Browsing Tag

autoestima

2 em Autoestima/ Destaque/ Patrocinador no dia 06.08.2018

Ame Sua Natureza: a nossa festa de 2018 e a nova campanha de Bio Extratus

Esse fim de semana foi sobre realizar sonhos. Quando poderíamos sonhar com um fim de semana de atividades do #paposobreautoestima? Quando poderíamos imaginar que 70% das convidadas da festa estaria hospedada no hotel conosco desfrutando desse pacote? Quando poderíamos sonhar com tantas dinâmicas especiais reunindo mulheres incríveis de todo um país? Sem exageros, mas quando acabou o dia hoje, só conseguimos pensar que pareceu até mentira.

Se em 2017 resolvemos fazer duas festas na piscina para celebrar a diversidade de corpos, dessa vez sentimos aquela inquietação de tentar algo novo. Há alguns meses desenhamos todo um fim de semana de experiências offline que trouxessem um pouco de tudo do que falamos aqui no #paposobreautoestima. Entre uma dinâmica e outra, nós precisávamos celebrar com todas as mulheres convidadas em uma grande festa tudo que vivemos no último ano, por isso, embalamos no tema da campanha de 2018 de Bio Extratus: Ame sua natureza!

A campanha, que é a cara da marca e do papo, diz tudo que a empresa quer falar sobre autoestima e amor próprio neste ano de 2018, por isso, acreditamos que não poderia ter tema melhor para nossa festa e não poderia ser mais a nossa cara celebrar essa campanha junto com a Bio Extratus. Então, perguntamos pra marca…

festa-ame-sua-natureza

O que significa Amar Sua Natureza?

Amar Sua Natureza é aceitar quem você é, aprendendo a amar aquilo que há de mais verdadeiro na sua essência. Aprendendo a olhar com amor para suas qualidades e até mesmo acolhendo aquilo que te faz diferente, reconhecendo assim, o que há de único em você.

Amar a sua natureza tem a ver com achar novos filtros para o nosso olhar, conseguir enxergar além dos padrões de beleza que nos são impostos e buscar aquilo que há de mais verdadeiro em nós. Todas as naturezas têm seus valores e suas belezas particulares, muitas vezes só precisa enxergar novamente. Não importa a textura do seu cabelo, a cor dos seus olhos, de sua pele ou quantos quilos você pesa, buscar o que há de mais positivo em você vai muito além da aparência, está relacionado ao seu propósito na vida.

Amar sua natureza não significa não poder se transformar. Está tudo bem se você quiser mudar o que te incomoda. O importante é você se sentir bem e saber que pode escolher o que quiser, no entanto ajuda no processo que essa escolha seja consciente e feita para agradar ninguém além de si mesma.

Ame Sua Natureza é mostrar o que você tem de melhor, é te fortalecer para que você possa se enxergar mais autoconfiante e segura de si a ponto de críticas externas não te abalarem mais. Só você tem o poder de saber quem você é ou quem quer ser, suas atitudes são o que te definem, não o que os outros falam.

Então, não abra mão desse poder de definição, nem o entregue a outros. Confie em você e fique perto de quem estiver disposto a te apoiar, te ver crescer e te acolher como você é. Use esse poder a seu favor para se transformar na pessoa que você realmente quer ser!

Autoaceitação e amor próprio são ferramentas de revolução. Quando você se aceita, até o tamanho dos problemas mudam de dimensão. Em uma nova perspectiva o que antes parecia ser um desafio impossível de realizar se transforma em uma tarefa mais fácil de se executar. Você ganha energia e força para avançar na direção do que realmente quer para si mesma, com menos dúvidas e mais certezas.

Olhe para a natureza ao seu redor. Plantas, flores, animais… Você vê algum deles querendo deixar de ser o que é? A resposta é não. Na natureza ninguém abre mão da sua essência para agradar alguém, tudo simplesmente se permite ser como é, porque essa é a expressão mais verdadeira de si mesma.

