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0 em Sem categoria no dia 11.12.2018

Não ache logo de primeira que a culpa de uma rejeição é sua

Quando falamos em relacionamentos, especialmente os que ainda não se concretizaram, acredito que o maior medo dos envolvidos é o da rejeição. Seja o receio de ouvir um não caso tenha tomado a iniciativa, como já falamos aqui. Ou então de ouvir que a química não rolou, o que não era isso que a pessoa estava procurando. Nesses dois últimos exemplos o outro lado fica a ver navios. E esse é justamente o lado em que ninguém quer estar. Mas acontece.

O que a gente precisa parar de associar nessas histórias é que terá um lado que vai sair perdendo. Porque em qualquer tipo de relacionamento, até mesmo num casamento consolidado há muitos anos, nada é certo. A gente já teve essa conversa sobre controle ser uma ilusão e isso se aplica aos relacionamentos também. Tá tudo bem o outro não te querer. Ou não querer mais.

Rejeição não é o fim do mundo.

Lógico que você tem todo direito de ficar triste. De viver o luto necessário. Mas acho que está mais do que na hora da gente aprender que quando falam “o problema não é você, sou eu”, geralmente está na pessoa mesmo! 

rejeicao

Falo isso porque geralmente quando a gente é rejeitada, a nossa tendência é achar que a questão é sempre com a gente. Que a rejeição está na nossa conta. Seja em um relacionamento amoroso, uma amizade, no trabalho.

É claro que eu acho super importante que a gente faça uma autocrítica. Tentar entender se existe algum comportamento ou forma de pensar que possamos rever dentro de nós. Mas o que nunca se pode pensar é que isso aconteceu por algum fator externo e que você precisa mudar pra ser aceita. Seja de volta ou por outra pessoa.

Essas coisas mexem mesmo com a nossa autoconfiança e até mesmo com a autoestima. Mas salvo os casos onde cabe a autocrítica e uma evolução, precisamos ficar atentas para não cairmos no erro do “o que falta em mim?”.

Muitas vezes – quase todas, arrisco dizer – não falta nada. Dificilmente tem a ver com o que somos, tem sempre a ver com o outro. Relações envolvem pessoas, e como também já falamos por aqui, cada um tem seu tempo e seu caminho. Muitas vezes alguém vai em uma direção de evolução diferente da sua. Ou simplesmente as ideias ou os objetivos passam a se desencontrar.

Seja sempre a a melhor pessoa que puder para todos. De maneira que quando alguma situação de rejeição aconteça, você possa sair dela ciente de que fins podem acontecer e que você fez o melhor que poderia ter feito. Isso evita que a nossa confiança fique abalada e facilita o processo de seguirmos em frente. Prontas para a próxima aventura?

3 em Sem categoria no dia 23.10.2018

Vamos falar sobre feminismo interseccional?

BOA TARDE, MINHAS CONSAGRADAS. A Carla fez um post querendo saber mais sobre feminismo interseccional lá no grupo do Papo e me chamaram para participar. Passei o banho inteiro pensando na melhor forma de abordar esse tema. A má notícia é que não achei uma melhor forma. A boa notícia é que eu vou falar mesmo assim. E a outra boa notícia é que falei não só lá no grupo, como vou falar aqui no blog também.

Não há uma fórmula, nem uma receita específica para ajudar as parças de movimento. Mas, para ficar didático, eu vou deixar de lado as referências bibliográficas e falar um pouco do que sinto e vejo. Tá bom? Então tá bom.

1) RECONHECER QUE O FEMINISMO É PLURAL E O FEMINISMO INTERSECCIONAL É UMA DE SUAS VERTENTES:

Juro, gente, isso é importantíssimo. O feminismo é um, mas esse um é cheio de vertentes e complexidades (branco, negro, com recorte de classe, de gênero – oi? mas sim- etc). Não reconhecer é uma forma de oprimir. Vou dar um exemplo bem pessoal, minha questão com a vertente radfem (feminismo radical). Demorei muito tempo para entender que não conseguia entender a lógica por trás do radfem simplesmente porque as mulheres que estão nesse movimento negam uma vertente feminista (probleminha de reconhecimento).

MAS AÍ CÊS ME PERGUNTAM: Bruna, oxe, de que forma se dá esse não reconhecimento?

