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Viagem

9 em Comportamento/ Destaque/ Futi em NYC/ NYC no dia 09.11.2018

O verdadeiro luxo de morar em Nova York

Volta e meia, quando eu digo que moro em Nova York, eu recebo algum comentário meio deslumbrado com olhinhos brilhando do tipo “nossa, que luxo, né”. Eu conheço esse olhar. Muito bem até. Aliás, foi exatamente esse o olhar que eu fiz para o meu marido quando ele veio me contar que tinha surgido uma oportunidade de trabalho para ele interessante por aqui.

Já me imaginei vestindo roupas de Serena Van der Woodsen, vivendo uma vida no melhor estilo Carrie Bradshaw à la Sex and The City. Tipo esse meme:

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Só esqueci que essas duas personagens têm uma coisa em comum que são bem diferentes da minha realidade: elas não têm filhos. Mas relevem, quando a possibilidade surgiu eu ainda estava grávida. Não tinha ideia do que vinha pela frente. E não é sobre isso que eu vim falar.

 

A verdade é que eu não posso reclamar da minha vida no quesito luxo. Moro em um apartamento com a vista mais linda que eu terei na vida, em um bairro bem legal. Vivo uma vida super confortável. Sim, as tarefas se acumulam. Sim, NY é uma cidade cansativa. No frio, então, é triste. Mas em termos gerais, posso dizer que tem dias que eu realmente viro essa mulher do café na mão (ou melhor, chá), de casaco, echarpe e correndo para o metrô. Ah, sim, metrô. Porque quem criou esse meme provavelmente não tem ideia que é mais fácil você se atrasar pegando o taxi ahahah. Mas meu conceito de luxo mudou completamente.

>>>>>> Veja também: Uma Nova York desromantizada <<<<<<

Antes eu associava Nova York com luxo ao entrar em lojas onde o ítem mais barato deve custar uns 4 dígitos. Luxo era passear por bairros onde mulheres desfilam suas bolsas das marcas mais caras do mundo. Luxo era morar em um apartamento com escadas de incêndio aparentes – que são a cara de Manhattan. Luxo era andar pela neve ouvindo músicas de Natal. Patinar no gelo no Rockefeller Center. Tudo que eu considerava luxuoso tinha a ver com a romantização da cidade. Essa mesma que está aí desde sempre sendo retratada em filmes e séries. Ou então era sobre seu potencial de consumo.

Sim, confesso que continuo entrando em um clima todo especial em Dezembro. Músicas de Natal invadem todos os lugares e a cidade toda está enfeitada com luzes. Não consigo desassociar o clima da cidade e não me sentir em Milagre na Rua 34. A primeira neve do inverno é sempre mágica. Mas tirando isso, hoje o que eu acho luxuoso é outra coisa.

Para mim, hoje luxo é poder levar Arthur de bicicleta para a escola e me economizar meia hora andando. Luxo é pegar ele na escola e ir até um dos 4 parques que têm aqui perto para ele brincar mais um pouco. Luxo é um desses parques ter wi-fi e eu poder levar meu computador se precisar trabalhar de lá.

Falando em trabalhar e wi-fi, luxo é ter vários cafés para eu trabalhar. Afinal, tem dias que tem tantas coisas esperando para serem feitas em casa, que eu sei que vou me distrair. Luxo é eu poder sair de casa com meu computador. E saber que posso trabalhar até de um parque público sabendo que eu não serei assaltada. Realidade que nunca vi no Rio de Janeiro, infelizmente.

Luxo é eu poder educar meu filho em um ambiente com todos os tipos de famílias e crianças. Em uma cidade cheia de diversidade e que respeita a individualidade das pessoas. Luxo é eu perceber que a escola antiga do meu filho fechou dois meses antes do previsto e as professoras ficaram desesperadas porque não estavam se programando para serem despedidas mais cedo e todas – TODAS – já estão empregadas novamente. Apenas 3 meses depois.

Eu poderia seguir aqui falando de tantos outros luxos que meu dia a dia aqui me mostrou. Luxos que nada têm a ver com a imagem que as séries e filmes costumam nos passar. E hoje vejo que são privilégios muito mais duradouros e que me deixam muito mais feliz e preenchida do que uma bolsa ou um sapato (e olha que eu gosto de uma bolsa e um sapato). Aliás, falando em série, quem diria que hoje eu sou infinitamente mais apegada à Miranda do que qualquer outro personagem de Sex and The City.

3 em Alagoas/ Brasil no dia 09.11.2018

Road trip Pernambuco & Alagoas: 11 dias, 10 noites e 2 estados desse Nordeste maravilhoso!

