Browsing Category

#paposobremulheres

2 em #paposobremulheres/ Autoconhecimento/ Autoestima/ Comportamento/ Saúde no dia 30.03.2018

Papo Sobre Mulheres: o padrão de beleza em uma mulher de 50 anos

Fui convidada mais uma vez para escrever algo para vocês, aqui no Futilidades. E fiquei muito honrada por isso, acreditem.

Eu pensei em dois temas para abordar: menopausa e padrões de beleza atuais. O primeiro eu ainda não domino bem, pois antecipei a menopausa com a quimioterapia e isso ainda está muito recente para mim. Não quis arriscar falar com vocês sobre algo que nem eu mesma sei como está. Hahahaha!

Então, me restou falar sobre os padrões de beleza em uma mulher de 50 anos. Caraca, meio tenso, não acham? Mas vamos lá.

50-anos

Sempre fui muito cuidadosa com o meu corpo, principalmente com a minha pele. Sempre tive pavor de sol e isso acabou sendo um facilitador para minha vida. Agora vocês imaginem uma carioca que não gosta de sol? Sofri muito bullying por isso. Mas nunca liguei, afinal doía mais em mim uma queimadura (sim, eu tive queimaduras por pegar sol – não se esqueçam que nos anos 70 não tinha protetor solar, muito pelo contrário. Tinha pasta d’água ou Hipoglós no máximo. E para tirar no banho era um sofrimento) do que um deboche de alguém.

E pensando no sol, lembrei do poema do Pedro Bial “Filtro Solar”. Ele está certíssimo galera. USEM FILTRO SOLAR.

Hoje muitas pessoas elogiam a minha pele. Mas todas elas já deduzem que ela é bem cuidada e soltam logo “mas você não pega sol, né?” Não, não pego de jeito nenhum. Mas, claro, e com toda razão, vocês vão me perguntar sobre a minha vitamina D. E eu respondo: reponho com medicação. Fim.

O cuidar da pele precocemente é muito importante para um bom envelhecimento da mesma. Aliás, todo cuidado que temos precocemente com nosso corpo – incluo aí a saúde física e mental – são grandes facilitadores de um bom envelhecer.

Sou adepta dos mil cremes para se usar. AMO! Mas o que me diferencia de muitas de nós é que eu os uso de verdade, diariamente, sem pular uma etapa. E uso também em qualquer viagem que eu faça (minha necessaire é quase maior que minha mala – hahahaha).

Um cuidado com a pele é um resultado que se vê a longo prazo. E todas nós vamos envelhecer, é fato.

Sou adepta dos procedimentos também mas com toda a precaução possível. Temos que ter cuidado com isso. Eu não quero que vocês me olhem e digam que eu pareço mais nova. Eu quero que vocês digam que eu estou bem para a minha idade. Acho que esse é o pulo do gato (pelo menos o meu pulo): saber que temos uma idade e sabermos vivê-la.

Sou uma mulher que ama moda. Sempre estou antenada com tudo que acontece no mundo fashion. Mas sempre tive o cuidado de adaptar o que está na moda à mim. Sempre soube estar atual sem ser escrava dos padrões. Ai vocês podem perguntar: mas como?

É isso que eu quero muito que vocês entendam: eu criei um estilo para mim e sigo esse estilo desde sempre. Faço uma releitura do que é in no momento para o meu estilo. Por exemplo: o lurex está na moda. Eu me vejo com um body decotado de lurex? Não. Mas me vejo com um conjunto de pantalona e blusa wrap de lurex. Deixei de usar o lurex? Não. Mas o adaptei ao meu estilo e gosto.

Adaptar é o melhor verbo para não se deixar levar pelos padrões impostos. Tudo pode ser adaptado, até porque ninguém é igual à ninguém. E essa autoconfiança é que devemos ter para seguirmos em frente, para entendermos que a idade chega mas não nos engessa, que podemos ser modernas e atuais sem termos que pensar como (ou tentar parecer com) uma menina de 20 anos, por exemplo. A maturidade é benéfica. Ela pode ser até precoce mas, com certeza, ela chega e devemos abraça-la, sabermos tirar proveito dela da melhor maneira possível.

E com essa maturidade vem um equilíbrio emocional, fundamental em qualquer idade, né? Quando temos esse equilíbrio tudo fica mais tranquilo. E com tranquilidade fazemos tudo certo. Ou quase tudo! Hahahaha!

Ah, e ler. Ler muito. Não deixar que seu cérebro funcione lentamente. Ative-o, alimente-o. Nos é permitido sermos antenadas.

A minha receitinha de bolo que eu divido com vocês, para chegar aos 50 com os mesmos 50 bem vividos?

Usar filtro solar;

Colocar o corpo para trabalhar;

Alimentar a mente diariamente;

Adaptar o que tentam nos impor para o nosso bem estar;

Acreditar em nós mesmas – termos a autoconfiança de não nos deixar influenciar por nada e ninguém;

E ser feliz, muito feliz. A felicidade é a cereja do bolo que vamos tentar fazer com essa receita.

