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3 em Comportamento/ maternidade no dia 19.04.2018

Ah, poderia ter mais uns 5…

Semana passada resolvi dividir com vocês o meu momento “me tira daqui”. Essa semana queria dividir o meu momento “poderia ter mais filhos”, algo até então inédito para mim.

Estou na fase que amigas e conhecidas estão no segundo filho, a maioria justificando que é melhor passar o perrengue todo de uma vez só. Admiro todas, acho incrível acompanhar a gravidez delas, mas não consigo me ver usando esse argumento hora nenhuma. To muito feliz e satisfeita, mas também muito atarefada e cansada sendo mãe apenas do Arthur, obrigada.

Toda vez que me perguntam se quero ter mais filhos, tenho o cuidado de nunca dizer nunca, mas respondo sempre que ser mãe é tão desafiador – e ser mãe em outro país acaba sendo mais desafiador ainda – que estou mais do que satisfeita com apenas um.

A verdade é que eu não lidei tão bem com a maternidade quanto eu gostaria. Vocês que me acompanham por aqui sabem. Para mim não foi tão (e muitas vezes continua não sendo) simples ou natural abrir mão da minha liberdade. Amo meu filho mais que tudo, mas odeio ser resumida ao papel de mãe. Sou tão mais do que isso, poxa! Tive dificuldades em abrir mão do meu tempo, em entender que a rotina de outra pessoa dependia muito de mim e passei pelo caminho mais complicado, que foi delicado entender que eu era mais egoísta do que gostaria de admitir. É um caminho de amadurecimento que não tem sido fácil, mas é recompensador.

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Acredito que por isso tudo que eu falei, eu acabei bloqueando na minha cabeça qualquer assunto relacionado à mais filhos. Toda vez que ouvia alguém dizendo que “tava tão fácil que poderia ter mais 5”, eu entendia que era uma força de expressão, mas nunca conseguia me identificar. Imagina…nem nos melhores dias, nas situações mais lindas e gostosas, naquele dia que a vontade é guardar tudo em um potinho, a possibilidade de ter mais 1 – que dirá 5! – aparecia na minha cabeça!

Até que ontem eu estava no sofá e Arthur subiu em cima de mim, me abraçou e me deixou fazer carinho nele. Acho que ficamos 15 minutos ali, parados, eu fazendo cosquinha nas suas costas, ele com a cabeça no meu ombro, olhando para mim e rindo. Aquele típico momento que se eu pudesse ficar nele, congelada para sempre, eu ficaria. Naqueles 15 minutos, eu não estava nem aí se o tempo não era meu – até porque ele era, eu queria estar ali, eu fazia questão de estar ali! – e por um segundo visualizei a casa mais cheia e entendi quem falava que poderia ter mais 5 se fosse fácil daquele jeito.

Não, isso não quer dizer que quero mais filhos. Não no momento. Continuo muito feliz, muito satisfeita, muito realizada (e cansada, atarefada e muitas vezes exaurida) com apenas um filho. Não penso em mudar toda uma rotina que está ficando cada vez mais organizada e prazerosa. Não sinto necessidade nenhuma de aumentar a família.

Mas fiquei feliz de finalmente ter sentido isso de forma tão intensa, entendido esse sentimento e ver que, por mais romantizado que ele pareça, ele pode acontecer de forma muito genuína. <3

5 em Comportamento/ Destaque/ maternidade no dia 12.04.2018

Você já teve seu momento “alguém me tira daqui” essa semana?

Para as mães que estão vivendo no olho do furacão – isso é, no auge do terrible twoqueria perguntar se vocês também têm o “momento do me tira daqui” com uma certa frequência. Sei lá se esse é o melhor nome para definir tal situação, mas foi assim que resolvi apelidar depois que eu me vi quase sentando no chão do supermercado e torcendo para que alguma força do universo me teletransportasse para qualquer canto da galáxia só para me tirar – sozinha, preciso frisar – daquela cena.

Essa cena, inclusive, foi hoje. Uns 40 minutos atrás.

