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0 em Autoconhecimento no dia 09.10.2018

Celular assim que acordar? Parei. E vou contar o que eu aprendi com isso

Como é a rotina de vocês antes de acordar? Provavelmente igual a minha: abre o olho, pega no celular e quando vê, faz tudo voando. Eu não sei vocês mas se tem algo que acaba com o meu humor é justamente isso, ter que fazer tudo correndo porque perdeu tempo. Começar o dia fazendo as coisas no piloto automático sempre me dá uma sensação ruim, de correria, de que nada está sendo feito da maneira que deveria e isso me frustra muito. Então, comecei a tentar me planejar melhor e calculei quanto tempo preciso pra fazer todas as coisas necessárias antes de sair de casa – e sem me tirar horas de sono.

Tinha tudo para dar certo, eu consegui acordar todos os dias no horário proposto, porém, em algum momento – ok, muitas vezes – a primeira coisa que eu fazia no dia envolvia pegar o celular. Seja com a desculpa de ler as notícia do dia ou responder mensagens, acabei descobrindo que pegar o celular era o que mais atrapalhava minha manhãs em esferas que iam além do tempo. 

Me propus, a princípio por um mês, a só pegar no telefone quando fosse a hora de sair de casa. E isso teve efeitos muito positivos em diversas áreas da minha vida: vou dividir com vocês.

foto: Ella Jardim

foto: Ella Jardim

Sem celular, tive tempo para fazer as coisas

Não é à toa que o tempo é o ativo mais valioso na vida das pessoas. Sem pegar no celular, tive tempo para fazer todas as coisas que eu gostaria na manhã, sem pressa. Pude preparar meu café da manhã sem ir na opção mais prática e óbvia, escolhi melhor minhas roupas, tive tempo até mesmo de passar delineador sem pressa! Esses momentos comigo mesma fizeram meu dia melhorar consideravelmente.

Não começo o dia me julgando

Se vou em algum portal de notícias, ou até mesmo no Instagram, sei que em algum momento, acabo correndo o risco de me comparar. Por mais que eu esteja atenta a essa movimentação e por mais que eu considere essa questão controlada na minha vida, por mais que eu saiba a roubada que é se comparar. Sem olhar nada, não me sinto menos na moda ou menos produzida, ou menos o que quer que seja. Me sinto sendo eu mesma, conectada comigo, vivendo o que gostaria de fazer e não o que estão me sugerindo fazer.

Posso incluir uma atividade no meu dia

Yoga, pilates, uma caminhada na beira da praia ou até ler um capítulo de um livro. Todas essas coisas me fazem sentir bem, melhoram a minha saúde e a minha qualidade de vida. Agora tenho tempo pra elas, justamente porque não estou mais olhando meu celular por uma parte do meu dia. Em dias que trabalho até mais tarde, uso esse tempo para dormir mais um pouco também, acho justo e importante para o meu dia seguinte. São 20 ou 30 minutos que passavam muito rápido enquanto eu estava ali, apenas subindo a tela do celular deitada na cama.

Desacelerei (no bom sentido)

Minha rotina é corrida (se a de alguém aqui não for, meus parabéns!), e celular já dá pra gente um senso de urgência. É mensagem pra responder, grupo pra se atualizar, email do trabalho que a gente não resiste e dá uma olhada e quando vê tá respondendo e…correndo. Gera uma ansiedade dentro da gente que muitas vezes a gente nem sabe de onde está vindo. Sem mexer no telefone pela manhã, descobri que nada é tão urgente que não possa esperar um pouco, que vou conseguir responder todo mundo na maioria dos dias, que as tarefas não vão se acumular se eu não começar a resolvê-las naquela hora. E isso me deixou menos ansiosa, mais concentrada e mais tranquila de saber que é possível realizar tudo sem correr tanto.

Já pensou em fazer esse teste? Experimenta e depois me conta!

0 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 08.10.2018

Você sabe o que é autocuidado? Você pratica atos de autocuidado?

A gente não pode negar que existem, sim, os conceitos que entram “na moda”. Aqueles que caem nos braços da mídia e, logo em seguida, estão na boca do povo. E é inegável que estamos vivendo uma fase onde autoestima, body positivity, amor próprio estão em alta. E, recentemente, uma palavra que tenho ouvido muito é autocuidado, que é mesmo fundamental para quem busca um olhar mais amoroso sobre si.

