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1 em Comportamento/ Convidadas/ Experiência no dia 25.08.2017

Quem sou eu nesse novo país?

Eu já falei um pouquinho sobre os desafios de morar fora, desmistificando o “nossa, que foda que você mora fora”. É foda mesmo: além de ter que reaprender tudo, a parte mais difícil é reconstruir quem você é.

Pode ser uma grande oportunidade caso você esteja precisando se reencontrar e reconectar. Mas não era o meu caso. Eu estava muito bem e feliz no Brasil e mudei por amor – literalmente.

Logo que cheguei comecei a batalhar para encontrar um emprego. Me inscrevi em muitas vagas. Na minha primeira entrevista, o primeiro baque. No Brasil sempre fui muito tranquila pois tinha confiança e orgulho do meu trabalho e acreditava de verdade que podia realizar aquilo que estava me candidatando. Ao chegar na minha primeira entrevista em Londres quase desisti nos primeiros 15 minutos. Éramos uns 30 numa sala para uma dinâmica de grupo. Todos qualificados, todos falavam várias línguas, todos moravam em Londres fazia tempo e tinham experiências locais. Eu, recém chegada, fiquei acuada, nervosa.

Internamente eu sabia que podia passar, mas externamente eu me sabotei. Uns dias depois fui dispensada do processo seletivo por email. Pedi um feedback e a resposta foi que eu não era comunicativa, era envergonhada, não tomava iniciativas e não assumia riscos. Logo eu, que falo pelos cotovelos, nunca tive vergonha de nada e tinha acabado de me mudar – o que me fazia pensar que eu era corajosa. Nada do que eu enxergava de mim mesma era visto pelos outros. Porque eu não estava adaptada, estava insegura com toda a novidade e principalmente ainda não tinha vencido a barreira da linguagem. Por melhor que você fale outra língua no Brasil, eu te prometo, nunca será fluente ao chegar em outro país. Isso sem contar em todo o vocabulário que você nunca precisou aprender como expressões e gírias locais, além do sotaque.

A partir daquele momento eu percebi que a tal adaptação seria muito mais difícil do que eu imaginava. Como eu ia conseguir um emprego se eu estava no meio de uma crise de identidade? Quem era eu afinal? O que é que eu sou independente de onde esteja, com quem esteja? 

Não foi fácil lidar com aquilo, eu já estava tendo que lidar com a adaptação ao país, a morar junto, a ficar longe da família e dos amigos. Porque raios eu tinha que me reinventar?

Tudo isso afetou muito a minha confiança. Quase como terminar um relacionamento. Só que a grande diferença é que num relacionamento quando acaba você chora e depois se levanta e vai reaprender a viver sem aquela pessoa. Dessa vez você não tem outra pessoa pra culpar. O desafio é apenas com você mesma, e se der sorte (como eu) pode ser que tenha uma torcida à sua volta apoiando esse momento.

E aí minha gente, vale tudo! Vale se jogar no mundo e entender tudo que faz seu coração vibrar, vale tentar e vale errar. Vale passar um dia chorando e vale botar um batom vermelho pra ir ao mercado. Vale andar de bicicleta, aprender a correr, fazer yoga e até criar um grupo de amigas locais pra te dar apoio. Vale absolutamente tudo e qualquer coisa pra encontrar dentro de você sua personalidade e amor próprio. 

A boa notícia é que quando isso acontece, ninguém pode te derrubar! Pra mim demorou um pouco… mas aprendi a ser mais humilde, a dar uns passos pra trás, a brigar com a balança, aprender a correr, perder alguns medos, viajar por três continentes, comprar uma bicicleta, criar uma rede de amizade na cidade, encontrar um jeitinho de me manter presente e em contato com quem tava longe e um longo processo de coaching. Aliás eu indico muito ter um coaching te ajudando nesse processo, é muito bom poder compartilhar com alguém cada ficha que cai sua nessa jornada e te incentivando a se encontrar.

