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Book do dia

1 em Autoconhecimento/ Book do dia/ Comportamento/ Destaque no dia 12.03.2018

Book do dia: Uma pergunta por dia

Esse é um book do dia diferente porque esse livro não tem sinopse, não tem muitas palavras, tampouco tem uma história assim que você o compra.

Ganhei o meu em Outubro, no dia da pool party, um livrinho um tanto quanto especial da Raquel, uma das participantes da festa. O nome dele é “Uma pergunta por dia” e por coincidência, antes de eu ir para o Brasil, eu tinha visto em uma papelaria e ele tinha despertado a minha atenção. Inclusive pensei em comprar de presente pra Jo porque achei a cara dela, mas sabe aquelas compras que a gente vai deixando cada vez mais pra lá? Foi uma dessas.

Quando eu abri o presente nem acreditei o tamanho da coincidência – ou melhor, da sincronia. E fiquei feliz de não ter comprado pra Jo, porque foi bem mais especial ela ter ganhado o livro da Raquel do que de mim, né? rs

O nome do livro é autoexplicativo. São 365 perguntas, que vão desde coisas mais bobas como “o que você comeu hoje” ou “o que você fez” até perguntas mais complexas como “onde você se vê daqui a um ano”, “qual seu grau de ambição” ou até mesmo “quem você quer ser”. Você responde uma por dia e pronto, não tem segredo além de ser o mais verdadeira possível ao respondê-las.

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O que faz esse livro ser muito mais legal é que existem 5 espaços para respostas, ou seja, a ideia é você responder essas perguntas durante 5 anos e depois analisar o quanto você mudou (ou não) e o quanto as coisas mudaram ao longo desse tempo.

Pensar no futuro é algo que sempre me deixa muito ansiosa. Não sou uma pessoa de fazer planos a longo prazo e tenho muito problema em visualizar esse futuro. Enquanto abria a primeira página desse livro, só conseguia pensar que quando eu completasse as 1.825 respostas, o Arthur estaria com quase 7 anos (eu, por sua vez com 36) e eu sem a mínima noção do que vai acontecer além disso. Não sei se estarei morando no mesmo país, se terei outro filho, se ainda estarei casada, se o Futi vai continuar firme e forte. Claro que algumas dessas coisas, como o Futi e o meu casamento, eu espero que permaneçam na minha vida, não iguais, mas melhores. De resto, não tenho ideia e não tenho planejamentos.

Confesso que esse sentimento de ansiedade que veio quando comecei me deu um certo medinho de continuar respondendo as perguntas, só que depois que terminei a primeira, voltei para o meu confortável presente e entendi que vai ser muito bacana poder analisar cada resposta depois de um tempo. Desde então não perco um dia. Ou melhor, as vezes eu perco porque não sou tão disciplinada assim, mas aí eu respondo atrasada mesmo. :D

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Dia desses descobri que tem uma versão especial para mães, fiquei tentada a comprar.

É um exercício bem interessante de se fazer, sem contar que a sensação é gostosa como escrever num diário (saudades, pré adolescência) ou aquela brincadeira de perguntas e respostas que passava no caderno pela sala de aula. Quem está interessada nesse caminho de autoconhecimento ou quem simplesmente gosta de responder coisas sobre si, taí um jeito bem leve de começar.

4 em Book do dia/ Comportamento/ Destaque no dia 22.02.2018

Book do dia: Ainda Sou Eu, de Jojo Moyes

Quando “Depois de Você”, a sequência do sucesso “Como eu era antes de você”, foi lançado, eu fui com tanta sede ao pote que terminei o livro bem decepcionada.

A Lou que tinha me encantado no primeiro livro estava irreconhecível, as histórias que se desenrolaram não me cativaram e não achei em nenhuma página aquela sensação aconchegante de se envolver com os personagens e se encaixar dentro do livro de tal forma que fica até difícil de sair depois.

Quando a Intrínseca nos convidou para ler “Ainda Sou Eu” antes do livro ser lançado, eu fiquei com sentimentos bem misturados. Felicidade por esse convite ter sido feito, ansiedade para reencontrar Lou e um pouco de medo, afinal, não queria me sentir novamente decepcionada com essa história como  me senti com o 2º. livro, quem me conhece sabe que sou fã de carteirinha da autora.

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Qual não foi minha surpresa quando fiquei sabendo que nesse livro, Louisa Clark recebe uma proposta para trabalhar em NY. A sinopse, para quem quiser saber:

Lou Clark chega em Nova York pronta para recomeçar a vida, confiante de que pode abraçar novas aventuras e manter seu relacionamento a distância. Ela é jogada no mundo dos super-ricos Gopnik — Leonard e a esposa bem mais nova, e um sem-fim de empregados e puxa-sacos. Lou está determinada a extrair o máximo dessa experiência, por isso se lança no trabalho e, antes que perceba, está inserida na alta sociedade nova-iorquina, onde conhece Joshua Ryan, um homem que traz consigo um sopro do passado de Lou.
Enquanto tenta manter os dois lados de seu mundo unidos, ela tem que guardar segredos que não são seus e que podem mudar totalmente sua vida. E, quando a situação atinge um ponto crítico, ela precisa se perguntar: Quem é Louisa Clark? E como é possível reconciliar um coração dividido?

Talvez Louisa precisasse ter passado por aquele período estranho de “Depois de Você”, afinal, toda sua vida tinha virado do avesso. Só sei que fiquei feliz de reencontrar aquela mulher meio doidinha, desbocada, irreverente, sempre positiva, leal e com um coração enorme novamente. Só que não foi isso que me pegou.

