Browsing Category

Reflexões

4 em Autoconhecimento/ Destaque/ Reflexões no dia 20.12.2017

2017, o ano que caí, levantei, caí de novo mas deu tudo certo

Já que estamos em clima de retrospectiva por aqui, vou falar um pouco da minha, por mais confusa das ideias que eu ainda esteja. 2017 foi um ano muito, muito incrível para mim. Tenho certeza que ele vai configurar como um daqueles anos memoráveis pela quantidade de coisa boa que aconteceu. Então vou começar por elas.

O Futi chegou a patamares que nunca apareceram nem nos meus sonhos mais otimistas; nesse movimento que fizemos de trazer o online para o offline com as duas pool parties e com os piqueniques, conheci mulheres inacreditáveis, incríveis, com histórias para contar e muitas figurinhas para trocar; me aproximei mais de pessoas que me faziam bem e finalmente parei de dar ibope para quem não me fazia tão bem assim; fotografei até de lingerie, algo que eu achava que nunca conseguiria fazer. Ainda tenho muitas pazes para fazer com meu corpo, mas senti que andei algumas casinhas nessa categoria do Jogo da Vida; Arthur entrou na escola e foi bom não só para mim, que pude ter umas horinhas livres na semana, como também para ele, que está evoluindo demais por causa de tantos estímulos diferentes (e que eu não conseguiria dar).

Só que 2017 não foi um ano fácil. Aliás, diria que esse foi o ano que me deixou mais emocionalmente exausta. E perdida. E confusa. Porque eu estava indo muito bem nessa coisa de não alimentar grandes expectativas, mas esse ano eu descobri que por mais que eu estivesse fingindo não estar alimentando, na verdade, eu estava. E quando a realidade bateu na porta de vez, tudo desmoronou.

Eu tinha uma expectativa diferente sobre morar fora. A única coisa que eu realmente estava mais ou menos alinhada com a realidade era a história de não podermos contar com babá, diarista e outras estruturas domésticas que nós estávamos acostumados no Brasil. Sabia que seria difícil, sabia que teríamos que realinhar toda nossa rotina e sabia que provavelmente não era algo que conseguiríamos resolver da noite para o dia. Só não sabia que com um bebê virando criança, a rotina e as dificuldades vão mudando mês a mês. E a carga mental que vem com isso é muito maior do que eu imaginava. Infinitamente maior. Desmoronei.

Jurava que seria muito mais fácil lidar com a saudade pois eu já morava longe da família e boa parte dos amigos por quase 7 anos. Só que não me atentei que o voô, que antes durava 45 minutos, hoje dura 9 horas. E muitas vezes é caro. Pela primeira vez tive que lidar com um aniversário solitário, longe de todas as pessoas que amo. Ver os amigos combinando encontros e postando fotos fazendo mil coisas e ver a quantidade de piqueniques que perdi, me daria uma sensação tão grande de isolamento e de que só a minha vida não estava andando. Desmoronei de novo.

Achava que seria muiiiiito tranquilo porque Nova York era minha cidade dos sonhos. Imagina, logo eu, que vou para lá desde os meus 7 anos de idade, que sempre suspirei em todo filme e seriado que vi, que tenho como filmes de cabeceira “Escrito nas Estrelas”e “Milagre na Rua 34”. É óbvio que vai ser incrível! Só não contava que eu resistiria tanto a tentar conhecer a cidade como uma nova Carla, isso é, a Carla mãe. Resisti porque queria a Nova York que conhecia e não foi isso que recebi (sim, no fim das contas acho que não sou tão diferente do Arthur no auge dos seus terrible twos). Desmoronei. E desmoronei de novo, angustiada por não estar tão feliz na cidade que também é dos sonhos de tanta gente. Como se eu estivesse sendo muito injusta e ingrata por não estar sentindo o que achavam que eu deveria sentir, o que EU achava que deveria sentir. E aí foi mais um tempo para aceitar isso como um sentimento válido e real.

Só que to me reconstruindo. Tentando aplicar o discurso amoroso e acolhedor em mim mesma, nos meus sentimentos, para ver se eu boto uma pecinha em cima da outra com calma e paciência.

