Browsing Category

Devaneios da Mari

1 em #paposobremulheres/ Comportamento/ Devaneios da Mari no dia 07.03.2018

Papo sobre mulheres: Seja uma mulher incrível pra você mesma!

Um papo recente com a Carla e a Jô me fez pensar em quem eu era uns 17 anos atrás, quando eu tinha 13/14 anos. A vida adulta era um grande sonho e parecia muito distante. Eu sonhava muito alto, sem medo, com muita vontade. Mas ao mesmo tempo me perguntava como será que eu ia conseguir alcançar tanta coisa e por onde será que eu devia começar.

Foi nessa época em que eu fui me tornando uma péssima aluna. Minhas manhãs na escola consistiam em sonhar acordada com um futuro brilhante e lidar com o turbilhão de emoções e acontecimentos da adolescência. Os anos foram passando e eu fui moldando esse futuro. Com 17 anos trabalhei como vendedora em loja, com 18 comecei a faculdade e os vários estágios em várias áreas do meu campo (moda) pra adquirir conhecimento e ao mesmo tempo entender o que eu curtia mais. Sempre ouvi em casa que se um dia eu queria mandar, eu tinha que saber fazer. E lá fui eu fazendo tudo que eu achava que seria importante ter como bagagem pra esse tão sonhado dia em que eu iria mandar.

Cheguei ao ponto de desenhar uma linha do tempo. Nela coloquei fases da minha vida futura. “Até 2010”, “até 2012”, “até 2015″… e em cada fase escrevi coisas que eu gostaria de já ter feito, pessoas que eu gostaria de já ter conhecido ou trabalhado com, lugares em que eu gostaria de ter trabalhado e em que cargos até aquele momento.

Aos poucos eu conheci todas aquelas pessoas e lugares, realizei aquelas ideias, conquistei aqueles trabalhos e o meu futuro profissional saiu do papel e pulou pra vida real. Me mudei para São Paulo (sou do Rio), trabalhei em algumas das principais revistas de moda/femininas, tenho uma agenda de contatos de respeito. Mas um dia eu parei, olhei em volta e desmoronei. Eu passei a maior parte da minha juventude vivendo no futuro. Desmoronei porque, depois de anos de análise, finalmente me dei conta de que eu vivia fugindo do presente como o Diabo foge da cruz. Porque viver o presente é para os fortes. Viver o presente é abraçar nosso eu como ele é, é encarar de frente o que precisa mudar (em nós e na nossa vida) – nossos defeitos também – é trabalhar com foco no que está fazendo naquele momento, trabalho de formiguinha, suor e lágrimas, tijolo por tijolo.

chao

Quando a gente foge do presente, a gente se refugia na megalomania do futuro idealizado.

E nessa idealização acaba entrando todo o resto. Idealização da vida amorosa, idealização da vida acadêmica, da vida adulta, da vida profissional, dos amigos, dos chefes, dos amores, dos pais, dos irmãos… E por mais que eu tenha vivido muita coisa nesses anos todos, e tenha sim me esforçado em muitos momentos pra fazer o meu melhor, na maior parte do tempo a minha mente, na verdade, estava era perambulando por esse futuro idealizado…

É muito importante e saudável ter objetivos na vida, ser obstinado e correr atrás dos sonhos? Lógico! Mas é fundamental ter os dois pés no presente. Até porque, são muitas as armadilhas. Uma das que mais caí – e até hoje faço um esforço consciente pra não cair outra vez – é a comparação. Como pode fulana com x anos já ser editora e eu com x+5 anos ainda sou repórter? Como pode fulano estar ganhando bônus milionário com idade y e eu com idade x tô repensando toda a minha carreira? É inviável viver uma vida inteira só olhando pro futuro, sem viver plenamente o presente e é também inviável viver uma vida se comparando com pessoas e jornadas que você acha que conhece, mas não faz ideia. Você não estava lá quando aquela pessoa fez uma enorme besteira e levou uma bronca que mudou a vida dela. Você não estava lá quando aquela pessoa madrugou pra fazer coisas que você talvez não faria… e foi tudo que ela viveu até ali que fez ela estar onde está. Foram as escolhas que ela fez todos os dias que a levaram até aquele lugar. E são as suas escolhas que vão guiar a sua trajetória. E cada pessoa tem uma trilha extremamente particular.

Nesse mês em que celebramos o dia da mulher eu queria propor a você que lembre de viver o presente. Que não tenha medo de enfrentar os seus monstros e não tenha medo de perder algumas batalhas. São as batalhas que perdemos, as quedas mais dolorosas, que mais amadurecem a gente. Lembre-se também de que a comparação é uma perda de tempo; ela não te leva a lugar algum – só à improdutividade. Foque em ser a sua melhor versão e você será a mulher mais incrível pra você mesma. É isso que mais importa. Feliz dia!