Tudo começou porque eu pedi para ele entregar um brinquedo que era da escola na mão da professora. Ele entregou, mas foi sair porta afora para ele se arrepender de ter entregado. E aí, minhas amigas, eu virei quem eu mais temia: a mãe com a criança que esperneia e grita a tiracolo. 

Eu fiz de tudo que minha experiência como mãe e como pessoa que gosta de ler sobre o assunto me ensinou. Até que em um certo momento, o motivo do choro não era mais por causa do brinquedo da escola, era porque ele não queria ficar de casaco, era porque ele queria colo, mesmo eu não tendo mão (nem coluna) para dar o colo.

mil crianças em uma, esse é o terrible two

mil crianças em uma, esse é o terrible two

Tive o momento de parar e olhar no olho – parei no meio da rua umas 5 vezes em 1 km de percurso. Tentei o método de contar até 3. O método de soprar no rosto para ver se distraía. Tentei mudar o assunto. Lembrar de tudo aquilo que ele gosta para mudar o foco da atenção. Tentei sair andando, ignorar e deixar ele chorando (foi pior, óbvio). Tentei levar pelo braço. Nada adiantou.

A essa altura, eu estava tentando manter o semblante calmo de mãe que sabe o que tá fazendo, que não está sofrendo com o filho aos prantos, mas a verdade é que eu só queria me descabelar, chorar e gritar junto.

Até que uma hora ele acalmou, e eu comecei a ver o sol brilhando novamente. Quando estávamos chegando perto do supermercado ele topou ir no carrinho, só que uma nova confusão se instaurou quando ele decidiu que queria levar a cesta de compras, mas ela estava pesada demais para ele carregar. Fui tentar ajudar e toda aquela gritaria voltou. Só que como tudo que tá ruim dá para piorar, ele foi subir no carrinho para pegar a cesta da minha mão e o carrinho virou no meio do corredor de sucos e cereais. Resultado, ele caiu junto, e o grito foi tanto que eu tive meu momento do “me tira daqui”.

No meio da gritaria, me vi com as orelhas queimando, os olhos ardendo e o choro entalado na garganta, torcendo para ser engolida por um buraco, entrar em uma fenda temporal ou simplesmente sumir. Queria largar tudo – por tudo leia-se, compras e criança – no chão, pegar uma reta e ir embora. Só para que eu pudesse sentar, chorar e gritar sem ter uma placa de péssima mãe em cima da minha cabeça. 

O que eu fiz? Desabafei para a caixa do supermercado. Falei inclusive que queria ter sentado no chão e sumido. Tudo isso que falei para vocês, falei mais ou menos para ela, na medida que meu inglês atordoado permitiu. Ela riu. Descobri que ela também é mãe, de um menino de 6 anos, e que ela já teve essa vontade milhares de vezes. Enquanto ela terminava de efetuar minha compra, ela disse para eu aguentar firme porque melhorava. Acreditei, afinal, precisava me apegar em algo que me desse conforto, e guardei as compras me sentindo um pouco melhor.

E quando olhei para a frente, lá estava o Arthur, brincando de “bate aqui” e respondendo direitinho para um dos funcionários do mercado qual era seu nome e sua idade, algo que nunca tinha visto ele fazer antes. Meu coração derreteu e a vontade de sumir? Ela sim que sumiu.

 

0 em Autoestima/ Destaque/ maternidade no dia 03.04.2018

Você sabe reconhecer seu momento Super Mãe?

Semana passada eu estava sozinha com o Arthur, saindo do museu e tentando botar ele no carrinho para irmos embora. Ele claramente queria ficar e, por causa dessa incompatibilidade de vontades, ele abriu o berreiro. Em um primeiro momento meus nervos queriam botar ele à força no carrinho e sair estressada dali, mas quando me vi, eu estava respirando fundo, olhando no olho dele, mudando a pergunta, jogando o foco dele para outra coisa (acho que sugeri brincarmos de algo que só tinha aqui em casa, não vou lembrar), conseguindo convencê-lo a subir no carrinho sem escândalos e saindo do museu, ambos felizes e contentes.

