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Cinema

0 em Autoestima/ Comportamento/ Destaque/ entretenimento no dia 05.07.2018

Sexy por Acidente, aquele filme que não poderia ser mais #paposobreautoestima

Em 8 anos de blog, nós nunca tínhamos sido lembradas e associadas à algo que tivesse a cara do nosso trabalho. Normal, por muito tempo esse blog era feito com muito amor mas não tinha nenhuma característica forte definida. Mesmo depois de termos criado o #paposobreautoestima e esse movimento ter ganhado vida própria, começamos a ser associadas com muitas histórias, frases e matérias, mas ainda não tínhamos vivido esse movimento da forma e intensidade que vimos quando o filme Sexy por Acidente foi lançado.

Amigas nossas que trabalham com imprensa e viram o filme em primeira mão já haviam falado com a gente há alguns meses. Quem mora aqui nos Estados Unidos – onde o filme foi lançado antes mas infelizmente eu não consegui ver – começou a nos mandar mensagens. Uma agência inclusive nos procurou para fazer uma ação para o lançamento desse filme e até sugerimos uma ação diferente, mas não fomos respondidas. Aí o filme lançou, e quando isso aconteceu, nosso direct simplesmente explodiu: “É a cara do papo!”, “é tudo o que vocês falam!” “é incrível!”. Bem, e daí que não rolou nenhuma ação, né? Não dava para não falar desse filme que, de fato, era a nossa cara.

Quando vi o trailer pela primeira vez confesso que fiquei um pouco desanimada. Ele lembra muito aquele filme “O Amor é Cego”, onde o cara é hipnotizado para ver apenas a beleza interior das mulheres e se apaixona por uma mulher gorda, que só ele tem certeza que tem a cara e o corpo da Gwyneth Paltrow. Durante quase 2 horas vemos aquele show de gordofobia que há quase 17 anos, infelizmente, era visto como piada.

A ideia de Sexy por Acidente parece a mesma, mas só parece (atenção, spoilers a seguir!): Amy Schumer interpreta Renné Bennett, uma mulher insegura e que tem como maior sonho ser bela, bate a cabeça e quando acorda, passa a se enxergar bonita. Em alguns momentos confesso que fiquei meio cabreira. Por exemplo, quando ela acorda ela pergunta para a mulher da academia se ela está vendo seus braços tonificados, sua barriga dura e afins, e eu só consegui pensar “putz, lá vai ela achar que virou padrão e só enxergar sua beleza por causa disso, nada de novo sob o sol dos filmes de Hollywood, não é mesmo?”.

Só que não. Achei maravilhoso que, por mais que ela passe a se enxergar de outra forma, em nenhum momento ela muda algo em seu corpo ou passa a mensagem que precisamos ser diferentes para sermos bonitas ou, mais importante, nos sentirmos bonitas. A autoconfiança, muito mais que a beleza, realmente vem de dentro e acaba refletindo fora.

Fica claro no filme que a insegurança que ela tinha vinha sempre da comparação que ela fazia com mulheres que ela considerava bonitas, e no momento que ela se botou em primeiro lugar e parou de olhar para o que as outras mulheres tinham (e consequentemente o que ela não tinha), tudo fluiu. Ela arrumou o emprego dos sonhos, parou de se importar com a opinião alheia e até arrumou um cara bacana, mesmo que esse não seja o objetivo do filme. Só que aí vamos para outro momento de tensão (e mais um spoiler): ela começa a exagerar na dose.

Me peguei tensa novamente porque fiquei com medo da mensagem que o filme poderia passar, afinal, ainda vivemos em um mundo onde a mulher que se ama demais e reconhece seus pontos fortes é vista como arrogante. E no filme, quando ela se vê bonita e passa a se sentir segura em sua própria pele pela primeira vez, ela começa a ter atitudes exageradas a ponto de suas amigas se afastarem, por exemplo. A arrogância até pode existir, mas ela não é uma característica inerente de uma boa autoestima, e fiquei realmente com medo do filme incentivar isso de uma forma. Mais uma vez fui surpreendida e não foi isso que aconteceu.

O slogan do filme é: "mude tudo sem mudar nada". E faz todo sentido!

O slogan do filme é: “mude tudo sem mudar nada”. E faz todo sentido!

