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0 em Autoconhecimento/ Destaque/ Looks/ Moda no dia 18.07.2017

Look da Cá: cintura alta, um ombro só, mule e a “Carla pós Nova York”

Recebi esse look ainda das fotos “mãe perfeita do instagram“que eu fiz com a Adriana Carolina aqui em Nova York e senti muita vontade de postar. Não só porque as fotos estão lindas, mas esse é o típico look que eu chamaria de Carla pós NY.

Sim, porque nesse 1 ano que estou aqui, diria que existe uma Carla antes e depois de NY, e a Carla pós NY paga a língua quase todo santo dia.

Acho engraçado, já que a cidade não era desconhecida para mim, já vim tantas vezes que perdi as contas mas nunca, NUNCA, tinha experimentado a sensação da liberdade de poder vestir o que tiver afim. Acho que como turista a gente não presta tanta atenção nisso, né?

Mas morando a coisa muda de figura, para muito melhor nesse sentido. É difícil ficar indiferente quando você está lá, se limitando porque não quer usar cropped por ter gordurinhas pulando, mas cruza com várias meninas com todos os tipos de corpos usando a tal peça que você não ousava se permitir. Ou torcer o nariz para um sapato mas vê-lo sendo usado na prática com os mais diferentes tipos de looks e ver que o bichinho dá um samba bem bacana.

E nesse look, eu diria que a única coisa que eu já estava acostumada a usar no Brasil era um ombro só, e mesmo assim eu só tenho uma peça além dessa blusa, um vestido.

Blusa PS love Stripes | Calça Madewell | Mule J.Crew

O jeans cintura alta foi fácil de se acostumar, apesar do medo de destacar os peitos, a verdade é que depois do Arthur eu fiquei bem insegura com a minha barriga, que hoje é mais ou menos 85% do que era antes, e acabei adotando a cintura alta e os hot pants.

Mules, porém, me pegaram de surpresa. Saí do Brasil ano passado com a ideia de que era moda passageira, que eu ia deixar passar batido, que não fazia sentido gastar dinheiro nesse tipo de peça. Mas aí eu saí na rua e vi uma pessoa usando, entrava no prédio e cruzava com outro, entrava nas lojas e vários modelos e ideias de como usar pulavam em cima de mim. Bem, não resisti, né?

Comprei esse, um azul marinho que achei que combinaria com boa parte do meu armário, e desde então ele tem sido meu sapato do conforto. E para quem tem essa curiosidade (nunca ouvi tanto essa pergunta), pelo menos esse meu não sai do pé com toda essa facilidade.

Vendo essas fotos lindas eu vou além do momento gostoso. Eu fico morrendo de orgulho de me ver abrindo a cabeça para novidades e, por mais que eu ainda tenha um longo caminho a percorrer para chegar no grau de liberdade da galera que eu vejo aqui, não deixa de ser um incentivo para continuar tentando e não me limitando.

5 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Convidadas/ Destaque no dia 17.07.2017

Morar no exterior: a jornada de adaptação

Quem vê de fora só enxerga o lado glamuroso de morar no exterior. “Ai que chique”. “Meu sonho”. “Que sortuda”.

Sim, morar fora é incrível e eu recomendo pra todo mundo! Seja por um mês, durante as férias ou mesmo por um tempo maior. É um aprendizado infinito e um crescimento que acontece de forma acelerada – e que possivelmente fosse demorar bem mais se você não topasse essa aventura. Sim, porque mais uma vez, sair dela, a tal zona de conforto, é uma grande aventura.

Mas preciso dizer que não é tudo tão simples assim. Nem todos os dias são bons, os desafios são grandes e a tal adaptação pode demorar mais que o planejado. Isso sem contar na saudade, que será seu sobrenome a partir do dia que você embarcar para essa nova fase.

