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1 em #paposobremulheres/ Autoconhecimento/ Autoestima/ Comportamento no dia 03.03.2018

Papo sobre mulheres: quando o amor e o risco vem do mesmo lugar?

Seria a minha família responsável pela minha relação doentia com o meu corpo?

Sim e não.

Desde pequenas, nós, mulheres, somos criadas com adjetivos como: princesa, linda, bonita. É raro ver alguém se referir a uma criança menina como corajosa, inteligente ou esperta. Somos muito mais cobradas pela nossa aparência física do que sobre o que temos e somos realmente.

Não que não sejamos lindas, bonitas e princesas, mas é que ser sempre elogiada por isso cansa, sabe?

Se quando criança, esses elogios aparecem, é na adolescência que eles tomam outra proporção. Adolescente tem que estudar, malhar, fazer as unhas, usar maquiagem, se vestir bem, ir às festas que estão na moda e se você for mulher, adivinha, pode até beber, mas nada que passe do ponto porque é feio. Os garotos não gostam de menina que bebe e também não gostam daquelas que não bebem nada. Que gente chata!

Aos 17, desenvolvi uma relação doentia com o meu corpo. Se antes, os quilinhos a mais poderiam me incomodar, agora eles eram tudo o que eu pensava. Você vai me perguntar o porquê disso? Bem, eu te explico. Aos 17 anos, eu pesava 65 kg e tenho 1.64 de altura. Me chamaram de gorda. Quem fez isso? O garoto que eu gostava? Um amigo? Não, as pessoas que tinham o mesmo sobrenome que eu.

Meu peso não é da sua conta - ilustra por: ambivalently yours

Meu peso não é da sua conta – ilustra por: ambivalently yours

Durante a adolescência, eu escutei coisas como: “você não pode comer um pedaço de bolo no aniversário da sua mãe, vai engordar.”; toma cuidado, hein, você tá bem gordinha”; “sabe porque você não tem namorado? Porque você não cuida de você.” Cuidar de mim parecia ser sinônimo de ser magra.

Foi também aos 17 anos que eu descobri o milagre dos remédios para emagrecer. Eles fazem milagres mesmo, mas também têm efeitos colaterais e nos fazem perder peso de uma forma não saudável, além de não ser duradoura. Quando você para de tomar, volta ao efeito sanfona. Na época, eu cheguei a perder 13 kg em dois meses, mas continuava chorando todas as noites porque eu não me encaixava no que queriam que eu me encaixasse, aquela não era eu e como todos diziam que eu estava linda, maravilhosa e magra, eu acreditei.

E por um momento aquele sentimento foi mágico, até que eu descobri que a minha autoestima estava cada vez pior e meus exames de sangue também, e eu estava cada vez menos satisfeita com o meu corpo. Quanto mais eu emagrecia, mais eu queria emagrecer. Sabe aquele sentimento de que nunca estamos satisfeito com o que temos? Eu me sentia assim, porque a minha auto-estima era tão baixa que não importava se eu estava ou não mais magra. Mas, bem, no almoço de família agora me deixavam comer o que eu quisesse porque eu era magra. Os ossos da minha clavícula estavam todos à mostra, eu podia comer sobremesa. “Nossa, como você tá magrinha, tá tão linda.”; “cuidado para não engordar de novo agora que vai entrar na faculdade, hein”; “a vida muda quando a gente é magra, né”. Sim, eu escutei todas essas frases de pessoas que eu amo, e provavelmente, você também já escutou.

É difícil dizer exatamente quando foi que eu me perdi nesse turbilhão. Quando foi que eu deixei que a pressão da sociedade falasse mais alto do que minhas próprias vontades, mas aconteceu.

É um passo de cada vez, os tais 13 kg que eu perdi de forma neurótica já foram recuperados, e com eles, toda a pressão da minha família também. A última que eu ouvi foi que as pessoas deixariam de me respeitar profissionalmente porque minha barriga estava enorme e que eu era muito gorda. Se dói ouvir de um desconhecido, quebra por dentro escutar de uma pessoa que deveria nos oferecer somente amor e carinho.

É uma luta diária sair de blusa de alça, usar uma transparência ou um decote. E as pessoas que nos amam deveriam nos ajudar com isso, nos incentivar a nos amar, a nos aceitar independente de qualquer coisa. Se eu decidir pintar meu cabelo de rosa, espero que eles me amem da mesma forma, como eu sei que eu os amaria se decidissem mudar algo em si mesmos ou se escolhessem estar fora dos padrões que a sociedade impõe.

