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deu o que falar

2 em Autoestima/ Camilla Estima/ Convidadas/ Deu o Que Falar no dia 25.09.2017

Seu ídolo envelheceu…..e engordou.

No sábado o Guns n Roses fez sua apresentação no Rock in Rio fechando a noite no festival e com quase toda a sua formação original. É algo histórico ver Axl Rose, Slash e Duff juntos novamente nesse festival. Os caras estão no rol das maiores bandas de rock de todos os tempos, bombavam nas décadas de 80 e 90 e têm inúmeros hits, tanto que tiveram repertório para segurarem 3 horas e meia de show. E ontem, assistindo pela tv, a minha timeline só comentava a mesma coisa: o ganho de peso do Axl.

Juro.

créditos: divulgação/Guns n Roses

Não é de hoje que Axl ganhou peso. Lembro quando a banda reapareceu em festivais aqui no Brasil, lá em meados de 2001, no próprio Rock in Rio. Foi a primeira vez que ele veio cantar aqui depois de anos longe dos palcos e foi uma avalanche de críticas. Nessa época ele estava sozinho à frente da banda, retomou os trabalhos com outros músicos e o comentário geral não era “o guns está de volta” e sim “meu Deus, o que aconteceu com o Axl?”. Ok, passado esse “susto”, o cara continuou com a banda, fez mais shows e o “espanto” continuou. Parecia que ele estava sentenciado de morte ou com alguma doença contagiosa. 

Há quem argumente que a mudança de peso dele veio acompanhada de uma piora de sua voz. Não sou profissional de música, fonoaudióloga ou qualquer coisa do tipo. Sou apenas fã e não sei como opinar tecnicamente a respeito, mas sim, sua voz piorou. Acho que foi algo que ele também não cuidou nesse tempo, e a conta chegou.

Mas hoje, quase 16 anos depois dessa volta, toda vez que o Guns se apresenta aqui é a mesma coisa. E eu fico bem triste com isso. Dessa vez, que também tivemos Steven Tyler e Bon Jovi passando pelo Palco Mundo, a comparação foi mais dura ainda: “mas o Steven Tyler do Aerosmith também envelheceu”, “os caras do The Who também estão grisalhos”, “o Jon Bon Jovi continua um gato”….a diferença deles todos pro Axl foi o ganho de peso.

O mais interessante dessa análise, pelo menos a que eu pude fazer através da minha timeline, é que quem mais comentava que “o Axl Rose não é mais como antigamente” eram mulheres. Os homens que comentaram sobre o assunto (e eram poucos) contestavam a piora da voz dele. Ou seja…..

Lembram do episódio da Rihanna? Onde o ganho de peso dela foi noticiado e mulheres a detonaram nas redes sociais, com comentários julgadores e preconceituosos? Provavelmente as mesmas mulheres que se sentem insatisfeitas, incomodadas, julgadas e diminuídas quando alguém comenta uma vírgula sobre seus corpos ou qualquer característica física.

Como vamos conseguir atingir um patamar de autoaceitação corporal se a gente não consegue aceitar a mudança do corpo do outro? Quando? Talvez quando formos menos críticos, julgadores e quando apontarmos menos o dedo pro físico alheio e sim acolhermos as pessoas, inclusive nossos ídolos.

O Axl Rose tem muita coragem de dar a cara a tapa em frente à inúmeras plateias, com milhares de pessoas, depois de tanto tempo de estrada, sem o mesmo vigor físico e até mesmo com uma voz sem tanta potência. Deve ter enfrentado muita coisa para reunir a banda novamente e estar em estrada – coisa que não deve ser nada fácil. E ontem fez um show de “apenas” 3 horas e meia. Como a gente sempre diz por aqui, você julga o livro pela capa ou pelo seu conteúdo?

O cara não tem mais o mesmo cabelo, o mesmo corpo, a mesma voz mas o seu legado artístico é incomparável e espero muito que ele continue por bastante tempo voltando ao Brasil com suas canções sensacionais, que nos remete ao passado e à minha adolescência. Tantas memórias boas.

Vida longa ao Axl Rose <3

PS. E quem esperava……não, não vou colocar fotos de “antes e depois” do Axl para não estimular mais as críticas às mudanças corporais dele.

3 em Autoestima/ Destaque/ Deu o Que Falar/ maternidade no dia 29.08.2017

Como vocês estimulam a autoestima e encorajam a individualidade de seus filhos?

Domingo aconteceu o VMA e durante toda segunda feira, minha timeline foi invadida pelo discurso de da P!nk, que usou o espaço de agradecimentos pelo prêmio conquistado em um discurso cheio de empoderamento, autoaceitação e como podemos ensinar nossos filhos a terem (ou a tentarem exercer) amor próprio.