Ame Sua Natureza é mais do que um manifesto de amor próprio, é um desejo profundo se conhecer e se acolher plenamente, valorizando tudo que há de melhor em você. Não há nada mais belo do que uma mulher verdadeiramente segura de si.

festa-3 festa-4 festa-5 festa-7 festa-6

Aproveitamos a decoração linda que a Elisa, da Luli Atelier de Festas, fez para embarcarmos numa história cheia de detalhes que demonstrassem todo cuidado que tivemos com o tema, com a Bio Extratus, com cada leitora e com a natureza do nosso projeto. No Papo sobre autoestima acreditamos na importância de cuidarmos de nós mesmas, buscando cada vez mais ter “autoconfiança” para sermos quem somos da forma mais genuína, chegando o mais perto possível da nossa essência, tentando nos desintoxicar com tantas mensagens que nos são passadas reiterando que precisamos ser outras pessoas para sermos aceitas. Nós não acreditamos nisso, cada dia que passa temos mais certeza de que não há mulher mais incrível ou bonita do que uma mulher autoconfiante. Nossa festa nos mostrou isso, cada mulher presente, feliz na sua própria pele deixou isso ainda mais claro pra nós.

Na nossa opinião, cuidar da nossa autoestima é necessário, pode até parecer que pra isso você precisa mudar seu corpo, sua imagem ou sua maneira de ser, mas no nosso ponto de vista isso é uma espécie de ilusão. Muitas vezes atender a um padrão de beleza ou comportamento nos leva a nos sentir mais confortável por conseguirmos uma espécie de aprovação externa, mas se formos reféns dessas transformações estaremos colocando peso demais em coisas de menor importância. Nossa autoestima não deve estar relacionada a tentarmos parecer outra pessoa ou a buscarmos atender a expectativa alheia, nossa autoestima tem a ver com acolhermos o lado bom e ruim de sermos que somos. Só seguras de sermos quem somos podemos de fato apreciar nossa natureza e desenvolver uma verdadeira autoestima. Isso transcende a beleza ou a imagem, isso é sobre coisas muito mais profundas.

festa-2 festa-ame-sua-natureza-2

Autoconfiança é o melhor sintoma de uma boa autoestima e chegar nessa sensação gostosa de ter segurança de ser quem si é tem tudo a ver com cuidar de si, do seu psicológico e emocional, além do físico. Cuidar da saúde como unidade nos permite embarcar numa jornada de autoconhecimento que nos leva a aplicar um olhar mais acolhedor e amoroso sobre nós mesmas e nossa própria história. Assim, mesmo mudando, conseguimos respeitar a natureza de sermos quem somos. Sem depositar todas as fichas da nossa autoestima em um único cofrinho, sem ser refém de um único procedimento que dê a sensação de sermos aceitas.

O melhor iluminador vem de dentro, tem a ver com conseguir apreciar o melhor de si, acolher o pior e conseguir entender que você pode mudar o que quiser, mas com a consciência de que nada disso define quem você é. Sem buscar ser outra pessoa. O que há de mais incrível em viver é sermos singulares, cada uma a sua maneira, respeitando a própria natureza, para assim cuidarmos de nós e do mundo porque nos amamos, não por nos odiarmos. É mais fácil exercer autocuidado ou cuidado com o meio ambiente quando há amor, então que a vida seja como foi a nossa festa, cheia de amor, primeiro próprio e depois o recíproco.

festa-9 festa6 festa-8 festa-10

Obrigada Bio Extratus por ter patrocinado essa experiência, estar com 100 leitoras engajadas de todo Brasil foi mesmo mágico, se somarmos tudo isso a campanha de AME SUA NATUREZA só podemos agradecer a oportunidade de sermos embaixadoras dessa marca.

Leia mais sobre a marca e suas embaixadoras no blog: Naturalmente bonita
4 em Autoestima no dia 31.07.2018

A gordofobia da sua mãe é sobre ela, não sobre você!

Em poucos meses completaremos dois anos de grupo de facebook e durante todo esse tempo poucas histórias se repetiram tanto quanto as de mulheres com problemas de autoestima por causa de mães – muito – gordofóbicas.