Vou dar dois exemplos à vocês:

A Kefera, branquíssima da silva, fez uma tatuagem com o símbolo do feminismo negro. Depois de ser muito criticada, disse que estava rolando uma FALTA DE EMPATIA, que somos todas mulheres, levantou a placa da sororidade, etc. Peraí, né? Errou no passo NÚMERO UM do “ajude as mana do feminismo negro”: o reconhecimento. O feminismo negro é diferente. Uma branca tatuar o símbolo do movimento negro é, no mínimo, errado. É uma forma de apagar a história da luta que é, essencialmente, distinta.

OUTRO EXEMPLO: canso de ver (canso mesmo) palestras e painéis sobre feminismo. Amo e fico empolgada. Mas nesses painéis vejo homogeneidade onde deveria haver DIFERENÇAS. Vocês veem painéis com brancas, pretas, pobres, cis, trans etc? NÃO. Mulheres brancas sentam e falam sobre feminismo excluindo as outras manas que, sobre certas pautas, têm mais (e exclusiva) legitimidade para falar. Não se posicionar sobre isso (e as vezes, nem pensar sobre) é um tropeço nessa primeira regra.

*to esperando ansiosamento que eu esteja sendo compreensiva pois estou apenas jogando tudo que vem à minha mente de uma vez só*

2) ACEITAR OS PRÓPRIOS PRIVILÉGIOS.

Agora, aqui, o tópico começa a ficar difícil de explicar. JÁ deixo claro que a intenção não é de maneira nenhuma ofender. Juro. Mas eu encontro 2 problemas nessa fase:

O primeiro problema é de aceitação. Tem gente que não sabe e não quer saber que, mesmo sendo mulher, possui privilégios em cima de outras mulheres. Aí deixa de ver os recortes de classe de raça e de gênero. É a galera do “eu posso falar igual, eu também sou mulher”. Sabe o que a gente exige de empatia, lugar de fala, etc, dos homens? Isso existe também entre as mulheres, as mesmas “exigências”. Quem melhor para falar sobre a negritude do que uma negra? Quem melhor para falar sobre a pobreza do que uma pobre?

>>>>>> Veja também: Um recorte nesse dia da consciência negra <<<<<<

O segundo problema é a galera que frequentemente tem grandes revelações – vejo muitas por aí que é: hoje estava andando na rua e percebi q tenho privilégios. Fala isso pra uma negra como se essa grande revelação fosse suficiente.

EXPLICAÇÃO RAPIDA POR FAVOR NINGUÉM SURTAAAA: nós valorizamos a percepção, mas é exaustivo pensar que ainda estamos nessa fase. Deveríamos todas estarmos juntas COMBATENDO o privilégio, mas estamos implorando para que pessoas DESCUBRAM QUE TÊM PRIVILÉGIOS. E não são quaisquer pessoas, são mulheres como nós, que deveriam estar lá por nós. É um desamparo desesperador: o homem quer me matar, a mulher branca fecha os olhos para a minha pele negra. Não é um grande favor a percepção dos próprios privilégios; a rigor, é uma obrigação (moral).

Na dúvida, sim, é um privilégio. Andar na rua com segurança? Sim. Ser escolhida em detrimento de uma mulher negra? Sim, igualmente privilégio. Estar em capa de revista sempre? Sim. Nossa, é privilégio não ter palavras como “denegrir”<essencialmente racista> contra mim? Sim também. Não é uma grande revelação, sério. É cotidiano.

3) DEIXAR O PROTAGONISMO FAZER A SUA MÁGICA:

Gente, a Viola Davis subiu no Emmy e disse absolutamente tudo: a diferença entre nós e os não-nós são as oportunidades. Dá visibilidade. Chama as manas. Inclui elas no espaço que é seu. Abre os seus olhos. Quantos restaurantes, bares, bairros, etc, vc vê majoritariamente branco? Observe. Repare. Só isso, questionar-se, já é um passo gigante. LEVA A MULÉ NEGRA PRA LÁ. METE ELA NO CENTRO E FALA: BRILHA.

Tá vendo aquele emprego ali que tem uma mulher negra ganhando menos que ti? Chama ela e fala “eu quero mudar isso também”. A galera de hollywood fez isso com a própria Viola, e veja onde deus está agora. Segura na mão porque as vezes é isso que a gente precisa.