Não trocaria nenhuma vida cheia de mordomias pela quantidade de experiências boas que estamos dando ao Arthur. Aprender duas línguas ao mesmo tempo. Lidar com tantas crianças dos mais variados países. Inclusive ter a presença constante dos pais é uma das coisas mais valiosas que podemos dar a ele (por mais cansativo que seja as vezes). To – aliás, estamos, esse é um aprendizado familiar – me reerguendo aos poucos, aprendendo a reavaliar prioridades e ver o que eu não preciso transformar em carga mental.

Quanto à saudade, ainda estou no caminho de entender e aceitar meus períodos de carência. Preciso aprender a redimensionar a parte ruim e botar uma lente de aumento em tanta coisa boa que acontece por eu estar em Nova York. Por exemplo, desde que me mudei, muitos amigos planejaram viagens para a cidade só para encontrar com a gente. No meu aniversário solitário, minhas amigas combinaram de me mandar vídeos delas mesmas no trabalho, em casa, no meio da rua, com mensagens lindas durante todo o dia. Chorei todas as vezes, mas me senti especial de verdade, mais do que em todos os anos de amizade com elas, mais do que em aniversários com festas. E se tudo isso não é ser amada e querida, eu não sei o que mais é. Então, como eu vou dar mais valor à parte negativa tendo uma parte positiva enorme como essa? Acho que está aí mais um bloquinho a ser encaixado rumo à minha reconstrução.

Por último, estou aprendendo a resignificar o que Nova York simbolizava para mim, para tentar arranjar novos significados. Está ficando mais fácil agora que o Arthur chegou em um momento que se interessa pelas coisas, está ficando mais especial poder dividir lugares e experiências com ele, ver o mundo pelos olhos de criança. Só preciso aprender melhor que pouco importa a opinião alheia, eu não preciso delas para validar ou estigmatizar meus sentimentos. Esse é um caminho que ainda precisarei percorrer para chegar em um ponto confortável, mas estou feliz apenas de estar nele.

Acho que o maior aprendizado que eu tive foi aceitar que 2017 está sendo um ano revolucionário, só resta eu aceitar de vez que não existe revolução sem tirar as coisas do lugar.

1 em Comportamento/ Destaque/ Reflexões no dia 30.11.2017

Por mais fotos ruins? Sim, isso mesmo!

Essa semana saí para jantar com duas amigas – e a amiga de uma delas que acabou virando amiga também. Na verdade, nós resolvemos criar um acordo de se encontrar pelo menos uma vez por mês para uma girls night out, ou melhor, moms night out já que todas somos mães. Aquela noite para jogar conversa fora sem grandes preocupações e sem estar na presença dos filhos, sabem como é?

A gente se encontrou há umas duas semanas atrás, só que dessa vez marcamos meio na pressa. Depois de um feriado com marido viajando, eu estava querendo um programa de adulto e resolvi fazer uma chamada de emergência para elas na segunda feira. Minha sorte realmente estava a meu favor, pois calhou de todo mundo estar disponível na terça sem precisar de pelo menos uma semana de antecedência. Quem tem filhos sabe como planejar coisas em cima da hora passa a ser uma tarefa complicada, por isso nem acreditei que deu tudo certo – e em 1 dia!

Depois de muita conversa jogada fora, risadas, alguns desabafos e, claro, depois de comermos e bebermos super bem, chegou o momento da despedida. Nada triste nem dramático, inclusive já combinando os próximos e pensando se uma vez por mês não é muito pouco. Que tal uma foto para registrar o acontecimento antes de todo mundo ir embora? Dizem que se a gente não tira foto é como se não tivesse acontecido. Como minha memória nunca foi das melhores, eu concordo completamente com essa frase.

