Browsing Tag

envelhecer

4 em Autoestima/ Convidadas/ Destaque/ Juliana Ali no dia 18.07.2018

Envelhecer?

Tenho 41 anos. Quando minha mãe tinha mais ou menos essa idade, era diretora da revista Cosmopolitan e, da mesma maneira que hoje faz minha amiga maravilhosa Cris Naumovs (atual ocupante do cargo), todo mês escrevia a carta ao leitor – aquele textinho logo no começo da revista, meio que uma apresentação da edição. Ela fez isso por vinte anos.

Em uma dessas colunas, escrita quando tinha uns quarenta e poucos anos, minha mãe fala sobre estar ficando mais velha. O texto começa exatamente assim: “Branco. O cabelo está branco.”

Vou escrever sobre o mesmo assunto agora, e homenagear minha mãe começando do mesmo jeito: Contando que, recentemente, Carmen, minha filha, encontrou alguns fios de cabelo branco na minha cabeça, pela primeira vez.  Branco. O cabelo está branco.

ju-41

Noto os reflexos de ter passado dos quarenta. Adolescentes passam por mim com aquele jeito distante e desinteressado de quem não se identifica mais, recebo muito menos olhares masculinos em qualquer ambiente, “a senhora vai beber alguma coisa?”.  Outro dia fui fazer um exame de sangue e a moça do laboratório perguntou: “ainda menstrua?”. Pela primeira vez na vida não ouvi o familiar “qual a data da última menstruação?”.

Não me incomodo com nada disso, são apenas sinais naturais do momento em que estou e tudo bem. Me sinto confortável aqui, nesse lugar. Porém tem uma coisa que me incomoda sim, agora. Frases como “fulana tá acabada, cara de velha”. Ou “envelheceu mal aquela lá, hein?”.  Ou ainda “você não vai entender porque quando você era jovem não tinha isso”.

Envelhecer? Credo, não pode. É feio. Tem que ficar velha e ter cara de jovem. Se vira, faz plástica, que parecer a idade que tem é crime. Tem que mentir a idade também. Como se fosse uma vergonha, e não um orgulho, cada ano novo que a gente enfrenta, e ganha. Dizer que tem cinco, dez anos a menos. Não entendo a vantagem. No máximo, vão dizer “fulana tá acabada, cara de velha.” Porque, afinal, se eu disser agora que tenho 35 anos não vou magicamente ficar com cara de 35, né amore. Continuarei com cara de quarenta mesmo.

“Ah, no meu tempo…”. Não é assim que eles falam? Que tempo é esse? Meu tempo é hoje, é agora, é 2018, é onde estou. Aqui é MEU TEMPO. Mais do que nunca, inclusive.

Não sei se você viu o stand up da Hannah Gadsby que estreou há pouco no Netflix. Chama “Nanette”. Talvez tenha ouvido falar (recomendo). Hannah tem minha idade. Em dado momento, ela está falando sobre Picasso. Ele mesmo, o pintor. Hannah lembra que Picasso, aos 45 anos, notoriamente se envolveu com Marie-Thérèse, de 17. Foram amantes, ele era casado. Picasso disse certa vez que o relacionamento era perfeito pois ambos “estavam em seu melhor momento”. A isso, Hannah responde algo do tipo: “Que mulher está em seu melhor momento aos 17 anos? Melhor momento pra que? EU estou em meu melhor momento AGORA. Pode vir, você teria coragem de mexer comigo HOJE???”. 

Aos 17 anos, certamente Marie-Thérèse estava no melhor momento para cair no papo de um homem mais velho louco para usá-la como bem entendesse. E aos quarenta? Você tem coragem de enfrentar essa mulher? Ela ACABA com você. Porque ela sabe muito. Ela está NO SEU MELHOR MOMENTO.

Lembre disso, se você for ainda bem jovem. Com o tempo, você ficará melhor. Abrace isso, pois é real. Não minta sua idade, não tenha medo de quantos anos terá  no ano que vem. Tenha orgulho da mulher em constante evolução que você é. Cada ano vai te tornar mais autoconfiante, mais esperta, mais tranquila, mais FORTE, mais ligada no que realmente importa. Spoiler: não é a aparência física.

E não me chama de “velha”. Não repare se envelheci “bem ou mal”.  O que significa isso, no fim das contas? Inspire-se nas mulheres que estão mais á frente que você nesse processo de crescimento ao invés de dispensá-las. É crescimento, não envelhecimento.

