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0 em Sem categoria no dia 17.09.2018

Do alto dos meus 35

Outro dia rolou uma conversa muito bacana no grupo do Papo Sobre Autoestima sobre a chegada aos 30 anos e as viradas de vida, depois que esse texto do Buzzfeed foi compartilhado. Foi muito fantástico ver todas as histórias de gente que resolveu mudar seus planos na virada de década, seja por vontade própria ou pelas circunstâncias. A verdade é que ver tantas histórias de mulheres que mudaram o rumo e assumiram a rédea dos seus destinos, saíram de suas zonas de confortos e foram atrás do que realmente as fariam felizes foi inspirador. Depois de ler todos os comentários fiquei pensando naquela conversa por dias, e notei que uma das maiores preocupações era o medo de não estar no patamar esperado para se estar naquela idade. Vamos conversar sobre isso?

A gente sabe que a sociedade criou um caminho que eles consideram como o natural: você nasce, cresce, estuda, escolhe sua profissão, passa na faculdade, se forma, casa, tem filhos, vai ganhando mais dinheiro, troca de casa e por aí vai…e todo mundo saiu seguindo esse padrão, como se de fato fosse algo natural, como se fosse o único caminho para a felicidade. Mas pensa comigo: pode ser algo natural se nem todo mundo está feliz com isso? Como eu sei? Olha quanta gente aí, aos 30, trocando de carreira, de parceiro, de cidade, de país, de vida!

>>>> leia também: “à “não lista” dos 30 <<<<

Natural é aquilo que faz sentido pra gente naquele momento, independente da idade que temos. Pra uns vai fazer sentido seguir esse padrão imposto, se casar, ter filhos ou ter a mesma profissão a vida toda. E tá tudo bem. Pra outras vai fazer mais sentido trocar de carreira, se reinventar e não ficar estagnado em algo que não está mais trazendo felicidade. E aí bate o medo (sempre ele, né?). Medo de não corresponder ao que esperam da gente, medo de se ver dando “um passo para trás” – seja financeiramente, seja pessoalmente – quando, na verdade, o passo é pra frente, porque nada que nos faz feliz nos atrasa, mesmo que pra isso, ao olhar dos outros, tenhamos que ser a “coitadinha que voltou pra casa dos pais (ou nem saiu de lá)”, ou a que não faz mais as mesmas viagens de antes porque o trabalho novo não paga tão bem quanto o antigo…Em 2018 já passou da hora da gente se desprender disso, né?

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Repare que todos esses medos quase sempre vêm pautados na idade. Casar, estabilidade na carreira, nas finanças, ultimamente até os critérios de lazer, como as viagens, estão se pautando na idade! Quantas listas de “coisas para fazer antes dos 30” a gente já viu por aí ou até já fez? Ter objetivos é ótimo e acredito em metas, funciona pra muita gente, mas por que condicionar tudo isso a uma idade, um número? Porque temos que nos cobrar a uma certa altura da vida já termos feito ou conquistado certas coisas que às vezes nem fazem tanto sentido pra gente, apenas é esperado que a gente tenha feito? Depois dos 30 a gente entra num buraco negro onde não dá mais pra fazer nada? Não dá mais pra mudar nada na vida?

Vou falar aqui pra vocês, daqui do alto dos meus 35, a alguns dias dos meus 36 anos, como alguém que AMOU fazer 30 anos. Muda tudo mesmo. Mas muda pra melhor. Só depende de você parar de se preocupar com idade, parar de se preocupar com o que esperam de você e ir atrás de descobrir o que te faz feliz. Não vou te enganar, pode não ser o caminho mais fácil, mas quem disse que seguir a boiada é simples? As pessoas vão sim, opinar, mas quem se importa? No fim, quando você se der conta de que está indo rumo à sua felicidade, que só você pode conquistar por você, quem estava ali, criticando e julgando, talvez entenda os seus motivos e você acabar inspirando os outros sem nem perceber.

1 em Sem categoria no dia 11.06.2018

Por que a altura é uma questão nos relacionamentos?

