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2 em Autoconhecimento/ Comportamento/ Convidadas/ Reflexões no dia 21.08.2017

Sobre viver histórias

A cena aconteceu em Nova York, onde passei uns dias entre trabalho e férias. No Upper East Side, que foi minha casa por uma semana, na estação do metrô da 72st, um metrô bem novo e moderno com uns murais feitos de mosaico.

Uma certa manhã, enquanto descia a escada rolante, vi uma senhora tirando fotos dos mosaicos com sua câmera compacta. Eu, que já gosto de registrar tudo que vejo, fiz um foto com meu celular, mas vendo a cena não consegui ir embora e continuei observando.

A senhora sorriu pra mim e começamos a conversar (coisa que pra mim não é difícil rsrs). Me contou que se chamava Peggy Thompson, tinha 86 anos, que era de outra cidade mas estava fazendo turismo em NY, sua cidade favorita. Me apaixonei na hora pela Sra. Peggy e continuamos conversando. Foi aí que ela me contou mais um pouco sobre si. Me disse: “tenho câncer de mama e estou de férias da quimioterapia esta semana. Amo viajar e aproveitei pra vir aqui porque não sei se essa é a última viagem da minha vida.” Nessa hora a garganta entalou e os olhos marejaram.

Contei que era fotógrafa e pedi licença para fotografá-la. Ela também fez o meu “book” e ficamos ali, fotografando uma a outra. Depois que a sessão mútua terminou, falamos mais um pouco da vida e nos despedimos.

Fui embora emocionada. Por ela, por este encontro e porque realmente esse é o sentido da minha vida de viajante. Viver, conhecer gente, contar historias.

A senhora Peggy não é somente alguém que eu conversei por 15 minutos, ela virou uma pessoa que eu vou lembrar para sempre, nesses dias em que eu perambulava pelas ruas de Manhattan sentindo que o mundo me pertencia. Ela também é desses seres mágicos que te fazem ver a vida com poesia até o último segundo e que você agradece a oportunidade de cruzar com esse tipo de pessoa. Tomara que possamos viver uma vida plena curtindo tudo que ela nos oferece porque um dia acaba.

2 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque no dia 18.08.2017

Para as garotas intensas

Como deu para ver, estou um pouco sumida aqui do blog. Essa semana pré férias teve tanta pendência, viagem, evento e reuniões que, quando eu dei por mim, chegou sexta feira e eu simplesmente não consegui escrever quase  nada para o Futi.

Só que hoje a Nina me marcou nesse texto do instagram @themumontherun_ que mexeu comigo. Não só por eu ter me reconhecido, mas por uma amiga ter me reconhecido TANTO nele. Pedi pra Cá traduzir porque achei que ele precisava ser lido por mais gente. E espero que todas as outras garotas exageradas que nos lêem se identifiquem também :)

Para a garota intensa,

Que mostra abertamente e frequentemente seus sentimentos, que chora quando sente necessidade, e quando ela não pode evitar. Quando lágrimas descem pela sua face quando ela fala como se sente.

Para a garota intensa, que quer ser amiga de todos, que quer aconchego e relacionamentos, que quer amizades e amor, que acredita que humanos merecem contato e afeto. Que quer dar seu coração para todos que conhece.

Para a garota intensa, que fala abertamente sobre sua vida, seus problemas, sua felicidade, sua alegria, suas dores, que divide suas palavras com todo mundo porque cada pessoa nova é uma amiga, cada pessoa nova merece sua confiança para dividir sua vida.

Para a garota intensa, para a garota sexy, a garota barulhenta, para a garota quieta, para a garota em calça de moletom, para garota que é simplesmente muito exagerada.

Não tem nada de errado com você, ok? NADA.

Eu sei que alguma pessoa, em algum lugar te fez sentir mal por ser você mesma. Te fez sentir como você não pudesse ser perfeitamente você. Que você é muito intensa para os outros…e intensidade é ruim.

Não peça desculpas por isso. Para essas pessoas. Para ninguém. Peça desculpas por ter magoado alguém, por ter feito algo errado, mas nunca se desculpe por ser você.

Diminuir-se para agradar os outros, inibir o brilho que te faz ser lindamente – e unicamente – você. Não faça isso. Você é poderosa além das medidas, não deixe ninguém tirar isso de você.

Precisou de um universo para te fazer, uma grandeza para te criar, pequenos pedaços de grandes lindas coisas para se transformar em você. Tá tudo bem ser intensa, melhor do que tentar ser insignificante.

Seja você, seja um furacão, uma tormenta, seja a luz que você é, uma estrela cadente, a força que você sabe que tem. Seja isso! Seja intensa porque sua intensidade é mais do que suficiente e tem tantas outras meninas que também são intensas, que amam essa sua característica, e todas essas pessoas que estão verdadeiramente felizes por si mesmas vão querer que você brilhe com toda sua força e toda a sua grandeza. E vão querer que você seja nada além de…intensa.