Eu já morei fora algumas vezes. A primeira com 18 anos, quando fui pra Barcelona e contei aqui todo o processo de auto-conhecimento e a descoberta da minha maior paixão: viajar. Mas nessa mesma viagem fui também pra Paris estudar francês e adivinhem? Não me adaptei e voltei pra Barcelona. Depois fui fazer um curso de verão nos Estados Unidos e foram semanas inesquecíveis. A adaptação foi bem mais fácil porque eu já tinha ido pra Europa sozinha. Aí uns anos depois resolvi voltar para Barcelona para um mestrado. Dessa vez a adaptação foi bem mais complicada… a passagem era só de ida mas acabei não fazendo o curso e uns meses depois resolvi desistir e voltar pra casa. E aí quando decidi vir pra Londres o pensamento era “já passei por isso antes, vou tirar de letra”. E adivinhem? Quebrei a cara.

Para começo de conversa, todas as vezes que eu fui embora, eu tinha um quarto me esperando quase que intacto. Dessa vez, como estava indo morar com meu namorado, a única coisa que minha mãe pediu foi que eu não deixasse nada no meu quarto – ela não queria ter a sensação de que eu iria voltar. Eu sei que se acontecer qualquer coisa ou se eu simplesmente quiser ou precisar: eu sempre terei a casa dos meus pais. Mas dessa vez eu sabia que seria diferente e que era um passo importante sair de casa oficialmente. Já voltei pra visitar e é claro que poucos lugares no mundo são tão meus como aquela casa.

O que eu não imaginava era que eu precisaria reconstruir toda minha vida do zero: desde onde comprar um prego até reencontrar minha personalidade em outra cultura.

Pode parecer meio bobo, mas se você sempre morou no mesmo lugar – ou só fez intercâmbios relativamente curtos – você nem pensa muito quando precisa comprar coisas do dia a dia tipo um prego. Mas e aqui na cidade nova? Onde vende pregos? Em que sessão do supermercado eu encontro superbonder? Ah! Preciso de papel celofane – onde encontro?

Isso sem contar com entender como funciona o transporte público, o sistema de saúde, o banco, as contas. E pão? Hmm vontade de comer um pão na chapa. Esquece, não existe padaria aqui como no Brasil. E um suco de fruta batido na hora? Ah tem uma lojinha de sucos bacana – é só pegar um metrô e um ônibus. E depilação? Unha? Cabelo? Ah cada coisa é num lugar diferente. Credo! Tudo isso pra fazer a unha? Obrigada mas vou fazer em casa. Onde amola alicate? Como fala água oxigenada em inglês? E amido de milho? E verruga?

Isso tudo é desafiador e aos poucos você vai aprendendo a se virar. Mas simplesmente tudo que você sabia as respostas e não perdia nem meio minuto para resolver, agora pode virar uma missão. Tem que reaprender, quase como uma criança.

Isso sem contar com redescobrir e reconstruir quem você é, fazer amigos e manter contato com o Brasil. É uma longa jornada para esse processo de adaptação de morar no exterior: para uns demora um pouquinho e para outros um montão. Tudo bem, cada um tem seu tempo!

Se eu puder compartilhar 3 dicas que aprendi sobre esse meu processo são:

1. Aceite que você vai ter problemas de comunicação (pela língua e pela cultura) – e tudo bem, tenha paciência com você mesma! Ainda que você conheça bem o país e fale a língua sempre vai ter alguma questão de comunicação: seja uma piada mal entendida, uma palavra que você não conhece, uma expressão que você não entendeu. Com o passar do tempo (prometo!) você vai quebrar essas barreiras de linguagem e entender através dela melhor a cultura local.

2. Crie uma rotina e não fique em casa: se você ainda não começou seu curso ou se ainda não encontrou seu trabalho, não importa qual seja sua situação. Saia de casa constantemente, dê uma volta no parque todos os dias, seja local em algum café, matricule-se (e vá) numa academia, qualquer coisa – crie hábitos que te tirem de casa para ver gente e viver. Ficar em casa de pijama vendo netflix não vai te ajudar.

3. Faça amigos! Toda e qualquer amizade é bem vinda nesse processo: o meu primeiro amigo foi o moço da lavanderia que eu ia 1x por semana – um fofo! Converse com as pessoas, puxe papo, procure brasileiros e os convide para tomar um café, faça amizade no bar, no café, no metrô! É muito importante estabelecer uma rede de contatos no seu novo lar. Se forem locais vão te ajudar com a nova cultura. E se forem estrangeiros como você poderão te ajudar com dicas de adaptação e dividir com você as angústias e conquistas!

