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3 em #futiindica/ Destaque no dia 27.12.2017

Melhores do ano: Perfis para seguir

Tanto eu quanto a Jô fizemos um movimento muito parecido nas nossas redes sociais esse ano: passamos a dar mais importância para perfis que realmente nos inspiram e excluímos outros tantos que não traziam nada de importante ou que têm um discurso muito diferente do que acreditamos.

Acredito que posso falar por ela quando afirmo que foi uma das melhores coisas que fizemos esse ano. Inúmeras matérias já foram publicadas e estudos foram feitos comprovando o quanto as redes sociais podem ser nocivas pois geram ansiedade e frustração. A coisa boa da rede social é que você pode tanto se blindar desse tipo de informação ao deixar de seguir, quanto começar a seguir outros perfis que te tragam sentimentos melhores, que te inspiram ou te possibilitam uma chance de se sentir representada.

Hoje estamos aqui, com mais um post de “melhores do ano”, para dividir alguns dos perfis que mais fizeram a diferença para a gente em 2017 – e muitas vezes nem precisou de feed perfeito e organizado ou de fotos maravilhosas (ainda bem).  :)

1 – Mariana Xavier (@marianaxavieroficial | Canal Mundo Gordelicia)

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Há um ano Mari lançou o Canal Mundo Gordelícia e foi mais ou menos ai que o conteúdo dela caiu no nosso colo, depois de uma foto de biquini que deu o que falar. Aos poucos ficou claro porque Mariana é uma atriz que merecia muita atenção, afinal, ela não era só boa atuando mas também produzindo conteúdo na internet com um propósito, uma causa e missão. Não foi à toa que ELA foi parar na dança dos famosos.

Ela é muito mais do que uma cota de representatividade, ela é uma mulher fora do padrão que comprova claramente que o estereótipo de que toda pessoa acima do peso é sedentária e não tem saúde é só mais uma crença enraizada. Ela mostra que se cuidar vai não significa obrigatoriamente fazer uma dieta radical ou restritiva. Ela divide suas aulas de dança, faz exercícios constantemente, cuida de seu corpo (mostra várias coisas que faz) e não vive em busca de metas de perda de peso. Ela fala de muitos assuntos que vão além de corpo, imagem ou saúde.

2 – Miriam Bottan (@mbottan)

O perfil da Míriam é daqueles onde cada post é um soco no estômago, dos bem fortes. Principalmente para quem já sofreu de transtornos alimentares como ela. Da bulimia à ortorexia, hoje Miriam prega a autoaceitação de forma equilibrada e consciente, com posts muito pertinentes e sempre com muita coerência. Ela mergulha nas suas feridas, costura seus aprendizados e mostra pra nós que às vezes até quem nunca teve nenhuma questão de imagem, corpo ou alimentação pode se sentir representada.

Sua arma? Seus textões somados à suas fotos super icônicas que mostram antes e depois do mesmo dia, variando postura/pose. Sua estratégia? Desvendar de uma forma nada superficial as crenças que nos foram ensinadas de que o corpo das mulheres precisa ser perfeito. Ela vai desmistificando isso com maestria.

3 – Ju Romano (@juromano)

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A gente gosta da Ju Romano não é de hoje. Quem acompanha nossos DQF’s nas segundas feiras, com certeza já viu a quantidade de vezes que linkamos posts que ela fez em seu blog. Ela sempre foi uma pessoa muito ponderada e com argumentos sólidos na discussão sobre gordofobia e mundo plus size. Já faz tempo que ela bate na tecla da representatividade e vê-la fazendo cada vez mais sucesso é lindo. É impressionante como o trabalho dela faz com que muitas mulheres criem coragem para se expressar através da moda, da beleza ou mesmo da fala. Parece que aquele incomodo que devia ser obrigatório para mulheres gordas perde um pouco mais de força a cada dia que Ju leva representatividade para as mulheres nas mais variadas situações ou campanhas publicitárias. Parece que muitas mulheres se permitem parar de odiar sua imagem ao ver a Ju ganhar o mundo.

Para nós a Ju é uma mulher engraçada, talentosa e alto astral que merece mais seguidores. Conhecê-la pessoalmente foi um dos presentes mais bacanas que 2017 pôde nos dar.