Minha mãe hoje tem 75 anos. E o cabelo está branco, todinho. Ela não pinta, sabe? E segue linda, saudável, vivendo no seu tempo, que é hoje. Viu “Nanette” também. Só que mamãe viu no Netflix pelo laptop. Eu não sei acessar o Netflix no computador, nunca tentei, vejo na TV mesmo. Quem sabe um dia peço pra ela me ensinar como faz.

mamae-75

Aliás, também me lembro exatamente da última frase do texto que mamãe escreveu há três décadas, aquele, do cabelo branco:

“Envelhecer? Não tenho tempo pra isso.”

2 em #paposobremulheres/ Autoconhecimento/ Autoestima/ Comportamento/ Saúde no dia 30.03.2018

Papo Sobre Mulheres: o padrão de beleza em uma mulher de 50 anos

Fui convidada mais uma vez para escrever algo para vocês, aqui no Futilidades. E fiquei muito honrada por isso, acreditem.

Eu pensei em dois temas para abordar: menopausa e padrões de beleza atuais. O primeiro eu ainda não domino bem, pois antecipei a menopausa com a quimioterapia e isso ainda está muito recente para mim. Não quis arriscar falar com vocês sobre algo que nem eu mesma sei como está. Hahahaha!

Então, me restou falar sobre os padrões de beleza em uma mulher de 50 anos. Caraca, meio tenso, não acham? Mas vamos lá.

50-anos

Sempre fui muito cuidadosa com o meu corpo, principalmente com a minha pele. Sempre tive pavor de sol e isso acabou sendo um facilitador para minha vida. Agora vocês imaginem uma carioca que não gosta de sol? Sofri muito bullying por isso. Mas nunca liguei, afinal doía mais em mim uma queimadura (sim, eu tive queimaduras por pegar sol – não se esqueçam que nos anos 70 não tinha protetor solar, muito pelo contrário. Tinha pasta d’água ou Hipoglós no máximo. E para tirar no banho era um sofrimento) do que um deboche de alguém.

E pensando no sol, lembrei do poema do Pedro Bial “Filtro Solar”. Ele está certíssimo galera. USEM FILTRO SOLAR.

Hoje muitas pessoas elogiam a minha pele. Mas todas elas já deduzem que ela é bem cuidada e soltam logo “mas você não pega sol, né?” Não, não pego de jeito nenhum. Mas, claro, e com toda razão, vocês vão me perguntar sobre a minha vitamina D. E eu respondo: reponho com medicação. Fim.

O cuidar da pele precocemente é muito importante para um bom envelhecimento da mesma. Aliás, todo cuidado que temos precocemente com nosso corpo – incluo aí a saúde física e mental – são grandes facilitadores de um bom envelhecer.

Sou adepta dos mil cremes para se usar. AMO! Mas o que me diferencia de muitas de nós é que eu os uso de verdade, diariamente, sem pular uma etapa. E uso também em qualquer viagem que eu faça (minha necessaire é quase maior que minha mala – hahahaha).

Um cuidado com a pele é um resultado que se vê a longo prazo. E todas nós vamos envelhecer, é fato.

Sou adepta dos procedimentos também mas com toda a precaução possível. Temos que ter cuidado com isso. Eu não quero que vocês me olhem e digam que eu pareço mais nova. Eu quero que vocês digam que eu estou bem para a minha idade. Acho que esse é o pulo do gato (pelo menos o meu pulo): saber que temos uma idade e sabermos vivê-la.

Sou uma mulher que ama moda. Sempre estou antenada com tudo que acontece no mundo fashion. Mas sempre tive o cuidado de adaptar o que está na moda à mim. Sempre soube estar atual sem ser escrava dos padrões. Ai vocês podem perguntar: mas como?

É isso que eu quero muito que vocês entendam: eu criei um estilo para mim e sigo esse estilo desde sempre. Faço uma releitura do que é in no momento para o meu estilo. Por exemplo: o lurex está na moda. Eu me vejo com um body decotado de lurex? Não. Mas me vejo com um conjunto de pantalona e blusa wrap de lurex. Deixei de usar o lurex? Não. Mas o adaptei ao meu estilo e gosto.

Adaptar é o melhor verbo para não se deixar levar pelos padrões impostos. Tudo pode ser adaptado, até porque ninguém é igual à ninguém. E essa autoconfiança é que devemos ter para seguirmos em frente, para entendermos que a idade chega mas não nos engessa, que podemos ser modernas e atuais sem termos que pensar como (ou tentar parecer com) uma menina de 20 anos, por exemplo. A maturidade é benéfica. Ela pode ser até precoce mas, com certeza, ela chega e devemos abraça-la, sabermos tirar proveito dela da melhor maneira possível.

