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deu o que falar

6 em Autoconhecimento/ Deu o Que Falar/ maternidade no dia 10.08.2017

Minha inveja? Dos pais

Eu to bem pê da minha vida. O motivo? Uma capa de dia dos pais. Uma capa que é para exaltar pais que conseguem conciliar trabalho com hobbies exóticos e…cadê os filhos? Duvida? Olha essa capa comemorativa e ache o erro:

Dos objetos que o pai está segurando até a legenda, onde está o motivo pelo qual esse homem pode comemorar um dia dos pais? Isso é, cadê os filhos??

Pode parecer uma bobagem, um drama sem fim, um exagero da minha parte, mas a verdade é que essa capa esfregou na minha cara algo que eu demorei muito para aceitar. Me deixou puta porque esse ano eu penei por causa de um sentimento que meu marido nem sabia que eu comecei a sentir por ele: INVEJA. 

Sim, queridas leitoras. Eu senti inveja do meu marido várias vezes durante o ano. Essa palavra horrível – e sentimento mais ainda – que todo mundo sente mas tanta gente prefere fingir que não. Eu senti inveja quando ele ia para o trabalho. Eu senti inveja quando ele me ligava dizendo que ia beber com os amigos. Eu sentia inveja quando ele falava que precisava viajar a trabalho. Eu senti inveja no momento que eu menos deveria sentir, isso é, quando ele recebeu vários prêmios, o auge da carreira até o momento. E ao invés de estar sentindo apenas felicidade, no fundo eu estava puta porque enquanto ele colhia os louros, comemorando com amigos e companheiros de trabalho, eu estava sozinha, 24 horas por dia com o Arthur, sem conseguir trabalhar direito, acordando de madrugada (porque ele sentiu a falta do pai e voltou a acordar no meio da noite) e tendo que levantar cedo depois de uma noite mal dormida.

Quem me ouve falar desse jeito deve pensar que ele é um monstro. Não. Ele é paizão de verdade, super presente, faz tudo que eu faço, leva para o trabalho quando dá e chega cedo na maior parte do tempo e ainda me estimula a sair com as amigas, ir para a academia, fazer minhas unhas e me cuidar. Inclusive bolamos um esquema de revezamento para termos nossos dias de acordar mais tarde alguns dias na semana. Eu converso com outras mães e amigas e sei que na comparação, eu tenho um companheiro maravilhoso do meu lado. Por quê então eu sentia inveja? Será que o monstro na verdade sou eu?

Aí essa capa veio e me deu a clareza que eu precisava para falar desse assunto, praticamente cuspi-lo aqui no blog porque acho que se eu parasse para ponderar, o texto mais uma vez não sairia. Porque essa capa esfrega o principal motivo de eu sentir tanta inveja: Eu queria ser pai. 

Eu queria poder combinar de sair com as amigas sem precisar organizar todo um planejamento dentro de casa. Eu queria poder viajar sem meu filho de cabeça tranquila porque sei que ele estará bem cuidado. Eu queria comemorar minhas vitórias sem imaginar que nesse momento, eu deveria estar cuidando do meu filho e não delegando esse trabalho ao pai, aos avós ou à babá. Aliás, eu queria não sentir culpa, mas acho que por enquanto isso é pedir demais, porque maternidade e culpa ainda são atreladas.

Eu li em uma outra matéria que falou sobre essa capa e que foi super compartilhada algo que tá na minha cabeça até agora e que resume tudo – desde a mensagem da capa até o motivo da minha inveja – de forma perfeita:

“É preciso muito pouco para ser considerado um paizão. E é preciso muito pouco para ser considerada uma mãe de merda.”

E não é? A inveja que eu sentia pelo meu marido já está sendo trabalhada, mas a verdade é que a inveja de ser pai continua aqui, firme e forte. Será que um dia eu consigo superá-la?

6 em Autoestima/ Destaque/ Deu o Que Falar no dia 28.07.2017

A Rihanna engordou. E a gente com isso?