Além das sessões de coaching, eu tive dois pontos auges que me deram confiança para ver que eu estava sendo eu mesma na nova cidade. O primeiro foi fazer uma festa de aniversário para 30 amigos daqui. No Brasil isso seria uma reunião íntima, mas em Londres isso foi uma afirmação muito importante de que eu finalmente me sentia querida por aqui. Uma das coisas que é mais importante na minha vida são meus amigos, e esse dia eu confirmei que eu tinha novos amigos por aqui .E o segundo foi  o dia que naturalmente fiz uma piadinha em inglês e uma amiga riu muito e disse “nossa como você é engraçada”. Sim, ela reconheceu em mim uma característica que era minha, daquela Julia que eu conhecia. Eu gosto de ser boba e fazer os outros rirem. Pode parecer bobo, mas aquilo para mim foi uma grande vitória.

Eu me reencontrei e me reconheci em outro país, e estava pronta pra dar meus próximos passos. Tenho me reinventado a cada dia e descobrindo meus pontos fortes. Decidi dar uma chance a trabalhar com receptivo de brasileiros em Londres, começar um negócio novo do zero. Tive receio mas estava mais forte. O primeiro mês nessa nova empreeitada foi melhor do que qualquer outro desde que cheguei. Consegui alguns clientes, tive feedbacks incríveis e estou me sentindo realizada.

Semana passada, completei 2 anos que me mudei. Hoje posso dizer com segurança que ainda não cheguei aonde quero chegar mas me sinto muito feliz com quem eu sou e com a vida que estou construindo aqui.

5 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Convidadas/ Destaque no dia 17.07.2017

Morar no exterior: a jornada de adaptação

Quem vê de fora só enxerga o lado glamuroso de morar no exterior. “Ai que chique”. “Meu sonho”. “Que sortuda”.

Sim, morar fora é incrível e eu recomendo pra todo mundo! Seja por um mês, durante as férias ou mesmo por um tempo maior. É um aprendizado infinito e um crescimento que acontece de forma acelerada – e que possivelmente fosse demorar bem mais se você não topasse essa aventura. Sim, porque mais uma vez, sair dela, a tal zona de conforto, é uma grande aventura.

Mas preciso dizer que não é tudo tão simples assim. Nem todos os dias são bons, os desafios são grandes e a tal adaptação pode demorar mais que o planejado. Isso sem contar na saudade, que será seu sobrenome a partir do dia que você embarcar para essa nova fase.

Eu já morei fora algumas vezes. A primeira com 18 anos, quando fui pra Barcelona e contei aqui todo o processo de auto-conhecimento e a descoberta da minha maior paixão: viajar. Mas nessa mesma viagem fui também pra Paris estudar francês e adivinhem? Não me adaptei e voltei pra Barcelona. Depois fui fazer um curso de verão nos Estados Unidos e foram semanas inesquecíveis. A adaptação foi bem mais fácil porque eu já tinha ido pra Europa sozinha. Aí uns anos depois resolvi voltar para Barcelona para um mestrado. Dessa vez a adaptação foi bem mais complicada… a passagem era só de ida mas acabei não fazendo o curso e uns meses depois resolvi desistir e voltar pra casa. E aí quando decidi vir pra Londres o pensamento era “já passei por isso antes, vou tirar de letra”. E adivinhem? Quebrei a cara.

Para começo de conversa, todas as vezes que eu fui embora, eu tinha um quarto me esperando quase que intacto. Dessa vez, como estava indo morar com meu namorado, a única coisa que minha mãe pediu foi que eu não deixasse nada no meu quarto – ela não queria ter a sensação de que eu iria voltar. Eu sei que se acontecer qualquer coisa ou se eu simplesmente quiser ou precisar: eu sempre terei a casa dos meus pais. Mas dessa vez eu sabia que seria diferente e que era um passo importante sair de casa oficialmente. Já voltei pra visitar e é claro que poucos lugares no mundo são tão meus como aquela casa.

O que eu não imaginava era que eu precisaria reconstruir toda minha vida do zero: desde onde comprar um prego até reencontrar minha personalidade em outra cultura.