A mensagem final me tirou algumas lágrimas dos olhos. Engraçado um filme bobinho e despretensioso ter feito isso comigo, mas fez. Em diversas partes eu me vi representada e me senti de certa forma vingada. É libertador ter sido criada em uma geração que endeusa O Diabo Veste Prada (e eu faço parte desse time) e poder ver um filme onde a personagem principal é ela mesma do começo ao fim e consegue tudo que ela quer sem precisar se adequar, se hipnotizar e, como Renné descobre no final, também não precisava ter batido a cabeça. Como eu falei no post de outro dia, não é um processo fácil chegar no ponto de equilíbrio, não se constrói uma autoestima boa e sólida no passe de mágica, e sim no olhar amoroso, que é o que acontece quando ela percebe que sempre foi a mesma pessoa. 

A autoconfiança e o amor próprio é algo que vem de dentro, e esse filme deixa isso muito claro. Quem estava na dúvida, pode ver sem medo. Vale a pena. :)

3 em Autoestima/ Destaque no dia 17.07.2017

Moana, seus cabelos e mais um exemplo da importância da representatividade

Como eu já mostrei algumas vezes no stories do Futi, Arthur está numa fase apaixonado por Moana. Não tinha ideia que na idade dele já existiria essa preferência por filmes de animação, mas desde que ele viu pela primeira vez na casa de uma amiga, ele fica louco toda vez que eu boto.

Recentemente ele começou com um truque novo, diariamente ele me leva para a frente da TV, aponta para cima e fica falando “Mô Mô”. Nem reclamo e boto sempre, afinal, Moana é aquele tipo de filme que só tem coisa boa para ensinar, as músicas são lindas e é uma delícia de ver. Acabei aprendendo todas as canções e acho que fico mais empolgada quando começa do que ele.

Até que depois de passar uma semana vendo Moana todo santo dia, eu resolvi dar uma olhada nos extras que estão disponíveis para quem comprou o filme. Nem sabia que era possível, mas eu fiquei mais apaixonada por essa personagem.

Eu não vi como foi o processo dos outros filmes recentes como Valente ou até mesmo Frozen, mas eu facilmente diria que de todas as produções da Disney dos últimos anos, o que mais me deu a sensação de imersão em outra cultura foi Moana. Pelo o que eu pude ver nos extras, foram aproximadamente 6 anos de pesquisas nas ilhas Pacíficas, com consultores locais dando os toques culturais em cada detalhe do filme, desde vestuário, coreografias e danças, o cabelo do Maui (durante muito tempo ele estava sendo feito careca!) até a forma errada que eles animaram uma Moana revoltada e jogando um coco longe (os consultores explicaram que na cultura deles o coco é um alimento que você divide com as outras pessoas da comunidade, por isso eles nunca fariam isso com uma comida). E apesar de ter muito pano para a manga, hoje quero falar sobre os cabelos.

Vamos começar por Fiona Collins. Ela é uma atriz neozelandesa que foi a responsável por emprestar seus fios para a criação da personagem. A equipe da Disney fez mais de 20 horas de filmagem com essa atriz, com todos os movimentos possíveis e texturas diferentes no cabelo, o que foi possível trazer tanta realidade para a animação. No fim do documentário extra, ela se emociona ao dizer que é gratificante saber que sua neta vai crescer e poderá se enxergar na tela do cinema.

Mas sabe, Moana é polinésia mas é uma inspiração para meninas do mundo todo. Desculpem o palavreado, mas Moana é um mulherão da porra – por mais que seja apenas uma adolescente – e seu cabelo faz parte do empoderamento de quem assiste, sim.

Vou inclusive me pegar como exemplo. Meus cabelos sempre foram ondulados, mas eu não tinha essas referências enquanto eu crescia. As princesas da minha época eram Branca de Neve, Aurora, Pocahontas, Cinderela, e a que eu mais me identificava, a Bela. Todas de cabelos lisos. Eu nunca quis alisar meus cabelos mas é inevitável que essa enxurrada de referências lisas me faziam ter certeza que, por mais que eu não reclamasse dos meus cabelos, eu sabia que eles não eram os mais bonitos que existiam.

“Seu cabelo é tão legal!” – Moana, não faça essa cara, é lindo mesmo!!

Eu fico imaginando como não seria maravilhoso ter 8 anos e crescer com uma heroína maravilhosa que nem ela com cabelos parecidos com os meus. Acho que nunca precisaria depender de secador e só aprender a me ver livre dele quando eu já tivesse meus 30 anos. Acho que nunca torceria para um belo dia meu cabelo alisar magicamente só para eu poder me sentir um pouco mais parecida com as princesas que eu gostava – ou cantoras e atrizes que eu admirava, todas lisas também.

