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7 em Autoestima/ Destaque/ maternidade no dia 05.12.2017

Será que vai ter olho claro?

Já tem um tempo que ouvi a Fabiana Saba contando em seu Stories uma história que me deixou pensando, ou melhor, que me deixa pensando até agora. Ela estava contando como ela faz para trabalhar a autoestima das suas duas filhas e nesse dia, ela estava falando sobre as incontáveis vezes que ela teve que ouvir pessoas apontando como se fosse um problema o fato que nenhuma das duas havia puxado a mãe. Isso é, nenhuma das duas nasceu loira de olho claro.

Como se o fato das meninas serem morenas com olhos escuros as deixassem automaticamente menos bonitas.

Lembro de ter levado um choque na hora – afinal, que audácia é essa que permite uma pessoa falar isso para uma mãe? – mas depois parei para pensar e lembrei que eu vivenciei algo MUITO parecido. E pior, eu tinha esse mesmo pensamento das pessoas que me deixaram horrorizada. Deu para sentir o choque maior daí? Acho que dava até para usar o novo recurso do stories de dar zoom enquanto toca uma música de suspense, porque ele me definiu quando percebi tal semelhança.

Meu marido tem olho verde, né. Então, baseado nisso que eu falei até agora, chutem o que mais ouvi durante a gravidez de quem conhecia o pai? “Será que vai ter o olho do pai?”. A pressão para ter o olho do Bernardo foi gigante. Pais, mães, familiares, inclusive a gente, que acabou ficando ansioso não só para ver logo o Arthur como também para saber se ele teria olhos verdes.

Eu sei que todo mundo que falava isso queria mais é que ele nascesse saudável, não foi tudo tão superficial assim, mas não vou negar que eu também fiquei na expectativa. Mais até do que eu gostaria, assumo com certa vergonha. Acho que no fim das contas, eu tinha dentro de mim uma preferência por um padrão eurocêntrico que eu nem mesmo sabia que tinha.

Quando ficou muito claro que não tinha chance nenhuma do olho ser do pai, nunca mais havia pensado no assunto até me deparar com a história das filhas da Fabi. E fiquei matutando: o que é mais grave? A pessoa falar em tom de pena que seus filhos não têm o olho claro ou você mesmo botar uma expectativa que seu filho vai nascer com olhos verdes só porque as chances são grandes e porque você internalizou que o padrão diz que esse olho é o mais bonito?

Hoje paro para analisar: o que eu pensava que ia acontecer se ele tivesse de fato olhos claros? Ia mudar algo? Eu ia achá-lo mais bonito, ia achar que ele seria mais bem sucedido? Que faria mais sucesso? Nossa, mas que tristeza resumir uma pessoa – ainda mais o seu filho – a um par de olhos, não é mesmo? 

Só que maternidade é também crescimento e ironicamente, ele não ter os olhos do pai acabou fazendo com que eu enxergasse meus olhos de uma forma mais carinhosa e amorosa. E aleluia, eu não cheguei a exercer nenhum tipo de pressão por padrões de beleza, coisa que não farei nem com ele, nem com nenhum outro filho que eu venha a ter. Vivendo, levando uns tombos e aprendendo.

Acima de tudo, entendi na prática que, independente de como ele é fisicamente, quero mais é que ele seja feliz, honesto, empático, educado e que saiba respeitar as pessoas. E, bem, essa beleza interior que podemos ajudar a moldar não depende de nenhuma loteria genética. 

E não tem beleza física, olhos claros ou nada que mascare uma alma feia.

1 em Comportamento/ Destaque/ Reflexões no dia 30.11.2017

Por mais fotos ruins? Sim, isso mesmo!

Essa semana saí para jantar com duas amigas – e a amiga de uma delas que acabou virando amiga também. Na verdade, nós resolvemos criar um acordo de se encontrar pelo menos uma vez por mês para uma girls night out, ou melhor, moms night out já que todas somos mães. Aquela noite para jogar conversa fora sem grandes preocupações e sem estar na presença dos filhos, sabem como é?

A gente se encontrou há umas duas semanas atrás, só que dessa vez marcamos meio na pressa. Depois de um feriado com marido viajando, eu estava querendo um programa de adulto e resolvi fazer uma chamada de emergência para elas na segunda feira. Minha sorte realmente estava a meu favor, pois calhou de todo mundo estar disponível na terça sem precisar de pelo menos uma semana de antecedência. Quem tem filhos sabe como planejar coisas em cima da hora passa a ser uma tarefa complicada, por isso nem acreditei que deu tudo certo – e em 1 dia!

Depois de muita conversa jogada fora, risadas, alguns desabafos e, claro, depois de comermos e bebermos super bem, chegou o momento da despedida. Nada triste nem dramático, inclusive já combinando os próximos e pensando se uma vez por mês não é muito pouco. Que tal uma foto para registrar o acontecimento antes de todo mundo ir embora? Dizem que se a gente não tira foto é como se não tivesse acontecido. Como minha memória nunca foi das melhores, eu concordo completamente com essa frase.

