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0 em Autoestima/ Destaque/ Looks/ Moda no dia 22.05.2017

Looks da Cá: minha nova relação com a cintura alta

Já contei aqui várias vezes sobre a minha relação com meus seios. Eu queria muito que ela fosse melhor e mais bem resolvida, mas a verdade é que eu odiava ter peitos tão grandes na adolescência. Além deles não me deixarem tão livres quanto outras amigas minhas mais despeitadas, que podiam sair de blusas sem sutiã ou biquinis tomara que caia sem se preocupar que eles realmente poderiam cair, eu acabava sendo vista como o “mulherão” que eu nunca fiz questão de ser, e isso me deixava desconfortável.

Tanto que mesmo depois que fiz a cirurgia de redução e comecei a me permitir decotes e saídas sem sutiã, eu ainda guardava esses sentimentos todos na cabeço e até hoje (que ganhei uns quilos desde meus 20 anos e os peitos aumentaram de novo) ainda acho muito dificil desassociar.

O resultado disso foi uma postura errada de encaixar os ombros pra frente para tentar escondê-los, uma certa aversão por decotes e outros tipos de modelagens que poderiam evidenciar os peitos grandes. Não que eu não tentasse, só que ao contrário de tantas mulheres que se olham no espelho com decotes gigantes ou com peitos em evidências e se acham maravilhosas, eu não conseguia me achar bonita ou sexy, só via mesmo peitos pulando.

Uma dessas roupas que eu evitava ter no armário era justamente qualquer coisa de cintura alta e mais colada ao corpo. Eu até tentava arriscar  e descobri nas saias de cintura alta – lápis, sino ou evasê – boas aliadas, pois elas acabavam equilibrando meu quadril e não deixando os peitos ficarem em destaque.

Até que cheguei aqui e comecei a ver muitas mulheres com calças e shorts de cintura alta. Calça skinny, coladinha, com corpos parecidos com o meu e peitos de todos os tamanhos, inclusive maiores do que os que estão aqui comigo.

Não demorou muito para eu descobrir um modelo que eu amasse: 9″ high rise skinny jeans, da Madewell. Comprei primeiro uma calça jeans e tive a “coragem” de botar a blusa pra dentro, um medo que sempre tive porque tinha certeza que aumentaria a comissão de frente.

Olha, me senti sexy. Como nunca tinha me sentido antes em uma calça jeans.

E aí depois comprei outra, preta com rasgos no joelho, também da Madewell e com a mesma modelagem. E tive outra “coragem”: usar com uma blusa bem justa, pra dentro. Ou seja, tudo coladinho, coladinho, sem medo de peitões ou qualquer outra neura que a gente pode ter quando resolve vestir um look mais justo.

De novo, me senti poderosa. Não tanto pelo look em si, mais pela minha ousadia de quebrar minhas próprias barreiras.

E eu vi que realmente tinha tirado meu preconceito total com cintura alta e peitos avantajados quando adquiri recentemente um jeans bem diferente: uma pantacourt cintura altíssima. Também da Madewell, porque eu viro cliente fiel quando eu curto muito alguma coisa. E apesar dos jeans de lá não serem baratos (variam de 100 a 130 dólares), a qualidade e o atendimento ao cliente me fazem sempre experimentar as novidades de lá.

Eu não me senti tão sexy nesse modelo quanto nos outros, mas acho que a proposta desse tipo de calça nem é essa e eu nem esperava isso dela. Eu queria algo mais fashion/ousado e, novamente, eu só me interessei por esse tipo de modelo porque cruzei com muitas meninas lindas e estilosas – com todos os tipos de corpos – que me convenceram a tentar. Tentei, gostei, achei que tinha a ver comigo, levei. E o peito ficou mais em destaque, sim, e sabem o que aconteceu? Milagrosamente, EU NEM LIGUEI.

Eu ainda estou na dúvida se o fato de eu não ter ligado está mais relacionado à minha autoaceitação ou se é porque eu tenho visto tantas referências inspiradoras e reais nas ruas que estão me fazendo ter vontade de testar coisas diferentes, mas a verdade é que eu estou mais feliz do que nunca de ver meu corpo em outras modelagens, tomando diferentes formas e proporções independente das minhas neuras. <3

Vocês têm alguma história de bloqueio com peças que foi superado? Me contem!