A partir do momento que você aceitar que está em fase de adaptação tudo fica mais fácil e você começa a se permitir mais fazer escolhas que vão te ajudar nessa jornada!

Boa sorte!

3 em Autoestima/ Destaque no dia 17.07.2017

Moana, seus cabelos e mais um exemplo da importância da representatividade

Como eu já mostrei algumas vezes no stories do Futi, Arthur está numa fase apaixonado por Moana. Não tinha ideia que na idade dele já existiria essa preferência por filmes de animação, mas desde que ele viu pela primeira vez na casa de uma amiga, ele fica louco toda vez que eu boto.

Recentemente ele começou com um truque novo, diariamente ele me leva para a frente da TV, aponta para cima e fica falando “Mô Mô”. Nem reclamo e boto sempre, afinal, Moana é aquele tipo de filme que só tem coisa boa para ensinar, as músicas são lindas e é uma delícia de ver. Acabei aprendendo todas as canções e acho que fico mais empolgada quando começa do que ele.

Até que depois de passar uma semana vendo Moana todo santo dia, eu resolvi dar uma olhada nos extras que estão disponíveis para quem comprou o filme. Nem sabia que era possível, mas eu fiquei mais apaixonada por essa personagem.

Eu não vi como foi o processo dos outros filmes recentes como Valente ou até mesmo Frozen, mas eu facilmente diria que de todas as produções da Disney dos últimos anos, o que mais me deu a sensação de imersão em outra cultura foi Moana. Pelo o que eu pude ver nos extras, foram aproximadamente 6 anos de pesquisas nas ilhas Pacíficas, com consultores locais dando os toques culturais em cada detalhe do filme, desde vestuário, coreografias e danças, o cabelo do Maui (durante muito tempo ele estava sendo feito careca!) até a forma errada que eles animaram uma Moana revoltada e jogando um coco longe (os consultores explicaram que na cultura deles o coco é um alimento que você divide com as outras pessoas da comunidade, por isso eles nunca fariam isso com uma comida). E apesar de ter muito pano para a manga, hoje quero falar sobre os cabelos.

Vamos começar por Fiona Collins. Ela é uma atriz neozelandesa que foi a responsável por emprestar seus fios para a criação da personagem. A equipe da Disney fez mais de 20 horas de filmagem com essa atriz, com todos os movimentos possíveis e texturas diferentes no cabelo, o que foi possível trazer tanta realidade para a animação. No fim do documentário extra, ela se emociona ao dizer que é gratificante saber que sua neta vai crescer e poderá se enxergar na tela do cinema.

Mas sabe, Moana é polinésia mas é uma inspiração para meninas do mundo todo. Desculpem o palavreado, mas Moana é um mulherão da porra – por mais que seja apenas uma adolescente – e seu cabelo faz parte do empoderamento de quem assiste, sim.

Vou inclusive me pegar como exemplo. Meus cabelos sempre foram ondulados, mas eu não tinha essas referências enquanto eu crescia. As princesas da minha época eram Branca de Neve, Aurora, Pocahontas, Cinderela, e a que eu mais me identificava, a Bela. Todas de cabelos lisos. Eu nunca quis alisar meus cabelos mas é inevitável que essa enxurrada de referências lisas me faziam ter certeza que, por mais que eu não reclamasse dos meus cabelos, eu sabia que eles não eram os mais bonitos que existiam.

“Seu cabelo é tão legal!” – Moana, não faça essa cara, é lindo mesmo!!

Eu fico imaginando como não seria maravilhoso ter 8 anos e crescer com uma heroína maravilhosa que nem ela com cabelos parecidos com os meus. Acho que nunca precisaria depender de secador e só aprender a me ver livre dele quando eu já tivesse meus 30 anos. Acho que nunca torceria para um belo dia meu cabelo alisar magicamente só para eu poder me sentir um pouco mais parecida com as princesas que eu gostava – ou cantoras e atrizes que eu admirava, todas lisas também.

Não dá para voltar no tempo, mas eu fico feliz ao ver que as meninas de hoje têm cada vez mais possibilidades de trabalharem suas autoestimas com personagens tão importantes e tão cheios de representatividade. E que continue assim, não é, mesmo Disney?