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2 em Autoconhecimento/ Comportamento/ Destaque/ Futi em NYC/ NYC no dia 15.02.2018

NY com o pé no chão (literalmente)

Antes de começar, queria fazer uma pergunta: qual a primeira imagem que vem na sua cabeça quando você associa a palavra fashion à Nova York? Se você, assim como eu, pensou em um repertório de fotos de mulheres super estilosas andando em saltos vertiginosos com os prédios de tijolos e escadas externas desfocados ao fundo, então estamos no mesmo caminho. Mais ou menos isso aqui:

Essa é a Luisa Accorsi, e eu piro nesse look dela toda vez que eu vejo.

Essa é a Luisa Accorsi, e eu piro nesse look dela toda vez que eu vejo | Foto: Michelle Cadari

A Nova York da NYFW até permite essas “””extravagâncias”””. Há exatos 4 anos, inclusive, eu realizei esse meu sonho de princesa de fazer uma foto fashion em plena Times Square, com uma bota salto 10. Hoje vejo a Carla daquele dia e falo: “onde você estava com a cabeça de andar em cima da neve com uma bota desse tamanho, sua irresponsável? Você podia ter levado um tombo, maluca!” Mas olho para esse dia com carinho, afinal, se tinha um momento para eu experimentar a Nova York glamourosa que eu fantasiava, era esse. E eu aproveitei, ô se aproveitei.

Sabem que NY é essa? Aquela que O Diabo Veste Prada retratou e Gossip Girl ou Sex & the City reafirmaram o status. E em tempos de NYFW, quando as timelines pipocam de pessoas cheias de estilo cruzando ruas, paradas em frente a taxis amarelos e muitas ainda andando por aí em cima de saltos 10+ (to dando graças a Deus que tenho visto tênis, rasteiras e afins com muito mais frequência) como se isso fosse a coisa mais confortável do mundo, é normal que essa fantasia volte a aparecer.

Só que a NY do dia a dia não é uma cidade para saltos. Muito menos para sapatos desconfortáveis. Sabe, aqueles que a gente bota porque sabe que vai sair do carro, sentar e entrar no carro de novo? Aqui, a não ser que você viva de Uber ou tenha um motorista, eles viram peso morto no armário, assim como scarpins, sandálias de salto agulha e peep toes que te deixam 12 cm (ou até mesmo 8, pelo menos para mim já fica desconfortável a partir daí) mais alta.

Em uma cidade onde andar 20 blocos não é considerado uma distância grande, em uma metrópole com escadas de metrô a cada metro quadrado e com uma população apressada que parece estar sempre atrasada (inclusive nos finais de semana!), tentar se equilibrar em cima de sapatos altíssimos é um verdadeiro desafio – e uma oportunidade de irritar os novaiorquinos apressados, que provavelmente passarão por você te xingando mentalmente por estar atravancando o caminho.

Nessas horas me pergunto por que não aprendi mais com o estilo de Seinfeld, Friends ou até mesmo Girls.  Claro, essas séries nunca foram voltadas para o lado glamouroso da vida novaiorquina, mas acho que eu só tive a plena noção que a realidade deles faz muito mais sentido para a maior parte da população que mora aqui do que qualquer cena de SATC ou GG, depois que passei a encarar a rotina da cidade.

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Nesse tempo que estou aqui, deixei meus saltões para lá, encostados, quase sem uso e sem função, na esperança que um dia surja algum evento que faça sentido tirá-los do armário e encarar a dor na panturrilha que desencadeia depois de meia hora em cima deles. Enquanto isso, abri espaço para oxfords, mocassins, rasteiras, mules, botas e tênis, muitos tênis. E sendo muito sincera? A oportunidade de tirar poeira de algum salto até já surgiu, mas se existia a possibilidade de ficar o mais confortável possível, eu a agarrei.

Inveja do closet da Carrie Bradshaw? Não tenho mais. Acho que depois que a gente bota os pés no chão (literalmente e figurativamente), fica difícil querer outra coisa.

