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3 em Book do dia/ Comportamento/ Sem categoria no dia 12.06.2017

Book do dia: A amiga genial, de Elena Ferrante

Finalmente um book do dia dando as graças aqui! O motivo da demora – o último livro que veio parar aqui foi há dois meses atrás! :( – é que eu emendei em um outro livro muito específico e não tão interessante que provavelmente não faria muito sucesso por aqui. Até que cheguei na Amiga Genial, e estou arrependida demais de não ter começado antes, porque estou simplesmente VI-CI-A-DA.

Esse é o primeiro livro da tetralogia Série Napolitana, foi lançado em 2011 e eu não sei o que eu estava fazendo que ainda não conhecia. Na verdade, fiquei sabendo no final do ano passado, quando uma amiga indicou e me deixou curiosa, mas como estava com alguns livros comprados, esperei a leva terminar para comprá-lo na seguinte.

Eu não li a sinopse, mas quem gosta de saber do que se trata:

A Série Napolitana, formada por quatro romances, conta a história de duas amigas ao longo de suas vidas. “A Amiga Genial” é narrado por Elena Greco e cobre da infância aos 16 anos. As meninas se conhecem em uma vizinhança pobre de Nápoles, na década de 1950. Elena, a menina mais inteligente da turma, tem sua vida transformada quando a família do sapateiro Cerullo chega ao bairro e Raffaella, uma criança magra, mal comportada e selvagem, se torna o centro das atenções. Essa menina, tão diferente de Elena, exerce uma atração irresistível sobre ela. As duas se unem, competem, brigam, fazem planos. Em um bairro marcado pela violência, pelos gritos e agressões dos adultos e pelo medo constante, as meninas sonham com um futuro melhor. Ir embora, conhecer o mundo, escrever livros. Os estudos parecem a melhor opção para que as duas não terminem como suas mães entristecidas pela pobreza, cansadas, cheias de filhos. No entanto, quando as duas terminam a quinta série, a família Greco decide apoiar os estudos de Elena, enquanto os Cerullo não investem na educação de Raffaella. As duas seguem caminhos diferentes. Mais que um romance sobre a intensidade e complexa dinâmica da amizade feminina, Ferrante aborda as mudanças na Itália no pós-guerra e as transformações pelas quais as vidas das mulheres passaram durante a segunda metade do século XX. Sua prosa clara e fluída evoca o sentimento de descoberta que povoa a infância e cria uma tensão que captura o leitor.

Gente, QUE LIVRO. Apesar de eu ter achado arrastado em alguns momentos – e personagens demais para o meu gosto (eu tiraria pelo menos uns 8 que estão ali de figuração) – eu estava precisando muito de um livro que me despertasse tantos insights. Elena Ferrante consegue contar de maneira visceral sobre amor, amizade e amadurecimento, e isso me marcou. Ver a amizade de Lenu e Lila sendo contada com tanta riqueza de detalhes e focada nesses sentimentos controversos de inveja, inferioridade, competição e comparação, me fez ter um milhão de flashbacks enquanto virava as páginas.

Porque eu já tive uma amizade tóxica, e por muito tempo eu achava que eu era a vítima dessa história, mas enquanto lia esse livro e via a forma que Lenu enxergava os fatos e o modo que Lila reagia para se sentir superior à amiga me fizeram pensar se, as vezes, a amizade é tóxica para ambos os lados. Ou seja, aquele relacionamento não é saudável para nenhuma das duas, e apesar de existir admiração, preocupação e amor, as duas não conseguem se botar para cima ao mesmo tempo, afinal, a equação daquela relação é sempre uma em um patamar inferior à outra. E não é proposital, não é consciente e nem maldoso, é apenas a história de duas pessoas que não conseguem tirar o melhor uma da outra.

 

Ao todo, Elena Ferrante criou 4 livros da “Série Napolitana”, onde conta a história da evolução dessas duas personagens, e eu estou muito curiosa para saber o que vai acontecer com Lila e Lenu, até porque “A amiga genial” termina de forma um pouco abrupta demais, então se você não emenda um livro no outro, é capaz de esquecer (principalmente se você tiver a memória horrorosa como a minha haha).

A sorte é que todos os livros já estão à venda, o único problema é que provavelmente essa tag vai ficar monotemática por um tempo, tudo bem??

