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3 em Autoestima/ Destaque/ Relacionamento no dia 19.05.2017

Não é sobre ele, é sobre você

Essa é a frase que não saiu da minha cabeça nas últimas 24 horas depois de ter passado o final de semana angustiada por conta de um carinha novo. Poderia ser um clichê da pessoa que não quer ou tem medo de se entregar ou se envolver, essas coisas que todo mundo sempre me conta e que eu mesma já vivi algumas vezes.

No entanto esse texto não é sobre ele, nem mesmo sobre o quanto ele deu uma mexida nas minhas vontades e sensações. Esse texto é sobre mim e minha dificuldade de enxergar as coisas de uma forma mais objetiva. Por mais que eu fuja, sempre acabo criando expectativas sobre ser a prioridade do cara.

É gostoso quando “calhamos” de nos interessar pela pessoa que também se interessa pela gente, né? Sentir que você é prioridade durante esse processo de se conhecer, ainda que a gente viva nesse mundo de múltiplos matches, é bem bom. Priorizar conhecer alguém em 2017 não é algo tão rotineiro. Quanto mais histórias eu ouço, mais parece que prioridade é algo que ninguém quer dar. Não sei, parece que ela dá direito a um risco de se envolver ou qualquer coisa do tipo.

Como eu disse, esse texto não é sobre ele. O tal cara não fez nada demais, muito pelo contrário. Parece que jogou limpo e o momento é que pareceu não estar propício, mas mesmo assim eu fiquei me sentindo boba de ter tido vontade de priorizar alguém de novo depois de 7 meses fechada para balanço. Nesse caso, a “culpa” foi minha, das minhas expectativas e do peso que eu dei a tudo isso. Logo eu, que adoro falar em leveza. 

Em seguida o sentimento de frustração deu lugar a uma angústia. Porque por mais que eu seja intensa e atualmente bem seletiva, eu não quero me tornar aquela pessoa refém de expectativas românticas e nem mesmo quero que cada tentativa de conhecer melhor um cara legal se transforme numa grande reflexão sobre a existência humana na terra.

As circunstâncias podem não ser boas, o momento pode ser delicado ou mesmo a outra pessoa pode não estar tão afim e isso não precisa se transformar em uma sensação ruim e totalmente irracional dentro do peito. No entanto, o que posso fazer? Aconteceu e agora estou tentando tirar disso um aprendizado.

No fim, me pego no paradoxo possível de acolher a sensação enquanto ela acontece ou querer mudar isso em mim no longo prazo. Intensa eu sempre serei, mas desejo um dia aprender a criar menos expectativas mesmo quando tudo conspira para o maior interesse. Conhecer alguém fica mais gostoso quando consigo ser leve. Achei que estava pronta pra isso novamente, mas talvez esteja enganada.

Expectativas podem ser nocivas até mesmo para uma relação de curto prazo. Acho legal pensar em aprender a dosar tudo isso. Um encontro esperado que cai por terra, um desencontro ou um desejo – meio sem sentido – de querer ficar junto com alguém que não pode ou não quer, pode ser conduzido com mais tranquilidade.

Seria fácil generalizar o cara, colocar a culpa nele e dizer que nenhum cara presta, mas não seria justo nesse caso. Não posso culpar o outro por causa da frustração das minhas expectativas. Elas são minhas, só minhas. 

Nessa hora me lembro da forma como enxergo o universo e da entrega diária que faço dos meus planos e vontades ao meu poder superior e assim consigo acalmar um pouco esse meu coração. Eu dou o meu melhor, mas peço para que só o que realmente tem algum aprendizado, alegria e/ou significado tenha força pra acontecer. Se a gente pede, precisa saber lidar com as consequências. 

Particularmente eu gosto de trazer as frustrações para a consciência. Pra mim é uma ótima forma de enxergar que, no fim, eu também tenho medo das consequências de me entregar. Sentir é maravilhoso, mas quando a gente se abre pra isso, tudo pode acontecer. Da alegria à frustração, tudo faz parte. Prefiro me arriscar e sentir a me trancar dentro de mim, e nessa hora me abro para as consequências disso.

Se aos 28 eu me joguei de corpo e alma para as novas aventuras, aos 30 acho que tenho preferido me recolher, no entanto não quero transformar isso numa máscara ou escudo que vai me transformar numa dessas pessoas que não consegue se envolver. Talvez essa versão mais seletiva seja mesmo uma forma de se arriscar com equipamentos de segurança.

O melhor que posso fazer é trazer meus padrões de comportamento para a consciência e me lembrar que o que tiver que ser vai ser, o que não for, que seja aprendizado, diversão e colorido no caminho das nossas páginas pretas e brancas.

No fim, posso até ter ficado frustrada com essa minha mania de criar expectativa antes da hora, ou até mesmo me afligido por ter demonstrado interesse e prioridade. No entanto é aquela – velha – história do quase. “Embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu “. Assim sendo, eu prefiro sentir dor por correr riscos, do que por não tentar.

