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2 em Autoconhecimento no dia 24.01.2018

Todo mundo tem vulnerabilidades que você nem imagina

Nem tudo que parece é. Nesse processo sobre idealização da vida do outro acabamos achando que as pessoas mais incríveis que conhecemos não se frustram, não soltam pum, não brigam com o namorado e tampouco tem problemas sérios.

É um processo que idealiza o outro e que muitas vezes nos leva a nos depreciar. Quase sempre a vida do outro não é exatamente como imaginamos e muitas vezes a nossa realidade é melhor do que somos educados a enxergar. O tal olhar amoroso se aplica a tudo.

Quem aqui já considerou que hipóteses inicialmente absurdas são as verdades que na internet não vemos? Pois bem, pode acreditar… O que não falta é verdade que você diria que é mentira numa prova do líder do BIG BROTHER BRASIL.

Já passou pela sua cabeça que aquela menina de meio milhão de seguidores que você considerava musa fitness pode estar sofrendo em um processo de compulsão alimentar? Já te ocorreu que um daqueles casais que você ama seguir pode estar na maior crise ? Algum dia você considerou que aquela menina incrível que você adora não fala com a própria família por ter uma relação difícil com ela? E a outra que tem a família perfeita, na verdade não convive com o pai? Aquela que se separou teve uma dor que você não conhece! A outra estava com um cara que abusava emocionalmente dela. Sem falar na que parece ter a vida perfeita, mas sofre para sair de casa com síndrome do pânico.

Essas pessoas não são mentirosas, elas podem escolher não dividir alguns aspectos de suas vidas conosco. A gente tende a querer que elas venham abrir suas vulnerabilidades para que nos sintamos mais próximas, mas nem todo mundo tem isso elaborado a ponto de conseguir falar sobre suas questões ou fragilidades. Talvez o problema não esteja apenas nos posts que só falam da parte boa da vida, talvez parte do problema esteja na nossa mania de idealizar a vida do outro.

Por mais que eu ame cada vez mais esse processo de desconstrução que nos permite desromantizar as coisas e nos apoiar nos problemas que todas enfrentávamos em silêncio, também gosto da ideia de assumirmos responsabilidade pela parte da coisa que inventamos, pelo que criamos e idealizamos baseado nas nossas próprias expectativas sobre o outro.

Precisamos nos dar conta que todas as pessoas do MUNDO têm problemas. Algumas lidam com eles de uma forma pior, sofrem mais, outras lidam de uma forma genuinamente inspiradora, mas até essas terão fases complicadas a ponto de questionar tudo. Precisamos cantar um mantra: não existe vida perfeita, todo mundo tem suas insatisfações, frustrações e questões pra trabalhar.

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Você que me vê viajando de avião todo mês, várias vezes não imagina o quanto voar não foi tão fácil no ano de 2017. Contando por alto eu fiz quase 40 voos e foram poucos que de fato fiquei confortável. Alguns foram uma luta que eu venci rezando, em outros precisei revisitar meus argumentos racionais 50 vezes e também teve os que eu tirei de letra por estar descansada, com a cabeça mais leve e boa naquele dia. Em algum momento o sofrimento estava pesando a ponto de eu recorrer a um médico para ter uma medicação SOS por perto. Precisei poucas vezes, até porque no meu caso a medicação não é cura, é só uma ferramenta para baixar a ansiedade e afastar os pensamentos negativos. O que eu preciso fazer é dedicar um tempo da minha terapia pra isso, coisa que ainda não consegui fazer. Fui a cada dia vencendo mais com minha fé, confiança, tentativa tantas vezes frustrada de entrega e as vezes com ajuda. Foi incrível cruzar o Brasil de cabo a rabo, mas não foi tão fácil quanto pareceu.

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Existe um padrão de comportamento que eu preciso trabalhar e entendo que, no meu caso específico, remédio é curativo, não solução. O que resolve é elaborar com ajuda profissional quais são as verdadeiras causas que me angustiam, seja a falta de controle na situação ou o vício de alimentar pensamentos negativos em assuntos que me geram medo e ansiedade. E quem me vê de fora viajando o mundo jamais saberia que tem fases em que isso não é simples. Minha mão sua, minhas orações se intensificam e o medo não me limita porque meu caso não é tão complicado, mas esse é apenas um dos meus pontos de fraqueza e está tudo bem.