Como assim Jô, você tá louca? Minha mãe é a pessoa que mais me ama no mundo, ela não faria isso!

juliana-ali

Bom, em momento nenhum eu duvido dessa afirmativa do amor materno. Muito pelo contrário, isso só corrobora com a linha de raciocínio que eu pretendo defender ao longo desse texto. Justamente por sua mãe ser uma das pessoas que mais te ama em todo mundo, ela terá motivos redobrados para cuidar de você, se preocupar contigo e te proteger do mundo cruel. Só que ela levará em conta o conjunto de valores e crenças que ela acumulou durante sua própria vida. Levando as referências DELA para o SEU contexto. O que de cara já deixa claro que na maioria dos casos, o incômodo dela com o seu corpo é sobre ela, suas demandas e expectativas, não sobre você.

Não adianta você querer medir o SEU CORPO com a fita métrica de outra pessoa como base, nem mesmo essa pessoa sendo a sua mãe. A não ser que você opte de forma consciente por viver uma vida pautada em atender a demanda externa – dela ou de outros – isso não vai funcionar.

De cara eu poderia terminar o texto aqui, mas não vou. Primeiro vou falar que a idealização que temos sobre as nossas mães serem perfeitas é o primeiro véu de ilusão que precisamos tirar para prosseguir com a leitura das próximas linhas. Existem mães sensacionais e mães abusivas que comungam de hábitos parecidos quando o assunto é perpetuar o preconceito com as mulheres que são efetivamente gordas ou até mesmo que estão pouco acima do peso. Mesmo sem notar, elas geram uma pressão estética enorme em busca de uma imagem magra e perfeita. Isso não quer dizer que essas mães são maldosas, só quer dizer que elas são humanas, carregando consigo uma série de julgamentos e crenças enraizadas, muitas vezes inconscientes, sobre a forma como elas foram criadas nesse mundo onde o valor dado a beleza feminina é quase mais importante que tudo.

Se vamos começar pelas crenças enraizadas, vamos começar pelo machismo mesmo. Ainda não li o livro de Naomi Wolf, “O Mito da Beleza”, e sei pouco sobre a o quanto a procura por ser bela e perfeita é uma distração conveniente para as mulheres, que acabam perdendo muito tempo se preocupando com supérfluos e deixando muitas vezes de conseguir competir diretamente com os homens no mercado de trabalho. Do pouco que sei sobre essa teoria noto que enquanto nos distraímos em busca da beleza não disputamos tantas vagas no mercado de trabalho, não batalhamos por uma sociedade mais equilibrada. Como ainda preciso estudar sobre isso, vou deixar esse ponto aqui de forma mais superficial.

Fomos criadas para sermos bonitas, para termos um marido e assim criarmos uma família, mas ao mesmo tempo também fomos criadas para ir bem no colégio, escolhermos a carreira que desse vontade e para trabalhar de forma séria e comprometida… Talvez a ideia fosse cuidar da carreira até a hora de começar a família, mas nos dias de hoje poucas são as mulheres que podem se dar ao luxo de não trabalhar, por isso, a frustração com tantas expectativas é constante. Algum lado vai sobrecarregar.

Na teoria, nossas mães nos queriam independentes, poderosas, firmes e capazes de não abrir mão da nossa vida por causa de marido, mas bonitas e magras para ainda assim conseguir um. Como se uma mulher gorda ou que não atendesse ao estereótipo entendido como belo não pudesse ter um marido. “Conseguir” um marido por si só já é uma questão problemática. Afinal conquistar um amor é bem melhor, ainda mais quando falamos de mulheres autoconfiantes que roubam a cena com um brilho que independe da estética. Mas….como ter autoconfiança se fomos criadas para sermos inseguras quanto a nossa própria beleza ou capacidade?

A ideia era não depender financeiramente de homem nenhum, então por que nos preocupar tanto com a beleza para conseguir um casamento? Você nota no seu microuniverso o paradoxo desse discurso teórico e da prática ensinada através do exemplo? Por mais que se ensine o contrário, na prática, para muitas mães a realização das filhas está na construção de uma lar tido como tradicional, não nos projetos pessoais ou profissionais.

Ih Jô, odiei esse caminho feminista exagerado pelo qual você está indo…
– Bom, posso te pedir um voto de confiança? Vem comigo até o final.