 

2 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Convidadas no dia 18.05.2017

Eu, 44 anos!

Comecei a blogar antes de entrar na casa dos 40 anos. Apesar de conviver com meninas em média muito mais jovens do que eu, a idade (ainda) não tinha sido um fator de preocupação dentro desse universo da blogosfera, nem fora dela, muito menos na minha vida privada. Ela não tinha me pegado de jeito.

Implacavelmente, essa hora acabou chegando, eu virei uma quarentona na virada da meia noite do dia 31 de Julho de 2013, por vezes confesso que logo no início dessa fase a única diferença era mesmo o número, eu até pensei em omitir (para não ter que mentir) a idade em determinadas situações profissionais, simplesmente ignorava o ano do meu nascimento quando precisava preencher alguma ficha, achava que o fato de já fazer parte das mulheres de quarenta anos pudesse mudar alguma perspectiva em relação ao meu trabalho. Chegar nos eventos e me deparar com a possibilidade de ser uma das mais velhas do lugar com o tempo passou a me incomodar.

E, esse incômodo não parou por aí. Passei a me questionar constantemente, minha mente trabalhava sempre contra mim, criando dúvidas, medos e monstros horrorosos, todos ao mesmo tempo. Passei a me questionar; “Será que não está na hora de deixar de ser blogueira?! Estaria eu fazendo papel de ridícula no meia dessas meninas?!”

Além daquela sensação de inadequação, de estar forçando a barra, uma crise existencial veio se formando lá no horizonte. A idade finalmente me pegou de jeito, confesso, fui nocauteada. Passei a me sabotar, essa “culpa” associada diretamente à idade me levou à uma percepção de que profissionalmente tudo estava fora dos eixos, sendo assim, ela acabou migrando para outras áreas da minha vida.

Me olhar no espelho se tornou mais difícil, perceber que a minha pele não ostentava mais aquele viço e colágeno todo de um passado recente passou a me aborrecer e me contrariava no íntimo. Meu peso disparou, assim como o meu colesterol. Sempre fui muito magrinha, vestir PP e P era a normalidade, até eu precisar comprar uma roupa M e foi um baque.

Estar no meio dos 40 anos, passou a significar muito mais pra mim. Cheguei na metade do caminho e com isso, entrei num momento reflexivo muito intenso, culminando em várias teorias da conspiração, todas trazidas por conta dessa sensação de não dar mais tempo. Essa sensação virou um chamariz para questionamentos ainda mais pesados e críticas de todos os tipos em relação a mim, mas a principal de todas elas, foi “Eu realizei todas as coisas mais importantes que eu precisava realizar na minha vida?!”

Diante de uma única resposta negativa, bateu aquela decepção, me abalando emocionalmente e se espalhando sobre mim, toda uma carga negativa alimentada pelos meus pensamentos, minha consciência e afetando a minha autoestima, virei minha própria sabotadora. Uma enorme desmotivação se instalou na minha cabeça, afinal como o meu novo lema era “Eu não tenho mais todo o tempo do mundo”. Minha razão passou a não dar mais conta de tanta insegurança, pensei que fosse o caso de agora ser melhor eu aceitar e me convencer de que não dá mais pra nada, meu tempo passou.

Fiquei assim por um período…num limbo de insatisfação e inércia.

Não sabia pra onde correr, o que fazer, não achava uma tábua de salvação no meio do caminho que pudesse iluminar as minhas ideias tão radicais. Eu até parei de escrever e de blogar, afinal seria “muita ousadia” da minha parte achar que eu me encaixava ainda nessa realidade juvenil. Estabeleci uma crença baseada nas minhas últimas vivências e me dei conta que estava totalmente out.