2 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque no dia 15.08.2017

Como você conquistou sua autoestima? Com autoconhecimento, mas não é assim tão simples…

Como algumas pessoas já leram, o autoconhecimento foi a chave da minha mudança. Toda vez que pessoas aparecem pra me perguntar como eu mudei minha autoestima, como desenvolvi mais amor próprio ou como fiz as pazes com o reflexo do meu corpo no espelho a resposta envolve esse termo. O problema todo é que muitas vezes as pessoas querem uma resposta mágica, querem ouvir um mantra novo, ler uma frase e reproduzir aquele conteúdo até entrar na cabeça, mas pra mim o erro começa aí. Por mais que seja positivo mudar o que falamos – ou o que pensamos – acho que precisamos mudar o que SENTIMOS. A repetição pode até mudar seus pensamentos “conscientes” por osmose, mas dificilmente vão alterar seus reflexos e comportamentos instintivos.

Eu estudo numa escola que busca o autodesenvolvimento da consciência há 4 anos e esse é só o início da minha jornada, por mais que eu já tenha mudado muito e tenha trazido pra meu consciente milhões de aspectos sombrios do meu comportamento, volta e meia me pego tendo um primeiro pensamento viciado.

A verdade é que as pessoas querem que eu entregue uma fórmula simples de melhora de autoestima e eu pessoalmente não consigo, e inclusive duvido de quem diz que consegue operar esses milagres de forma simples. Eu falo dos comportamentos novos e positivos que eu implementei na minha vida, falo do novo olhar acolhedor e amoroso que eu exercito diariamente e dos pensamentos que me ajudam, mas tudo que mudou PROFUNDAMENTE minha maneira de SENTIR veio de uma imersão corajosa para conhecer meus aspectos mais complicados. Aqueles que todo mundo julga, mesmo que todas as pessoas os tenham em diferentes graus.

Sempre sofri da necessidade de ser boazinha, até mesmo por nunca ter me achado bonita o suficiente ou boa aluna como deveria. Eu sempre quis ser A legal, A melhor amiga e A boazinha. Eu precisava me comparar para me sentir bem. O mais irônico é que ao desmistificar essa crença nos últimos 4 anos eu descobri meu lado BOM mais positivo de todos, mais generoso, mais corajoso e mais capaz de atitudes genuinamente boas.

Precisei entender que nunca o meu me bastava porque meu referencial era fora, não dentro. E eu escolhi dar voz a todas as pessoas que me faziam sentir segura no meu padrão viciado antigo de comparação. Eu não conseguia brilhar todo meu potencial porque eu não estava concentrada no mais importante: me conhecer genuinamente, sem medo e sem julgamentos.

Nesse meu processo de mergulho interno passei a ver que quando a gente se incomoda muito com o outro e terceiriza demais a responsabilidade das coisas, não estamos concentrados no nosso. É o mercado que está muito ruim, é a conhecida que estava na hora certa e no lugar certo, é a influenciadora que compra seguidor e está fazendo o trabalho dos seus sonhos, é o companheiro de trabalho cheio de lábia que convence o chef que é bom enquanto você não é valorizada, os exemplos são inúmeros. Quanto mais acreditamos e damos voz à esses pensamentos mais nos conectamos com o que é do outro e não com o que é nosso.

Claro que ainda me incomodo com o que considero injusto e me esforço pra não me conectar com fofocas, prints ou comparações. Evito ao máximo que essas situações me tirem do meu caminho, do foco em mim e no meu jardim.

Ao invés disso tento adubar meu solo com amor próprio, autoconfiança, segurança de ser quem eu sou e confiança no universo, de que eu irei colher o que vou plantar. É focada em mim que consigo praticar de forma efetiva tudo que aprendo no meu processo de autoconhecimento, tudo que me traz a segurança de ser quem eu sou, como sou, com a autoestima que tenho hoje.

Acho sensacional poder dividir um pouco dessa parte do meu processo com vocês, mas saibam de uma coisa: Não cheguei aqui só lendo coisas bacanas e inteligentes, eu cheguei aqui experimentando e vivenciando aprendizados (muitos deles dolorosos), fazendo terapia, estudando com afinco nos meus cursos e me desconstruindo. Não conheço atalho pra isso, tenho feito meu melhor pra dar exemplos no que considero que foi bom pra mim, mas a meu ver não existe jornada verdadeira para o autoconhecimento se a gente não se comprometer com processos que nos ajudem nisso. Seja com terapia, aula, escola, livros e grupos de troca, mas sem um esforço genuíno eu não sei se dá pra começar essa caminhada de forma verdadeira.

Pode ser lindo compartilhar frases bacanas e positivas nas redes sociais, mas pra mudar o olhar DE VERDADE, acho que precisamos embarcar com destino a se conhecer. Seja no caminho que você escolher, mas que seja profundo, não superficial.