Não sou a favor da obesidade, não é isso que vim dizer aqui. Sou a favor de nos sentirmos bem e confortáveis com o nosso corpo que é a nossa casa. Mas gostaria de dizer que se hoje estou muito mais saudável do que quando tinha 17 anos, por que vocês insistem em dizer que eu deveria ter o mesmo corpo que eu tinha naquela época? Meus exames vão muito bem, obrigada, o que eu gostaria mesmo é de me aceitar. E o primeiro passo para isso é pedir ajuda das pessoas que eu mais amo: a minha família.

Comecei esse texto dizendo que uma parte da minha relação doentia com o meu corpo era responsabilidade da minha família. Sei que se não tivesse escutado tudo aquilo, talvez eu não tivesse chegado a engordar. Muitas vezes, a gente reage de forma contrária ao que nos é imposto só para mostrarmos que podemos ser diferentes. E mesmo que eu quisesse ter 20, 30, 40 kg a mais e continuasse sendo saudável, me alimentando de forma nutritiva e fazendo exercícios físicos, o problema seria meu, não? Como se eu quiser emagrecer, a escolha é minha também. Da mesma forma que eu escolho a cor do vestido que vou usar hoje, gostaria também de poder escolher o tamanho do manequim que eu vou vestir sem que houvesse a interferência dos outros.

3 em Autoestima/ Destaque/ Looks/ Moda/ Patrocinador no dia 09.01.2018

Looks da Jô: férias na praia & verão da liberdade.

É, o verão de 2018 prometia ser único pra mim e até então ele tem feito justiça a isso. Embarquei para Paraíba no dia 28 de dezembro e dentro da minha mala eu levei 9 roupas de banho + 3 saídas de praia. Esse número pode não significar nada para quem não sabe como era meu modus operandi praiano de alguns anos atrás. Por muito tempo, o mais importante de um look para aproveitar o verão era o que eu iria usar por cima pra me cobrir. Não importava tanto o biquíni ou maiô, eles teriam saídas caras e combinando, tudo para que eu me sentisse confortável pra curtir o verão.

Arrumando a mala dessa vez notei que a necessidade das chemises, vestidos e conjuntinhos combinando foi diminuindo. Ainda gosto, afinal, amo a ideia da praia chic, mas percebi que não sou mais refém. Nessa bagagem o que tinha mesmo era muito maiô, biquini e protetor solar. Tudo que eu precisava para uma viagem sem luxo e sem glamour, mas com muito descanso e sol o dia inteiro.

Logo no primeiro dia usei um maiô que eu acreditava ter uma estampa que não combinava muito com eu tom de pele. Lêdo engano, enquanto na mão eu não gostava muito dele, no corpo eu adorei. Eu escolhi o modelo pensando que a estampa podia ficar legal por ser bem alegre e colorida, mas estava apreensiva pelo fundo meio bege, meio parecido com a minha pele.

1° dia: maiô estampadão!

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maiô frente única estampa Palha

Esse modelo abraça o corpo, é confortável e permite muita mobilidade. A estampa é alegre e divertida, achei que a cor das flores realmente saltaram quando em contraste com a minha pele.

Fiquei tão feliz que as fotos ficaram lindas nas cores do pôr do sol, mais ainda que foi a primeira vez que nadei no mar à noite.

2° dia: biquini, um pretinho básico.

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Biquini de montar (parte de cima + parte de baixo) preta do meu modelo preferido.

No segundo dia saí de barco para uma praia de rio perto de João Pessoa. Entre o sol, a água de coco e os caranguejos eu aproveitei que ficaria muito exposta ao sol para ir com meu biquíni preferido. Vocês podem notar que eu vario as estampas, mas quase sempre com esses modelos de calcinha e sutiã. Aliás sou viciada nessa parte de cima de biquíni, pois ao mesmo tempo que dá sustentação, ele tem as alças mais finas e sem bojo, o que deixa tudo mais simples e confortável. Eu sempre achei que biquínis acabavam comigo, mas assim como aconteceu com a lingerie, foi só descobrir os modelos ideais para mim para essas ideias cairem por terra. No caso desse preto a compra das peças é separada, o que acho ótimo porque permite uma análise combinatória de peças bem legal.

3° dia: estampa colorida para uma praia rica em cores.

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maiô tomara que caia estampa bordado

No terceiro dia de férias fui à uma das praias mais lindas de todo o estado da Paraíba. O dia estava tão lindo que desejei usar um maiô que eu já tinha experimentado. Na verdade vocês até já viram esse maiô por aqui, pois a Livia escolheu esse modelo para a pool party, eu amei tanto que provei e aprovei. Vestiu bem, a estampa de fundo preto me agrada muito e o corte diferente funcionou pra mim. Já queria montar um look lindo com ele pra usar no carnaval, além de usar na praia. Ele tem jeito de funcionar tanto na areia quanto fora dela.