3 em #paposobremulheres/ Autoestima/ Comportamento no dia 29.03.2018

Papo Sobre Mulheres: Pelo meu direito de ser feliz como eu sou

Viver sendo diferente do que a sociedade considera padrão é uma árdua tarefa. Todo momento alguém vai te lembrar dos motivos pelos quais você é diferente. Todo dia alguém vai te dizer que você não é suficiente. Lutar contra isso é uma batalha diária. Não é fácil encontrar o caminho da aceitação, mas quando conseguimos nos entender e ficar bem com nós mesmos, não existe nada mais libertador.

Eu praticamente não tenho nenhuma memória da minha vida em que eu não tenha sido uma menina gorda. Desde muito pequena eu tive que aprender o que é ser mulher em uma sociedade machista, mas se já não é fácil saber lidar com toda opressão que as mulheres sofrem, eu também aprendi muito cedo o que era o preconceito: a gordofobia.

Quando se torna difícil conseguir comprar uma simples roupa para trabalhar, como também pegar um transporte público, você se dá conta que o mundo em que vivemos não foi feito para as pessoas gordas. Consequentemente você está à margem, e vai ter que buscar um jeito de se adaptar.

stella-ravalhia

Não são as mulheres gordas que estão em destaque na TV, no cinema, nas revistas, nas passarelas, nos palcos. É no conceito de magreza que está depositado “segredo da felicidade” e a “beleza”. A mídia condena o tempo todo os corpos gordos, nos bombardeia com dietas malucas, com tratamentos estéticos caríssimos, com remédios que colocam nossa saúde em risco. Ser uma mulher gorda é muitas vezes considerado uma sentença de infelicidade eterna, o pior que pode te acontecer.

A gordofobia está até nos menores detalhes, no comentário de um parente quando fala a clássica frase que toda menina gorda já ouviu: você é tão bonita de rosto, pena que é gorda. Ou alguém que sem você perguntar absolutamente nada já vem te sugerir uma dieta da moda. Aquela vendedora da loja que diz “aqui não tem roupa para você”. Tem também aquele carinha que te curte, mas não assume para galera, porque pega mal namorar uma gorda.

Mas como lutar contra tudo isso? O que fazer para mudar essa situação? Nós precisamos nos empoderar, bater de frente com as verdades absolutas que nos foram impostas, entender que o padrão que impera, foi socialmente construído por uma sociedade que só valoriza o homem, os corpos das mulheres são reduzidos a meros objetos descartáveis. Nós não somos simplesmente gordas, isso não pode ser a única coisa que sabem sobre você, isso não pode te definir. Nós somos infinitas coisas mais. Muito mais.

Ter problema com autoestima não é exclusivo da mulheres gordas, todas as mulheres em algum momento da sua vida já se sentiram desconfortáveis em sua própria pele, afinal a pressão estética se faz presente desde o nosso primeiro dia de vida.

O amor próprio é uma verdadeira jornada de autoconhecimento. Ele não aparece de um dia para o outro, é um processo interno e externo. É se respeitar, entender quem você realmente é, ter um olhar de carinho para si próprio, não desejar ser mais ninguém além de você mesma.

O feminismo me libertou de todas as amarras que a sociedade quis me colocar, me ensinou a me amar ainda mais, me direcionou a ajudar todas as mulheres que cruzarem meu caminho, me despertou a vontade de tentar fazer a diferença. Sabe aqueles comentários ali em cima que toda menina gorda provavelmente já escutou? Não tenha medo de respondê-los, aproveite esse momento e mostre que você é maior do que isso. Você não tem que ter vergonha de ser quem é, e sim a sociedade tem que ter vergonha de reproduzir tanto preconceito e intolerância.

Eu joguei fora todos os rótulos que me colocaram. Ninguém nunca mais poderá me dizer o que vestir, como falar, o que comer, como andar, o que pensar. A maior beleza está em se amar por inteiro e entender o que isso significa. Eu sou linda, e não vai ser seu olhar preconceituoso que vai me convencer de que eu não sou.

Precisamos ocupar todos espaços, estar em todos os lugares, inspirarmos umas as outras. Sei que ainda temos um longo caminho para percorrer, mas se estamos juntas, somos mais fortes. Ser feliz exatamente do jeito que somos já é um ato de revolução.

0 em #paposobremulheres/ Autoestima/ Comportamento/ Destaque no dia 28.03.2018

Papo sobre mulheres: “ah, ela é blogueira”

Quando a Carla me chamou para escrever para o Futi para o mês das mulheres, ela foi específica: “você que é toda envolvida no tema business, fala sobre isso”. Sem saber, ela me botou pra pensar. Fiquei dias pensando se o tema business seria comigo como protagonista ou sobre outras business woman que eu admiro. Resolvi falar sobre mim e encarar como uma sessão na terapia.

