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Deu o Que Falar

0 em Comportamento/ Deu o Que Falar no dia 06.07.2018

Não podemos deixar passar…mesmo!

Se em algum momento você não teve tempo de acessar a internet por esses dias para entender melhor o caso Cocielo, vou explicar rapidinho: o Youtuber Julio Cocielo fez um tweet onde dizia que o jogador da França Mbappé corria tanto que poderia fazer um arrastão. Um post extremamente racista que é explicado perfeitamente por outro Youtuber, Spartakus Santiago:

A internet não só não o perdoou como foi em cima das marcas que o patrocinam, cobrando uma resposta delas sobre endossar influenciadores com esse discurso. As respostas vieram em formas de ações praticamente imediatas: retiraram vídeos do ar, negaram futuras parcerias, retiraram verba e tudo mais. Acho que nunca tinha visto um caso recente de polêmica envolvendo influenciadores onde a casa caiu tão rapidamente. Que bom, afinal, como a gente já sabe, racismo é crime.

Mas este fato, sem dúvidas é só a ponta do iceberg, já que a mesma internet que não perdoa, encontrou outros tweets antigos do Youtuber com o mesmo contexto e ofensas até piores. Aqui no Futi somos à favor que o passado de declarações duvidosas fique no passado. Muitas de nós mudamos e evoluímos ao longo do tempo e coisas que dizíamos antes muitas vezes não fazem mais sentido nenhum com a forma que pensamos hoje. Quem nunca olhou para trás e ficou com vergonha do que já falou? Porém, isso não pode se aplicar neste caso, ainda mais quando sabemos que, desde a polêmica, mais de 50 mil tweets feitos pelo youtuber e que poderiam ser problemáticos foram apagados. Alguns foram printados, e dá para perceber claramente que estamos falando de uma pessoa que não mudou nadinha de uns anos pra cá:

polemica-cocielo

50 MIL TWEETS PROBLEMÁTICOS. Pensa no tanto de coisa horrível que ele vem dizendo há tanto tempo? E onde queremos chegar é: até esta declaração se sobressair em meio às outras, estava todo mundo achando tudo bem. Porque precisou chegar num momento em que ele ofendeu um jogador da seleção francesa para que notassem um comportamento que ele já tinha antes, porém ainda não tinha sido direcionado a alguém famoso. E o agravante é que esse é um influenciador que conta com milhões de seguidores e um público alvo majoritamente de adolescentes. Todos recebendo esse tipo de conteúdo em suas redes sociais. 

Por isso que acreditamos, sim, no poder do discurso e no poder que cada uma de nós temos como seguidoras, o poder de avaliar bem o que essas pessoas que escolhemos para nos influenciar dizem. Deixando o fator sucesso de lado e deixando o fato “quero saber quem é essa pessoa que todos falam e seguem”, o quê este influenciador pode agregar para mim? Está sempre nas nossas mãos o poder de eleger e derrubar quem agrega e quem não acrescenta. 

Reavalie seu feed, que é a sua seleção pessoal de influências, use seu poder de seguidor para incentivar projetos e pessoas que tenham um discurso coerente, que tragam algum benefício para você, que façam piadas que não precisam esbarrar em ofensas a nenhum grupo de pessoas, que inclua em vez de excluir. 

Já parou para pensar se em vez dessas pessoas que são capazes de dizer absurdos, fossem as pessoas que de fato geram conteúdo interessante e com discurso bacana que tivessem a mesma projeção? Quantos outros influenciadores que merecem um destaque infinitamente maior perdem para pessoas com discursos que só contribuem para o preconceito?

Ser famoso hoje é muito mais fácil que antigamente, mas ao mesmo tempo, está nas nossas mãos definir quem será ou não famoso hoje em dia. Nós temos esse poder. Você tem esse poder. Então escolha bem, avalie, pondere. Todo mundo sai ganhando com isso. Menos quem não merece ;)

Update: Depois desse post, Cocielo chegou a fazer um vídeo assumindo responsabilidade por tudo que falou, e de fato, espero que ele tenha aprendido algo nesse episódio. Ver essa mensagem chegando para seus milhões de seguidores é importante, mesmo assim, chegamos em um ponto que não dá mais para ignorar e passar pano como se nada tivesse acontecido.

