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0 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Looks/ Moda/ Patrocinador no dia 16.05.2018

Look da Jô: Academia, moda fitness e como me sinto um mês depois!

Ano passado fiz meu primeiro post de moda fitness com escolhas da Marcyn com as peças que levei para o Atacama. Algumas das peças escolhi pra levar na viagem, outras eu já estava usando em looks de aeroporto e momentos em que o conforto fosse uma pedida importante. Sendo super transparente com vocês, acredito que de todas as linhas da marca, a fitness tenha sido a que mais demorou para entrar de vez na minha rotina.

O motivo? 2017 foi um dos anos mais difíceis para conciliar minha agenda com a do meu personal e eu tinha uma enorme dificuldade com a ideia de entrar na academia.
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tradicional: top + legging
Plus: top + legging

O medo de vestir o look da inadequação e de me sentir oprimida nesse tipo de ambiente acabava me afastando da importante missão de movimentar meu corpo, sem planos de emagrecimento, metas ousadas e dietas malucas. Como contei aqui no blog, resolvi enfrentar essas questões do medo do julgamento e da inércia de frente e, no último mês, tudo está bem diferente. O assunto que foi sementinha plantada aqui virou inclusive minha matéria da Glamour Brasil desse mês, cuja chamada foi até pra Globo.com.

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Top vinho e legging vinho – top vinho plus – legging vinho plus

Depois de 30 dias indo regularmente na academia e enfrentando fantasmas antigos, abri mão desse lugar de oprimida e vesti meus looks sem medo. Fui de top pra aula de dança e pra musculação, corri na esteira e encarei a bike com ou sem camiseta, sem medo, pra cuidar de mim da forma mais livre que uma pessoa que já teve pavor desse ambiente pudesse conseguir.

O clima intimidador pode até continuar lá, quem está olhando pra isso de outra maneira sou eu. Busco uma audição seletiva, preferindo não dar voz a certos assuntos e comentários. Tento entender que cada um vive dentro das prisões que conhece, não é porque o outro acredita nela que eu também preciso acreditar. A culpa da alimentação ou da quantidade de sacrifícios de outras pessoas não precisam ser minhas e assim estou levando de maneira mais leve a cada dia o ambiente da academia.

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Top estampado e calça básica

Justamente por gostar de mim, desse corpo e dessa vida que eu tenho optei por buscar exercícios que me façam sentir prazer. Acredito que só assim vou conseguir mantê-los na minha vida num longo prazo. Fazer atividade física e fortalecer meus músculos são atitudes que vão me ajudar na longevidade, independente do tipo de corpo que eu venha a ter. Sempre falei que a OMS recomenda exercício como algo muito importante em termos de saúde para todos, então podemos e devemos cuidar dos nossos corpos, mantê-los em movimento por gostarmos deles, não por odiar, não por culpa.

Minha meta não era perder peso ou compensar nada. Minha meta era encontrar atividades de cuidados com o corpo que me dessem outros ganhos como: alegria, diversão, aliviar o estresse, consciência corporal, condicionamento cardiovascular, melhoria do sono e outros benefícios que atingem a saúde física e mental, juntas. Não uma em detrimento da outra como estamos habituadas.

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Top roxo  – calça roxacamiseta roxa – top roxo pluslegging roxa plus 

Cada dia me sinto menos peixe fora d’água, me colocando menos no lugar da inadequação, como vim trabalhando na terapia! Me sinto mais segura a cada treino, não importando de ser a única de top em várias ocasiões. Estou à vontade com meu corpo e minha imagem, isso pra mim é uma delícia e uma libertação.

Aprendi nesse último mês que precisamos mudar a perspectiva e entender que todo corpo é digno de se exercitar e que a representatividade importa até nisso, para que nos sintamos acolhidas nos mais variados ambientes. Aprendi com a atriz Mariana Xavier que dançar era para todos, inclusive pra mim, ter essa referência me ajudou a ver que eu também podia ir pra aula, que hoje em dia, é uma das minhas preferidas.

 

Cuidar dos músculos e articulações faz parte desse meu processo de amor próprio e autoestima. Parece que não mudou muita coisa, mas na verdade mudou tudo. Ajustar as reais intenções de estar cuidando de mim e do meu corpo transformou os benefícios que eu tenho como expectativa hoje. Ao se tornar um processo de empoderamento meu abri mão da ideia de que precisava me transformar para ser aprovada naquele ambiente e de que eu precisava mudar para pertencer. Ficar segura de mim me deu forças pra olhar pra tudo de uma forma diferente, até mesmo para não me comparar com outras pessoas, sem fazer juízo de valor do meu corpo ou do corpo dos outros.

