Browsing Tag

deu o que falar

6 em Autoestima/ Comportamento/ Destaque/ Deu o Que Falar no dia 05.12.2017

Sobre a auto propriedade de ser sua própria referência

… mas também poderia ser sobre “ Como me tornei a melhor pessoa para mim mesma”. Aliás, poderia ser tanta coisa. E é. É tudo aquilo de positivo que pudermos ver e praticar para nosso auto conhecimento.

A foto polêmica abaixo gera variadas possibilidades sugestivas – direta e indiretamente, e, mesmo sem ler os comentários, aposto que a maioria dessas possibilidades gira em torno do que nos chama mais atenção e carrega mais apelo em forma de cor, de formas, de volumes e texturas, de caras e bocas! E insinuações.

Dadas as informações prévias, lhes apresento (para quem ainda não viu, e para quem já viu – que agora verá novamente, de um jeito diferente até o final desse texto, assim eu desejo): Ms. Nicki Minaj, Ms. Nicki Minaj & Ms. Nicki Minaj. A única,  plena em versão tripla, rainha de seu próprio universo densamente colorido, sex appealled e  glitterizado, muito dona de si e de uma aparente autoestima plasticamente inabalável!

Foto de Ellen Von Unwerth, fotógrafa alemã de 63 anos, para a Paper Magazine

 

Apresentações formalizadas, vamos às possibilidades sugestivas e aquelas não tão sugestivas assim!

As idéias diretas – e por isso, óbvias – que vem à nossa mente quando nos deparamos com a imagem são aquelas muito provavelmente desejadas por toda a equipe da  cantora e da produção fotográfica. A supremacia Minaj ilustrada reforça o peso da publicidade e os desejos advindos desse modus operandi – todos ligados à indústria (leia-se, venda) do single e do próximo cd da artista, e do que mais convier. Esse não é o apelo principal da mensagem?  – Sim!

Mas é dele que quero falar aqui? – Não!

Não, porque o óbvio carrega o fardo de ser auto limitante, tão somente ele mesmo e nada além, nada aquém. E, vamos concordar que de aquém,  Trois (ou une ) Nicki não tem nada; mas para além, ela tem demais – mais de três versões, até!

Uma delas, e por enquanto é só essa que me interessa aqui, se refere à autoestima. Essa  palavra composta, tão repetida ultimamente, mas ainda tão pouco concreta na prática da nossa feminilidade e tudo que ela implica histórica, biológica, moral, socialmente…

Penso que todos têm autoestima em variações particulares de intensidade. E, ao ver a foto, o que mais me chamou atenção foi que a autoestima de Nicki, nesse Minaj a trois,  para mim, parece ser definitivamente uma alta estima por ela mesma.

Muito além do caminho traçado pelos outros apelos registrados, vi na foto uma mulher emocionalmente madura se usando como referência própria para o que ela julga ser diversão, prazer,  estímulo, ideal!   

Não parece que ela quer um complemento – como a gente é educada a pensar que existe por aí a nossa outra metade – ou alguém que vai nos completar. Lembram a velha, cansada e falida história das metades da laranja? Parece para mim, que ela quer no outro a interessância e desafio que ela acredita ter nela mesma.

Se fosse uma foto que projetasse o ego masculino, seria mais bem aceita (por nós, mulheres, inclusive), porque estaria dentro da normalidade conhecida? Mas por que não idealizar a partir de nós mesmas? 

O nosso ideal não deveria ser determinado por alguém, fato, situação, padrão que não nos conhece como um ser pessoal e único, que não nos cabe, que não nos satisfaz! O nosso ideal deveria ser a possibilidade de nossa própria evolução, um propósito de melhoria aplicada à nossa existência como somos e não como supostamente deveríamos ser.

Voltando à Minaj e à repetição da sua própria figura, independente de ser uma estratégia de marketing, uma saga narcisista, uma overdose de poder, uma ode a Jezebel (são muitos cabelos lindamente cascateantes), é também a prova material, ilustrada, brilhante colorida, delineada e iluminada de sua autoestima em altos níveis de segurança, plenitude e auto propriedade.

Não vejo uma mulher insegura de sua capacidade de sedução, temerosa e dependente da opinião alheia, ansiosa por aceitação, conseguir realizar esse feito fotográfico, não sendo ela um excelente atriz. Seria esse o caso de Minaj? Se sim, pouco – ou nada, me cabe julgar – e reforço a liberdade de inúmeras interpretações possíveis, assim como essa inspiração que vos apresento.

