Browsing Category

Moda

3 em afiliado/ Moda no dia 28.03.2017

“Desbasicando” a blusa branca com calça jeans (e aprendendo com a Thassia)

Se tem uma blogueira que eu admiro demais mas não consigo me inspirar em quase nenhum look é a Thassia. Acho ela incrível, tira as fotos mais lindas, adoro as poses, os carões e acho ela tão estilosa, mas tão estilosa que consegue segurar até as peças mais duvidosas do mundo.

E vocês sabem, eu me considero cada dia mais básica. Se só existissem variações de blusas brancas e calças (ou shorts) jeans no mundo, eu já me dava por satisfeita e viveria feliz. E não é que ultimamente eu tenho visto a Thassia com alguns looks “minha cara”?

Confesso que estou achando ótimo, pois ela está me dando novas ideias para variar meu repertório – e me fazendo perder o medo de usar essas peças e soar repetitiva demais. Que nada! Dá para brincar com modelagens, terceiras peças, acessórios, até mesmo cabelo. Eu definitivamente preciso aprender com os truques dela – e quem quiser me acompanhar, vou mostrar algumas inspirações:

Esse foi o último look dela que eu vi e amei. Amei porque tenho uma parka nesse estilo (um pouco mais curta), tenho um sapato que tem proposta parecida e tenho bolsinha pequenininha e durinha tipo essa. Ou seja, não dá para copiar mas dá para inspirar total!

Esse foi o primeiro look dela que eu vi e falei “QUERO” e me inspirou a fazer esse post. Aliás, não tenho como comprar esse cardigã da Gucci mas vocês podem ter certeza absoluta que toda vez que eu entro em alguma loja – qualquer que seja – meu olho vai batendo nas estampas para ver se acho alguma coisa parecida. As cores, o tamanho, tudo muito a minha cara – e o complemento perfeito para a calça jeans + camiseta branca, convenhamos.

Quando olhei essa foto imediatamente lembrei do meu coletão e já estou louca para que a temperatura fique mais agradável para eu poder copiar! Não fica chic e ao mesmo tempo super casual?

Essa camiseta não é 100% branca mas poderia ser, o efeito seria o mesmo. A jaqueta, a bolsa, o óculos e até mesmo o cabelo deram um ar mais rocker e o resultado final me fez ver que dá para tentar diferentes estilos com a mesma combinação de peças sem ficar chato ou repetitivo.

Esse look é muito mais “Thassia” e muito menos “Carla”, acho que nunca conseguiria me sentir confortável usando essas peças, mas ele foi ótimo para me fazer enxergar que dá para tentar outras modelagens de blusa branca para deixar o look mais elegante. A calça eu não curto, apesar de achar que se fosse para usar uma calça bordada, eu ia ser o mais básica possível no resto, como nesse look aqui…

Apesar da camiseta ser um cinza mescla bem clarinho, funcionaria no branco e serve para eu exemplificar como eu usaria um look com calça bordada. Sem muita firula, deixando a calça brilhar e no máximo um acessório poderoso como a gargantilha (ou um brincão, talvez) dando um pouco mais de graça ao básico. Nesse caso, até o coque alto e meio displicente funcionaram!

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> nos afiliados <<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<

Quem quiser entrar nessa brincadeira de “desbasicar” a blusa branca com calça jeans comigo, vou amar ter companhia nessa! :)

2 em Autoestima/ Moda no dia 23.03.2017

O que a sua insegurança já te impediu de vestir?

Estava dando uma olhada nos blogs das amigas e me deparei com esse post da Cony, que fala sobre a gente não ter medo de usar certas peças porque elas remetem a ícones da cultura pop. Aí lembrei de uma história que aconteceu comigo quando eu devia ter uns 20 anos.

Estava numa Zara e me apaixonei por um casaqueto preto com detalhes bordados dourados. Sabe quando você bota uma roupa e se sente muito poderosa? Era eu. Naquele segundo que eu botei e olhei no espelho, eu me senti incrível. Eu tinha dinheiro para comprar, eu estava me sentindo bem até que meu marido – na época, namorado – vira e fala brincando: “Michael Jackson, é você?”