O ponto aqui não é exatamente como são minhas fases complicadas com essa questão. O que importa é lembrarmos que existem dificuldades, obstáculos e lutas na vida de cada pessoa que você conhece e você nem imagina. A gente não conhece nem as dores e nem as mais verdadeiras alegrias do outro, então precisamos trazer isso para consciência no momento de idealização. Eles dizem sobre nós, não sobre o outro. 

Todos temos vulnerabilidades pessoais, que não dizem respeito às outras pessoas e podemos usa-las como ferramenta para o autoconhecimento, principalmente quando podemos elaborar com algum profissional. Esse exemplo é apenas uma das questões que eu tenho, passo, penso e não costumo contar. Existem fatos da minha história muito difíceis que não cabem nas redes sociais e está tudo bem. Minha vida não é o mar de rosas que imaginam, mas sou grata por tudo que tem nela, pois na alegria e na dor eu aprendo. Sinto que estou aqui para aprender e no meu tempo amadurecer. Como todo mundo, tenho vulnerabilidades e elas tornam meu processo único.

Precisamos aceitar que nenhuma vida é perfeita. Aos poucos deixamos de idealizar o outro. Quem tem dinheiro também tem problema, quem atende a todos os requisitos do padrão de beleza também pode ter problemas de aparência, quem tem fama nem sempre está feliz com isso o tempo todo e aos poucos nos damos conta que a vida é pra ser vivida igual.

Todo mundo tem suas dores, suas delícias e a forma como decidimos olhar pra essas doses de coisas boas e ruins é que vai resultar na frequência que emanamos com o nosso coração. Então cabe a nós escolhermos onde vamos sintonizar.

2 em Autoconhecimento/ Deu o Que Falar no dia 10.01.2018

Que eu envelheça e nunca estagne

Um dos argumentos que eu mais ouço quando converso de assuntos polêmicos com gente mais velha é “ah, você vai ver como a sua opinião vai mudar”, com todo aquele jeito que diz sem dizer de forma conspiratória “e você vai pensar igual a mim”.

Sei que eu sou nova, tenho muita estrada pela frente e que, assim como mudei de opinião e até mesmo de discurso desde que comecei minha vida adulta até agora, pode ser que daqui a uns 10 anos eu olhe para quem eu sou hoje e pense como eu era boba e tinha ideias equivocadas.

Mas morro de medo de virar uma dessas senhoras como uma colunista que está dando o que falar hoje, que toda vez que leio algo dela tenho a impressão que ela acha que a idade é o escudo perfeito para justificar sua falta de vontade de acompanhar discussões atuais.

ilustra: yasmin gateau

ilustra: yasmin gateau

Veja bem, não sou uma pessoa que quer que todo mundo concorde com o que eu penso, tampouco me descabelo (salvo algumas exceções) quando vejo alguém com opiniões que eu discordo veementemente. Se eu acho que a pessoa está aberta a ouvir meu lado sem considerar um ataque pessoal, eu entro na conversa. Senão, mudo de assunto, me afasto, deixo pra lá. Gastar energia para tentar conversar com alguém que só quer debater se a sua opinião for a certa no final? Não, obrigada.

Também não acho que todo mundo tem que ser desconstruídão, apesar de achar que desconstruir atitudes e pensamentos que antes não eram problematizados é importante. É muito fácil dizer que “o mundo tá chato”, “no meu tempo não tinha isso” do que tentar entender o motivo de todas essas conversas estarem acontecendo.

Só não sei se concordo com quem usa a idade como justificativa para permanecer com pensamentos arcaicos. Geralmente quando isso acontece, percebo um tom de arrogância, como se idade e sabedoria estivessem interligados. “Eu sou mais velha, eu sei mais do  que você”. Eu concordo e discordo dessa frase, porque me pego pensando que praticar a empatia e reconhecer que a opinião pode ser mudada a medida que o mundo evolui e mais informações vão chegando me parece ser um exercício diário, sem idade definida e sem data para expirar.

Recentemente eu tenho parado muito para refletir na questão da idade e do envelhecer, e percebi que as biografias e documentários que mais me inspiram são aquelas de pessoas que souberam evoluir, que tiveram a humildade de entender o outro lado e reavaliar seu posicionamento, eventualmente admitindo seus equívocos. É assim que a gente cresce, e nunca é tarde para crescer mais um pouquinho.