Caramba tem uma cabine de 3×4 aqui, vamos tirar? Poxa, não tá funcionando…Mas aqui em cima tem uns sombreros, acho que vale para a foto. Mas caramba, como fazer uma selfie com 4 pessoas de sombreros? Bota uma lanterna aqui, um flash acolá, peraí vamos mudar de cenário, vamos para ali que tem mais luz. Não esquece de tirar o sombrero, gente. Ahhh, essas luminárias no teto são maravilhosas, vamos tirar de baixo para cima! Opa, ficamos contra luz. Então vamos fazer de cima para baixo. Mas aí ficou o banco aparecendo atrás. Perai vou fazer uma selfie – caramba, você cortou minha cabeça! E a cabeça de todas as pessoas, só deixou você aparecendo. Putz, você é ruim mesmo para fazer selfie, hein. Ahhh, olha, tem uma árvore de Natal cheia de luzinhas, vamos botar ela no fundo. Ih, pera, vamos pegar esses turistas com uma câmera enorme para tirar uma foto nossa. Oi, dá licença, você pode tirar uma foto nossa? Thank you, boa noite. Olha, finalmente uma foto boa!

A foto boa, que perto das outras ficou até sem graça

No dia a gente riu da sessão de selfies desastrosa. Caramba, 10 fotos e nenhuma muito boa, como assim? Eu, que tenho todo um certo capricho na hora de postar minhas fotos e sou bem chata com isso, confesso que imediatamente pensei que não teria como postar no instagram. Só que o dia seguinte chegou e, com ele, rever toda a nossa saga foi especial. Dane-se se não tá com a melhor luz, se fiquei sem cabeça, se o cabelo não tava no seu melhor momento porque tava gritando para ser lavado (foi meu caso), se o ângulo não tava dos mais favoráveis.

Enquanto revia as fotos – que foram todas postadas, porque uma dessas amigas não é de economizar foto – vi um comentário que concluiu tudo o que eu achava com tanta simplicidade que não poderia deixar de reproduzir por aqui: fotos ruins = noites maravilhosas (a autora foi @fafreitas, que nem conheço mas já considero pacas).

Não poderia concordar mais. Por mais fotos mal tiradas, por favor.

2 em Autoconhecimento/ Comportamento/ Convidadas/ Reflexões no dia 21.08.2017

Sobre viver histórias

A cena aconteceu em Nova York, onde passei uns dias entre trabalho e férias. No Upper East Side, que foi minha casa por uma semana, na estação do metrô da 72st, um metrô bem novo e moderno com uns murais feitos de mosaico.

Uma certa manhã, enquanto descia a escada rolante, vi uma senhora tirando fotos dos mosaicos com sua câmera compacta. Eu, que já gosto de registrar tudo que vejo, fiz um foto com meu celular, mas vendo a cena não consegui ir embora e continuei observando.

A senhora sorriu pra mim e começamos a conversar (coisa que pra mim não é difícil rsrs). Me contou que se chamava Peggy Thompson, tinha 86 anos, que era de outra cidade mas estava fazendo turismo em NY, sua cidade favorita. Me apaixonei na hora pela Sra. Peggy e continuamos conversando. Foi aí que ela me contou mais um pouco sobre si. Me disse: “tenho câncer de mama e estou de férias da quimioterapia esta semana. Amo viajar e aproveitei pra vir aqui porque não sei se essa é a última viagem da minha vida.” Nessa hora a garganta entalou e os olhos marejaram.

Contei que era fotógrafa e pedi licença para fotografá-la. Ela também fez o meu “book” e ficamos ali, fotografando uma a outra. Depois que a sessão mútua terminou, falamos mais um pouco da vida e nos despedimos.

Fui embora emocionada. Por ela, por este encontro e porque realmente esse é o sentido da minha vida de viajante. Viver, conhecer gente, contar historias.

A senhora Peggy não é somente alguém que eu conversei por 15 minutos, ela virou uma pessoa que eu vou lembrar para sempre, nesses dias em que eu perambulava pelas ruas de Manhattan sentindo que o mundo me pertencia. Ela também é desses seres mágicos que te fazem ver a vida com poesia até o último segundo e que você agradece a oportunidade de cruzar com esse tipo de pessoa. Tomara que possamos viver uma vida plena curtindo tudo que ela nos oferece porque um dia acaba.