Meu marido nunca foi de dar pitacos nas minhas roupas, nunca me disse o que usar ou não usar, mas é inegável que há 10 anos eu era extremamente insegura. Eu lembro muito bem que essa era uma época que eu queria achar meu estilo, minha personalidade fashion, então, ao ouvir que eu estava parecida com o Michael Jackson, eu não conseguia encarar como um elogio – já que ele é um ícone da moda até hoje, convenhamos – e sim como se eu estivesse me fantasiando, não mostrando minha personalidade. Que besteira.

Eu hoje: “Nossa, ce tá parecendo uma paquita com essa roupa” – “Sério? Peraí, deixa eu pegar meu chapéu pra complementar o look”.

Só sei que um tempo depois eu voltei na Zara sozinha e achei o tal casaqueto na liquidação, metade do que eu pagaria se tivesse levado anteriormente. Experimentei empolgada, mas foi só me olhar no espelho que a empolgação que eu tive daquela vez não aconteceu. Não me senti linda, não me senti poderosa, me senti uma cópia mal feita de alguém originalmente com estilo. E saí super chateada por vários motivos. Por ter sido influenciada a não comprar algo que tinha amado por causa de uma brincadeira, por estar me sentindo sem personalidade e, acima de tudo, por me sentir insegura.

Hoje eu vejo que ter o aval das pessoas próximas era essencial. Eu precisava ouvir que estava bonita, que a peça que eu vestia era linda para ter certeza que tinha feito uma boa escolha. Caso contrário, qualquer brincadeira já era o suficiente para desmoronar minha frágil segurança fashion, que mais parecia um castelinho de cartas.

Nessas horas nada mais reconfortante que uma boa dose de maturidade. Perceber que o mundo trabalha com referencias e que é maravilhoso se inspirar em quem você admira. Se alguém me disser que estou parecendo o Michael Jackson – ou uma paquita, ou os Beatles em Sgt. Pepper’s – quero mais é abrir um sorrisão e falar: “é isso aí, que bom que meu objetivo foi alcançado!”

Mas para quem acha que esse assunto de insegurança na hora de se vestir está muito bem resolvido para mim, que nada. Aprendi a não ligar para a opinião dos outros no que eu visto, mas ainda sou encanada com várias peças como cropped, decotões ou vestidos muito justos. Minha relação corpo-roupas ainda é uma questão em vários momentos, mas estou tentando superar certas limitações. Outro dia mesmo, ousei experimentar um vestido com decote gigante, logo eu, que evito a maioria por complexo de peitão. Quem sabe eu não aprendo a lidar com essas questões??

2 em Autoestima/ Convidadas/ Destaque/ Juliana Ali/ Reflexões/ Semanas da Moda no dia 17.03.2017

De camisola na fashion week

Ainda lembro bem da primeira vez que pisei em uma semana de moda. Eu tinha uns doze ou treze anos, era a virada dos anos 80 para os anos 90. Minha mãe trabalhava na Revista Nova na época (que hoje se chama Cosmopolitan) e conseguiu dois convites para que eu e minha irmã fôssemos assistir ao desfile da G (que hoje se chama Gloria Coelho) no Morumbi Fashion (que hoje se chama São Paulo Fashion Week).

Pois é. De lá para cá, passaram-se mais de 25 anos e a revista mudou de nome. A grife mudou de nome. A semana de moda mudou de nome. Só que a única coisa que realmente mudou no mundo da moda foram os nomes. O resto é bem parecido até hoje. Quem manteve o nome nessa história que vou te contar agora fui só eu, que continuo me chamando Juliana mesmo. Ah, mas eu mudei. Mudei muito desde então.

Eu estava empolgadíssima no dia em que fui ver meu primeiro desfile. Pensei muito naquele look que iria usar. Nenhuma das minhas roupas parecia ser digna de um momento tão incrível, que aliás era justamente sobre usar as roupas mais sensacionais, pensava eu na minha cabeça de criança. Então tive uma idéia. Peguei uma camisola de cetim que eu tinha. Ela era branca com bolinhas pretas. Ia até os joelhos, era assim meio soltinha, e tinha um decote combinação (até hoje meu tipo de decote preferido). Coloquei uma camiseta branca por baixo. Nos pés, sapatilhas pretas. E assim fui assistir ao desfile da G. Me achei linda quando olhei no espelho. Me senti um pouco contraventora, como sempre gostei de ser, aquariana que sou. Fui ao meu primeiro fashion week de camisola.