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Top preto e calça básica

Meu corpo não viveu ainda consequências estéticas, mas a saúde mental já está fazendo bom uso da nova rotina, assim como a força física já está diferente. Eu me sinto mais leve, mais feliz e menos estressada, mais livre pra me vestir e agir como sentir vontade.

O autoconhecimento me permitiu tanta coisa nesse processo de praticar atividade física, me expressar através da moda foi apenas um dos ganhos que eu tive durante esses últimos dias e por isso trouxe todos os meus looks e combinações pra vocês, porque finalmente consegui aproveitar um pouco de tudo isso que a Marcyn tem pra oferecer para variados tipos de corpos na sua linha fitness. 

Entrem no site, naveguem por lá e considerem experimentar essas peças. Separei todos os links da modelagem tradicional e da plus para abranger mais de nós. A linha básica  de suplex tem a melhor leeging e tops que eu já usei, a ponto de eu ter querido uma de cada cor. As demais peças são muito legais, além de ter qualidade elas tem estilo e podem ser usadas em momentos fora da academia como a Carla já falou aqui.

Quem estiver vivendo esse novo momento de se exercitar praticando um olhar mais amoroso e acolhedor me conta? Estou amando ler as histórias que estão nos mandando por DM sobre o assunto.

Beijos

 

0 em Autoestima/ Looks/ Moda no dia 04.05.2018

Look da Jô: barriga de fora

Eu sei que já havia apresentado meu umbigo pra vocês em outro texto. Acredito que atualmente vocês estejam todos familiarizados com esse buraquinho que fica no meio da minha barriga. Depois desse look icônico que postei aqui quebrei o jejum de uma vida inteira de looks com ele aparecendo. Cheguei a trazer a transparência aqui para o blog e aos poucos entendi que estava mesmo liberado usar a moda de forma livre, sem me prender ou me restringir por não ter o tal do corpo que sempre considerei padrão. Abri mão da crença de que para usar barriga de fora ou transparência eu precisava mudar meu corpo, e internalizei que eu precisava mesmo era mudar o meu olhar, afinal, só ele me limitava e me diminuía.

Se em junho do ano passado ousei de trazer o tema pro blog, posso dizer que foi em janeiro de 2018 que eu realmente abracei de verdade esse novo olhar para as peças de barriga de fora. Usei pela primeira vez uma blusa que comprei entre 2011 e 2013, mas nunca achava que eu tinha chegado no corpo para usá-la. Eu a guardei durante anos e sempre mantendo ela ali, em stand by, para ser usada no dia que eu fosse magra o suficiente para usar uma peça de cintura alta com aquela blusa. Doce ilusão, era apenas mais uma crença limitante que me impedia de me expressar através da moda.

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Postei o desabafo no insta e recebi tantas mensagens lindas que resolvi que iria mesmo quebrar essa minha antiga prisão. Vocês me ajudando no meu processo mais uma vez. Aos poucos fui ficando mais confortável e mais à vontade.

Não é a toa que comprei uma blusa super curta na minha última viagem e tô que tô usando ela. Comprei achando que seria pra um dia que eu acordasse poderosa e bancasse a barriga de fora, mas a verdade é que estou usando sempre que tenho vontade. Não foi preciso de coragem pra usar essa peça, foi só preciso de liberdade.

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clique aqui para ler o texto inteiro no insta do @futilidades

Nesse clima, usei esse look outro dia e um monte de gente elogiou no stories do @futilidades. Fiquei com vontade de postar, e foi nesse clima que aproveitei para usar essa produção no dia da minha sessão de fotos com o Pedro Mena. Fui de barriga de fora e ainda aproveitei para brincar com a cor da sandália, que casava perfeito com o detalhe da calça.

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blusa e calça verão (em liqui) passado Karamello | sandália nova da Vicenza

Karamello vem provando que chegou pra ficar porque o que vocês me veem repetindo roupa de lá não está no gibi, né? Acho ótimo ver uma marca com uma grade tão honesta ter tantos looks com a cara do Rio de Janeiro e que cabem em mim, que to naquele limbo de 44/46 que não costuma achar roupa nas lojas “comuns” e ao mesmo tempo não se enquadra no nicho de plus.

