papo sobre Autoestima

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0 em Moda no dia 14.06.2018

Assinatura de estilo: autoestima, autocuidado, o padrão e a moda!

Há alguns dias eu gravei com nossas parceiras de conteúdo Carol e Carlinha, que comandam a consultoria Assinatura de estilo. Elas são as consultoras oficiais do #paposobreautoestima justamente porque falam de um um olhar amoroso sobre o corpo, visando usar a moda a favor da comunicação e expressão de quem somos. Sem alimentar a crença de que todas precisamos de truques para parecermos mais magras, mais altas ou mais padronizadas, entrando de cabeça em um universo buscando perfeição.

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Elas me chamaram para gravar com elas e conversar um pouco sobre autoestima, autocuidado, moda e um olhar diferente sobre tudo isso. Eu, que tinha duzentos pés atrás com o tema, fui por amor às duas. E foi tão bacana o bate papo que só fiquei mais ansiosa para iniciar meu processo com elas e começar a viver a consultoria de estilo para usar mais a moda à meu favor, como falei nesse post aqui.

Batemos um papo dividido em dois vídeos que não poderia deixar de compartilhar com vocês!

Eu contei coisas sobre o meu corpo, meu ponto de vista da consultoria de estilo e sobre o papo sobre autoestima!

Vem ver:

Amamos os textos das meninas por aqui, então nada mais justo do que compartilhar tudo que conversamos, gravamos e discutimos nessa tarde.

Abri alguns pontos que já apareceram aqui no blog, e também em outras pautas que ainda estão por vir. Esperamos que vocês gostem, queremos mais é repetir.

Beijos

1 em Autoestima/ Relacionamento no dia 13.06.2018

Você merece ser bem comida

Esses dias lembrei de uma história que me deu um estalo. Um momento de 10 anos atrás. Eu e mais 4 amigas de faculdade conversando sobre amenidades na mesa do bar. Uma coisa meio Sexy and the City em solos cariocas, a gente gostava de fantasiar. E como estávamos imitando o sitcom, em um dado momento, a pauta virou sexo. Duas das amigas ali eram virgens, uma por escolha e a outra por nunca ter sido escolhida.

Uma delas tem aquele corpo que você pensa que só existe em revista. A outra, tinha feito uma cirurgia bariátrica uns meses atrás e estava chegando na faixa de quase 60 quilos a menos na balança. Acho que nem preciso dizer quem era a virgem por escolha nessas duas descrições. Na época, eu pensava que a que nunca tinha sido escolhida, estava nessa situação porque era gorda. Imagina…há 10 anos mal falávamos de gordofobia, autoestima, feminismo ou empoderamento. Nicole e Rafaela são seus nomes respectivamente, para facilitar a história.

uma das fotos dela, que ainda estão por aí graças à internet. <3

uma das fotos dela, que ainda estão por aí graças à internet. <3

De repente, a conversa paralela parou e o foco ficou nas duas, quando percebemos que Rafaela estava completamente indignada com a virgindade da Nicole. Imaginem só…Rafaela tinha acabado de descobrir todo o potencial que nós, como amigas, já sabíamos que estava ali fazia tempo. Ela precisou mudar muita coisa nela para diminuir suas inseguranças, e ela não conseguia enxergar que todas as suas versões tinham beleza. Depois que ela se permitiu tirar a máscara de menina tímida e quieta (que não combinava nada com ela, seja com 120 ou com 60kg), ela descobriu que exalava uma sensualidade que era naturalmente dela e que provavelmente esteve sua vida toda querendo sair. Nicole, por sua vez, sempre foi o tipo de mulher que chega em qualquer ambiente e chama a atenção dos caras. Nunca teve nenhuma questão com o corpo além das inseguranças que toda mulher tem. Poderia perder a virgindade com quem quisesse, mas ela não queria que fosse com qualquer pessoa. E aí, me lembro como se fosse ontem, a Rafa soltou uma frase que virou ícone da nossa turma: “NICOLE, VOCÊ NÃO MERECE SER COMIDA”.

