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9 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Convidadas no dia 24.10.2017

Outubro Rosa: Debs Aquino

Eu comecei com blog quando engravidei da minha filha. Minha ideia era fazer um diário para que ela lesse quando crescesse. Só que eu fui uma grávida muito ativa, corria, fazia exercícios e falava muito sobre isso, então, na época muitos programas me entrevistaram e eu passei a ganhar leitoras interessadas no que eu estava falando. Foi aí que começou o Blog da Debs, um blog mais focado na minha rotina grávida e de como eu me exercitava. O problema é que em paralelo a isso, eu tinha uma questão muito séria com meu corpo, uma neura mesmo. Tanto que quando engravidei, eu fiquei em pânico de engordar.

Engordei 8 quilos na gravidez, perdi 5 logo no parto e pensei que seria muito fácil perder os 3 quilos restantes, pensei que eu ficaria ainda mais magra do que antes de engravidar. Só que eu engordei 16 quilos enquanto estava amamentando. Para me incentivar, acabei estabelecendo uma meta de conseguir emagrecer esses 16 quilos para participar da maratona de Chicago. Enquanto isso, uma amiga me incentivou a falar sobre o assunto no instagram. Era o início da era da galera fitness, que eu lembre só tinha Gabriela Pugliesi – que ainda não tinha nem 10 mil seguidores – e Carol Buffara.

Eu pensei em usar o instagram como uma forma de automotivação, um jeito de eu me comprometer com outras pessoas e não furar minha rotina de exercícios. Eu comecei a ganhar cada vez mais seguidores por causa das minhas postagens. Agora eu vejo que era um discurso muito neurótico com meu corpo e meu insta era bem focado no visual. Hoje eu converso com muita gente que tem problemas seríssimos de autoestima por excesso de comparação com o outro, e a comparação não é com a amiga, com a vizinha, é com o povo das redes sociais. Isso foi uma coisa que eu redimensionei completamente na minha vida, já que eu era o tal extremo que as pessoas queriam se comparar.

E aí veio a notícia.

O primeiro pensamento que apareceu na minha cabeça quando meu médico me ligou  não foi sobre meu cabelo ou sobre meu peito, foi: “se eu morresse hoje, o que eu ia deixar para a Duda? Como ela ia se lembrar de mim?”. E esse pensamento ficou constante na minha cabeça e foi minha maior insegurança.

Eu me achava o máximo não só por causa do meu corpo que eu cultuava, mas também porque eu corria bem, corria rápido e achava que ela super se orgulharia de todas as medalhas que a mãe tinha penduradas, mesmo que fossem medalhas amadoras, já que eu sempre corri por prazer, não por competição. Hoje vejo que naquela época, eu não deixaria nada pra ela a não ser algo muito relacionado à corpo e medalhas. 

Depois as outras fichas foram caindo, como por exemplo, o peito. Como eu, com 37 anos, vou ficar sem peito? Eu sempre tive pouco e quando eu finalmente realizei o sonho de colocar silicone, eu entrei em um caso de amor com eles. Foi uma época que eu só usava decotes e blusas que valorizassem. Quando eu penso no que aconteceu e no tipo de cancer que eu tive, vejo como ele foi relacionado à vaidade e isso foi um dos maiores aprendizados que eu tive.

Eu passei por 7 cirurgiões, olhava as fotos de reconstruções e não conseguia achar nada bom. Logo eu, que botei o silicone de uma forma que tivesse o mínimo de cicatrizes possível, me vi diante de fotos em que cicatrizes eram obrigatórias. Na época não conseguia achar “que bom, pelo menos estou viva”. Fiquei brava, insatisfeita, chateada. Meu peito não ficou igual ao que era antes, até porque não é uma cirurgia de redução. É preciso tirar glândula, tecido mamário, o nódulo, e para reconstruir isso, o peito fica com aquele aspecto duro e artifical que a maioria tenta evitar quando faz uma cirurgia estética. Ele também voltou para o mesmo tamanho que eu tinha antes de botar silicone, ou seja, o tamanho que eu me sentia insatisfeita. Não foi de uma hora pra outra que eu aceitei, hoje encaro como uma das muitas lições.