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Nesse look temos uma sandália inédita, que eu quis depois de ter visto no insta da Thassia Naves. Ela tem O tamanho de salto que eu amo, tem várias opções de cores e ainda pode ser destaque de looks mais básicos, que no meu caso de pessoa mais básica, acaba sendo fundamental. Para quem achou esse veludo laranja muito ousado, vou compartilhar essa cor linda de viver, mais clássica e sem ser de veludo, mas no mesmo modelo. Eu particularmente acho que vou usar muito, assim como uso a preta dessa vibe que tenho da Cavage.

A verdade é que eu poderia falar horas sobre os nobres motivos que vejo para o mercado apostar mais em sapatos com esse tamanho de salto, mas vou voltar ao que interessa: minha barriga de fora. 

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Se no início ela era uma causa, uma luta, hoje ela me parece cada dia mais normal na minha vida. É cada dia mais sobre escolher um look que tenho vontade, cada dia menos sobre causar. Parece que ao tirar essa crença limitante nesse trabalho de autoconhecimento e autoestima, que faço aqui e na terapia, eu me vejo sem nenhuma limitação. Eu simplesmente usei esse look porque amei, sem medo do que vão falar ou julgar. Visualmente me pareceu lindo e já não acredito mais que eu precisaria ter um corpo mais assim ou menos assado pra isso, seja pela barriga de fora ou até mesmo pela calça branca. Cheguei do feriado relaxada e coloquei essa roupa, pelo simples fato de que amei e não queria mais procurar defeitos em mim.

E vocês, o que acharam?

Tem o post completo da mudança do cabelo aqui.

Beijos

 

Fotos: Pedro Mena | @menaphotography

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Posts de look que falam da liberdade com o corpo:

Oi, esse mé meu umbigo, prazer!

Transparência agora eu posso! 

Transparência de novo, no Rock in Rio! 

Peitos soltos, livres e não tão em pé!
4 em Looks/ Moda no dia 05.03.2018

Look da Jô: resolvendo a inadequação… Comprar no masculino foi a solução!

O post de hoje é sobre um look normal, comum, desses que você pode ver em toda esquina. Nele só há um detalhe curioso, que foi o suficiente para que a gente pudesse transformar uma roupa comum em um texto do blog: a calça jeans.

Mas Joana, por que uma calça jeans tão bonitinha e básica será assunto? Explico: porque resolvi pela primeira vez na vida dar uma volta na ala masculina da Zara e logo de cara achei uma peça que poderia servir de forma apropriada e confortável no meu corpo.

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Eu abri os horizontes e descobri que existe uma possibilidade de um olhar mais neutro, independente dos gêneros na moda. Se meu short jeans preferido pode fazer referência a um modelo “roubado do namorado” e por isso se chama boyfriend, por que eu não poderia testar de forma mais literal essa experiência? Por que não entrar na Zara Man e buscar peças que podem, sim, vestir bem, sem precisar ter um namorado pra isso?

Eu sou apegada à peças com algum grau de cintura marcada, então creio que jaquetas ou camisas nem sempre poderão fazer meu estilo, mas shorts e calças jeans masculinos podem mesmo atender as minhas expectativas, a partir de agora ficarei de olho.

Esse post poderia acabar aqui, mas não vai…

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camiseta Miss Mano | calça Zara Man | bolsa Santa Lolla | bota Cavage | óculos Euro

Não acaba aqui  porque o que rendeu muitas trocas de comentários e mensagens diretas no meu instagram não foi o fato de eu ter comprado na sessão masculina de uma loja…. Foi o fato de eu ter contado que não é simples comprar calça jeans para o meu tamanho quando levamos em conta as lojas convencionais do shopping. Isso sim impressionou uma galera.

Bom, no quesito tamanho me sinto pouco incluída justamente por estar em um limbo. Diferente da maioria das minhas amigas mais magras e mais gordas, eu não vejo muitas opções em lojas brasileiras, ainda mais nas mais descoladas ou com um custo benefício mais bacana. Muitas vezes vocês me perguntam de onde é uma peça mais estilosa, quase sempre cito que é de alguma marca de Londres, o lugar que eu acho mais democrático em termos de tamanho. 

Não conseguir comprar em lojas tradicionais e nacionais não é um problema que só enfrentei agora, com mais de 85 quilos. Para ser bem honesta, mesmo quando pesava uns 70 eu tinha muita dificuldade em encontrar peças que não pulassem ou apertassem o meu corpo. Elas cabiam, mas estavam sempre espremendo algo aqui ou ali.

