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0 em Comportamento/ maternidade no dia 14.06.2018

Vai, filha!

E, eu que pensei que o auge das minhas grandes emoções nesta fase dos 45 anos seria tão e somente ela: a menopausa. Ledo engano, me deparo com talvez a mais difícil de todas elas: a separação física entre nós, minha filha e eu.

Há quatro anos, quando meu filho mais velho ainda estava tomando a decisão de ficar ou ir estudar fora do país, minha aflição já dava sinais de melancolia, mas ela acabou sendo breve e ele decidiu por ficar e estudar em terra brasilis.

Então eu relaxei e fiquei livre de toda aquela minha aflição materna. Até que, de repente e num sobressalto, tudo mudou: a caçula fez a famosa “application” para algumas faculdades nos Estados Unidos e, sem aviso prévio, o resultado chegou em forma de email – Congratulations! Todo o seu esforço se materializava naquele momento de euforia e muita alegria, enquanto meu coração ia ficando pequenininho.

Entre o turbilhão de questões burocráticas e financeiras, as decisões começaram a sair do papel para a realidade. Entrevista no consulado, visto de estudante, dormitório universitário, múltiplas tarefas até a compra da passagem aérea. Antes mesmo de eu parar para pegar um ar, apareceu no meu calendário uma data – Partida Cora Nina. Nem sei quando eu acrescentei essa informação ali, mas só sei que a cada olhada de rabo que eu dou, eu me certifico da proximidade desta data e um frio na espinha toma de assalto o meu corpo.

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Imediatamente, como numa fuga desesperada, eu desvio o olhar dela e tento imediatamente me livrar dessa sensação, passo adiante mais um dia no calendário. Em alguns momentos eu imagino que foi um erro de digitação, em outros eu acho que é mentira e essa data não existe. Mas é só eu abrir de novo e ela está lá, a espreita e cada vez mais perto. Eu quero muito não sentir medo, mas ás vezes fico apavorada em pensar que o nosso contato diário será por intermédio de uma pequena câmera no celular ou por mensagens de WhatsApp. Que eu não a verei mais em seu quarto antes de dormir, que não terei mais o beijo de boa noite. 

E, nesse momento eu me pergunto “Porque ela vai embora?!” “Quem inventou essa despedida tão precoce entre nós duas?” Eu não quero, fica mais um pouco, vamos fazer mais viagens juntas, vamos ter mais almoços e jantares à mesa…

Eu sei que a minha filha não pertence à mim, ela é do mundo. Na teoria isso é lindo, e eu sei bem disso e, talvez para me confortar, até narro com sabedoria as vantagens desse privilégio, prevendo seu crescimento como pessoa e futura profissional, ganhando asas, se virando para viver em uma cidade nova e ter que se restabelecer nela. Mas na prática essa separação internamente está transbordando pra fora. Os meus sentimentos andam frágeis, misturados e o instinto materno pensa imediatamente em mantê-la debaixo das minhas asas pelo resto da vida, protegendo e confortando.

Eu sei que vou sobreviver – aliás, iremos – então respiro fundo, enxugo as lágrimas que a essa altura já caem do meu rosto e lembro daquele provérbio que diz “Bendito aquele que consegue dar aos seus filhos asas e raízes”. Espero que em breve eu consiga entendê-lo em toda a sua plenitude

3 em Autoestima/ maternidade/ Moda no dia 07.06.2018

A maternidade é culpada pela mudança de estilo?

Cada vez mais eu evito me comparar. Como sempre falamos por aqui, cada pessoa tem sua realidade, seu processo de amadurecimento e seu tempo diferentes, então ficar se medindo pela régua alheia é quase sempre uma receita para o fracasso.

O fato de sermos duas aqui no Futi, as vezes faz com que a gente se compare – ou que nos comparem. Mas já são 8 anos dessa estrada e tanto eu como a Jo estamos muito certas de quem somos e quais papéis ocupamos nesse nosso trabalho, então isso não nos afeta.

Mas recentemente não pude deixar de comparar, mas não em um sentido ruim. Comparei achando engraçado – e bonito – essas voltas que a vida dá. Lembro que lá no começo do blog, a Jo botava a responsabilidade fashion toda em cima de mim porque, segundo ela, seu estilo era muito clássico e feminino enquanto o meu era mais fashionista e alinhado nas tendências que as pessoas provavelmente gostariam de ver por aqui.

