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7 em Autoestima/ Destaque/ Saúde no dia 23.05.2018

A sociedade que me desculpe, mas beleza não é fundamental

Era uma vez, em um reino muito, muito próximo, duas jovens donzelas. Seus nomes eram Dielly e Nara. As duas tinham algo em comum: viviam tristes, separadas desse reino.

Dielly porque foi expulsa devido á doença de todo um povo, e Nara porque, infelizmente, tinha uma doença que era dela. O sonho das duas era poder pertencer áquele mundo, porém nenhuma das duas conseguiu e ambas morreram. Fim.

Credo, mas isso é conto de fadas que se preze? Cadê final feliz? Não tem, porque não é conto de fadas, é vida real mesmo.

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Dielly Santos, 17 anos, cometeu suicído semana passada. Gorda, não aguentava mais viver em uma sociedade que abomina um corpo fora do padrão.

Nara Almeida, 24 anos, morreu essa semana de um câncer de estômago contra o qual lutava bravamente há um ano. Muito magrinha, recebia (contrariada) elogios pela sua forma física, mesmo deixando claro que estava mortalmente doente. Dizia que seu sonho era poder comer um prato de arroz e feijão de novo.

Não é irônico, tudo isso? Duas meninas que tinham uma vida pela frente, injustamente levadas por doenças implacáveis: o câncer e a gordofobia.

E esta última é tão séria que nem após a morte Dielly conseguiu o respeito que merecia: as piadas continuaram. Continuam. Como pode?

Veja. Temos “musas fitness” mandando adolescente cuspir comida (alô bulimia). Temos nutricionistas chamando galera de VACA no instagram porque a pessoa deu uma fugidinha do regime. Temos gente rindo de vídeo de criança de oito anos chorando porque se sente barriguda. Temos celebridade com fama mundial vendendo pirulito inibidor de apetite. Tudo em prol daquela beleza fundamental, sabe, que Vinícius de Moraes – o lindo – já cantava há anos e anos?

Pois é, engana-se quem pensa que essa pressão em ser magra é atual, é de hoje. É nada, vem do tempo da tua mãe, da tua avó e da tua bisavó. Mulher tem que sofrer pra ser bonita, lembra?

Meu conto de fadas não tem final feliz, mas tem moral da história:

Enquanto fizermos uma piadinha “de leve” com a mina gorda, enquanto acharmos que tudo bem a grade das lojas venderem peças que chegam só até o 42 (e daí, meu manequim é 40, certo?), enquanto escondermos nossa gordofobia atrás da velha justificativa “estou pensando na sua saúde”, somos parte da morte de Dielly. Enquanto acreditarmos que beleza e magreza estão ligadas, estamos ostracizando as gordas.

Pior: enquanto acharmos que ser magra é ser feliz, estaremos perseguindo uma felicidade imaginária. Acredite em mim, pois sou magra: ser magra não é ser feliz. Nara não era feliz. Ela seria, se pudesse, novamente, comer um prato de arroz e feijão.

Descansem em paz, lindas Dielly e Nara. <3

0 em Autoestima no dia 02.05.2018

Lá no #paposobreautoestima

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“É preciso um bocado de paciência e doses de amor próprio para aceitar que está tudo bem. Temos essa mania de buscar tanto a felicidade que quando encontramos, precisamos estragar para dizer que não somos tão felizes assim. A plenitude parece ser aceita por poucos.” – texto de @cotidiano.dela, compartilhado por @l.moodstyle

Uma publicação compartilhada por Seja Você – Paola Blanch 🌸 (@beyoutoday_) em

“Não julgue um livro pela capa.
Nas 3 fotos eu estava sorridente e aparentemente feliz, não é mesmo?!
Porém só na 3ª que eu posso te dizer que o sorriso era realmente do coração.
Cuidado ao dizer coisas como “Nossa, você emagreceu e está linda!”, “Você tem o rosto tão lindo, por que não perde uns quilinhos?”, “Você estava melhor antes”…
Não sabemos o que está por trás de uma perda ou ganho de peso, e muitas vezes nossas palavras que tinham a intenção de ELOGIAR acabam MAGOANDO, MOTIVANDO NEGATIVAMENTE ou APOIANDO más condutas.
Fique atento à comportamentos estranhos das pessoas ao seu redor, mas lembre-se de ter muito cuidado com o que diz. ✨
Você controla o que sai da sua boca, mas não controla o que entra nos ouvidos do outro.” – por @beyoutoday_

 