Em 2016 eu havia ido para Alagoas, na época fiz 3 posts sobre o estado: um sobre o sul, o outro sobre o norte e outro sobre o passeio mais lindo, na foz do rio São Francisco.  Eu achei que havia conhecido o estado maravilhosamente bem da primeira vez e ao me pegar na viagem que fiz mês passado, preciso dizer que não, ainda faltava mais um pouco pra eu conhecer tudinho por lá. Descobri assim uma coisa que não tinha ficado óbvia pra mim no início: Alagoas é tão paradisíaco que eu precisarei voltar de tempos em tempos, para descansar, apreciar e relaxar.

Assim sendo, resolvi contar pra vocês o roteiro da “road trip (aka viagem de carro) que eu e Aline fizemos passando por duas das praias famosas de Pernambuco e seguindo para Alagoas, onde passamos por todo o estado. Nós, nossos biquinis e o protetor solar nos aventuramos como nunca.

Meio de transporte: avião + aluguel de carro

Começando pelo início: como optamos por fazer dois estados em uma viagem escolhemos começar a viagem voando para Recife e terminar saindo de Maceió. Por isso pagamos uma taxa de mais de R$250 a mais para poder alugar o carro em um estado e entregar em outro. Escolhemos a Foco Aluguel de carro para nos acompanhar nessa viagem por eles terem um preço bem competitivo. Nosso carro foi ótimo, não tivemos nenhum problema e toda nossa experiência foi bem positiva.

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Roteiro: 11 dias e 10 noites entre Pernambuco e Alagoas

Cidade: Porto de Galinhas -PE
duração: 3 dias e 3 noites 
Hotel: Village Porto de Galinhas

Começamos voando por Recife, buscando o carro alugado e dirigindo por menos de uma hora até o Village Porto de Galinhas, ideal para famílias, mas com bangalôs muito gostosos para casais ou adultos buscando por descanso. Definitivamente eu achei o hotel muito atencioso, o quarto muito lindo e a praia muito gostosa. Ficamos uma parte por lá, aproveitamos o dia seguinte para fazer o passeio de buggy de ponta a ponta com o Frank – do @soultripportodegalinhas. Fizemos o passeio de 3 A 4 horas, mas acho o custo benefício do de 8 horas melhor pra curtir com calma todos os pontos e praias do passeio. No outro dia aproveitamos tudo que mais gostamos e fomos de carro, curtimos uma praia e almoçamos pela cidade. No último dia da cidade a maré voltou a baixar num horário melhor e fizemos o passeio de piscinas naturais mais lindo de toda viagem, o mais simples e mais barato, o que tinha mais peixes. Ao fim dessa jornada voltamos ao hotel, tomamos café e seguimos com destino a praia de Carneiros, quase na divisa com Alagoas.

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Cidade: Praia de Carneiros – PE
duração: 1 dia 

A aproximadamente 1 hora de Porto de Galinhas ficava o paraíso de Pernambuco no continente (afinal imagino que Noronha seja ainda mais especial). Se eu soubesse que gostaria tanto do lado mais raiz, menos urbano e turístico de Carneiros, com toda certeza teria passado uns dias por lá. A praia é linda, a água idem e a igrejinha de frente pro mar uma fofura. Sem dúvida o beach club do “Beijupirá” seria minha escolha, mas eu e Aline não pudemos ir pois estava fechado para um evento no dia. Sentamos num outro restaurante de praia, deixamos as coisas e aproveitamos pra andar nessa praia tão paradisíaca.

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Achei o lugar lindo, mesmo,  só um pouco mais cheio que os destinos de Alagoas. No entanto mesmo não sendo uma praia deserta eu diria que Carneiros é uma praia dessas que não devemos ignorar, eu e Aline tivemos um dia lindo lá, antes de encerrar nossa jornada por Pernambuco.

Cidade: Maragogi – AL
duração: 1 noite e 1 dia 
Hotel: Pousada Sol e Mar

Quando nosso dia acabou em Carneiros seguimos para Maragogi e em pouco mais de uma hora estávamos já na pousada. Maragogi pra mim é uma cidade muito cuirosa, linda e viva de dia, as moscas a noite. Um destino pé na areia, com a praia mais linda que já vi no Brasil, mas ao mesmo tempo muitos lugares tão turísticos que não é tão fácil de aproveitar. Confesso que a Pousada Sol e Mar funcionou muito bem pra nós, dormimos lá na noite que chegamos e madrugamos para o passeio das piscinas naturais. A maré mais baixa daquela semana ainda era alta, mas deu pra aproveitarmos um pouco. Eu fiquei encantada com as galés, mas não vi tantos peixes, foi uma delícia para nadar e aproveitar as praias. Fomos a umas 3 praias diferentes nesse dia e todas valeram a visita. A água do mar é de uma cor difícil de encontrar no país.