No dia 31 – isso é, no 4o. dia – eu usei um biquíni mas não tirei foto. Curtir a praia cheia estava uma certa função, assim sendo, não cliquei o modelo, mas gostei tanto de usá-lo no 4° dia que repeti, dai já conto.

5° dia: o primeiro banho de mar do ano!

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maiô 2 em 1 de outra estampa

Dia 01 a praia seguia lotada e a logística ainda não estava tão simples como nos outros dias. Por isso, apostei no modelo de maiô 2 em 1, aquele que usa com a amarração do lenço anexo de duas formas: como saída de praia/canga e como lenço na cintura. Adoro as duas formas de usar, já usei muito a outra estampa (que a Carla usou na pool party), mas foi a primeira vez nessa estampa azul, que achei bonita e chique. Foi ótimo para fazer esportes aquáticos sem me preocupar.

6º dia: o biquíni estampado pela segunda vez!

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Biquini montado estampa Matiz

Lembram do 4o. dia, que eu não consegui tirar foto? Repeti o tal biquini no sexto dia de praia. Gostei da estampa, inclusive acho que usar a parte debaixo dele com a preta avulsa de cima vai ficar bonito (o contrário também)! São 4 peças que coordenam 4 looks. O modelo é exatamente o que eu adoro.

No 7° dia usei meu maiô preferido, mas acabamos não indo à praia em si. Fui almoçar na casa de uma amiga e foi tão bom que não mergulhei no mar. Por isso repeti o modelo no dia seguinte (ainda bem que tudo seca rápido em João Pessoa).

8° dia: maiô preferido da viagem

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Meu segundo maiô (diferente) da estampa vitral 

Esse maiô veio com muitas perguntas sobre tamanho. Na vida (na moda de roupa tradicional) eu uso 44/GG. Na moda praia, eu uso maiô 48/ como lingerie. Era esse o tamanho desse meu, que a meu ver (e de várias seguidoras) vestiu mais lindo no meu corpo. Acredito que ele vista bem mulheres que vestem do tamanho 40 (de moda, não lingerie) em diante.  Me senti confortável em todos os modelos, mas esse foi aquele em que me senti mais chique, tipo o meu outro da pool party. Foi o meu modelo preferido da viagem toda.

Eu levei 9 modelos, acabei usando 8. Foram essas peças que eu adorei ter nessa viagem de férias de verão – e óbvio, elas serão muito aproveitadas durante todo esse verão que ainda temos pela frente.

Acho que vale dizer que amo o material, acabamento, tamanho e modelagem da Marcyn, amo de verdade porque parece que foram feitos pra mim, e acho que quem viu todas as fotos que eu postei em stories, no meu instagram pessoal e no instagram do Futi, percebeu todo o conforto e identificação que eu senti com cada peça. A loja on-line troca tamanhos, como toda loja virtual, mas quem for de SP pode ir na loja física experimentar.

Só queria fazer uma observação: a marca é uma das patrocinadoras do futi, então nós temos acesso a tantos modelos em uma só viagem para mostrar pra vocês várias opções. Vai que um desses funciona super bem no seu armário? De forma nenhuma queremos criar o desejo subliminar de que vocês precisam ter um modelo por dia para uma viagem como essa, não mesmo. Queremos que vocês vejam as possibilidades para, quem sabe, ter um ou dois desses que podem te vestir bem. O consumismo desenfreado é um excesso, não é isso que queremos influenciar e sim a diversidade das opções pra cada corpo e cada mulher!

Espero que vocês tenham gostado dos modelos o mesmo tanto que eu amei escolher, usar, fotografar e postar pra vocês. O #paposobreautoestima me inspirou uma liberdade com o corpo que eu jamais pensei que viveria, mudar a forma de viver e enxergar as coisas pode mesmo mudar nossa vida pra melhor.

Que curtamos então esse verão de 2018!

Beijos

18 em Autoestima/ Destaque/ Saúde no dia 22.03.2017

Será que você me entendeu?

Nossa, volta e meia eu dou de cara com algum comentário ou mesmo elogio mascarando uma crítica velada de quem parece que não me entendeu. Uma coisa é não concordar ou não gostar, outra é não entender. Eu sei que meu discurso como um todo incomoda algumas pessoas, desce quadrado e pra alguns ele pode até ser agressivo. Quanto mais refém das verdades impostas da sociedade for a pessoa, mais a possibilidade de se desconstruir dói, eu sei disso, eu respeito isso. 

