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juliana ali

0 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Convidadas/ Moda no dia 02.06.2017

Com amor, Ju: A liberdade de poder ser você

Muita gente acha que mulher adora se arrumar. Comprar roupa. Escolher um look. Se maquiar. Arrumar cabelo. Grande parte do mundo, inclusive, é organizado em volta disso – não apenas o mercado da moda/beleza, mas também eventos, publicidade, e toda uma atitude social extremamente importante.

Bom, não é mentira que muitas mulheres adoram se arrumar. Conheço muitas, muitas mesmo, que AMAM. Amam ir ao salão. Amam fazer a unha, cortar o cabelo, fazer procedimentos de beleza mil, botox, etc. Amam comprar roupa. Amam ter uma festa mais glamourosa para ir, assim dá para usar aquele mega vestido, fazer uma superprodução, etc. E não vejo absolutamente NADA de errado com isso. Entendo completamente a diversão. Entendo a coisa de “se olhar no espelho e UAU tô linda” que pode acompanhar tudo isso.

O que é mentira é que TODA mulher adora se arrumar. Tem mulher que não gosta. Que não quer. Só que ela é obrigada a se arrumar, boa parte do tempo. Porque não dá para ir trabalhar “desarrumada”. De cara lavada. De chinelo. De camisetão. Não dá pra ir assim pra festa, pra balada, pro encontro com o boy.

Vou te contar uma coisa. Eu estou no grupo das mulheres que não gosta de se arrumar. Olha que coisa. Passei quase a vida inteira trabalhando justamente no mercado de moda/beleza.

Parece uma contradição que uma pessoa que trabalhe com isso não goste de se arrumar? Pois não é. O fato de gostar disso não implica em querer estar DENTRO disso o tempo todo.

É tipo um chef de cozinha que passou o dia inteiro cozinhando no seu restaurante. Ele ama seu trabalho. Mas quando chega em casa, á noite, talvez ele não esteja tão a fim de cozinhar de novo. Dá pra entender?

Sempre adorei montar os looks para os ensaios de moda que produzia nas revistas em que trabalhei, mas sempre ficava de saco cheio de montar os MEUS looks. Tinha idéias ótimas para as makes das modelos. Mas não queria ter que pensar, TODO DIA, na MINHA make.

Mas pensava. Modéstia à parte, sempre me vesti bem, de um jeito divertido, original, sempre maquiada, de cabelo bonito, salto, montação. Até porque, que outra opção havia? Eu era editora de moda, depois blogueira de moda. Vai vendo.

Sempre demorei HORAS para me arrumar. Não achava divertido, como muitas mulheres. Achava um SACO. Ficava exausta. Montar mala de viagem de semana de moda era um PESADELO.

“Vai lá, Ju, tem uns looks pra pegar na loja tal, é presente”. Não quero. Que preguiça. Não tenho tesão nisso. Vou lá, escolho em cinco minutos, não experimento nada.

Acontece que depois, de repente, não sou mais editora de moda, não sou mais blogueira, eu pinto bolsas, sou artista. Não preciso me arrumar, não preciso impressionar ninguém, meu trabalho não é ser “linda”.

De repente, não uso mais salto. Não uso mais maquiagem, só saio de cara lavada. Corto o cabelo curtinho. Acabou o trampo. Nem sutiã uso mais. Nem para ir a evento. Não precisa e não quero. A maior parte do tempo, uso calça jeans, chinelo e camisetão. É tipo um sonho. Me arrumo em dois minutos para ir a qualquer lugar. Não faço a unha desde 2015. Não compro roupa há mais de um ano.

As pessoas, certamente, notam a mudança. Muitas não tem coragem de falar nada. Outras, acham que Juliana agora “se largou”, não se preocupa mais com a aparência, desencanou da vida.

Não percebem que isso NADA tem a ver com se largar. Não me largo. Nem sei o que significa isso, aliás. Tenho autoestima. Me acho gata, me acho sexy, me acho o máximo….de camiseta e cara lavada.

Não desencanei da vida, entende? Sou como quero e me acho bem incrível assim, muito mais do que me achava “arrumada”. Gosto do meu novo não-estilo, que na verdade é o meu estilo desde sempre, só que não dava para ser como eu queria.

Essa simplicidade de viver.

Semana passada fui cortar o cabelo. Como agora uso bem curtinho, pixie mesmo, vira e mexe tem que cortar de novo e até isso ficou simples. Chego, corto em dois segundos e vou embora. Murilo, que me conhece há quase 30 anos, desde que eu era criança, é expert, corta vapt vupt e eu pico o pé. Prático.

Mas nesse dia cheguei no salão e, por coincidência, estava rolando um evento, um lançamento de um produto de beleza X – nenhuma relação com Murilo – e atravessei o burburinho para chegar á bancada do meu amigo. Vi, de longe, algumas pessoas conhecidas da minha época de revista. Falei com uma ou duas, que me viram e vieram a mim, dar oi, queridas.

