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0 em Comportamento/ Destaque/ maternidade/ Reflexões no dia 16.01.2018

“Vai passar” é o c$#@lho

Se teve uma coisa que eu realmente odiei durante toda a minha gravidez e os primeiros meses de vida do Arthur foi a história do “ah, vai passar”. Lá estava eu, uma pessoa ansiosa por natureza e uma recém mãe nervosa, com medo, sem nenhuma experiência e muitas dúvidas, só querendo desabafar. E recebia em troca apenas uma promessa de quem em algum momento indefinido toda a angústia que eu estava sentindo iria embora.

Eu sei que muita gente que fala isso o faz para acalmar os ânimos. Eu sei que é uma frase apaziguadora, que tenta imprimir uma esperança que dias melhores virão (e eles realmente vêm, mais rápido do que a gente acha). Muito recentemente eu me peguei escrevendo justamente essa frase para uma amiga que está grávida. Quando me dei conta – um pouco em choque, confesso – apaguei antes de enviar e mudei o discurso. Nesses poucos segundos entre o escrever, quase enviar e apagar, eu entendi o efeito do “vai passar”. O único problema é que o efeito acontece só na cabeça de quem fala, e não de quem recebe.

“Vai passar” não é por mal, eu sei, mas é o tipo de resposta que faz com que eu converse diariamente com tantas mães que vêm me dizer o quanto se identificam com meus textos, porque elas passaram justamente por coisas muito parecidas mas não tiveram com quem desabafar. Porque o “vai passar” simplesmente encerra a conversa. Que argumento alguém pode dar depois disso?

vai-passar

Para quem é ansiosa como eu, por exemplo, o “vai passar” é o fim. Porque pessoas ansiosas estão esperando que passe mesmo, e saber que existe uma linha de chegada e você simplesmente não ter ideia de quanto falta para chegar nela é um tanto desesperador. Repetir isso como um mantra mais angustia do que ajuda.

Sempre enxergo o “vai passar” como tentar subir em um navio sem que joguem cordas ou boias. É um pouco desesperador, por tantas vezes solitário. O “vai passar” tem boas intenções mas é alienado, não permite que mães troquem experiências, que falem sobre a tal maternidade desromantizada, que tenham um espaço para falar também dos momentos difíceis.

A gente aprende muito mais com histórias reais do que com abstrações, só que parar para ouvir e ceder seu tempo para escutar e conversar nem sempre é nossa prioridade. Então o “vai passar” acaba sendo o caminho mais fácil. Sem julgamento nenhum, muitas vezes a minha vida corrida me impede de fazer isso também. Não que eu goste de admitir esse fato.

E sim, vai passar. Felizmente e infelizmente. Porque o perrengue passa, mas também passa tanta coisa boa. Só que isso tudo a gente já sabe, então, desculpem o palavrão do início do texto, mas adoraria abolir essa frase do dicionário do mundo. Acho que a maternidade – e muitas outras coisas na vida – seria muito mais fácil e leve se tivesse mais “tamo junta” e menos “vai passar”.

2 em Autoestima no dia 15.01.2018

Ih! Mudei minha primeira tatuagem!

Quem acompanha o blog já leu sobre o bloqueio que eu tinha com fazer minha primeira tatuagem. Era uma coisa que eu queria fazer, muito mesmo, mas vivia bloqueando e uns dias antes do meu aniversário de 31 anos eu me dei conta de que eu poderia vencer isso, o texto e o post no grupo me ajudaram na árdua tarefa de perder o medo. Fiz minha primeira tatuagem e contei por aqui também. Fiquei encantada com o traço e o trabalho do Julio, mais conhecido como @kubanoink.

Eu cheguei a falar no texto em que contei da tatuagem que eu poderia ter feito ela maior, ter tido a parte geométrica do diamante que eu tanto queria, mas para uma primeira vez achei que não valia o risco e me segurei nos dois símbolos que estavam certos: uma rosa representando o feminino, uma margarida representando minha família (é o nome da minha mãe). Contei tudo que passei nesse post aqui, mas omiti que resolvi fazer o tal diamante em outro espaço, quase uma nano tatuagem. Esse eu acho que ainda não mostrei no blog, mas okay, hoje também não vou falar dele.