4 – Carol Rache (@carolrache)

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Se você abrir o stories e a vir falando de comida fit, não se engane, Carol não é isso. Ela não é mais um perfil focado no que a pessoa pode ou não comer, com modismos alimentares ou posts gordofóbicos. Carol fala de coaching, de yoga, mas é quando ela mergulha no autoconhecimento que vemos o quanto gosto seu conteúdo tem a ver com o que acreditamos no #paposobreautoestima. Ela fala de sombras, projeções, do que incomoda no outro quando na verdade é uma questão nossa. Outro dia ela escreveu um texto de relacionamento tão desconstruído, tão bom para pararmos de julgar os outros e encontrarmos a nossa formula, que mais uma vez a indicamos. Parece que ela bebe o mesmo tipo de água que a gente, mas de outra fonte, e isso é mágico. Tem muita coisa bacana de se acompanhar no stories dela.

5 – Djamila Ribeiro (@djamilaribeiro1)

Na edição de dezembro da @marieclairebr tem uma entrevista de 4 páginas comigo escrita por Maria Laura Neves. Eu me emocionei muito. Aqui tem um pouco da minha história, conto da perda dos meus pais no intervalo de um ano, de como foi difícil seguir sem eles, mas de como são presentes em mim. Falo de maternidade, da minha trajetória na Casa de Cultura da Mulher Negra, na Educafro e Unifesp. E, claro, da coleção incrível a qual tenho muito orgulho de organizar, “Feminismos plurais”, e do primeiro livro “O que é lugar de fala?” Na matéria, as queridas @taisdeverdade, @caiapitanga, @tainamuller e @ste_rib falam coisas lindas e cheias de afeto sobre mim. Muito obrigada! 😍😍

Uma publicação compartilhada por Djamila Ribeiro (@djamilaribeiro1) em

O perfil do instagram da Djamila não é de frases inspiradoras ou textões reflexivos, mas é ótimo para acompanhar o seu trabalho. Djamila é dessas que bota o dedo na ferida da questão racial,  toca em pontos que incomodam muita gente, e faz isso geralmente com um tom generoso e muitas vezes didático, facilitando a compreensão inclusive do povo que gosta de dizer que “o mundo está chato”. Recentemente nos vimos encantadas com essa entrevista que ela deu para a revista da Gol. Ficamos com a ideia de que precisamos saber sempre mais do trabalho dela. Quem não conhece, vale a pena conhecer, ler e acompanhar todos os conteúdos que ela produz, independente da mídia na qual ela publica.

6 – Lua Fonseca (@luabfonseca)

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Não lembro como cheguei nela, quem começou a seguir primeiro. Só sei que Lua é amiga de amigos em comum e em algum momento eu achei o seu perfil. Mãe de 4 filhos, ela fala muito sobre maternidade tanto em seu perfil quanto no seu blog, o No Drama Mom, mas também fala sobre vida, reflexões e como criar filhos livres. Acho engraçado que a minha experiência como mãe é tão diferente da dela em tantos aspectos, quase oposta em muitos momentos. Apesar dela ser o tipo de mãe que algumas vezes eu adoraria ser, o perfil dela não me traz ansiedade, não me faz comparar e achar que eu sou pior por não ser igual, o discurso dela é inclusive e carinhoso. E fico sempre impressionada como nós podemos aprender muito, mesmo com pessoas que vivem experiências tão diferentes das nossas. Acompanhar pessoas como ela flexibiliza nosso olhar.

7 – Fabiana Saba (@fabisaba | canal Todas Juntas)

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Conhecer a Fabiana foi outro presente bom de 2017, um daqueles que eu não esperava. Desde que ela começou a falar sobre autoaceitação, muitas pessoas que seguem o #paposobreautoestima começaram a falar sobre ela, e foi assim que fomos “apresentadas”. Quando chamei ela para o piquenique em NY, jurava que ela não iria. Mas ela foi. E falou muita coisa importante não só sobre autoaceitação, sobre as dificuldades de se adequar em um mundo tão rígido quanto o da moda, mas também sobre como fazer suas filhas se aceitarem. O Todas Juntas, canal que ela tem no Youtube com outras 2 amigas, está cheio de entrevistas com pessoas bacanas. Trocar com a Fabi tem sido uma honra desde então, estamos sempre somando, dividindo e aprendendo através de posts do instagram. Quem gosta do conteúdo do papo, vai gostar do conteúdo da Fabi.

