Browsing Tag

maternidade

4 em Comportamento/ Destaque/ maternidade no dia 19.02.2018

Quando educar é uma verdadeira prova de resistência

Eu estou exausta. Tão exausta que nem sabia o que escrever aqui, tanto que já escrevi e apaguei mil textos, porque nenhum trazia o que está na minha cabeça de verdade. E por que? Porque nem eu sei o que está na minha cabeça. Tem tudo e tem nada para ser sincera. Então resolvi despejar o que está engasgado, vai que ajuda.

Não foi preciso de muito. Na realidade, foi preciso de metade de um domingo complicado para me desestabilizar. Impressionante como as vezes precisa de pouco, né? Eu estava tendo um fim de semana muito bom e produtivo, cheio de coisas legais. Só precisei de algumas horas de um dia em que eu me vi gritando, me descabelando e botando de castigo 3 vezes em menos de meia hora para ter ficado no estado que eu me encontro agora, exausta, desmotivada, sem vontade de fazer nada. Soma isso ao fato que hoje é feriado e amanhã, sei lá por qual motivo, também não vai ter aulas, e as minhas esperanças de um dia sem stress e sem coisas sendo jogadas pelo ar desaparecem.

essa foto foi de um dia fofo, mas também é como eu imagino minha casa com 5 dias seguidos de filho sem escola

essa foto foi de um dia fofo, mas também é como eu imagino minha casa com 5 dias seguidos de filho sem escola

Eu sabia que educar era difícil, eu sabia que essa fase dos 2 anos é justamente aquela que a criança desafia, que te obriga a falar mil nãos, que não te deixa quieta. Mas não tinha ideia de quão exaustiva ela realmente era. Mais uma daquelas coisas que a gente só descobre depois que tem filhos, porque poucas são as pessoas que falam sobre, né?

Joga comida no chão. Joga brinquedo pro alto. Bate no cachorro (e recebe uma mordida de volta, porque o Jack não deixa barato, não). Bate nos móveis com brinquedos. Falo baixo, me ajoelho, olho no olho, tento entender os motivos, tento lembrar do que livros sobre disciplina positiva e a série “O começo da vida” dizem que funcionam. Daí ele joga tudo de novo, dessa vez com raiva e de propósito por você estar chamando a atenção, olhando para sua cara e esperando uma reação. Dessa vez grito, me descabelo, boto de castigo. 2 minutos no cantinho do pensamento. Muito choro e batidas na parede depois, os 2 minutos me pareceram 2 horas, mas parece funcionar. Até que o ciclo se repete em menos de 15 minutos. Em menos de 40 minutos temos 2 adultos de saco cheio, olhando um para a cara do outro já sem nenhuma energia. Parecem ter saído de uma maratona, só que não existe endorfina, tampouco prazer, só o cansaço mesmo.

Nessas horas a vontade de desistir de educar e deixar correr solto, é grande. Porque a vontade de ter 2 segundos sem escândalos (nosso e dele) e sem esse cabo de guerra mental e invisível acontecendo é quase irresistível. Só que a gente sabe que se certos comportamentos forem incentivados, estaremos criando um monstro, e é certo que uma criança que não sabe o que limite significa vai crescer e se tornar um adulto infeliz, irresponsável, tudo aquilo que não quero que meu filho seja. Aí a gente respira, não pira e volta para o começo da fila.

Vontade mesmo é de dar o Iphone e botar no Youtube Kids. Só que opa.. o Youtube Kids foi deletado depois que pegamos Arthur chegando em vídeo da Peppa Pig matando os pais com uma faca e um homem fantasiado de Homem Aranha vestido de médico fazendo o parto da Elsa de Frozen. Eu disse, educar é difícil, e isso inclui ficar de olho no que teoricamente era para ser um “amansa criança”.

Quando estou nesses dias, evito até entrar nas redes sociais, ou melhor, no instagram, porque sei que vou olhar tudo com olhos mais duros. Vou ver a foto da mãe com a filha perfeitamente educada, só vou enxergar aquilo e desejar que meu filho fosse igual (obviamente esquecendo que eu mesma já postei mil fotos que ninguém acredita que tudo que eu descrevi acima são comportamentos da mesma criança), vou ver o casal de amigos que têm babá e avós morando perto, saindo e se divertindo e vou ficar com inveja, achando a vida deles é muito fácil. E não quero isso, não quero sentir isso, não quero ficar julgando algo que meu racional sabe que é errado.

Então, como sumir também não me faz bem porque fico me sentindo eternamente em falta, resolvi desabafar. Vai que eu ajudo alguém com essas palavras despejadas aqui, vai que compartilhando meu cansaço eu alivio a barra de quem está passando pelo mesmo que eu.

 

11 em Comportamento/ maternidade no dia 07.02.2018

A vida antes de ter filhos

Estava aqui olhando um texto do ano passado que eu fiz, me deparei com um comentário interessante, sobre uma daquelas frases clichês de maternidade: “ah, eu não lembro mais da minha vida sem meus filhos”. 

Sei lá vocês, mas eu me lembro. Me lembro muito bem. E lembro, inclusive, que minha vida antes do Arthur era muito boa. Eu saía sem hora para voltar, eu dormia até tarde, eu focava mais no trabalho quando precisava, eu maratonava Netflix em sábados de preguiça (e não estou falando em sessões ininterruptas de Moana), eu saía quando queria sem prestar grandes satisfações, eu chegava em casa depois de um dia cansativo e não precisava me importar se precisava dar jantar, dar banho ou botar para dormir. Era me jogar no sofá com uma pipoca e ver filme até dormir. Eu tinha mais tempo para aproveitar a vida de casada, para aproveitar as amigas, eu conseguia dizer sim a convites de última hora, eu conseguia fazer tudo sem precisar de grandes planejamentos.

maternidade

Enfim, era uma vida bem boa. E lembro como se fosse ontem.

