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1 em Autoconhecimento no dia 12.09.2018

4 pensamentos que você deveria parar de ter agora!

Antes tarde do que nunca, todos nós precisamos abrir mão de crenças limitantes. A nossa mente é mesmo fantástica, ao mesmo tempo em que usamos para ter as melhores ideias, ela também é capaz de nos sabotar em alguns momentos. Quase sempre, sem perceber, nos vemos em momentos ou situações da nossa vida onde temos pensamentos errados sobre nós mesmas e essas horas que precisamos ter a consciência de quem realmente somos para não nos deixarmos levar por esses pensamentos.

Aqui estão 4 pensamentos que todas nós precisamos para de ter agora mesmo sobre nós mesmas para ajudar a melhorar nossa relação conosco!

ilustra: Amélie Fontaine

ilustra: Amélie Fontaine

Que está tarde para começar algo

Uma nova carreira, uma nova faculdade, um curso de aperfeiçoamento, um novo relacionamento, outra família, aquela viagem internacional… Quantas coisas cabem aqui! Qualquer que seja o desejo do seu coração, todos eles cabem na sua vida a qualquer momento! Estamos vivas e pra quem ainda tá no jogo nunca é tarde! Tire essa ideia da sua cabeça e vá atrás do que faz seu coração pulsar mais forte! Procure se conhecer, aposte nos seus talentos e se mexa, não precisa abrir mão de tudo que você construiu até aqui, mas nunca é tarde pra investir energia, tempo ou até dinheiro no que você deseja pra você.

Que estar em um relacionamento te define

Um relacionamento não define ninguém. Você não é mais ou menos alguma coisa por ter um não um relacionamento, independente de qual seja. Mulheres costumam cair muito nessa armadilha porque a sociedade nos leva a crer que para termos valor precisamos de uma companhia – e de um homem, de preferência. Pois bem, eles estão errados. Um relacionamento é apenas uma das muitas vertentes da vida de uma pessoa, e ele nunca definiu nem irá definir ninguém. Todas nós podemos encontrar amor e acolhimento nas mais variadas formas de relação humana, um relacionamento quase nunca é um passe livre pra realização pessoal e esse autoengano faz muita gente ficar presa em situações que se quer são mais positivas. Assim sendo não enxergue seu valor por ter ou não uma relação, isso não te define.

Que você não é boa o bastante

Ah, a eterna síndrome da impostora! Já falamos sobre isso, mas nunca é demais lembrar que somos sim, mais do que capazes de todas as coisas a que nos propusermos fazer. Pare de achar que não é capaz, quase sempre essa ideia mora apenas na nossa cabeça e a partir de agora ela não é mais bem vinda! Confie em você, na sua capacidade e ouse ir além! Afinal se você conversar com quem está a sua volta vai ver que essa sensação é comum, todas fomos criadas com ela, quase que um aprendizado fixado no inconsciente coletivo, mas ela só nos limita, então abra mão disso. Não carregue essa crença com você, se policie!

Que só existe uma maneira de fazer as coisas

O mundo vende algumas ideias pra gente dentro de uma caixinha. Nosso ego buscando não se desesperar precisa separar tudo em caixinhas com etiquetas, mas nós não precisamos comprar essa necessidade dele. Não precisamos nos prender tanto a rótulos. Fomos ensinados que a receita de sucesso é seguir uma certo caminho, que o relacionamento feliz se constrói de um jeito tal, que filhos se educam desta determinada maneira. Pois não existe só um jeito de se fazer as coisas. Ou até existe, se esse jeito for do seu jeito, do jeito que te faz feliz! Não se prenda a essas fórmulas criadas pela sociedade e encontre o seu caminho para conseguir chegar ao seu objetivo.

A felicidade é uma sensação, não tem nada a ver com a lógica ou com crenças que nos são ensinadas. Ser feliz tem mais a ver com encontrar paz dentro da gente mesmo numa espécie de equilíbrio individual e pra isso não precisamos de uma fórmula mágica, precisamos nos conhecer, desenvolver autoconfiança e encarar nossa vida de uma nova perspectiva. Abra mão de pensamentos como esse que só te limitam, não dê apenas vós ao que te impede de sonhar e realizar.

 

0 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 11.09.2018

O 11 de setembro e o espírito inquebrável que me inspirou

11 de setembro. Tenho certeza que todo mundo que está lendo lembra dessa data, lembra do que estava fazendo na hora que recebeu a notícia do ataque às torres gêmeas.