Cheguei em casa me sentindo muito cheia dos super poderes, me senti a Super Nanny, me senti a Encantadora de Bebês (ok, ela não, porque ela é maluca). Mentira, me senti a Super Mãe mesmo.

Engraçado pensar que em 2 anos e 3 meses sendo mãe, eu consigo contar nos dedos de uma mão a quantidade de vezes que eu me senti assim. Que eu senti que eu estava por cima da situação, sabendo o que estava fazendo como mãe. Que eu me valorizei como mãe.

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Na maior parte do tempo é muito mais fácil cair na armadilha do cansaço mental (e físico) devido à quantidade de pratinhos que estamos rodando para manter tudo funcionando e só enxergamos a parte difícil. O grito abafado no banheiro quando comidas são jogadas pelo ar na hora do jantar. A vontade de sumir quando o castigo vira lugar de brincadeira. A pergunta de “meu Deus, o que eu fiz com a minha vida?” quando tudo o que você quer é fazer um xixi sem ter alguém puxando sua calcinha. E aí, terminamos o dia nos sentindo culpadas, péssimas mães, hipócritas porque estamos botando fotos bonitas no instagram enquanto queremos mesmo é jogar todos os pratinhos no chão e dane-se se eles quebrarem.

O fato de muitas vezes os maridos não reconhecerem todo esse esforço que fazemos também não ajuda nessa nossa busca de consciência dos momentos de Super Mãe. Só que nós temos esses momentos, se bobear, diariamente. E acho que a gente precisa focar mais nele, pela nossa sanidade, pela nossa valorização, para nos sentirmos um pouco mais nós mesmas. 

Hoje eu diria que meu momento foi justamente achar coragem para mudar o meu dia, ou melhor, meu humor do dia. Depois de uma sexta feira sem aulas, um fim de semana cansativo e uma segunda feira sem aulas novamente, minha programação para hoje era pegar um carro e ir dirigindo até a casa de uma amiga. Seria meu ponto alto do dia, afinal, estava louca para deixar nossos filhos brincando e botar o papo em dia, conversar com uma pessoa adulta em um ambiente seguro para crianças, tentar não ser consumida pelo dia a dia cansativo (e muitas vezes improdutivo em termos de trabalho) de ter uma criança em casa.

Acordei com muita neve, não tive coragem de dirigir nessas condições e apesar de ter cancelado muito certa da minha decisão, isso me frustrou. Fiquei até 3 da tarde de pijama, irritada com cada brinquedo jogado e cada demonstração de tédio que Arthur dava. Minha irritação de ter aberto mão dos meus planos era tanta que parecia que eu estava querendo puni-lo (e me punir também, né) por algo que não era culpa de ninguém – de São Pedro talvez. Mas como iria culpá-lo? Se eu tava com tédio, imagina ele!

Lá pelas 4:30 resolvi parar de focar nessa vibração meio tóxica que eu mesmo nos coloquei e troquei de roupa, troquei a roupa dele, peguei o capacete, o patinete e levei para respirarmos um pouco de ar fresco – e frio. Que alívio eu senti! Ele estava feliz e eu estava calma. Ele se divertiu, gastou energia, voltou pra casa calmo. E eu satisfeita. O dia terminou leve, por mais que eu só tenha conseguido começar a trabalhar as 9:40 da noite. Me senti a Super Mãe novamente.

Algo me diz que nós temos esse momento Super Mãe sempre, todos os dias, em alguma hora. Nem sempre vamos conseguir enxergá-lo em meio ao caos, mas seria bom se a gente fizesse esse exercício mais vezes. Pelo menos eu sei que tem me feito muito bem olhar meus esforços, por menores que eles possam parecer para quem está de fora, e pensar: “epa, eu consegui algo que não imaginava que conseguiria hoje!” 

E aí? O que você fez recentemente que te deixou com a sensação de dever cumprido?