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1 em Autoconhecimento/ Convidadas/ maternidade no dia 13.11.2017

Ser mãe é se perder no paraíso

Não, você não leu o título errado e não, eu não fiz a Magda no ditado popular (#entendedoresentenderao, rs, acho que quem tem menos de 30 anos vai ter de dar um Google pra entender essa piadinha).

A verdade é que a maternidade é um baita de um choque. Isso porque não sou daquelas que acredita que mães são seres superiores de sabedoria onipotente, mas só entendi o tamanho das renúncias e a tamanho da repercussão das nossas decisões quando me tornei responsável por outro ser humano – no caso, mini seres humanos que não são capazes (ainda) de comer, beber, andar, se divertir, se acalmar.

Fora isso, de uma hora pra outra você passa a ser a mãe do fulano ou da fulana. No meu caso, eu deixei de ser a Carol pra ser a mãe do Rafael (e depois da Marina). Ou seja, nada mais natural que a sua identidade, no meio desse turbilhão todo, se perca.

E aí, a mulher que não vivia sem fazer as unhas toda semana conta nos dedos de uma mão quantas vezes conseguiu tomar banho na última semana. E aquela que não perdia um episódio da sua série preferida não sabe dizer nem o nome do apresentador do Jornal Nacional (ainda é o William Bonner, né? Hahahahahaha!!!!).

Tudo isso porque essas coisas que faziam parte das suas prioridades no passado, foram lá pro final da lista. E você meio que se obriga a renascer, a encontrar um novo jeito de ser você no meio desse turbilhão todo. Afinal, dizem que é na crise que a gente cresce, certo?

Vejam bem: estou exagerando um pouco (ser mãe é maravilhoso, tá?), mas as mães que estão lendo isso vão me entender: é um pouco assim que a gente se sente, uma versão meio rascunhada da gente mesma quando dedicamos tanto tempo assim a outra pessoa que não nós mesmas.

Enfim, a verdade é que esse descompasso foi, pra mim, uma oportunidade de me reencontrar. De reencontrar minha nova identidade como mulher – e até de me aceitar melhor. Veja: meu corpo está longe do que um dia eu considerei ideal. E mesmo assim, hoje me acho muito mais bonita do que eu me achava há uns 5 anos, antes de engravidar pela primeira vez. Parece que eu descobri o que eu realmente mais gosto em mim e aprendi a trabalhar com esse jogo de equilíbrio fino.

Dizem que é nos momentos de limitações de recursos (grana e tempo, pra citar os mais valiosos no geral) que a nossa criatividade aflora. E parece que ter menos tempo (e menos grana, claaaaaro – ou alguém aí já ouviu alguém dizer que ficou mais rycah depois de ter filhos? hahahaha) pra mim me ajudou a focar no que realmente importava.

E no que isso resultou? Na minha melhor versão em 36 anos de existência sobre a terra, sem a menor sombra de dúvida!

Mas ó, vale lembrar que isso só aconteceu com muito autoconhecimento, muita reflexão, muita cara no chão… afinal, se é na crise que a gente cresce, crescer tem lá suas dores. E as suas delícias, claro! :-)

1 em Autoestima/ Convidadas/ Saúde no dia 31.10.2017

Outubro Rosa: Juliana Kozlowski

Meu nome é Juliana, tenho 25 anos e em maio de 2017 recebi o diagnóstico de câncer de mama. Assustou saber que tão nova, eu estaria vivendo essa doença sem ter nenhum histórico familiar. Fui pega de surpresa depois de ficar 3 meses correndo atrás do diagnóstico.

Tudo começou quando eu estava deitada vendo televisão e senti a parte inferior da mama esquerda levemente endurecida. Procurei a ginecologista para ela fazer o exame do toque. Em seguida, ela pediu uma ressonância para me deixar mais tranquila, mas o exame não detectou nada alarmante. Relaxei e 1 mês e meio depois.. Boom! O seio ficou endurecido e foi quando eu fui atrás de um mastologista. Fiz mais duas ultras, uma ressonância e a biópsia, que foi a única capaz de revelar o diagnóstico precisamente.

Por ser muito jovem foi bem difícil mudar minha vida agitada, de noitadas e estudos para uma vida de consultórios e exames médicos. Mas procurei buscar o lado bom disso tudo, ver em cada coisa um motivo para agradecer. Em um país em que a população está em leitos médicos em corredores de hospital, eu tinha que agradecer por ter acesso a uma boa rede de saúde.

Inúmeras coisas passam pela sua cabeça tal como a possibilidade de concretizar ou não os seus sonhos. Além disso, a preocupação com a aparência – aquele medo de ficar careca e como lidar com essa nova aparência. Como eu iria lidar com a minha nova imagem, será que eu ia me aceitar ou não? Eu sempre alisei o cabelo e há dois anos resolvi me aceitar e passar pela transição capilar. Finalmente estava com os cachos desenvolvidos, quando por ironia do destino, depois que eu sinceramente os aceitei, eles foram embora.