Quando aos meus cabelos, eles eram enormes e eu gastava os tubos com eles, luzes, cremes, tudo. Só que, por incrível que pareça, minha primeira reação ao saber que precisaria fazer quimio foi querer raspar tudo logo de uma vez. Fui aconselhada a não fazer isso de uma vez só para não assustar a minha filha, por isso comecei reduzindo o comprimento e cortei bem curto.

Quando o cabelo começou a cair, ela acabou vendo os fios no chão e resolvi raspar de uma vez só. Minha desculpa para ela foi que era janeiro, estava calor e eu queria raspar. Ela achou estranho mas depois que mostrei algumas fotos de mulheres carecas, ela começou a curtir a ideia. Foi um momento super difícil porque eu queria passar por ele como um furacão e acabei sendo muito forte. Por isso eu não vivi o luto dessa perda, só me permiti sentir a tristeza pelo meu cabelo uns 2 anos depois, quando ele estava nascendo diferente do que ele era antes.

A quimio não faz com que você perca apenas os cabelos e sim todos os pelos do corpo, inclusive sobrancelhas e cílios. Isso me impactou mais do que outra coisa porque quando estava sem nenhum pelo no rosto eu realmente me vi doente. Foi o momento que eu chorei efetivamente durante o tratamento.

E teve também a parte do corticoide, que é quando a gente fica inchada a ponto de não se reconhecer. Ele esteve presente em 12 das 16 sessões de quimio que eu fiz e foi o que me fez repensar minha vaidade. Inchada, sem cabelos, sobrancelhas e cílios e sem poder tomar sol.

Durante a doença, a minha terapeuta me passou um exercício que eu fiz durante uns 4 meses. Ela pediu para que no fim do dia, eu tirasse o lenço e a maquiagem, olhasse o meu reflexo e perguntasse quem era eu. E eu não tinha ideia. Todo dia eu fazia esse ritual e ficava angustiada porque não conseguia responder essa pergunta. O momento que eu comecei a mudar a forma que eu me enxergava foi quando eu comecei a respondê-las. Eu tenho saudades de quem eu era antes da doença, do corpo que eu tinha, mas hoje eu me enxergo um monte de qualidade que eu tenho por dentro que eu não via antes porque eu era vazia.

Foi um período que eu tive que trabalhar muito a minha vaidade e aprender a me aceitar como eu estava naquele momento na minha vida. A gente nunca vai ser a mesma coisa sempre, nós envelhecemos, nós mudamos, nosso corpo muda, se não nos aceitarmos, ficaremos sempre insatisfeitas.

Mas nada supera os aprendizados. Para começar, o conceito de saúde mudou muito. Hoje vejo que ser saudável é um reflexo do bem estar físico, emocional e espiritual. Antes eu não parava para olhar e agradecer o que eu tinha, o que me fazia feliz. E hoje eu não consigo mais pensar em saúde sem ter tempo para mim, para meditar, para dormir direito. Hoje eu não consigo ver equilíbrio na saúde se um desses 3 pilares estiverem ruins.

Também repensei a minha humildade. A gente quer ser a mulher maravilha, que dá conta de tudo e quer levar tudo nas costas, mas a verdade é que não dá para sustentar isso sempre. Não é só você saber pedir, é saber receber também. Sempre tive essa tendência de ser mulher maravilha e descobri que não conseguia.

Outra grande lição, a maior talvez, é aprender a se aceitar independente das mudanças. Hoje eu voltei a correr maratonas, estou satisfeita com meu corpo, mas o mais importante é que aprendi a gostar de mim exatamente do jeito que eu sou, em cada fase da minha vida. Foi preciso muita cacetada e muita chinelada para eu entender que que a gente precisa se aceitar como estamos, senão ficamos loucos.

Seguir padrão imposto de internet, de televisão ou de revistas faz com que a gente caia nessa armadilha de não saber como lidar com nós mesmas caso algo nos aconteça. E aí, o que fazemos?