Eu já falei aqui no Futi sobre questões de altura e a minha perspectiva, que é, sim, bastante confiante, especialmente por ter sido algo do que sempre me orgulhei e nunca considerei um problema. 

Porém, li esses dias uma frase que me despertou algo que eu nunca tinha pensado antes. A frase diz: “Homens altos não são mais comuns que mulheres altas. Homens tem a permissão para ser altos”. Foi quando me ocorreu que muitas vezes os comportamentos quase agressivos que vejo em relação à altura vindo das pessoas, giram em torno dessa crença. Muito do “Ah, você é muito alta, não precisa usar salto”, vem daí! De fato eu não preciso, mas às vezes, eu quero. E o meu querer vem sempre antes da opinião alheia.

A questão da diferença da altura entre casais é um dos padrões estabelecidos com um base tão sólida que parece quase natural e inerente das pessoas. A mulher tem que ser mais baixa que o homem. Porque criaram a ideia de que a mulher mais baixa é delicada, indefesa e necessita de proteção. As princesas são pequenas e delicadas. As guerreiras são altas, fortes. Agora me diga, se em 2018, isso faz algum sentido?

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A pergunta que eu mais escuto relacionada à minha altura não é quanto eu meço. Me perguntam sempre: “Seu namorado é mais alto que você?” ou ainda, uma versão mais indelicada: “Mas você ACHA homens mais altos que você?”, como se fosse uma condição ou, caso não existisse nenhum homem mais alto que eu, estaria condenada a viver sozinha, pobre de mim.

Muitas pessoas me abordam e comentam que não usam salto pois vão ficar mais altas que seus parceiros. Ou até mesmo me contam que estão se interessando por caras mais baixos, e que isso gera certo desconforto. Ou ainda, aquele comentário inocente “Prefiro homens altos”. Pode ser o seu gosto? Sem dúvidas. Mas quanto do seu gosto foi influenciado pelo que foi imposto?

Porque a altura, ou a diferença dela, precisa ser uma questão que causa desconforto ou até mesmo um impeditivo para se relacionar, quando sabemos que um relacionamento se faz de outros valores muito mais importantes? E sim, é claro que a atração física conta, mas se você já curtiu o cara, ou ele gostou de você, faz sentido se limitar por alguns centímetros? Se você se sente linda e poderosa de salto alto, porque você vai deixar de usar mesmo que fique mais alta que o seu parceiro? É apenas um salto!

Claro que eu já me deparei com situações em que os caras diziam que não se aproximavam porque eram mais baixos. Que reclamaram por eu estar mais alta de salto do que eles. Mas eu sempre fiz questão de priorizar me sentir bem e sempre deixei claro que essa diferença de altura não me incomodava, e que não deveria incomodar a eles também. Não pensem que o incômodo com a minha altura e minha condição de estar confortável na minha própria pele se restringia apenas aos caras mais baixos do que eu. Também existiram os mais altos do que eu que se incomodavam por eu ficar da altura deles, ou por chamar a mesma atenção que eles, o que só prova meu ponto de que são padrões que confortam apenas os homens, oprimindo mais uma vez as mulheres com uma condição que não se muda, já que ninguém pode crescer ou encolher de acordo com a própria vontade.

 Gosto de acreditar que são situações de seleção natural. Quem é confiante de si, se aproxima sem levar isso em consideração. Quem não se garante, reclama. Então servia para eu saber logo no começo com que tipo de pessoa eu estava escolhendo me relacionar e se valia à pena ou não.

E com isso, pude me sentir cada vez mais dona de mim, das minhas vontades e a minha confiança crescia à medida que, a cada pessoa insegura que eu afastava, se aproximavam pessoas que valorizavam isso. Pessoas que me incentivavam a usar meus saltos, ou mesmo a apenas ser mais alta, pois viam isso como uma qualidade e percebiam o quanto eu me sinto à vontade e confiante sendo assim, ao ponto de me pedirem para usar salto ou se sentirem orgulhosos quando notavam nossa diferença de altura. Afinal de contas, precisa ser muito bom para poder andar ao lado de um “mulherão” e isso é digno de orgulho!