Na época, nós choramos de rir. Até dois anos atrás, toda vez que a gente relembrava disso, chorávamos de rir. Só que essa semana, depois de tudo que o #paposobreautoestima e os relatos diários que recebemos, eu só consegui lembrar com saudade desse dia. Mas não consegui rir. A inocência, a ausência de problematização e, obvio, a falta de conhecimento no assunto, me faziam achar esse episódio engraçadíssimo. Dessa vez o riso saiu forçado, sem graça.

Finalmente caiu a ficha que o “ você não merece ser comida” tinha milhões de coisas implícitas ali que eu nunca tinha percebido. Tinha toda uma questão com a sua autoestima, quase inexistente durante toda a sua vida, e que deu uma melhorada depois da cirurgia. Tinha toda a a indignação de uma sociedade que enxerga mulheres gordas como repulsivas, desleixadas e as verdadeiras pessoas que não merecem ser comidas. Invisíveis e assexuadas, e ela inconscientemente acreditava nisso, mesmo sendo uma pessoa super sexual e cheia de desejos. A bariátrica foi uma tentativa de sair desse padrão que a encaixaram, e emagrecer de fato fez com que ela conseguisse se enxergar de forma menos cruel, mas ela não sabia que teria que enfrentar outro tipo de insegurança com o corpo – insegurança essa que a bloqueava só em pensar em tirar a roupa na frente das amigas, que dirá de um cara. A solidão da mulher gorda é real, como a Alexandra Gurgel bem pontuou, e apesar de eu já ter visto esse vídeo antes e sido impactada por ele, eu nunca tinha imaginado que eu tinha vivenciado isso de perto. 

Quase 10 anos se passaram e muitas das questões que ela tinha lá em 2008 continuam acontecendo com mulheres por todo o mundo, mas agora sinto que existe uma fresta de esperança. Hoje existem mulheres gordas nas redes sociais passando diariamente a mensagem que o número na balança não quer dizer nada, e que ele tampouco define seu valor, beleza ou até mesmo caráter. São mulheres que combatem diariamente – e incansavelmente – a gordofobia e tentam fazer sua parte para um mundo menos opressor. Gordas na praia, na academia, namorando, casando, tendo vidas sexuais ativas e sendo amadas.* Talvez com essa representatividade toda, ela não precisaria ter passado uma vida se sentindo inadequada, inclusive depois de ter perdido 60 quilos e adentrado o padrão de beleza socialmente aceitável. A sensação que ela não era suficiente nunca a deixou. 

Infelizmente ela não está mais aqui e hoje, o que me resta além da saudade é o sentimento de impotência por não ter podido entender lá atrás isso tudo que eu entendi apenas agora. Queria ter dito muitas coisas para ela, mas acima de tudo, queria ter dito para ela que ela merecia ser comida, sim. Aliás, comida não, porque detesto essa palavra empregada dessa forma. Ela merecia ter o melhor sexo da vida dela, independente do peso ou de qual versão de corpo ela tivesse.

perfis para seguir: @cindereladementira @ju_romano @marianaxavieroficial @alexandrismos @luizajunquerida @thaiiscarla – em inglês: @scarrednotscared @bodyposipanda

7 em Destaque/ Relacionamento no dia 12.06.2018

Eu quero mais que um dia dos namorados

Dizem que canceriano é romântico, mas eu sempre digo que sou meio fajuta. Uma dessas provas é que eu não tenho a mínima paciência para Dia dos Namorados. Poderia dizer que a culpa é do meu relacionamento – que já passou por 15 datas dessas – mas a verdade é que eu sempre tive preguiça.

Poderia dizer que a culpa é dos restaurantes – sempre lotados, reservas esgotadas, com menu fechado e preços salgados. Mas não é, porque poucas vezes vi vantagem em jantar no dia 12 se a gente poderia jantar no dia 11 ou 13 e ter mais opções no cardápio, menos fila e menos stress. Para minha sorte, meus únicos dois namorados na vida compartilhavam dessa ideia.