Quero sim, chegar aos 70 com a cabeça de 30, mas Deus me livre permanecer 40 anos com as mesmas opiniões! Cabeça de 30 para mim é ter interesse, vontade de aprender, buscar conhecimento, aprender a ser cada vez mais flexível, reconhecer privilégios, praticar empatia (de verdade, não aquela que só tá no textão da internet). Acho que só gostaria de chegar aos 70 menos ansiosa, afinal, essa característica minha não é boa em nenhuma idade.

Sei que sou nova, e por causa disso eu realmente queria saber das mulheres mais velhas que leem o Futi o que elas acham sobre esse assunto. Mas só sei que eu espero que daqui a alguns anos eu olhe pra trás e veja que eu até poderia ser boba, mas pelo menos eu não permaneci no mesmo lugar.

1 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque no dia 05.01.2018

Em 2018 não se compare tanto!

Fiquei muito na dúvida de como chamaria esse texto, queria que fosse: Nem tudo é o que parece (e está tudo bem)! Independente do título, esse texto fala daquela sensação ruim de inveja que as pessoas sentem ao se comparar com outras pessoas, sejam amigos, vizinhos ou quem seguimos na rede social. Quase sempre essa comparação é uma estratégia não consciente (e falha) de se interessar mais pelo que é do outro do que com o que é nosso. 

Nessa hora pode parecer que nossas férias em uma pousada que não é à beira da praia são menos perfeitas, nosso corpo fora do padrão musa fitness não é o mais adequado e nossa família cheia de problemas, menos harmoniosa. Só que não é bem assim.

ilustra: Agathe Sorlet

ilustra: Agathe Sorlet

A grama do vizinho parece sempre mais verde, mas porque não sabemos das dores, lutas e dificuldades daquela pessoa, daquela família. Todo mundo que está vivo tem questões para vencer, uns mais do que outros, mas saúde, dificuldade no relacionamento familiar, problemas no relacionamento, questões com a imagem e outras coisas atingem a todas as pessoas. Independente da conta bancária.

O que faz algumas dessas pessoas terem uma vida genuinamente bacana (não perfeita) é a forma como a pessoa leva as coisas, não a cor do cartão de crédito ou um abdômen definido como pode parecer.

Quando alimentamos padrões idealizados de perfeição e começamos a nos diminuir focando nossa energia no externo passamos a criar ilusões que não ajudam com que olhemos pra nossa vida com amor. No fim, nós ou a musa do seu instagram, queremos a mesma coisa: amar e ser amada, ser acolhidas por quem amamos como somos e ser feliz com as pessoas que amamos. Todo mundo encontra os amigos, ri, paquera e leva a vida comum. Existem coisas maravilhosas naquelas pessoas que você nunca vai saber e existem coisas ruins, que elas também têm todo direito de guardar.

Parece que sem perceber, estamos tentando alcançar uma felicidade idealizada proveniente da vida da outra pessoa, que apenas parece mais perfeita do que a nossa.

Claro que não estou falando isso para nos tornarmos conformistas, muito pelo contrário. Já falei sobre isso algumas vezes, mas volto a repetir: quanto mais eu olho pra minhas qualidades e meus defeitos, mais me conheço e mais fácil fica achar o que realmente me faz feliz, independente de comparações.

Muitas vezes é mais fácil diminuir a outra pessoa porque ela está caminhando pra frente e nós estamos aqui,  parados. Não que a pessoa não possa ser equivocada, mas nossa energia precisa estar focada no que pode nos levar pra onde queremos ir e não na trajetória do outro.

Entenderam o motivo de eu ter dito que essa estratégia de comparação é falha? Se focamos naquilo que sonhamos pra nossa vida, sem tentar atender obrigatoriamente a um padrão do outro, passamos a conquistar mais no trabalho, na família, no amor, na saúde e até no corpo. Se o parâmetros somos nós e a versão da gente que mais gostamos, o fardo fica menos pesado.

Espero que em 2018 a gente se compare menos. Foque mais nos nossos sonhos, nosso trabalho, nosso corpo, nossa alma, nossa menta, nossa família e nosso amor. Perfeito não existe, até a pessoa que você considera perfeita, considera outra pessoa perfeita que não ela. Então que isso nos traga senso crítico para reavaliar o que tomamos como verdade.

Na dúvida, vamos olhar outras pessoas para nos inspirar, nos trazer novas referências de moda, viagens ou trabalhos, mas que isso não dite um padrão impossível de atingir, satisfazer e manter pra nossa vida. Que a gente cuide do nosso jardim para que ele seja o melhor que ele pode ser, não para que ele seja igual a todos os outros do condomínio.