Pra piorar essa fase e toda essa situação, passei a questionar a nossa sociedade, essa que privilegia a beleza física, a juventude, o lado material e o status, eu passei a achar que talvez não estivesse mais inserida nela. Podem dizer por aí que essa frase clichê de que os 40 são os novos 30 é super alto astral, mas na realidade, em termos práticos, você não vê a mesma inserção de uma mulher de quarenta anos pra cima com a mesma frequência que vê uma mulher mais jovem. Em termos práticos, achar uma blogueira de 40 anos fazendo um evento como garota propaganda de uma marca bacana ou um teste para ser a mais nova colunista de uma revista de moda ou ainda um teste para apresentar um programa de moda, ou uma capa de revista é coisa rara, vamos combinar?! Os padrões de beleza são os mesmos desde sempre: magras, bonitas e…jovens.

E eu?! Não sou mais jovem mas ainda não cheguei na velhice, estou no meio do caminho e ainda tenho meus encantos. Minha energia é a mesma de antes (ok, quase! Rsrs) e acho que passei a me reservar ao direito de fazer o que eu apenas tenho certeza do quero, do que gosto, passei a ser mais seletiva, me sinto mais original e respeito muito mais as minhas vontades. Tudo isso passou a acontecer agora, porque antes, quando a minha imaturidade e insegurança formavam um combo, eu não sabia escolher e dizer não. Eu muitas vezes cedia.

A terapia foi uma das decisões mais acertadas da minha nova idade. Ela me trouxe calma, autoconhecimento e passou a restaurar a minha fé e segurança, que eu havia perdido em mim mesma. Passei a achar a noção de tempo tão subjetiva, comecei a ficar com vontade de blogar novamente, passei a sentir a mesma paixão do começo, mas só que agora de uma maneira mais madura, autêntica, mais pessoal e íntima. Dessa vez, eu queria realmente algo que me deixasse feliz, escrever sempre foi minha maneira de aliviar meu sofrimento, me conhecer, por isso meu retorno precisava ser algo que fosse especial, que fizesse sentido. Foi quando eu tive um daqueles insights criativos, achei o “meu” pulo do gato, ele estava tão perto, ele estava justamente dentro de mim, na graça de ser o que eu sou hoje, uma mulher no seus 40 anos, podendo dividir suas novas aflições, novas descobertas e novas alegrias, com quem estiver disposto a ouvir, e é assim que levo o “novo” Drama Queen Zen.

Transformar as minhas histórias a partir de um olhar mais comportamental, menos impessoal ampliou a minha base de amor e empatia com quem eu sou e com os outros, agora esse é o meu novo lema – aceitação, amor e autoestima. E foi assim, que eu passei a me desconstruir escrevendo os meus novos posts no blog. Descobri que rir de mim mesma faz bem, sim senhora, e me deixa mais real, mais leve. Eu passei a abstrair todas essas dificuldades da idade e desmistificar um monte de coisas, preocupações, bobagens e vários mitos que existem em torno dela. Tenho como grande aliada nessa jornada as minhas viagens pelo mundo. São nessas viagens que eu volto ainda mais fortalecida e transformada, me sinto um ser em constante transformação, afinal, as trocas de experiências entre nós mulheres, muitas vezes tão diferentes em suas culturas e realidades que acabam na mais pura afinidade. Foi isso o que eu sempre buscava e sempre esteve tão perto de mim, aliás dentro de mim. Hoje, eu sei disso tudo, mas o primeiro passo para a minha cura foi aceitar e agradecer por todo aquele sofrimento e angústia, eles fizeram parte dessa caminhada necessária para o meu crescimento e conhecimento pessoal.

Hoje, se tenho meus “bad days” ou sou assombrada pelo medo de novo mando logo um recado interior, aviso à minha mente “Isso não é verdade, não crie mentiras pra você mesma, se livre desse peso agora mesmo, vá viver a sua vida, mulher” e vou ser feliz

2 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Convidadas no dia 09.05.2017

O dia que entrei para tocar em um bloco de Carnaval

Há alguns anos a vida me deu uma puxada de tapete bem grande e descobri que quando estamos tentando levantar, temos que nos reinventar ou reconectar com o que a gente era lá atrás, beeeem antes desse fato ter acontecido. Eu ainda não sei responder se eu me reinventei ou se me reconectei a quem eu era, o fato é que dei uma guinada e após muito me cuidar, mudei. Muito. E faz muito sentido quem eu sou hoje de quem eu era nos meus 20 e poucos anos. Voltei pra terapia, conheci gente nova, procurei minha espiritualidade (sim, procurei, pois eu não tinha conexão com nada) e nesse processo acabei me deparando com coisas que jamais imaginaria fazer e agora a gente olho e penso: por que eu nunca fiz isso antes?