No quesito presente, já tive dias de luta e dias de glória. Os dias de luta eu poderia facilmente encaixar o dia que me empenhei e gastei toda minha criatividade (que acho que não recuperei até hoje) fazendo uma caixa de presentes com coisas personalizadas e ganhei uma -brusinha-, que nem era do meu tamanho. Ou o dia que eu estava crente que iria receber de presente um anel de noivado e recebi….um jogo de toalhas (ok, a justificativa foi fofa, ele queria que eu tivesse minhas coisas na casa nova). Mas também tive meus dias de glória, como o dia que comemoramos em um hotel maravilhoso ou quando fui surpreendida por uma joia em um jantar de Dia dos Namorados que nada tinha de romântico, tanto que até levei a Joana para ir junto (acho que esse foi o dia de luta dele, né? rs).

Hoje eu diria que minha ideia perfeita para comemorar esse dia é ficar largada no sofá, os dois vendo filme e saboreando uma tacinha de vinho depois de botar o Arthur na cama (e meu presente é ele botar para dormir enquanto eu continuarei linda e largada no sofá). Pode parecer um presente trivial para se pedir em uma noite aparentemente comemorativa, mas confesso para vocês que hoje em dia não me passa na cabeça viver algo mais romântico que isso. Hmm, se bem que dormir de conchinha também é o ápice do meu romantismo, ainda mais se eu for a parte de fora da concha….

do maravilhoso instagram da @mayavorderstrasse

do maravilhoso instagram da @mayavorderstrasse – tradução: eu estou tão empolgada para o dia dos namorados. Mal posso esperar para discutir sobre o que vamos comer e depois desmaiar no sofá enquanto discutimos o que vamos ver na Netflix. 

Não quero Dia dos Namorados para postar no instagram, não. Não quero juras públicas de amor, nem fazer, nem receber. Do nosso amor, a gente é que sabe. Conhecem essa frase? Cada vez mais sinto menos vontade de expor o nosso relacionamento por aí, até porque ocupar o lugar de casal perfeito (coisa que é comum de se achar quando dizemos que estamos juntos há 15 anos) cansa. Não somos, nem temos essa intenção de ser. Se as nossas imperfeições se complementarem, isso já é mais do que o suficiente.

Meu conceito atual de romantismo é conseguir valorizar as concessões e os esforços feitos, celebrar o companheirismo dos momentos mais complicados aos mais bobos e, principalmente, valorizar a beleza que é viver um amor onde ambas as partes tentam diariamente manter a essência do namoro, mesmo que o cenário recente englobe casamento e filhos.

Nem sempre é fácil. Tem dias que a rotina nos engole e leva a melhor. Tem dias que nós conseguimos resgatar sentimentos que achávamos que tinham ficado para trás. Tem dias que morar junto cansa – com filho, então, cansa 15 vezes mais – e tem dias que tudo que queremos é comemorar mais um ano de relacionamento. E esse é o nosso Dia dos Namorados.

Nesse dia não tem discussão de quem vai arrumar a casa ou quem vai botar o filho para dormir, não tem cansaço mental depois de um dia de trabalho intenso, só tem a vontade de lembrar que independente do estado civil ou da aliança no dedo, a vontade de ser eterno namorado ainda está ali. Não precisa de presente, de jantar em restaurante, não precisa impressionar. Talvez um sexo mais especial e com mais atenção, apesar de eu ser da teoria que quando o clima é esse, o sexo melhor flui naturalmente. E posso falar? Melhor assim. Sem data, sem pressão, sem aquele sentimento de obrigação de mostrar uma vida perfeita, apenas aproveitando o que está acontecendo aqui e agora. Mesmo que o aqui e agora seja dois adultos babando no sofá com um filme visto pela metade.