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1 em Comportamento/ maternidade/ Sem categoria no dia 16.08.2017

Quando a creche deixa de ser apenas um sinônimo de liberdade materna

Antes mesmo do Arthur nascer nossos planos eram de colocá-lo em uma creche só depois que ele completasse um ano. Naquela época eu e toda minha (falta de) experiência com bebês, já achava que ele estaria andando, falando e interagindo, por isso seria uma boa época para introduzir essa nova experiência na vida dele. Eu tinha toda a estrutura, inclusive de trabalho, para deixá-lo em casa e a convicção de que eu queria aproveitar o privilégio de poder acompanhar o primeiro ano dele bem de perto.

O que aconteceu é que assim que Arthur fez 1 ano a gente descobriu que creche em Nova York é um bicho caro pra caramba. E obviamente se a gente quisesse ter botado ele com 1 ano, deveríamos ter segurado sua vaga assim que chegamos, em Junho. Nada disso a gente levou em conta e por isso, entre organizações financeiras e operacionais, conseguimos que ele começasse em Setembro.

Só que demos uma sorte enorme nesse meio tempo e em Maio surgiu a oportunidade do Arthur começar em Julho. E hoje faz 1 mês e meio que ele está lá, 2 vezes por semana, meio período.

Jurava que a maior vantagem da creche seria o me time, aquele momento pra mim que eu não precisaria depender de marido ou de babá para acontecer. Aquelas 10 horas semanais só minhas que, depois de 1 ano e meio de criança em casa, eu ansiava mais do que tudo. É óbvio que é uma senhora vantagem, mas acabei descobrindo outro motivo que me deixou igualmente feliz: a creche estava dando oportunidades para o Arthur que eu não consigo dar.

Eu achei que eu iria sentir a tal culpa que tantas mães me falaram que sentiram. Eu estava preparada para ela. Mas a verdade é que a medida que as semanas foram passando e o Arthur começou a chegar em casa falando coisas que nunca tinha falado e gestos que nunca tinha feito, eu só consegui sentir felicidade. E me surpreendi ao ver que toda essa alegria não tinha a ver exclusivamente com a minha liberdade.

Está fora do meu alcance dedicar toda a minha atenção para atividades que desenvolvam aptidões, eu nem sei como começar a fazer isso. Como mãe eu dou amor e carinho, mas não tenho o tempo, a criatividade nem a didática para transformar tudo em experiências lúdicas para passarmos o tempo.

Como mãe eu providencio playdates e levo no parque mas não é a mesma coisa que estar várias vezes na semana brincando, tirando cochilos e comendo com as mesmas crianças de idades e compreensão de mundo parecidas. Como mãe eu acabo apelando para o Ipad e televisão depois de uma certa hora, enquanto na creche todas as atividades passam longe da tecnologia. Lá ele tem um lugar onde ele pode sujar as mãos, as roupas e até os sapatos, sem ter uma mãe estressada com a bagunça que está fazendo em casa.

E quer um bônus? O tempo que a gente tem junto depois da creche tem muito mais qualidade, mais atenção e mais felicidade. Ou seja, culpa? Não, eu to é muito feliz de ver meu filho desbravando o mundo :)

1 em Sem categoria no dia 25.07.2017

Look da Cá: ombro a ombro e muitos pensamentos

Esse é o tipo de post de look do dia que quem não curte umas divagações vai achar que eu estou sendo exagerada ou dramática. Mas fazer o quê, as vezes a gente bota uma peça que nos traz diversos questionamentos, e eu acho isso ótimo. Quanto mais eu me questiono, mais eu me sinto confortável com o que eu visto, não importa se é um biquini ou um vestido longo.

E daí esse começo surgiu por causa de uma peça específica: uma blusa ombro a ombro que de uns tempos para cá, toda vez que eu botava, eu tirava. Ela me veste bem e eu adoro esse decote (como vocês podem ver aqui, aqui e aqui), mas eu comecei a ficar com preguiça de sair com esse tipo de blusa quando estava com o Arthur – ou seja, praticamente todo dia – porque com criança se mexendo para lá e para cá eu tenho que ficar ajeitando ela no lugar toda santa hora.

Mas eu amo ombro a ombro, e aí? E aí que eu lembrei de um outro texto que eu fiz, onde eu incentivava outras mães a não perderem suas identidades só por causa dos filhos e percebi que eu estava desanimando. Então me reanimei. :)

blogueira tentando tirar foto de look com o filho na sala dá nisso hahaa

Blusa PS Love Stripes | Calça Zara | Sapatilha Chanel | Bolsa Coach

Outra questão que eu acabei tendo com esse look é por causa do cabelo. Ombro a ombro e coque são praticamente complementares, só que se vocês repararem pelos meus outros looks, eu nunca uso o penteado com esse decote. Ou melhor, eu quase não uso cabelo preso porque eu me prefiro com eles soltos.

Só que domingo eu estava com os cabelos lisos do corte que eu fiz no dia anterior, e como eu também não me curto com os fios alisados (eu amo volume e a escova tira tudo!), eu me olhei no espelho e estranhei. Fiz um meio rabo só para disfarçar a falta de volume na raiz, botei um brincão e deixei a maior parte solta, mas ainda estava incomodada porque eu tava com uma cara de boa moça demais que eu não queria.