Eu estava com meu look fashion super fino atual: camisetão sem sutiã, jeans velho, birkenstock no pé, cara lavada, óculos. Falei com minhas conhecidas sem o menor constrangimento em relação á minha aparência, embora elas estivessem todas arrumadinhas, de salto, maquiadas. Afinal, não precisava me constranger. Eu não estava lá para o evento – como tantas vezes, no passado, estive em salões de beleza para eventos. Semana passada, só fui cortar o cabelo. Rapidinho. Depois ia voltar pra casa e pintar, que é meu trabalho.

Disse tchau para as meninas, sentei na bancada do Murilo, me olhei no espelho e uma sensação de liberdade maravilhosa me invadiu. Nunca vi uma Ju tão linda.

4 em Autoconhecimento/ Convidadas/ Juliana Ali no dia 17.05.2017

Com amor, Ju: eu e a síndrome do pânico

Em geral, galera não gosta de falar em público. Eu adoro. Tirar foto ou gravar um vídeo também costuma “travar” muita gente. Eu amo, me sinto amiga da câmera. Vejo muita gente com medo de paquerar um cara/uma mina. Medo de serem rejeitadas ou de não saber direito o que fazer ou de parecer ridículo. Eu me jogo, confio e ainda por cima me dou bem. Não ligo de ser ridícula. Tenho uma autoconfiança da porra.

Legal, né?

Pois é.

Estou, neste exato momento, dentro de um avião. A caminho de Porto Alegre, uma cidade que nunca fui.

Legal, né?

Pois é.

Não pra mim. Odeio estar dentro do avião, e mais ainda, odeio sair da rotina. As pessoas gostam de viajar e gostam de sair da rotina, em geral. Não eu. As pessoas também costumam gostar de ir a uma boa festa, não? Quanto mais glamourosa, melhor. E se for a própria festa então? Melhor ainda! Deus me livre! Detesto. Gosto de ficar em casa, o máximo possível.

O que é gostoso pra ti, costuma me apavorar. O cinema. O táxi. O avião. O restaurante. A surpresa. O novo. O desconhecido. O que não posso controlar. Tenho síndrome do pânico crônica desde criança. Não lembro de mim de outro jeito. Não lembro de mim sem ela comigo. Sempre comigo.

Não é um episódio isolado, um momento da vida, uma crise de ansiedade que dura um tempo e depois você se livra dela, como é bem comum acontecer com muita gente. A síndrome do pânico anda comigo. A vida toda. Mas isso também não é incomum. Não sou diferentona, não. Muita gente é como eu.

Quando era criança, lá nos anos 80, ninguém ainda sabia o que era síndrome do pânico. Meus pais não sabiam, e são pessoas super informadas e esclarecidas. Meu pai é médico. Todo dia, antes de ir para a escola, eu vomitava. Vomitava de puro pavor. De pânico.

Passei a não comer na parte da manhã (eu estudava á tarde) para ver se passava. Não passava, vomitava água. Meu pai, preocupado, meu deu um remédio. “Ju, tenho aqui um remédio muito bom, chama PLUS, se você tomar antes de ir pra escola, NUNCA MAIS vai vomitar. Vai sarar!”. Parecia um milagre na minha frente, me dá aqui esse Plus! Tomei Plus por anos, e funcionou, depois quando cresci e fiquei menos ingênua descobri que Plus nada mais era que um complexo vitamínico inofensivo que meu pai usou como placebo pra me acalmar. Obrigada, pai. <3

Mas a verdade é que passei toda a infância e adolescência tendo crises de pânico diárias. Diárias mesmo. Todo dia, alguma hora, eu sabia que ia chegar. A crise dura de poucos segundos a poucos minutos, mas é a coisa mais desesperadora que você pode sentir na sua vida. Já tentei explicar algumas vezes, mas é uma mistura de pavor, confusão, e uma sensação de que a qualquer momento vai acontecer algo pior que a morte. O corpo formiga todo, você sua frio, não consegue respirar, sente um enjôo terrível e parece que o cérebro para. Tudo o que é racional em você, some. Durante uma crise de pânico, morrer parece um alívio. Mas a gente não morre porque sabe que vai passar já já, e de um segundo para o outro passa mesmo. Aprendi a conviver com isso e aprendi a disfarçar como uma expert. Se você conversar com qualquer pessoa que conviveu comigo a vida toda, ninguém nunca vai dizer que presenciou uma crise de pânico minha. E, na verdade, todo mundo presenciou.

Eu tinha muita vergonha do que eu tinha. Nem sabia o que era. Achava que eu era muito estranha e que aquilo não podia ser normal. Meus pais e meus irmãos sempre me cuidavam nessas horas, eram maravilhosos, mas fora eles, não tinha coragem de contar para ninguém no mundo. Aos 16 anos, comecei a fazer terapia. Lembro que entrei no consultório, relatei minhas crises e disse “a única coisa que quero na vida é que isso passe. mais nada. socorro.”.

Fui melhorando. As crises ficaram mais esparsas. Não era mais todo dia. Lá pelos 20 e poucos anos, finalmente descobri o nome disso, e que era não só normal, mas comum. Comecei a tomar remédio, além da terapia. E minha vida mudou. Mudou totalmente.