Hoje eu vivo de uma forma que todo final do dia eu me pergunto: “o que eu deixei de bom para a minha filha hoje? O que eu deixei de consistente, de coerente, de concreto na vida dela? Que exemplos práticos ela pode usar para que seja uma menina diferente de mim antes de ter cancer?” Resolvi preencher as lacunas que estavam faltando na cabeça da Duda, antes que outra pessoa o faça. Filhos moldam-se nos exemplos dos pais, isso está cada vez mais claro para mim. Então, que eu possa fazer o meu melhor, para ser o melhor exemplo que ela possa ter.

7 em Autoconhecimento/ Destaque/ maternidade no dia 16.10.2017

“Eu não sei lidar com crianças, como serei mãe?”

Esse é o tipo de questionamento que eu já ouvia muito antes de pensar em ter filhos. Quando chegava uma hora onde a conversa da roda tomava rumos sobre filhos e maternidade, se não era outra mulher fazendo essa pergunta, provavelmente era eu que fazia.

Sempre tive medo de pegar recém nascidos, nunca soube o que fazer quando uma criança começava a chorar, não sou boa de inventar brincadeiras, muito menos histórias, nunca sei o que falar para as mais velhas, de 5 anos pra cima, por exemplo. E o que mudou nessa habilidade depois que eu tive filho?

só para vocês entenderem, eu levo tanto jeito com crianças que eu só tenho essa foto, quando o Arthur estava com um pouco mais de 1 ano…

De coisa boa, eu diria que perdi o medo de que poderia deixar meu filho cair, ou não entender por quê ele tava chorando. Entendam bem, eu não perdi o medo de deixar crianças caírem, eu só perdi o medo com ele. E quanto ao choro, eu não virei uma especialista em tipos de prantos, só desvendava o quê era o quê por causa da rotina e por causa da tentativa e erro. Aprendi umas brincadeiras e umas musiquinhas, hoje tenho algum repertório porque sei cantar praticamente todas as músicas infantis (e não é porque eu decorei para ser mãe, é porque eu acabei absorvendo de tanto ouvir), sei o que é Patrulha Canina, Homem Aranha, Masha e o Urso e Princesa Sofia, mas minha conversa não passa de “você gosta de Patrulha Canina? Qual seu personagem preferido? Poxa, ele é um cachorro, que legal, né” Depois disso, grilos.

Aprendi que a partir de 1 ano e meio a maioria das crianças que eu convivo não têm paciência pra tatibitati e adoram quando a gente fala com elas sem aquela vozinha infantil. Tirando isso? Continuo a mesma pessoa sem jeito.

…e essa, que eu tava rindo, mas era de nervoso.

Mês passado fui pegar o bebê de 2 meses de uma amiga e não sabia mais como pegar sem que eu ficasse toda travada e em posições estranhas e incômodas só para não deixar o bebê desconfortável. Quando ele começou a chorar, confesso que bateu o mesmo desespero que eu sentia quando nem pensava em ter um filho. Poxa, eu sabia que a gente ia esquecendo as fases de bebê, mas não tinha ideia que seria tão rápido!

Fim de semana passado fui na festa do filho do meu primo e tinha uma área para as crianças brincarem. Arthur cismou com uma menina muito fofa, e toda hora ele ia para onde ela estava só para dar um abraço. Como ele não podia ficar sozinho lá, fui atrás, e quando me vi estava iniciando uma conversa com uma menina de 6 anos porque ela estava sendo um amor com ele. A conversa foi mais ou menos assim, sendo que ela puxou assunto (porque eu, naturalmente, nem sabia por onde começar):

– “Quantos anos ele tem?
– 1 ano e 9 meses.
– Eu tenho um irmão de 2 meses, eu adoro crianças.
– To vendo, você leva jeito! Qual seu nome?
– Giulia.
– E quantos anos você tem?
– 6.
– Ahh, que legal.” – mais grilos.