E com essa maturidade vem um equilíbrio emocional, fundamental em qualquer idade, né? Quando temos esse equilíbrio tudo fica mais tranquilo. E com tranquilidade fazemos tudo certo. Ou quase tudo! Hahahaha!

Ah, e ler. Ler muito. Não deixar que seu cérebro funcione lentamente. Ative-o, alimente-o. Nos é permitido sermos antenadas.

A minha receitinha de bolo que eu divido com vocês, para chegar aos 50 com os mesmos 50 bem vividos?

Usar filtro solar;

Colocar o corpo para trabalhar;

Alimentar a mente diariamente;

Adaptar o que tentam nos impor para o nosso bem estar;

Acreditar em nós mesmas – termos a autoconfiança de não nos deixar influenciar por nada e ninguém;

E ser feliz, muito feliz. A felicidade é a cereja do bolo que vamos tentar fazer com essa receita.

2 em Autoconhecimento/ Deu o Que Falar no dia 10.01.2018

Que eu envelheça e nunca estagne

Um dos argumentos que eu mais ouço quando converso de assuntos polêmicos com gente mais velha é “ah, você vai ver como a sua opinião vai mudar”, com todo aquele jeito que diz sem dizer de forma conspiratória “e você vai pensar igual a mim”.

Sei que eu sou nova, tenho muita estrada pela frente e que, assim como mudei de opinião e até mesmo de discurso desde que comecei minha vida adulta até agora, pode ser que daqui a uns 10 anos eu olhe para quem eu sou hoje e pense como eu era boba e tinha ideias equivocadas.

Mas morro de medo de virar uma dessas senhoras como uma colunista que está dando o que falar hoje, que toda vez que leio algo dela tenho a impressão que ela acha que a idade é o escudo perfeito para justificar sua falta de vontade de acompanhar discussões atuais.

ilustra: yasmin gateau

ilustra: yasmin gateau

Veja bem, não sou uma pessoa que quer que todo mundo concorde com o que eu penso, tampouco me descabelo (salvo algumas exceções) quando vejo alguém com opiniões que eu discordo veementemente. Se eu acho que a pessoa está aberta a ouvir meu lado sem considerar um ataque pessoal, eu entro na conversa. Senão, mudo de assunto, me afasto, deixo pra lá. Gastar energia para tentar conversar com alguém que só quer debater se a sua opinião for a certa no final? Não, obrigada.

Também não acho que todo mundo tem que ser desconstruídão, apesar de achar que desconstruir atitudes e pensamentos que antes não eram problematizados é importante. É muito fácil dizer que “o mundo tá chato”, “no meu tempo não tinha isso” do que tentar entender o motivo de todas essas conversas estarem acontecendo.

Só não sei se concordo com quem usa a idade como justificativa para permanecer com pensamentos arcaicos. Geralmente quando isso acontece, percebo um tom de arrogância, como se idade e sabedoria estivessem interligados. “Eu sou mais velha, eu sei mais do  que você”. Eu concordo e discordo dessa frase, porque me pego pensando que praticar a empatia e reconhecer que a opinião pode ser mudada a medida que o mundo evolui e mais informações vão chegando me parece ser um exercício diário, sem idade definida e sem data para expirar.

Recentemente eu tenho parado muito para refletir na questão da idade e do envelhecer, e percebi que as biografias e documentários que mais me inspiram são aquelas de pessoas que souberam evoluir, que tiveram a humildade de entender o outro lado e reavaliar seu posicionamento, eventualmente admitindo seus equívocos. É assim que a gente cresce, e nunca é tarde para crescer mais um pouquinho.

Quero sim, chegar aos 70 com a cabeça de 30, mas Deus me livre permanecer 40 anos com as mesmas opiniões! Cabeça de 30 para mim é ter interesse, vontade de aprender, buscar conhecimento, aprender a ser cada vez mais flexível, reconhecer privilégios, praticar empatia (de verdade, não aquela que só tá no textão da internet). Acho que só gostaria de chegar aos 70 menos ansiosa, afinal, essa característica minha não é boa em nenhuma idade.

Sei que sou nova, e por causa disso eu realmente queria saber das mulheres mais velhas que leem o Futi o que elas acham sobre esse assunto. Mas só sei que eu espero que daqui a alguns anos eu olhe pra trás e veja que eu até poderia ser boba, mas pelo menos eu não permaneci no mesmo lugar.