Passei a ter umas três crises por ano, apenas. Imagina o que é isso, para quem tinha 365 crises por ano???

Mas tem uma coisa que segue comigo, todo dia, até hoje, e segue me desafiando: a agorafobia. Agorafobia é o “medo do medo”, ou seja, o medo de ter uma crise de pânico. Basta eu estar no avião, como agora, que ela bate.

No táxi. No cinema. Na reunião. Só fico 100% tranquila na minha casa. E isso sempre vai ser assim. Já aprendi e já me entendi. E já sei lidar com isso. E essa jornada de uma vida – de lidar com isso, de perder a vergonha, de entender que vai passar, de saber que é normal, do autoconhecimento que obrigatoriamente acompanhou todo o processo, de ser uma expert em acalmar a mim mesma, e de sempre ter amado minha vida e ter sido e ser uma grande otimista – me tornou uma pessoa melhor, por incrivel que pareça.

A gente só valoriza o bom quando enfrenta o ruim.

E, se você se sente como eu, é como eu, te digo que só a terapia e os remédios me ajudaram de verdade. É tudo o que posso te dizer. Também posso te dizer que você é foda, porque você enfrenta uma parada que não é fácil, e está aí. Ah! E respira devagar, tá? Sempre lembra de respirar devagar, quando bater o pânico.

Tchau. Estou pousando em Porto Alegre. Foi um vôo tranquilo. Eu enfrentei. E assim sigo. Enfrentando. E feliz.

PS> Se você se identificou com minha história, e se sentir confortável para dividir alguma sua, se você lida ou já lidou com síndrome do pânico e ficou com vontade de falar algo a respeito, ou mesmo se quiser tirar qualquer dúvida comigo, por favor, me deixe uma mensagem. Vou amar ter companhia <3

2 em Bolsas/ Moda/ Sapatos no dia 27.04.2017

Ju Ali & Capodarte para o Dia das Mães

Faz tempo que não faço um tipo de post desse tipo, em que mostro a coleção de uma marca, mas a verdade é que quando ficamos sabendo que a Ju estava assinando – e ilustrando – uma coleção de Dia das Mães para a Capodarte, a gente (sim, to falando pela Jo também) ficou tão feliz que parecia que era projeto nosso.

Caso vocês não saibam, a Ju – que além de amiga, colabora com o Futi com posts sucintos sobre assuntos muito relevantes – é uma artista de mão cheia e há alguns anos ela faz um trabalho bem bacana de customização de bolsas. Quando conhecemos ela, na época em que todas éramos do Fhits, conhecemos também seu trabalho, que ela divide no instagram pela #jucustomiza.

Naquele período a vida de blogueira da Ju era mais movimentada que a de artista plástica, mas de uns tempos pra cá, ela resolveu focar na sua arte e tem feito trabalhos cada vez mais primorosos. Eu, que sou uma apaixonada por ilustração, acompanhei toda a sua evolução e, acho que por causa disso, quando fiquei sabendo que uma marca de acessórios super bacana chamou ela para assinar uma coleção com uma ilustração exclusiva dela, eu vibrei tanto. Porque é merecido pra caramba e porque ela é super talentosa. E porque é muito bom ver alguém que você gosta fazendo um trabalho que ama e sendo reconhecida por isso. Então, como não prestigiar a amiga – e colunista? Olha só a rosa que ela fez e que está estampando slip ons, sandálias, sapatilhas e bolsas?

Quem for de São Paulo, Florianópolis e Porto Alegre, ela estará em algumas lojas Capodarte durante o mês de Maio personalizando bolsas da marca (que podem ser presentes para mães ou para vocês também, claro!).

O evento nas lojas será mais ou menos isso, ó:

Quem não conhece o trabalho da Ju de customização de bolsas, vou aproveitar para mostrar algumas das bolsas que eu mais amo. Quem sabe não vai dando ideias? Só de curiosidade (e a Ju ficar sabendo também, porque eu nunca falei pra ela hahaha), eu tenho uma pastinha no computador que eu separo todos os trabalhos dela que eu mais gosto só para ver se eu me decido.

Sim, porque desde 2013 eu falo para a Ju que eu quero uma bolsa minha customizada por ela, sempre recebo uma resposta empolgada do tipo “agora, Carlinha! Claro! Vamos!” e eu ainda não fiz nada simplesmente porque fico muito indecisa.

Será que eu faço estilo Banksy?

Ou algo mais pop art?

Definitivamente pop art

Pera, será que ilustro com pontos turísticos da minha cidade preferida (tentada a botar o cristo redentor por motivos de saudades)?

Ou pinto o Jack?

Hmmm, posso fazer uma oncinha estilizada, né?

Ou quem sabe ter intervenção só em uma parte da bolsa??

Ahhh, não, vou querer estilo old school com certeza! :) Entenderam a minha dificuldade?

Quem quiser ver mais trabalhos da Ju é só começar a segui-la no insta @julianaali ou então procurar pela #jucustomiza!

Vai dizer, tinha como eu não prestigiar essa pessoa super talentosa?