1 em Convidadas/ Destaque/ Devaneios da Mari/ Relacionamento no dia 19.01.2018

Sobre a arte da troca (e de ser enxergada)

Antes de falar qualquer coisa sobre o assunto que é tema desse post, preciso dizer que cheguei a escrever metade de um texto que eu joguei no lixo depois de uma troca de mensagens com a Ju Ali. Faço questão de contar isso porque vejo por aí tanta gente brigando pra ver quem tem mais razão em discussões que ganhariam muito mais se os envolvidos estivessem dispostos a trocar, mais do que gritar suas opiniões pros quatro cantos e tentar fazer todo mundo as engolir.

Digo isso também porque o assunto sobre o qual resolvi escrever – depois de um período longo sem aparecer por aqui – envolve um tema que precisa ser cada vez mais conversado. E a troca ajuda muito mais a gente a elaborar ideias mais bem formatadas e com sentido do que uma cagação de regra. É também o que eu espero em relação a esse meu texto. Não estou aqui para dizer o que cada um deve ou não fazer, como cada um deve agir, etc. Você mesma é a melhor pessoa para saber o que seu coração diz que é certo e que te faz bem. Mas o negócio é o seguinte… ao meu ver, no meu entendimento, precisamos (homens e mulheres) começar a lidar de um jeito um pouco diferente com os encontros amorosos.

Desde a publicação do artigo no site Babe sobre o encontro entre Aziz Ansari e uma fotógrafa, cujo nome foi protegido, eu só consigo pensar sobre as conversas que realmente deveríamos ter nesse momento, as questões realmente pungentes – para o qual o sensacionalismo da mídia em cima dessa história está nos cegando. Não vou defender Aziz. Na minha opinião ele foi um homem egoista e com uma grande falta de senso de oportunidade – como tantos caras que nós e nossas amigas já ficaram. Mas isso não o torna um predador. Ele é mais um cara que está ali focado em se resolver sem pensar muito em quem está na cama (ou no sofá) com ele. Não pretende machucar a pessoa com quem está, nem deliberadamente impor algo a ela, mas também não está preocupado em tornar aquele momento prazeroso pra ela.

E, a meu ver, é uma grande perda de tempo ficar chamando o cara de monstro, enquanto o problema real não é discutido. Porque o maniqueísmo enfraquece a nossa luta, que é tão importante. Existem 50 tons de relações entre homens e mulheres, entre o santo virginal e o Harvey Weinstein.

A questão sobre a qual proponho que a gente pense mais é: o que precisa mudar nesse começo de relação – ou mesmo que seja uma noite apenas – entre duas pessoas que não se conhecem tão profundamente mas estão na busca do prazer em conjunto? Pra começar, precisa ser de fato um conjunto. A fórmula atual de encontros, a forma como as mulheres heterossexuais em geral (não todas, mas muitas) se colocam, num encontro ou nos encontros iniciais, é de estar constantemente numa posição de avaliação. Quanto mais novas, aliás, mais as mulheres fazem isso. Guardam numa gavetinha no canto da mente certas características pelas quais elas pensam que o cara não vai se atrair por ela, e se vestem da pessoa que elas acham que caras gostam. Em 2018 isso ainda existe. E ainda tem revista (principalmente as voltadas pra adolescentes) que investem em pautas como “o que vestir para o primeiro encontro”, “o que eles gostam na cama”, “eles contam o que realmente pensam quando você…”

Enquanto a mensagem não mudar, homens do mundo todo vão continuar achando nada de mais em, por exemplo, considerar que é melhor te dar uma bebidinha pra ter mais chance com você, depois que você já estiver altinha, ser extremamente insistente para fazer o que ele está afim de fazer na cama até que você diga que topa ou virar pro lado assim que ele se resolver enquanto você não teve prazer algum ainda.

E podem nos chamar de chatas, ou do que quiserem. Mas a culpa disso é sim do machismo que é muito mais entranhado nas mínimas coisas da vida do que a gente pensa. Por mais desconstruído que muito cara seja, se ele não acha que de repente aquilo pode virar uma relação mais duradoura, a maioria deles não vai se preocupar muito. A maioria não vai lembrar que era, de repente, sei lá, talvez meio que interessante, se ele prestasse atenção no ser humano que está ali com ele durante aquela noite, que está na mesma busca por prazer que ele.

Porque, no fim do dia, é sobre isso que estamos falando. É sobre sermos vistas, sermos enxergadas como seres que buscam o prazer naquela relação – tanto quanto o cara. É pra ser uma troca. A mulher não está ali para ser convencida a fazer tudo que o cara planejou pra noite dele.

Não se diminua para deixar outra pessoa confortável. Não se apequene perante uma pessoa que se recusa a crescer.