Pode parecer meio bobo, mas se você sempre morou no mesmo lugar – ou só fez intercâmbios relativamente curtos – você nem pensa muito quando precisa comprar coisas do dia a dia tipo um prego. Mas e aqui na cidade nova? Onde vende pregos? Em que sessão do supermercado eu encontro superbonder? Ah! Preciso de papel celofane – onde encontro?

Isso sem contar com entender como funciona o transporte público, o sistema de saúde, o banco, as contas. E pão? Hmm vontade de comer um pão na chapa. Esquece, não existe padaria aqui como no Brasil. E um suco de fruta batido na hora? Ah tem uma lojinha de sucos bacana – é só pegar um metrô e um ônibus. E depilação? Unha? Cabelo? Ah cada coisa é num lugar diferente. Credo! Tudo isso pra fazer a unha? Obrigada mas vou fazer em casa. Onde amola alicate? Como fala água oxigenada em inglês? E amido de milho? E verruga?

Isso tudo é desafiador e aos poucos você vai aprendendo a se virar. Mas simplesmente tudo que você sabia as respostas e não perdia nem meio minuto para resolver, agora pode virar uma missão. Tem que reaprender, quase como uma criança.

Isso sem contar com redescobrir e reconstruir quem você é, fazer amigos e manter contato com o Brasil. É uma longa jornada para esse processo de adaptação de morar no exterior: para uns demora um pouquinho e para outros um montão. Tudo bem, cada um tem seu tempo!

Se eu puder compartilhar 3 dicas que aprendi sobre esse meu processo são:

1. Aceite que você vai ter problemas de comunicação (pela língua e pela cultura) – e tudo bem, tenha paciência com você mesma! Ainda que você conheça bem o país e fale a língua sempre vai ter alguma questão de comunicação: seja uma piada mal entendida, uma palavra que você não conhece, uma expressão que você não entendeu. Com o passar do tempo (prometo!) você vai quebrar essas barreiras de linguagem e entender através dela melhor a cultura local.

2. Crie uma rotina e não fique em casa: se você ainda não começou seu curso ou se ainda não encontrou seu trabalho, não importa qual seja sua situação. Saia de casa constantemente, dê uma volta no parque todos os dias, seja local em algum café, matricule-se (e vá) numa academia, qualquer coisa – crie hábitos que te tirem de casa para ver gente e viver. Ficar em casa de pijama vendo netflix não vai te ajudar.

3. Faça amigos! Toda e qualquer amizade é bem vinda nesse processo: o meu primeiro amigo foi o moço da lavanderia que eu ia 1x por semana – um fofo! Converse com as pessoas, puxe papo, procure brasileiros e os convide para tomar um café, faça amizade no bar, no café, no metrô! É muito importante estabelecer uma rede de contatos no seu novo lar. Se forem locais vão te ajudar com a nova cultura. E se forem estrangeiros como você poderão te ajudar com dicas de adaptação e dividir com você as angústias e conquistas!

A partir do momento que você aceitar que está em fase de adaptação tudo fica mais fácil e você começa a se permitir mais fazer escolhas que vão te ajudar nessa jornada!

Boa sorte!

2 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Londres no dia 03.07.2017

Londres: Um papo sobre autoestima com Fabiana Karla

Quinta feira passada foi a minha vez de fazer mais um encontro do #paposobreautoestima. Na realidade, nem posso e nem quero dizer que fui a responsável por fazê-lo acontecer do jeito que foi porque não seria verdade. Eu apenas lancei que estaria em Londres e falei com algumas das meninas do nosso grupo do Facebook sobre isso, crente que nos encontraríamos para um jantar ou um happy hour. Virou um desdobramento do #picnicdopapo, só que pelo clima precisou ser apenas #papoemLondres!

Até que a Julia Ramil e a Paula Ghelli – que já escreveu aqui no Futi com esse texto sobre viajar e esse sobre como ser magra fora do padrão não fez maravilhas para a sua autoestima – escolheram lugar, organizaram o grupo e quando me vi, estava entrevistando a atriz Fabiana Karla.