Nem por isso me torno dona da verdade universal, de forma alguma. Eu só sou dona da verdade do MEU CORPO. E nem todo dia é fácil ser dona da verdade do MEU corpo, porque muita gente parece ter algo a dizer sobre ELE, alguma dica pra dar para eu melhorar o MEU CORPO, com queixas que às vezes nem eu tenho. Curioso, não?

Essa semana uma pessoa conhecida começou a me dar dicas de perda de peso usando minha saúde, ou melhor uma questão hormonal, como desculpa. Querendo dizer que eu me sentiria mais bonita quando cuidasse do meu corpo “por saúde”. Será que eu sou a única pessoa louca que vê o quanto esse comentário é carregado de preconceito? No entanto eu fui fofa, vaselina e resolvi que não iria explicar para aquela pessoa que eu gosto DESSE CORPO. Não gosto da disfunção hormonal (que atenua na perda de peso, mas não resolve), mas gosto dessas curvas, dessa perna e desse peito. Posso querer mudar muitas coisas, com calma, mas isso não quer dizer que eu não posso gostar de mim durante o processo, seja lá qual for o meu processo ou momento. Eu me olho pelada no espelho e vejo uma mulher gostosa, por mais que eu não seja a maior entusiasta das minhas bochechas, mas isso é um problema meu, só meu.

Parecia impossível explicar para aquela pessoa que eu não preciso gostar do meu corpo quando ele for magro e desgostar dele quando ele não estiver tão magro assim. Parecia mais impossível ainda explicar que eu poderei mudar todo meu quadro de saúde gostando do meu corpo como ele é e mais complexo ainda provar que existem processos que são devagar e sempre. Nem só de dieta restritiva vive o emagrecimento, principalmente o saudável. Cada dia mais concordo com a linha de nutrição comportamental que a Camilla Estima segue e fala aqui no blog, cujo foco é mudar o comportamento alimentar, mais do que a alimentação em si. Não é um modismo, é um aprendizado. Mudando o comportamento com a comida, fazendo as pazes com ela, devagar e sempre. Sem rompantes, sem radicalismos e muitas vezes sem neuroses. O emagrecimento – se esse for o objetivo – pode demorar mais, mas essa linha para quem tem transtornos pode significar viver numa fase de paz constante com o próprio corpo.

Hoje eu não tomaria remédios para emagrecer, eu não faria nada que me levasse a ficar neurótica, paranóica e ansiosa com a minha alimentação. Para mim, que tenho um histórico de transtorno alimentar, sair dessa aflição é maravilhoso. É uma vitória, minha, do meu processo de terapia transpessoal.

É curioso como uma pequena parte das pessoas que veem o que eu posto, o que conto da minha história e da minha trajetória ainda vêm me dar conselhos – que eu não pedi – de como emagrecer, de qual grupo alimentar tirar, qual exercício ajuda ou como no fim do dia emagrecer é mesmo a chave da beleza e felicidade. Parece que ou a pessoa acha que eu to falando isso para aparecer ou ela não consegue conceber que eu estou MESMO tentando viver um processo INTERNO de me enxergar muito além dessas crenças limitantes que me fariam me sentir inferior a outras pessoas.

Eu acredito em sermos como quisermos e respeitarmos o outro como ele quiser ser. Acredito que magreza não é sinônimo de felicidade nem de saúde, qualquer pessoa que convivesse com a quantidade de gente magra que eu convivo que me conta de doenças psicológicas provenientes dessa pressão fit não faria essa associação tão rápida do corpo magro ao corpo saudável. Como eu sempre gosto de repetir, existe magro saudável, existe magro doente. Existe gordo saudável, existe gordo doente.

Na mesma proporção que anorexia nervosa e bulimia – doenças muito comuns mas que não enxergamos a olho nu – são doenças graves, a obesidade também é, só que essa todo mundo vê. Não existe doença melhor ou pior, então precisamos parar de rotular tudo muito rápido. Se os exames da pessoa estão bons, se o corpo dela está funcionando bem e se existe um equilíbrio da saúde física e mental, quem somos nós para julgar que alguém precisa ou não emagrecer? Existe um abismo entre ser obeso e ser fit. Ninguém precisa ser um OU outro, entre preto e branco tem muito cinza. Muita gente tem a estética da saúde física perfeita, mas ao ter que lidar com tanta pressão de atender o padrão imposto de beleza acaba no psiquiatra tratando depressão, crise de pânico, transtornos alimentares e afins. Nem tudo que parece é, principalmente na internet.

