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#paposobremulheres

3 em #paposobremulheres/ Autoestima/ Comportamento no dia 29.03.2018

Papo Sobre Mulheres: Pelo meu direito de ser feliz como eu sou

Viver sendo diferente do que a sociedade considera padrão é uma árdua tarefa. Todo momento alguém vai te lembrar dos motivos pelos quais você é diferente. Todo dia alguém vai te dizer que você não é suficiente. Lutar contra isso é uma batalha diária. Não é fácil encontrar o caminho da aceitação, mas quando conseguimos nos entender e ficar bem com nós mesmos, não existe nada mais libertador.

Eu praticamente não tenho nenhuma memória da minha vida em que eu não tenha sido uma menina gorda. Desde muito pequena eu tive que aprender o que é ser mulher em uma sociedade machista, mas se já não é fácil saber lidar com toda opressão que as mulheres sofrem, eu também aprendi muito cedo o que era o preconceito: a gordofobia.

Quando se torna difícil conseguir comprar uma simples roupa para trabalhar, como também pegar um transporte público, você se dá conta que o mundo em que vivemos não foi feito para as pessoas gordas. Consequentemente você está à margem, e vai ter que buscar um jeito de se adaptar.

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Não são as mulheres gordas que estão em destaque na TV, no cinema, nas revistas, nas passarelas, nos palcos. É no conceito de magreza que está depositado “segredo da felicidade” e a “beleza”. A mídia condena o tempo todo os corpos gordos, nos bombardeia com dietas malucas, com tratamentos estéticos caríssimos, com remédios que colocam nossa saúde em risco. Ser uma mulher gorda é muitas vezes considerado uma sentença de infelicidade eterna, o pior que pode te acontecer.

A gordofobia está até nos menores detalhes, no comentário de um parente quando fala a clássica frase que toda menina gorda já ouviu: você é tão bonita de rosto, pena que é gorda. Ou alguém que sem você perguntar absolutamente nada já vem te sugerir uma dieta da moda. Aquela vendedora da loja que diz “aqui não tem roupa para você”. Tem também aquele carinha que te curte, mas não assume para galera, porque pega mal namorar uma gorda.

Mas como lutar contra tudo isso? O que fazer para mudar essa situação? Nós precisamos nos empoderar, bater de frente com as verdades absolutas que nos foram impostas, entender que o padrão que impera, foi socialmente construído por uma sociedade que só valoriza o homem, os corpos das mulheres são reduzidos a meros objetos descartáveis. Nós não somos simplesmente gordas, isso não pode ser a única coisa que sabem sobre você, isso não pode te definir. Nós somos infinitas coisas mais. Muito mais.

Ter problema com autoestima não é exclusivo da mulheres gordas, todas as mulheres em algum momento da sua vida já se sentiram desconfortáveis em sua própria pele, afinal a pressão estética se faz presente desde o nosso primeiro dia de vida.

O amor próprio é uma verdadeira jornada de autoconhecimento. Ele não aparece de um dia para o outro, é um processo interno e externo. É se respeitar, entender quem você realmente é, ter um olhar de carinho para si próprio, não desejar ser mais ninguém além de você mesma.

O feminismo me libertou de todas as amarras que a sociedade quis me colocar, me ensinou a me amar ainda mais, me direcionou a ajudar todas as mulheres que cruzarem meu caminho, me despertou a vontade de tentar fazer a diferença. Sabe aqueles comentários ali em cima que toda menina gorda provavelmente já escutou? Não tenha medo de respondê-los, aproveite esse momento e mostre que você é maior do que isso. Você não tem que ter vergonha de ser quem é, e sim a sociedade tem que ter vergonha de reproduzir tanto preconceito e intolerância.

Eu joguei fora todos os rótulos que me colocaram. Ninguém nunca mais poderá me dizer o que vestir, como falar, o que comer, como andar, o que pensar. A maior beleza está em se amar por inteiro e entender o que isso significa. Eu sou linda, e não vai ser seu olhar preconceituoso que vai me convencer de que eu não sou.