Logo eu, que tenho verdadeiro pavor de falar em público e que em praticamente todos QG’s do Fhits ficava tímida e esperava alguém fazer perguntas para a entrevistada (ou entrevistado) da vez, de repente me vi desembuchando e tendo que encarnar a Marília Gabriela. Estão vendo o que o #paposobreautoestima tem feito pela gente também? hahaha

Se em todos os piqueniques e encontros que a Joana fez até o momento o formato era de conversa, troca e empatia em geral, o encontro de Londres teve um formato um pouquinho diferente. Ter uma pessoa com uma história legal para dividir, um projeto bacana para contar e uma visão da vida inspiradora para compartilhar foi incrível. E a Fabiana fez justamente isso.

Infelizmente não consegui fazer tudo, e a parte de conversa e troca de experiências que a Jô costuma fazer ficou bem para o final, onde trocamos bastante sobre a experiência de morar fora e tentar se redescobrir e se reinventar. Acho inclusive que vou conversar mais sobre isso no piquenique de Nova York (agora, dia 09 de julho!) e fazer um post sobre o assunto, que rende bastante!

Ela começou o papo contando dos seus dois livros, um infantil chamado “O rapto do galo” e outro chamado Gordelícias, um livro que, como diz na capa, é uma reunião de “crônicas de quatro mulheres felizes com seus corpos”. Tem mais a ver com o que a gente fala aqui do que isso? Segundo a Fabiana, ela, junto com Cacau Protásio, Simone Gutierrez e Mariana Xavier, criaram esse livro como resposta para um período em que a patrulha do corpo perfeito estava muito forte. Apesar de ter alguns livros na lista de leitura (oi, série Napolitana viciante), já dei um jeito de trazer ele para o topo da lista justamente para contar logo em um #bookdodia! :) Agora vou contar aqui algumas das partes mais legais da entrevista!

“Quando você é famoso, quando você está no alvo, você é mais aceita”

Fiz questão de perguntar sobre a pressão que ela sente por ser atriz e estar na mídia. Confesso que esse é o tipo de pergunta que eu sempre tive vontade de fazer porque para quem está de fora, a impressão é de que a pressão é muito maior, e obtive a resposta acima. E ela contou que a principal motivação do livro é para que mulheres e meninas que não são famosas se inspirem e se empoderem para aproveitarem tudo que a vida pode oferecer sem ter o corpo como empecilho.

“Nós temos que quebrar essa falta de aceitação do outro”

Como eu falei acima, o livro foi feito em um período onde as pessoas estavam mostrando toda a sua intolerância (e eu me questiono se essa época já passou, infelizmente acredito que não) e ele serviu como resposta, uma mensagem de apoio vinda de 4 mulheres que se sentem muito felizes do jeito que são e não vão se intimidar com quem não as aceita.

“Se o preconceito me ligou, eu não atendi essa ligação”

Uma das coisas mais legais na entrevista com a Fabiana Karla foi poder ver a forma que ela encara a vida. Em um dado momento, ela disse que é adepta do “move on”, de continuar vivendo e passando por cima, e essa frase exemplifica muito isso. É não se vitimizar, não achar que não vai conseguir realizar coisas por algum empecilho que a gente mesmo se coloca.

Também conversamos sobre criação dos filhos e como ela é importante para o desenvolvimento da autoestima, como se fazer presente mesmo na distância, sobre educar para ser um indivíduo que respeita os outros. Enfim, foi uma conversa muito legal, super inspiradora e alto astral, muito melhor do que eu jamais poderia imaginar. Espero de verdade que a gente consiga trazer esse formato em mais encontros, assim como marcar outros para que a gente possa trocar experiências e questões, como tem sido nos piqueniques que a Jô tem feito. <3

Vamos seguir a Fabiana Karla no insta? É @fabianakarlareal!
Vamos entregar nosso engajamento para quem traz um conteúdo tão dentro do que acreditamos!

Look do dia: Amor próprio✨💋 #fkstyle #fkviaja #lookdodia #moveon #happyday #london #paposobreautoestima foto bY @juramil

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Quem quiser ver o papo completo, ele está agora na nossa fanpage!