AH, E ABRE A BOCA E FALA. Eu vejo MUITA (muita mesmo) gente dizer que quer ajudar. Dizer que tem empatia. Dizer, dizer. Mas, pergunte-se; o que eu estou fazendo EFETIVAMENTE? Como eu to ajudando minha mana negra? Eu ouço ela falar? Eu leio artigos? Eu compro a arte dela? Eu consumo isso? Eu valorizo isso? Eu abro a boca para outra mana branca que decidiu reproduzir falas racistas e digo: que errado isso que você tá falando.

DISCLAIMER: Se você não vê racismo em TUDO (repito: T-U-D-O), é bom voltar para o passo 1.

0 em Sem categoria no dia 17.09.2018

Do alto dos meus 35

Outro dia rolou uma conversa muito bacana no grupo do Papo Sobre Autoestima sobre a chegada aos 30 anos e as viradas de vida, depois que esse texto do Buzzfeed foi compartilhado. Foi muito fantástico ver todas as histórias de gente que resolveu mudar seus planos na virada de década, seja por vontade própria ou pelas circunstâncias. A verdade é que ver tantas histórias de mulheres que mudaram o rumo e assumiram a rédea dos seus destinos, saíram de suas zonas de confortos e foram atrás do que realmente as fariam felizes foi inspirador. Depois de ler todos os comentários fiquei pensando naquela conversa por dias, e notei que uma das maiores preocupações era o medo de não estar no patamar esperado para se estar naquela idade. Vamos conversar sobre isso?

A gente sabe que a sociedade criou um caminho que eles consideram como o natural: você nasce, cresce, estuda, escolhe sua profissão, passa na faculdade, se forma, casa, tem filhos, vai ganhando mais dinheiro, troca de casa e por aí vai…e todo mundo saiu seguindo esse padrão, como se de fato fosse algo natural, como se fosse o único caminho para a felicidade. Mas pensa comigo: pode ser algo natural se nem todo mundo está feliz com isso? Como eu sei? Olha quanta gente aí, aos 30, trocando de carreira, de parceiro, de cidade, de país, de vida!

>>>> leia também: “à “não lista” dos 30 <<<<

Natural é aquilo que faz sentido pra gente naquele momento, independente da idade que temos. Pra uns vai fazer sentido seguir esse padrão imposto, se casar, ter filhos ou ter a mesma profissão a vida toda. E tá tudo bem. Pra outras vai fazer mais sentido trocar de carreira, se reinventar e não ficar estagnado em algo que não está mais trazendo felicidade. E aí bate o medo (sempre ele, né?). Medo de não corresponder ao que esperam da gente, medo de se ver dando “um passo para trás” – seja financeiramente, seja pessoalmente – quando, na verdade, o passo é pra frente, porque nada que nos faz feliz nos atrasa, mesmo que pra isso, ao olhar dos outros, tenhamos que ser a “coitadinha que voltou pra casa dos pais (ou nem saiu de lá)”, ou a que não faz mais as mesmas viagens de antes porque o trabalho novo não paga tão bem quanto o antigo…Em 2018 já passou da hora da gente se desprender disso, né?

30-anos

Repare que todos esses medos quase sempre vêm pautados na idade. Casar, estabilidade na carreira, nas finanças, ultimamente até os critérios de lazer, como as viagens, estão se pautando na idade! Quantas listas de “coisas para fazer antes dos 30” a gente já viu por aí ou até já fez? Ter objetivos é ótimo e acredito em metas, funciona pra muita gente, mas por que condicionar tudo isso a uma idade, um número? Porque temos que nos cobrar a uma certa altura da vida já termos feito ou conquistado certas coisas que às vezes nem fazem tanto sentido pra gente, apenas é esperado que a gente tenha feito? Depois dos 30 a gente entra num buraco negro onde não dá mais pra fazer nada? Não dá mais pra mudar nada na vida?

Vou falar aqui pra vocês, daqui do alto dos meus 35, a alguns dias dos meus 36 anos, como alguém que AMOU fazer 30 anos. Muda tudo mesmo. Mas muda pra melhor. Só depende de você parar de se preocupar com idade, parar de se preocupar com o que esperam de você e ir atrás de descobrir o que te faz feliz. Não vou te enganar, pode não ser o caminho mais fácil, mas quem disse que seguir a boiada é simples? As pessoas vão sim, opinar, mas quem se importa? No fim, quando você se der conta de que está indo rumo à sua felicidade, que só você pode conquistar por você, quem estava ali, criticando e julgando, talvez entenda os seus motivos e você acabar inspirando os outros sem nem perceber.