Enquanto isso sigo sozinha, com minha bagagem, equilibrando meus pratinhos escolhendo quando me abrir e quando me recolher. Buscando um equilíbrio entre me envolver, me interessar e priorizar, sem me tornar refém das minhas próprias expectativas.

Sem medo de viver, ainda que reticente em arriscar demais. 

3 em Comportamento/ séries no dia 10.05.2017

“Cara Gente Branca”, melhoremos

Nunca me considerei uma pessoa racista porque jurava que só pessoas que não querem conviver nos mesmos ambientes, que xingam e que diminuem negros poderiam ser chamados assim. Mas já taxei de vitimista quem estava apenas explicando suas dificuldades, crente que era questão de meritocracia. Já cantei músicas que, em retrospectiva, percebi que são ridículas de serem cantadas por quem não viveu isso. Maior exemplo? “Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci”- sendo que o máximo que cheguei perto de uma foi para ir em uma festa que não tinham moradores de lá (hoje quando ouço essa música, praticamente não consigo cantar). Já achei um absurdo as reclamações de apropriação cultural porque só entendia a parte mais óbvia, isso é, quando a Valentino bota modelos brancas posando no cenário africano ou quando a Vogue faz o Baile de Carnaval em homenagem à Africa mas em meio a dreads e quilos de bronzer, quase não tinham negros representando o continente homenageado.

Até que comecei a ouvir mais e ler mais mulheres negras e entendi que, por mais atenta que eu fique aos meus atos, eu sempre terei o privilégio de ser branca. Eu nunca entenderei, literalmente, na pele o que é sofrer racismo ou ser diminuída pela minha cor, nunca vou ouvir que meu cabelo é ruim. Por isso que achei tão importante ver e ler sobre “Cara Gente Branca”, série que foi lançada recentemente pela Netflix e que é mais uma daquelas séries que é necessária ser vista, principalmente nos dias atuais onde se fala tão abertamente sobre racismo.

Sendo bem sincera, provavelmente ela passaria batida por mim, não porque eu iria preferir ignorá-la mas sim porque eu sou bem maria vai com as outras na hora de escolher a série que quero assistir. Se tá todo mundo falando e comentando, bem capaz de eu começar. E foi por causa de várias indicações nas redes sociais e depois com esses textos (e um video) que eu resolvi ver:

– Dear White People, eu só quero que vocês assistam a série
Precisamos falar sobre Dear White People, mas não queremos
Por que “Cara Gente Branca” é ignorada enquanto “13 Reasons Why” viralizou?
DEAR WHITE PEOPLE (CARA GENTE BRANCA) O QUE EU ACHEI – SEM SPOILERSDear White People e o silêncio ensurdecedor da internet

E peço desculpas, não porque a série jogou na cara coisas que eu já fiz. Peço desculpas pela série não estar sendo tão falada quanto outros lançamentos recentes quando deveria estar no top junto com as outras. Eu nunca tinha percebido isso até conversar com amigas que me alertaram, mas já notaram que séries e filmes de maioria negra não costumam ganhar o mesmo destaque ? E sabiam que revistas com negras na capa vendem menos? É uma realidade que vem mudando, mas ainda acontece muito.

Também peço desculpas pelo trailer oficial ter sido alvo de gente ignorante que quis dizer que estavam sofrendo “racismo reverso” e se juntaram para negativar o vídeo no Youtube  em números absurdos. 57.847 gostaram para…..preparadas? 421.518 dedinhos para baixo! Peço desculpas por ter gente tão bitolada que se sentiu ofendida com um trailer de 30 segundos a ponto de cancelarem suas contas no serviço de streaming e xingarem muito nas redes sociais. 

Sendo que “Cara Gente Branca” é sobre racismo, mas não é só isso. Não é uma série que ofende, e sim que faz com que todos possam enxergar todas as nuances do movimento negro tendo como pano de fundo uma universidade majoritariamente branca. Com muita ironia e clareza ela toca em assuntos importantes como violência policial, colorismo, militância, homossexualidade, solidão da mulher negra, até mesmo autoestima e empoderamento estético (da estética negra, claro). E ter visto tantas negras se sentirem representadas por essa série e se emocionado com as questões envolvidas me mostrou que é uma série importante de se ver sim. E que, como diz o trailer do Netflix que deu tanta polêmica (desnecessária), é para negros e brancos.

Assim como eu não sofri bullying e não quis me matar na adolescência, assim como eu não sofri violência doméstica ou fui mãe solteira, eu achei que Cara Gente Branca é outra série essencial para exercer a empatia e repensar conceitos e estereótipos. Para entender como é uma realidade – ou melhor, várias – diferente da sua sem julgamentos. Entender que por mais que você não se considere racista, se você é branca, está em posição privilegiada e portanto terá um tratamento diferente. E que quanto mais a gente entender isso e assumir nossa responsabilidade, mais estaremos fazendo um pouco da nossa parte.

Vocês já viram? O que acharam?