FOTO: @juliaassisfotografia

É engraçado porque eu sempre tive cabelos longos e nunca imaginaria que iria gostar tanto de ficar careca. Parece que a vida te vira do avesso e você descobre que fica melhor assim.

Mal eu sabia que o câncer estava prestes a me dar uma baita lição. Mudou a lente com que eu via o mundo e me enxergava, você de fato começa a ver a beleza de dentro de você, perceber o quão supérfluo seu cabelo pode ser, quando você tem um sorriso que mostra alma, que ostenta vida. Isso tudo aconteceu porque perdendo os cabelos, eu que tinha medo da cara redondinha, do braço mais gordinho, percebi que nada disso importava. A minha saúde e a minha felicidade não dependiam desse padrão que eu mesma me impus por décadas.

Às vezes, a gente só precisa mudar a forma que se vê, deixar de lado aquele olhar severo com a nossa aparência, aquela busca desenfreada pela perfeição e pelo tal padrão social. Antes do câncer, eu lutava muito pra aceitar meu sobrepeso, minhas dificuldades com a balança. Vivia em guerra e não gostava de algumas partes do meu corpo. A gente olha tanto pra fora, revistas, novelas e instagrams, que esquece de olhar pra dentro, de enxergar nosso real valor e as nossas inúmeras qualidades. Insistimos em olhar aquela espinha, aquela gordurinha localizada ou qualquer outro defeito. Hoje, eu consigo enxergar a Juliana incrível que eu sempre tive dentro de mim: amiga, determinada, sincera, espontânea e engraçada. Os que me rodeavam tentavam sempre me mostrar esse meu lado, mas acho que eu ainda não estava pronta para vê-lo. Agora não só me apoderei de tudo isso, como consigo me reconhecer assim.

Foto: @juliaassisfotografia

A doença nos faz agradecer por cada imperfeição, por cada membro do nosso corpo e mais do que tudo isso, por estar viva mais um dia.

O cabelo caiu mas a auto estima subiu depois que você percebe o seu lugar no mundo, troca o olhar crítico e rígido por olhos de carinho, ternura e compreensão. Hoje eu vejo a vida com outros olhos, com muito mais cores e amores. Valorizo cada pequena conquista, cada passo dado e cada sonho a se realizar.

Outubro deixou de ser um mês qualquer pra mim, passei a ter uma obrigação quase que moral de espalhar amor, lembrar às amigas e leitoras de não só se tocarem, fazerem seus exames, mas também a tentar passar um pouco o caminho do melhor amor: o próprio. Amem-se, toquem-se e sejam felizes! Não tem maquiagem mais bonita do que o sorriso sincero de quem tem o melhor amor do mundo: o próprio!

9 em Autoestima/ Destaque/ Saúde no dia 30.10.2017

Outubro Rosa: Erika Galhardi

Abril de 2017. Mês normal, nada de especial. Apenas mês dos meus exames anuais. OK. Tudo agendado e lá vou eu.

Há quase 10 anos faço meus exames de imagem com a mesma médica (uma boa dica que dou à vocês, fica mais fácil de acompanhar os laudos). Viramos amigas pessoais, claro. Como podia ser diferente? Falo pelos cotovelos. 

Fui chamada. Coloquei aquele roupão horrível. Todas nós, mulheres, nos esbarrando na saleta de espera. Uma é chamada para a mamografia, outra para o ultrassom. Ninguém se fala. Chato isso, né? Afinal são exames de rotina, todas nós temos que fazer. E porque não fazê-lo parecer mais prazeiroso?

Entrei. Fiz os meus. A auxiliar fala “temos que repetir a mamografia”. Eu super ok, afinal minha médica é minha amiga, só pediu para repetir porque sei lá, ela me adora. Hahaha!

Acabei. E vem ela “apareceu um nódulo que não aparecia nos outros exames. Vamos fazer uma ressonância”. Ok? Claro que não, pirei na hora. Fiz mil perguntas mas ela me acalmou.

Ressonância marcada. Ela quis me acompanhar. Nem desconfiei, afinal somos amigas.

Acabou o exame e ela me pede pra esperar um pouquinho lá fora enquanto agradecia a equipe. Estava relaxada, mexendo no celular, e a observo, de canto de olho se aproximar. Parei e acompanhei cada passo dela em minha direção. Acho que foram uns 15 segundos mas pra mim foi uma câmera lenta sem fim. Entendi. Comecei a chorar. Ela me deu muito carinho mas tinha que ter o último exame a fazer: biópsia.