8 – Daiana Garbin (@garbindaiana | canal Eu Vejo)

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A Dai chegou no futi por indicação das leitoras que, assim como a Jô, tinham histórico de transtorno alimentar. A Daiana reúne em seu canal no Youtube profissionais especialistas nos assuntos de saúde (inclusive a Camilla Estima, que escreve aqui no Futi, já participou!), nutrição com base no comportamento alimentar, personalidades e pessoas com experiências pessoais para dividir.

Ela denuncia muitos atos comuns da nossa timeline das redes sociais que colocam muitas pessoas em risco, já que certos conteúdos alimentam pensamentos que fazem muitas mulheres sofrerem com relação a seu corpo e sua imagem. Ela conta sua experiência no seu canal, contou no seu livro e divide muitos pensamentos no instagram. Ela fala com muito cuidado e equilíbrio sobre muitas das coisas que precisamos desconstruir. Foi notório o quanto a Jô passou a acreditar mais na possibilidade de ter uma nova relação com a comida depois que nos conhecemos, é inspirador trocar figurinha com ela e ficamos felizes de mais uma vez indicar a Daiana em todas as suas redes. Virou nossa amiga? Sim, mas é muito mais do que isso, uma profissional de mão cheia.

9 – Helen Ramos (@helmother | canal Hel Mother)

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Helen não é bem de 2017, mas como não fizemos esse tipo de indicação antes, ela merece entrar na lista. Seu canal fala basicamente de maternidade desromantizada e foi uma das primeiras pessoas que me fizeram entender como é importante contar sua realidade para que outras mães entendam que não estão sozinhas. Conhecer o trabalho dela foi um divisor de águas pra mim e desde então eu busco fazer minha parte dividindo muito além dos momentos lindos e fofos, mas aqueles nos quais eu fico frustrada, vulnerável, esgotada ou sem forças. Eu vejo o quanto esse conteúdo me aproxima das mães e por isso eu a acho muito inspiradora.

10 – Alice Wegmann (@alice.weg)

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Ela é um camaleão. Super poderosa em algumas fotos e inocente em outras. Ela é novinha, tem pouco mais de 20 anos e estuda muito. Fez faculdade enquanto estava em várias novelas da Globo, faz trabalho voluntário, coloca o feminismo de uma forma super interessante para as mulheres de todas as idades que seguem seu canal. Sentimos nela um tom de poesia, suas legendas merecem atenção, é ali que o coração da Alice aparece. Ela é muito inspiradora. Seja quando fala da luta das mulheres, da necessidade de olharmos com menos crenças para o corpo ou quando conta o desafio que é fazer um trabalho. Ela tem sido desafiada a fazer os mais variados tipos de papel e entre todos eles nascerão legendas no instagram que nos farão pensar em algo fora do óbvio – ou mesmo apenas nos lembrará da importância de sermos gratas. Alice não temo um nicho no nosso ponto de vista, Alice é capaz de gerar conteúdo gostoso para todas nós.

E vocês? Quem indicam para começarmos o ano com a timeline um pouco mais inspiradora?

3 em Autoestima/ Destaque/ Deu o Que Falar/ maternidade no dia 29.08.2017

Como vocês estimulam a autoestima e encorajam a individualidade de seus filhos?

Domingo aconteceu o VMA e durante toda segunda feira, minha timeline foi invadida pelo discurso de da P!nk, que usou o espaço de agradecimentos pelo prêmio conquistado em um discurso cheio de empoderamento, autoaceitação e como podemos ensinar nossos filhos a terem (ou a tentarem exercer) amor próprio.

No nosso grupo do Facebook, então, foram quase 10 posts sobre o mesmo assunto. Se você ainda não viu, ela está aqui na íntegra:

Viram? Pois então, vamos conversar. Quem tiver filhos nessa idade de 5, 6 anos, então, por favor, aproxima a cadeira e vem falar comigo.

Porque preciso confessar para vocês, eu já entendi que a maternidade é repleta de momentos que a gente se prepara, estuda, conversa e na hora H acontece diferente, mas se tem algo que eu nem sei como começar a me preparar é isso: lidar com um filho que não se sente bem na sua própria pele.