Como entendo o autocuidado? Basicamente o ato de cuidar de você física e mentalmente. É uma maneira de garantir que você esteja tendo o tempo necessário para se sentir em paz na sua própria companhia e com suas escolhas, independente da opinião alheia. Autocuidado está diretamente ligado à ter consciência que você precisa fazer escolhas e viver em paz com elas se quiser crescer ou se desenvolver de alguma forma. O autocuidado é importante para que possamos ter um relacionamento saudável com nós mesmas.

foto: rawpixel

foto: rawpixel

Não existe uma fórmula ou regras quando falamos sobre nos sentirmos bem. Nem todo mundo se sente calmo depois de uma massagem, assim como nem todo mundo se sente confiante fazendo as mesmas coisas. O que é importante sobre o autocuidado é que você gaste tempo descobrindo o que é que te faz feliz ou faz o seu dia um pouco melhor. Não é uma cura para a depressão ou a ansiedade, mas é algo que você pode acrescentar à sua rotina para reduzir o estresse e desacelerar sua vida. Pode ser uma atividade simples que você inclui na sua rotina – como tirar 10 minutos para ler antes de dormir em vez de ficar ao celular, parar no meio do caminho de volta para casa para apreciar uma vista bonita – até mesmo mesmo um toque especial em alguma atividade que já existe no seu dia, como usar um sabonete especial e cheiroso ao tomar banho.

Porém, apesar de ser lindo na teoria, vamos falar sério aqui: não tem como você ter tempo para se cuidar todos os dias. Pelo menos não de todas as formas que você gostaria. O importante, porém, é que você se esforce para incorporar essas coisas na sua rotina, mas sem se cobrar, senão vira mais uma pressão para administrarmos, e não acho que é isso que precisamos, né? Não é sempre que eu consigo fazer todos os meus rituais de autocuidado preferidos, mas hoje eu sei o que é inegociável naqueles dias mais complicados.

Adicionar autocuidado aos meus dias fez com meus níveis de estresse diários diminuíssem bastante, além de ter permitido momentos de maior conexão comigo mesma. Mas para mim, talvez o maior aprendizado que eu tenha tido com esse exercício é entender que autocuidado não é sinônimo de autorecompensa; é sobre passar tempo com você mesmo e amar cada minuto disso. Espero que essa palavra não saia de moda nunca mais – e se sair, vou ser dessas que vai continuar usando.

4 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 04.10.2018

Você não é especial. Mas você também não falhou.

Estava vendo umas fotos antigas e lembrei que eu achava que era fashionista até uns anos atrás. Aí o tempo passou e eu descobri que eu sou mais “básica” porque não tenho nem dinheiro e nem coragem de pagar por essas coisas que depois vão matar a gente de vergonha tipo sneaker com salto.
E eu acho muito massa quando mais gente diz que não investe nessas coisas passageiras tipo “dad sneaker” (kkk) porque não tem grana ou prioridade em gastar com supérfluos ainda mais supérfluos mesmo gostando de um supérfulo (sacou?). Até porque é muito legal entender que por trás dessa vida maquiada de Instagram, ainda existem pessoas que ralam muito muito muito pra pagar os boletos antes de pensar em comprar qualquer roupa ou sapato – e o melhor, não têm vergonha disso.
Cadê as manas que curtem moda, se acham estilosas e não conseguem mais ceder a esses “desejos” fashionistas? Que até queriam, mas simplesmente não conseguem.
Esses dias na terapia comentei sobre uma crise que tive esse ano, quando a minha vida deu um 180° muito maluco e eu me vi completamente distante do que eu tinha imaginado pra mim aos 20 e muitos anos. Na sessão, depois de muito pensar e digerir muita coisa, cheguei a 2 conclusões que salvaram meu emocional:

1. A vida não mantém um placar.

Não importa o quanto a gente se esforce, trabalhe… Tudo está bem, até que não está mais, e é desse ciclo que a vida se alimenta. Acontece com pessoas, com dinheiro, trabalho e, na real, com tudo. A diferença é o que a gente faz com o que nos é apresentado;