Para mim sempre foi super fácil ocupar esse papel porque moda é algo que me interessou a vida inteira. Porque a maior parte da minha vida eu fui mais consumista (e eu jurava que eu precisava consumir para ocupar meu cargo de blogueira, ai que besteira). Porque era natural olhar para o meu armário e pensar nas peças com carinho e nos looks com cuidado. Exercer minha criatividade ali, pensar em combinar tudo, até mesmo quando eu queria descombinar.

Até o dia que deixou de ser. Não sei bem que dia foi esse, mas sei que foi depois que me mudei para cá. O que é irônico, pois NY é A cidade para se estar quando o assunto é adquirir informação de moda. Não é mentira que você sai na rua e respira moda. As pessoas aqui têm uma liberdade de se expressar com as roupas que eu vejo em pouquíssimos lugares do mundo. Mas de alguma forma, o turbilhão de mudanças fez com que eu não conseguisse absorver todo esse conteúdo gratuito e diário que a cidade me oferece.

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Dizem que os interesses mudam depois que você vira mãe, e apesar de eu olhar com rabo de olho para quase todos os clichês sobre maternidade, tendo a acreditar nesse toda vez que vou para a rua no intuito de fazer compras e escolher algo para mim – e saio com alguma sacola para o Arthur.

Eu queria não culpar a maternidade por isso, mas a verdade é que quando eu leio o post que a Carol fez aqui sobre roupa de mãe, eu me enxergo na mulher que só quer saber de conforto e calças de moletom. Quando eu vejo o post da Adriana e leio sobre o exercício de desenhar quem eu vejo como mulher e quem eu vejo como mãe, eu imagino exatamente o desenho que está no post – e eu só me vejo ali, no segundo caso.

Olho para os looks das amigas e acho tudo lindo, ver a Joana entendendo que a moda pode servir para externar tudo o que ela tem de bom e ousando pela primeira vez na vida (e se achando nessa ousadia, o que é mais importante) me dá um orgulho daqueles. Mas nada disso sou eu. Não mais.

Logo eu, que falei para não perdermos nossa identidade, hoje não acho mais quem eu era no meu armário. Mas ao contrário do que parece, não estou falando isso como uma reclamação ou como um desabafo, a verdade é que eu não me vejo mais quando abro o meu armário porque eu não sou mais a mesma pessoa. Nem quero ser. Não mais.

Sim, eu acho que a maternidade tem sua parcela de responsabilidade (nem acho mais que é culpa) em toda essa mudança, mas hoje acho que a mudança no estilo em geral (do clima a meio de transporte) foi o que mais impactou no meu armário.

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Saltos e sapatos desconfortáveis foram perdendo a vez para mules, rasteiras e tênis. Até mesmo UGG, que eu jurava que nunca iria botar uma no pé, apareceu na minha sapateira (a bicha realmente é maravilhosa para o frio, fazer o quê). Blusas que amassam ou que são muito delicadas deram lugar a camisetas e peças que lavam com facilidade. Saias são raras, mas na verdade, tirando alguns períodos da minha vida, elas sempre existiram em menos quantidade entre meus cabides. Calças e shorts jeans sempre estiveram ali e continuam, mas hoje eles dividem o espaço com calças de moletom, algodão e até linho.

Boa parte do que eu trouxe para cá em 2016 foi para caridade e doações. Hoje não consigo comprar metade do que comprava antes, mas em compensação, o que eu compro atualmente faz muito mais sentido para quem eu sou hoje. Mesmo assim, a criatividade que vinha fácil e com boa vontade, não existe mais.

Tenho feito um esforço criativo em pequenas saídas, tipo pegar o Arthur na escola, por exemplo. Tem funcionado na tarefa de me ajudar a conectar com assuntos que eu sempre gostei, mas mais do que isso, tem me ajudado a sair desse limbo. E evito olhar para diversas mães que aparentemente não perderam o jeito para a coisa e me fazem sentir desleixada e preguiçosa.

Tem dias que eu acho que acerto e consigo criar combinações criativas. Outros dias me olho no espelho e detesto a falta de criatividade e paciência que são responsáveis por um look sem graça e sem razão de existir. E ainda tem algumas situações que nem criativa eu consigo ser, e aí desisto de tentar e saio com a roupa que fui para a academia mesmo. Nesses dias eu nem entro no instagram que é para não ver a mãe perfeita das redes sociais. 