Essa semana só se falou em uma coisa: o peso da Rihanna. Por causa das pre estreias de Valerian, filme que ela está participando, a cantora apareceu em alguns tapetes vermelhos pela Europa, e qual não foi a minha surpresa ao me deparar com milhões de comentários ofensivos sobre ela estar gorda.

E se você imagina que estou falando de revistas e portais de notícia, é aí que a surpresa fica maior ainda. Quase não cruzei com aquelas famosas matérias que deveriam noticiar um acontecimento mas metem o corpo das celebridades (mulheres apenas, claro) no meio da notícia. Claro que vocês sabem do que eu estou falando, afinal quem nunca cruzou com um link cujo título parecia com esse?

Pois é, dessa vez eu mal vi isso. Nos perfis do Instagram de várias revistas e perfis de fofoca vi posts noticiando apenas que ela vestia estilista X e estava ali para a pré estreia de seu filme e ponto final. E tudo estaria lindo se não fossem os comentários. Me desiludi muito e por um momento até entendi porque tanto veículos se mostram resistentes a incluírem mulheres de todos os tipos físicos em suas publicações. Afinal, como se encorajar quando aparece esse tipo de comentário em uma publicação?

99% dos comentários que eu li nesse naipe foram de…MULHERES. E aí vocês me respondam: como uma revista consegue quebrar o padrão se teoricamente seus seguidores – e supostos consumidores – fazem comentários como esses?

Se formos ver os comentários nas fotos que a cantora postou, que supostamente deveriam ser de fãs dela ou admiradores de seu trabalho, mais um choque. A premiere que ela estava divulgando? Ninguém estava nem aí. Até quem deveria estar elogiando, estava chamando-a de “gorda mas continua rainha” ou então “parabéns, hot mama, com esses peitos e essa cara redonda, certeza que está grávida!”.

Nessas horas eu me desanimo e penso como parece que nós, com nosso #paposobreautoestima e continuamente falando sobre a aceitação e a celebração de todos os corpos, perdendo nossos medos de postarmos fotos de biquini ou com gordurinhas aparecendo e recebendo tanto feedback positivo e encorajador de volta, estamos vivendo numa bolha.

É triste ver que a gente luta tanto para um padrão ser quebrado, mas a ditadura da magreza ainda está tão enraizada que é só uma celebridade conhecida por ter um corpo magro sair um pouquinho desse padrão (e um pouquinho mesmo, porque pra mim Rihanna continua sendo magra), que é recebida com comentários como esses que eu postei acima e tem seu trabalho eclipsado pelo número – que ninguém sabe qual é, acho válido lembrar – na balança.

Rihanna vai continuar sendo uma ótima cantora e um verdadeiro mulherão da porra independente do seu peso, então por quê dar tanto valor à isso? Enquanto isso continuar gerando polêmica ou pauta, enquanto comentários como esses que eu botei aqui continuarem acontecendo, ainda veremos mulheres com todos os tipos de corpos se achando inadequadas. E onde isso tudo vai nos levar? À eterna insatisfação.

E eu termino esse texto com a conclusão mais direta e bem colocada que eu li sobre o assunto até agora, feita pela Miriam Bottan (quem não segue, comece agora, @mbottan).

7 em Autoestima/ Comportamento/ Deu o Que Falar no dia 22.06.2017

Legítimo ou oportunista, o movimento que a Anitta tem feito pode ser revolucionário

De semana passada para cá, uma notícia vem sendo muito compartilhada e comentada: as bailarinas da Anitta. Mais especificamente, as bailarinas gordas da Anitta. Não lembro de ter dado tanta polêmica no ano passado, quando ela se apresentou com 10 dançarinas plus size no palco do Criança Esperança, mas agora deu e eu resolvi falar um pouquinho sobre isso, relembrando os momentos do meu saudoso DQF.