Quando eu tive meu corpo aparentemente mais saudável, em 2008, foi o ano em que eu tive meu quadro de saúde mais agravado. No meu menor peso eu sofria porque ainda via só o que não estava perfeito no meu corpo e tomava medicação para o quadro de depressão que desenvolvi e para tentar tratar a compulsão alimentar. Nunca tomei medicações tão pesadas, mas muita gente que não fazia ideia do que eu estava passando, dizia que eu ficava bem melhor magra.

Nunca diga pra alguém que você gosta que ela fica melhor magra. Pode parecer inofensivo, mas pode ser um gatilho muito perigoso dependendo do quadro. 

Eu hoje quero perder parte do meu sobrepeso para ter uma capacidade cardiorrespiratória boa para fazer minhas trilhas, para fazer minhas viagens e ter a longevidade que eu desejo. Analiso com meus médicos o histórico familiar e baseado nisso tomo as minhas decisões, que se aplicam só a mim. Quero fazer isso sem pagar um preço alto, mantendo minha saúde psicológica e minha sanidade mental, só quem já tomou uns remédios brabos de emagrecer sabe o quanto eles podem confundir nossas ideias e embaralhar os pensamentos.

Eu quero ter saúde equilibrada, física, mental e emocional. É isso que eu defendo nesse projeto do PAPO SOBRE AUTOESTIMA. Que a gente olhe a saúde como um todo, leve a sério o exercício não para ter um corpo fitness, mas para atender a recomendação da OMS de que façamos exercícios físicos para termos menos doenças e aliviarmos o estresse. Não para pagar a conta do brownie de ontem, essa coisa de compensação é um mecanismo muito perigoso, quase um gatilho para doenças nas quais muito pouca gente fala e que os profissionais especializados alertam.

A gente incentiva o exercício, a alimentação balanceada com vários grupos de alimentos e nutrientes, sem neurose ou paranóia. Sem culpa no dia que comermos aquele brigadeiro gostoso ou sem sofrimento no dia de comer um hambúrguer no Outback. Ninguém está incentivando uma alimentação vazia e rica em gordura ou cheia de muitas calorias na rotina, mas sim realmente fazendo as pazes com a comida. Cada um com seu nutricionista, cuidando do seu caso com os profissionais da área.

Como a Camilla diz: suco verde é ótimo, mas é só um suco. Ele não opera milagres. Na mesma linha um pedaço de bolo é só um pedaço de  bolo e sozinho ele não destrói a alimentação e o resultado de ninguém.

Aqui a gente incentiva um olhar individual sobre si mesmo, um olhar amoroso, acolhedor e sem comparações. Não adianta querer ter o corpo da Gisele quando seu biotipo é o oposto do dela. Não adianta buscar um padrão inatingível se você vê valor em curtir alguns prazeres que aquele perfil de estilo de vida não comporta. Não se comparar é um primeiro passo, cuidar do nosso próprio jardim é fundamental.

Minha vida mudou o dia que fiquei segura de quem eu sou. Foi ao longo de um processo intenso de terapia e espiritualidade. Nesse processo pude entender o quão incrível era ser a Joana, do jeitinho que ela é, com as curvas que ela tem e com muita coisa pra mudar e melhorar, mas podendo enxergar o que há de melhor nela HOJE, no aqui e agora. 

Hoje eu não me escondo atrás de alguém que não sou, não mascaro minhas fotos e nem fico procurando defeitos em mim ou no meu corpo. Eu encaro na terapia o que preciso melhorar, analiso e aprendo. O autoconhecimento foi a chave da minha segurança. A minha segurança me permitiu uma autoestima totalmente nova, essa por sua vez permitiu que eu fizesse as pazes com minhas curvas e minhas dobras. Eu comecei a ver beleza nesse corpo, que para alguns é curvilíneo e gostoso, para outros “gordo” e imperfeito, mas no fim do dia só importa o que eu realmente acho dele. 

E o que eu achar de mim, vai ser o que eu vou vibrar pro mundo. Quanto mais segura e confiante eu me sinto, mais sinto que as pessoas me veem segura e confiante, parece bobo, mas isso faz com que eu me sinta de bem comigo na grande maioria do tempo. Pra mim funciona muito. Não existe um único caminho, mas o que eu me proponho inclui não ser cruel e rígida demais comigo mesma. A ideia aqui é lançar um novo olhar sobre si, menos viciado.

Eu não sei se me fiz entender, mas um dia eu chego lá!

Beijos