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3 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque no dia 10.10.2018

Não é só timidez, eu também ligo muito para o que vão pensar de mim

Imaginem uma pessoa cheia de timidez. Uma pessoa que tem verdadeiro pavor de se apresentar em público. Do trabalho de turma à uma palestra. Uma pessoa que desde que se conhece por gente, odeia ver seu nome sendo falado em voz alta. Que se encolhia na cadeira quando as luzes do teatro acendiam e os atores escolhiam alguém da platéria. Ver um monte de gente olhando para a sua cara, então, é sinônimo de orelhas em chama e uma vontade incontrolável de sumir do local.

Essa sou eu. E tenho certeza que não sou a única. Minha vida inteira foi pautada em justificar minha timidez para os mais diversos momentos de reconhecimento. Até que eu descobri que, na verdade, isso só acontece porque eu levo muito em consideração a opinião alheia. Sempre acho que não serei boa ou que o que eu tenho para falar não importa ou não é interessante. Inclusive, eu faço exatamente aquilo que eu sempre digo que é o inimigo número 1 da autoestima: eu me comparo.

Meu corpo, inclusive, vai criando escudos para me deixar nessa bolha de timidez. Eu leio milhões de coisas interessantes e esqueço. Meus pensamentos se embaralham. Eu travo. E posso falar para vocês? ISSO É UM SACO.

Isso me bloqueia, isso me faz com que eu me leve muito mais à sério do que eu gostaria. Isso me frustra.

A diferença da Carla de lá pra Carla de cá? Hoje eu me forço a ultrapassar a barreira da timidez e tento me convencer que a opinião das pessoas não me definem. Que o que vão achar de mim não deveria ser um impeditivo para eu me posicionar ou achar meu lugar ao sol.

E vocês acham que é fácil?

ilustra: sujeam rim

ilustra: sujean rim

MUITO DIFÍCIL.

Saber enfrentar o autoboicote é uma luta sem fim, mas eu estou tentando. Eu respiro fundo e vou com medo mesmo. Ou, como aconteceu no último papo que tivemos aqui em Nova York, eu assumo essa minha fragilidade. Uma das primeiras coisas que eu fiz quando tivemos o papo na Galeria Melissa foi dizer que eu não estava confortável ali. Que eu olhava o que as outras meninas estavam falando e pensava que eu não tinha muito mais o que falar. Que esse é um dos principais problemas que eu enfrento com a minha autoestima.

E foi assim, exorcizando publicamente meus fantasmas, que eu consegui chegar em um lugar confortável para seguir em frente com a conversa. Que eu consegui relaxar e seguir minha linha de raciocínio sem me preocupar com o que poderiam achar de mim.

Sei que ainda estou longe de chegar em um ponto de equilíbrio. Ainda sou insegura pra caramba. Também não nego que sou uma pessoa que prefere muito mais estar nos bastidores do que nos holofotes, acho inclusive que essa é uma característica minha que nunca vai mudar. Só que acabei entendendo que deixar de fazer as coisas por falta de autoconfiança ou medo da opinião alheia vai muito além da timidez.

Quando eu sou vencida por ela, eu não reconheço o meu valor – e pior, eu não aceito quando ele é reconhecido por outras pessoas. “Ai gente, bobagem, eu não fiz nada demais, eu não sou nada demais”. Como eu disse, vai muito além da timidez, porque a falta de segurança e autoconfiança afeta diversas outras áreas da minha vida além de falar em público.

Eu preciso parar com isso, eu preciso parar com esse comportamento. E acho que o primeiro passo a ser dado é justamente reconhecer o que está desajustado – e falar sobre isso. E é por isso que eu fiz esse post.

0 em Destaque/ Saúde no dia 10.10.2018

O peso da psicofobia – por quê tanta gente prefere esconder ou ignorar sua saúde mental?