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Ainda acho que devemos manter nossa identidade – porque é ela que nos segura e nos dá um eixo quando o turbilhão da maternidade chega – mas hoje vejo que mais importante que isso é mantê-la, mas respeitando quem nos tornamos e nossa realidade. Sem comparações com o que éramos antes, sem comparações com amigas e, principalmente, sem comparações com outras mães. Espero que eu absorva isso logo.

Fotos: Barbara – Babi.Studio

4 em Sem categoria no dia 05.06.2018

A mãe que não está sozinha

Estar em um lugar com seu filho ao mesmo tempo que você está rodeada de gente sem filhos, é um verdadeiro desafio. Socializar com uma criança que precisa de supervisão constante em um lugar pequeno e ambiente controlado é fácil, só que ninguém te prepara para o desafio que é estar em um lugar onde a diversão dos adultos não é a mesma que a das crianças.

A primeira vez que isso aconteceu comigo, eu tive vários sentimentos. De início fiquei feliz de vê-lo brincando com outras crianças, com outros brinquedos, se divertindo. Só que não demorou muito para eu querer voltar para a mesa, sentar e comer alguma coisa sem precisar ficar naquele ambiente onde a música da Galinha Pintadinha quase estourava meus tímpanos. E tirá-lo dali para irmos juntos para a mesa se tornou uma tarefa impossível, afinal, que criança em sã consciência iria querer sair da brincadeira para sentar numa mesa cheia de adultos, não é mesmo?

Resumindo: para ele, a noite foi maravilhosa. Para mim, foi um saco. Nunca imaginei que queria tanto socializar até entender que essa opção não existia.

A segunda vez foi até um pouco mais fácil, mas não menos maçante. Estava em um aniversário do amigo do meu marido, em um ambiente enorme e com muitos outros atrativos que não a mesa dos adultos. O lugar, inclusive, foi escolhido com cuidado pensando nos amigos com crianças. O único negócio é que foi pensado por alguém sem filhos que não imaginava que nessas situações existe esse isolamento natural de um dos pais, que fica com o cargo de correr atrás da criança. Nessa situação seria eu, afinal, queria que meu marido aproveitasse o aniversário do amigo dele.

Eu estava preparada para isso, e achei que o fato de não conhecer muito bem os outros convidados me faria sentir menos sozinha, mas não foi isso que aconteceu. Como únicos pais de crianças dessa faixa etária na mesa, não demorou muito para eu me ver ali, no meio da área onde a criançada brincava, parada perto do Arthur e tomando cuidado para ele não jogar as pedrinhas do chão para o alto e atingir outras pessoas e separando eventuais brigas por compartilhamento de brinquedos. Olhava para outras mesas e literalmente invejava cada pessoa que estava na sua roda de amigos, conversando despreocupada sobre qualquer amenidade, comendo e bebendo à vontade. Ao redor, outras mães com as mesmas caras de que preferiam estar em qualquer outro lugar do mundo do que ali.

Eu jurava que não seria a mãe que evitava certos programas, eu jurava que estava sabendo equilibrar muito bem meus mundos, eu jurava que estava tirando tudo de letra. Mas toda vez que tenho um programa desses eu entendo toda mulher que diz que se afastou de amigos sem filhos. Eu entendo a amiga que prefere mal sair de casa só para evitar a função de não ter vida social em um lugar cheio de vida social. Porque para a maior parte das mães esse tipo de programa é difícil, entediante e solitário, e para os amigos é preciso ter uma dose extra de empatia para perceber que a amiga sozinha ali no parquinho do restaurante pode fazer um bom uso da sua companhia, por mais que o lugar não seja tão confortável quanto a mesa da galera.

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Lembro de uma frase em um post da Ju Ali que me impactou. Ela dizia que se sentia amada quando seus amigos brincavam com seus filhos. Eu também, mas digo mais, me sinto muito amada quando vejo alguém disposta a pegar na minha mão nessa caminhada tantas vezes solitária chamada maternidade. Então, fiz esse texto para você, amiga sem filhos (poderia ser amigo sem filhos para o marido também, mas vou focar no feminino por esse blog ter 98% do público feminino).

Se você estiver em um lugar e notar uma amiga com filhos sozinha cuidando das crianças enquanto todo mundo está conversando, bebendo e comendo, vai lá. Leva algo para comer, para beber, mas principalmente, leva um papo qualquer, só para tirá-la por alguns minutos da função, distrair a cabeça. Você pode ter certeza que essa vai ser a melhor coisa que você irá fazer por sua amiga.