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Cinema

1 em entretenimento no dia 10.11.2016

Gleason, um tapa na cara e um soco no estômago

Tô mal, gente. Aliás, tô mal desde quinta passada quando, depois de ler o post de uma amiga indicando, eu resolvi assistir o documentário Gleason (acredito que só tenha na Apple TV americana, não sei). E desde então eu não paro de pensar sobre ele, até quando eu acho que ele saiu da minha cabeça, eu me lembro de alguma coisa relacionada.

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Ela já tinha avisado que o filme era forte. E triste. E reflexivo. Mas eu não esperava chorar copiosamente enquanto os créditos subiam pela tela porque eu simplesmente não conseguia reunir forças para pegar o controle remoto.

Se você acha que não conhece esse nome e não tem ideia de quem seja Steve Gleason, te digo que com certeza você conhece alguma coisa sobre o jogador de futebol americano. Lembram do Ice Bucket Challenge, aquela brincadeira que as pessoas jogavam um balde de gelo na cabeça, postavam o vídeo e desafiavam mais pessoas a brincarem? Um monte de gente resolveu fazer sem nem saber do que se tratava, mas a corrente era para chamar atenção à ELA, ou esclerose lateral amiotrófica, a doença degenerativa que o jogador tem e que vai acabando com as células do sistema nervoso central até o ponto que a pessoa não consegue mais falar, comer ou respirar.

O filme começa em 2011 com Gleason recebendo o diagnóstico na mesma época que ele descobriu que sua mulher estava grávida do primeiro filho do casal. Como ele não sabia se estaria vivo quando o filho crescesse, Steve resolveu fazer diários para o filho. E esses vídeo-diários combinados com depoimentos, histórias, derrotas, vitórias, superações e cenas do dia a dia da família durante esses 5 anos se transformaram no documentário Gleason, lançado esse ano.

É óbvio que é pesado, a doença é cruel demais para não ficar comovida (e/ou não agradecer muito por ser uma pessoa saudável), mas o que mais mexeu comigo foram as relações familiares, retratadas nuas e cruas, completamente sem filtro.

Não sei vocês, mas eu sempre me incomodo com depoimentos de pessoas que se doam completamente e tentam não mostrar as dificuldades por trás dessa doação. Não pude deixar de ficar admirada com Michel, sua mulher. Ao mesmo tempo que ela é forte, companheira e incansável nos cuidados do marido e do filho, também podemos ver sua fragilidade e seus momentos de exaustão.

Outro viés importante de se refletir é sobre a relação pais e filhos. Em vários momentos Steve Gleason resolve confrontar o pai sobre questões pouco resolvidas e o pai se vê obrigado a enfrentar seus medos e fantasmas.

Tudo isso ficou me fazendo refletir por dias, pensando em como eu quero fazer o melhor para o Arthur, agradecendo por ser tão sortuda e abençoada por ter uma saúde boa, uma família carinhosa e que sempre me apoiou, enfim. Irônico que fui ver esse documentário em um dia que foi exaustivo, cheguei na cama reclamando, exausta, de saco cheio, nervosa e sem paciência, mas terminei o dia muito grata e feliz, apesar de ter me debulhado de tanto chorar (incoerente, eu sei, mas foi assim mesmo).

Quem está afim de levar uma baita lição de vida – e não se incomoda de derrubar algumas (ou muitas) lágrimas, pode procurar para ver, prometo que vale a pena!

Beijos

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2 em entretenimento no dia 04.11.2016

Poderia ter escrito: “Como Jovens Bruxas mudou o jogo de filmes direcionados à meninas adolescentes

Mais um texto traduzido que eu achei por aí, dessa vez um artigo da Marie Claire! Eu amava Jovens Bruxas quando era mais nova – e acho que agora eu entendi um pouco o motivo!

Se você cresceu nos anos 90, provavelmente vai lembrar de ter assistido (e amado!) Jovens  Bruxas. Era o filme para todas nós. As outras. As deslocadas. Era para meninas que não conseguiam se identificar com as personagens de “Patricinhas de Beverly Hills”, mas ainda estavam à procura de uma representatividade autêntica nas telas.

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Pelos padrões de 2016, Jovens Bruxas inicialmente não aparenta ser um trabalho audiovisual feminista. Mas para uma adolescente em 1996 que estava na dúvida qual era seu lugar no mundo, esse filme representou em um nível profundo e poderoso. Jovens Bruxas celebrava a garota não convencional. Encorajou adolescentes a esquecerem o medo constante de não se encaixarem e abraçou o poder de ser diferente. E chegou nos cinemas em uma época em que os filmes não representavam as peculiaridades femininas.

Aliás, os anos 80 e 90 foram prolíficos para exaltar o menino estranho (vide filmes como Vida Sem Rumo, Conta Comigo e Goonies) mas as representações de jovens femininas eram limitadas à papéis tradicionais de cuidadoras (como The Babysitter’s Club). Em raras ocasiões uma mulher peculiar era representada – como Allison em Clube dos Cinco ou Tai em Patricinhas de Beverly Hills – e seus diferenciais eram eclipsados por garotas populares e mudanças de estilo.