E quem oficializa minha afirmação é Nicki ‘three some’ Minaj aí, mostrando  sem vergonha nenhuma sua auto crença, auto valoração e auto satisfação. Ms. projeção Minaj mostra também, um gigantesco ‘F…da-se quem não gostar’!

À todas nós também é possível  se mostrar inteiramente em nosso amor próprio,  orgulhosas de ser quem  somos, ou quem nos tornamos. Então, cada uma de nós pode ser sua prória Minaj à trois, não pode?

3 em Comportamento/ Convidadas/ Destaque/ Deu o Que Falar/ Juliana Ali no dia 27.10.2017

Com amor, Ju: Ela é linda

Pois então, ontem um insta desses estilo “paparazzi de famosos” postou uma foto de Rodrigo Lombardi e sua mulher, passeando sei lá onde.

Abaixo da foto, comentários femininos achincalhando a mina. Em primeiro lugar, o que mais se via era “horrorosa”. Seguido por “velha”, “gorda”, “mal vestida” e, não menos presente, “sortuda”. Porque, de acordo com o que li no dito insta, uma verdadeira monstra daquelas precisa de muita, mas muita sorte para casar com um galã lindo e maravilhoso como Rodrigo Lombardi.

um dos comentários feitos na tal página

 

Como se não desse para ficar ainda mais chocante, as mesmas mulheres que estavam detonando a esposa do Lombardi começaram a brigar entre si, em um show de horror estilo “Tá falando o que? Você é mais feia ainda. Cala a boca sua imunda.”. Não estou inventando, li essas coisas assim mesmo.

Difícil saber por onde começar, mas vou tentar. Um dia teve o big bang e aí… Não, brincadeira, vamos lá. Mas é que precisa ser do começo mesmo.

Beleza. O que faz a gente achar alguém bonito parte de muitos critérios que são extremamente diferentes para cada pessoa. E grande parte deles não vêm nem de nós mesmas, sem mesmo nos darmos conta.

mas é o que?

Anos atrás, quando eu ainda era blogueira, gravei um vídeo para meu canal do YouTube. Meus vídeos não tinham muitas visualizações, o YouTube nunca foi meu forte naquela época mas, por algum motivo, esse em específico viralizou. Até hoje recebo comentários nele, e gravei há quatro anos, imagina. Adoro ler os comentários, que em geral não tem nada a ver com o conteúdo do vídeo e são de morrer de rir. Eles vão de coisas como “você é a mulher mais bonita que já vi na vida, casa comigo” até “você parece uma velha fumadora de crack”. Juro. E é louco porque tem meio que a mesma quantidade de elogios e de críticas. Ou seja.

O que estou querendo dizer? A beleza está nos olhos de quem vê, em primeiro lugar. Eu, JULIANA, não me levem a mal, prefiro belezas fora do padrão. Embora hoje em dia acho quase toda mulher bonita dentro do que ela é, me atraio loucamente por um rosto cheio de ângulos “estranhos”, um corpo arrendondado por quadris largos e coxas grossas, cabelos de cores diferentes como rosa ou azul, ou bem curtinho. Carinha lavada, roupinha básica ou então roupa chamativa mesmo. Sou aquariana, quanto mais diferente melhor. Você pode gostar de uma beleza exatamente oposta, e tudo bem. Todo mundo pode ser lindo, depende do observador.

as pessoas ainda não aprenderam a separar a novela da vida real, né?

Mas muito, MUITO mais importante do que isso, é perceber que o fato do Rodrigo Lombardi estar apaixonado por sua mulher pouco tem a ver com a aparência dela – que ele pode achar maravilhosa ou não, eu e você idem. Você sabe muito bem que beleza (o que quer que ela signifique a seus olhos) cansa rápido. A gente se acostuma com ela. A gente esquece dela no dia a dia. O que prende duas pessoas não tem NADA a ver com isso. Tem a ver por uns seis meses? Talvez até um ano? Passou disso, não.

Quer outra coisa MAIS IMPORTANTE AINDA? O pior de toda essa história, pra mim, foi a briga entre as mulheres. Quando a gente vai perceber que estamos no mesmo time? Que, ao julgar a mina do Lombardi, estamos replicando o julgamento que não queremos para nós e que foi imposto pela sociedade? Que é machista?

Você quer que alguém te olhe e diga “feia”, “horrorosa”, “SORTUDA POR ESTAR COM ESSE BOY”??? Nem sei como é esse boy na vida!!!!! Eu hein!!!! Sei lá se é sorte ou azar, não conheço o cara.

