Browsing Category

Book do dia

0 em Book do dia/ Comportamento/ Destaque no dia 06.11.2018

Book do dia: Mamãe & Eu & Mamãe, de Maya Angelou

Eu tenho uma amiga – que inclusive já participou de um book  do dia aqui – que só me dá dica de livro incrível. Livro que faz a gente pensar, que nos bota em contato com outras realidades e gera pensamentos que a gente não teria. Esse é um deles.

Antes de falar mais sobre, peraí que vou jogar a sinopse:

“Último livro publicado pela poeta e ativista, Maya Angelou, Mamãe & Eu & Mamãe descreve seu relacionamento conturbado com a mãe, a empresária Vivian “Lady” Baxter, com quem voltou a morar aos 13 anos, depois de dez sob os cuidados da avó paterna. É a jornada de uma mãe e filha em busca de reconciliação assim como uma reveladora narrativa de amor e cura.”

resenha-livro-maya-angelou-mamae-eu-mamae

Vou começar pelo fim. Eu terminei o livro no metrô, enquanto ia encontrar umas amigas (essa que me indicou estava no meio inclusive). Tava toda arrumada e maquiada e sem a mínima ideia que estava quase terminando a leitura. Aliás, para mim livro bom é esse que chega no final sem você nem perceber.

Pois bem, contextualizei isso tudo porque a maquiagem não era à prova d’água. E eu saí do metrô com a maquiagem um pouco borrada e os olhos cheios de lágrimas. Para quem não gosta de chorar na frente de ninguém – e para quem não costuma chorar muito com livros – eu falhei miseravelmente.

Mas ao contrário do que eu fiz parecer, “Mamãe & Eu & Mamãe” não é um livro triste. Mas é um livro forte. Sobre uma mãe que foi uma mulher incrível em vários aspectos, mas como Maya fala “que não sabia ser mãe de criança, mas foi uma ótima mãe de adultos”. E, acima de tudo, sobre uma filha que soube perdoar todas as lacunas que a mãe deixou abertas. Que foi deixando a raiva ir embora e permitiu-se preencher cada uma delas ao longo de toda a sua vida.

Vivian Baxter foi uma mulher decididamente forte. Soma-se a isso o pano de fundo de boa parte da história, que se dá justamente na época da segregação racial dos Estados Unidos, e você percebe claramente de onde veio Maya Angelou. A influência da mãe no discurso de Maya é clara, e incrível.

Mas o que mais me impressionou foi o quanto ela soube admitir suas escolhas como mãe sem se culpar por isso. O trecho que mais me marcou no livro todo foi justamente essa:

trecho-mamae-eu-mamae-livro

Esse trecho me impactou de diversas formas.

O primeiro impacto veio de perceber o tamanho da lucidez que essa mulher teve. Entender que seria pior se ela continuasse insistindo na maternidade não deve ter sido fácil. Se o mundo até hoje julga a mulher que decidiu não ter filhos, imagina então a mulher que teve filhos e descobriu que não era uma boa mãe? Eu sei porque quando eu menos esperava, eu estava julgando Vivian Baxter. E esse trecho do livro fez com que eu me botasse no meu lugar novamente.

O segundo acho que muita mãe vai se identificar. Quem nunca se estressou mais do que deveria com o filho? E depois se sentiu completamente culpada e se achando uma péssima mãe por causa disso? Quando ela diz que ela está explicando, não pedindo desculpas, eu fiquei impressionada com a sua força.

O último impacto veio justamente na sua noção de auto responsabilidade. Ela tomou uma decisão muito difícil e ela encarou as consequências dessa sua decisão. Sem jogar culpa em terceiros, sem se fazer de vítima e, novamente, sem pedir desculpas.