5 em Sem categoria no dia 05.06.2018

A mãe que não está sozinha

Estar em um lugar com seu filho ao mesmo tempo que você está rodeada de gente sem filhos, é um verdadeiro desafio. Socializar com uma criança que precisa de supervisão constante em um lugar pequeno e ambiente controlado é fácil, só que ninguém te prepara para o desafio que é estar em um lugar onde a diversão dos adultos não é a mesma que a das crianças.

A primeira vez que isso aconteceu comigo, eu tive vários sentimentos. De início fiquei feliz de vê-lo brincando com outras crianças, com outros brinquedos, se divertindo. Só que não demorou muito para eu querer voltar para a mesa, sentar e comer alguma coisa sem precisar ficar naquele ambiente onde a música da Galinha Pintadinha quase estourava meus tímpanos. E tirá-lo dali para irmos juntos para a mesa se tornou uma tarefa impossível, afinal, que criança em sã consciência iria querer sair da brincadeira para sentar numa mesa cheia de adultos, não é mesmo?

Resumindo: para ele, a noite foi maravilhosa. Para mim, foi um saco. Nunca imaginei que queria tanto socializar até entender que essa opção não existia.

A segunda vez foi até um pouco mais fácil, mas não menos maçante. Estava em um aniversário do amigo do meu marido, em um ambiente enorme e com muitos outros atrativos que não a mesa dos adultos. O lugar, inclusive, foi escolhido com cuidado pensando nos amigos com crianças. O único negócio é que foi pensado por alguém sem filhos que não imaginava que nessas situações existe esse isolamento natural de um dos pais, que fica com o cargo de correr atrás da criança. Nessa situação seria eu, afinal, queria que meu marido aproveitasse o aniversário do amigo dele.

Eu estava preparada para isso, e achei que o fato de não conhecer muito bem os outros convidados me faria sentir menos sozinha, mas não foi isso que aconteceu. Como únicos pais de crianças dessa faixa etária na mesa, não demorou muito para eu me ver ali, no meio da área onde a criançada brincava, parada perto do Arthur e tomando cuidado para ele não jogar as pedrinhas do chão para o alto e atingir outras pessoas e separando eventuais brigas por compartilhamento de brinquedos. Olhava para outras mesas e literalmente invejava cada pessoa que estava na sua roda de amigos, conversando despreocupada sobre qualquer amenidade, comendo e bebendo à vontade. Ao redor, outras mães com as mesmas caras de que preferiam estar em qualquer outro lugar do mundo do que ali.

Eu jurava que não seria a mãe que evitava certos programas, eu jurava que estava sabendo equilibrar muito bem meus mundos, eu jurava que estava tirando tudo de letra. Mas toda vez que tenho um programa desses eu entendo toda mulher que diz que se afastou de amigos sem filhos. Eu entendo a amiga que prefere mal sair de casa só para evitar a função de não ter vida social em um lugar cheio de vida social. Porque para a maior parte das mães esse tipo de programa é difícil, entediante e solitário, e para os amigos é preciso ter uma dose extra de empatia para perceber que a amiga sozinha ali no parquinho do restaurante pode fazer um bom uso da sua companhia, por mais que o lugar não seja tão confortável quanto a mesa da galera.

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Lembro de uma frase em um post da Ju Ali que me impactou. Ela dizia que se sentia amada quando seus amigos brincavam com seus filhos. Eu também, mas digo mais, me sinto muito amada quando vejo alguém disposta a pegar na minha mão nessa caminhada tantas vezes solitária chamada maternidade. Então, fiz esse texto para você, amiga sem filhos (poderia ser amigo sem filhos para o marido também, mas vou focar no feminino por esse blog ter 98% do público feminino).

Se você estiver em um lugar e notar uma amiga com filhos sozinha cuidando das crianças enquanto todo mundo está conversando, bebendo e comendo, vai lá. Leva algo para comer, para beber, mas principalmente, leva um papo qualquer, só para tirá-la por alguns minutos da função, distrair a cabeça. Você pode ter certeza que essa vai ser a melhor coisa que você irá fazer por sua amiga.