Não dá para voltar no tempo, mas eu fico feliz ao ver que as meninas de hoje têm cada vez mais possibilidades de trabalharem suas autoestimas com personagens tão importantes e tão cheios de representatividade. E que continue assim, não é, mesmo Disney?

8 em Comportamento/ Destaque/ entretenimento/ Relacionamento no dia 20.01.2017

Lalaland e os relacionamentos que engrandecem

Recentemente aconteceu a estreia de Lalaland e eu estava louca para que o filme estreasse logo no Brasil para que eu pudesse conversar com vocês sobre uma das mil coisas que me encantaram. Já adianto aqui que contém spoilers bem grandes, então, a partir dessa linha fica por sua conta e risco, tá? Vou até botar uma foto grande para separar as coisas.

Como a essa altura vocês já sabem, Lalaland é um musical fofo, feliz, o tipo de feel good movie que te faz sair do cinema leve, despreocupada, acreditando que o mundo é um lugar lindo e encantador. Adoro uma história de amor com final bem clichê de felizes para sempre, mesmo sabendo que na vida real o felizes para sempre vem acompanhado de muita doações, paciência e em algum momento vai terminar.

Só que em Lalaland o casal principal não termina junto (eu disse, spoilers gigantes). E estranhamente achei tudo bem. Aliás, mais estranhamente ainda e inédito para mim, achei bem mais legal do que se eles tivessem terminado felizes para sempre cantando e dançando por Los Angeles. Por quê? Porque eles se encontraram em um momento da vida em que ambos estavam precisando de um incentivo para alcançarem seus sonhos e o relacionamento deles aconteceu justamente para que eles se jogassem para cima, e isso foi o suficiente, pelo menos na minha percepção.

Sempre brinco que sou canceriana fajuta, quem me conhece brinca que não tenho nada de câncer. Até chegar na área dos relacionamentos. Aí sou câncer escrita. Gosto de relações duradouras, de ter pessoas perto de mim que eu considere família, e quero que sempre dure muito. Digo isso para contextualizar que sou uma péssima conselheira amorosa justamente porque sempre prefiro acreditar que dá para tentar mais um pouco. Não boto minha mão no fogo por ninguém, mas a não ser que eu perceba traços de relacionamento abusivo (isso não dá pra aturar e nem ter esperanças em hipótese nenhuma!), eu vou sempre dar o conselho de que duas pessoas que se amam não deveriam se separar por motivos que não sejam seríssimos.

Até que um dia me deparei com um casal amigo que se separou ainda com sentimentos. Nada de errado tinha acontecido, mas eles acharam que era melhor terminar porque eles não conseguiam mais se ajudar. Eles estavam estagnados em uma relação que tinha companheirismo, amor, mas não estava acrescentando em ninguém. Doeu muito nela, certeza que doeu nele também, eu fiquei algum tempo tentando convencê-la de que talvez valesse a pena tentar de novo até me dar por vencida de que foi a melhor coisa que aconteceu para os dois. E eu entendi que existe esse tipo de término, e que as vezes essa opção é a melhor que tem antes que o relacionamento descambe para infelicidade de ambos os lados. Antes que as brigas se tornem tão frequentes que as pessoas depois não consigam se olhar nos olhos tamanha amargura e rancor.

Terminar uma relação nunca vai ser um momento feliz, mas depois de me deliciar com Lalaland, eu saí do filme pensando como seria maravilhoso se os fins com pessoas bacanas fossem sempre como o deles, que aconteceu devido a algumas decepções, mas elas não foram grandes o suficiente para eclipsarem todo o bem que um fez para o outro. Que todos fossem leves a ponto de podermos encontrar a pessoa em algum momento e ao invés de mágoa, só existisse reconhecimento e agradecimento (mesmo que apenas com o olhar). E que fossem maduros e conscientes como o deles, que fantasiaram como seria se estivessem juntos, mas perceberam que não precisavam estar juntos para terem um final feliz.

A lição que eu tirei desse filme tão delicado é que as vezes o final feliz é apenas valorizar as pessoas que cruzaram seu caminho e te ajudaram a se tornar quem você é hoje. :)

PS: Eu sou a maior shippadora de Emma/Ryan (Rymma? Gostone? Qual o ship name deles? Não sei!) que vocês respeitam, desde Amor à toda prova. Imaginem a sofrência que eu passei para reconhecer que gostei deles não terem terminado juntos?