Caramba tem uma cabine de 3×4 aqui, vamos tirar? Poxa, não tá funcionando…Mas aqui em cima tem uns sombreros, acho que vale para a foto. Mas caramba, como fazer uma selfie com 4 pessoas de sombreros? Bota uma lanterna aqui, um flash acolá, peraí vamos mudar de cenário, vamos para ali que tem mais luz. Não esquece de tirar o sombrero, gente. Ahhh, essas luminárias no teto são maravilhosas, vamos tirar de baixo para cima! Opa, ficamos contra luz. Então vamos fazer de cima para baixo. Mas aí ficou o banco aparecendo atrás. Perai vou fazer uma selfie – caramba, você cortou minha cabeça! E a cabeça de todas as pessoas, só deixou você aparecendo. Putz, você é ruim mesmo para fazer selfie, hein. Ahhh, olha, tem uma árvore de Natal cheia de luzinhas, vamos botar ela no fundo. Ih, pera, vamos pegar esses turistas com uma câmera enorme para tirar uma foto nossa. Oi, dá licença, você pode tirar uma foto nossa? Thank you, boa noite. Olha, finalmente uma foto boa!

A foto boa, que perto das outras ficou até sem graça

No dia a gente riu da sessão de selfies desastrosa. Caramba, 10 fotos e nenhuma muito boa, como assim? Eu, que tenho todo um certo capricho na hora de postar minhas fotos e sou bem chata com isso, confesso que imediatamente pensei que não teria como postar no instagram. Só que o dia seguinte chegou e, com ele, rever toda a nossa saga foi especial. Dane-se se não tá com a melhor luz, se fiquei sem cabeça, se o cabelo não tava no seu melhor momento porque tava gritando para ser lavado (foi meu caso), se o ângulo não tava dos mais favoráveis.

Enquanto revia as fotos – que foram todas postadas, porque uma dessas amigas não é de economizar foto – vi um comentário que concluiu tudo o que eu achava com tanta simplicidade que não poderia deixar de reproduzir por aqui: fotos ruins = noites maravilhosas (a autora foi @fafreitas, que nem conheço mas já considero pacas).

Não poderia concordar mais. Por mais fotos mal tiradas, por favor.

1 em Autoconhecimento/ Convidadas/ maternidade no dia 13.11.2017

Ser mãe é se perder no paraíso

Não, você não leu o título errado e não, eu não fiz a Magda no ditado popular (#entendedoresentenderao, rs, acho que quem tem menos de 30 anos vai ter de dar um Google pra entender essa piadinha).

A verdade é que a maternidade é um baita de um choque. Isso porque não sou daquelas que acredita que mães são seres superiores de sabedoria onipotente, mas só entendi o tamanho das renúncias e a tamanho da repercussão das nossas decisões quando me tornei responsável por outro ser humano – no caso, mini seres humanos que não são capazes (ainda) de comer, beber, andar, se divertir, se acalmar.

Fora isso, de uma hora pra outra você passa a ser a mãe do fulano ou da fulana. No meu caso, eu deixei de ser a Carol pra ser a mãe do Rafael (e depois da Marina). Ou seja, nada mais natural que a sua identidade, no meio desse turbilhão todo, se perca.

E aí, a mulher que não vivia sem fazer as unhas toda semana conta nos dedos de uma mão quantas vezes conseguiu tomar banho na última semana. E aquela que não perdia um episódio da sua série preferida não sabe dizer nem o nome do apresentador do Jornal Nacional (ainda é o William Bonner, né? Hahahahahaha!!!!).

Tudo isso porque essas coisas que faziam parte das suas prioridades no passado, foram lá pro final da lista. E você meio que se obriga a renascer, a encontrar um novo jeito de ser você no meio desse turbilhão todo. Afinal, dizem que é na crise que a gente cresce, certo?

Vejam bem: estou exagerando um pouco (ser mãe é maravilhoso, tá?), mas as mães que estão lendo isso vão me entender: é um pouco assim que a gente se sente, uma versão meio rascunhada da gente mesma quando dedicamos tanto tempo assim a outra pessoa que não nós mesmas.

Enfim, a verdade é que esse descompasso foi, pra mim, uma oportunidade de me reencontrar. De reencontrar minha nova identidade como mulher – e até de me aceitar melhor. Veja: meu corpo está longe do que um dia eu considerei ideal. E mesmo assim, hoje me acho muito mais bonita do que eu me achava há uns 5 anos, antes de engravidar pela primeira vez. Parece que eu descobri o que eu realmente mais gosto em mim e aprendi a trabalhar com esse jogo de equilíbrio fino.

Dizem que é nos momentos de limitações de recursos (grana e tempo, pra citar os mais valiosos no geral) que a nossa criatividade aflora. E parece que ter menos tempo (e menos grana, claaaaaro – ou alguém aí já ouviu alguém dizer que ficou mais rycah depois de ter filhos? hahahaha) pra mim me ajudou a focar no que realmente importava.

E no que isso resultou? Na minha melhor versão em 36 anos de existência sobre a terra, sem a menor sombra de dúvida!

Mas ó, vale lembrar que isso só aconteceu com muito autoconhecimento, muita reflexão, muita cara no chão… afinal, se é na crise que a gente cresce, crescer tem lá suas dores. E as suas delícias, claro! :-)