Fiz na certeza que daria maligno. Falta de fé? Não. Me preparando para o que viria pela frente.

E deu. Meu chão abriu. Minha barriga doía. Gritei, soquei a parede, andei em círculos por “horas” e só falava “ estou com câncer de mama, não acredito. Não tenho histórico, me cuido pra caramba…”Mas em nenhum momento questionei por quê, nenhum.

Respirei fundo, avisei à família. E foi aqui que tudo mudou dentro de mim. Senti uma força gigantesca, afinal eu tinha que dar apoio aos que iriam me apoiar. Não me julguem, sou assim. 

Cirurgia marcada, com 2 opções de data: 8/5 ou 15/5. Escolhi 8/5 e não foi à toa. Era meu aniversário, 49 anos. O médico insistiu para que eu fizesse dia 15 mas eu estava firme. Deus me deu uma nova chance de viver. Dia 8 renascerei!

A cirurgia foi um sucesso. Fiz o esvaziamento das mamas, coloquei próteses, não tive comprometimento dos gânglios e nem perdi meus bicos do seio. Fazer quimio ou rádio estavam praticamente fora de cogitação. Maravilha? Sensacional.

Depois de 15 dias chego para o meu médico e peço uma notícia boa. Recebo uma boa e um ruim. A boa? A cirurgia foi efetiva, deu tudo certo. A ruim, precisaria fazer quimio. Não acreditei, claro que não. Eu fazer quimio? Não.

Lembro-me de dizer “posso chorar?”. E foi assim. Foi a 2a e última vez que chorei. Respirei o mais fundo que eu consegui e falei “vamos lá”.

E começou aí a nova Erika. Olhei para mim mesma diante do espelho, e me disse “você não vai cair. Algo Deus quer de você”. Sou muito religiosa, mulher de fé, cantora católica… 

Começou a quimio. Dia difícil. Tudo novo. Medo de todas as reações que eu poderia vir a ter. Não tive. Oi? Isso é normal? Não sei mas nada tive. 

O cabelo começou a cair. Acho que essa parte, para a mulher, é a pior. Claro que significa a cura, mas não é fácil. E caiu muito. Mais uma decisão: raspar. Era muito mais doloroso ver meu travesseiro cheio de cabelo, o chão, o box. Para que adiar um sofrimento? Raspei. Me senti melhor.

Vamos aos lenços, então. Porque peruca eu já tinha certeza que não usaria. Lenços lindos comprados, não me adaptei. Incomodava, escorregava, sentia calor. Desisti.

Qual a opção? Assumir a carequice. E, para minha surpresa maior, fiquei linda! Nunca imaginaria isso. Aliás, acho que quase nenhuma mulher se imagina linda careca.

Então veio a ideia: que tal eu fazer stories do meu dia-a-dia? Que tal mostrar para as pessoas que podemos estar carecas, em tratamento de quimioterapia e não perder a vaidade, o bom humor, a esperança? E assim fiz. Comecei a virar a câmera do celular para mim e a fazer os vídeos. Nada elaborado, não. Só eu mesma.

Os dias foram passando, os vídeos aumentando e as respostas das seguidoras também. Vi que o retorno era positivo, muito positivo. Conversar com pessoas que me davam força e segurar as mãos de quem passou ou está passando o mesmo que eu me deu forças.

A quimo não me derrubou. Sou uma exceção? Não sei. Minha vida praticamente não mudou nada, apenas ficou mais lenta. Continuei malhando, fazendo massagem, cantando. Apenas sinto um cansaço muito grande, em poucos dias, e só.

A superação é pessoal, claro. Cada um tem o seu tempo, a sua hora de respirar e dar a volta por cima. Cada um tem sua hora de dizer “é isso que eu tenho e vou aprender a lidar com isso”. Foi o que fiz. Tenho outra opção no momento? Posso fugir do tratamento? Não. E qual a melhor maneira de passar por isso? Tirando o melhor de mim, fazendo com que meus dias sejam os mais normais possíveis. Afinal, é uma fase e toda fase passa. Isso mesmo, toda fase passa, tem princípio, meio e fim. Meu fim será dia 27/11, a última quimio.

Qual a lição que posso passar para vocês com tudo isso? Que só nós podemos dar direção às nossas vidas, que as coisas podem ser difícies, quase impossíveis aos nossos olhos, mas Deus nos impulsiona. Ele nos faz capaz. NUNCA DESISTAM. Somos vencedoras.

E que nesse mês do Outubro Rosa todas nós tenhamos a consciência de fazer o auto-exame e continuar fazendo exames de forma rotineira. Nem precisa ser em Outubro, temos o resto todo do ano pra isso! O câncer de mama tem cura, ainda mais sendo descoberto à tempo.

Eu sou Erika Galhardi, tive câncer de mama esse ano e estou CURADA.