista, não nos resumimos a ela. Temos sonhos, sentimentos que às vezes nem sabemos nomear, coisas que vão muito além da aparência. Há felicidade no simples, no escuro, no silêncio das madrugadas que passamos a sós com nós mesmas e não há melhor companhia, não há maior amor no mundo do que o que temos ou devemos ter por quem somos e este amor salva, nos levanta todos os dias da cama, ensina a recomeçar do zero, não importa quantas vezes venhamos a cair. Nos amar é revolucionário, saber respeitar as opiniões diferentes e saber se impor também. Bem a cara dela, né?