Não foi à toa que eu terminei o livro em lágrimas. Não foi por tristeza, foi por emoção. Termino aqui com esse outro trecho, que também me fez enxergar as coisas por outras perspectivas:

trecho-livro-mamae-eu-mamae

0 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Book do dia/ Destaque no dia 29.10.2018

Livros para ajudarem sua busca pelo autoconhecimento

Hoje em dia a oferta de material de autoajuda que pode incentivar todas nós a fortalecermos nossa autoestima é gigante. Tem séries, filmes, grupos de apoio, blogs e influenciadores específicos para esse nicho. E temos também livros. Muitos podem ser super relevantes na sua busca pelo autoconhecimento. E o bom deles é que podemos ir lendo no nosso tempo. Podemos voltar as páginas, iluminar trechos importantes, fazer anotações e ir assimilando as ideias aos poucos. É um processo de entrega gostoso, que pode nos ensinar muito.

Pensando nisso, pensei em deixar algumas recomendações pra vocês. São livros que eu curti, que me fizeram refletir, fizeram perceber coisas sobre mim e que são boas leituras. Se você curte o tema, vou compartilhar alguns desses livros que me impactaram recentemente:

Como curar suas feridas emocionais: Primeiros socorros para a rejeição, a culpa, a solidão, o fracasso e a baixa autoestima

“Assim como um joelho ralado ou uma dor muscular, o fracasso, a culpa, a rejeição, a solidão e a perda fazem parte do nosso dia a dia. Mas enquanto somos rápidos em fazer um curativo num corte, não tomamos providências semelhantes quando passamos por reveses emocionais.”como-curar-suas-feridas-emocionais

compre aqui 

Guy Winch é um terapeuta que decidiu criar um guia para conseguirmos reconhecer e entender como podemos encarar nossos problemas de frente. Ele nos dá opções para construirmos nosso auto-suporte, mas nos indica quando é a hora de sair do livro e procurar ajuda profissional. Uma coisa que acho sensacional no livro é que ele mostra que até as dores mais intensas, quando vistas de outra perspectiva, podem trazer ensinamentos fundamentais para a jornada rumo à felicidade. Vale a leitura.

Mais forte do que nunca: Caia. Levante-se. Tente outra vez.

“Errar faz parte da vida. Se você correr riscos e for corajoso, mais cedo ou mais tarde poderá se dar mal. Às vezes aquele projeto em que estava apostando todas as fichas vai pelo ralo ou um casamento de muitos anos chega ao fim, deixando dor e muito sofrimento pelo caminho. Não importa: todos precisam aprender a lidar com o fracasso.”

autoajuda-mais-forte-do-que-nunca

compre aqui

Você já ouviu falar em Bené Brown, ou pelo menos no seu livro mais famoso, “A Coragem de Ser Imperfeito”. Talvez você já tenha cruzado com o TED talk dela que fala sobre vulnerabilidade. Ela virou um expoente da autoajuda, e não é para menos. Se tanto no TED quanto no livro que citei ela fala sobre ser vulnerável e usar isso como uma força, esse segue pelo mesmo caminho. “Mais forte do que nunca” fala sobre fracasso. É uma super ajuda para pensar sobre qual perspectiva enxergamos o fracasso e como podemos sair dessa experiência melhores e realizadas. 

A coragem de não agradar: Como a filosofia pode ajudar você a se libertar da opinião dos outros, superar suas limitações e se tornar a pessoa que deseja

“Assim como nos diálogos de Platão, em que o conhecimento vai sendo construído através do debate, o filósofo oferece ao rapaz as ferramentas necessárias para que ele se torne capaz de se reinventar e de dizer não às limitações impostas por si mesmo e pelos outros.”

autoajuda-a-coragem-de-nao-agradar

compre aqui

Este livro, escrito por Ichiro Kishimi e Fumitake Koga, é um debate entre um jovem e um filósofo, e é o tipo de leitura que te dá muitos insights. Faz você pensar, refletir e te fortalece na construção dessa ideia de desistir da unanimidade, discutindo temas como autoestima, raiva, autoaceitação e complexo de inferioridade. E apesar de falar sobre psicologia e filosofia, a linguagem é super acessível para todas. A narrativa é ágil e super interessante, a conversa entre o jovem e o filósofo faz com que a gente se torne espectadoras que absorvem todo o conteúdo. É o best seller ideal.