Um agradecimento especial à Gabi Sena, que foi minha consultora nesse post e deu pitacos relevantes no texto! <3

0 em Comportamento/ entretenimento no dia 01.05.2017

Big Little Lies: Entre mentiras e julgamentos, empatia e sororidade

Há umas duas semanas meu feed do Facebook lotou de gente falando sobre a nova série da HBO, Big Little Lies, baseada no livro homônimo de Liane Moriarty. Acho que eu ainda estava meio envolvida com 13 Reasons Why e acabei não dando muita atenção, mas de alguma forma aquela indicação ficou na minha cabeça e semana passada eu comecei a ver.

No primeiro episódio eu estava achando que seria algo no estilo de Desperate Housewives. Cidade perfeita, famílias perfeitas, pessoas aparentemente perfeitas porém cheias de problemas e imperfeições da porta de casa para dentro…e um crime a ser desvendado.

Nem precisou terminar o primeiro episódio para eu entender que a série tinha um outro objetivo: falar sobre julgamentos. E sobre empatia e sororidade, por mais que essas duas últimas palavras não combinem com a primeira.

É de certa forma curioso ver o desenrolar da vida das protagonistas Madeline (Reese Witherspoon), Celeste (Nicole Kidman), Jane (Shailene Woodley), Renata (Laura Dern) e Bonnie (Zoe Kravitz) sob a ótica alheia. “Estavam ali provando quem era o mais rico”, “Elas são como atletas olímpicos de guardar rancor”, “devia de existir um limite de 5 anos para os casais poderem ser melosos”, “ele é muito mais novo que ela”, “estávamos muito preocupados com as filhas das duas na mesma sala”, “Jane não pertence à esse lugar, “elas sempre tiveram problemas”, “aquele vestido era vulgar”.

Mas não é assim que acontece mesmo? Não precisa um crime acontecer para pessoas falarem da vida alheia, fantasiarem em cima de tudo que lhes é exposto e julgar. Eu falo, tu falas, ela fala. Mesmo quando não tem maldade ou intuito de fofoca, nós falamos, nós deduzimos, nós ficamos curiosas. Diria mais, com as redes sociais expondo a perfeição da vida alheia, essa curiosidade cresce ainda mais – e a verdade é que não temos ideia do que acontece realmente.

O mais fantástico de Big Little Lies é a forma como a história vai sendo conduzida, que mostra para o espectador tanto a história vista de fora, cheia de fofocas e suposições, quanto os detalhes cheios de imperfeições de tudo que realmente acontece com as protagonistas. É uma bela crítica à essa cultura de julgamentos, principalmente depois que a gente percebe que as opiniões dos personagens secundários não mudam a nossa opinião sobre os protagonistas. Diria que isso deveria ser levado como uma espécie de ensinamento para a “vida real”, já que é muito comum a gente se deixar levar e influenciar pelos outros. Quem nunca pegou antipatia de alguém porque ouviu falarem mal (apesar desse alguém nunca ter te feito nada) que atire a primeira pedra.

E os julgamentos não acontecem apenas como fofocas. Eles acontecem toda hora, seja no depoimento para o delegado, seja na mesa de jantar ao dizer que acha que a menina nova na cidade é problemática ou que a mãe CEO de uma empresa grande e conhecida é uma vaca arrogante e se acha melhor que todo mundo.

 

Não importa se Big Little Lies é ambientada em um mundo de riqueza e casas com piscina infinita e vista para o mar, ela é uma série feita para gerar identificação, já que é impossível não se botar no lugar de alguns personagens – ou partes de suas personalidades ou problemas. Entre temas mais sérios como infidelidade, estupro e violência doméstica, também somos levadas a acompanhar suas inseguranças, arrependimentos e desejos de fazer o melhor para seus filhos, porque sim, BLL também é sobre maternidade.

 

Outro ponto importante da série se chama EMPATIA. Sim, essa palavrinha tão falada ultimamente é ilustrada dezenas de vezes durante os 7 episódios da série. Você vai vê-la escancarada na relação de Madeline, Celeste e Jane, mas dá para enxergar em diversos outros momentos, seja em um pedido de desculpas ou em uma consulta na terapia.

Por fim, a sororidade. Por mais que eu torça por ela, volta e meia sou levada a acreditar que esse é um pacto utópico, que no fim mulheres foram feitas e educadas para competirem entre si e se verem como potenciais inimigas e vai continuar desse jeito. Como é uma série onde o elenco feminino predomina, eu já nem alimentava esperanças. Mas quando a sororidade real aconteceu, foi lindo – e emocionante.

Poderia ser uma série sobre o mundo perfeito que na verdade é imperfeito. Poderia ser uma série sobre julgamento. Poderia ser uma série sobre um crime e quem matou. Mas Big Little Lies, na minha opinião, foi muito além.

Se você está de bobeira nesse feriado, pode embarcar nesse programa! São apenas 7 episódios, ou seja, dá para fazer uma (meia) maratona até o fim do dia! Eu já estou providenciando o livro, quem sabe volto a falar sobre o assunto em um Book do Dia? :)