Que atire a primeira pedra quem não conhece uma mulher infeliz ou sofrendo em um relacionamento que se sente presa à ele por motivos relacionados a essa demanda social. Que saia do texto agora quem não conhece uma mulher que se sentiu fracassando socialmente ao se separar. É disso que estou falando, sobre a pressão por magreza, por beleza, por família e por filhos. Tudo isso é uma delícia para quem gosta ou encontrou alguém com quem quer viver tais experiências, mas enquanto isso for algo que vem em formato de pressão, facilmente será confundido com uma prisão. Enquanto as mães colocarem todas as expectativas de felicidade de suas filhas nessas expectativas de família, a pressão por um único padrão de beleza não vai diminuir.

Até aqui nem falei de projeção. Tampouco expliquei o motivo literal de eu acreditar que o comentário gordofóbico da sua mãe diz mais sobre ela do que sobre você. Até aqui quis mergulhar mais profundamente na razão das mães acreditarem que suas filhas precisam ser bonitas como a sociedade exige, e por consequência, precisam ter um corpo magro para se realizar, mesmo que isso na prática não seja verdade. Desconstruir crenças como essas não é uma tarefa simples.

Com tantas demandas de padrões, uma mãe que topa de tudo para ser magra não quer ouvir sobre a filha ser feliz em todo tipo de corpo. Quando isso envolve uma vida de sacrifícios perseguindo a perfeição, é natural que a liberdade de escolha do outro soe dolorosa. De cara parece que isso “invalida” todo sofrimento e sacrifício que ela fez para chegar até aqui sendo magra. Para quem entendeu a pressão pela magreza como uma prisão, entender o olhar positivo sobre vários tipos de corpos é quase questionar se as barras que tanto apertavam não eram na verdade invisíveis ou opcionais.

Uma mãe que viveu em busca de perseguir a beleza “convencional” como linha de chegada tende a se sentir pessoalmente atacada por movimentos que falam de liberdade com relação à imagem. Nessa hora ou ela vai começar um processo pessoal de consciência e mudar seu comportamento ou ela vai disseminar mais e mais preconceito na sociedade, garantindo que a mulher gorda se sinta segregada para que ela não se sinta individualmente atacada ou mesmo invalidada. Só que nós não deveríamos ser validadas pelo nosso corpo, somos tão mais do que isso.

E não, nenhuma mãe faz isso por mal, é sobre elas e como elas se cobram como mulheres. O incomodo não é sobre você.

Você se engana de achar que apenas uma mãe magra pode ser gordofóbica. Uma mãe fora do padrão ou mesmo gorda pode também ter preconceito com gordos ou mesmo sofrer um verdadeiro pavor da filha engordar. Nesse caso, a projeção é mais clara, tudo gira em torno do medo da filha passar tudo que ela passou. O pavor da filha comer e engordar é tão surreal que faz com que ela não consiga enxergar que a prole é outro indivíduo e pode lidar com a sociedade de uma forma bem mais leve. Nesse caso, as consultas com nutricionistas, endocrinologistas, a briga com a balança, dietas restritivas e os remédios de emagrecer são velhos conhecidos da casa, algo que se aprende no exemplo. Nesse caso, a insatisfação com o corpo é uma dinâmica ensinada. Qualquer mãe que se sente inadequada com a própria aparência pode ensinar essa relação de insegurança com o corpo para as filhas, ainda que não sem intenção.

Acredite: Nenhuma criança nasce dizendo que não tem coragem de usar biquini ou não gosta de sair sem cobrir alguma parte do corpo, isso é ensinado. Seja através do exemplo ou do preconceito na sociedade. Uma mulher verdadeiramente em paz com seu corpo não passa pra frente a cultura da gordofobia, independentemente do tipo de corpo que ela tenha. Se ela não se sente insegura, inadequada ou presa, ela dificilmente sentirá a necessidade de aprisionar outras pessoas.

Com essas projeções e expectativas muitas mulheres acreditam que nunca são suficientes como profissionais,  mães, filhas e tudo mais. Nunca somos suficientes porque novamente estamos tentando nos comparar a um perfil idealizado de perfeição. Mais um ensinamento perpetuado. Estamos sempre olhando de maneira superficial pra vida de outra pessoa. Nos colocando numa posição relativa a de outra mulher. É sobre o que o mundo acha da gente ou espera de nós, não sobre eu ou você. Difícil ser feliz usando o referencial do outro. Difícil ter saúde mental sem se conhecer propriamente.