1 em Comportamento/ Destaque/ Deu o Que Falar/ feminismo/ Juliana Ali/ Reflexões no dia 23.04.2018

O mundo é muito maior que o seu mundo

A foto era de uma influenciadora bem famosa, de short e biquini, o short aberto. Na legenda, a moça explicava que não dava pra fechar o short porque ela tinha comido demais e a barriga estava inchada. A foto contradizia a legenda, era bem óbvio que a barriga não estava nem um pouco inchada. O short largo, cabia outra dela lá dentro quase. Choveram críticas, com toda a razão e direito.

Mas não é esse meu ponto. Algumas pessoas – ás vezes sem mesmo a intenção de defender, ás vezes bem com esta intenção – disseram coisas como “Ah, não tô nem aí. Nem sei direito quem é essa influenciadora”, “Passei batido, não me afeta”, “Vocês se importam demais com essas coisas, ela é só uma tonta, nem pensou direito no que falou, quem nunca?”.

Esse sim, é meu ponto. Esse argumento “não me afeta, então não é um problema” é extremamente perigoso. Leviano. EGOÍSTA. Pequeno. A foto da tal influenciadora também não me afetou em absolutamente nada. Eu, pessoalmente, não conheço muita coisa sobre ela a não ser o nome. Não sei nem que apito toca. Não tenho muito interesse em saber também – nada pessoal. E a foto? Bem, tenho 41 anos, não sou público alvo dessas pessoas, não me relaciono com o conteúdo delas, e uma barriga lisinha dançando em um short largo nada me diz. Beleza pra mim é outra coisa. E magreza não é qualidade que me toque, na verdade. Dou valor a outras paradas. Mas então, foda-se isso? Deixa pra lá? De jeito nenhum.

Veja, nunca passei fome. A fome não me afeta. Isso não significa que a fome não exista. Ela é uma realidade para uma parte importante da população brasileira. Também sou branca. Nunca sofri racismo. Por acaso isso quer dizer que o racismo não existe, só porque ele não ME afeta? Esse é justamente o argumento que muitos homens usam para dizer que feminismo é mimimi (a pior palavra já inventada no planeta). Porque pimenta no dos outros, né amigas.

Nunca passei fome, mas a fome me revolta e ME DIZ RESPEITO. O mesmo vale para o racismo, a LGBTfobia e outras questões problemáticas desse mundo. Uma delas, aliás, a gordofobia, os transtornos alimentares, o bullying e a distorção da auto imagem que as adolescentes estão fazendo de si mesmas. Pois são estes últimos que a tal influenciadora está incentivando com a foto da “barriga inchada”. O público dela é jovem, muito jovem. O que queremos para o nosso futuro? Como queremos que as crianças e adolescentes se sintam? Queremos que valorizem o que? Eu não quero que minha filha – nem nenhuma outra menina – priorize ser magra, bela e, caso não seja, sofra enormemente.

PRIVILEGIOS

“Privilégio é acreditar que algo não é um problema apenas por não ser um problema pessoal seu.” É um grande PRIVILÉGIO não ser afetada pelo racismo, ou pela miséria extrema, ou pela gordofobia. Há que se reconhecer isto e perceber que, para centenas de milhares de pessoas, esses problemas são capazes de destroçar vidas. Eu não serei parte do problema. Vou me revoltar. Vou apontar. Vou participar. Porque enquanto não fizermos isso, pensarmos fora do nosso mundo pessoal, tão pequeno, as chances do MUNDO REAL, do mundo grande, melhorar são muito, muito pequenas.

2 em Comportamento/ Destaque/ Deu o Que Falar/ Relacionamento no dia 11.04.2018

Khloé Kardashian não merece ter culpa na traição (e nem você)

Essa semana o mundo teve provas de que Khloe Kardashian foi traída pelo namorado e pai da filha que ela está esperando. O jogador de basquete foi filmado saindo de uma noitada e chegando no seu hotel acompanhado de uma mulher. E o que eu mais tenho visto por aí?

khloe-kardashian

Ao que tudo indica – porque só estou acompanhando por alto mesmo – seu relacionamento com Khloé começou exatamente desse jeito: ele largando a ex grávida para ficar com ela. E aí, para muita gente vale o “aqui se faz, aqui se paga”.