O problema é que assumir isso muitas vezes é lido como uma prova de que a mãe deve estar odiando a vida pós maternidade. Quer coisa mais cruel que isso? E lá vamos nós para mais um capítulo sobre desromantização, até porque eu duvido que exista uma mãe que tenha se arrependido de ter filhos, independente da maravilha que era sua vida antes deles. Até botaria minha mão no fogo, se eu botasse a mão no fogo por alguém (coisa que não faço).

Minha vida hoje é bem diferente. É bem mais desgastante, é mais desafiadora, é mais cansativa sem nem precisar sair de casa. Tem dias que quero sumir, ir para a ilha deserta, ficar lá 1 mês (e torcer para que quando eu volte esteja tudo organizado). Mas é inegável que essa mesma vida também tem espaço para ser mais amorosa, mais curiosa, mais interessada, com mais tempo offline (por incrível que pareça), mais tempo de qualidade, mais descobertas, mais produtividade e mais maturidade – muito mais maturidade, posso acrescentar.

As vezes eu consigo unir as duas vidas, e nessas vezes eu consigo sentir um gostinho do que era ser eu antes do Arthur. Esse gostinho já é o suficiente para eu ter minha sanidade de volta, para eu confirmar mais uma vez que tudo está em seu lugar e, principalmente, que eu gostava muito de quem eu era antes de ser mãe, mas me gosto mais ainda agora. 

Não, ninguém vai ganhar o prêmio de pior mãe do ano por admitir que sua vida antes dos filhos era boa. Aliás, quem olha para trás e vê a sua história com orgulho, felicidade e saudade deve ficar feliz pelo privilégio de ter tido uma vida feliz sem depender de ninguém para isso. Porque é assim que relações saudáveis são construídas, sem bengalas emocionais, no máximo um corrimão para andarem juntos e subirem juntos os degraus da vida.

 

0 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Comportamento/ Destaque/ Deu o Que Falar/ maternidade no dia 05.02.2018

A gravidez de Kylie Jenner e uma lição de maturidade na maternidade

Sabem como eu fiquei sabendo que a Kylie Jenner finalmente apareceu para dar fim ao mistério do seu sumiço de meses e revelar que, de fato, ela estava grávida? Por causa de um comentário que uma leitora fez no meu insta, lembrando de um texto que eu fiz há alguns meses sobre os boatos que estavam surgindo em torno da Kylie.

Eu não vejo o reality das Kardashians, eu não sigo a vida da família, mas claro, as vezes me deparo com alguma matéria que sai sobre o clã e clico, porque não sou imune à elas. Apesar de não ser fã, elas me fascinam pela habilidade de conseguirem transformar a vida de tanta gente (afinal, estamos falando de pelo menos 8 pessoas – e com certeza estou esquecendo alguém e ignorando as crianças) em um espetáculo midiático.

Nesses meses de Kylie desaparecida das redes sociais, eu fiquei curiosa. Não quis acreditar nas teorias da conspiração de que ela poderia ser a barriga de aluguel de Kim e fiquei bem incomodada com todas as suposições que ela deveria estar odiando o corpo, a gravidez, como vocês leram no outro post. Afinal, só por esse motivo ela poderia estar mantendo distância da mídia, não?

kylie-jenner

 

Só vamos lembrar que a mesma mídia que ela preferiu se manter distante foi a responsável pelas capas mais crueis que eu já vi com uma grávida. “Pesadelo das grávidas – Kim engordou 20 quilos (e ainda faltam mais 4 meses para parir”, “Kim ignora hábitos saudáveis e come bolo, sorvete e massa”, “Largada aos 90 quilos – Devastada pelo pé na bunda que levou de Kanye, Kim acha conforto na comida”. E isso porque eu só estou falando das capas de revista e deixando de lado a quantidade blogs de fofocas e comentários recebidos nas redes sociais.

Ou seja, acho que realmente existiam motivos mais graves para ela ter decidido manter distância da mídia do que estar odiando seu corpo ou sua gravidez, não é mesmo?

Quando finalmente vi o vídeo que ela fez, acho que eu fiquei tão feliz quanto as fãs que mais acompanham a vida de Kylie. A maturidade de ter decidido fugir dos holofotes apesar da família que ela faz parte me deixou impressionada, mas a forma delicada que ela anunciou sua filha ao mundo, não deixando espaço para questionamentos sobre ódio a qualquer coisa e focando apenas no amor, me deixou emocionada de verdade.

Provavelmente ter visto a experiência de suas irmãs e o constante julgamento que elas estavam expostas a ajudou a tomar tal decisão, mas nem sempre podemos esperar esse tipo de consciência de alguém, ainda mais de uma mulher que mal saiu da adolescência. Mais difícil ainda esperar isso de uma pessoa que passou a maior parte de sua existência dividindo cada respiro que dava.

Mas maternidade é isso. É deixar as estruturas balançarem e respeitar-se acima de tudo, afinal, mãe feliz é criança feliz também. Pelo jeito Kylie parece ter entendido isso bem mais cedo que muita gente, inclusive eu.