Precisamos ocupar todos espaços, estar em todos os lugares, inspirarmos umas as outras. Sei que ainda temos um longo caminho para percorrer, mas se estamos juntas, somos mais fortes. Ser feliz exatamente do jeito que somos já é um ato de revolução.

0 em #paposobremulheres/ Autoestima/ Comportamento/ Destaque no dia 28.03.2018

Papo sobre mulheres: “ah, ela é blogueira”

Quando a Carla me chamou para escrever para o Futi para o mês das mulheres, ela foi específica: “você que é toda envolvida no tema business, fala sobre isso”. Sem saber, ela me botou pra pensar. Fiquei dias pensando se o tema business seria comigo como protagonista ou sobre outras business woman que eu admiro. Resolvi falar sobre mim e encarar como uma sessão na terapia.

Há anos eu comecei a escrever e ouvia de todo mundo como eu escrevia bem, então resolvi ter um blog, porque eu adoro uma internet e sou autodidata em vários componentes que você precisa para ter um blog. Falava dos meu interesses, só que eu sempre me cobrei para que esses interesses não se limitassem “a dicas”. Meu blog falava de moda, mas muito mais sobre o bu siness da moda, eu lia o Business of Fashion, a coluna da Vanesssa Friedman no Valor, o Fashionista.com e assinava o WWD, escrevia sobre a indústria da moda, sobre as movimentações e transformações no jornalismo com os surgimento das blogueiras, eu amava esse tema. Nem me lembro porque parei de escrever, acho que foi porque arranjei um “emprego de verdade”. Fui trabalhar com ecommerce.

Aceitei uma vaga de “estágio” no extinto e-closet porque queria começar na área de qualquer jeito, meu CV foi selecionado pelo Twitter. Que saudades da época que o Twitter era meio que nosso, fiz amizades valiosas que cultivo até hoje por causa da plataforma, a Carlinha é uma delas.

Saindo do e-closet, montei um ecommerce meu, para vender coisas minhas que não usava mais. Em três meses vendi todo o meu estoque, deu tão certo que eu desisti, perdeu a graça. Tudo foi no meio de uma separação e fiquei atrapalhada. Logo depois fui parar na Dafiti. Foi um período curto, mas insano. Respondia direto para um dos sócios, era uma pressão louca, startup baseada em modelo financeiro focada 100% em revenue. Além de cuidar de todas as campanhas – trabalho que eu não curtia, eu era editora da revista da Dafiti – trabalho que eu adorava, mas que representava pouco em faturamento, então não conseguia praticar toda a minha capacidade criativa ali.

Depois de um ano resolvi sair e meio que por acaso, criei uma consultoria para ecommerce. Não que eu tivesse muita experiência na área, o que eu tinha era o diferencial de ser alguém totalmente inserida na moda que entendia de ecommerce, uma área bem masculina e dominada por programadores e gente de marketing de performance, com perfil bem analítico. Os meus clientes se sentiam seguros comigo porque eu falava as duas línguas, a da moda e do ecommerce. Fiquei três anos com a Indie, tive clientes incríveis tipo NK Store e Jack Vartanian – mas eu não tava feliz, aliás, vivia irritada. Eu odiava o que eu fazia.

Quando meu primeiro filho nasceu, eu parei um pouco. Ainda dei uma insistida com clientes pequenos só pra fazer alguma coisa, até que fiquei grávida de gêmeos, e foi depois disso que me vi saindo de casa e deixando três bebês para ir em uma reunião que não me inspirava em nada “só pra fazer alguma coisa” – como se cuidar dos meus mini filhos não fosse suficiente.