Uma publicação compartilhada por Brenda Martins (@blogbrendamartins) em

“Minha relação com quem eu sou sempre foi conturbada e depois de uma enquete no Stories percebi que muitas outras pessoas também se sentem assim. Eu sempre tive uma visão meio torta sobre mim e me diminuir era/é algo constante na minha vida. Sabe aquela história de não se achar o suficiente pra nada? “Não sou inteligente o suficiente, bonita, divertida como deveria ser”. Isso acontece e isso deveria parar.
As vezes penso que o que eu acho de ruim sobre mim coloco como verdade e acabo não enxergando quem realmente sou e porque tem que ser assim? Estou em um constante exercício para tentar me enxergar de verdade, ver tudo o que tenho feito de bom, me orgulhar disso e deixar as coisas ruins de lado. Não é fácil. Não é rápido, mas sigo tentando. Se ame e se entenda, esse é o primeiro passo para todas as outras coisas que estão por vir.” – por @blogbrendamartins

 

“É um momento onde consegui descobrir o q está faltando pra mim, é a parte de deixar ser chamada pela intuição, me sentir parte do mundo e conectada.
A mulher conectada e de poder tem uma força que é interior, os processos de transformação sao destrutivos, portanto isso afasta algumas pessoas do seu caminho e atraí outras, as mulheres poderosas brilham, incomodam.
Delimitar territorios, ocupar nosso corpo com orgulho, falar e agir em defesa própria, despertar com dignidade e com o máximo de consciência possível. Essa pessoa gera desconforto, e aceitar isso é saber dizer nao pro que nao te conecta, e aceitar o que te conecta e o que faz o processo criativo ter força (tanto de destruição como de transformação). A ocupação da mulher selvagem é criar, inventar, e isso envolve processos viscerais e instintivos” – por @esteticakarenarnaldo

 

“stava hoje pensando, que em dezembro fazem 4 anos usando meu cabelo natural. E pense numa sensação maravilhosa, lavar meu cabelo, e saber que essa sou eu.
Sem me submeter a química, calor, puxões, e ter a plena certeza que não preciso mais me enquadrar em padrões de cabelo, para me achar linda.
O que pode mais nos motivar, sem sombras de dúvidas, e essa tal de amor próprio.” – por @brunaoliveirabsbo

3 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 27.04.2018

Quando o discurso da aceitação não é sólido ele incomoda…

Recentemente essa frase apareceu demais pra gente, seja em postagens do grupo, mandando por direct no insta e até mesmo em grupos dê whatsapp. A imagem em questão foi essa:

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Depois de tanto tempo falando sobre autoestima e seus desdobramentos, sei que quando o discurso da aceitação não é sólido ele incomoda, mas precisamos tomar cuidado pra não combater uma opressão com outra.

Pra mim a gente começa com o comum equivoco: não é porque uma pessoa posta sobre a importância do amor próprio ou da aceitação que essa pessoa consegue viver isso verdadeiramente, ainda mais em todos os segmentos da sua vida. Essa expectativa é sobre-humana. O discurso do amor próprio é muito além de frases feitas que viralizam nas redes sociais.

“A verdadeira beleza vem de dentro”, disse a menina que passa 5 dos 7 dias da semana lutando para se encaixar no padrão opressor. “O brilho interno ilumina a alma” escreve na legenda aquela que fala todo dia do sofrimento que é manter a dieta e da tentação que é comer o que ama, disseminando diariamente um comer sem paz. A que malha para pagar o jantar e se manter no corpo aceito socialmente fala em aceitar o corpo como ele é. A que faz todos os pontos de preenchimento no rosto fala em auto aceitação. A que faz massagem modeladora todo dia fala que todas temos celulites e devemos lidar isso. Tem muita hiprocrisia no discurso do amor próprio ou da aceitação nas redes sociais, entendo isso.

No entanto, precisamos entender que muita gente está interessado em receber a mensagem de forma mais superficial – talvez devido ao estágio de desconstrução em que se encontra ou ao seu universo de privilégio. Não adianta querermos doutrinar todo mundo, quem estiver procurando se olhar cada dia com mais amor, mais verdade e acolhimento vai estranhar mensagens desconexas.

Só que por mais que nós sejamos parte MUITO interessada de que a internet não saia se apropriando do discurso do amor próprio de forma leviana, não podemos sair de um extremo para outro. Sair de um padrão de opressão pra outro e, logo, nos tornando verdadeiras juízas do amor próprio alheio, não mesmo.

Acredito que o problema não está em um ou dois procedimentos estéticos, em um silicone isolado ou uma cirurgia de um nariz que incomodava a uma garota na sociedade em que ela cresceu. O incomodo vem do fato de que muitas influenciadoras são verdadeiras transformações de antes e depois, onde o antes era aprisionado e o depois liberto. Gente que se disse feliz mudando tudo em si em busca de atender a demanda do mercado de trabalho delas e da sua audiência. Não é coincidência que a turma que busca estar perfeita 24 horas por dia tenha muito mais like, seguidor e comentário, por mais que isso aos poucos esteja mudando. Muita gente quer ver essas mudanças e acreditar que é possível atingir o padrão de beleza. E precisamos respeitar essa busca por pertencer.