Eu não estou aqui para defender Kardashian, também não quero discutir se ela não teve sororidade com a ex do cara porque eu não tenho como saber o que aconteceu entre os dois, não sei o quanto ela ficou sabendo antes ou depois, não sei de nada (e acho que nem quero saber, sinceramente). Do jeito que é o mundo das celebridades, também não duvido nada que foi uma estratégia pensada para atingir algum objetivo específico. Depois que fiquei sabendo que o Justin Bieber contratou um cara para mudar a percepção que o público tinha dele e, dentre as estratégias para isso, tinha até pixação em muro e saídas com prostitutas milimetricamente calculadas, nada mais me surpreende.

Mas vamos jogar luz ao verdadeiro problema dessa história toda?

Acho muito engraçado ver que toda vez que sai a notícia que uma celebridade foi traída, imediatamente as pessoas que gostam de acompanhar a vida dos famosos + a mídia + os fofoqueiros de plantão, todo mundo se organiza para criar times. E quem está sempre dos lados opostos? A traída versus a que estava envolvida na traição. O homem, que tinha o relacionamento e compromisso com as duas, sai como? Pela tangente, de fininho, como se nada tivesse acontecido e em poucos dias é esquecido da história.

E isso acontece na nossa vida também. Tirando casos mais extremos, onde a traição acontece de ambos os lados (tipo a amiga com o seu namorado), somos sempre levadas a acreditar que é a mulher que foi irresistivelmente atraente, que ela marcou muito em cima, que ela é a verdadeira responsável pela traição. Xingamos a outra e não resolvemos com quem de fato traiu nossa confiança. Somos levadas a acreditar que nós somos culpadas porque não demos atenção, porque não transamos o suficiente, porque estamos grávidas, porque não sabemos escolher (o que pode até acontecer de fato, problema pra ser resolvido na terapia mas que não exclui a responsabilidade de quem trai). E até quando vamos consolar nossas amigas em uma tarde onde a orelha do embuste chega a doer do tanto que a gente fala mal, acabamos dizendo em algum momento que a outra é vagabunda. Pode assumir, todo mundo em algum momento da vida já fez isso.

E foi isso que aconteceu com a Khloé: “Ah, ela está grávida e por isso o homem traiu”, “bem feito, ela ficou com ele enquanto a ex do cara estava grávida, só está tendo que merece”, “ela deveria saber o que a esperava quando ele trocou a ex por ela”. “Koko só escolhe homem errado mesmo, né”.

E A RESPONSABILIDADE DELE NISSO TUDO, GENTE?

Porque aparentemente é ele quem tem esse comportamento repetitivo de trair as futuras mães de seus filhos. Ele é que não está nem aí se é filmado ou fotografado saindo com outras mulheres. Ele que expôs a namorada. Por que o holofote está brilhando menos do lado dele?

Independente do que aconteça com esse casal, vamos usar esse episódio para deixar bem ilustrado, ao invés de arranjar motivos para jogar uma mulher contra a outra, vamos lembrar que a pessoa que devia respeito à mulher e à amante é que deveria levar o foco da culpa e da responsabilidade? Não estou dizendo para ficar amiga, só estou dizendo que enquanto a gente ficar botando a competição feminina acima do comportamento questionável ou do mau caratismo do homem (ou da mulher, tanto faz, apesar de eu ver menos casos de traição em relacionamentos lésbicos – faz sentido isso?), vamos continuar perpetuando comportamento machista e a sensação (que os homens já têm) de que eles são acima do bem ou do mal.

E termino aqui com a frase que a ex do namorado da Klhoé postou, uma posição bem sensata, inclusive. “Se você se respeita e respeita o próximo, você nunca faria piada da má sorte dos outros ou se sentiria justiçada às custas dessa pessoa. Desejando paz a todo mundo.”