TATUAGEM-JOANA

minha tatuagem antes, a do outro post. 

A verdade é que aos poucos fui me acostumando com ela e pensando que ela era pequena para o que eu queria, também percebi que minha vontade de ter o diamante gráfico ali ficou maior do que antes. Pedi ao Julio para pensar nisso e decidimos que mexeríamos nela. Esses dias ele veio ao Rio e fizemos então o que eu queria. A verdade era que eu também estava desejando uma terceira delicada e pequena, especialidade do traço dele, mas deixamos para depois do carnaval, quando ele voltará para cá com uma agenda especial para o Rio de Janeiro. Enquanto isso, a libriana aqui vai se decidir.

Vocês lembram da referência do guardanapo? Então, foi basicamente uma versão dela que levei para o Julio, mas acho que saímos com algo muito mais interessante. Ele, Mayara Cardoso e Aline Rajão deram muitos pitacos e no fim eu nem acreditei que ficou tão melhor do que eu tinha desejado. Esses virginianos são mesmo perfeccionistas. Dessa vez eu tive mais conforto ainda de pedir pra ele mudar as coisas e fui pedindo a opinião dele, queria que ficasse de um jeito que ele se sentisse um artista assinando uma obra. Foi muito mais fácil o processo criativo da segunda vez, talvez mais trabalhoso, mas eu estava totalmente à vontade e queria que nós tivéssemos um resultado que daria orgulho em todas as partes envolvidas. Assim foi, tirando minha mãe que não gostou dos grafismos em torno das tão amadas margaridas dela (coisa de gente leonina). 

estudos-tatuagem

Foi assim que minha primeira tatuagem do outro post não existe mais. Ela ganhou um complemento e no tempo perfeito ficou EXATAMENTE com o peso, espaço, beleza e signficado que eu havia pensado. O mais engraçado é que no fim ela ficou exatamente do tamanho que o Julio havia me dito que seria perfeito da primeira vez que conversamos, mas antes de sentir essa falta acredito que eu não estava pronta.

Fui aos poucos me sentindo com uma arte sem moldura e quando conseguimos inserir o rascunho do diamante sempre em transformação (pensando na minha carreira e no futi), colocamos uma outra margarida mais clara que eu decidi na hora e amei, um pseudo dente de leão onde o artista expôs seu talento de pontilhismo e eu fiz mais uma referência a uma personagem que já tinha me marcando, a rosa seguiu simbolizando o poder do feminino e do meu empoderamento (estou tipo a Bela, que tomou pra si a rosa e se apropriou da própria vida) e por fim, equilibramos triângulos para que o diamante não ficasse tão caricato, mais como um balanceamento gráfico. Depois passou a ter dois significados para eu não esquecer dos polos de luz e sombra, seus antagonismos e dualidades e também para representar o equilibrio, coisa que venho tentando buscar na minha vida, tudo isso ainda em construção, por isso sem perfeitas linhas retas e fechadas.

Não sei se vocês vão achar mais bonita do que antes, nem imagino se vão gostar, mas dessa vez eu fiquei com uma sensação que não era mais sobre perder um medo que limitava uma vontade, era sobre obter o resultado que me faria sentir que ela sempre esteve ali e que vai estar ali pra sempre.

tatuagem-kubanoink

Obrigada Julio por toda paciência aqui. Sei que sou sua cliente mais chata do mundo, mas eu sigo 100% satisfeita com seu trabalho e feliz que você entende cada detalhe que eu te peço para considerar.

Acredito que essas duas não serão as únicas, mas agora acho que vou explorar os talentos dele porque acho que todas as próximas serão pequenas, delicadas e escondidas. Acho que minha maior tatuagem já foi e será essa. :)

O Julio tem um estúdio lindo em Alphaville em São Paulo, mas vai atender no Rio uns dias depois do Carnaval. Quem tiver interessado vai la no instagram dele saber de todas as novidades: @kubanoink. Quem não tiver interesse por passar pelo instagram pode enviar WhatsApp para orçamentos e horário:  +55 11 94294-1914.