Eu lembro. Estava com 15 anos, saindo do colégio e vi um aglomerado de gente em frente ao barbeiro do lado, que até hoje está de pé, por mais que a maior parte de lojas e estabelecimentos ao seu redor tenham se transformado em outras coisas. Bem na televisãozinha de tubo de 29 polegadas que estava ligada dentro do barbeiro, lembro como se fosse ontem da imagem de um avião entrando em uma das torres do World Trade Center, e dos repórteres da Globo com um semblante serio. Não dava para ouvir, nem consegui ver direito, mas sabia que o que estava diante dos meus olhos era algo marcante.

Corri para casa (que era na mesma rua do colegio) a tempo de ver o segundo avião se chocando contra a segunda torre. Dos dois prédios caindo. Todo mundo acompanhava estarrecido, sem entender direito o que estava acontecendo. As imagens em looping passando em todos os canais da televisão.

A vida seguiu, e apesar de eu sempre ter lembrado do atentado quando chega essa data, desde que vim morar aqui em NY ela ficou ainda mais marcante. Da minha sala e do meu quarto eu consigo ver o One World Trade Center, o prédio que foi construído no mesmo lugar das Torres Gêmeas e que até hoje tem serias dificuldades de vender suas salas comerciais. Na verdade, enquanto eu escrevo esse texto, eu olho para frente e o vejo, imponente, angulado e cheio de significados e história. E não consigo parar para pensar que se eu estivesse aqui em 2001, eu teria visto tudo da janela da minha casa.

one-world-trade-center

Porque a verdade é que até visitar o Museu do 11 de setembro e até mesmo o Museu do Trânsito – que tem uma área inteira dedicada a nos mostrar cada instante e cada tomada de decisão do MTA no dia do atentado, com direito a fotos, vídeos, depoimentos de pessoas que trabalharam no dia e até mesmo aúdios – uma parte de mim preferia acreditar que tudo não passava de um filme. Algo que marcou mas que não aconteceu de fato. Essas duas experiências que eu citei têm um poder de imersão enorme, tanto que é impossível não andar pelas ruas do Financial District ou entrar na Igreja ao lado do WTC e que sobreviveu aos escombros e não imaginar como deve ter sido no fatídico 11 de setembro de 2001. Aeroportos fechados. Todas as linhas de metrô paradas. Nenhuma linha de telefone funcionando. Pessoas andando meio sem rumo pelas pontes, porque andar à pé era a única forma de evacuar a vizinhança. Crianças tiveram que ficar nas escolas porque seus pais não conseguiam chegar para busca-las. Ninguém conseguindo falar com seus entes queridos. Eu não conseguia dimensionar o tamanho do caos até vir morar aqui de fato (apesar de achar que quem visitar o Museu do Trânsito vai conseguir ter essa dimensão).

Mas não só é isso. Nesse dia os moradores ficam mais introspectivos. Os cumprimentos saem menos felizes, os papos casuais são mais curtos, as bandeiras americanas ficam mais presentes, as pessoas relembram nas redes sociais, a televisão e os jornais não nos deixam esquecer o dia de hoje, e dependendo do lugar, rir é até sinal de desrespeito. Não dá para ter uma história dessas na memória e agir como se esse fosse um dia qualquer.

Hoje à noite, se o tempo permitir, conseguirei ver de camarote o Tribute in Light, uma obra de arte onde dois feixes de luz saem do lugar onde eram os prédios e se estendem aos céus por cerca de 6 quilômetros, podendo ser vistas de um raio de 100 quilometros. Praticamente um holograma das Torres Gêmeas. O objetivo é honrar os mortos e celebrar o espírito inquebrável de Nova York. Espirito inquebrável. Até o momento eu não sabia muito bem por quê estava escrevendo esse post, acho que olhar a minha vista me deixa nostálgica e quis aproveitar a data, mas na verdade acabei de achar um outro motivo.

Desde que me mudei desconstruí muitos conceitos românticos que eu tinha da cidade. “Concrete Jungle were dreams were made of, there’s nothing you can’t do” (selva de pedras onde os sonhos são criados, não tem nada que você não possa fazer) me parecia um pouco distante quando olhava no espelho depois de um dia inteiro cuidando de tudo menos de mim. Quando queria aproveitar mais a cidade mas não conseguia. Quando via tantas coisas de trabalho acontecendo no Brasil e eu não podendo participar. Por um momento, inclusive, não queria me permitir sofrer por todas essas expectativas quebradas porque, afinal, estava sofrendo em Nova York. Onde já se viu, não é mesmo? 