Eu estou tentando fazer o meu melhor

Eu estou tentando fazer o meu melhor

Larguei tudo e voltei a escrever. Criei o lolla, um site de lifestyle com bastante conteúdo e estou tendo um feedback muito bacana. Mas mesmo assim, continuo inquieta. Fico inventando coisas para que ele não seja apenas um blog, para que as pessoas não me vejam como uma blogueira. Mas o que tem de errado em ser blogueira? Nada, se você pensar na definição literal de blogueira: uma pessoa que escreve sobre um tema qualquer de seu interesse em um blog. O que é bem distante das atividades das pessoas que hoje chamamos de blogueiras.

O termo blogueira se tornou pejorativo, isso é um fato. E a minha ansiedade fica incontrolável só de imaginar as pessoas ao redor  se referindo a mim como “ah, ela é blogueira” com aquele tom sarcástico de desaprovação. E foi só agora, escrevendo esse texto, que me dei conta que a sensação que eu tinha quando tinha a consultoria ou quando eu era gerente de campanhas na Dafiti era a mesma. O pavor do julgamento dos outros perante o meu trabalho sempre vai existir, é um problema meu. Mesmo se eu estiver no conselho da ONU lutando por uma causa mundial, vou me sentir uma full time impostor, como se não merecesse estar lá.

Acho que meu caso é tão sério que eu não me atrevo a chamar meu problema de Síndrome do Impostor porque acho que só pessoas que já chegaram lá podem se sentir impostores e sinto que estou há anos desse acontecimento. Preciso arranjar um forma de parar de me boicotar e principalmente, parar de ignorar aquilo que eu sei que sou boa. Eu inspiro as pessoas de alguma forma, seja escrevendo, seja trazendo conteúdo diferente e interessante ou mostrando as coisas lindas da vida. Eu não preciso necessariamente estar na frente de um ecommerce com uma performance espetacular só porque eu “entendo de ecommerce”.

Todo mundo precisa de inspiração, muita gente precisa ser celebrada e o lolla é uma plataforma para isso. Eu que preciso mudar meu approach com o fato de ter um site – ou melhor, um blog – e sentir orgulho disso.

0 em #paposobremulheres/ Autoestima/ Comportamento/ Saúde no dia 26.03.2018

Papo Sobre Mulheres: A coragem de ser uma mulher vulnerável

A verdade é que todas somos. Assim como os homens também são. Todos vestimos uma armadura para autoproteção. Hoje te convido a se despir dessa armadura, acolher a pessoa vulnerável que você é e a ler este texto com o seu coração. Se você está predisposta a me julgar ou ao autojulgamento, nem leia. Pare agora. Este texto é sobre autorespeito, carinho e amor, mas é também sobre ódio e autorejeição, por isso pode doer.

Começou muito cedo. Eu odiava minhas curvas, meu quadril largo, meus braços grossos, minha estrutura grande e então, aos 12 anos, passei a tentar NÃO comer. A única coisa que eu desejava era ser magra, “seca”. Sonhava em ver meus ossos aparecendo sob a pele. Sabe aquele corpo que parece que vai quebrar de tão esquelético? É assim que eu queria ser – e essa obsessão me perseguiu por mais de 20 anos. A minha relação com a alimentação era um inferno. A comida controlava minha vida, meus pensamentos, minhas ações. Sempre que eu engordava, ficava com vergonha das pessoas, cancelava compromissos, mentia que estava doente para não ir para a escola ou trabalhar. Na minha mente doente, junto com a minha “gordura” vinha o sentimento de fracasso, de inferioridade. Era uma sensação de inadequação, de vergonha.

Para conseguir ser magra, já fiz tudo o que você pode imaginar. Tomei remédios para perder peso durante 16 anos, fiz todas as dietas que existem, fiquei quase dois anos sem comer carboidratos, fiz 3 lipoaspirações. Nada resolveu. Cheguei a perder 13 quilos e mesmo assim, ainda queria perder mais 10 quilos. Era uma obsessão.
Há dois anos procurei ajuda médica, fui diagnosticada com transtorno alimentar e ainda estou em tratamento com psicanalista e nutricionista. Estou aprendendo a comer com calma, atenção e prazer.