Acho que até meados de março não terei nenhuma novidade nessa pele aqui não.

Beijos

2 em Autoestima/ Destaque no dia 12.01.2018

Voltando pra casa, o que fazer agora?

Quando a gente vai fazer um intercâmbio, em meio à excitação pelo que há por vir, pela realização de um sonho, surge a pergunta “mas será que vou me adaptar?”. E a gente descobre que se adapta, sim, que somos muito mais fortes do que imaginavámos e esse mundo de novas possibilidades é fascinante.

O que ninguém conta – aliás, pouca gente conta – é que a gente se acostuma tanto com a nova rotina, o novo lugar, nova língua e novos amigos que voltar para casa é na verdade um desafio maior do que sair dela. Basicamente porque a pessoa que saiu não existe mais. Quem volta é uma nova versão com quem todos têm de se acostumar – você mesma e as pessoas com quem convivia e vai conviver novamente.

E com essa volta, vem também a pergunta que mais me incomodou desde quando faltavam poucos meses para que eu tivesse que dar tchau à Nova York: “e agora, o que você vai fazer?” Quero acreditar que é só por curiosidade que a maioria das pessoas querem saber, mas foi inesperado perceber o quanto essa pergunta contribui negativamente para minha frágil autoestima profissional. O que eu gostaria de poder responder para todo mundo é “cara, não sei nem quem eu sou nesse lugar, como vou saber o que fazer?!”

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O que eu quero fazer é contar histórias. Usar as habilidades que adquiri na faculdade e nos cursos que fiz no intercâmbio para contar histórias de mulheres que levam uma vida “normal” e fazem a diferença na vida das pessoas à sua volta sem nem notar. Quero mostrar para todo mundo que não é só a mocinha que saiu da faculdade direto para o emprego dos sonhos, que mora no apartamento dos sonhos, na cidade dos sonhos que conquistou sucesso. Nem a ~digital influencer~ com o perfil harmonioso no instagram, nem a CEO de uma multinacional. Cada pessoa existe por um propósito e tem uma jornada própria para descobrí-lo e vivenciá-lo.

“Mas Tati, parece então que você sabe sim o que fazer.” Aí é que entra frágil autoestima profissional que falei lá em cima, lembra? Pois então. Escrever este texto tá sendo um desafio e eu acho que só está saindo porque não cabe mais dentro de mim. E porque tem uma trilha sonora incrível sobre aceitar quem somos tocando nos meus fones de ouvido.

“Mas Tati, você fez jornalismo, pelo amor de Deus!! Como que escrever pode ser difícil para você?” Pois então. Porque eu vi gente boa de verdade. Eu ouvi gente boa de verdade. Que é corajosa. Que arregaça as mangas e faz. Que tem talento no DNA, exalando pelos poros. E eu não me enxergo em nenhuma dessas categorias quando é a minha escrita que está em pauta.

Sabe aquela sensação de “que que eu tô fazendo aqui?” “Ai caraca, vão descobrir que eu sou uma farsa”? Pois então. Ela é constante, embora eu reconheça que tenha talento. Que saiba que sou uma profissional muito dedicada – principalmente quando gosto do que estou fazendo. Mas quando nem um curso na NYU ajuda a conseguir uma entrevista, os questionamentos voltam à tona. Parece que quanto mais eu sei sobre algum assunto, mais tem gente que sabe muito mais.

O medo de exposição é tão paralisador quanto sufocante e eu não consigo sequer manter um diário. A sensação de que não mereço isso ou aquilo porque tem gente melhor que eu é gigante. E junto a tudo isso, sonho demais. Sou daquela pessoas que sonham aqueles sonhos gigantes, que as pessoas dizem “coitada, como sonha essa menina” e balançam a cabeça com pena.
Embora tenha aceitado e até me orgulhe da minha natureza sonhadora, não, eu ainda não consegui conciliar a Tati de NY com a Tati do Brasil. Ainda não descobri o que vou fazer, ou como vou superar essas neuras e prisões. Mas hey, já consegui escrever sobre elas hoje. E foi a coisa mais corajosa que fiz em meses. Baby steps, I guess.