Mas não posso negar, a cidade de fato tem um espirito inquebrável, e acho que ela passa um pouco dessa resiliência pra gente. Desde que eu me mudei eu amadureci, eu conheci lados meus que eu nem sabia que tinha, eu cresci. Muitas coisas que um dia eu sonhei em fazer aqui eu ainda não fiz, mas fiz tantas outras que eu nem imaginava, que o saldo é muito positivo no final. Eu ainda estou no meio do caminho da minha reconstrução. Sei que ainda vai demorar, mas eu não estou com pressa. E um dia, quando eu menos esperar, conseguirei criar meu próprio feixe de luz que ilumina tudo ao meu redor.

0 em Autoconhecimento no dia 10.09.2018

Desculpa por quê?

“Desculpa qualquer coisa”, disse para mim uma das minhas melhores amigas depois de passar o mês na minha casa, à meu convite. Foram 30 dias de muitas risadas, saídas e ajuda mútua, onde pudemos aproveitar muito e eu só tenho boas lembranças. Mesmo assim, ela fez questão de se desculpar – e eu fiz questão de dizer que ela estava ficando doida.

“Desculpa qualquer coisa”, disse eu depois de ter agradecido os dias que eu e minha família passamos na casa de uns amigos, e fiquei surpresa comigo mesma quando terminei de proferir tal frase. Tudo correu bem, nos divertimos, rimos, bebemos e nossos filhos brincaram muito entre si, então por que eu estava ali, fazendo algo que eu sei que eu não gosto de ouvir?

Medo de incomodar, medo de ter atrapalhado a dinâmica familiar deles, medo de ter feito algo que eles não gostaram. Essas foram algumas das motivações que me fizeram falar isso. E tenho certeza que essas coisas também passaram na cabeça da minha amiga quando ela me pediu desculpas por qualquer coisa.

"Saiam daqui, todos vocês! " - tenho certeza que ninguém aqui é esse tipo de convidado, certo? rs

“Saiam daqui, todos vocês! ” – tenho certeza que ninguém aqui é esse tipo de convidado, certo? rs

Eu a convidei porque eu quis. Eu a recebi na minha casa porque eu fazia questão. Meu coração estava preenchido por tê-la conosco. Eu fiz questão de falar isso tudo para ela muitas vezes, mas é curioso pensar que mesmo assim, o medo de ter feito algo errado é maior do que os elogios que ela ouviu. Eu entendi porque eu acabei sentindo na pele. E por isso mesmo, passei a nutrir mais ódio por esse tipo de desculpa desmedida.

Fui perguntar para várias amigas e a maior parte das respostas foi praticamente a mesma. Era só estarem em uma situação de maior convivência com outras pessoas que estavam abrindo seu espaço para elas e o medo de ter feito algo ruim aparecia. Caramba, a gente já é obrigada a conviver com tantos medos na nossa vida que acho injusto carregarmos mais esse. Medo de nada, ou medo de algo que nem sabemos se aconteceu ou não.

“Ah, mas é por educação”. Discordo. Educação é por favor, obrigada, dá licença. Educação é ser gentil com as pessoas que fizeram questão de estar ali contigo. Educação é agir conforme as regras do ambiente. Se desculpar por nenhum motivo não é ser educada.

“Ah, mas é simpático”. Também discordo. Simpatia é dar bom dia quando acorda. Boa noite quando for dormir. Conversar, rir, se enturmar com os amigos dos amigos se uma situação dessas acontecer. Pedir desculpas por nenhum motivo não te faz uma pessoa mais simpática.

Aliás, como bem disse Ju Ali – que foi uma das amigas que eu perguntei – pedir desculpa sem saber o que fez é nada mais nada menos que uma desculpa vazia. Concordo e muito.

Desculpar-se é um ato digno, humilde, reconhecer seus erros quando eles acontecem e são apontados é uma qualidade maravilhosa. De nada adianta pedir desculpas se isso não te fizer refletir sobre seus atos, quem sabe até mudá-los. Então será que adianta mesmo pedir desculpas por algo que você poderia ter feito mas nem sabe se fez?

Em algum momento da minha vida, lembro de ouvir que presente não se recusa. Que o ato de presentear, principalmente quando não tem nenhum motivo específico, é feito sem esperar nada em troca, é uma forma de demonstração de amor, então recusá-lo é recusar também a forma de amor de quem presenteou. Para mim é a mesma história com o “desculpa qualquer coisa”.

Ninguém nos chama para a sua casa sem fazer questão da nossa presença ali, porque gosta da nossa companhia. Então, pedir desculpas por nada só para tentar ser simpática ou educada nada mais é que uma forma de se diminuir.

Sei que esse é um comportamento muito comum e super difícil de mudar, mas to aqui fazendo textão justamente para a gente pensar juntas sobre o assunto. Vamos começar a desencorajar esse tipo de desculpas toda vez que isso acontecer com a gente?