 

Por incrível que pareça, não lembro absolutamente nada sobre o desfile. Nada. Mas lembro que saí de lá com um gostinho estranho na boca. Vi tantas mulheres que me pareceram tão lindas, tão diferentes de mim, tão melhores do que eu. Elas eram enormes, altas, pernas gigantes, pareciam umas Barbies – eu ainda brincava de Barbie. Pareciam mulheres, enquanto eu era uma criança. Mal sabia eu que, na verdade, elas também eram crianças, meninas, talvez três ou quatro anos mais velhas que eu apenas. Me senti inadequada, eu tão baixinha, pequena, tão criança, tão sem maquiagem, com os cabelos cacheados supercompridos caindo de qualquer jeito. Elas tão montadas e maravilhosas e magras e altas.

Tive inveja. Muita inveja.

Mais tarde, já jornalista, fui trabalhar com moda. Passei a maior parte da minha vida indo a todos os SPFW. Duas vezes por ano, lá estava eu, trabalhando que nem doida. Se tinha Fashion Rio, lá estava eu também. E estive em muitas semanas de moda internacionais durante esses anos todos. Sempre, sempre, saí desses lugares com a sensação que a Ju de treze anos teve ali, de camisola: um gosto estranho na boca.

Inveja. Sensação de inadequação. A impressão de que eu nunca conseguiria atingir aquele padrão. E nunca consegui mesmo. Tenho 1,60m de altura. Sempre fui magra, mas padrão de modelo?

Eu queria ser assim, como elas, naquela época. O mundo estava me dizendo que assim que era o lindo! Que assim que as roupas ficariam boas em mim! Me sentia horrível com todas as minhas roupas. Sempre demorei horas e horas pra escolher um look. Porque tava tudo um lixo. Saía com a auto estima em frangalhos de todas as semanas de moda em que estive. Tanto aos 20 anos, quanto aos 30.

E não era só eu, minha amiga. A maioria das mulheres estava se sentindo assim todo esse tempo, mas ninguém dizia isso umas para as outras. Eu mesma não dizia para NINGUÉM. Até as modelos, muitas delas, também estavam se sentindo erradas, gordas (!!) e insuficientemente “perfeitas”.

Minha sorte foi que nunca pirei de verdade, por ter sido criada por uma mãe que passou a vida me dizendo que eu era linda, maravilhosa, essas mães que te botam pra cima desde o dia em que você nasce. Isso faz muita diferença. Conheci pessoas que desenvolveram anorexia, bulimia, tomavam remédios, passavam dias sem comer, ficavam completamente desesperadas tentando ser magras. Que gastavam todo o seu dinheiro suado comprando roupas e acessórios ricos para usar no SPFW, porque afinal tem que ter grife, tem que ter glamour. Tentando ser “lindas” para a semana de moda.

Há um ano, mais ou menos, confesso que peguei bode de tudo isso. Fui percebendo que o mundo foi mudando e a moda foi ficando parada. Enquando “aqui fora” a gente celebra a diversidade, todos os corpos, cores, estilos de vida, jeitos de ser, a moda ainda continua promovendo o padrão branco-loiro-cabelo liso-magro de 1989, quando estive no desfile da G.

Cansei. Pulei fora. Me sinto absolutamente maravilhada com o fato de que não faço a unha e nem compro roupa nova há mais de um ano. Parei de alisar o cabelo. Cortei curtinho. Não uso mais maquiagem, nem salto alto. Não faço regime há quase três anos. Não pretendo fazer mais no futuro, também. Nunca tive a autoestima tão alta. Tenho 40 anos, e me acho o máximo.

Nesse exato momento está acontecendo o SPFW. No último fim de semana meu marido disse, “amor, segunda começa o fashion week, né?”. Respondi: “Sei lá. Começa? Não tô sabendo.”

Enfim, é SPFW, como o Fernando me avisou outro dia, já sei. Estou aqui em casa, e não dentro de uma sala de desfile. Mas estou acompanhando o último SPFW, escrevendo esse texto e de camisola, assim como acompanhei o primeiro. E assim fecha-se um ciclo para a Juliana, a única que não mudou de nome.