Todo dia eu leio histórias de mães que dividem esses momentos pela internet, por exemplo, a que contou a história do filho que foi chamado de mulherzinha pelos amigos por ter cabelo comprido. “Filho, você se incomoda de ser chamado assim?” – “Eu não, mãe, isso não é ruim. Você é mulher e eu te amo”. Ou então a que compartilhou um momento de cortar o coração por ter tido que tirar o filho de 7 anos do ballet, não porque o menino não queria mais dançar, e sim porque ele não aguentava mais o bullying dos colegas de classe. Teve também a história da animadora de festa que atendeu um menino de 4 anos que queria um desenho de borboleta azul no rosto, mas saiu com a cara pintada de caveira porque os pais vetaram a escolha do inseto. Acho que por causa do Arthur, eu só estou lembrando de histórias de meninos, mas já cruzei com muitas de meninas também.

E aí vem a P!nk – a cantora que por inúmeras vezes já teve sua preferência sexual discutida só porque ela gosta de cabelo curto e nunca teve problemas em assumir e se orgulhar de seu corpo, que por sua vez não obedece à expectativa do que um corpo feminino deveria ser – contar como sua filha se acha feia por parecer um garoto. E aproveitou para dizer o que ela fez para convencer a menina do contrário.

Hoje eu me incomodo demais com esse conceito de masculino vs. feminino para crianças. Outro dia uma amiga veio me perguntar que brinquedos eu estava dando para o Arthur porque ela foi na loja comprar brinquedos novos para a filha da mesma idade (ou seja, 1 ano e meio) e a vendedora só veio com opções de utensílios domésticos em tamanhos reduzidos e, claro, rosas. De rodo à maquina de lavar louça, passando por uma batedeira. Apesar de ficar espantada por ver a tentativa de definir gêneros nos brinquedos em uma idade onde eles nem sabem o que isso significa, o que mais me incomoda é saber que esse é o primeiro passo em uma estrada que culmina no bullying de quem faz escolhas diferentes e que faz com que meninos e meninas tenham problemas de autoestima desde uma idade que eles nem sabem o que isso significa.

O pior de tudo? Crianças não nascem com esses conceitos e pré julgamentos, provavelmente tudo isso acaba sendo incorporado pelos valores que a família passa. Se tem uma coisa que me arrepia é pensar que se eu tivesse tido o Arthur 8 anos atrás, provavelmente eu o transformaria em uma dessas crianças que zoam os coleguinhas que fazem escolhas que fogem do senso comum. Talvez não chegasse a tanto porque meu marido foi uma criança e adolescente que amava dançar – e ele teve que aprender a lidar com quem tentava usar isso como forma de diminuí-lo. Mas eu era completamente equivocada.

Só para vocês terem uma ideia, a maior vergonha que eu tenho nesses quase 8 anos de Futi foi um post que em breve fará 7 anos onde eu estava fazendo imaginem o quê… Julgando a Shiloh, filha da Angelina Jolie e do Brad Pitt, de estar vestida com roupas masculinas ao mesmo tempo que o Kingston, filho da Gwen Steffani, estava andando com unhas pintadas.

Não apaguei o post – e não foi por falta de vergonha – porque até hoje eu tenho minhas dúvidas se deixo ele ali ou não. Gostaria de tirar porque ele é um desserviço, um post cheio de preconceitos de uma pirralha que não tinha ideia do que significava ser mãe e resolveu dar pitaco na vida alheia – e julgando as mães das crianças, olha a ironia! hahaha Mas gostaria de manter porque eu cresci, eu aprendi, eu mudei de opinião e hoje eu concordo com todos os comentários que estavam me criticando. Hoje eu vejo varias mães de menino contando que seus filhos acham o máximo pintar as unhas – e a sexualidade deles nada tem a ver com isso, eles gostam porque vêm a mãe e curtem o ato, as cores, as possibilidades, etc. Aliás, eu nem reconheço a pessoa que escreveu aquilo, confesso. Tento me achar ali e não consigo ver uma centelha de identificação. Que bom.

Eu espero que eu tenha a sabedoria da P!nk para o caso de eu ter que lidar com uma situação dessas em um futuro próximo. Eu espero conseguir criá-lo para enxergar beleza em tudo, inclusive nele mesmo e, acima de tudo, espero criá-lo de uma maneira que ele não julgue as escolhas alheias, muito menos as use para diminuir os outros. Vendo o quanto eu mudei de alguns anos pra cá, eu confesso que tenho grandes esperanças, mas adoraria saber como vocês estão fazendo para encorajar seus filhos e filhas a serem eles mesmos. :)