Beijos!

1 em Sem categoria no dia 17.05.2017

Eu tenho um filho que vai espernear no meio do shopping

Quando você pensa em birra de criança em público, acho que todo mundo tem mais ou menos a mesma imagem na cabeça: um shopping, provavelmente uma loja de brinquedos, a mãe dizendo que não vai dar o que a criança quer agora enquanto o filho (ou filha) se joga no chão, esperneando, gritando algo parecido com “EU QUEROOOO” e chorando a plenos pulmões, praticamente desafiando a biologia humana.

Acho que toda mãe tem pavor desse episódio, e tenho quase certeza que esse pavor só acontece porque todo mundo já julgou a coitada da mãe com filhos birrentos. Eu já julguei, conheço inúmeras pessoas que já julgaram, tenho certeza que até mesmo quem não julgou ou olhou feio, pensou nem que fosse por um minuto que os pais (ou melhor, a mãe, né. a culpa sempre cai em cima da mãe nessas horas) não deram educação, não deram limites, por isso esse tipo de coisa está acontecendo.

Pois bem, outro dia eu cheguei à conclusão de que provavelmente eu não vá escapar de vivenciar esse filme de terror em algum momento. Arthur está numa fase testadora de limites, então é só eu dizer não que ele vai lá e faz. E bem, ele é teimoso mas eu sou muito mais, então depois de dezenas de vezes tirando-o do lugar que não é para ir, eu peguei na mão dele mas ele tirou com força, começou a bater forte com os pés no chão e gritou alto. Alto demais, berros seguidos de gritos, desesperador. Isso aconteceu dentro de casa, mas foi o suficiente para eu me transportar para o meio do shopping e me botar no lugar da mãe que recebe os olhares tortos.

Ao mesmo tempo lembrei de uma conversa com uma amiga que antes de ter filhos era a primeira a dizer que “filho dela nunca faria uma coisa dessas, imagina que absurdo”. Aí, quando eu estava no Rio em Fevereiro, a gente estava conversando e ela me soltou: “Carla, você não sabe, Alexandre estava fazendo malcriação para mim na natação, eu tirei ele de lá e ele foi até em casa se jogando no chão e gritando, ou seja, por uma quadra e meia eu virei a mãe que não dá limites que eu sempre critiquei, sendo que ele estava fazendo isso tudo justamente porque eu estava dando limites“.

Não é uma loucura?

Eu realmente não queria ter tido que virar mãe para aprender a não julgar esse tipo de situação, acho que por isso mesmo faço questão de escrever esse tipo de post. Claro que vamos cruzar com pais que não dão limites para os filhos, mas pelas minhas conversas e experiências, eles são minoria. Geralmente, quando você olhar uma criança esperneando por aí, é bem provável que ela venha acompanhada de pais que:

1) estão sendo firmes na sua decisão de não deixar a criança fazer o que bem entender
2) estão tentando acalmar o filho na base da conversa (e até fazer efeito são alguns minutos intermináveis de birra)
3) estão tão frustrados quanto e só não esperneiam também porque seria socialmente ridículo.

 

E o que você que está passando por uma cena dessas com pais que realmente estão fazendo o possível para contornar a situação pode fazer? NADA. Mas quando eu falo nada, não estou falando em ficar de braços cruzados olhando e julgando mentalmente. Estou falando em não olhar e se olhar que não seja com aquela cara de indignação, não comentar e se comentar, tente não fazer na frente dos pais (já ajuda bastante) e acima de tudo, tente não julgar.

Sei que é difícil, sei que incomoda e atrapalha, sei que dá vontade de presumir milhões de coisas para justificar a cena, mas a gente realmente não sabe nada da vida dos outros e isso inclui pais com filhos que estão momentaneamente incontroláveis. Não é porque você viu aquele minuto desesperador que significa que a criança é impossível ou que tem algum problema na educação dela.

Na verdade a birra tem explicação científica e na maioria dos casos nada tem a ver com limites ou malcriação, ela é apenas uma desorganização neurológica temporária. O cérebro ainda está se ajustando e isso inclui aprender a entender as próprias emoções. Não que isso seja uma justificativa para os pais não agirem, mas serve como um entendimento para quem está de fora preferindo julgar a tentar entender a situação.