Não creio que demonizar quem deseja fazer um procedimento estético é o verdadeiro caminho, acredito pessoalmente que o feminismo não seja sobre sair de uma prisão ou padrão pra entrar em outro. Não há nada demais em querer mudar algo que te causou dor na sociedade na qual você foi criada, a questão é que precisamos jogar luz nas questões anteriores à isso: Essa mudança trará conforto ou virá na semana seguinte uma nova demanda em nome da perfeição? Essa mudança é pra atender uma questão sua ou das pessoas que te cercam? Não podemos sair atacando todas as mulheres que desejam atender a esse padrão de beleza super cruel e opressor, mas podemos – todas juntas – buscar nos questionar se precisamos mesmo fazer todas essas mudanças, nos tornando cada dia mais iguais a todos e menos parecidas conosco. 

No caso das influenciadoras acho que o mais importante é: não viu coesão? não gostou? acha o discurso de aceitação midiatico pra atender a modinha? Pula fora, deixa de seguir, manda um DM explicando o porquê você vê incoerência no discurso, mas não ache que jogar pedra vai solucionar, porque não vai. As pessoas não vão deixar de se transformar por isso, elas só vão parar de contar e no fim vamos voltar pro antigo argumento fake de que “acordei assim”. O que vai acabar causando a mesma frustração de inadequação de quem se compara. O que só me leva a crer que o problema segue na comparação.

Precisamos durante a verdadeira busca do amor próprio, desenvolver AUTOESTIMA na sua essência, para que tenhamos mais segurança de sermos quem somos, pra que NÃO PRECISEMOS MAIS de tantas crenças que limitam e aprisionam.

Esse exagero pela busca da beleza nos faz perder muito tempo com coisas superficiais e nos ensina que está tudo bem viver sofrendo pra atender ao que nos ensinaram que era certo pra uma mulher, e se libertar disso é um processo de tomada de consciência. Criar novas leis e proibições em nome de quem se ama verdadeiramente, ou não, só separa mais ainda as mulheres. A consciência vai ser a verdadeira forma de abandonar essas muletas em direção a um caminhar sozinha com menos dependência de tantos procedimentos.

Eu abri mão de dietas sofredoras em nome de um comer em paz, eu abri mão de massagens modeladoras e aparelhos para o corpo quando consegui aplicar um olhar genuinamente amoroso pra ele, eu consigo sair sem maquiagem ou postar stories com a acne em seu estágio mais critico e me orgulho muito de não superlativizar isso mais, mas está tudo bem eu gostar de usar a maquiagem pra também cobrir as marcas quando estou afim ou me sinto mais vulnerável. Está tudo em paz por eu usar a maquiagem pra brincar com minhas versões versáteis e me sentir mais bonita dentro desse padrão que me cerca. Eu escolhi viver em paz com um corpo nem sempre socialmente aceito, e cada dia que passa isso se torna mais sobre mim e menos sobre o outro. Se quiserem achar que o meu preenchimento de olheira ou minha micropigmentação invalidam meu discurso, tudo bem. É só o julgamento do outro.

Seguirei aqui todos os dias escrevendo sobre autoestima, autoconhecimento e um novo olhar sobre mim, cada dia com mais amor e cada dia com mais conquistas. Cada foto de biquini, lingerie ou barriga de fora foi um ato revolucionário da minha nova liberdade de falar desse amor que venho desenvolvendo por mim, mas eu não sou perfeita, ninguém é. Eu não sou. Elas não são. Se tirar minha cara de cansada for agressivo pra quem me segue, sinto muito, vou seguir fazendo isso, mas sem aprisionar ninguém em novas regras. Autoestima, amor próprio e aceitação é muito mais do que isso.

Estou aqui concordando que precisamos abrir os olhos para influenciadoras que mudam tudo, dizem que desenvolveram autoestima ao se transformar em outra pessoa e no fim ainda falam na importância da aceitação. Só não podemos sair julgando e aprisionando ao nos revoltar com essas mensagens desconexas. Todo mundo está no seu processo de desconstrução, algumas pessoas ainda vão levar um tempo pra entender que desenvolver estima verdadeira por si mesma não tem tanto a ver com mudar a aparência.

Acredito que buscar a beleza não pode ser um processo de sofrimento diário, se é, ele precisa ser reavaliado. No mais, precisamos olhar com empatia até para o que discordamos.