Qual foi o livro de autoajuda que realmente te ajudou?

0 em Book do dia/ Comportamento no dia 03.09.2018

Book do dia: Fome, de Roxane Gay

Sabe livro que vira febre e, do nada, tá todo mundo falando dele e dizendo como ele é incrível e que precisa ser lido? Pois é, esses são meus preferidos. E “Fome” é basicamente a Nanette dos livros, principalmente no nosso meio, onde falamos e ouvimos muito sobre autoestima e, consequentemente, questões corporais e transtornos alimentares.

fome-roxanne-gay

Para quem nunca ouviu falar desse livro, a sinopse:

Nesta autobiografia escrita com sinceridade impressionante, a autora best-seller Roxane Gay fala sobre como, após sofrer um abuso sexual aos doze anos, passou a utilizar seu próprio corpo como um esconderijo contra os seus piores medos. Ao comer compulsivamente para afastar os olhares alheios, por anos Roxane guardou sua história apenas para si. Até conceber este livro. Esta não é uma narrativa bem-sucedida de perda de peso. E este também não é um livro que Roxane gostaria de escrever. Entretanto, é uma história que precisa ser contada, e ela o faz com seu estilo contundente e impetuoso, ainda que dotado de um humor mordaz, características que a tornaram uma das vozes mais marcantes de sua geração. “Fome” é um relato ousado, doloroso e arrebatador.”

Fiquem com esse final: “relato ousado, doloroso e arrebatador”. Porque é exatamente isso que ficou para mim quando eu li a última linha e fechei o livro. Não poderia ter sido definido de melhor forma.

Na verdade, eu acho que não tava preparada para tanta sinceridade. Por diversos momentos eu me vi remexendo na cadeira, desconfortável, incomodada por toda sua clareza – e também pela falta de enfeites usados para contar sua história.

A percepção que Roxane tem sobre sua relação com seu corpo e com a sociedade é quase assustadora de tão consciente, por isso a gente consegue entender a ousadia que frequentemente é associada à esse título. Como Roxane ousou falar sobre seu corpo dessa forma? Como ela ousou se mostrar tão vulnerável? Como ela ousou falar sobre as dificuldades reais encontradas em uma pessoa com o grau de obesidade que ela tem?

Aliás, preciso falar sobre essa última pergunta, porque ela foi crucial para eu ter amado tanto o livro. Enquanto eu virava as páginas e acompanhava seu relato visceral, me caiu uma ficha muito chocante. Ali, enquanto Roxane mostrava cada detalhe de si mesma (Tour do corpo? É esse livro!), pude perceber que eu ainda tenho resquícios gordofóbicos quando se trata de alguém tão fora dos padrões que não tem número do IMC ou em loja para encaixá-la.

Fiquei chocada ao descobrir que eu, em diversos momentos, pensava com meus botões que ela precisava emagrecer. Porque a ideia de viver sem se encaixar em nenhum tipo de padrão, na minha cabeça de pessoa que nunca precisou se preocupar com isso, soa muito angustiante. Desesperadora, talvez.

Até que eu entendi que Fome não é um livro feito para a gente dar opiniões. Ele, de fato, como a sinopse falou, é uma história que precisa ser lida – e não retrucada. Só ler, absorver e, acima de tudo, ter empatia. Uma pessoa que está ali, tão vulnerável, não precisa de julgamentos.

Fome não é um livro bonito, inspirador, que vai salvar sua vida ao te apresentar uma resposta infalível ou te ensinar a como se amar mais. Ao contrário, ele é recheado de gatilhos e de verdades dolorosas demais. Ele não te dá respostas mas te dá muito material para pensar e refletir. É o tipo de livro que cada pessoa vai ser tocada de uma forma de acordo com suas vivências, e essa foi a minha.