0 em Brasil/ Destaque/ Trip tips/ Viagem no dia 31.01.2018

Belmond Hotel das Cataratas: luxo com uma localização mais que privilegiada

Que eu fiquei encantada com Cataratas, eu já contei pra vocês. O que eu não contei foi que o hotel em que nos hospedamos foi um dos grandes responsáveis por tornar nossa primeira visita a Foz do Iguaçu inesquecível.

Pesquisando sobre hospedagem em Foz, logo descobri que o único hotel que fica dentro do Parque das Cataratas é o Belmond Hotel das Cataratas. Num surto daqueles “mas afinal de contas, a vida não tem replay”, decidimos investir na experiência de passar uns dias dormindo e acordando com o som das maiores quedas d’água do mundo.

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Chegamos na porta do Parque no meio da tarde e fomos recepcionados na guarita por um funcionário do hotel, que nos levou para um lounge, onde aguardamos pela van que iria nos levar até o Belmond. Como eu contei no outro post, somente ônibus e carros autorizados podem entrar no Parque das Cataratas. Táxis e carros de passeio só podem ir até essa guarita (para hóspedes do Belmond), onde se pega uma van que passa a cada 20 minutos, ou até a bilheteria (visitantes), onde se pega o ônibus circular do Parque.

Ao descer da van, foi impossível segurar o “uaaaaau” que cismou em escapar da boca: o hotel fica literalmente de frente para um mirante lindo, onde as majestosas cataratas já mostram de cara porque são uma das 7 maravilhas da natureza. Que privilégio poder assistir aquele espetáculo de camarote!

E já que estamos falando da localização, aproveito para contar que os hóspedes do Belmond são VIP mesmo: só quem fica no hotel tem a oportunidade de passear pela Trilha das Cataratas antes do parque abrir e após fechar, o que significa uma trilha vazia, praticamente só pra você. Além disso, como o parque fecha antes do sol se por, a oportunidade de assistir um por do sol dos sonhos fica mesmo só para quem dorme no hotel.IMG_0039

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Reparem que não tem ninguém em volta!

Reparem que não tem ninguém em volta!

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Além da observação das Cataratas, programa óbvio para quem vai a Foz, e dos demais passeios dentro do Parque, o Belmond fica em localização estratégica para várias outras atividades da cidade, como o Parque das Aves e o vôo panorâmico, que ficam pertinho da guarita de entrada do parque. Ainda, fica perto do Museu de Cera, do Vale dos Dinossauros e do aeroporto.

Eu diria que o Belmond Hotel das Cataratas é o hotel mais tradicional de Foz. Foi aberto há mais de 60 anos e, acredite, continua super moderno. Isso porque, após a rede Belmond ter comprado o hotel, passou por reformas e modernizações, a exemplo da piscina, que agora tem bordas molhadas e novo mobiliário, e os quartos, que receberam novos móveis e itens de decoração.

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O Belmond Hotel das Cataratas é o queridinho dos gringos e também é palco para muitos eventos badalados da cidade, como festas e casamentos (já pensou casar sendo abençoado pelas águas das cataratas?).

A construção do hotel é toda no estilo colonial e decorada com muita madeira, o que deixa tudo mais aconchegante. Aliás, o mix de rosa clarinho das paredes contrastando com o verde das muitas árvores que rodeiam o hotel faz com que a vontade de sair dali seja zero. E foi exatamente isso que aconteceu com a gente.

Depois de ficar uns momentos em estado de choque olhando o mirante na frente do hotel, voltamos para a Terra e fomos fazer checkin. Ao chegar no quarto, a primeira coisa que veio na cabeça foi “gente, posso morar aqui?”.