Porque parte da polêmica é baseada em um argumento: “isso é oportunismo puro porque a Anitta mesmo tem pavor de engordar, vive fazendo plásticas, dietas malucas, ela quer pregar a autoestima e autoaceitação mas ela mesmo não tem nenhuma”. E esse tipo de argumento me revolta tanto, mas tanto, que resolvi aproveitar esse espaço para fazer textão.

De fato, quem acompanha a artista em suas redes sociais consegue perceber em poucos stories como ela se justifica pelo que come, pelo peso, pela academia, pela roupa marcando, pela dieta, pela coach que ela arrumou para definir seu corpo. Acho que a única coisa que eu diria que aparenta ser bem resolvida nela é sua relação com as plásticas, ela assume que gosta dos resultados, que se prefere com a boca maior, com o nariz mais afinado – e quem somos nós para dizer o que uma pessoa pode ou não gostar em si mesma, né?

Só que, ao contrário de quem está criticando, eu não consigo bater o martelo e afirmar que essa relação que ela aparenta ter com o próprio corpo é sinal de que ela não tem amor próprio. Aliás, pelo o que eu vejo, diria que ela nada mais é que uma grande vítima do padrão, que pega especialmente pesado com ela.

Imaginem só os feitos da Anitta, que saiu de uma comunidade carioca e com 24 anos administra sua própria carreira, é um sucesso nacional que arrasta multidões por onde passa e está trilhando uma carreira internacional que tem tudo para dar certo. Não tem um ano que ela lançou sua primeira música voltada para esse mercado e desde então lançou singles com Iggy Azalea, Maluma, Major Lazer, foi a única brasileira a se apresentar no Jimmy Fallon e já está em 15o. lugar na lista dos artistas mais populares do mundo pela Billboard. O impossível não parece tão impossível assim para ela, não é mesmo?

Porém, é só entrar em qualquer portal de fofoca que a maior parte das notícias relacionadas à cantora têm a ver com seu corpo e até mesmo quando a matéria não é sobre ele, algumas linhas são dedicadas para dizer se ela está magra, com quilinhos a mais, celulites ou com a boca mais preenchida. “…e a cantora usou um look que valorizou sua ótima forma física” aparece quase junto de “Anitta usou roupa no show que fez pular gordurinhas e mostrou celulite”, isso quando não nos deparamos com manchetes caça cliques como “veja aqui as mudanças que Anitta fez no seu rosto”.

Se para nós, meras mortais, que não somos tão cobradas assim já é difícil não se deixar seduzir pelo padrão, imaginem então uma pessoa que está dentro de uma indústria que mesmo com feitos impressionantes, prefere sempre fiscalizar seu corpo, na sua aparência e nas suas mudanças físicas? É avassalador.

Não sei vocês, mas eu só consigo ver benefícios na inclusão de dançarinas com todos os tipos físicos. Não importa se ela está abraçando a causa apenas para virar notícia, o importante é que está virando notícia. Vou além, acho super importante que ela queira quebrar esse padrão que é tão cruel com ela, ajudando o mercado e a outras mulheres.

Tudo bem que ainda tem muita estrada pela frente, mas olhem esses comentários que são facílimos de achar em qualquer post compartilhado sobre o assunto e me contem se a legitimidade desse ato realmente importa no fim das contas:

Por anos a gordofobia apareceu disfarçada de preocupação pela saúde alheia e o estereótipo da pessoa gorda e preguiçosa que não gosta de se exercitar sempre foi socialmente aceito. Quer maneira melhor de quebrar esses paradigmas do que jogar os holofotes para essas dançarinas? Ao meu ver, a discussão sobre ser oportunismo ou não é irrelevante quando está envolvendo tantos conceitos importantes como representatividade e inclusão.

E eu espero de verdade que esse movimento influencie em algum momento a própria Anitta, para que um dia ela consiga sentir a liberdade de não ter que ceder às pressões e expectativas que a mídia e as pessoas esperam dela, para que ela jamais tenha que se justificar de novo por ser a mulher incrível que ela é.

O que vocês acham sobre esse assunto?