No nosso grupo do Facebook, então, foram quase 10 posts sobre o mesmo assunto. Se você ainda não viu, ela está aqui na íntegra:

Viram? Pois então, vamos conversar. Quem tiver filhos nessa idade de 5, 6 anos, então, por favor, aproxima a cadeira e vem falar comigo.

Porque preciso confessar para vocês, eu já entendi que a maternidade é repleta de momentos que a gente se prepara, estuda, conversa e na hora H acontece diferente, mas se tem algo que eu nem sei como começar a me preparar é isso: lidar com um filho que não se sente bem na sua própria pele.

Todo dia eu leio histórias de mães que dividem esses momentos pela internet, por exemplo, a que contou a história do filho que foi chamado de mulherzinha pelos amigos por ter cabelo comprido. “Filho, você se incomoda de ser chamado assim?” – “Eu não, mãe, isso não é ruim. Você é mulher e eu te amo”. Ou então a que compartilhou um momento de cortar o coração por ter tido que tirar o filho de 7 anos do ballet, não porque o menino não queria mais dançar, e sim porque ele não aguentava mais o bullying dos colegas de classe. Teve também a história da animadora de festa que atendeu um menino de 4 anos que queria um desenho de borboleta azul no rosto, mas saiu com a cara pintada de caveira porque os pais vetaram a escolha do inseto. Acho que por causa do Arthur, eu só estou lembrando de histórias de meninos, mas já cruzei com muitas de meninas também.

E aí vem a P!nk – a cantora que por inúmeras vezes já teve sua preferência sexual discutida só porque ela gosta de cabelo curto e nunca teve problemas em assumir e se orgulhar de seu corpo, que por sua vez não obedece à expectativa do que um corpo feminino deveria ser – contar como sua filha se acha feia por parecer um garoto. E aproveitou para dizer o que ela fez para convencer a menina do contrário.

Hoje eu me incomodo demais com esse conceito de masculino vs. feminino para crianças. Outro dia uma amiga veio me perguntar que brinquedos eu estava dando para o Arthur porque ela foi na loja comprar brinquedos novos para a filha da mesma idade (ou seja, 1 ano e meio) e a vendedora só veio com opções de utensílios domésticos em tamanhos reduzidos e, claro, rosas. De rodo à maquina de lavar louça, passando por uma batedeira. Apesar de ficar espantada por ver a tentativa de definir gêneros nos brinquedos em uma idade onde eles nem sabem o que isso significa, o que mais me incomoda é saber que esse é o primeiro passo em uma estrada que culmina no bullying de quem faz escolhas diferentes e que faz com que meninos e meninas tenham problemas de autoestima desde uma idade que eles nem sabem o que isso significa.

O pior de tudo? Crianças não nascem com esses conceitos e pré julgamentos, provavelmente tudo isso acaba sendo incorporado pelos valores que a família passa. Se tem uma coisa que me arrepia é pensar que se eu tivesse tido o Arthur 8 anos atrás, provavelmente eu o transformaria em uma dessas crianças que zoam os coleguinhas que fazem escolhas que fogem do senso comum. Talvez não chegasse a tanto porque meu marido foi uma criança e adolescente que amava dançar – e ele teve que aprender a lidar com quem tentava usar isso como forma de diminuí-lo. Mas eu era completamente equivocada.

Só para vocês terem uma ideia, a maior vergonha que eu tenho nesses quase 8 anos de Futi foi um post que em breve fará 7 anos onde eu estava fazendo imaginem o quê… Julgando a Shiloh, filha da Angelina Jolie e do Brad Pitt, de estar vestida com roupas masculinas ao mesmo tempo que o Kingston, filho da Gwen Steffani, estava andando com unhas pintadas.

Não apaguei o post – e não foi por falta de vergonha – porque até hoje eu tenho minhas dúvidas se deixo ele ali ou não. Gostaria de tirar porque ele é um desserviço, um post cheio de preconceitos de uma pirralha que não tinha ideia do que significava ser mãe e resolveu dar pitaco na vida alheia – e julgando as mães das crianças, olha a ironia! hahaha Mas gostaria de manter porque eu cresci, eu aprendi, eu mudei de opinião e hoje eu concordo com todos os comentários que estavam me criticando. Hoje eu vejo varias mães de menino contando que seus filhos acham o máximo pintar as unhas – e a sexualidade deles nada tem a ver com isso, eles gostam porque vêm a mãe e curtem o ato, as cores, as possibilidades, etc. Aliás, eu nem reconheço a pessoa que escreveu aquilo, confesso. Tento me achar ali e não consigo ver uma centelha de identificação. Que bom.