O hotel tem um total de 193 quartos bem espalhados pelo complexo de prediozinhos de 2 andares, divididos em 4 categorias. Nos hospedamos em uma Suíte Júnior no 2o andar do prédio principal. Nossa suíte era muito espaçosa: tinha um hall, uma salinha com sofá, poltronas e mesa, um banheiro com pia dupla, banheira e chuveiro separados e os azulejos coloniais mais lindos que já vi, uma cama king size super confortável e uma sacadinha com vista para a floresta. As amenities são todas da Granado, aquelas mega clássicas, o que combina total com a vibe da decoração do quarto e do banheiro. Ah, e importantíssimo: Nespresso liberado! Uhuuu

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Sabe aquela sensação de chegar na fazenda ou sítio que você visitava quando era criança? Foi bem isso que senti. Ainda fomos agraciados com presentinhos na chegada ao quarto: docinhos, uma garrafinha com água das cataratas e um bilhetinho assinado pelo gerente do hotel nos dando boas vindas (me julguem, mas eu adoro ser mimada).

Aproveitamos para descansar um pouquinho e, mais pro fim do dia, fomos fazer a Trilha das Cataratas e assistir o por do sol. Aliás, acho que fizemos essa trilha no mínimo umas cinco vezes durante a nossa estadia: qualquer 1 hora que eu ficava sem fazer nada, ou eu ia pra piscina ficar de pernas pro ar ou eu ia pras cataratas – vida difícil né?

À noite, resolvemos experimentar o restaurante Ipê Grill, um buffet de alto nível que fica ao lado da piscina e também onde é servido o café da manhã todos os dias (FAN-TÁS-TI-CO) e almoço a la carte. A verdade é que dá uma baita preguiça de sair do hotel para ir comer em outro lugar (tem que pegar van até a entrada do Parque, lembra?), então acabamos jantando todos os dias nos restaurantes do Belmond mesmo.

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Além do Ipê Grill, existe ainda o restaurante Itaipú, em esquema a la carte para o almoço e jantar, e o Tarobá, um piano bar que serve refeições mais estilo lanche e petiscos e drinks. Tanto o Itaipú quanto o Tarobá ficam na parte frontal do prédio e possuem sacadinhas com vista para as cataratas. Para quem quer só uns snacks durante do dia, uma boa opção é o bar da piscina.

Para quem está em busca de relaxamento, o Belmond tem um SPA com padrões internacionais e uma gama bem extensa de tratamentos. Também existe uma academia bem completa, sala de jogos com vídeo game e computadores Mac espalhados pelo hotel para quem quiser usar. Entretenimento para todos os gostos.

Como eu contei no outro post, enquanto nós estávamos na cidade, nós pegamos um pouco de tempo muito ruim com muita chuva e um pouco de tempo muito bom, com céu azul e muito sol. Entre um passeio e outro, se estivesse sol ou mormaço, nós aproveitávamos para ficar de pernas pro ar na piscina, nas redes que tem no jardim ou ir passear na trilha. Se estivesse chovendo, ficávamos de preguiça no quarto ou em algum canto comum do hotel, vendo a vida passar, lendo um livro ou descansando. Nessas horas, estar em um hotel com uma boa infraestrutura faz toda diferença.

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A experiência de se hospedar de frente para uma das grandes maravilhas da natureza foi, sem dúvida, inesquecível. O Belmond Hotel das Cataratas tem instalações maravilhosas e tudo que é preciso para uma estadia muito especial, seja para viagens em casal ou em família. A facilidade de acesso às Cataratas realmente é um diferencial enorme, algo que não é possível encontrar em nenhum outro lugar.

Tenho certeza que voltaremos em outras oportunidades para aproveitar mais um pouquinho da energia boa que as Cataratas tem, e com certeza, vamos querer ficar de camarote novamente!

1 em Comportamento/ Destaque/ Estados Unidos/ Futi em NYC no dia 24.01.2018

Ela disse adeus

Uma das primeiras coisas que me alertaram quando me mudei para NY foi para eu não me apegar tanto às pessoas, pois essa é uma cidade de passagem. Como toda cidade cosmopolita, tem quem chegue, se encontre e segue a vida agarrando oportunidades, tem quem receba propostas em outros cantos e vai viver novas aventuras e tem também quem não se adapta e volta.