Estamos no mesmo barco, e dentro dele há o fardo de ter que ter certa aparência, certo comportamento, ter que nos encaixar em certos padrões que, para a maioria de nós, é impossível nos encaixar.

Então amigas, vamos olhar com carinho umas para as outras. Porque ninguém mais vai fazer isso.

2 em Autoestima/ Camilla Estima/ Convidadas/ Deu o Que Falar no dia 25.09.2017

Seu ídolo envelheceu…..e engordou.

No sábado o Guns n Roses fez sua apresentação no Rock in Rio fechando a noite no festival e com quase toda a sua formação original. É algo histórico ver Axl Rose, Slash e Duff juntos novamente nesse festival. Os caras estão no rol das maiores bandas de rock de todos os tempos, bombavam nas décadas de 80 e 90 e têm inúmeros hits, tanto que tiveram repertório para segurarem 3 horas e meia de show. E ontem, assistindo pela tv, a minha timeline só comentava a mesma coisa: o ganho de peso do Axl.

Juro.

créditos: divulgação/Guns n Roses

Não é de hoje que Axl ganhou peso. Lembro quando a banda reapareceu em festivais aqui no Brasil, lá em meados de 2001, no próprio Rock in Rio. Foi a primeira vez que ele veio cantar aqui depois de anos longe dos palcos e foi uma avalanche de críticas. Nessa época ele estava sozinho à frente da banda, retomou os trabalhos com outros músicos e o comentário geral não era “o guns está de volta” e sim “meu Deus, o que aconteceu com o Axl?”. Ok, passado esse “susto”, o cara continuou com a banda, fez mais shows e o “espanto” continuou. Parecia que ele estava sentenciado de morte ou com alguma doença contagiosa. 

Há quem argumente que a mudança de peso dele veio acompanhada de uma piora de sua voz. Não sou profissional de música, fonoaudióloga ou qualquer coisa do tipo. Sou apenas fã e não sei como opinar tecnicamente a respeito, mas sim, sua voz piorou. Acho que foi algo que ele também não cuidou nesse tempo, e a conta chegou.

Mas hoje, quase 16 anos depois dessa volta, toda vez que o Guns se apresenta aqui é a mesma coisa. E eu fico bem triste com isso. Dessa vez, que também tivemos Steven Tyler e Bon Jovi passando pelo Palco Mundo, a comparação foi mais dura ainda: “mas o Steven Tyler do Aerosmith também envelheceu”, “os caras do The Who também estão grisalhos”, “o Jon Bon Jovi continua um gato”….a diferença deles todos pro Axl foi o ganho de peso.

O mais interessante dessa análise, pelo menos a que eu pude fazer através da minha timeline, é que quem mais comentava que “o Axl Rose não é mais como antigamente” eram mulheres. Os homens que comentaram sobre o assunto (e eram poucos) contestavam a piora da voz dele. Ou seja…..

Lembram do episódio da Rihanna? Onde o ganho de peso dela foi noticiado e mulheres a detonaram nas redes sociais, com comentários julgadores e preconceituosos? Provavelmente as mesmas mulheres que se sentem insatisfeitas, incomodadas, julgadas e diminuídas quando alguém comenta uma vírgula sobre seus corpos ou qualquer característica física.

Como vamos conseguir atingir um patamar de autoaceitação corporal se a gente não consegue aceitar a mudança do corpo do outro? Quando? Talvez quando formos menos críticos, julgadores e quando apontarmos menos o dedo pro físico alheio e sim acolhermos as pessoas, inclusive nossos ídolos.

O Axl Rose tem muita coragem de dar a cara a tapa em frente à inúmeras plateias, com milhares de pessoas, depois de tanto tempo de estrada, sem o mesmo vigor físico e até mesmo com uma voz sem tanta potência. Deve ter enfrentado muita coisa para reunir a banda novamente e estar em estrada – coisa que não deve ser nada fácil. E ontem fez um show de “apenas” 3 horas e meia. Como a gente sempre diz por aqui, você julga o livro pela capa ou pelo seu conteúdo?

O cara não tem mais o mesmo cabelo, o mesmo corpo, a mesma voz mas o seu legado artístico é incomparável e espero muito que ele continue por bastante tempo voltando ao Brasil com suas canções sensacionais, que nos remete ao passado e à minha adolescência. Tantas memórias boas.

Vida longa ao Axl Rose <3

PS. E quem esperava……não, não vou colocar fotos de “antes e depois” do Axl para não estimular mais as críticas às mudanças corporais dele.