Todo setembro temos o “setembro amarelo”, campanha de prevenção do suicídio. A ideia é trazer à sociedade a discussão sobre um problema real, crescente e grave. Nas redes sociais vemos pessoas muito bem intencionadas disponibilizando seu “inbox”, seu ouvido ou seu ombro amigo caso alguém esteja passando por problemas de sofrimento psíquico e precise de ajuda. É um belo fenômeno. Mas e na vida real, será que é assim que acontece?

Pela minha vivência profissional, garanto que não. A busca por atendimento psiquiátrico ou psicológico quase sempre ocorre depois de um grande debate interno, muita resistência e como último recurso. Amigos médicos me falam que ao sugerirem uma psicoterapia ou encaminhamento ao psiquiatra, escutam de seus pacientes que eles não são malucos e que terapia é coisa de gente desocupada – psicofobia. De forma alarmante, observo portadores de transtornos mentais equivocadamente diagnosticados e tratados por outros especialistas ou profissionais não capacitados. Assim, os quadros evoluem e acumulam prejuízos que poderiam ser facilmente evitados  com uma intervenção precoce e qualificada em saúde mental.

ilustra: ambivalently yours tradução: não é porque não podem ver que isso se torna menos real

ilustra: ambivalently yours
tradução: não é porque não podem ver que isso se torna menos real

Não entrando no mérito de falhas na formação profissional para um adequado reconhecimento e manejo dos transtornos psiquiátricos, me questiono sobre quanto o estigma social interfere nesse trajeto e na criação da psicofobia. Grande parte do meu trabalho consiste em mostrar ao indivíduo que busca ajuda que os seus sintomas decorrem de um problema de saúde, e não de: falta de vergonha na cara, fraqueza, falta de contato com Deus, falta de “porrada” na infância, preguiça, falta de problema de verdade, falta de sexo, excesso de tempo livre, frescura ou alguma das outras causas que certamente já foram aventadas por conhecidos – frequentemente os mais amados e importantes – ou pelo senso comum.

Escondem que fazem tratamento psiquiátrico, pedem que eu não identifique minha especialidade em atestados para apresentar no trabalho, dizem que tem medo de contar a seu cônjuge que estão usando medicação “para a cabeça”, costumeiramente dizem só se sentir à vontade para desabafar com os profissionais que os acompanham e sentem-se profundamente envergonhados por “terem chegado a esse ponto” – questões que não são o cotidiano de nenhuma outra especialidade médica. Vivem assim uma dor solitária e sufocante, em contraste com o cárater agregador de vários outros processos de adoecimento.

O preconceito também aparece de forma bem disseminada na linguagem. Não é raro se usar termos diagnósticos como xingamento óbvio (faço questão de não redigir os exemplos neste texto) ou mesmo em tom de brincadeira (quem nunca viu um meme com “abstrai e finge demência” ?). Ainda mais: quando se banalizam situações graves – como por exemplo, dizer que a pessoa que gosta da casa organizada tem TOC, quem acorda um pouco mais mal humorado e depois fica tranquilo é bipolar… – e se propõem soluções fúteis, desde “vai arrumar uma coisa pra fazer” até “comprar sapatos é o único antidepressivo que uma mulher precisa”. Por causa dessas coisas, todo um grupo nada pequeno de pessoas tem seu sofrimento menosprezado e suas dores abafadas. Reforça-se assim a marginalização e exclusão contra as quais diversos movimentos tanto lutam há décadas, além de atrasar a busca por tratamento ou mesmo um pedido menos desesperado por socorro. Aqueles que tem energia de apontar esses aspectos ouvem que estão de mimimi politicamente correto, que o mundo está muito chato hoje em dia e outras frases do tipo.

Não é surpresa constatar que vivemos numa sociedade preconceituosa. Conceitos que deveriam ser básicos como respeito ao próximo e compaixão precisam ser trabalhados, ensinados e incentivados à exaustão. Em pleno século 21 ainda precisamos discutir questões como igualdade de gênero, homofobia, racismo. E cada vez mais precisamos discutir a psicofobia. Para incluir, para promover a dignidade e, urgentemente, para salvar vidas.