Bom, durante o processo de análise, por sugestão da minha terapeuta eu deveria procurar algo para fazer no meu tempo livre que fosse fora da caixa. Pensei em aulas de culinária mas não, era previsível demais e não ia me tirar da zona de conforto. Ela me sugeriu teatro, mas definitivamente não é a minha praia. Aí me lembrei do dia que fui ao ensaio pré carnaval de um bloco aqui no Rio à convite de uma amiga que toca lá. Eu lembro que quando fui, saí de lá encantada, pensando “preciso entrar nisso”. Mas como podia? A Camilla, que sempre detestou Carnaval, que reclamava de blocos (cheios, calorentos, muvucados), que achava que Carnaval só era mais um feriado longo…como podia a Camilla entrar para isso? Sabe qual foi o diferencial? A alegria e a energia daquilo. Quando eu estava assistindo o ensaio, dentro daquela bateria sensacional tocando músicas que eu sempre amei, tive um sentimento muito louco mas muito sensacional.

Bom, passado o Carnaval tentei me inscrever para a oficina de percussão do bloco em 2014 e não consegui, ela é muito concorrida e eu dei mole. Fiquei chateada demais mas não desisti. Continuei na terapia e na vontade de tocar lá, passado o Carnaval de 2015 estava eu lá, novamente, a postos, esperando o relógio virar às 18:00 para mandar o bendito email de tentativa da inscrição. Apertei o “send” (bem nervosa e tremendo kkkkk) às 18:02. Uma hora depois veio a confirmação de que eu estava pré selecionada. OMG!!!!!

Não, eu nunca toquei nada, eu não conhecia os instrumentos, nem os professores, nem a metodologia. Nada. Eu só conhecia as músicas e dentro de mim havia a certeza de que me traria uma alegria e uma conexão comigo mesma sem igual. E foi um das melhores decisões que tomei na minha vida. Eu estava totalmente fora do meu contexto, completamente fora da minha zona de conforto. Eu sou professora há anos e voltei a ser aluna, de algo que eu não tinha a menor ideia e que exige um esforço físico, cognitivo, sem contar o emocional.

Veio o primeiro show da temporada de verão pré Carnaval em dezembro de 2015 e eu só conseguia pensar “como podia eu estar ali?? Dentro da bateria! Desse lado da corda!” Foi na Lapa, ao lado dos arcos e quando olho para o lado vejo uma galera lá fora cantando e dançando com os braços pra cima, tipo, muito felizes!!!! Na hora pensei “cara, eu estou fazendo parte de algo que faz as pessoas felizes! As emociona!” Claro que chorei de novo.

Em seguida veio o carnaval de 2016 e uma nova experiência. Subir naquele palco e tocar no Aterro do Flamengo para milhares de pessoas, acho que nunca vivi energia igual. Nunca senti tanta alegria. Obviamente comecei a chorar em certo momento do show e não parei mais…..só parei de chorar quando cheguei em casa.

Obviamente continuei na oficina e esse ano vou entrar no meu 3º ano de bloco. Nesse tempo todo eu faltei no máximo 2 vezes (sim, os ensaios são semanais, desde Maio até o Carnaval) pois aquilo já faz parte de mim. Os amigos que fiz ali, os desafios para aprender um instrumento, as provas para passar de nível, a conexão com a música, a alegria, o empoderamento que me traz são indescritíveis. Conheci muita gente bacana, entrei pra tocar em outros dois blocos e agora passei a encorajar todo mundo a fazer atividades que lhes proporcionem isso que eu fiz comigo. Qualquer atividade que seja! Algo seu, que te traga alegria, te energize….pois a vida também precisa dessas coisas.