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Quem procura luxo tem uma ou duas opções na cidade, que de luxuosa ou pitoresca não tem muita coisa. A atração principal é mesmo o mar e suas praias. Aproveitamos até o cair da noite e fomos para a Pousada do Alto, que fica no alto de uma montanha, com uma vista linda, na cidade ao lado, Japaratinga.

Cidade: Japaratinga – AL
duração: 2 noites e 2 dias
Hotel: Pousada do Alto

A uns 25 minutos de distância a Pousada do Alto nos garantiu um certo relaxamento e descanso, passamos o dia seguinte inteiro lá, fizemos todas as refeições no hotel que é uma delícia (já foi post aqui). A vista da praia de Japaratinga é linda. Passamos o domingo relaxando e contemplando a vista, foi lindo e completamente exclusivo. Um clima mais intimista. No outro dia voltamos a Maragogi para a praia de Antunes e a praia de Xaréu, que a meu ver são das praias mais bonitas de todo país e merecem mesmo que passemos o dia relaxando nelas. Aproveitamos demais, tanto o relaxamento da pousada, que continua uma delícia, quanto o dia na praia. No fim de tarde seguimos pela orla descendo o estado, pegamos a barca e seguimos para a praia do Patacho, que mais uma vez era bem próxima.

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Praia de Antunes - Maragogi

Praia de Antunes – Maragogi

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Cidade: Praia do Patacho – AL
duração: 2 noites e 2 dias
Hotel: Pousada Samba Pa Ti

Tá, essa foi pra mim a melhor surpresa da viagem, Samba Pa Ti. Como da outra vez em que fui no Patacho o clima não estava dos melhores não enxerguei o potencial do passeio. Eu senti que esse seria meu momento preferido da viagem assim que entrei na pousada, vi nosso bangalô e senti o quanto o mar seria maravilhoso assim, aos nossos pés. Acertei em cheio, foi o hotel que parecia ter meu nome, sobrenome e cpf em tudo, é bem o tipo de estabelecimento que eu gostaria de ter um dia. Posso dizer que foi perfeito, um café dos deuses, um quarto sensacional, uma piscina privativa muito refrescante, um mar delicioso e uma praia muito exclusiva. Até mesmo o passeio das piscinas naturais foi o mais roots e mais lindo. Não há sombra de dúvida, que quero pegar o boy e voltar pra lá no primeiro buraco que tiver na minha agenda. O passeio foi lindo, a estadia e o descanso também.

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Samba Pa Ti

Samba Pa Ti

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Cidade: São Miguel dos Milagres – AL
duração: 1 dia

Após nossa última manhã no Patacho rumamos para nosso último destino ao norte do estado, uma tarde e um almoço maravilhoso em São Miguel dos Milagres. Fomos a praia do Marcineiro, seguimos a pé até a igreja na areia onde muita gente casa e aproveitamos o paraíso de Milagres quase sozinhas, foi lindo e muito leve. A essa altura da viagem já estávamos dormindo as 21:3o e acordando as 07:00 no maior pique. Aproveitamos a manhã e depois almoçamos num restaurante que foi indicado por dezenas de leitoras: No Quintal. Foi uma das experiências gastronômicas mais sensacionais da viagem.

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Dizem que Milagres bomba nas festas e feriados, da última vez não achei nada demais no lugar, mas não posso negar que dessa vez a praia estava digna de qualquer cena de cinema, me fez pensar que o destino pode ser legal de ficar, ou ser mais um passeio que posso fazer quando for passar uns 4 ou 5 dias na Samba Pa Ti.

Ao fim do almoço pegamos a maior estrada, por fora da Orla, na qual passamos na viagem. Foram quase 3 horas entre São Miguel dos Milagres e Barra de São Miguel, que fica ao sul do estado e de Maceió, um dos destinos onde o Alagoano que mora na capital mais visita.

Cidade: Barra de São Miguel – AL
duração: 2 noites e 2 dias
Hotel: Gungaporanga

Ta, esse hotel é uma delícia, também é a minha cara e da última vez havia conhecido e ficado com vontade de ficar mais tempo. O bangaló é ótimo, a vista linda, o café da manhã alucinante e a gastronomia muito gostosa. Por lá tem a praia do Gunga e o mirante, onde você vê incontáveis coqueiros. O hotel tem uma trilha que te leva nas falésias que é linda demais, vale cada minuto de suor. Aliás as falésias são parte bem bonita desse sul do estado, que é menos caribenho, mas não menos acolhedor. Eu acho o Gungaporanga um hotel a parte, ele vale a visita, assim como a trilha com o senhor José.