Não acredito que somos tão individuais quanto temos potencial pra ser. Passamos tanto tempo tentando parecer iguais que deixamos de valorizar o que nos torna singular. Estamos tão cegas buscando atender à demandas de comportamento e aparência coletivas que sequer temos tempo para descobrir quem somos verdadeiramente. Vejo tanta gente adoecendo psicológica e emocionalmente que só me resta torcer para que todas essas pessoas busquem o caminho de cura que é o autoconhecimento, autoestima, segurança e maturidade. Se enxergar como indivíduo único e buscar assim autoconfiança pra ser quem si é de verdade, independente do julgamento do outro.

A gordofobia da sua mãe é sobre ela, não sobre você! Por mais que doa muito lidar com o preconceito das nossas mães, ao entendermos que é mais sobre elas e não sobre nós tende a ficar mais fácil. Nos damos o presente da liberdade de pensar como indivíduo separado, entendendo que as dores e crenças delas não são nossas. Fica mais fácil não tomar um julgamento dela como verdade absoluta pra si se tivermos a consciência de tudo isso, que não é nada fácil de digerir.

0 em Saúde no dia 30.07.2018

Demi Lovato, a bulimia e o vício nas drogas

Semana passada a cantora Demi Lovato passou por mais um episódio triste relacionado à sua saúde: uma overdose. Não se sabe muito sobre o episódio, o tipo de droga e como ela está, e acho que também não cabe a nenhuma de nós ficar especulando sobre isso e nem criando fofoca sobre sua situação. No entanto, ao se falar da Demi, sempre vem à tona uma luta que ela trava há muito tempo: a do Transtorno Alimentar. E por isso que estou aqui. Ontem, por recomendação da Carla, colaborei para uma matéria sobre esse fato para o Fantástico e falei sobre a Bulimia da Demi, enquanto a Dra Fatima Vasconcellos falou sobre vício e drogas.

demi-2

O vício em álcool ou drogas, assim como os transtornos alimentares, têm uma raiz em comum: a psiquiátrica. Esses transtornos têm um componente genético, ou seja, já nascem com a pessoa e são desencadeados através de diversos gatilhos. No caso da Demi, ela vive rodeada de gatilhos – a meu ver, de forma mais exacerbada do que nós, pessoas comuns. Vamos falar deles:

  • O Bullying : Ela sempre disse que o bullying que sofria na infância foi um fator muito importante para iniciar o quadro do seu transtorno alimentar. Lembra que sempre falamos por aqui, que não devemos jamais e em hipótese alguma comentar sobre o corpo do outro pois não sabemos como isso chega a quem ouve a crítica, julgamento ou comentário? No caso da Demi, desencadeou seu TA. Isso é muito grave.

Primeiro foi a Anorexia nervosa e depois veio a Bulimia Nervosa. Como já falamos por aqui, ambas têm como base uma busca incessante pela magreza, muitas das vezes reforçado por esse padrão de beleza pautado por ela. Para atingir esse corpo, as pessoas – na maioria mulheres – começam a usar diversas estratégias como prática de dietas restritivas, uso de medicamentos para inibir apetite, realização de exercício físico de forma muito intensa, uso de laxantes ou diuréticos.

Na maioria das vezes isso começa com uma dieta tida como “inofensiva” e ninguém questiona isso, afinal de contas estar de dieta é super comum. Que mundo é esse que vivemos que estar de dieta é comum? Independente da idade que a pessoa tenha, ela tem que estar de dieta. Estranho é quem não está. Pois bem, essa restrição toda pode levar a casos de comer exagerado como resposta à privação alimentar e isso gera muita culpa e sensação de fracasso, tanto pela quantidade mas também pela qualidade do que ela comeu. A partir daí são desencadeados os mecanismos compensatórios para se livrar física e emocionalmente do que comeu.

  • O padrão de beleza e as redes sociais : esse padrão de beleza magérrimo se iniciou na década de 90 com a glamourização das modelos chamadas de heroin chic (modelos esquálidas, magérrimas, com cara de doente e…viciadas. Que padrão não é mesmo?). O padrão perdura até hoje em dia, a diferença é a velocidade que imagens de corpos magérrimos chegam até as pessoas. Antigamente tínhamos apenas em jornais e revistas, tanto de moda como as de dieta. Modelos e atrizes não tinham nenhuma proximidade com o público. Essa influência da mídia era importante mas não tão doentia como hoje. A quantidade de imagens que estamos dispostos diariamente nas redes sociais é imensa e gera muita insatisfação, sentimento de inadequação ou de não pertencimento. Essa avalanche de imagens é um gatilho super perigoso para se engajar nas práticas alimentares inadequadas em busca desse corpo.