Mas o que realmente distanciou Jovens Bruxas foi sua brilhante desconstrução da metáfora da bruxa velha. Há muito tempo bruxas têm sido retratadas como mulheres horríveis, intimidadoras e sedentas de poder que queriam mais do que os homens davam para elas. Bruxas são a forma mais fácil de descrever “mulheres horríveis”, mas o escritos de Jovens Bruxas, Peter Filardi, resolveu mudar isso em sua cabeça. Ele usou a bruxaria como ferramenta de empoderamento feminino ao invés de usá-la como uma forma de intimidar mulheres a obedecerem o patriarcado.

Graças a essa mudança de significado, Jovens Bruxas conseguiu não só representar mas popularizar um tipo de menina que estava sendo ignorada até então no cinema. As personagens principais realmente acreditavam que serem taxadas de estranhas era legal – ou pelo menos mais empoderador do que ser popular – e o filme provou que a) tem um grande espaço para filmes sobre mulheres “deslocadas” b) personagens femininas fortes podem lotar os cinemas. Depois de seu lançamento, cinemas foram invadidos por uma onda de filmes adolescentes que celebravam meninas deslocadas: As Virgens Suicidas, Da Magia à Sedução, Um Crime Entre Amigas – e esses temas também podem ser encontrados em Charmed, série de TV que durou anos.

Claro que as deficiências de Jovens Bruxas ficam óbvias quando revemos sob as lentes de 2016, e várias partes do filme não são particularmente feministas (cof, cof, fazer feitiços para fazer um cara se apaixonar por você). Mas mesmo assim quebrou barreiras ao mostrar para meninas adolescentes o poder da sororidade e a importância de desafiar papéis de gênero.

Como todo classico cult, vai rolar um remake – e enquanto poderá ser uma decepção para os fãs mais apaixonados, Joves Bruxas é um ótimo tema para ser revisitado. O esqueleto de um filme feminista está ali, deixando uma oportunidade para contar a verdadeira história empoderadora do que acontece quando meninas se apoiam.

– por Lisa Lagace

5 em entretenimento no dia 24.06.2016

Filminho: O Começo da Vida

Desde que esse filme entrou no catálogo do Netflix, no dia 5 de Maio, muita gente estava me indicando e pedindo para que eu visse logo. Final de Maio eu já tinha visto e essa semana revi de novo, com o Bernardo. Como eu sei que tem muitas leitoras grávidas ou mães por aqui, achei que fazia sentido repassar a indicação!

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O Começo da Vida é um documentário que fala sobre os primeiros 1000 dias de vida de crianças de diferentes lugares do mundo para mostrar como a importância da formação de cada pessoa nesses primeiros anos. A diretora Estela Renner filmou em oito países diferentes e reuniu entrevistas com vários educadores, psicólogos e diversos tipos de família, o que só ajudou a enriquecer ainda mais o debate sobre como educar uma criança.

Ele aborda os mais diversos tipos de assunto, desde incentivar brincadeiras e dar uma certa liberdade para os pequenos explorarem sua criatividade até discussões sobre licença maternidade/paternidade. Uma das partes que eu mais gostei foi sobre o papel do pai como responsável pelo filho. Apesar do Bernardo ajudar desde o início, uma frase de uma mãe entrevistada me marcou muito. Ela disse que quando precisava do marido para cuidar do filho, ela não o chamava pedindo ajuda pois o que ele está fazendo não é ajuda, é uma responsabilidade igual à da mãe.

Como eu estou passando uma fase de transição e adaptação por aqui, em que não estou mais com ajuda da babá (aliás, quem estiver precisando de babá em SP, me avisa que eu dou a indicação dela :) ) e decidi que provavelmente só vou colocá-lo em um day care ou algo do tipo quando ele tiver mais ou menos 1 ano e meio, achei que esse filme abriu minha cabeça em vários momentos.

https://youtu.be/9NtUHLktmGc

O único ponto que me incomodou um pouco é que em vários momentos eu senti que o foco foi naquela maternidade romantizada que a gente sempre tenta desconstruir, como se as pessoas mudassem completamente assim que virassem pais, e não é bem assim que acontece. Pelo menos aqui essa transição de pessoas para pai/mãe nem sempre foi tão fácil quanto sugerem no filme. Senti falta do depoimento de uma mãe que não se sentiu tão completa apenas exercendo a maternidade, da família que demorou para o pai se adaptar e encarar todas as suas responsabilidades como pai ou dos pais que não conseguiram ser tão lúdicos nas brincadeiras mas arranjaram uma saída para lidar com isso.

Tirando o isso, o filme vale muito a pena ser visto. Eu sou a louca dos documentários, brasileiros, gringos, tanto faz. O que me chamou atenção nesse é que Estela conseguiu criar um documentário internacional, que facilmente poderia vir de qualquer lugar do mundo. Quem tem Netflix, pode clicar em Play ainda hoje! :)

Beijos!

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