0 em Autoconhecimento no dia 09.10.2018

Celular assim que acordar? Parei. E vou contar o que eu aprendi com isso

Como é a rotina de vocês antes de acordar? Provavelmente igual a minha: abre o olho, pega no celular e quando vê, faz tudo voando. Eu não sei vocês mas se tem algo que acaba com o meu humor é justamente isso, ter que fazer tudo correndo porque perdeu tempo. Começar o dia fazendo as coisas no piloto automático sempre me dá uma sensação ruim, de correria, de que nada está sendo feito da maneira que deveria e isso me frustra muito. Então, comecei a tentar me planejar melhor e calculei quanto tempo preciso pra fazer todas as coisas necessárias antes de sair de casa – e sem me tirar horas de sono.

Tinha tudo para dar certo, eu consegui acordar todos os dias no horário proposto, porém, em algum momento – ok, muitas vezes – a primeira coisa que eu fazia no dia envolvia pegar o celular. Seja com a desculpa de ler as notícia do dia ou responder mensagens, acabei descobrindo que pegar o celular era o que mais atrapalhava minha manhãs em esferas que iam além do tempo. 

Me propus, a princípio por um mês, a só pegar no telefone quando fosse a hora de sair de casa. E isso teve efeitos muito positivos em diversas áreas da minha vida: vou dividir com vocês.

foto: Ella Jardim

foto: Ella Jardim

Sem celular, tive tempo para fazer as coisas

Não é à toa que o tempo é o ativo mais valioso na vida das pessoas. Sem pegar no celular, tive tempo para fazer todas as coisas que eu gostaria na manhã, sem pressa. Pude preparar meu café da manhã sem ir na opção mais prática e óbvia, escolhi melhor minhas roupas, tive tempo até mesmo de passar delineador sem pressa! Esses momentos comigo mesma fizeram meu dia melhorar consideravelmente.

Não começo o dia me julgando

Se vou em algum portal de notícias, ou até mesmo no Instagram, sei que em algum momento, acabo correndo o risco de me comparar. Por mais que eu esteja atenta a essa movimentação e por mais que eu considere essa questão controlada na minha vida, por mais que eu saiba a roubada que é se comparar. Sem olhar nada, não me sinto menos na moda ou menos produzida, ou menos o que quer que seja. Me sinto sendo eu mesma, conectada comigo, vivendo o que gostaria de fazer e não o que estão me sugerindo fazer.

Posso incluir uma atividade no meu dia

Yoga, pilates, uma caminhada na beira da praia ou até ler um capítulo de um livro. Todas essas coisas me fazem sentir bem, melhoram a minha saúde e a minha qualidade de vida. Agora tenho tempo pra elas, justamente porque não estou mais olhando meu celular por uma parte do meu dia. Em dias que trabalho até mais tarde, uso esse tempo para dormir mais um pouco também, acho justo e importante para o meu dia seguinte. São 20 ou 30 minutos que passavam muito rápido enquanto eu estava ali, apenas subindo a tela do celular deitada na cama.

Desacelerei (no bom sentido)

Minha rotina é corrida (se a de alguém aqui não for, meus parabéns!), e celular já dá pra gente um senso de urgência. É mensagem pra responder, grupo pra se atualizar, email do trabalho que a gente não resiste e dá uma olhada e quando vê tá respondendo e…correndo. Gera uma ansiedade dentro da gente que muitas vezes a gente nem sabe de onde está vindo. Sem mexer no telefone pela manhã, descobri que nada é tão urgente que não possa esperar um pouco, que vou conseguir responder todo mundo na maioria dos dias, que as tarefas não vão se acumular se eu não começar a resolvê-las naquela hora. E isso me deixou menos ansiosa, mais concentrada e mais tranquila de saber que é possível realizar tudo sem correr tanto.

Já pensou em fazer esse teste? Experimenta e depois me conta!