Vê-la como recém chegada em Nova York, sendo engolida pela cidade e tentando se encontrar nesse lugar novo e um tanto quanto hostil me fez enxergar minha própria experiência um pouco de fora, e com um olhar um pouco mais gentil, eu diria. Só que também não foi só isso que me pegou.

Nesse livro, Lou amadurece a olhos vistos (ou seria páginas lidas?) e se torna responsável pelo seu próprio destino e felicidade, e isso é lindo de se ver. O autoconhecimento, inclusive, é a palavra chave desse livro onde a narrativa é muito envolvente e cheia de momentos que nos deixam sem saber o que queremos para a personagem, mas confiando em Jojo para dar um final à altura de Louisa. E, spoiler, eu achei que deu (e agora, Jojo, pode deixar Louisa em paz e pensar em outras personagens tão cativantes quanto para novos livros – obrigada, de nada).

Uma frase que eu retirei do livro que achei incrível e um resumo do que “Ainda Sou Eu” significou para mim, só para dar um gostinho em quem ainda não leu: “‘Pensei em como somos moldados pelas pessoas que nos cercam e como precisamos ser cuidadosos ao escolhê-las exatamente por esse motivo. Então pensei também que, apesar de tudo, no fim talvez seja necessário perder todas elas para de fato descobrirmos quem somos.”

Sei que, assim como eu, muita gente se decepcionou com “Depois de você”, mas eu acho que vale dar a nova chance. Depois me conta o que achou! E quem já leu, também sentiu essa felicidade que eu senti ao terminar?

0 em Autoestima/ Book do dia/ Comportamento/ Convidadas no dia 07.02.2018

Book do dia: Dias de abandono (e um papo sobre autoestima)

“Dias de abandono” retrata, com a riqueza de detalhes que os leitores de Elena Ferrante já conhecem, o abismo no qual Olga, 38 anos, é arremessada assim que Mario, seu então marido há 15, comunica que a está deixando. Assim mesmo, sem que ela tenha sido consultada ou questionada antes. Uma infeliz e arrebatadora surpresa.

A partir daí desencadeia-se um dia-a-dia de luta pela sobrevivência e adequação em um cenário totalmente inesperado, desorganizado. Olga, que tinha deixado a carreira de escritora para cuidar dos dois filhos Gianni e Illaria, da casa, da família, agora se vê sozinha para continuar cuidando de tudo, incluindo Otto – o cão da família pelo qual não demonstra morrer de paixão -, e todas as outras questões que envolvem as vidas que continuam com ela, sob o mesmo teto. Ao mesmo tempo em que lida com a dor de ter sido deixada, sem tempo para compreender o que está acontecendo, sem se quer se reconhecer.

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Olga, que comanda a narração nos aproximando de suas angústias e sentimentos, revisita essa década e meia de sua vida em busca de respostas. Convive ainda com um fantasma de sua infância, a vizinha que foi abandonada pelo marido e passou a perambular pela cidade,  descuidada de si até o fim, tornando-se a personificação – vinda também de comentários e julgamentos – do que seria a maior fraqueza de uma mulher… tudo o que Olga não queria para ela naquele momento.

O que ela precisa é conduzir seu presente latente como um equilibrista iniciante que é testada a cada novo fato, em geral envolvendo os filhos. A vida tem que seguir assim. Olga tem que se reconstruir. Ela deseja isso, por mais que em vários momentos a sensação que nos dá é a de que essa mulher apenas gira em círculos, como se não quisesse sair do lugar.

Pessoalmente, confesso, tive momentos de olhar para aquela mulher “nua” diante de mim e agradecer por eu ser eu e não ela. Em outros, a necessidade de vê-la sair do emaranhado em que sua vida estava presa me dava a necessidade de colocar a minha casa em ordem, literalmente. Cheguei a lavar a roupa do cesto que, em outras situações, até poderia esperar o acúmulo de mais peças, como se assim, eu pudesse, de alguma forma, garantir que aquela Olga e sua realidade nunca chegasse perto de mim. Como se, de alguma forma, arrumar parte da minha rotina colocaria ordem na vida da personagem. Sim, o livro mexeu comigo dessa forma.

Impossível não pensar no Papo sobre Autoestima do F-utilidades e em tantos exemplos de como são reais os abismos nos quais somos arremessadas hora ou outra; de como pode parecer simples e fácil pra mim que outra pessoa saia de uma situação, mas para ela não é tão simples assim; de como compartilhar histórias e angústias reais pode nos mover, mesmo que não estejamos diretamente ligadas a elas; e como a sororidade e o apoio são essenciais na vida de todos nós. 

A boa noticia vem com SPOILER: a medida que Olga retoma o comando de sua vida, libertando-se do que a prendia aos personagens e enredos do passado, a vida recomeça a fluir. Ela tem esse poder. Todas nós temos. As vezes, só precisamos reorganizar a casa.

PS. Comecei a ler Elena Ferrante pela trilogia anterior à famosa tetralogia, sem querer. Li “A Filha Perdida”; “Um Amor Incômodo” e “Dias de Abandono”, e entre os dois últimos li “Uma noite na praia”, que eu considero um ‘conto’ relacionado ao primeiro livro. Pelo que li e ouvi sobre as quatro recentes obras da autora, eu comecei pelos mais pesados. O que pode ser bom. Veremos!