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Na minha humilde opinião só precisávamos ter passado mais um dia no sul para poder fazer o passeio da foz do São Francisco, que foi das coisas mais lindas que já fiz no Brasil, mas não deu tempo de repetir por ser mais longe.

Poderia terminar esse texto dizendo o quanto foi sensacional viajar de carro pelo nordeste, ou o quanto estar com uma das minhas melhores amigas foi um presente pra mim, pra nossa amizade, mas vou na verdade dizer uma coisa clichê, as vezes precisamos viajar e aproveitar o que é nosso para conseguirmos valorizar como povo o país que somos, sair de uma olha social que só nos cega e aos poucos conseguir notar a diversidade da qual o povo brasileiro é formado. Eu hoje tenho 12 estados e o Distrito Federal no meu currículo e não vi praias mais lindas que as de Alagoas e Paraíba até aqui.

Obrigada por terem nos acompanhado no instagram, postamos tudo no @futilidades e @alinerajao, foi uma honra compartilhar nossa jornada com vocês.

Beijos

 

3 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Viagem no dia 02.11.2018

Não caia nessa armadilha, tá tudo bem não viajar nas férias.

Eu gosto muito de observar as pessoas. Mês passado vi muitas pessoas no meu trabalho entrando de férias e notei um certo comportamento. Quando alguém anuncia férias, sempre vem as perguntas: e aí, vai pra onde? Vai fazer o quê? Percebi que quem não vai viajar para um lugar exótico ou planeja um pulinho básico em Nova York, fala quase envergonhado que não vai viajar. Emendam logo em seguida em mil desculpas por isso.

Traçando um paralelo, vejo isso acontecer muito nas redes sociais. Pessoas que seguem influenciadores que vivem em lugares incríveis, comentando o quanto gostariam de viajar. Muitas vezes se sentindo derrotadas por não conseguir ter a mesma vida e conhecer os mesmos lugares.

Parece que viajar virou um grande ativo no mercado da felicidade.

Provavelmente isso tudo veio com os millennials e seu desejo de ganhar o mundo. Em vez de construir raízes sólidas como a geração anterior, que economizava para comprar um apartamento, muitas pessoas preferem gastar hoje com experiências. Ter histórias para contar.

viajar

As redes sociais dão mesmo a sensação de que todo mundo está vivendo uma vida mais interessante que a nossa. Obviamente todo mundo – até eu, talvez até mesmo você – prefere mostrar o drink após o trabalho do que a tarde de reuniões intermináveis que poderiam ter sido resolvidas em alguns emails. Prefere mostrar a foto sendo linda na praia do que na frente do computador com aquela luz de escritório. E ficamos nos sentindo mal porque parece que as pessoas viajam mais, são mais felizes, mais bem sucedidas, mais incríveis.

Bate mesmo aquela deprê de “poxa, e eu aqui me virando pra pagar os boletos”.

Se a gente se deixar levar por essas ideias e cair na armadilha da comparação, a autoestima vai lá pra baixo mesmo.

Tá tudo bem você não ter o que dizer numa rodinha onde todos estão falando de Paris e você mal foi ali em Arraial D’ajuda. Você não é menos descolado, moderno, rico, hipster ou o que seja porque não foi ao Brooklyn. Você apenas teve outras prioridades ou ainda não teve a oportunidade. Ainda.

Em compensação, você pode ter tido outras experiências de vida maiores e mais fantásticas sob outros aspectos. Cresceu, amadureceu, aprendeu outras coisas diferentes. Talvez mais práticas e menos culturais. Talvez menos bonitas. Mas que te prepararam para outras situações da mesma maneira. Eu sei, pode não ter sido tão divertido ou glamouroso, mas para a sua história de vida, foi importante. E isso deveria te fazer mais forte e preparada, inclusive para saber lidar com o fato de que está tudo bem não viajar.

A vida dá voltas, muito maiores que as voltas ao mundo.

Nesse caminho longo, cada um vai construindo a sua história de maneira única. Viajar nas férias (ou num feriado) foi apenas mais uma caixinha que criaram e tentam nos encaixar ali. Por mais prazeroso e divertido que seja, você não precisa estar nesse grupo.

Não se sinta mal se você for ficar vendo sessão da tarde durante as suas férias, ou se o maior passeio for até um bairro mais distante. Algumas pessoas gostariam de estar no seu lugar também, o que prova que cada caminho nessa vida realmente é único, e tudo é uma questão de perspectiva.