Eu espero que eu tenha a sabedoria da P!nk para o caso de eu ter que lidar com uma situação dessas em um futuro próximo. Eu espero conseguir criá-lo para enxergar beleza em tudo, inclusive nele mesmo e, acima de tudo, espero criá-lo de uma maneira que ele não julgue as escolhas alheias, muito menos as use para diminuir os outros. Vendo o quanto eu mudei de alguns anos pra cá, eu confesso que tenho grandes esperanças, mas adoraria saber como vocês estão fazendo para encorajar seus filhos e filhas a serem eles mesmos. :)

7 em Autoconhecimento/ Deu o Que Falar/ maternidade no dia 10.08.2017

Minha inveja? Dos pais

Eu to bem pê da minha vida. O motivo? Uma capa de dia dos pais. Uma capa que é para exaltar pais que conseguem conciliar trabalho com hobbies exóticos e…cadê os filhos? Duvida? Olha essa capa comemorativa e ache o erro:

Dos objetos que o pai está segurando até a legenda, onde está o motivo pelo qual esse homem pode comemorar um dia dos pais? Isso é, cadê os filhos??

Pode parecer uma bobagem, um drama sem fim, um exagero da minha parte, mas a verdade é que essa capa esfregou na minha cara algo que eu demorei muito para aceitar. Me deixou puta porque esse ano eu penei por causa de um sentimento que meu marido nem sabia que eu comecei a sentir por ele: INVEJA. 

Sim, queridas leitoras. Eu senti inveja do meu marido várias vezes durante o ano. Essa palavra horrível – e sentimento mais ainda – que todo mundo sente mas tanta gente prefere fingir que não. Eu senti inveja quando ele ia para o trabalho. Eu senti inveja quando ele me ligava dizendo que ia beber com os amigos. Eu sentia inveja quando ele falava que precisava viajar a trabalho. Eu senti inveja no momento que eu menos deveria sentir, isso é, quando ele recebeu vários prêmios, o auge da carreira até o momento. E ao invés de estar sentindo apenas felicidade, no fundo eu estava puta porque enquanto ele colhia os louros, comemorando com amigos e companheiros de trabalho, eu estava sozinha, 24 horas por dia com o Arthur, sem conseguir trabalhar direito, acordando de madrugada (porque ele sentiu a falta do pai e voltou a acordar no meio da noite) e tendo que levantar cedo depois de uma noite mal dormida.

Quem me ouve falar desse jeito deve pensar que ele é um monstro. Não. Ele é paizão de verdade, super presente, faz tudo que eu faço, leva para o trabalho quando dá e chega cedo na maior parte do tempo e ainda me estimula a sair com as amigas, ir para a academia, fazer minhas unhas e me cuidar. Inclusive bolamos um esquema de revezamento para termos nossos dias de acordar mais tarde alguns dias na semana. Eu converso com outras mães e amigas e sei que na comparação, eu tenho um companheiro maravilhoso do meu lado. Por quê então eu sentia inveja? Será que o monstro na verdade sou eu?

Aí essa capa veio e me deu a clareza que eu precisava para falar desse assunto, praticamente cuspi-lo aqui no blog porque acho que se eu parasse para ponderar, o texto mais uma vez não sairia. Porque essa capa esfrega o principal motivo de eu sentir tanta inveja: Eu queria ser pai. 

Eu queria poder combinar de sair com as amigas sem precisar organizar todo um planejamento dentro de casa. Eu queria poder viajar sem meu filho de cabeça tranquila porque sei que ele estará bem cuidado. Eu queria comemorar minhas vitórias sem imaginar que nesse momento, eu deveria estar cuidando do meu filho e não delegando esse trabalho ao pai, aos avós ou à babá. Aliás, eu queria não sentir culpa, mas acho que por enquanto isso é pedir demais, porque maternidade e culpa ainda são atreladas.

Eu li em uma outra matéria que falou sobre essa capa e que foi super compartilhada algo que tá na minha cabeça até agora e que resume tudo – desde a mensagem da capa até o motivo da minha inveja – de forma perfeita:

“É preciso muito pouco para ser considerado um paizão. E é preciso muito pouco para ser considerada uma mãe de merda.”

E não é? A inveja que eu sentia pelo meu marido já está sendo trabalhada, mas a verdade é que a inveja de ser pai continua aqui, firme e forte. Será que um dia eu consigo superá-la?