Até que uma hora resolvi deixar de besteira e fiz o coque. E foi aquele UAU. Com o brinco, com a blusa ombro a ombro, parece que tudo estava em seu lugar e só aí fiquei feliz e satisfeita de verdade com o resultado.

Ou seja, eu estava me prendendo tanto que passei metade do dia meio insatisfeita, e só quando eu resolvi relaxar e deixar de me impor limitações sem motivos que senti o alívio real, daqueles que você sente na alma.

“Ah, Carla, mas você está sendo exagerada, isso tudo só por um look do dia?” Não, isso tudo porque eu fui aprendendo a soltar algumas amarras que eu mesma me coloquei e que estavam me desincentivando. Acho que é muito mais do que um look, né? :)

 

3 em Book do dia/ Comportamento/ Sem categoria no dia 12.06.2017

Book do dia: A amiga genial, de Elena Ferrante

Finalmente um book do dia dando as graças aqui! O motivo da demora – o último livro que veio parar aqui foi há dois meses atrás! :( – é que eu emendei em um outro livro muito específico e não tão interessante que provavelmente não faria muito sucesso por aqui. Até que cheguei na Amiga Genial, e estou arrependida demais de não ter começado antes, porque estou simplesmente VI-CI-A-DA.

Esse é o primeiro livro da tetralogia Série Napolitana, foi lançado em 2011 e eu não sei o que eu estava fazendo que ainda não conhecia. Na verdade, fiquei sabendo no final do ano passado, quando uma amiga indicou e me deixou curiosa, mas como estava com alguns livros comprados, esperei a leva terminar para comprá-lo na seguinte.

Eu não li a sinopse, mas quem gosta de saber do que se trata:

A Série Napolitana, formada por quatro romances, conta a história de duas amigas ao longo de suas vidas. “A Amiga Genial” é narrado por Elena Greco e cobre da infância aos 16 anos. As meninas se conhecem em uma vizinhança pobre de Nápoles, na década de 1950. Elena, a menina mais inteligente da turma, tem sua vida transformada quando a família do sapateiro Cerullo chega ao bairro e Raffaella, uma criança magra, mal comportada e selvagem, se torna o centro das atenções. Essa menina, tão diferente de Elena, exerce uma atração irresistível sobre ela. As duas se unem, competem, brigam, fazem planos. Em um bairro marcado pela violência, pelos gritos e agressões dos adultos e pelo medo constante, as meninas sonham com um futuro melhor. Ir embora, conhecer o mundo, escrever livros. Os estudos parecem a melhor opção para que as duas não terminem como suas mães entristecidas pela pobreza, cansadas, cheias de filhos. No entanto, quando as duas terminam a quinta série, a família Greco decide apoiar os estudos de Elena, enquanto os Cerullo não investem na educação de Raffaella. As duas seguem caminhos diferentes. Mais que um romance sobre a intensidade e complexa dinâmica da amizade feminina, Ferrante aborda as mudanças na Itália no pós-guerra e as transformações pelas quais as vidas das mulheres passaram durante a segunda metade do século XX. Sua prosa clara e fluída evoca o sentimento de descoberta que povoa a infância e cria uma tensão que captura o leitor.

Gente, QUE LIVRO. Apesar de eu ter achado arrastado em alguns momentos – e personagens demais para o meu gosto (eu tiraria pelo menos uns 8 que estão ali de figuração) – eu estava precisando muito de um livro que me despertasse tantos insights. Elena Ferrante consegue contar de maneira visceral sobre amor, amizade e amadurecimento, e isso me marcou. Ver a amizade de Lenu e Lila sendo contada com tanta riqueza de detalhes e focada nesses sentimentos controversos de inveja, inferioridade, competição e comparação, me fez ter um milhão de flashbacks enquanto virava as páginas.

Porque eu já tive uma amizade tóxica, e por muito tempo eu achava que eu era a vítima dessa história, mas enquanto lia esse livro e via a forma que Lenu enxergava os fatos e o modo que Lila reagia para se sentir superior à amiga me fizeram pensar se, as vezes, a amizade é tóxica para ambos os lados. Ou seja, aquele relacionamento não é saudável para nenhuma das duas, e apesar de existir admiração, preocupação e amor, as duas não conseguem se botar para cima ao mesmo tempo, afinal, a equação daquela relação é sempre uma em um patamar inferior à outra. E não é proposital, não é consciente e nem maldoso, é apenas a história de duas pessoas que não conseguem tirar o melhor uma da outra.

 

Ao todo, Elena Ferrante criou 4 livros da “Série Napolitana”, onde conta a história da evolução dessas duas personagens, e eu estou muito curiosa para saber o que vai acontecer com Lila e Lenu, até porque “A amiga genial” termina de forma um pouco abrupta demais, então se você não emenda um livro no outro, é capaz de esquecer (principalmente se você tiver a memória horrorosa como a minha haha).

A sorte é que todos os livros já estão à venda, o único problema é que provavelmente essa tag vai ficar monotemática por um tempo, tudo bem??

Beijos!