2. Você não é especial, mas vc também não falhou.

Em Hebraico existe uma expressão (em transliteração e tradução livre) chamada “Chaim be seret”, ou “vida de filme”, que a gente usa pra caracterizar pessoas que acham que estão sempre vivendo em uma película mágica, seja pela personalidade excêntrica e/ou pela ingenuidade e desconexão com a realidade com que levam a vida. E o que eu sinto quando vejo todo mundo tendo tudo e querendo tudo e valorizando mil “tendências must have”, é que o Instagram deixou todo mundo rico e despreocupado. Mas bastam 5 minutinhos conversando com qualquer amiguinho de 25+ anos que tem que batalhar pra pagar as contas, pra entender que tá todo mundo em dívida consigo mesmo, seja financeira ou emocionalmente. E não, não tô achando que tá tudo bem porque nivelei a juventude atual por baixo e vi que não estou na pior das piores, mas porque entendi que a chave da felicidade mora no “tá tudo bem não ter”, “tá tudo bem não ser”. No fim, se a gente tem saúde, comida e um teto… Tá tudo bem no geral. Clichê, mas o resto a gente corre atrás mesmo.

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Eu fui crescendo em uma geração que acha que merece as coisas, que valoriza exageraamente a imagem – e não me excluo dessa, vai lá no meu Instagram pra ver que eu também flerto com a vida de filme – e que parece que perdeu um certo controle financeiro e emocional das suas vidas, que só pensa e mede tudo em posses e poses. Mas é que a gente escuta coisas como “trabalhe com o que ama e nunca mais terá que trabalhar um dia na sua vida”, ou cresce com esse mito de que empreender e criar startup é a saída para a vida moderna. Até os “sabáticos” que a minha geração tira têm que parecer muito irados e exóticos. Sei lá, vai que “se descobrir” não envolve uma viagem pra Tailândia? Vai que “se descobrir” envolve você trabalhar com uma coisa que nem fede nem cheira só pra pagar as contas enquanto você reflete, pensa e muda de dentro pra fora?
A gente tende a querer ser o nosso trabalho, e os títulos de hoje são bem mais irados que os dos nossos pais: “creative hero”, “customer success genius”  ou coisas do tipo que eu achei em apenas dois minutos de scroll mas vagas do LinkedIn. Nem todo trabalho salva vidas, mas que legal seria se a gente entendesse que dá pra fazer muito mais pelos outros quando ninguém está vendo ou quando as pessoas não ficam maravilhadas pelo seu título profissional. Que legal seria se a gente não tivesse que mostrar ser bem sucedidx e cool, e só buscasse fazer coisas iradas e transformadoras porque elas são iradas e transformadoras. Sei lá, somos filhos do capitalismo, mas isso significa que temos que ser, além de seus prisioneiros, seus capatazes?
Esses dias vi um vídeo com um catador de lixo explicando de forma muito simples pra comunidade que tipo de plástico não valia a pena consumir por ser muito difícil de reciclar, e qual era a melhor forma de fazer a reciclagem em casa. Com erros de português, com a roupa toda suja e claramente encabulado por estar sendo filmado, aquele cara me ensinou MUITO. Sem títulos, sem edição, sem imagem cool. E provavelmente eu jamais teria valorizado o tanto que ele sabe se cruzasse com ele na rua… Mas o moleque de 22 anos que estuda na PUC e fez a monografia sobre isso mas nunca teve que carregar um fardo de lixo nas costas a gente respeita. Eu sei que existe uma diferença aí, mas será que o gap no respeito também tem que ser tão grande?
Tem muita gente se sentindo mal. Tem muita gente perdida. Tem muita gente na luta. Mas tem muita gente se sentindo menos do que os outros fingem ser. Não vamos camuflar ou pintar de cor de rosa a luta diária da gente. Não precisa sair compartilhando print do e-mail do SPC Serasa, mas vamos falar e mostrar mais das nossas vidas reais. Vamos ser menos deslumbrados e mais sinceros. Vamos dividir a carga pra encarar as dificuldades e alegrias juntos. Vamos aceitar que muitos temos privilégios enquanto outros seguem com pouco ou quase nada e que NÃO existe meritocracia sem igualdade. Vamos começar olhando pra dentro e pro lado sem tantas distrações materiais.
Vamos?
É, eu já achei que fosse fashionista, mas hoje prefiro e preciso ser gente comum.