Até hoje não sei se o problema eram as marcas ou a falta de referências, afinal, todas as minhas amigas vestiam calça baixa e eu queria vestir também, mas até no meu peso mais magro elas faziam tudo pular. Nessa hora eu poderia ter mudado de modelo ou comprado uma maior, mas o que ficava bom na perna, fazia pular na cintura e, nesse dilema, calças sempre foram uma questão. Até que aceitei o óbvio – não tão óbvio na adolescência: eu deveria usar calças altas, que favoreciam mais o meu corpo, independente da boca ou do modelo. Elas precisavam abraçar minhas curvas, não quebrá-las no meio. Foi assim que em 2013, eu comecei a empreitada de comprar calças altas e nunca mais parei.

No entanto, quando eu estou num manequim GG ou 44 fico no tal limbo: ou compro em lojas cuja grade termina aí (e na maioria das vezes o 44 na verdade veste um 42) ou preciso procurar marcas que ainda não conheço e que começam do 44 em diante para atender ao público plus size. Simplesmente ter uma grade que vai do 34 ao 48 é uma tarefa que parece inviável para as marcas que operam no Brasil. Eu particularmente acho triste, parece que segrega as mulheres ao invés de apostar em uma moda inclusiva para muitas.

No entanto toda a reflexão da calça masculina não ficou apenas no entorno de “encontrar ou não uma peça de moda na sessão do masculino”. Parece que causou algum incômodo eu afirmar que eu não conseguia comprar calça jeans na parte de mulheres.

Bom, para começo de conversa… Hoje, ontem e há alguns anos, independente do estágio do meu (ex para sempre, assim eu espero) efeito sanfona eu visto “extra large” na Zara. Sou larga, sou alta, sou grande, sou bem mais pesada do que a maioria das mulheres com quem convivo e tá tudo bem. Ainda assim sou uma privilegiada de pelo menos uns 60% da coleção caber em mim no maior tamanho. Muitas outras mulheres não têm essa mesma oportunidade. Têm o dinheiro, vão naquele shopping, mas não compram porque não conseguem. Então, tudo que eu disser a partir daqui, inclui o fato de que tenho consciência do meu lugar de privilégio que nem sempre preciso ir em lojas especializadas e o último tamanho de várias marcas pode funcionar pra mim – ainda que essas não sejam a maioria ou até mesmo com um bom custo benefício.

Segundo ponto, o jeans feminino da ZARA nunca coube bem em mim, sempre ficava baixa, o bumbum mal cabia e mesmo na minha versão mais magra, todas as vezes que resolvi dar uma chance, percebi que eles nunca abraçaram meu corpo bem. Ou seja, nesse caso não perdi muito, mas muitas outras vezes deixei de levar pra casa algo que realmente queria, para levar algo que simplesmente cabia, mesmo muitas vezes não vestindo bem. Quem passa por isso sabe tanto quanto eu que é uma experiência péssima.

 

Um provador pode parecer inofensivo, mas muitas vezes é ali, ao não encontrar algo que nos veste bem, que ganhamos uma real noção do quanto estamos inadequadas para a moda. Você pode ter uma ótima relação consigo, mas é difícil sustentar isso quando você não consegue se vestir da maneira que gostaria. Fico imaginando os dilemas e desafios das mulheres que precisam recorrer à marcas que trabalhem bem o conceito de “plus size”. Porque sair sem se adequar a algo que você queria traz uma frustração que se você não estiver muito segura de quem você é, pode mexer com sua autoestima.

Apesar de muito debate sobre meu rótulo “correto”, o que eu gostei nesse episódio foi de resolver minha questão. Queria uma calça 44 que resolvesse uma demanda, achei, gostei e comprei. Tinham números menores e maiores, a cintura é alta, ela é confortável e bem bonita.

No entanto, o que realmente me impressionou no assunto foi a quantidade de gente preocupada em dizer que eu não era gorda, ou magra ou que não era tão difícil encontrar roupa pra mim. Doce ilusão… Meu armário cheio das mesmas marcas e com toques de peças gringas denuncia: não é fácil comprar roupa para esse corpo aqui. Nunca foi, independente do peso. Os números da moda sempre foram motivos de depreciação, sugestões de emagrecimento ou comentários sobre meu corpo.

Por que a grade masculina de jeans passa do 46 e a feminina não passa do 42? Não sei! Quero evitar os argumentos clichês que tenho em mente, infelizmente eles são todos sexistas. Começa com a pressão da magreza feminina e termina com permissividade dos homens serem mais “do que um padrão de beleza”.

Beijos

fotos Pedro Mena: @menaphotography