Há anos eu comecei a escrever e ouvia de todo mundo como eu escrevia bem, então resolvi ter um blog, porque eu adoro uma internet e sou autodidata em vários componentes que você precisa para ter um blog. Falava dos meu interesses, só que eu sempre me cobrei para que esses interesses não se limitassem “a dicas”. Meu blog falava de moda, mas muito mais sobre o bu siness da moda, eu lia o Business of Fashion, a coluna da Vanesssa Friedman no Valor, o Fashionista.com e assinava o WWD, escrevia sobre a indústria da moda, sobre as movimentações e transformações no jornalismo com os surgimento das blogueiras, eu amava esse tema. Nem me lembro porque parei de escrever, acho que foi porque arranjei um “emprego de verdade”. Fui trabalhar com ecommerce.

Aceitei uma vaga de “estágio” no extinto e-closet porque queria começar na área de qualquer jeito, meu CV foi selecionado pelo Twitter. Que saudades da época que o Twitter era meio que nosso, fiz amizades valiosas que cultivo até hoje por causa da plataforma, a Carlinha é uma delas.

Saindo do e-closet, montei um ecommerce meu, para vender coisas minhas que não usava mais. Em três meses vendi todo o meu estoque, deu tão certo que eu desisti, perdeu a graça. Tudo foi no meio de uma separação e fiquei atrapalhada. Logo depois fui parar na Dafiti. Foi um período curto, mas insano. Respondia direto para um dos sócios, era uma pressão louca, startup baseada em modelo financeiro focada 100% em revenue. Além de cuidar de todas as campanhas – trabalho que eu não curtia, eu era editora da revista da Dafiti – trabalho que eu adorava, mas que representava pouco em faturamento, então não conseguia praticar toda a minha capacidade criativa ali.

Depois de um ano resolvi sair e meio que por acaso, criei uma consultoria para ecommerce. Não que eu tivesse muita experiência na área, o que eu tinha era o diferencial de ser alguém totalmente inserida na moda que entendia de ecommerce, uma área bem masculina e dominada por programadores e gente de marketing de performance, com perfil bem analítico. Os meus clientes se sentiam seguros comigo porque eu falava as duas línguas, a da moda e do ecommerce. Fiquei três anos com a Indie, tive clientes incríveis tipo NK Store e Jack Vartanian – mas eu não tava feliz, aliás, vivia irritada. Eu odiava o que eu fazia.

Quando meu primeiro filho nasceu, eu parei um pouco. Ainda dei uma insistida com clientes pequenos só pra fazer alguma coisa, até que fiquei grávida de gêmeos, e foi depois disso que me vi saindo de casa e deixando três bebês para ir em uma reunião que não me inspirava em nada “só pra fazer alguma coisa” – como se cuidar dos meus mini filhos não fosse suficiente.

Eu estou tentando fazer o meu melhor

Eu estou tentando fazer o meu melhor

Larguei tudo e voltei a escrever. Criei o lolla, um site de lifestyle com bastante conteúdo e estou tendo um feedback muito bacana. Mas mesmo assim, continuo inquieta. Fico inventando coisas para que ele não seja apenas um blog, para que as pessoas não me vejam como uma blogueira. Mas o que tem de errado em ser blogueira? Nada, se você pensar na definição literal de blogueira: uma pessoa que escreve sobre um tema qualquer de seu interesse em um blog. O que é bem distante das atividades das pessoas que hoje chamamos de blogueiras.

O termo blogueira se tornou pejorativo, isso é um fato. E a minha ansiedade fica incontrolável só de imaginar as pessoas ao redor  se referindo a mim como “ah, ela é blogueira” com aquele tom sarcástico de desaprovação. E foi só agora, escrevendo esse texto, que me dei conta que a sensação que eu tinha quando tinha a consultoria ou quando eu era gerente de campanhas na Dafiti era a mesma. O pavor do julgamento dos outros perante o meu trabalho sempre vai existir, é um problema meu. Mesmo se eu estiver no conselho da ONU lutando por uma causa mundial, vou me sentir uma full time impostor, como se não merecesse estar lá.

Acho que meu caso é tão sério que eu não me atrevo a chamar meu problema de Síndrome do Impostor porque acho que só pessoas que já chegaram lá podem se sentir impostores e sinto que estou há anos desse acontecimento. Preciso arranjar um forma de parar de me boicotar e principalmente, parar de ignorar aquilo que eu sei que sou boa. Eu inspiro as pessoas de alguma forma, seja escrevendo, seja trazendo conteúdo diferente e interessante ou mostrando as coisas lindas da vida. Eu não preciso necessariamente estar na frente de um ecommerce com uma performance espetacular só porque eu “entendo de ecommerce”.

Todo mundo precisa de inspiração, muita gente precisa ser celebrada e o lolla é uma plataforma para isso. Eu que preciso mudar meu approach com o fato de ter um site – ou melhor, um blog – e sentir orgulho disso.