Ou seja, deu para ver que Giulia tem muito mais destreza para puxar papo com estranhos no alto de seus 6 anos do que eu com 31, né? Eu tenho problemas em iniciar conversas com adultos desconhecidos, imagina se não teria com menores de idade.

Não é preciso ter vocação para recreadora de festa, professora de maternal ou apresentadora de programa infantil para ter um filho. Aliás, a maternidade seria muito mais fácil se a maior dificuldade fosse saber ou não lidar com crianças. 

A coisa legal é que conviver com crianças pode ser cansativo, mas deixa a vida bem mais leve. Muitas vezes para iniciar um papo vale brincar junto, de massinha, de colorir, de pula pula. Vale ser um pouco boba e deixar as vergonhas que vamos adquirindo depois de adultas de lado. Diria que é menos sobre “levar jeito” e mais sobre “se deixar levar”.

3 em Relacionamento no dia 09.10.2017

Sobre príncipes, reis e eu.

Outro dia me peguei pensando em como as minhas expectativas sobre um relacionamento eram megalomaníacas num passado não tão distante. Mas acho que desde que escrevi meu primeiro texto aqui, eu tenho sido menos exigente. Tenho sido mais aberta para pessoas com as quais eu antes não seria. Desde então acho que abri mão de algumas exigências bizarras na minha listinha imaginária do “cara perfeito”.

Bizarras porque preciso confessar que até cerca de 2015, eu tinha direitinho na minha cabeça o tipo de homem que eu queria que aparecesse na porta da minha casa com um buquê de flores. Alguém que parecesse o Jake Gyllenhaal seria perfeito, nota dez, tá de parabéns (fica aqui o elogio escancarado ao meu crush eterno – sim, eu amo o Leo Dicaprio, mas eu ficaria mesmo é com o Jake). Alguém tipo o Sam Claflin ou o Theo James não cairia nada mal também. Além disso, eu queria inúmeras qualidades. Minhas melhores amigas sabem que muitas vezes eu nem dava uma segunda chance para alguém porque os itens da minha listinha não estavam todos ticados.

E uma das melhores coisas que eu fiz na vida foi ver que todos os itens da lista não precisam estar ticados. Eu vi que eu podia conhecer gente muito legal e interessante sendo um pouco mais aberta, um pouco menos crítica, quem sabe até menos chata.

Eu vi que não preciso do príncipe encantado com todos os itens da minha longa lista (e talvez nem o queira mais). Eu descobri que quando é para ser, vai ser. Descobri que quando encaixa, encaixa por um motivo. Que amor é mais do que o que está em qualquer listinha de qualidades. Que amor é mais profundo que isso. E também mais complicado que isso.

Mais complicado porque eu talvez tenha deixado algo de lado – e agora vejo que não é o certo, independentemente do cara ser o próprio Jake Gyllenhaal: não precisa ser o príncipe encantado e dar check em todos os itens da lista, mas eu mereço alguém que me queira. Alguém que não tenha medo de fazer planos, de se jogar, de arriscar pelo nosso relacionamento.

Sempre pensei no rei da Inglaterra que abdicou do trono porque queria casar com uma americana divorciada. Em um antecessor dele que mudou a religião do país por amor a uma mulher. E não, não quero que ninguém abra mão de um sonho ou de algo como um reinado por mim. Eu só quero que alguém me coloque na luta do dia-a-dia junto. Alguém que lute comigo pelos meus sonhos e pelo meu reinado também. Alguém que esteja no mesmo barco, no mesmo degrau, lado a lado. Tem que ter equilíbrio. Tem que dar, tem que receber, tem que ter troca.

É vivendo – e caindo, infelizmente – que se aprende. Eu não tenho arrependimentos até agora. Eu acho que cresci muito como pessoa, como mulher nos últimos anos (e nos últimos meses, especialmente). Eu tenho mais certeza do que eu quero e do que eu não quero na pessoa que vai estar ao meu lado. E não baseada em uma listinha hipotética que eu fiz aleatoriamente pensando em astros Hollywoodianos, mas baseada na minha história, nos meus aprendizados e no que eu hoje vejo como realmente importante em um relacionamento a dois.