Não se diminua para deixar outra pessoa confortável. Não se apequene perante uma pessoa que se recusa a crescer. Do insta @recipesforselflove

E na minha opinião, para que nós mulheres consigamos ser mais incisivas nas mensagens que passamos pra eles, sejam mensagens verbais ou não, precisamos primeiro nos enxergar em pé de igualdade com eles. Não, num primeiro encontro você não está ali para ser avaliada e se ele achar que você vale a pena ele vai querer algo com você. Vocês dois estão ali para se conhecerem e curtirem juntos a mesma noite. Essa noite não pode terminar deixando sentimentos tão opostos em cada um.

Se você acha que ser mais você, falar mais suas opiniões, vestir algo mais próximo do que você curte, etc, vai assusta-lo, afasta-lo ou desencoraja-lo a ficar com você é porque vocês não têm mesmo que estar juntos. E esse é um ponto chave no qual a autoestima entra. Porque, no fundo, muitas de nós agimos dessa forma pelo medo que sentimos de acabarmos sozinhas. Pelo medo da rejeição, por querer agradar o outro muito mais do que pensamos em agradar a nós mesmas.

Quem quer que seja o cara, pode ter certeza que não é o último homem do mundo. Qualquer que seja o tópico em comum que te fez achar que ele “valia o esforço” não é um tópico que você não possa ter em comum com outros caras. E por aí vai.

Esse texto está se estendendo, mas faço questão de falar, ainda, que ao colocar tudo que disse acima, não estou tirando do ombro dos caras a responsabilidade por não serem babacas. Mas a grande verdade é que nós – homens e mulheres – que damos o tom sobre como os outros devem nos tratar. Em qualquer situação. Por isso é tão importante que a gente trabalhe a nossa autoestima.

Se você lida com a outra pessoa como se ela estivesse acima de você (seja esteticamente, intelectualmente, profissionalmente ou o que for) a outra pessoa vai captar as suas dicas não verbais involuntárias de que ela está mais apta que você para ditar as regras naquela relação. E isso não é saudável pra ninguém.
0 em Autoconhecimento/ Convidadas/ Destaque/ Devaneios da Mari no dia 03.03.2017

Quando a gente muda o olhar pra gente e para o mundo

ilustração: Henn Kim

Depois de algum tempo já fazendo parte dessa história linda que o Futi vem contando reparei que o meu olhar mudou completamente. Não só estou me enxergando melhor como meu olhar para o mundo também está infinitamente mais benevolente. E essa é uma mudança tão inacreditável que não poderia deixar de compartilhar aqui.

Pois é, eu nunca imaginei que um dia enxergaria a vida como tenho enxergado nos últimos tempos. Admito que passei muitos anos focando nos defeitos – os meus e os dos outros – onde quer que fosse. Em fotos, em vídeos, nas redes sociais… E essa visão não se limitava apenas à questão física/visual. Também se estendia para opiniões, estilo de vida, decisões. Basicamente existia julgando o mundo à minha volta e ao mesmo tempo tendo uma visão completamente embaçada, turva, disforme, de mim mesma.

E vou te falar o que fez com que virasse a chavinha de uma vez por todas: a empatia. Falando parece bem simples; o conceito é óbvio. Se colocando no lugar do outro a gente entende melhor de onde vem aquela atitude e consegue pesar menos a mão no julgamento. Mas sabe com quem eu comecei a ser assim? Comigo mesma. Porque antes de me colocar no lugar de qualquer um eu precisava me colocar no meu lugar, precisava me achar, me enxergar, me amar, me conhecer e me ler melhor.

Estou me abrindo aqui para te incentivar a fazer o mesmo. Porque não tem um dia que eu não olhe pra trás e não sinta genuinamente como sou uma pessoa melhor, mais leve, dessa forma. Autoestima é se amar e tratar bem e também tratar bem o outro. A verdade é que mesmo quando conhecemos alguém muito bem, nem sempre vamos saber de onde partiu certa atitude. Afinal, a gente não sai contando por aí o que contamos, por exemplo, pra psicóloga. E tem coisas que nem pra ela conseguimos falar. Então se lembre sempre disso.

José Saramago diz que “todo homem é uma ilha”, o poeta inglês John Donne diz que “nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra”, pois eu acho que somos na verdade um arquipélago, uma reunião de ilhas que precisa uma da outra pra formar esse coletivo, mas que tem suas individualidades. E essas individualidades são tão particulares que algumas delas nem nós mesmos conhecemos – sobre nós mesmos. Se a maneira que eu ilustrei não faz tanto sentido pra você não tem problema, só tente se apegar ao conceito. Se você ainda está se conhecendo, por que o outro não pode estar também? Sei lá, só um devaneio…