Além disso, também temos uma geração de imagens retocadas por aplicativos ou programas de computador. O problema dessas imagens é que uma mulher magra que posta uma imagem retocada, imediatamente transforma aquele corpo em algo que não existe – pois foi manipulado – e a menina que recebe essa imagem eu seu feed de posts se compara àquela imagem, se sente diminuída e resolve fazer o que for preciso para chegar àquilo. Só que aquilo não existe! O quão grave isso é?

  • A pressão sobre a imagem que ela tem que passar : você já imaginou a pressão que essa moça deve sofrer a respeito do seu corpo? Da imagem que ela tem que passar? O exemplo e inspiração que ela tem que ser para para milhões de meninas? Imagine só a carga que tem isso. E obviamente, como falamos acima, vivemos em uma sociedade cuja magreza é sinônimo de sucesso, felicidade e conquistas, então ela deve se cobrar isso ao mesmo tempo que as pessoas também a cobram o tempo todo. Basta ver os comentários ultra violentos que ela recebe em suas redes sociais quando engorda. Esse cyber bullying é comum e sempre visto quando pessoas famosas mudam sua forma física de alguma forma, especialmente quando engordam. Parece que há uma patrulha constante sobre elas e, infelizmente, na maioria das vezes os comentários vêm de mulheres.
  • O acesso facilitado a álcool e drogas : no showbizz é mais do que sabido que esse acesso é super facilitado. Aí que começa o problema quando relacionado ao transtorno alimentar. Em diversas doenças emocionais – transtornos alimentares, depressão, transtorno bipolar – o paciente relata um vazio emocional muito grande. No caso, se há a Bulimia Nervosa esse vazio tenta ser preenchido com comida, em grandes quantidades, nos episódios que chamamos de compulsão alimentar. Há uma dor muito grande. Provavelmente o álcool e as drogas, além do vício que ela já pode ter desenvolvido, podem entrar nesse preenchimento.

Essa história é toda muito triste, parece que está distante de todas nós, mas na verdade não está. Está mais próximo do que você imagina. Convivemos com diversas pessoas com questões alimentares e corporais super graves sem nem sabermos. Mulheres com dores emocionais profundas e isso fica velado pois há muito julgamento e preconceito sobre os transtornos alimentares. Portanto, como não sabemos se a colega que trabalha ao seu lado, a sua prima, cunhada, mãe, tia, namorada ou irmã sofre algumas dessas questões, devemos pautar a nossa conduta de duas formas (com palavras que eu gosto muito): a primeira é a empatia e a segunda a compaixão.

Temos que ter empatia por todas as mulheres, independente de como seja o corpo delas. Empatia caso o corpo dela tenha mudado – na maioria das vezes não sabemos porque esse corpo mudou – e se ela engordou, emagreceu ou qualquer coisa que o valha, não comente. Não parabenize alguém por ela ter emagrecido e não faça cara de enterro caso ela tenha engordado. Sobre a compaixão, não é porque você não sofre de uma dor emocional como essas mulheres sofrem que você deve diminuir isso. Transtornos alimentares são doenças graves e merecem a nossa compaixão.

demi-lovato

Torço muito para que a Demi se recupere dessa recaída – algo muito comum nos transtornos alimentares e também no vício em álcool e drogas – e que ela volte a ter uma vida saudável. Que esse episódio triste ajude a termos mais empatia, compaixão e menos julgamento dos outros e de seus corpos.

Obrigada novamente ao Felipe Santana e à produção do Fantástico por abrirem o espaço para começarmos a falar com mais responsabilidades de temas tão densos e necessários. Ajuda muita gente nessa caminhada difícil que é um transtorno alimentar.

Não deixe de assistir a matéria do fantástico, ela lembra dos dá a real dimensão da necessidade das mudanças práticas que tanto pregamos por aqui.