 

Sei que posso soar repetitiva, mas cada dia que passa tenho mais certeza que empatia é a palavrinha mágica que resolve muita coisa. Tentar se botar no lugar do outro por um segundo provavelmente ajudaria a tornar essa cena, que já é constrangedora sem ninguém olhando, um pouco mais leve. Não acham?

2 em Comportamento/ Devaneios da Mari/ Sem categoria no dia 25.01.2017

Devaneios da Mari: A gente atrai o que transmite, então bora transmitir coisas boas!

Já falei aqui sobre como o sofrimento gosta de companhia. Mas e as alegrias? A gente parece ser meio viciado em dramatizar as coisas, em arrastar as situações e hiper compartilhar cada detalhe das chatices e tristezas que vivemos…

Claro que não é pra migrar pro extremo oposto. Botar pra fora é necessário. Mas com os poucos e bons que realmente estão interessados no que você tem a dizer e a te ajudar. Agora… já pensou se um belo dia o mundo acordasse diferente e as pessoas resolvessem buscar a identificação, a criação de laços e a empatia pelas coisas boas e não pelos seus dramas?

Repare… na praia a gente comenta com a pessoa na barraca do lado como está quente ou como mar está sujo, no cabeleireiro a nossa tendência é comentar nossos dramas capilares (ou falar mal da vida dos famosos que aparecem nas revistas espalhadas por ali), na fila do quilo a gente olha pro companheiro de espera logo atras e comenta sorrateiramente como o fulaninho lá na frente demora pra decidir o que vai comer.

Já pensou se ao invés disso a gente buscasse socializar com as pessoas na fila do quilo perguntando se tal prato é bom? E se no cabeleireiro a gente compartilhasse tratamentos ou penteados que deram certo pro nosso cabelo? E na praia, que podemos elogiar o biquíni da moça ao lado – que secretamente a gente estava admirando – ao invés de lamentar a maior das obviedades, afinal, se não estivesse quente, dificilmente vocês estariam na praia.

Claro, que essas situações que coloquei são as mais superficiais. Envolvendo pessoas com quem não temos intimidade. Aliás, que na maioria das vezes nunca vimos na vida. Mas esse é o primeiro passo pra gente levar essa ideia para os círculos mais íntimos de amigos e família. E por que não ao contrário? Por que começar com estranhos? Por um motivo meio triste até… porque você precisa já estar mais afiada na arte de trazer assuntos bons pra divulgar para os outros as suas alegria pessoais. Não sou a dona da verdade absoluta do mundo, loooonge disso; mas pra mim um dos principais motivos pelos quais preferimos resmungar sobre coisas chatas ou que não vão bem é porque isso não ofende a ninguém.

É uma constatação triste, mas a felicidade pode ofender. E ao começar a trazer essa ideia pra sua vida com assuntos mais corriqueiros, você vai desenvolvendo o seu tato e aprendendo até onde dá pra ir com cada grupo. Porque a ideia não é você gerar inveja ou mostrar pra ninguém que você é melhor. E sim aprender a compartilhar alegrias e ouvir de peito aberto as alegrias dos outros sem estimular a inveja nem em você mesma nem no outro.

Porque eu penso o seguinte: a gente rapidamente angaria empatia pelo drama porque é implícito que todo mundo tem dramas na vida. Mas, veja só, todo mundo tem alegrias também! Alegrias, assuntos agradáveis, ideias legais. Vou te dar agora alguns exemplos: todo mundo tem aquela amiga de quem discorda totalmente quando o assunto é política. Ao invés de alimentar a amargura sobre esse ponto de atrito e pegar bode dela, procure saber mais o que ela anda fazendo de legal e quando se falarem comente que adorou as fotos da viagem que ela fez ou que achou o máximo que o negócio dela está dando super certo. Quando você reparar, vão estar conversando há horas sobre dicas de viagem ou sobre ideias geniais para empreender e não vão ter perdido um minuto sequer cultivando o afastamento que cresce quando decidem focar no que não concordam.

Resumindo, não é pra fingir que o mundo é cor de rosa, mas pra tentar suavizar o que dá pra ser suavizado, sabe? Elogiar quando tiver vontade tanto quanto abertamente falaríamos mal sem pensar duas vezes… virar a chavinha. Porque a gente atrai o que transmite e vamos combinar que todo mundo quer atrair coisa boa. Né não?