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O que eu aprendi nesses dois anos, e gostaria que todas as mulheres aprendessem, é que a comida NÃO é a nossa pior inimiga. Quando você realmente entender isso, vai passar a degustar, a saborear os alimentos. Isso é comer com tranquilidade e prazer. Comer exageradamente ou compulsivamente para preencher vazios ou aliviar sofrimentos não é aproveitar a comida, não é prazer. 

Para nós, humanos, a comida é muito mais do que uma necessidade básica de sobrevivência. Quando a mãe amamenta seu bebê, não está transmitindo só o alimento: está transmitindo amor, proteção, prazer, afeto, carinho, cuidado. É por isso que buscamos conforto na comida. Ela é capaz de nos dar, sim, um alívio imediato, mas precisamos entender que uma barra de chocolate propicia uma sensação de prazer, mas não elimina a fonte do problema. No momento em que aprendemos a enfrentar nossos fantasmas, a aceitar que somos SIM vulneráveis muitas vezes, a acolher as nossas dores e respeitar nossos sentimentos, a comida deixa de ser uma muleta para aliviar sofrimentos.

Mas, infelizmente, ainda estamos muito no início deste processo. As meninas e mulheres ainda estão muito aprisionadas na aparência, e isso tem relação direta com problemas alimentares.

Estamos vivendo como se o nosso corpo fosse um ser estranho, um inimigo. Sentimos o corpo como se ele fosse uma foto, um molde de massinha que podemos moldar e retocar até ficar perfeito. Usamos facetune, photoshop, filtros, cirurgias, remédios, ficamos sem comer. Esquecemos totalmente que somos humanas, que nascemos com uma estrutura óssea e muscular diferente da dos outros e que cada corpo tem um formato único. Nós esquecemos tudo isso. Mas podemos e vamos mudar!

O nosso corpo NÃO está errado. O seu corpo NÃO está errado. 

Por que vamos continuar permitindo que a indústria da beleza, das dietas, da moda, as revistas, as blogueiras, as redes sociais, a televisão e o cinema digam como o nosso corpo deve ser? Danem-se todos vocês que transformam as mulheres em objetos padronizados. Danem-se também os sites e perfis de fofoca no Instagram, que publicam todos os dias este tipo de coisa: “Fulana exibe corpo perfeito”, “Fulana exibe quilinhos a mais”, “Fulana exibe celulite”, “Que lacre esse corpo”, “Pisa menos”, “Um corpo é um corpo”… e milhares de frases idiotas para enfatizar que existe o “tipo de corpo que é lacre” e o “tipo de corpo que é vergonha”. Quase sempre são mulheres julgando mulheres.

Quem disse que certos corpos estão certos e outros errados? Quem disse que devemos sentir vergonha do nosso corpo? Não existe corpo certo, nem errado. Errado é você adoecer para tentar transformar o seu corpo em uma fotografia perfeita. Seu corpo é humano, não é uma foto, não é uma tela, não é molde de massinha.

Tente, aos poucos, mudar o que você pensa e sente sobre o seu corpo. Olhe-se no espelho como uma criança que está se vendo pela primeira vez, sem julgamentos, sem preconceitos. Ninguém nasce odiando o próprio corpo. Alguém nos ensina a não gostar dele. Mas veja, se aprendemos a odiar, também podemos aprender a amar! Talvez você encontre alguma resistência, mas não desista! Não é possível mudar de uma hora para outra algo que foi estabelecido há tantos anos.

Comece a transformar os pensamentos negativos sobre você e seu corpo em respeito, amor e autocompaixão. Precisamos acabar o hábito de pensar, sentir e falar coisas ruins a nosso respeito. Isso não muda apenas a maneira como você trata o seu corpo e como você se alimenta – muda também a maneira como vive a sua vida.