Até o momento eu só estava vivenciando a parte que as pessoas chegam. E essa parte é muito gostosa, não vou negar, parece que a vida vira uma festa constante. “Uhu, vem cá, vamos dominar essa cidade!”. A gente se diverte, combina de ir com as crianças no parquinho, no teatro de fantoche (onde a personagem principal, Clementine, vai para o Burning Man – coisas de Williamsburg), se encontra para beber um vinho depois que as crianças vão dormir ou enquanto as crianças estão brincando. Vai até pra balada (sem crianças, claro).

Eu sei que me alertaram para que eu não me apegasse, mas ei, vocês estão falando com uma canceriana. Eu sei que sou um pouco fajuta, mas sou canceriana. Apego é meu sobrenome. Vamos somar isso com o fato que é muito mais fácil se afeiçoar de alguém quando os perrengues são compartilhados e temos questões em comum.

Até que no final de dezembro a confirmação do que era apenas uma possibilidade remota veio: “Carla, estamos nos mudando. Na metade de fevereiro (sim, daqui a menos de um mês!)”. Meu mundo caiu um pouquinho.

Por incrível que pareça, não tinha foto com ela. Mas tenho dos nossos filhos, e a convivência entre os dois foi um dos melhores presentes que NY me deu.

Por incrível que pareça, não tinha foto com ela. Mas tenho dos nossos filhos, e a convivência entre os dois foi um dos melhores presentes que NY me deu.

Ela foi uma das primeiras pessoas novas que eu conheci aqui. Olhem que coisa doida, fui apresentada porque ela é amiga de uma amiga da minha amiga. Sendo que eu não conheci essa amiga da minha amiga. Não to de brincadeira, o grau de separação era esse mesmo, digno de uma história meio fantasiosa. No começo não levei fé nesse tipo de apresentação tão distante, só que calhou da gente morar no mesmo prédio e ter filhos com uma diferença de idade de mais ou menos 6 meses. E dela ser muito legal, acolhedora, agregadora, generosa e bem incrível, pra não economizar nos elogios. Em menos de 6 meses foi o tempo que levou para ela sair de “conhecida do prédio” para minha rede de apoio, não é à toa que essa não é a primeira vez que eu falo dela aqui no blog.

Não estávamos apenas na mesma cidade ou no mesmo prédio, mas estávamos na mesma situação de mães brasileiras que estão cuidando exclusivamente de seus filhos, passando por momentos muito parecidos. A medida que fomos nos aproximando, ela passou a ser minha companhia quando meu marido viajava, minha saída para tardes tediosas e o fato de termos filhos com a idade parecida fez com que playdates virassem tardes deliciosas. Ela me ensinou a depender da Amazon para tudo, ela me influenciou em coisas que eu nunca imaginaria que seria influenciada, e ela me ensina todo dia um pouquinho, até mesmo sem saber. E eu jurava que teríamos mais tempo.

Até que recebi a notícia e por dentro ficou um vazio. Egoísmo meu, eu sei, que as vezes gostaria de manter as pessoas em um potinho, de congelar momentos. Ao mesmo tempo, o coração ficou quentinho. É bom ver que a pessoa está feliz, esperançosa que a nova vida vai ser maravilhosa, com expectativas boas para o que vem por aí.

E aí eu entendi que, na verdade, não é só NY que é uma cidade de passagem. Todas são. Hoje em dia a maior parte das minhas amigas não moram mais no Rio de Janeiro. Teve quem foi pro Espírito Santo, muitas para São Paulo, assim como eu também fui. Lá em 2010, a quantidade de cariocas indo morar em terras paulistas era enorme, hoje toda a turma que foi para lá, se espalhou pelo mundo. Tem gente que voltou para o Rio, gente que foi para Paris, Londres, Nova York, California, até mesmo Singapura!

Parando para ver nessa perspectiva, diria que sou escolada em idas e vindas. Aprendi a viver com a distância com tanta gente querida para mim, mas acredito que morar fora potencializa essa sensação de perda – e também de solidão. Mas no fim das contas, não estou sozinha. Tampouco ficarei sozinha. E taí, mais um aprendizado que eu tiro dessa experiência. :)